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Machado de Assis em Linha

On-line version ISSN 1983-6821

Machado Assis Linha vol.11 no.23 São Paulo Jan./Apr. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1983-6821201811239 

VÁRIA

VERSOS NAS POESIAS COMPLETAS DE MACHADO DE ASSIS

VERSES IN MACHADO DE ASSIS’S COMPLETE POETRY

RILANE TELES DE SOUZA1 

1Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória, Espírito Santo, Brasil

Resumo

Este artigo faz um levantamento dos versos empregados por Machado de Assis em seus quatro livros de poesia. Quando reuniu os primeiros três, Crisálidas (1864), Falenas (1870) e Americanas (1875), incluindo o quarto, Ocidentais, em suas Poesias completas (1901), o poeta eliminou daqueles três primeiros livros diversos poemas. Este artigo analisa comparativamente os versos conservados nas Poesias completas e os versos excluídos da obra. Além disso, foram estudados, também comparativamente, os versos empregados nos quatro livros em suas formas definitivas. Pretendeu-se evidenciar, ao longo da trajetória do poeta, os versos predominantes em cada obra.

Palavras-Chave: Poesia brasileira; versificação; Machado de Assis

Abstract

This paper surveys the verses employed by Machado de Assis in his four published poetry books. When Machado grouped his first three books of poetry, Crisálidas (1864), Falenas (1870) and Americanas (1875), with his fourth book, Ocidentais, in his Poesias completas (1901), the poet removed several poems from the first three books. This paper compares the verses that were kept in Poesias completas with those cut out of the collection. A comparative approach is also taken in studying the verses used in the four books in their definitive forms. The objective of this analysis is to show the prominent verses in each book over the course of the poet’s career.

Key words: Brazilian poetry; versification; Machado de Assis

I

Machado de Assis, ao longo de sua carreira de poeta, foi sempre adepto da doutrina de Antônio Feliciano de Castilho, exposta no Tratado de metrificação portugueza1. Com o passar dos anos, o que mudou no poeta foi a sua predileção por certos versos e certas maneiras de usá-los. Quando se examinam em sequência os livros Crisálidas (1864), Falenas (1870), Americanas (1875) e Ocidentais (1901), observa-se uma mudança sensível na predominância de versos de certas medidas e no modo de empregá-los na composição dos poemas.

Em 1901, Machado de Assis reuniu todos os seus livros de poesias publicados anteriormente, juntando-lhes um inédito, Ocidentais, no volume das Poesias completas. Ao preparar o livro para publicação, ele excluiu das três primeiras coleções uma quantidade considerável de poemas: de Crisálidas, dezesseis foram excluídos, além de um fragmento do poema "Versos a Corina"; de Falenas, nove foram excluídos; e de Americanas, apenas um.

Para além do acompanhamento puro e simples da cronologia, tais exclusões abrem possibilidades de estudo comparado dos versos que predominam entre os que Machado de Assis eliminou e os que conservou na obra. Diante desse quadro, caracterizado pela existência de dois conjuntos de textos, foram feitos um levantamento e um estudo dos versos utilizados pelo poeta nas Poesias completas, tais como ele as preparou, e no conjunto dos poemas recusados. Cada um dos três livros será analisado separadamente e, de acordo com a ordem de publicação, eles serão comparados uns com os outros.

A poesia excluída por Machado de Assis de sua obra só voltou a ser integrada ao volume das Poesias completas em 1937, pela editora W. M. Jackson Inc., por ocasião de sua quarta edição (primeira da W. M. Jackson). Houve edições pela Garnier em 1901, 1902 e 1924.2 Nem todos os poemas excluídos, no entanto, foram incorporados ao volume em 1937; sete deles, todos de Crisálidas, só apareceram na edição de 1953 (quinta da W. M. Jackson). São eles: "Lúcia", "Fé", "A caridade", "A jovem cativa", "Aspiração", "As ondinas" e "Cleópatra".3

Outra importante edição das Poesias completas foi a de 1976, feita pela Comissão Machado de Assis com o propósito de estabelecer-lhe criticamente o texto. Essa edição traz todos os poemas excluídos ao final de cada livro na ordem em que apareceram originalmente. Aqui ela será adotada como referência.4

Para o levantamento, é importante considerar que Machado de Assis, muitas vezes, combinou versos de diferentes medidas em um só poema, ou seja, frequentemente ele produziu composições polimétricas. De um modo geral, quando combinava versos de diferentes medidas, ele o fazia de tal maneira que o verso menor era um segmento rítmico do maior, ou seja, era um verso quebrado. Em casos excepcionais, o poeta empregou três ou mais metros no mesmo poema: em "Versos a Corina" e "As rosas", de Crisálidas, "Ite, missa est", de Falenas, e em "O corvo" e "Os animais iscados da peste", de Ocidentais. Em outros casos, também excepcionais, ele combinou dois metros sem que o menor fosse quebrado do maior; isso ocorre em "Última folha" e "Os dous horizontes", de Crisálidas, e em "Perguntas sem resposta", de Ocidentais.

