SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.10 issue20MACEDO, ALENCAR, MACHADO AND CLOTHING author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Article

Indicators

Related links

  • On index processCited by Google
  • Have no similar articlesSimilars in SciELO
  • On index processSimilars in Google

Share


Machado de Assis em Linha

On-line version ISSN 1983-6821

Machado Assis Linha vol.10 no.20 Rio de Janeiro Jan./Apr. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1983-6821201710200 

Editorial

Editorial

Hélio de Seixas Guimarães1 

Marta de Senna2 

Ana Cláudia Suriani da Silva3 

1Editor. Universidade de São Paulo. São Paulo, São Paulo, Brasil

2Editora Sênior. Fundação Casa de Rui Barbosa. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

3Editora do dossiê "Machado e a Moda". University College of London. Londres, Reino Unido

A Machado de Assis em linha chega a seu vigésimo número com o dossiê temático "Machado e a Moda", organizado por Ana Cláudia Suriani da Silva, da University College of London. O dossiê parte do pressuposto de que a moda não se refere apenas às tendências predominantes na indumentária e em seus acessórios durante um certo período, as quais vão sendo substituídas por novos estilos num ritmo ditado às vezes pela própria alternância das estações do ano; ela abrange também outros setores da atividade social, como o lazer (incluindo a leitura), a voga dos bairros habitacionais de prestígio e as profissões em alta.

Muitos textos literários, especialmente aqueles do final do século XVIII em diante, articulam a relação entre moda, status social e sexualidades em diferentes níveis. Já no século XIX, a proliferação de revistas de moda na Europa e nas Américas esteve ligada a uma crescente demanda por leitura e material de costura, o que forneceu tanto a escritores principiantes quanto a consagrados um meio para a difusão de sua produção literária e um público cativo de leitores.

Tendo esses dados como referência, o dossiê compõe-se de uma seleção de artigos que examinam a presença da moda nos romances e contos de Machado de Assis em três frentes principais: a das colaborações do escritor com revistas de moda do século XIX, a dos textos que tratam de moda mas foram publicados em outros tipos de periódicos ou formatos, e as adaptações de obras de Machado para meios audiovisuais nos séculos XX e XXI.

Na seção "Da Tradição Crítica", que abre o dossiê, reproduzimos o ensaio pioneiro "Macedo, Alencar, Machado e as roupas", no qual Gilda de Mello e Souza investiga os diferentes vínculos entre personagens, vestimenta e erotismo nas obras desses três grandes escritores brasileiros.

Em seguida, o artigo de Ana Cláudia Suriani da Silva examina a importância da revista de moda para a consolidação de Machado de Assis como grande contista, através de um levantamento e comparação dos contos publicados pelo escritor nos jornais diários e revistas de moda ao longo dos quarenta anos em que ele se dedicou a esse gênero.

O artigo "Nas tramas do tecido: indumentária de personagens machadianas e suas representações culturais identitárias", assinado por Débora Bender, Cátia Kupssinskü e Claudia Schemes, percorre as menções ao vestuário em contos publicados nas duas principais revistas de moda com que Machado colaborou, A Estação e o Jornal das Famílias, procurando correlacioná-las à cultura e a questões identitárias do século XIX, na cidade do Rio de Janeiro.

Os dois artigos seguintes, de Josilene Lucas da Silva e Bruna da Silva Nunes, concentram-se na análise de contos específicos. O primeiro analisa de que maneira o conto "A mulher de preto" se desvia sutilmente do projeto editorial de Jornal das Famílias, enquanto que o segundo analisa a relevância das referências e representações da moda e do vestuário em "A senhora do Galvão" para a construção da personagem Maria Olímpia.

Com os artigos de Geannetti Tavares Salomon e Mariana Millecco, passamos dos contos para a obra romanesca. Geannetti Salomon discute no seu texto a forma com que o escritor se apropria em Esaú e Jacó de realidades sociais cotidianas, relativas à modernidade de seu tempo e à moda, e as imprime nas estratégias de criação literária. Mariana Millecco apresenta, por sua vez, uma análise da construção do figurino e da linguagem visual da personagem Capitu na minissérie Capitu (2008), veiculada pela Rede Globo de Televisão e dirigida por Luiz Fernando Carvalho.

O último artigo do dossiê temático, de Élide Valarini Oliver, mostra que a indumentária está no centro da construção narrativa de Machado de Assis, pois assume significações que vão muito além do acessório.

Para finalizar o dossiê, publicamos uma entrevista com Beth Filipecki e um caderno de imagens. Na entrevista, a figurinista da minissérie Capitu, e de muitos outros programas de televisão baseados em textos literários, trata das etapas envolvidas na criação de figurinos para personagens literárias e detalha o processo de concepção e produção da minissérie. O caderno de imagens trata de algumas das principais adaptações cinematográficas e televisivas mostrando a indumentária criada para as personagens, acompanhadas de citações retiradas das obras de Machado de Assis.

Aos artigos do dossiê, juntam-se dois outros textos.

No primeiro deles, Diego do Nascimento Rodrigues Flores revela, com base no estudo crítico do poema "Lua da estiva noite", de Machado de Assis, que este consiste numa tradução do poema "Serenade", do poeta norte-americano Henry Wadsworth Longfellow. No percurso da análise, o autor examina os procedimentos tradutórios do escritor e propõe relações entre sua produção autoral e seus processos de tradução.

Fechando este número, Eunice Terezinha Piazza Gai e Ernesto Söhnle convocam alguns conceitos de Jacques Lacan para a leitura dos contos "Teoria do medalhão" e "O espelho". Nesse cruzamento, buscam entender a complexidade da atual conjuntura sociopolítica brasileira, e também internacional, na qual, segundo os autores, "o esvanecimento da vergonha abriu as portas para a conversão de qualquer dignidade significante em significante contábil". Com isso, ainda segundo os autores, a sociedade se pautaria progressivamente pelas formas imaginárias de sobrevivência e/ou ilusão, conferindo um estatuto perverso até mesmo à política, restando disseminada a identificação imaginária com as imposturas de ocasião.

Ao reunir ensaios de críticos consagrados que trataram de Machado de Assis, artigos de pesquisadores reconhecidos em seus campos de atuação e textos de jovens pesquisadores, e ao congregar estudiosos de vários estados do Brasil e de vários outros países, a MAEL mantém, em seu décimo ano de existência, os princípios que motivaram sua criação, em 2008: a disseminação do conhecimento sobre a obra do autor, em seus múltiplos aspectos, e o compromisso com a excelência acadêmica.

Hélio de Seixas Guimarães, Editor
Universidade de São Paulo
São Paulo, São Paulo, Brasil
Marta de Senna, Editora Sênior
Fundação Casa de Rui Barbosa
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Ana Cláudia Suriani da Silva
Editora do dossiê "Machado e a Moda"
University College of London
Londres, Reino Unido
Abril de 2017

Creative Commons License  This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License, which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.