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Revista Archai

Print version ISSN 2179-4960On-line version ISSN 1984-249X

Rev. Archai  no.25 Brasília  2019  Epub Apr 11, 2019

http://dx.doi.org/10.14195/1984-249x_25_8 

Artigos

Tradução de Diógenes Laércio, Vitae Philosophorum, Livro IV (sobre os Acadêmicos)

Translation of Diogenes Laërtius’ Vitae Philosophorum, Book IV (on the Academics)

Rodrigo Pinto de Britoi 
http://orcid.org/0000-0002-8898-0669

Aldo Lopes Dinuccii 
http://orcid.org/0000-0002-5854-4057

i Universidade Federal de Sergipe - Aracaju - SE - Brasil

Resumo:

Tradução do quarto livro de Vidas, de Diógenes Laércio, tratando dos pensadores da Academia após Platão.

Palavras-chave: Diógenes Laércio; acadêmicos; história da filosofia

Abstract:

Translation of Diogenes Laërtius’ Lives, book 4, dealing with the Academic thinkers after Plato.

Keywords: Diogenes Laërtius; Academics; History of Philosophy

1. Introdução

Usualmente, embora não unanimemente, a sucessão dos escolarcas da Academia após Platão é dividida em três fases distintas: a Velha Academia (fundada por Platão em c. 387 a.C. e indo até Crates, c. 264 a.C.); a Média Academia (de Arcesilau, c. 264 a.C., a Hegesino, c. 160 a.C.); e a Nova Academia (de Carnéades, c. 155 a.C., a Fílon de Larissa, c. 84 a.C.). Este livro, o quarto das Vidas dos Filósofos, de Diógenes Laércio, trata da sequência de líderes da Academia, desde o primeiro escolarca logo após Platão, Espeusipo, até o penúltimo antes de Fílon de Larissa, Clitômaco. Portanto, abrange a Velha Academia, a Média e quase a totalidade da Nova.

A Velha Academia foi liderada por discípulos diretos de Platão, talvez com a exceção de Pólemon e Crates. Seus escolarcas foram:

  1. Espeusipo (c. 408-339/8 a.C.), ateniense, sobrinho de Platão e cabeça da escola por oito anos, começando por volta de 348-344 a.C, que teria publicado pela primeira vez os Segredos da Academia, além de ter tentado relacionar o que em comum havia nos diálogos de Platão e nas doutrinas esotéricas;

  2. Xenócrates (c. 396/5-314/3 a.C.), calcedônio, liderou a escola por cerca de vinte e cinco anos (c. 339/8-314/3 a.C.). De temperamento grave e austero, acompanhou Platão nas expedições sicilianas;

  3. Pólemon (morto em c. 270/269 a.C.), ateniense, sucedeu Xenócrates no comando da Academia e liderou-a por quarenta e quatro anos (314/313- 270/269 a.C.). Apesar de ser um renomado dialético, exortava à prática;

  4. Crates (morto em c. 268-264 a.C.) foi escolarca entre 270/269 a.C.

Fundada no arborizado parque erigido em homenagem ao herói ateniense Academo,1 fora dos muros da cidade, a escola, em sua primeira formulação, traz desconcertantes problemas para a história das ideias, graças ao possível caráter esotérico de parte da filosofia platônica.

Frequentemente este esoterismo é, por sua vez, interpretado como resultado de uma influência pitagórica sobre o pensamento de Platão. Apesar disso, pode-se ainda questionar quão secretos eram os ensinos pitagóricos, uma vez que o próprio pitagorismo permanece como uma difícil incógnita, tanto acerca de sua estrutura escolar, quanto acerca de seus ensinamentos, sem falar na misteriosa figura de Pitágoras.

Evidências de pitagorismo na estrutura da Academia apareceriam na exortação à geometria como propedêutica à filosofia, no gosto pelas matemáticas, notoriamente presente nos discípulos de Platão, e na semelhança da escola com as confrarias religiosas da época (thíasos), sem falar nos indícios presentes nos próprios diálogos de Platão. Mas talvez as pistas mais contundentes sejam as fornecidas por Aristóteles quando, na Metafísica I.6, se põe a examinar a filosofia platônica, e também no relato feito pelo estagirita (e conservado pelo seu discípulo, Aristoxeno, in: Elementa harmonica II 30-31) de uma palestra pública de Platão Sobre o bem, em que muitas pessoas, ao saberem que ele se pronunciaria sobre um tema de interesse geral:

[...] vieram esperando aprender algo sobre as coisas que geralmente são consideradas boas para os homens, como riqueza, saúde, força física, e também algum tipo de felicidade maravilhosa. Mas quando as demonstrações sobre as matemáticas se sucederam, incluindo números, figuras geométricas e astrologia (ἀριθμῶν καὶ γεωμετρίας καὶ ἀστρολογίας), e além, que o bem é um (ὅτι ἀγαθόν ἐστιν ἕν), tudo isto lhes pareceu, imagino, sumamente inesperado e estranho (Elem. Har II 30-31).

Mas, assim sendo, a Academia foi concebida desde o início como uma espécie de culto de mistério pitagórico? As matemáticas eram o derradeiro modo de conhecer o bem? Ademais, se era um ensinamento esotérico, porque Platão proferiu em público a doutrina de que “o bem é um”? Eis alguns dos impasses que ainda atormentam os historiadores das ideias, agravados pelo estado lacunar das fontes primárias.

A Média Academia, por seu turno, apesar do mau estado das fontes que é peculiar à filosofia helenística, pode ter seus debates reconstruídos através de Cícero, Sexto Empírico e Plutarco, além de Diógenes Laércio.

Assim, sabemos que a fase Média começa com Arcesilau de Pitane (316/5-241/0 a.C.), que liderou a escola a partir de circa 264 a.C., enfatizou o aspecto aporético da filosofia platônica e inaugurou a fase cética da Academia. Era um renomado dialético e foi um duro crítico da primeira formulação do estoicismo sob Zenão de Cítio.

Lácides de Cirene, denominado por Diógenes Laércio como o “iniciador da nova Academia” (D.L. IV.56), foi o sucessor de Arcesilau, tendo sido escolarca de 241 a 215 a.C.. Abdicou por doença e morreu dez anos depois.

A Lácides sucederam os obscuros Evandro e Télecles, que administram a escola nos últimos dez anos da vida de Lácides.

