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Fractal: Revista de Psicologia

On-line version ISSN 1984-0292

Fractal, Rev. Psicol. vol.22 no.2 Rio de Janeiro May/Aug. 2010

https://doi.org/10.1590/S1984-02922010000800008 

DOSSIÊ PSICANÁLISE: WORK IN PROGRESS

 

Violência e sintoma: o que a psicanálise tem a dizer?*

 

Violence and symptom: what psychoanalysis has to say?

 

 

Jurandyr Nascimento Silva JúniorI; Vera Lopes BessetII

IDoutor em Psicologia (Universidade Federal do Rio de Janeiro); Professor Doutor da Fundação Educacional de Além Paraíba. R. Isabel Herdy Alves, 305, São José, Além Paraíba, MG. E-mail: juradyrjunior@uol.com.br
IIDoutora em Psicologia (Paris V); Professora da Pós-Graduação em Psicologia-IP-Universidade Federal do Rio de Janeiro; Coordenadora do Grupo de Pesquisas CLINP (Clínica Psicanalítica)-UFRJ/CNPq; Pesquisadora da AUPPF; Psicanalista. Membro da EBP-ECF e da AMP. Travessa Euricles de Matos, 28; Laranjeiras. 22240-010. Rio de Janeiro. R.J. E-mail: besset@terra.com.br

 

 


RESUMO

O tema em questão é a violência em sua face de excesso no contexto contemporâneo. O objetivo deste artigo é investigar a relação entre violência e sintoma na atualidade com o aporte da psicanálise de orientação lacaniana. Nosso estudo nos permitiu aproximar a violência dos chamados novos sintomas. Procuramos mostrar como o excesso implicado nos imperativos de gozo é característico do discurso capitalista em sua relação com o discurso da ciência; assim, verificamos como tais discursos podem produzir violência. Nossa conclusão é de que a psicanálise pode levar um sujeito a questionar a violência e construir um saber sobre o que o causa.

Palavras-chave: psicanálise; subjetividade; violência; sintoma; transferência.


ABSTRACT

The issue in question is the violence in its face over the contemporary context. This article aims to investigate the relationship between violence and symptoms in the present contribution to the psychoanalysis of the Lacanian orientation. Our study allowed us to bring the violence of the so-called new symptoms. We show how the imperatives involved in the excess of enjoyment is characteristic of capitalist discourse in its relation to the discourse of science, so we see how these discourses can produce violence. Our conclusion is that psychoanalysis can lead a person to question the violence and build a knowledge on the cause.

Keywords: psychoanalysis; subjectivity; violence; symptom; transfer.


 

 

INTRODUÇÃO

O tema que norteia o presente artigo diz respeito a um problema de difícil abordagem: a violência. Este possui, em sua estrutura, uma complexidade que levanta constantemente novas questões, levando a um debate sempre em aberto.

Como objeto de investigação e pesquisa, a violência vem chamando a atenção de diversos estudiosos e pesquisadores contemporâneos, tanto por sua atualidade, como por suas implicações sociais e subjetivas. De pronto, e em termos gerais, é possível definir a violência como sendo o exercício de um poder ou de uma força sobre um outro, contra sua vontade e sem seu consentimento. No escopo deste artigo, e pelo viés da psicanálise de orientação lacaniana, interessa-nos refletir sobre o estatuto da violência no contemporâneo. Ao mesmo tempo, interrogar suas relações com a subjetividade e o sujeito em nossa época. Uma época na qual o que aparece, em primeiro plano, é o declínio da função paterna e a desorientação dos sujeitos submetidos aos imperativos do gozo no discurso capitalista. Uma questão guia nossa pesquisa: seria a violência um sintoma?

No que se refere aos animais, nos acostumamos com a ideia de que eles não são sádicos, pois matam para comer, sem requintes de crueldade. Entretanto, no humano, a dimensão do sadismo está sempre presente. Esta é uma questão que preocupava Freud (1974[1929-1930]), para quem a ferocidade dos homens em relação a seus semelhantes supera tudo quanto podem fazer os animais. Conceitos como a agressividade, o par amor-ódio, o sadismo e o masoquismo, a passagem ao ato, o acting out, as pulsões de vida e de morte, o gozo, o desejo, o narcisismo, o trauma, entre outros, evocam, em sua obra, a dimensão da violência no humano. Entretanto, Freud não constitui a violência como um conceito propriamente psicanalítico, daí a dificuldade em circunscrevê-la neste campo.