Quando a combinação de metros era feita entre um verso e seu quebrado, o poema foi classificado pela medida do verso maior, porque o menor lhe é subordinado. Quando a combinação de versos não é feita com quebrados, ou quando a combinação envolvia mais de dois metros diferentes, o poema foi classificado de acordo com o verso numericamente predominante – desde que os metros mais breves não sejam segmentos rítmicos do mais longo (porque isso os torna subordinados ao mais longo).

Na contagem dos versos de um poema, surgem, às vezes, alguns problemas. Um verso é uma "sucessão de sílabas ou fonemas formando unidade rítmica e melódica, correspondente ou não a uma linha do poema".5 Essa distinção entre verso e linha é feita na edição crítica, e um dos seus critérios é "numerar de 1 a n todos os versos de cada peça, em algarismos arábicos".6 No entanto, apesar dos critérios, em alguns casos há confusão entre linha e verso, como pode ser observado em "Polônia", poema de Crisálidas, composto em versos decassílabos brancos:

70 Cantou essa vitória de ignomínia;

E de novo, ó cativa, o véu de luto

Correu sobre teu rosto!

Deus continha

Em suas mãos o sol da liberdade,

75 E inda não quis que nesse dia infausto

Teu macerado corpo alumiasse.7

Nessa estrofe, nota-se claramente que o verso "Correu sobre teu rosto!/ Deus continha" foi contado duas vezes, pelo número de linhas que ocupa, e não como a unidade rítmica que ele é. Outro equívoco dessa natureza pode ser encontrado no poema "Ruínas", do livro Falenas.8

Neste trabalho, os versos foram considerados e contados como unidades rítmico-melódicas, não como linhas impressas.

Diante da grande variedade de metros empregados pelo poeta, num esforço de simplificação, reduzir-se-ão os versos a dois agrupamentos: o de arte maior, que contempla versos "de oito sílabas ou mais", mais empregados na poesia erudita; e o de arte menor, que reúne "os de sete sílabas (redondilho maior) ou menos",9 mais relacionados à poesia popular, embora não exclusivos dela.

II

Crisálidas foi o primeiro livro de poesias publicado por Machado de Assis. Trata-se do livro mais lírico do poeta; sobre isso, afirmou Lúcia Miguel Pereira: "Fiado na impersonalidade da poesia lírica, Machado de Assis se expandia, contava os seus sofrimentos, os seus sonhos, as suas dúvidas".10 Nessa obra estão reunidos alguns poemas, "já quase todos publicados em jornais e revistas", que Machado de Assis enfeixou em volume, cedendo "às solicitações de amigos; estes, apesar do êxito das suas [de Machado de Assis] crônicas na imprensa, teimavam em ver nele sobretudo o poeta, o 'vate dos Versos a Corina'".11

Jean-Michel Massa, no entanto, no tocante ao ineditismo dos poemas publicados no livro, discordou de Lúcia Miguel Pereira, porque, segundo ele, "quase metade de Crisálidas é de obras inéditas".12 Na época em que o livro foi publicado, o crítico Feliciano Teixeira Leitão, adotando um ponto de vista semelhante ao de Lúcia Miguel Pereira, assinalou que o título de Crisálidas não se justificava, porque as composições enfeixadas no livro eram "em demasia conhecidas",13 ou seja, já haviam sido divulgadas.