Após a morte de Télecles, Evandro permaneceu como escolarca, transmitindo a Academia ao igualmente desconhecido Hegesino de Pérgamo, que a liderou a partir de cerca de 160 a.C.

A chamada Nova Academia começa com Carnéades de Cirene (c. 214/3-129/8 a.C.), célebre por seus argumentos antitéticos, tendo em Roma defendido ora uma tese, ora sua antítese, no célebre episódio da Embaixada (155 a.C.). Foi um tenaz crítico dos estoicos e dos epicuristas.

O sucessor de Carnéades foi o cartaginês Clitômaco (c. 187/6-110/9 a.C.), que também criticou estoicos e epicuristas, assim como os peripatéticos. Escolarca a partir de 126/7, foi sucedido por Fílon de Larissa, sobre quem Diógenes Laércio não nos fala.

Quanto à Média e à Nova Academia, não se sabe ao certo como Arcesilau veio a aderir a uma postura que mais tardiamente denominou-se cética. Mas parece que houve um contato estreito entre ele e Timão de Fliunte, ouvinte e amigo de Pirro de Élis, pelo menos no âmbito crítico. De fato, mesmo que tenha fervorosamente atacado Arcesilau nos seus Sílloi, Timão o elogiou no Banquete Fúnebre de Arcesilau. Sexto Empírico, que pensava que os Acadêmicos eram dogmáticos negativos (vide P.H. I, 1-5), sobre Arcesilau disse que:

Certamente parece-me ter compartilhado o discurso de Pirro, de modo que sua conduta (ἀγωγὴν) é quase idêntica à nossa. Pois não lhe vemos fazendo qualquer asserção sobre a realidade ou a irrealidade de algo, tampouco ele prefere qualquer coisa à outra quanto à fidedignidade ou improbabilidade (πίστιν ἢ ἀπιστίαν), mas suspende o juízo sobre tudo (ἀλλὰ περὶ πάντων ἐπέχει). Ele também diz que o fim é a suspensão - que é acompanhada pela imperturbabilidade (καὶ τέλος μὲν εἶναι τὴν ἐποχήν, ᾗ συνεισέρχεσθαι τὴν ἀταραξίαν ἡμεῖς ἐφάσκομεν). (P.H. I, 232).

Contudo, Sexto, diante dos ganhos conceituais que o ceticismo já havia adquirido em sua época (séc. II ou III d.C.), não considerava Arcesilau inteiramente pirrônico, uma vez que atribuía valor à suspensão de juízo (boa) e ao assentimento (mau) e usava a dialética como um método para suscitar aporias e verificar a adesão de outrem aos dogmas de Platão (ver P.H. I, 234).

Agora, se lembrarmos que Platão morreu em 348/7 a.C. (vinte e nove anos antes do nascimento de Arcesilau), então provavelmente não havia, na época de Arcesilau, sequer um filósofo da Academia que tivesse conhecido diretamente Platão. Além disso, não havia também método e currículo formalizados, de modo que quem quisesse compreender as filosofias de Platão e de Sócrates deveria ler os diálogos de Platão, pelo que se considerou como cerne da abordagem socrático/platônica a dialética enquanto conducente a aporias. E foi a esse aspecto aporético que Arcesilau aderiu, dando a ele, por um lado, uma interpretação dogmática negativa (possivelmente advinda da transmissão por Timão da filosofia de Pirro) ao rejeitar a possibilidade de apreender a verdade quer pela mente quer pelos sentidos, e, por outro, uma interpretação cética ao perceber a possibilidade dialética de, para cada argumento, defender um oposto:

[Arcesilau foi] o primeiro a adotar, através dos variados livros de Platão e dos diálogos de Sócrates, especificamente a ideia de que não há certeza que possa ser apreendida tanto pelos sentidos quanto pela mente (nihil esse certi quod aut sensibus aut animo percipi possit). Nessa completa rejeição da mente e dos sentidos como instrumentos do juízo, dele se diz que empregou um modo de falar excepcionalmente elegante, e também que foi o primeiro a estabelecer a prática (quem ferunt eximio quodam usum lepore dicendi aspernatum esse omne animi sensusque iudicium primumque instituisse) - embora fosse muito característica de Sócrates - de não revelar seus próprios pontos de vista, mas sempre argumentar contra qualquer ponto de vista que qualquer um asserisse. (De Or. 3.67).

Se Arcesilau era realmente um exímio argumentador e debatedor, o alvo favorito de seu discurso antitético era a filosofia do Pórtico. Eis a reconstrução de parte do debate entre Arcesilau e Zenão de Cítio por Cícero:

Nenhum dos predecessores de Zenão jamais explicitamente formulou ou mesmo sugeriu o ponto de vista de que uma pessoa poderia não sustentar opiniões (hominem nihil opinari) - e não somente que poderia fazê-lo, mas que fazê-lo era necessário para o sábio (nec solum posse sed ita necesse esse sapienti). Arcesilau pensou que esse ponto de vista era tanto verdadeiro quando honrado, bem como correto para o sábio. Então perguntou a Zenão, podemos supor, o que aconteceria se o sábio não pudesse apreender nada, mas era uma marca da sabedoria não sustentar opiniões. Zenão respondeu, sem dúvida, que o sábio não sustentaria qualquer opinião porque haveria algo apreensível (Zenone fortasse quid futurum esset si nec percipere quicquam posset sapiens nec opinari sapientis esset. ille credo nihil opinaturum, quoniam esset quod percipi posset). Então, o que seria? Uma impressão (visum), suponho. Bem, que tipo de impressão? Zenão a definiu assim: uma impressão do que é, estampada, impressa e moldada como o que é (ex eo quod esset sicut esset inpressum et signatum et effictum). Após isso, Arcesilau prosseguiu perguntando o que aconteceria se uma impressão verdadeira fosse como uma impressão falsa. Nesse momento, Zenão foi esperto o suficiente para ver que nenhuma impressão poderia ser apreensível se uma que advém do que é fosse tal que houvesse outra semelhante advinda do que não é (Zenonem vidisse acute nullum esse visum quod percipi posset, si id tale esset ab eo quod est cuius modi ab eo quod non est posset esse). Arcesilau concordou que essa era uma boa adição à definição, tendo em vista que nem uma impressão falsa, nem uma impressão verdadeira semelhante a uma falsa era apreensível. Então ele lançou-se a trabalhar nesses argumentos para demonstrar que não há impressão de algo verdadeiro, tal que não haja uma semelhante de algo falso. (Acad. pos. 77).