O saber analítico é um instrumento construído por Freud para interrogar a lógica inconsciente subjacente ao que poderia ser identificado como um sintoma, ou seja, como aquilo que vai mal, que incomoda e que causa um certo dano ao sujeito que dele padece. Isso não impede que a psicanálise construa propostas relativas ao que seria a particularidade do estado de violência em nossa civilização. Pelo contrário, sobretudo se a abordarmos como um sintoma tanto social quanto subjetivo. Além disso, a psicanálise se interroga a respeito das novas formas dos sintomas e do mal-estar na atualidade. Nesse sentido, é possível que ela possa lançar alguma luz sobre a questão da violência em nosso tempo, propondo hipóteses para sua compreensão. Hipóteses estas que possam incluir o inconsciente e a satisfação pulsional.

Neste estudo, a partir das contribuições de Lacan e de seus seguidores, ancorados na obra freudiana, propomos definir a violência como um excesso pulsional e como gozo. Sendo assim, caracterizamos a violência humana como um "mais", um excesso, um gozo que parece ir mais além da agressividade animal como função defensiva.

Nessa perspectiva, na violência, assim como no sintoma, a questão do gozo está sempre presente, ou seja, uma satisfação pulsional tanto naqueles que a exercem quanto naqueles que a sofrem. Nessa linha de raciocínio, pautados por uma posição totalmente avessa à política de vitimização, procuramos discutir a violência de forma a poder apreendê-la sob a perspectiva de uma política do sintoma (TARRAB, 2001). Assim, partindo da suposição de que a violência seria um excesso pulsional ocasionando a ruptura dos laços sociais constituídos no interior da cultura, nos perguntamos qual seria o estatuto da violência no contemporâneo. Nele, parece haver uma exibição do excesso, na qual a persistência do emprego da força e da crueldade surgiria como uma consequência da submissão do sujeito a um tipo de discurso que não reconhece seu avesso. Esse discurso, considerado uma reversão daquele que foi nomeado por Lacan (1992[1969-1970]), como o discurso do mestre é o discurso capitalista (LACAN, 1972).

Chama nossa atenção o fato de que, no contemporâneo, a violência dependa em grande parte do que esse discurso fomenta e produz como subjetividade no interior da civilização.Alguns de seus efeitos parecem repercutir na cultura, tais como o declínio da função paterna, a promoção cada vez maior da fragilidade simbólica, somada à inflação do imaginário, à exacerbação do sem-sentido, do excesso e da dificuldade de simbolização presentes no contemporâneo. Nesse sentido, nos parece justificado apontar o fato de a violência poder eclodir como um gozo sem mediação, que, no excesso, busca a aniquilação do outro e o rompimento dos laços sociais. Como sustenta Freud, ao dizer que a violência é a antítese da civilização (FREUD, 1974[1929-1930]).

 

A VIOLÊNCIA EM TODOS OS TEMPOS

Nesse ponto, ressaltamos uma objeção que poderia surgir de imediato: se a violência está sendo entendida, aqui, em sua articulação com a subjetividade de nossa época, considerando-se outras épocas historicamente determinadas, será que antes a violência não existia? Ou, então: qual seria sua especificidade em nosso tempo considerado pós-moderno? O que hoje a diferenciaria da violência em épocas passadas?

Apesar de não pretender dar uma resposta definitiva a essa questão complexa, pois cada época tem suas características próprias, pensamos que o dispositivo social que caracteriza esses diferentes períodos históricos tem conseqüências sobre a estruturação da subjetividade. Assim sendo, pensamos que o dispositivo social que rege nossa atualidade produz consequências que se mostram em nosso cotidiano. Uma delas é a violência. Consideramos, também, como pressuposto, que o dispositivo social dominante no contemporâneo encontra seu fundamento no discurso capitalista em associação ao discurso da ciência.