Com as informações atualmente disponíveis, pode-se afirmar que, dos 28 poemas do livro, quinze já haviam sido publicados na imprensa periódica antes de aparecer em livro.14 Dos treze inéditos, quatro haviam sido lidos em público: "A caridade", que "foi recitado no sarau comemorativo da fundação do Retiro Literário Português, em 19-7-1862";15 "O dilúvio", que foi recitado "por D. Gabriela da Cunha, no Ateneu Dramático (S. Januário), em 1º de setembro de 1863, por ocasião da inauguração da Empresa Dramática, dos artistas Cardoso, Martins e João Caetano Ribeiro";16 "Epitáfio do México”, que foi recitado pelo próprio autor "na reunião literária e musical de despedida de Artur Napoleão, em uma casa da rua da Quitanda, a 22 de novembro de 1863";17 e "Os arlequins", que foi recitado "pelo autor, em 4 de abril de 1864, no Clube Fluminense, num sarau literário de despedida a João Cardoso de Meneses e Sousa, que se retirava pra o Norte".18 Portanto, os dados disponíveis parecem dar mais razão a Lúcia Miguel Pereira e a F. T. Leitão. Embora essa autora, estudiosa e biógrafa de Machado de Assis, tenha-se referido à publicação em jornais e revistas, a divulgação oral é também uma forma de dar publicidade ao texto.

Crisálidas foi o livro que mais teve exclusões; ao todo dezesseis poemas foram eliminados dele, além de um fragmento do poema "Versos a Corina": "Lúcia", "O dilúvio", "Fé", "A caridade", "A jovem cativa”, "No limiar", "Aspiração", "Cleópatra", "Os arlequins", “As ondinas", "Maria Duplessis", "As rosas", “Os dous horizontes", "Monte Alverne", "As ventoinhas", "Alpujarra”. Originalmente, o livro tinha 28 poemas de Machado de Assis e um poema de Faustino Xavier de Novais, que também foi excluído e não apareceu nas Poesias completas.

Dos poemas conservados nas Poesias completas cinco (42%) estão compostos em versos de arte maior (decassílabos e alexandrinos) e sete (58%) em versos de arte menor (heptassílabos, hexassílabos e pentassílabos). Entre os poemas excluídos, onze (69%) estão compostos em versos de arte maior (decassílabos e alexandrinos) e cinco (31%) em versos de arte menor (heptassílabos e hexassílabos).

Lançados esses dados num gráfico, tem-se o seguinte resultado:

Gráfico 1 Versos de Crisálidas nas Poesias completas e nas poesias excluídas 

A partir do gráfico, pode-se observar que, no que diz respeito a Crisálidas, os poemas em versos de arte menor compõem a parte mais significativa do livro nas Poesias completas (1901). Entre os versos excluídos predominam, pelo contrário, os de arte maior.

Se a medida dos versos fosse tomada como critério único para avaliação das exclusões feitas por Machado de Assis, dir-se-ia que ao poeta maduro desagradaram mais os versos longos (de arte maior) escritos na juventude. Os versos breves (de arte menor), aparentemente, ainda lhe pareciam corretos em 1901. Evidentemente, as razões da rejeição deste ou daquele poema não se vinculam exclusivamente a questões métricas; outros aspectos e outras dimensões da composição poética teriam de ser levados em consideração, se se pretendesse explicar as escolhas do autor.

O próprio poeta, em carta a seu amigo Carlos Magalhães de Azeredo, deu as razões (não métricas) pelas quais excluiu de sua obra um poema, o "Menina e moça", de Falenas. As cartas de Machado de Assis, como suas crônicas e os prefácios de livros que escreveu, fazem parte do material em que se pode buscar a compreensão plena de sua crítica literária. Sobre "Menina e moça", eis o que diz ao amigo, ao comunicar-lhe a supressão, nas Poesias completas, de diversos poemas de seus primeiros livros:

Não sei se lhe disse que cortei muita cousa dos primeiros livros; arrependi-me de alguns cortes, como a Menina e moça, por exemplo. Essa página foi suprimida por algumas alusões do tempo, como este verso:

Tem respeito à Geslin, mas adora a Dazon

que ninguém sabe que alude à professora e à modista, mas bastava cortá-lo. Enfim, não valeria a pena incluí-la.19

Geslin era uma educadora, proprietária de um colégio para meninas, e Dazon era uma modista, com estabelecimento na rua do Ouvidor.20 A presença desses nomes no poema exigiria notas explicativas, e isso não agradava a Machado de Assis. Outras possíveis razões não métricas para a exclusão das poesias têm sido apontadas por estudos recentes.21