Quanto a Carnéades, na ocasião mencionada anteriormente da Embaixada por Atenas a Roma, em um dia defendeu longamente aspectos das filosofias de Platão e de Aristóteles e, em outro, as refutou, causando horror a Marco Catão2 (bisavô do homônimo estoico3) e a outros romanos que imaginavam que com isso o Acadêmico depreciava a justiça, perigosamente fazendo-a parecer meramente convencional. Ora, a capacidade de Carnéades de argumentar pró e contra qualquer assunto deve ser vista como um aprimoramento da habilidade dialética de Arcesilau, de tal modo que mesmo Clitômaco, seu discípulo, “afirmou que nunca poderia saber qual ponto de vista Carnéades aprovava” (Acad. pos. 139).

Marco Catão também se escandalizou com os argumentos teológicos de Carnéades, que abalavam as crenças na existência de deus como ser vivo, eterno e benevolente, contra o dogma da física/teologia estoica da divindade da natureza.

No âmbito epistemológico:

O ponto de vista de [Carnéades] é de que há duas categorias de impressões, a primeira subdividida através do princípio de que algumas são apreensíveis e algumas não; a segunda, através do princípio de que algumas são persuasivas, outras não. Ora, os argumentos acadêmicos contra os sentidos e contra a perspicuidade referem-se à primeira categoria e não devem ser dirigidos à segunda. Assim, seu ponto de vista, como diz Clitômaco, “é que, enquanto não há impressões que se possa apreender, há muitas que se pode aprovar. Seria contrário à natureza se não houvesse impressões persuasivas” - e o resultado seria a completa subversão da vida [...] (Acad. pos. 99).

Após a morte de Carnéades, Clitômaco, um escritor prolífico a quem se atribui a autoria de cerca de 400 livros, se tornou líder da Academia. Seus escritos eram largamente inspirados na filosofia de seu mestre, bem como pelo seu critério para as ações: o persuasivo. Clitômaco muito influenciou seu seguidor Fílon de Larissa que, por seu turno, se tornou líder da Academia em c. 110 a.C.

2. Tradução de Diógenes Laércio, Vitae Philosophorum, livro IV (sobre os Acadêmicos)

ESPEUSIPO

[1.1] As coisas que dissemos sobre Platão foram por nós coligidas na medida de nossa possibilidade, laboriosamente desenrolando os ditos acerca do homem. Sucedeu-o Espeusipo,4 ateniense, filho de Eurimedon,5 do demo de Mirrino, filho de Potone, irmã de Platão. [1.5] E foi escolarca por oito anos, começando na 108ª Olimpíada.6 Erigiu estátuas das Graças no templo das Musas fundado por Platão na Academia. E sustentou as mesmas opiniões de Platão. Mas não manteve o mesmo caráter. Com efeito, era irascível e inferior quanto aos prazeres. De qualquer modo, dizem que ele, por efeito da raiva, [1.10] lançou seu cãozinho em um poço e, por prazer, foi à Macedônia para o casamento de Cassandro.7

[2.1] Diziam que o ouviam as alunas de Platão, Lastênia de Mantinea8 e Asioteia de Fliunte.9 Pelo que Dionísio,10 escrevendo-lhe, disse-lhe, em tom de desprezo: “Deve-se aprender a sabedoria a partir de tua aluna da Arcádia11, e [2.5] Platão isentou de taxas os que o frequentavam, mas tu os sujeitas a tributo e o toma, querendo eles ou não”.12 Segundo diz Diodoro13 em suas Recordações, <Espeusipo> pela primeira vez teorizou14 o que é comum nos ensinamentos e os relacionou uns aos outros no quanto foi possível. Como disse Ceneu, foi o primeiro a publicar (os assim chamados por [2.10] Isócrates) Segredos. [3.1] E foi o primeiro a descobrir por qual meio produzem-se feixes de lenha compactados.

Quando seu corpo já fora totalmente destroçado pela paralisia, endereçou-se a Xenócrates ordenando-o ir a ele e sucedê-lo na escola. [3.5] Dizem que ele, sendo levado sobre uma liteira para a Academia, encontrou Diógenes e lhe disse para ter bom ânimo;15 ao que <Diógenes> teria dito: “Mas tu, que te manténs vivo em tal <liteira>, não o terás.” No fim, por desânimo, estando velho, voluntariamente deu fim à vida. Eis nosso <epigrama> para ele:16

[3.10] Se eu não soubesse pelo que Espeusipo morreu, ninguém poder-me-ia persuadir a dizer que não era aparentado pelo sangue a Platão: pois não feneceu tendo se abatido por algo insignificante.

[4.1] Plutarco diz, na Vida de Lisandro e Sila, que o morbus pedicularis17 o alquebrou. Mas também o corpo foi destruído, como diz Timóteo na obra De Bíon. Deste modo, diz Timóteo, no quarto livro de suas Vidas, Espeusipo falou a um homem rico que amava uma mulher feia: “Por que tu precisas disso? Pois eu acho para ti [4.5], por dez talentos, uma que tenha mais belas formas”.

<Espeusipo> legou-nos Recordações em grande quantidade, e um número maior ainda de diálogos, entre os quais:

Aristipo de Cirene;

Da riqueza, em um livro;

[4.10] Do Prazer, em um livro;

Da Justiça, em um livro;

Da filosofia, em um livro;

Da amizade, em um livro;

Dos deuses, em um livro;

[4.15] Filósofo, em um livro;

A Céfalo, em um livro;

Céfalo, em um livro;

Clinômaco ou Lísias, em um livro;

Cidadão, em um livro;

[4.20] Da alma, em um livro;

[5.1] A Grilo, em um livro;

Aristipo, em um livro;

Crítica das artes, em um livro;

Diálogos Memoráveis;

[5.5] Técnico, em um livro

Diálogos das semelhanças das ciências, em dez livros;

Divisões e hipóteses relativas às semelhanças;

Dos gêneros e ideias paradigmáticas;

[5.10] [Resposta] Ao tratado anônimo;

Encômio a Platão;

Epístolas a Díon, Dionísio, Filipe;

Da legislação;

Matemático;

[5.15] Mandróbolo;

Lísias;

Definições;

Ordens das Recordações;

<Estas obras perfazem ao todo> 43.475 linhas. Timônides dedica a ele as suas [5.20] Histórias, nas quais descreve as ações de Díon e Bíon. Também Favorino18 diz, no segundo livro de suas Recordações, que Aristóteles comprou os livros de Espeusipo por três talentos.

