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Machado de Assis em Linha

versão On-line ISSN 1983-6821

Machado Assis Linha vol.10 no.22 São Paulo dez. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1983-6821201710220 

EDITORIAL

Editorial

Hélio de Seixas Guimarães1 

Marta de Senna2 

Pedro Meira Monteiro3 

1Editor. Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil

2Editora Sênior. Fundação Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

3Editor Associado Internacional. Princeton University, Princeton, New Jersey, Estados Unidos

Este número 22 da Machado de Assis em linha tem como ensaio de abertura “Progênie em Machado – algumas questões em Memórias póstumas de Brás Cubas e Esaú e Jacó”, de Élide Valarini Oliver. Nele, a professora e pesquisadora na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, propõe conexões entre temas recorrentes na obra de Machado de Assis, relacionados a diferentes disciplinas e áreas do conhecimento. Assim, predestinação, utilitarismo, gnosticismo, teoria da evolução e darwinismo social teriam em sua base um mesmo modo de pensamento, respondendo a uma visada última, coesa e em perspectiva, que envolveria a totalidade da obra do escritor

A incidência de questões religiosas sobre a obra de Machado de Assis é o assunto dos artigos de Pablo Simpson e Carlos Ribeiro Caldas Filho. Em “Católicos integrais, cético absoluto: duas leituras de Machado”, Simpson, professor e pesquisador da UNESP, em São José do Rio Preto, examina como Alceu Amoroso Lima e Álvaro Lins, dois críticos católicos de grande importância em meados do século XX, lidaram com a obra machadiana, marcada por traços negativos e pela irreverência em relação aos dogmas de qualquer espécie. Por sua vez, o professor e pesquisador da PUC-Minas, Caldas Filho, examina como a abordagem hermenêutica judaica operaria na paródia que o escritor faz do episódio do dilúvio no conto “Na arca”, publicado em Papéis avulsos.

O desejo é o assunto comum aos ensaios de Conceição Aparecida Bento e Osmar Pereira Oliva. Em “A fofoca e o desejo de Marocas”, a professora e pesquisadora da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri mostra como o desejo da personagem do conto “Singular ocorrência” é entrevisto a partir do diálogo dos dois personagens masculinos. O professor e pesquisador da Universidade Estadual de Montes Claros Osmar Pereira Oliva, em “Amizade masculina e homoerotismo em Dom Casmurro, de Machado de Assis”, trata das representações da masculinidade e das marcas do homoerotismo no romance a partir da descrição que Bentinho faz do seu amigo Escobar.

Em “Distinção e marginalização no campo literário e o caso de Machado de Assis”, Daniel Castello Branco Ciarlini, pesquisador na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, analisa o impacto do aparecimento da obra de Machado de Assis na sociedade brasileira oitocentista a partir de conceitos oriundos da sociologia da cultura e da estética da recepção.

As conexões dos escritos de Machado com seu lugar e tempo histórico também são examinadas pelos outros dois artigos que fecham a edição. Em “O caso da vara”: farsa e tragédia no alvorecer da República”, o pesquisador na Universidade Federal do Rio Grande do Sul Maurício dos Santos Gomes relê o conto como ponto de ligação entre as violências do tempo de sua publicação, os primeiros anos do período republicano, e as do tempo em que se passa sua ação, marcado pela escravidão. Em “O Rio de Janeiro nas crônicas de A Semana”, Benito Petraglia, pós-doutorando na Universidade Federal Fluminense, recompõe a paisagem urbana do Rio de Janeiro da década de 1890, tempo de grandes transformações da cidade, por meio das crônicas publicadas por Machado entre 1892 e 1897.

Na seção “Da tradição crítica”, trazemos desta vez um artigo de Manuel Cavalcanti Proença, no qual ele examina a presença dos lugares-comuns e dos clichês no estilo machadiano. O importante crítico e filólogo, autor de estudo clássico sobre o romance Macunaíma, de Mário de Andrade, é assim homenageado pela revista, que agradece ao seu filho, Ivan Cavalcanti Proença, a permissão para publicação do artigo “Duelos y quebrantos”.

O número traz ainda uma resenha do livro O romance que nunca foi lido: Helena, de Machado de Assis, de Eduardo Luz, escrita por Marta de Senna, editora sênior da MAEL.

Por último, um aviso: a publicação do dossiê “Machado de Assis e a história”, organizado por Leonardo Affonso de Miranda Pereira e Sidney Chalhoub, inicialmente previsto para sair neste número 22, foi adiada para o próximo número, a ser publicado em abril de 2018.

Hélio de Seixas Guimarães, Editor
Universidade de São Paulo
São Paulo, São Paulo, Brasil
Marta de Senna, Editora Sênior
Fundação Casa de Rui Barbosa
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Pedro Meira Monteiro, Editor Associado Internacional
Princeton University
Princeton, New Jersey, Estados Unidos
Dezembro de 2017

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