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Machado de Assis em Linha

versão On-line ISSN 1983-6821

Machado Assis Linha vol.10 no.21 São Paulo mai./ago. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1983-6821201710210 

Editorial

Editorial

Hélio de Seixas Guimarães, Editor1 

Marta de Senna, Editora Sênior2 

1Universidade de São Paulo. São Paulo, São Paulo, Brasil

2Fundação Casa de Rui Barbosa. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

Este número da Machado de Assis em linha começa e termina sob o signo da correspondência. No artigo que abre a edição, Regina Zilberman, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, trata de duas cartas de Aluísio Azevedo dirigidas a um incerto Giovani, que a crítica acredita ser um pseudônimo de Machado de Assis. Nelas, o autor de O mulato discute os dilemas comuns aos escritores oitocentistas entre produzir obras inovadoras e viabilizar suas carreiras literárias fazendo concessões ao gosto do público leitor. No artigo que encerra a edição, Antonio Dimas, da Universidade de São Paulo, trata da correspondência em cinco volumes, publicada pela Academia Brasileira de Letras entre 2008 e 2015, sob coordenação de Sergio Paulo Rouanet e anotações de Sílvia Eleutério e Irene Moutinho; ao reconstituir a história das publicações da correspondência de Machado de Assis, até recentemente considerada pouco relevante, Dimas discute o impacto da monumental correspondência sobre os estudos machadianos.

Entre as duas pontas deste número, dois artigos discutem os modos de comportamento dos narradores machadianos. Carlos Pires, do Instituto Superior de Ensino Vera Cruz, em São Paulo, analisa as oscilações de perspectiva adotadas pelo narrador em "O alienista", propondo serem elas sintomas das mudanças de concepção sobre a literatura e a vida social vividas por Machado na transição da década de 1870 para a de 1880. Nathaniel Wolfson, da Universidade de Harvard, analisa por sua vez a categoria de narrador volúvel, proposta por Roberto Schwarz, a partir do exame e da valorização dos capítulos de transição de Memórias póstumas de Brás Cubas, aqueles que funcionam como erratas, comentários e digressões.

A discussão sobre a alegoria nacional e seus limites é explorada em outros dois artigos. João Albuquerque, da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, mostra as tensões entre nacionalismo e cosmopolitismo no ensaio "Notícia da atual literatura brasileira". Juracy Assmann Saraiva, da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul, compara Leite derramado, de Chico Buarque, e Memórias póstumas, de Machado, propondo que os dois romances, além de refletirem sobre suas próprias faturas, também podem ser lidos como alegorias da história do Brasil.

A reflexão sobre o gênero romanesco no interior do próprio romance é também o assunto de Rogério Fernandes dos Santos, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, em "A evocação do romance e o espírito suspeitoso em Ressurreição" (1872). Santos propõe que Machado discute por meio do hesitante personagem Félix as características do gênero em que se lançava e que o consagraria.

O artigo de Diego do Nascimento Rodrigues Flores, da Universidade Federal do Espírito Santo, levanta elementos que sugerem que o conto "O casamento do Diabo" foi de fato "imitado do alemão". A imitação, até agora contestada por críticos como Jean-Michel Massa e Gondin da Fonseca, torna-se mais provável pelo cotejo com uma versão alemã da canção "Satan Marié", de Gustave Nadaud, que pode ter sido utilizada por Machado de Assis para, com provável auxílio de Henrique Fleiuss, compor "O casamento do Diabo".

Por fim, este número faz uma homenagem ao professor e crítico literário Antonio Candido (1918-2017) com a publicação de dois de seus textos na seção "Da Tradição Crítica". Em "Duas notas" e "Prefácio de um livro", o autor de um dos ensaios mais sugestivos e influentes sobre a obra machadiana, "Esquema de Machado de Assis", trata de um certo fatalismo bem como da elegância estilística do autor de Quincas Borba e Esaú e Jacó. Uma elegância que também pautou a vida e a escrita de Antonio Candido.

Hélio de Seixas Guimarães, Editor
Universidade de São Paulo
São Paulo, São Paulo, Brasil
Marta de Senna, Editora Sênior
Fundação Casa de Rui Barbosa
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Julho de 2017

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