Houve também outro Espeusipo, médico de Alexandria, <da escola> de Herófilo.19

XENÓCRATES

[6.1] Xenócrates,20 filho de Agatenor, calcedônio, desde jovem ouviu Platão, e também viajou com ele para a Sicília. Era, por natureza, lento, de modo que Platão, comparando-o com Aristóteles, disse: “Àquele é preciso <aplicar> um esporão; a este, um freio” e “Treino um asno tal para <disputar > com tal cavalo”. [6.5] Mas Xenócrates era em todas as coisas solene e sempre grave, de modo que Platão continuamente dizia a ele: “Xenócrates, sacrifica às Graças!” Passava a maior parte do tempo na Academia. E se alguma vez estivesse para ir à cidade, dizem que a turba barulhenta e os carregadores contratados abriam-lhe caminho. [7.1] Uma vez, a hetaira Friné21, por desejar testá-lo, fingiu ser perseguida por alguns e buscar refúgio em sua pequena casa. Ao tê-la admitido por humanidade, e havendo <somente> um pequeno leito, compartilhou a cama com a necessitada. [7.5] E, no fim, após ela muito ter suplicado, ela levantou-se sem nada ter feito. Aos que indagavam, ela dizia ter-se deitado não com um homem, mas com uma estátua. Alguns dizem que Laís22 foi posta em seu leito por seus alunos, e que era tamanha a sua temperança que diversas vezes submeteu-se pacientemente a incisões e cauterizações em seus órgãos genitais. [7.10] Era muitíssimo digno de confiança, de tal modo que, não sendo permitido testemunhar não estando sob juramento, a ele unicamente os atenienses excluíram <dessa exigência>. [8.1] Quando Alexandre enviou-lhe grande quantidade de dinheiro, ele tomou três mil dracmas áticas23 e despachou o restante, dizendo a Alexandre ser preciso muito mais dinheiro por alimentar muitos mais. Mas também não admitiu o enviado por Antípatro,24 [8.5] como diz Mironiano,25 nas Paralelas.26 E, ao ser honrado com uma coroa de ouro por Dionísio em competição de quem mais bebia27 na Festa das Jarras,28 a pôs, ao sair, sobre a imagem de Hermes, onde costumava também pôr as guirlandas de flores. Diz-se ele ter sido enviado, junto com outros, como embaixador a Filipe. [8.10] Seus colegas, amolecidos com presentes, foram juntos à corte para conversar com Filipe. Xenócrates não fez nenhuma dessas coisas. [9.1] Pois Filipe não o recebeu por essa razão. Ao voltarem os embaixadores para Atenas, seus colegas afirmaram que Xenócrates falhou ao ir junto com eles. E estavam <os cidadãos> a ponto de impor-lhe uma multa, mas, tendo Xenócrates explicado que então, mais do que nunca, deveriam eles cuidar da cidade [9.5] (pois Filipe vira que eles aceitaram os presentes, mas que por argumento algum ele seria subjugado), diz-se que o honraram duplamente. E Filipe disse, mais tarde, que somente Xenócrates, entre os que o encontraram, seria incorruptível. Também foi embaixador junto a Antípatro para tratar da questão dos prisioneiros atenienses da guerra Lamíaca29 e, ao ser chamado [9.10] para banquetear-se, a Antípatro recitou os seguintes versos:

Ó Circe, pois que homem reto haveria que suportasse servir-se de alimentos e bebidas antes de livrar os companheiros e vê-los diante dos olhos?30

E aprovando sua sagacidade, <Antípatro> imediatamente deixou-os ir.

[10.1] Quando, certa vez, um pequeno pardal que estava sendo perseguido por um falcão chocou-se com seu ventre, ele, acariciando-o, deixou-o ir-se, dizendo ser preciso não entregar um suplicante. Ao ser alvejado por piadas por Bíon, nada lhe disse em defesa: pois, <disse ele>, tampouco a tragédia julga ter valor defender-se das piadas da comédia. [10.5] Ao que nem música, nem geometria, nem astronomia havia aprendido, mas que desejava frequentar suas aulas, disse: “Vai embora, pois não tens como segurar a filosofia”.31 Outros dizem ele mesmo ter dito: “Pois comigo não se penteia a lã”.32

[11.1] Quando Dionísio disse a Platão que alguém lhe cortaria33 o pescoço, estando Presente Xenócrates e apontando para a própria cabeça, disse: “Não antes que alguém corte a minha”. Dizem também que, certa vez, quando Antípatro foi a Atenas e saudou-o, [11.5] Xenócrates não retornou a saudação antes que concluísse o discurso que proferia. Não sendo vaidoso34, diversas vezes durante o dia estudava sozinho e, por uma hora, dizem, mantinha-se em silêncio.

Legou-nos grande quantidade de escritos, poemas e exortações, que são estes:

[11.10] Da Natureza, em seis livros;

Da Sabedoria, em seis livros;

Da Riqueza, em um livro;

Arcádia, em um livro;

Do indeterminado, em um livro;

[12.1] Da criança, em um livro;

Da continência, em um livro;

Da utilidade, em um livro;

Da liberdade, em um livro;

[12.5] Da morte,35 em um livro;

Do <ato> voluntário, em um livro;

Da amizade, em dois livros;

Da equidade, em um livro;

Do contrário, em dois livros;

[12.10] Da felicidade, em dois livros;

Da escrita, em um livro;

Da memória, em um livro;

Da falsidade, em um livro;

Cálicles, em um livro;

[12.15] Da prudência, em dois livros;

Economia, em um livro;

Da temperança, em um livro;

Da força da lei, em um livro;

Da constituição, em um livro;

[12.20] Da piedade, em um livro;

Por que a excelência pode ser ensinada, em um livro;

Do ente, em um livro;

Do destino, em um livro;

Das paixões, em um livro;