Uma vez estabelecido que não vivemos em tempos de grandes guerras, apesar de vivermos um período marcado por guerrilhas e conflitos em várias partes do mundo, nos chama a atenção o fato de presenciarmos uma violência quase que diária e, poderíamos dizer, insistente. Nesse sentido, tornou-se costumeiro dizer que vivemos em tempos de extrema violência pois, ao abrirmos os jornais nos deparamos, a cada dia, com um episódio inusitado.Desse modo, somos levados a pensar que nossa sociedade atual seria mais violenta do que qualquer outra na história. Entretanto, é fato que a violência sempre existiu. Freud a coloca na origem da civilização em textos como "Totem e tabu" (FREUD, 1974[1912-1913]) e "Reflexões para os tempos de guerra e morte" (FREUD, 1974[1915]). Nesse último, escreve ele:

A própria ênfase dada ao mandamento "Não matarás" nos assegura que brotamos de uma série interminável de gerações de assassinos, que tinham a sede de matar em seu sangue, como, talvez, nós próprios tenhamos hoje. Os esforços éticos da humanidade, cuja força e significância não precisamos absolutamente depreciar, foram adquiridos no curso da história do homem; desde então se tornaram, embora infelizmente apenas em grau variável, o patrimônio herdado pelos homens contemporâneos (FREUD, 1974[1915], p. 335).

O que Freud (1974 [1932-1933]) ou Lacan (1998[1949]) nomearam de agressividade ou violência pode ser visto em qualquer época da história da humanidade. Por exemplo, nas histórias bíblicas ou no Livro IX da República, de Platão (2000), quando se fala do homem tirânico, do mais violento, hospedeiro de todos os vícios. Tanto a agressividade quanto a violência estão no coração da civilização, razão pela qual Freud se mostrava pessimista com os destinos da humanidade.

Ao longo dos tempos, o que se altera são as formas fenomênicas de apresentação da violência, pois elas têm a ver com as coordenadas discursivas de uma época e com a maneira como os sujeitos respondem a essas coordenadas, uma vez que a pulsão também está presente em tempos de paz. Interessa-nos verificar, na atualidade, como tais coordenadas, marcadas pelo discurso capitalista e pela ciência, produzem efeitos no sujeito e como um desses efeitos é o empuxo ao gozo que convida à violência.

Na violência contemporâneaparece haver algo peculiar, muito particularmente por parecer que, atualmente, ela está relacionada ao declínio de referências simbólicas e às exigências de gozo. Entendemos como referências simbólicas a forma como nosso mundo é organizado pela linguagem e por suas leis. Leis que imprimem ao humano e, por conseguinte, à sua subjetividade, obrigações e submissão a um limite que torna impossível o gozo pleno. Para a psicanálise, esse limite se denomina castração e o agente dessa castração é o pai. Nesse sentido, se sua função não é mais a mesma que a de épocas passadas, isso traz consequências.

Como já dissemos, apesar de sempre terem existido guerras e violência, os motivos, as causas e as implicações dessa violência em tempos passados parecem ser fundamentalmente diferentes da atualidade. É difícil pensar que a escravidão nos tempos da Grécia Clássica tenha o mesmo sentido, as mesmas motivações ou as mesmas justificativas que a escravidão de mulheres utilizadas para a prostituição na atualidade. Em eras passadas, a violência a que sempre poderiam estar expostos os povos e as comunidades diferentes e vizinhas tinha um contexto e um objetivo determinados: podia ser uma forma de ritualizar as relações entre as tribos, ou uma forma de ritos de passagem dos jovens à vida adulta, ou, ainda, um ritual para o aumento ou manutenção da fertilidade ou da força (PEREIRA, 1996, p. 25).

Além disso, a violência, no passado, parecia ter a função de ultrapassar certos limites que levariam à renovação ou à mudança de certas situações definidas em seu status quo. Basta rever o comentário de Lacan em dois de seus Seminários, O Seminário, livro 5, "As formações do inconsciente" (LACAN, 1999[1957-1958], p. 863) e O Seminário, livro 15, "O ato psicanalítico" (LACAN, 1967-1968, p. 80-81), sobre a travessia do rio Rubicão por Júlio César, em 50 a.C.

O valor do ato de César está justamente na transgressão da lei, em ultrapassar um limite inaugurando algo novo, que passa a ter o valor de um signo marcando um antes e um depois desse evento (BESSET, 2005). Portanto, o exemplo de César nos ajuda a mostrar que o ato violento de irromper sobre a terra da República, a terra-mãe, o ato de violação (LACAN, 1967-1968) e transgressão da lei, tinha um motivo que não era absolutamente banal. Desse ato resultou toda uma mudança radical na história de Roma.

Esse não parece ser o caso na atualidade, quando temos notícias da violência provocada pelas mais banais e insensatas razões. Nesse contexto, questionamos a eficácia simbólica de rituais, a existência ou a função dos heróis que poderiam, simbolicamente, mostrar os referenciais a seguir, dando um norte aos sujeitos. Enfim, questionamos um líder e até mesmo a existência de intelectuais que formulem modos de pensar ou ideologias que agreguem seguidores capazes de formar grupos coesos. Hoje, as ideologias são múltiplas e relativas.