III

Falenas foi publicado seis anos após Crisálidas, em 1870. Lúcia Miguel Pereira afirma que esse segundo livro "já tem outro tom"22, e Ivan Teixeira, que "não resta dúvida de que [Falenas] representa um progresso com relação a Crisálidas".23 Nesse livro, a crítica costuma apontar um aprimoramento no apuro formal, isto é, "a preocupação com as formas torna-se mais evidente".24 A presença do triolé, "poema lírico de forma fixa, originário da França"25, revela a preocupação do poeta em buscar novas formas. Ivan Teixeira chega mesmo a observar que se trata de "uma inovação técnica na poesia de língua portuguesa".26 O próprio poeta, em nota ao poema "Flor da mocidade", que é um triolé, afirmou: "Não me consta que se haja tentado empregá-la [a forma triolé] em português, nem talvez seja cousa que mereça trasladação. A forma entretanto é graciosa e não encontra dificuldade na nossa língua, creio eu".27 Essa forma, contrariando a previsão de Machado de Assis, agradou aos parnasianos brasileiros – Valentim Magalhães, Fontoura Xavier, Wenceslau Queirós, Adelino Fontoura e outros a usaram.28 Olavo Bilac e Guimarães Passos assim descreveram o triolé: "formado por oito versos, rimando: o primeiro com o terceiro e com o quinto, o segundo com o sexto, – e sendo o quarto e o sétimo iguais ao primeiro, e o oitavo igual ao segundo".29

Esse triolé não é o único poema em versos de oito sílabas nas Poesias completas, embora seja muito raro o uso desse metro pelo poeta. Machado de Assis o empregou também numa outra composição ("A Artur de Oliveira, enfermo"), que está em Ocidentais.

O aperfeiçoamento de Falenas não se restringiu ao aspecto formal, porque, conforme observa Cláudio Murilo Leal, nessa obra os poemas "atingem um mais alto nível de realização […] também quanto ao tratamento dos temas, cada vez mais reflexivos e universais".30

Em relação ao livro anterior, Falenas apresenta uma redução no número de exclusões, porém ainda com uma quantidade bastante expressiva; dos 35 poemas que constam na publicação de 1870, nove foram excluídos das Poesias completas, em 1901. As peças excluídas nessa ocasião foram as seguintes: "Prelúdio", "Visão", "Menina e moça", “No espaço", "Os deuses da Grécia", "Cegonhas e rodovalhos", "A um legista", "Estâncias a Ema", “A morte de Ofélia".

Dos poemas conservados nas Poesias completas, vinte (77%) estão compostos em versos de arte maior (decassílabos, alexandrinos e um octossílabo) e seis (23%) em versos de arte menor (heptassílabos e hexassílabos). Entre os poemas excluídos, dois eram de arte menor (22%) e sete (78%) de arte maior.

Lançados esses dados em um gráfico, tem-se o seguinte resultado:

Gráfico 2 Versos de Falenas nas Poesias completas e nas poesias excluídas 

A partir da observação do gráfico, percebe-se que nas Poesias completas a presença dos versos de arte maior é superior à dos versos de arte menor, ao contrário do que se observa em Crisálidas. Considerando-se apenas a questão da versificação, poder-se-ia especular que, talvez, o maior domínio da técnica poética por Machado de Assis em Falenas tenha determinado a conservação de mais versos longos na edição de 1901. Outra observação a ser feita é a de que a proporção de versos de arte maior e de arte menor entre os poemas excluídos é praticamente a mesma que se verifica nas Poesias completas. Tudo indica que o poeta não privilegiou, nas exclusões, os versos de arte maior – como fizera em Crisálidas. Em outras palavras, a aceitação dos versos de arte maior aumentou em relação à do primeiro livro. Entre os poemas excluídos de Crisálidas predominavam os poemas compostos em versos de arte maior.

Indicados num gráfico os dados relativos aos dois primeiros livros, tal como eles ficaram nas Poesias completas, tem-se o seguinte resultado:

Lendo o Gráfico 3: o ponto inicial de cada uma das linhas (a azul representando os poemas compostos em versos de arte maior, e a de cor alaranjada os poemas compostos em versos de arte menor) representa a situação de Crisálidas nas Poesias completas. Nesse livro, 42% (ponto inicial da linha azul) é a porcentagem dos poemas em versos de arte maior, e 58% (ponto inicial da linha alaranjada) é a porcentagem dos poemas em versos de arte menor. O ponto final dessas duas linhas coloridas representa a situação de Falenas nas Poesias completas. Em Falenas, 23% (porcentagem indicada pelo ponto onde termina a linha alaranjada) é a fração dos poemas em versos de arte menor, e 77% (porcentagem indicada pelo ponto onde termina a linha azul) é a fração dos poemas em versos de arte maior. A escolha da representação através de linhas coloridas serviu para pôr em evidência o fato de que houve inversão nessas proporções entre esses dois livros – fato indicado pelo cruzamento das duas linhas. Essa inversão, por sua vez, indica a passagem da versificação da escola romântica, usuária dos metros curtos, de sabor popular, para uma poética pós-romântica, mais próxima do Parnasianismo, que preferia versos longos e difíceis, de gosto erudito e requintado – há nisso certa ideia de movimento, o que também explica o fato de o gráfico ter sido preparado com linhas. Conforme se verá, o padrão iniciado em Falenas, com maioria de poemas em versos de arte maior, manteve-se e foi consolidado nos dois livros seguintes de Machado de Assis: Americanas e Ocidentais.