[12.25] Dos modos de vida, em um livro;

Da concórdia, em um livro;

Dos alunos, em dois livros;

Da justiça, em um livro;

Da excelência, em dois livros;

[12.30] Das Formas, em um livro;

Do prazer, em dois livros;

Da vida, em um livro;

Da coragem, em um livro;

Do uno, em um livro;

[12.35] Das Ideias, em um livro;

[13.1] Da arte, em um livro;

Dos deuses, em dois livros;

Da alma, em dois livros;

Da ciência, em um livro;

[13.5] Político, em um livro;

Da habilidade científica, em um livro;

Da filosofia, em um livro;

Dos escritos de Parmênides, em um livro;

Arquedemos ou da justiça, em um livro;

[13.10] Do Bem, em um livro;

Das coisas relativas ao pensamento, em oito livros;

Solução de raciocínios, em dez livros;

Conferências físicas, em seis livros;

Sumários, em um livro;

[13.15] Dos gêneros e das espécies, em um livro;

Pitagóricas, em um livro;

Soluções, em dois livros;

Divisões, em oito livros;

Teses, em vinte livros, 30.000 linhas;

[13.20] Do estudo da dialética, em quatorze livros, 12.740 linhas;

Depois desses, <há> quinze livros, além de dezesseis livros acerca das lições sobre o estilo;

Nove livros sobre raciocínios;

[13.25] Seis livros sobre as coisas relativas à matemática;

Dois livros sobre as coisas relativas ao pensamento;

Da geometria, em cinco livros;

Recordações, em um livro;

Dos contrários, em um livro;

[13.30] Dos números, em um livro;

Teoria dos números, em um livro;

Da extensão, em um livro;

Das coisas relativas à astrologia, em seis livros;

[14.1] Princípios da monarquia, a Alexandre, em quatro livros;

A Aribas;

A Hefesto;

Da geometria, em dois livros;

[14.5] <Estas obras perfazem ao todo> 224.239 linhas.

Entretanto, certa vez, os atenienses o puseram à venda por estar sem recursos para pagar a taxa meteca.36 E Demétrio de Falero o comprou e a cada um restituiu integralmente: a Xenócrates, a liberdade; aos atenienses, a taxa meteca. Isso nos diz Mironiano de Amastris no primeiro livro de Capítulos de Histórias Paralelas. [14.10] Sucedeu Espeusipo no arcontado de Lisímaco, no segundo ano da 110ª Olimpíada37 e comandou a escola por vinte cinco anos. Terminou sua vida ao se ferir de noite sobre um utensílio doméstico, aos oitenta e dois anos de idade.

[15.1] Eis nosso <epigrama> dedicado a ele:

Certa vez, ao ferir-se em uma panela de cobre e ter a face atingida, urrou intensamente de dor - e, então, morreu Xenócrates, em todas as coisas o suprassumo.38

[15.5] Houve também outros cinco Xenócrates: o muito antigo tático. O que era da mesma estirpe e concidadão do filósofo (subsiste um discurso dele, <intitulado> Arsinoético, escrito acerca da morte de Arsinoé). O quarto foi um filósofo que escreveu sem sucesso elegias. Isso é característico. Com efeito, os poetas que se lançam a escrever prosa são bem-sucedidos, [15.10] mas os escritores de prosa que se aplicam a escrever poesia fracassam. É evidente que escrever poesia é obra da natureza, mas escrever prosa é obra da arte39. O quinto Xenócrates era escultor. O sexto, um compositor de odes líricas, como diz Aristóxeno.40

PÓLEMON

[16.1] Pólemon,41 filho de Filostrato, era Ateniense, do demo de Oea. Quando jovem, era de tal modo indisciplinado e dissoluto que carregava consigo dinheiro para a pronta gratificação dos desejos. E também escondia <dinheiro> em beco e ruelas.42 [16.5] Mesmo na Academia foi descoberto um trióbolo dele preso em um pilar pelo mesmo motivo dito anteriormente. Certa vez, junto com jovens, estando bêbado e usando uma coroa de flores, pôs-se em movimento para a aula de Xenócrates. Mas este, não ficando perplexo, continuou a discursar indiferente - era sobre a temperança. O adolescente, ouvindo-o, foi sendo pouco a pouco cativado e, desse modo, [16.10] tornou-se industrioso a ponto de exceder os outros e a sucedê-lo na direção da escola a partir da centésima décima sexta Olímpiada.43

[17.1] Diz Antígono de Caristo nas Vidas que o pai dele era o primeiro dos cidadãos e mantinha carruagens de cavalos para corridas, que Pólemon foi processado pela mulher por má conduta porque tinha relações sexuais com adolescentes.44 Começando a filosofar, de tal modo fortaleceu seu modo de ser [17.5] que sempre mantinha a mesma expressão sobre a face. Também sua voz não sofria mudanças. Por isso também Crantor foi cativado por ele. Com efeito, quando um cão enraivecido lhe estraçalhou a parte detrás da coxa, nem sequer empalideceu. E quando, ao saber o que tinha acontecido, sobreveio uma inquietação na cidade, permaneceu inabalável. [18.1] Também permanecia impassível nos espetáculos teatrais. Quando, certa vez, Nicostrato (que tinha como epíteto Clitemnestra) lia algo do poeta45 para ele e Crantor, este ficou comovido, mas aquele ficou inalterado como se nada tivesse escutado. Era absolutamente tal como diz Melâncio [18.5] ser o pintor em Da Pintura: pois diz ser preciso pincelar certa confiança presunçosa e dureza nas obras, e de modo semelhante também nos caracteres. Pólemon disse ser preciso exercitar-se nas coisas práticas e não nas especulações dialéticas, como alguém que, tendo devorado algum manualzinho de harmonia musical sem praticá-la, é admirado por suas questões, [18.10] mas está em conflito por sua disposição consigo mesmo.