 

VIOLÊNCIA E SUBJETIVIDADE NO CONTEMPORÂNEO

É relevante o fato de o dispositivo social, o contexto cultural de uma época, provocar consequências para a estruturação da subjetividade. Podemos constatar que a peculiaridade de nosso tempo produz consequências significativas sobre a subjetividade, a ponto de considerarmos uma subjetividade que seria própria à nossa época. Mas o que poderia fazer de nossa época uma era diferente de outras historicamente determinadas? Como a atualidade seria capaz de produzir uma subjetividade específica? Além disso, que relação poderíamos estabelecer entre a subjetividade contemporânea e a violência?

A subjetividade de nossa época é tributária do que se convencionou chamar "tempos pós-modernos", nos quais se vive às voltas com a fragilidade da função paterna, em franco declínio. Nesse sentido, não há mais parâmetros universais que nos permitam delimitar o que seria comum a todos. É o que também podemos chamar, de um modo geral, com diversos autores,1 um declínio dos ideais. Partimos do pressuposto de que vivemos um tempo no qual o sujeito se encontra acuado pela violência, pelas guerras, pelo terrorismo, pela segregação, pela perda de ideais sólidos, apresenta-se desorientado, des-norteado (BESSET, 2006), em função de sua inserção em um contexto sociocultural que não limita, mas, muito ao contrário, incita a gozar (MILLER; LAURENT, 1997, p. 39).

Tal desorientação surge com o abalo da função paterna a partir da dissolução do que Freud chamava a "moral sexual civilizada". Essa moral, calcada nas proibições e inibições da sexualidade em uma época dita vitoriana (MILLER, 1997, p. 09), impelia ao recalque, época na qual a neurose era o preço a se pagar por esse modo de vida. No entanto, essa "moral sexual civilizada" fornecia uma bússola, uma orientação, pois o lugar da identificação era dado pela função do pai, função de interdição, de limite e de orientação. Quanto a isso, alguma coisa mudou.

Os sujeitos apresentam-se marcados por um vazio identificatório, à mercê das exigências culturais que impõem não mais uma economia do desejo a partir do recalque, mas uma satisfação imediata. Tal satisfação passou a ser exigida como um mandamento superegóico, o que Lacan expressa em vários de seus textos como: Goza! (LACAN, 1991[1959-1960]), 1985[1972-1973]). Ou seja, encontramos a prevalência de um comando oriundo da exigência pulsional em se satisfazer. Podemos, então, dizer que esse mandamento ou exigência superegóica tornou-se uma característica peculiar à nossa civilização. Assim, a subjetividade constitui-se no interior de uma cultura subordinada ao discurso capitalista que, como nos indica Lacan, é avesso às coisas do amor e à particularidade do desejo.

Os excessos, o desmedido, parecem surgir na contramão do que era possibilitado pelo pai da tradição, mediante a sua função de fazer limite e temperar o gozo, uma função eminentemente simbólica. Tradicionalmente, a exceção fundada a partir do exercício da função paterna (FREUD, 1974[1912-1913]), introduz um limite pela proibição. Lacan o demarcou com a função do pai simbólico, do pai morto e com a inscrição do significante do Nome-do-Pai para o sujeito como possibilidade de acesso ao gozo regulado pela lei do desejo. Essa inscrição impõe uma perda que se configura como perda de gozo, perda que se torna possível por meio da operação da castração. No entanto, observamos que essa operação ocorre de modo cada vez mais escasso, uma vez que, sujeito se vê não apenas incitado, mas até mesmo exigido a gozar, submetido que está aos ditames do discurso capitalista.

A castração implica um corte, um furo incontornável para o sujeito, posto que a completude de seu ser encontra um limite na falta do objeto que poderia lhe dar seu fundamento. Esse furo tem seu agente na figura forjada do pai real, o agente da castração (LACAN, 1992[1969-1970]). Assim, essa figura do pai se torna o representante e a tela do limite ao gozo por designar um furo em todo o universo de representações possíveis no simbólico. Portanto, o pai como real é a expressão de um furo no próprio simbólico, que Lacan escreve com o matema

(LACAN, 1998 [1960], p. 832). Ele é o próprio furo na origem de qualquer sujeito desejante, naquilo em que falta um significante que possa dar o complemento tanto ao sujeito quanto ao Outro.