Gráfico 3 Comparação dos versos de Crisálidas e Falenas nas Poesias completas 

Concluindo o exame do Gráfico 3: a proporção de composições em versos de arte maior em Falenas, considerada em relação a Crisálidas, aumentou, e a de composições em versos de arte menor diminuiu. Na primeira edição, Crisálidas trazia dezesseis poemas em versos de arte maior e doze de arte menor; Falenas, por sua vez, trazia 27 e oito, respectivamente. Se na primeira edição de Falenas a proporção de versos de arte maior já era superior à de Crisálidas, na edição das Poesias completas essa diferença entre os dois livros se confirma, o que é uma observação digna de atenção.

IV

O terceiro livro de poesias publicado por Machado de Assis, Americanas (1875), tem sido considerado pela crítica uma obra "indianista". Entretanto, há no livro poemas que não são relacionados aos indígenas; o que dá unidade ao livro são os assuntos "americanos". Um dos poemas do livro, "Cantiga do rosto branco", é tradução de um poema de indígenas norte-americanos posto em prosa francesa por Chateaubriand, do qual Machado de Assis o trasladou ao português. Esse poema foi excluído do livro nas Poesias completas, o que resultou num volume de assuntos exclusivamente "brasileiros".

Nessa obra predominam maciçamente os poemas em versos de arte maior: das treze peças do livro doze estão compostas em versos de mais de oito sílabas; apenas um poema, "Niâni", está composto em versos de redondilha maior. Há, ainda, no livro, o único poema em versos eneassílabos de todas as Poesias completas – "Lua nova".

"Niâni" é um poema composto a partir de uma narrativa em prosa intitulada "História dos índios cavaleiros", publicada por Francisco Rodrigues do Prado31 no primeiro número da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1839. Esse texto narra a história de uma índia abandonada pelo marido, que se casa com outra – e a esposa abandonada morre de desgosto. Machado de Asssis percebeu na história dessa personagem semelhança com as histórias narradas nos romanceiros tradicionais da língua portuguesa:

Contam-se histórias antigas

Pelas terras de além-mar,

De moças e de princesas,

Que amor fazia matar.

Mas amor que entranha n'alma

E a vida sói acabar,

Amor é de todo o clima,

Bem como a luz, como o ar.

Morrem dele nas florestas

Aonde habita o jaguar,

Nas margens dos grandes rios

Que levam troncos ao mar.

Agora direi um caso

De muito penalizar,

Tão triste como os que contam

Pelas terras de além-mar.32

Esses versos constituem a primeira parte de "Niâni". Nas quatro partes seguintes do poema, todo composto em quadras heptassilábicas com rimas apenas nos versos pares, é narrada a história da índia desafortunada. A diferença desse poema em relação aos romances tradicionais consiste no uso, por Machado de Assis, de rimas consoantes ao longo de todo o poema, ao passo que, nos poemas tradicionais, as rimas são toantes. Essa afinidade temática explica a escolha do verso de sete sílabas para a composição do poema.

Os outros poemas narrativos de Americanas são compostos em versos decassílabos brancos, em tudo semelhantes à versificação de Basílio de Gama, poeta que Machado de Assis em extremo admirava. Vejam-se estes versos iniciais da segunda parte de "Potira", primeiro poema de Americanas, em que começa a narrativa propriamente dita (a primeira parte tem função apenas prologal):

Já da férvida luta os ais e os gritos

Extintos eram. Nos baixéis ligeiros

Os tamoios incólumes embarcam;

Ferem co’os remos as serenas ondas

Até surgirem na remota aldeia.

Atrás ficava, lutuosa e triste,

A nascente cidade brasileira,

Do inopinado assalto espavorida,

Ao céu mandando em coro inúteis vozes.