Era refinado e nobre, e evitava as coisas que Aristófanes diz acerca de Eurípedes: “ácido e condimentado”.46 [19.1] Pois, como ele disse:

Isso é luxúria contra a natureza para um grande pedaço de carne.47

Não respondia questões estando sentado, dizem, mas, deambulando, argumentava dialeticamente.48 Com efeito, era horando na cidade por seu amor pelo que é nobre. [19.5] Entretanto, era reservado, passando seu tempo49 em seu jardim, ao redor do qual seus alunos, tendo construído pequenas cabanas, habitavam, próximo do Templo das Musas e da Sala de conferências.50 Pólemon parecia imitar Xenócrates em todas as coisas. E Aristipo diz, no quarto livro da obra Da luxúria dos Antigos, ter sido Pólemon amado51 por Xenócrates. [19.10] Com efeito, Pólemon sempre o mencionava, e de tal modo a pureza, a severidade e a gravidade se infundiram nele, que se tornou como uma casa dórica.52 [20.1] Era amante de Sófocles,53 sobretudo daquelas passagens nas quais, segundo o poeta cômico:

Um cão molosso parecia compor o poema com ele, [20.5] E <o poeta> era, segundo Frinicos, Nem como vinho doce e insípido,54nem vinho misturado, mas vinho pramniano.55

Com efeito, dizia que Homero era Sófocles épico, e que Sófocles era Homero trágico.

Morreu já velho, por atrofia, legando muitos escritos. [20.10] Eis o nosso <epigrama> para ele:

Não percebes? Guardamos Pólemon, que aqui sofreu persistente doença, o terrível sofrimento dos homens. Não mais Pólemon, mas <seu> corpo: pois ele mesmo, caminhando para as estrelas , o dispôs consumido no solo.56

CRATES

[21.1] Crates,57 de quem Antígenes era pai, era ateniense do demo de Tria, ao mesmo tempo discípulo e amado de Pólemon. E também o sucedeu na direção da escola. Amavam-se mutuamente de tal modo que não somente tinham ambos os mesmos hábitos em vida, mas também [21.5] praticamente exalaram o último suspiro juntos e, ao morrerem, partilharam ambos a mesma sepultura. Por essa razão Antágoras escreveu para ambos deste modo:

Neste memorial, visitante que ora passa, foram sepultados Crates temente aos deuses e Pólemon, [21.10] homens de grande coração, unidos pela mente e pelos sentimentos, palavras sagradas das suas bocas divinas foram lançadas, e a vida pura da sabedoria adornou-os para a divina eternidade, sempre persuadida pelos dogmas imutáveis.58

[22.1] Razão pela qual Arcesilau, deixando Teofrasto por eles, disse que seriam eles divinos ou remanescentes da era de ouro. Com efeito, ambos não eram populares. Mas, como dizem que Dionisiodoro, o tocador de flauta, teria dito que ninguém jamais ouvira as melodias <que ele produzia> nem sobre trirremes, nem em fontes, como ouviam as de Ismênias. [22.5] Antígono diz ser <Crates> comensal de Crantor, ambos convivendo com Arcesilau. Arcesilau vivia com Crantor; e Pólemon e Crates com Lisicléos, um dos cidadãos. [22.10] Crates era, diz <ele>, amado por Pólemon, como dito acima. E Arcesilau, amado por Crantor.

[23.1] Crates, ao morrer <no ano da 128ª Olimpíada>, segundo diz Apolodoro59 no terceiro livro de sua obra Cronologias,60 legou-nos livros de filosofia, de comédia, discursos públicos e diplomáticos, bem como [23.5] também discípulos eloquentes, entre os quais Arcesilau, do qual falaremos - pois também foi aluno dele - e Bíon de Borístenes, de quem também falaremos imediatamente depois de Arcesilau, que posteriormente, por escolha própria, adotou o epíteto de teodoriano.61

Nasceram dez Crates. O primeiro, o poeta das antigas comédias. [23.10] O segundo, o orador de Tralles, aluno de Isócrates. O terceiro, o sapador62 e mineiro de Alexandre. O quarto, o cão63 do qual falaremos. O quinto, o filósofo peripatético. O sexto, o filósofo acadêmico referido acima. O sétimo, o gramático de Malos. O oitavo, um que escreveu sobre geometria. O nono, poeta epigramático. O décimo, filósofo acadêmico de Tarsos.

CRANTOR

[24.1] Crantor de Solis,64 admirado em sua própria pátria, partiu para Atenas, tornando-se aluno de Xenócrates e estudando junto com Pólemon. Legou-nos 30.000 linhas de recordações, das quais algumas são atribuídas a Arcesilau. Dizem que ele, tendo sido indagado sobre pelo que Pólemon o cativara, [24.5] falou que por não tê-lo jamais ouvido pronunciar as palavras nem <em tom> mais alto, nem <em tom> mais baixo. Estando enfermo, retirou-se para o templo de Asclépio65 e aí ficou deambulando. Então, por todos os lados <pessoas> afluíram a ele, considerando <ele estar> ali não por doença, mas por desejar fundar uma escola. Entre eles <estava> Arcesilau, que desejava unir-se a Pólemon por intermédio dele, [25.1] apesar de <Crantor e Pólemon> amarem-se, como será dito na seção sobre Arcesilau. Entretanto, ao curar-se, <Crantor> foi assistir <as aulas> de Pólemon, pelo que foi admirado na mais alta medida. Diz-se que legou a Arcesilau suas posses, que somavam doze talentos. [25.5] E quando alguém lhe indagou onde desejava que ocorressem seus ritos fúnebres, disse:

É belo ser sepultado nas colinas do amado torrão.

Diz-se ter também escrito poemas e tê-los depositado no templo de Atenas em sua pátria. E Teeteto,66 o poeta, diz o seguinte dele:

[25.10] Agradava aos homens, e mais ainda às Musas, Crantor, que nunca viu a velhice. Terra, recebe-o tu, tendo perecido o sagrado homem; e que ele também, neste lugar, viva em florescimento.67

[26.1] Crantor, entre todos <os poetas>, admirava sobretudo Homero e Eurípedes, dizendo ser difícil ao mesmo tempo escrever, com autoridade, de forma trágica e compassiva. E proferia estes versos de Belerofonte:

[26.5] Ai de mim! Por que ai de mim? Sofremos ambos as coisas próprias dos mortais.

Diz-se que estes versos <do poema> Ao Amante do poeta Antágoras68 foram proferidos por Crantor:

Hesitante <está> minh’alma, que quanto à tua estirpe está em desacordo, ou te diria que és o primeiro dos deuses eternos, ó Amor, [26.10] dentre as inúmeras crianças geradas há muito por Érebo e a rainha Noite, nos mares, sob o vasto Oceano; [27.1] ou és filho da ardilosa Cipris, ou de Gaia, ou dos Ventos; Tantos males e bens tu, que prudentemente vagas, deste aos homens: pois teu corpo é duplo.