Com o declínio da função paterna, o sujeito parece estar propício à promoção da violência, que funcionaria como um modo de expressão do sem-sentido, daquilo que estaria fora da linguagem e do pensamento inconsciente, revelando o fracasso dos recursos simbólicos frente ao real na atualidade. O real é, para Lacan, a terceira "dimensão" que forma o nó borromeano de três elos, juntamente com o simbólico e o imaginário. Ele é sempre aludido pela negativa, pois seria uma dimensão fora do sentido, que não se pode simbolizar e que escapa ao imaginário. Ele não reconhece nenhum limite, sendo definido como o impossível e que não se move, é o que não cessa de se escrever (LACAN, 1972-1973[1985]). Irredutível à palavra, mas que só pode ser abordado por meio do simbólico.

Concordamos com Zizek (2003) quando este autor afirma que habitamos hoje o deserto do real. Real exposto a partir dos excessos e do superlativo, como nos convida a refletir Gilles Lipovetsky (2004, p. 53) em seu trabalho - Os tempos hipermodernos: "Hipercapitalismo, hiperclasse, hiperpotência, hiperterrorismo, hiperindividualismo, hipermercado, hipertexto - o que mais não é hiper?". Encontramos, em seu texto:

Até os comportamentos individuais são pegos na engrenagem do extremo [excesso], do que são prova o frenesi consumista, o doping, os esportes radicais, os assassinos em série, as bulimias e anorexias, a obesidade, as compulsões e vícios. Delineiam-se duas tendências contraditórias. De um lado, os indivíduos, mais que nunca, cuidam do corpo, são fanáticos por higiene e saúde, obedecem às determinações médicas e sanitárias. De outro, proliferam as patologias individuais, o consumo anônimo, a anarquia comportamental. (LIPOVETSKY, 2004, p. 55)

A busca pelo gozo sem limites não funciona mais como o excêntrico, o que estaria fora da norma, mas se impõe como a própria norma, como uma nova regra. Nesse sentido, acreditamos poder situar a violência como um sintoma contemporâneo, tanto social quanto subjetivo. Algo que atravessa o sujeito sem que ele o saiba, provocando mal-estar e impelindo-o à repetição e à insistência, tal como o sintoma como definido por Freud (1974[1926]).

 

VIOLÊNCIA E SINTOMA

Propomos situar o sintoma social de forma diferente do sintoma subjetivo. O sintoma social seria algo que perturba a ordem social estabelecida, na qual há a aparência de certa homogeneidade. É uma categoria coletiva que possibilita o surgimento de predicados coletivos, por exemplo, quando se diz que a sociedade atual é mais violenta.

Entender a violência como sintoma social, nos permite situá-la de forma a estar circunscrita a algo que ultrapassa uma ordem estabelecida. Em contrapartida, entendê-la como sintoma subjetivo, próprio da singularidade de cada sujeito, pode ser possível por meio da noção de sintoma como emergência da verdade que concerne ao desejo e ao gozo próprio de cada um.

Para a psicanálise, o sintoma condensa verdade e gozo. O gozo aqui é entendido, a partir de Lacan, "como a satisfação de uma pulsão" (LACAN, 1991[1959-1960], p. 256). Assim, a violência como sintoma supõe uma ordem instituída da qual emerge aquilo que não anda bem, impedindo a felicidade buscada pela via do prazer e desvelando o mal-estar a que os sujeitos estão submetidos na civilização. Freud já havia anunciado o perigo que representa cada sujeito para o ideal coletivo, para a cultura e, nesse sentido, cabe à sociedade propiciar a renúncia à pulsão. O ideal social parece estar sempre à busca de um equilíbrio, o que permanentemente mostra seu fracasso. No sujeito, a compulsão à repetição denuncia esse fracasso ao desvelar a ação da pulsão de morte que permanece como verdade impossível, afirmando assim "a ausência de homeostase no vivo" (FRANCO FERRARI, 2006, p. 56).