Vinha já perto rareando a noite,

Alva aurora, que à vida acorda as selvas,

Quando a aldeia surgiu aos olhos torvos

Da expedição noturna. […]33

Nada mais parecido com os versos iniciais do poema máximo de Basílio da Gama, O Uraguai, que também começa depois do fim de uma batalha:

Fumam ainda nas desertas praias

Lagos de sangue tépidos, e impuros,

Em que ondeiam cadáveres despidos,

Pasto de corvos. Dura inda nos vales

O rouco som da irada artilheria.34

Sobre a admiração que nutria por Basílio da Gama, Machado de Assis deixou um testemunho forte, na primeira parte do ensaio crítico "A nova geração", em que sobrepõe o poeta de Lindoia ao de Marília:

[…] Gonzaga tinha de certo a graça, a sensibilidade, a melodia do verso, a perfeição de estilo; mas ainda nos punha em Minas Gerais as pastorinhas do Tejo e as ovelhas acadêmicas. Bem diversa é a obra capital de Basílio da Gama. Não lhe falta, também a ele, nem sensibilidade, nem estilo, que em alto grau possui; a imaginação é grandemente superior à de Gonzaga, e quanto à versificação nenhum outro, em nossa língua, a possui mais harmoniosa e pura.35

O livro Americanas, entretanto, não é apenas indianista – ele aborda questões brasileiras mais amplas: há nele um poema sobre a flor do embiroçu, outro sobre José Bonifácio, outro sobre Gonçalves Dias.

Outra singularidade desse livro é que ele teve apenas um poema eliminado na edição de 1901. O poema, "Cantiga do rosto branco", constava de dezesseis quadras em que os três primeiros versos eram decassílabos e o último, hexassílabo. Esse era o único poema do livro que não versava sobre assunto brasileiro; trata-se de uma tradução de uma canção dos índios muskogee, do sudeste da América do Norte, feita a partir da versão em prosa francesa de Chateaubriand.36

Nas Poesias completas, Americanas ficou com onze poemas (92%) compostos em versos de arte maior e um poema (8%) em versos de arte menor. A tendência para o predomínio das composições em versos de arte maior, que se manifestara na transição de Crisálidas para Falenas, se amplia, consolida-se e se fixa. No último livro do poeta, Ocidentais, essa proporção será mantida: dos seus trinta poemas (os sonetos sob o título "Camões" foram contados separadamente), 28 (93%) estão compostos em versos de arte maior e apenas dois (7%) em versos de arte menor.

Representados num gráfico esses dados, tem-se o seguinte resultado:

Gráfico 4 Comparação dos versos de Americanas e Ocidentais nas Poesias completas 

Do ponto de vista da versificação, pode-se dizer que, em Americanas, o poeta alcançou o seu patamar mais alto e defintivo. Manuel Bandeira, apesar de reconhecer nos dois primeiros livros do poeta "certa elegância nova no cuidado da forma, tanto na linguagem como na metrificação e nas rimas", assinalou certo avanço no terceiro livro: "Esse apuro torna-se mais acentuado nas Americanas".37

Em Ocidentais, o apuro da forma poética, que vinha ocorrendo nas obras anteriores, se estabelece por completo e em definitivo. Ivan Teixeira reconheceu: "Há, basicamente, quatro tipos de texto em Ocidentais: poesia reflexiva, poesia de celebração, poesia narrativa e traduções". Sobre os "textos reflexivos", afirmou: "São todos poemas filosóficos, porque contêm um pensamento ou uma postura intelectual diante de problemas da existência".38 Segundo Cláudio Murilo Leal, nesse livro, Machado de Assis torna-se "possuidor de uma invejável maestria como artesão de seu instrumento linguístico e poético"; outra novidade da obra é que "a lírica amorosa desaparece e cede lugar ao poema filosófico ou de caráter introspectivo".39 Além disso, Ocidentais é uma obra de grande relevância para o entendimento da poesia brasileira na virada do século XIX para o XX.40

A consolidação desse padrão de versificação nas Poesias completas de Machado de Assis torna-se visível quando se lançam os dados de todos os livros num mesmo gráfico:

Gráfico 5 Versos de arte maior e de arte menor nas Poesias completas 

Conforme se vê, apenas o primeiro livro do poeta contém maioria de composições em versos de arte menor. Sua preferência pelos versos de arte maior é inegável; desde o segundo livro eles predominam. Os versos de arte maior mais utilizados por Machado de Assis foram, sem dúvida, os decassílabos e os alexandrinos. A respeito desses versos, Antônio Feliciano de Castilho afirma que o decassílabo é de "suficiente grandeza para abranger o pensamento", e o alexandrino, por sua vez, “verso mais espaçoso, que todos os outros, [é], por consequência, mais capaz de pensamento".41