Era também habilidoso69 quanto a produzir nomes. Com efeito, disse ter um cantor de [27.5] coro de tragédia voz tosca e plena de inúteis redundâncias. E, de um poeta, serem seus versos cheios de avareza. E as teses de Teofrasto terem sido escritas com uma concha de ostra. Admirava-se dele sobretudo o livro Da lamentação. Feneceu antes de Pólemon e Crates, tendo adoecido por força da hidropisia. Eis o nosso <epigrama dedicado> a ele:

[27.10] Foste inundado, Crantor, pela pior das doenças, e assim desceste ao negro abismo de Plutão. E tu aí te regozijas. Mas viúva dos teus discursos, ficou a Academia, e Solis, pátria tua.70

ARCESILAU

[28.1] Arcesilau,71 filho de Seutes (ou Squites, como diz Apolodoro no terceiro livro de sua Cronologia), de Pitane, na Eólia.72 Com ele começa a Média Academia. Foi o primeiro a suspender o assentimento diante de argumentos contrários. O primeiro também [28.5] a arguir dialeticamente cada um <dos argumentos> e o primeiro que inovou, manejando o discurso de Platão, tornando-o mais erístico por meio de perguntas e repostas. Do seguinte modo tornou-se discípulo de Crantor. Tinha quatro irmãos, dois dos quais de um mesmo pai, e os outros dois de uma mesma mãe. E, dos que tinham a mesma mãe, o mais velho era Pilades; [29.1] dos que tinham o mesmo pai, o mais velho era Moireas, que era seu tutor.73 No princípio, antes de ir para Atenas, era aluno do matemático Autólico,74 seu concidadão, com quem viajou para Sárdis. Foi, então, <aluno> de Xantos, o músico ateniense. Depois disso, frequentou Teofrasto.75 [29.5] Migrou, então, para a Academia, pondo-se ao lado de Crantor. Pois Moireas, seu referido irmão, conduzia-o para a retórica. Mas Arcesilau amava a filosofia. E Crantor indagou-lhe, amorosamente recitando, os versos da Andrômeda de Eurípedes:

Ó virgem, se salvar-te, ser-me-ás grata?76

[29.10] E ele respondeu:

Segue-me, ó estrangeiro, quer me desejes serva, quer esposa.77

[30.1] A partir disso viveram juntos. De modo que dizem que Teofrasto, enciumado, teria falado que ele seria “um jovem bem constituído e bem apanhado que se foi de <sua> escola”.78 Com efeito, tornando-se <Arcesilau> o mais cogente nos discursos e suficientemente amante dos livros, lidava também com a poesia. [30.5] Eis o epigrama dele <dedicado a> Atálo que transcorre assim:

Pérgamo não por suas armas unicamente é renomada, mas também por seus cavalos diversas vezes é celebrada pela divina Pisa. Se ao mortal é permitido a partir da mente divina falar, [30.10] será a mais cantada no futuro.79

E também a Menodoro, o amado de Eudamos, um dos seus estudantes:

[31.1] Muito longe da Frígia, muito longe da sagrada Tiatira, ó Menodoro, tua pátria, Kadauáde. Pois para o inefável Aqueronte iguais são os caminhos, como <diz> o provérbio dos homens, por qualquer lado que sejam medidos. [31.5] A ti, Eudamos, este manifesto marco erigiu, ó tu, que eras o mais amado dentre os muitos que laboravam <para ele>.80

Entre todos <os poetas>, aprovava sobretudo Homero, de quem sempre lia algo antes de dormir. E, ao acordar, quando quer que desejasse ler, dizia que iria retornar ao seu amado. [31.10] Também dizia ser Píndaro habilidoso ao impor abastança à voz e suprir abundância de nomes e verbos. Quando jovem, fez um estudo crítico de Íon.

[32.1] Ouviu também a Hiponíco, o geômetra; de quem escarneceu, <porque> enquanto era preguiçoso e estava sempre a bocejar, era diligente na arte, e dizia que a geometria voara para a sua boca enquanto bocejava. E tendo <Hiponíco> enlouquecido, <Arcesilau> o admitiu em sua casa e cuidou dele até reestabelecer-se. [32.5] Depois da deserção de Crates, <Arcesilau> assumiu a escola, tendo um tal Socrátides cedido a favor ele. Por suspender o juízo sobre tudo, dizem alguns, nenhum livro escreveu. Mas, segundo outros, foi descoberto emendando algumas obras <de Crantor>, que alguns dizem que publicou, mas, segundo outros, queimou. Parece que admirava Platão, cujos livros adquiriu. [33.1] Mas emulou Pirro, de acordo com uns, e manteve a dialética e engajou-se nos argumentos <da escola> de Erétria, de modo que dele era dito por Aríston:81

Na frente Platão, atrás Pirro, no meio Diodoro.82

[33.5] E Timão83 sobre ele falava assim:

Pois tendo de Menedemo no peito o chumbo correrá ou para Pirro, todo carne, ou para Diodoro.84

E, após, o faz dizer:

Nadarei para Pirro e para o torto Diodoro.85

[33.10] Era muitíssimo axiomático e conciso e, na conversação, decompunha os nomes. <Era> bastante satírico e de fala franca,86 [34.1] pelo que novamente Timão assim sobre ele <falou>:

A mente astuta e a censura misturando.87

De modo que, contra um jovem que falava com arrogância, disse: “Ninguém o vencerá no <jogo> dos ossos?” Contra alguém acusado de ter sido penetrado, [34.5] quando sustentou que uma coisa não lhe parecia maior do que outra, <Arcesilau> perguntou se dez polegadas <não lhe pareciam mais> que seis polegadas.88 Quando um tal Hemon de Quíos, que era disforme, mas supunha ser belo e sempre circulava com mantos, disse que não parecia a ele que o sábio viesse a amar, <Arcesilau> respondeu: [34.10] “Nem se for alguém tão belo como tu e que possua tão belos mantos?” Uma vez, um catamito,89 querendo mostrar-se grave, disse para Arcesilau,

[35.1] Posso falar, rainha, ou devo manter-me em silêncio?90

E <Arcesilau> respondeu, dizendo:

Mulher, porque falas comigo com aspereza e não do modo habitual?91

[35.5] Quando um tagarela de baixa estirpe lhe causou problemas, <Arcesilau> disse:

A fala intemperante advém dos filhos de escravos.92

Quando um outro falou <coisas> muito sem sentido, disse que não houve uma babá que o repreendesse. Mas a alguns nem respondia. Contra um agiota e filólogo, a alguém tendo dito que ignorava, [35.10] <Arcesilau> disse:

Pois certamente desconhece o caminho dos ventos o pássaro fêmea, salvo quando há filhotes.93

E isso é extraído do Enomau de Sófocles.