A agressividade parece ser a via privilegiada encontrada pelo sujeito para reintroduzir na cultura a impossibilidade de se fazer cumprir o ideal social, conforme nos mostra Freud (1974[1929-1930]) em "O mal-estar na civilização". Dentre as três fontes de sofrimento apontadas por Freud (1974[1929-1930] p. 95) neste texto, a saber: o corpo próprio, o mundo externo e os outros, Lacan mantém-se fiel à noção de que a relação com o outro, o semelhante, é fundamentalmente marcada pela agressividade. Nesse sentido, a questão que se coloca para ele diz respeito ao elemento pacificador dessa relação impossível, o qual permita aos homens viverem juntos, embora estando separados (LACAN, 1992[1969-1970], p. 107). Segundo Lacan, esse elemento pacificador da dispersão pulsional está colocado na linguagem, na palavra e na fala, enfim, no simbólico pois, ao dizer que na relação inter-humana o que há é a violência ou a fala (LACAN, 1999[1957-1958], p. 471), a palavra veiculada na fala aparece como possibilidade de fazer dique ao extravasamento de gozo que escapa ao sentido.

Por outro lado, ainda com Lacan, notamos que até mesmo a palavra pode ser violenta, como nos casos de injúria e blasfêmia. Nesses casos, o sujeito parece utilizar o significante para romper o pacto simbólico com o Outro da linguagem, servindo-se do que poderíamos chamar a "má palavra". Lacan demarca uma violência implicada no ato de agredir, que surge diante do impossível de dizer, como curto-circuito da palavra. O gozo que escapa ao sentido retorna no real como violência. O simbólico é o pacificador e o imaginário é fundamentalmente paranóico. Lacan assinala ainda a violência do simbólico, em que o significante ora aparece em seu efeito de violência, quando atravessa o corpo e o chicoteia com seu efeito mortificante, ora em seu efeito de vida para o ser falante.

Ainda que agressividade e violência não sejam duas noções equivalentes, ambas possuem em comum o fato de suporem algo de renúncia por parte do sujeito. O sujeito deve renunciar à agressividade e à violência para advir à civilização. Assim, a agressividade pode ser entendida como uma forma ruidosa encontrada pelo sujeito para se posicionar no mundo e demarcar seu lugar como sujeito desejante, a ponto de Freud postular a ideia do humano como inimigo potencial da civilização.

Como mostra Lacan (1998[1949]), não há identificação sem agressividade e agressividade que não envolva a identificação do eu com o outro. A relação com o outro é fundamentalmente agressiva, ainda que sublimada. A relação com o outro é permeada pela hostilidade e pela satisfação encontrada na destruição e aniquilamento do semelhante, e não pela harmonia. Nesse sentido, a civilização (MILLER, 1997) surge como um sistema de distribuição de gozo, ou seja, como fazer de modo que essa agressividade não se torne violência. É um sistema de distribuição de gozo a partir de semblantes, um modo de gozo, uma distribuição sistematizada dos meios e das maneiras de gozar.

Como nos diz Lacan (2003[1968], p. 362): "Toda formação humana tem, por essência e não por acaso, refrear o gozo. A coisa nos aparece nua - e não mais através desses prismas ou pequenas lentes chamadas religião, filosofia [...] ou até hedonismo, porque o princípio do prazer é o freio do gozo". Nesse sentido, a violência como sintoma denuncia que o gozo não caminha no ritmo dos significantes-mestres ordenadores da civilização, ou seja, denuncia que algo não vai bem na ordem instituída. Disso decorre uma questão sobre o modo, no contemporâneo, como a civilização propõe as formas de regramento do gozo e a maneira como a violência ali vem se instalar na qualidade de sintoma. Porém, conceber a violência como um sintoma pode trazer algum avanço para o debate sobre o tema?

Essa questão remete à importância do sintoma para a psicanálise. Em nossa reflexão, partimos das elaborações freudianas clássicas sobre o sintoma, porém, verificamos a proliferação dos assim chamados sintomas contemporâneos. Nestes, o que se encontra em evidência já não é o recalque do desejo proibido como denunciava Freud em seu tempo, mas o real do gozo e a exigência pulsional. Tais sintomas aparecem, na atualidade, como sintomas mudos (MILLER, 1997). Neles, o predomínio do gozo sobre o dizer é flagrante. Incluídos nesta categoria de "sintomas contemporâneos" ou "novos sintomas", encontramos a anorexia, a bulimia, a toxicomania, o fracasso escolar, o pânico, o TDH, o TOC etc.

Há uma tensão no sintoma: de um lado, ele é sentido a decifrar, de outro, ele é gozo enigmático ao qual o sujeito adere como o que há para ele de mais fundamental. Pelo sintoma é possível ter acesso ao inconsciente, já que "o sintoma não é definível senão pelo modo como cada um goza do inconsciente, na medida em que o inconsciente o determina." (LACAN, 1974-1975, p. 37). É um gozo sentido como estranho, embora seja o que para o sujeito lhe é mais familiar. É nesse gozo do sintoma, no entanto, que o sujeito se encontra. Em nosso estudo, verificamos que o declínio do ideal é acompanhado das exigências de gozo.