Um exemplo da capacidade do verso alexandrino para abranger o pensamento pode ser encontrado no dístico que encerra a moral da fábula "Os animais iscados da peste", de La Fontaine, no livro Ocidentais:

Segundo sejas tu miserável ou forte

Áulicos te farão detestável ou puro.42

Essa fábula foi publicada pela primeira vez no tomo I das Fábulas de La Fontaine (1886), com o título de "Os animais enfermos da peste".43 Quando a incluiu em Ocidentais, Machado de Assis mudou-lhe o título para "Os animais iscados da peste". A alteração introduzida no título – substituição de "enfermos" por "iscados" – já sinaliza o teor da fábula, que consiste na busca de um culpado para o flagelo da peste que afligia os animais. O vocábulo "enfermo" tem uma conotação de neutralidade, quem está "enfermo" sofre a doença passivamente; o vocábulo "iscado", por sua vez, implica atividade do animal atingido pela doença, ele adoece por culpa sua, como consequência da atividade de ser atraído por uma isca. Na fábula, os animais reunidos, convocados pelo leão, confessam suas próprias culpas, e os mais poderosos e ferozes são absolvidos de seus crimes. Quando o burro confessa haver “lambiscado” do capim de um convento, logo é considerado o culpado pela peste:

Pois comer erva alheia! ó crime abominando!

Era visto que só a morte

Poderia purgar um pecado tão duro

E o burro foi ao reino escuro.44

A moral da história, expressa nos dois versos alexandrinos do dístico já transcrito, se desdobra em duas partes – uma para cada verso. No primeiro são expostas as duas condições a que estão sujeitos todos os seres: ou "miserável" ou "forte". O segundo declara, em paralelismo com o verso anterior, o destino desses seres: "detestável" aquele que é pobre, fraco, miserável; "puro" aquele que é poderoso, rico, forte.

Na fábula há versos de doze, oito e apenas um de quatro sílabas. O dístico que fecha o poema, encerrando em si todo o campo nocional alcançado pela fábula, se compõe de dois versos alexandrinos, fazendo justiça às palavras citadas de Antônio Feliciano de Castilho.

Nas Poesias completas há apenas um poema – "Flor da mocidade", de Falenas – composto exclusivamente em versos de oito sílabas, e, do mesmo modo, apenas um poema – "Lua nova", de Americanas – composto exclusivamente em versos de nove sílabas; não há poemas compostos em versos de onze sílabas (versos de arte maior, no sentido estrito da expressão).

O verso de oito sílabas, nas Poesias completas, aparece, também, em alguns poemas (poucos), combinado com versos de outras medidas, como o alexandrino e o tetrassílabo. Manuel Bandeira afirma que Machado de Assis "se serviu, sempre, com desenvoltura do octossílabo, não se atendo à monotonia da pausa na quarta sílaba, e foi um mestre no alterná-lo com o alexandrino ('A mosca azul', 'O corvo') e com o metro de quatro sílabas ('A Artur de Oliveira, enfermo', 'Suave mari magno')".45 Por um lado, essa passagem de Manuel Bandeira, um tanto ambígua, em parte por não deixar claro se ele se refere apenas a Ocidentais, não menciona o único poema composto exclusivamente em versos octossílabos, "Flor da mocidade", de Falenas. Por outro lado, ele menciona "Suave mari magno", composto em versos de sete sílabas combinados com versos tetrassílabos. É também ambíguo o trecho que diz: “se serviu, sempre, com desenvoltura do octossílabo". Deve-se entender, aqui, que "sempre" se vincula, pelo sentido, a "com desenvoltura", e não a "se serviu" – afinal, Machado de Assis praticamente não empregou, isoladamente, versos dessa medida (isso só ocorreu em um poema, nas Poesias completas).

Quando o verso de oito sílabas é combinado com o verso tetrassílabo, este lhe é hierarquicamente (ritmicamente) inferior; e quando combinado com o alexandrino, o verso mais longo lhe é superior. Com esse raciocínio, adotou-se neste trabalho o sistema de classificar o poema pelo verso mais extenso. Por esse critério, o poema "A Artur de Oliveira, enfermo" foi classificado como composto em versos octossílabos, embora nele se achem também tetrassílabos.