Na sociedade contemporânea, a pulsão revela ainda mais sua face mortífera, como modo de gozo presente tanto nos novos sintomas quanto na violência. O declínio da função paterna e a falência dos ideais na atualidade produziram um sujeito aliviado das responsabilidades para com seu desejo e o Outro, tornando-se um sujeito fagocitado pelo imperativo de gozo da civilização técnico-científica e da política de um mercado globalizado. Diante disso, a psicanálise não tem como tarefa aliviar o sujeito de sua culpa frente ao ideal, mas sim procurar levar o sujeito a consentir em questionar sua relação com o discurso da civilização contemporânea, além de lhe ajudar a suportar a inconsistência do Outro, sua ausência de garantias, sem, por isso, ceder ao imperativo de gozo do supereu.

Em 1960, no seu Seminário sobre "A ética da psicanálise" (LACAN, 1991[1959-1960], p. 382), Lacan discute sobre a questão de não ceder de seu desejo. Entretanto, hoje, é necessário discutirmos sobre não ceder ao gozo do supereu, pois o que causa o sujeito na atualidade é justamente o peso que tem, para ele, sua relação com o gozo. Não ceder ao gozo para dar lugar ao desejo singular que o anima. Assim ,percebemos o quanto o fato de liberar os costumes e as amarras que mantinham o sujeito preso ao recalque e ao sintoma faz surgir o seu avesso, ou seja, o novo império do gozo.

A questão que se coloca em relação ao discurso capitalista e ao discurso da ciência é que, com seus avanços e suas ações promovendo um "hedonismo de massa" (LAURENT, 2004, p. 20), eles fizeram desaparecer a particularidade do sintoma transformando-o em transtornos, síndromes ou desvios, comum a todos, ou seja, um "para todos". O hedonismo generalizado, cuja máxima é um gozo ao alcance de todos, propicia formas de se relacionar com esse gozo, nas quais se encontra um querer gozar cada vez mais, uma vez que a satisfação do gozo exige cada vez mais gozo.

O sintoma, em sua versão clássica, como significado do Outro, além de sua vertente de gozo que nada pede ao Outro, constitui-se em uma mensagem enigmática que pode ser lida e decifrada. O tratamento psicanalítico do sintoma corresponde a acolher os sujeitos, um a um, a fim de liberá-los da tirania do gozo "para todos", característica do discurso da ciência.

O fazer do analista se orienta a partir do real do sintoma, ou seja, sua orientação vai do sentido ao real. Assim, é um "saber fazer" que se apresenta sob a forma de discurso, e supõe que o analista tenha "serenidade" (LAURENT, 2004) para acolher a demanda particular de cada sujeito, um a um, para levá-lo a se questionar sobre o gozo implicado em seu sintoma.

Em nossa reflexão, apontamos duas questões que consideramos fundamentais, a saber: a crença no sintoma e o amor ao inconsciente. O sintoma como real e como modo de gozar do inconsciente é ainda o que Lacan (1974-1975) define como signo do que não anda bem no real. Nesse sentido, ele é aquilo que é impossível de ser reabsorvido pelo discurso do mestre contemporâneo que, por isso mesmo, tenta aboli-lo, erradicá-lo, quer com medicamentos, psicoterapias ou objetos que prometem o bem-estar.

A proposta da psicanálise é que o sujeito acredite em seu sintoma, acredite que ele possa dizer algo, que ele é o resultado do encontro sempre traumático do sujeito com o gozo e, uma vez instalado como "fixão",2 é também o modo como se goza. Por fim, que o sujeito acredite que o insuportável do sintoma possa se transformar em um ponto de ancoragem para que ele reinvente seu lugar no Outro.

A psicanálise propõe, então, levar o sujeito a acreditar no sentido enigmático que o sintoma possui e transformá-lo em uma mensagem dirigida ao Outro, ou seja, torná-lo um significado do Outro. Essa é uma forma de levar o sujeito a acreditar na legibilidade dos sintomas contemporâneos, podendo ser extensiva à violência.

Portanto, se a crença no pai está em decadência, a via da crença no sintoma é uma questão que deve interessar à psicanálise em nosso tempo. Crença embasada pelo último ensino de Lacan, em que o Nome-do-Pai é um sintoma (LACAN, 1972). Essa leitura possibilita a redução do sintoma por seu endereçamento ao Outro do saber. Permite ainda reduzir o Nome-do-Pai a um sintoma e fazer do sintoma o fundamento da sustentação do Outro. Nesse sentido, a ética da psicanálise inclui a política do sintoma, segundo a qual, há que se acreditar no sintoma e amar seu inconsciente. Crer nisso é, para o sujeito, sua condição de saída da ditadura do imperativo do gozo superegóico contemporâneo, o qual, conforme procuramos mostrar, caracteriza a violência.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Desde Freud, a psicanálise trabalha para acalmar a pulsão e aliviar o sujeito, dado que a satisfação pulsional é problemática. Tal problema colocado pela pulsão torna-se, porém, mais evidente quando essa satisfação procura ser alcançada sem mediação alguma, como nos casos de violência.

Lacan (1998[1964], p. 172) afirma que "algo da ordem da satisfação deve ser retificado no nível da pulsão". A psicanálise pode modificar a relação do sujeito com a pulsão, o que equivale a dizer, modificar sua relação com o gozo e com o real, considerando aqui o gozo como da ordem do real. A psicanálise como prática do dizer pode transformar o real, já que o que se diz pode chegar a mover o real. Contudo, a única coisa do real que se pode mover é o sintoma.

Nesse sentido, considerar a violência como sintoma é estabelecer que ela é o que há de mais real, que não cessa de se escrever (LACAN, 1985[1972-1973]), que insiste e se repete. Nela está implicado um gozo, uma busca de satisfação imediata mesmo que o sujeito desconheça as causas de tal busca. Mas, paradoxalmente, tal satisfação o conduz ao sofrimento. Quer endereçando a violência ao outro, quer fazendo voltar essa violência contra si mesmo, o sujeito violento é um sofredor. Como sintoma, a violência pode expressar uma forma de apelo ao Outro simbólico, uma vez que o sujeito se encontra alijado da dimensão da palavra.

Portanto, é fundamental reintroduzir a palavra ali onde há violência. A palavra permite o adiamento, a simbolização, dá um contorno, um limite, e os meios para que o sujeito possa pensar. Nesse sentido, a violência, na qual o sujeito encontra uma satisfação ao tranquilizar uma tensão interna, provoca uma sedação. Esse período, digamos, tranquilo, talvez seja o momento oportuno para se introduzir a palavra. Se houver essa oportunidade, a violência pode perder seu valor destrutivo e seu valor de gozo, permitindo ao sujeito encontrar os meios de sair da repetição que seu sintoma lhe impõe.

Assim, propomos que a violência, "só-depois", pode ser ocasião de intervenção do dizer analítico, como uma oportunidade para "tocar" o real e modificar a relação do sujeito com seu gozo. É importante lembrar que um sintoma só existe se um sujeito assim o considerar. Não há como intervir em um sintoma se o sujeito assim não o reconhece como tal. Nesse sentido, o sintoma do qual o sujeito padece só se torna analítico se o sujeito falar dele inserindo-o no dispositivo analítico da transferência, o que mostra os limites e o alcance da prática psicanalítica.

No entanto, o discurso analítico é a alternativa que pode trazer uma saída dos imperativos do discurso capitalista e do discurso técnico-científico que impelem o sujeito para a alienação, cuja resposta pode ser a violência. Assim, propomos que, com o discurso do analista e,por meio do dispositivo da transferência, seria possível levar um sujeito a fazer da violência um sintoma. Sintomatizar a violência, isto é, a partir dela construir uma questão que interrogue seu gozo e o faça vislumbrar, para além dele, um desejo. Pela via do amor de transferência, é a proposta freudiana que retomamos com Lacan, a aposta é instigar o sujeito a supor, na violência, um saber sobre si.

 

NOTAS

1 J.-A. Miller, E. Laurent, H. Freda, B. Lecoeur, M. Tarrab entre outros.

2 Neologismo que propõe unir a vertente do sintoma como verdade, uma vez que a verdade possui estrutura de ficção, e a fixação de gozo que o sintoma porta.

 

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Recebido em: julho de 2009
Aceito em: julho de 2010

 

 

* O presente artigo é resultado parcial da pesquisa relacionada à Tese de Doutorado intitulada "Violência: sintoma contemporâneo?", realizada pelo autor com orientação do co-autor, defendida na Pós-Graduação em Psicologia do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em março de 2007, com apoio Capes.

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