A trajetória poética de Machado de Assis resultou, conforme se viu, num quadro geral em que predominam (mais de 90%) os versos de arte maior. Esse aspecto meramente formal ganha relevância e significação se se reconhece que, na maturidade do autor, sua poesia se tornou "filosófica": "Na poesia, forma mais essencial, toda a sua [de Machado de Assis] amarga filosofia estava expressa e esgotada naqueles poucos e admiráveis poemas [de Ocidentais]".46 São os versos de arte maior (decassílabos e alexandrinos) os mais apropriados para a expressão de estruturas complexas de pensamento.

Referências

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1 CASTILHO, Tratado de metrificação portugueza.

2 Cf. SOUSA, Bibliografia de Machado de Assis, p. 100-103.

3 Cf. Idem, p. 100-105.

4 ASSIS, Poesias completas.

5 MOISÉS, Dicionário de termos literários, p. 478.

6 ASSIS, cit., p. 115.

7 Idem, p. 144.

8 Idem, p. 230-231.

9 MOISÉS, cit., p. 40-41.

10 PEREIRA, Machado de Assis: estudo crítico e biográfico, p. 127.

11 Idem, p. 125.

12 MASSA, A juventude de Machado de Assis, p. 380.

13 LEITÃO, Crisálidas. Volume de poesias de Machado de Assis, p. 380.

14 Cf. SOUSA, cit., passim; MAGALHÃES JÚNIOR, Vida e obra de Machado de Assis, vol. 1, p. 49-50 e p. 58, nota 7.

15 SOUSA, cit., p. 349.

16 Idem, p. 375.

17 Idem, p. 376.

18 Idem, p. 385.

19 ASSIS, Correspondência de Machado de Assis com Magalhães de Azeredo, p. 228.

20 MENEZES, Francesas no Rio de Janeiro: modernização e trabalho segundo o Almanak Laemmert (1844-1861), p. 11-31.

21 MIRANDA, Machado de Assis e Monte Alverne; MIRANDA, Vínculos com a vida na poesia de Machado de Assis.

22 PEREIRA, cit., p. 131.

23 TEIXEIRA, Apresentação de Machado de Assis, p. 176.

24 LEAL, O círculo virtuoso: a poesia de Machado de Assis, p. 104.

25 MOISÉS, cit., p. 465.

26 TEIXEIRA, cit., p. 176.

27 ASSIS, Falenas, p. 212.

28 MOISÉS, cit., p. 465.

29 BILAC; PASSOS, Tratado de versificação, p. 163.

30 LEAL, cit., p. 111.

31 PRADO, História dos índios cavaleiros, p. 21-44.

32 ASSIS, Poesias completas, p. 370-371.

33 ASSIS, A poesia completa, p. 147-148. Optou-se, para a citação desta passagem do poema “Potira”, pela edição preparada por Rutzkaya Queiroz dos Reis, por ser mais fiel ao texto das Poesias completas (1901).

34 GAMA, O Uraguai, p. 95.

35 ASSIS, A nova geração, p. 200.

36 ASSIS, Poesias completas, p. 440-441; GLEDSON, Machado de Assis & confrades de versos, p. 9.

37 BANDEIRA, Apresentação da poesia brasileira, p. 406.

38 TEIXEIRA, cit., p. 181 e p. 181-182.

39 LEAL, cit., p. 144-145.

40 Cf. Idem, p. 145.

41 CASTILHO, cit., p. 36 e p. 42.

42 ASSIS, Poesias completas, p. 483.

43 SOUSA, cit., p. 585-586.

44 ASSIS, A poesia completa, p. 251. Optou-se, para a citação desta passagem do poema “Os animais iscados da peste”, pela edição preparada por Rutzkaya Queiroz dos Reis, por ser mais fiel ao texto das Poesias completas (1901).

45 BANDEIRA, O poeta, p. 13.

46 Idem, p. 14.

Recebido: 08 de Agosto de 2017; Aceito: 12 de Dezembro de 2017

RILANE TELES DE SOUZA é graduanda em Letras-Português no Departamento de Línguas e Letras (DLL) do Centro de Ciências Humanas e Naturais (CCHN) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Bolsista de iniciação científica da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), em Programa de Desenvolvimento Científico Regional (DCR) do CNPq, sob a orientação do Prof. Dr. José Américo Miranda. E-mail: rilane1@hotmail.com.

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