[36.1] Contra um dialético seguidor de Alexino,94 incapaz de descrever suficientemente um <argumento> de seu mestre, <Arcesilau> acabou por contar sobre Filoxeno contra os oleiros: pois ele os encontrou cantando mal algumas <das suas canções> e pisoteou os tijolos, dizendo: “Como vós estragais a minha, eu a vossa.” [36.5] De fato, aborrecia-se com os que se engajavam nos estudos muito tarde. Caracteristicamente, nas conversas, usava <frases> como “Eu assiro” e “<fulano> não assentirá a isso”,95 dizendo o nome. E muitos dos seus discípulos emularam sua retórica e todos seus modos.

[37.1] Era muitíssimo hábil com argumentos, bem-sucedido ao replicar e ao trazer o giro do raciocínio de volta para o início, bem como ao ajustá-lo a todas as ocasiões. Ninguém o superava na persuasão, e sobretudo isso movia <os discípulos> para a escola, embora fossem fustigados por sua acidez. [37.5] Mas de bom grado suportavam isso, pois sua bondade era enorme e insuflava esperança nos ouvintes. E também na vida estava sempre pronto para compartilhar e demonstrar afabilidade, bem como para passar despercebido por seus favores, sem qualquer vaidade. Certa vez, ao visitar Ctesíbio,96 que estava doente, e ao ver <que estava> oprimido pela pobreza, secretamente colocou uma bolsa <de moedas> embaixo de seu travesseiro. [37.10] E <Ctesíbio>, ao encontrá-la, disse: “Uma brincadeira de Arcesilau”. Mas também, em outra ocasião, enviou-lhe mil <dracmas>.

[38.1] Também, por ter apresentado Arquía, o árcade, a Eumênes, fez com que <aquele> viesse a ser muito estimado. E, sendo livre e sem filargíria, foi o primeiro a mostrar-se para performances pagas, e sobretudo ansiava pelas <que ocorriam nas casas de> Arquécrates e Calícrates, cotadas em moedas de ouro. A muita gente abasteceu, <para elas> arrecadando contribuições. [38.5] E quando, certa vez, alguém tomou-lhe um prato de prata para a recepção de amigos e o roubou, Arcesilau não o pediu de volta e nem o pretendeu. Mas dizem que, de caso pensado, concedeu um empréstimo e, quando este lhe foi restituído, cedeu-o graciosamente, uma vez que <o homem> era pobre. De fato, tinha uma propriedade em Pitane, cujo excedente seu irmão Pílade lhe mandava. Mas Eumênes,97 filho de Filetaíro, presenteava-lhe muito, [38.10] pelo que este homem foi o único rei a quem <Arcesilau> se endereçou.

[39.1] Muitos cortejavam Antígono98 e, quando este chegava em <Atenas>, iam encontrá-lo, <Arcesilau> aquietava-se, não querendo apresentar-se primeiro.99 Era muito amigo de Hiérocles, encarregado de Muníquia100 e do Pireu,101 e em cada um dos festivais ia para lá. [39.5] E, muitas vezes, quando <Hiérocles> tentou vencê-lo pela persuasão a saudar Antígono, não foi persuadido, mas caminhou até os portões e voltou. Após a batalha naval de Antígono,102 quando muitos se aproximaram dele e escreveram-no cartas exortatórias, <Arcesilau> silenciou. No entanto, por sua pátria, foi, como embaixador de Demétrias,103 a Antígono, mas fracassou. [39.10] Passava todo seu tempo na Academia e evitava a política.

[40.1] E então, quando em Atenas, deteve-se por muito tempo no Pireu a conversar, por amizade a Hiérocles, pelo que alguns o repreenderam. Também era muito pródigo (um outro Aristipo?) e ia a jantares, mas somente na companhia dos que tinham modos semelhantes. [40.5] E morou abertamente com Teodete, e também com Fíla, cortesãs de Eléia. E contra quem o dilacerava, respondia com as máximas de Aristipo. Apreciador de meninos, era inclinável.104 Por isso era chamado por Aríston de Quíos, o estoico, e seus <discípulos> de corruptor dos jovens e de palrador insolente de obscenidades. [41.1] Diz-se dele que apaixonou-se por Demétrio, que navegou para Cirene, e por Cleocáro de Mirleia. Dele <se fala> que, quando os celebrantes <bateram à sua porta>, disse que ele queria abrir, mas que <Cleocáro> impedia. Esse <Cleocáro> era amado por Democares, filho de Laques, e por Pítocles, filho de Bugelo. [41.5] Arcesilau, <flagrando-os>, disse permitir tolerantemente. Ele foi então por isso triturado <pelos críticos> anteriormente mencionados, e ridicularizado como amante da glória e dos favores do povo, sobretudo por Hierônimo, o peripatético,105 e seus discípulos, quando <Arcesilau> juntava seus amigos para o aniversário de Alcioneu, filho de Antígono, [41.10] a quem Antígono enviava bastante dinheiro para desfrute. [42.1] Lá sempre se evitada qualquer asserção entre uma taça e outra. E quando Aridilon propôs uma teoria a <Arcesilau> e esperou pela resposta, este disse: “A maior peculiaridade da filosofia é esta: saber o momento propício106 para cada coisa”. Quanto à acusação de que <Arcesilau> era amante dos favores do povo, [42.5] Timão fala, entre outras coisas, que ele:

Assim falando, mergulhava no povo ao redor.107Mas eles, como tentilhões ao redor de uma corujinha, admiravam-no, apontando-o como ocioso, por <ser> adulador do povo. [42.10] <Por que>, pobre insignificante, inchas como um estúpido?108

Contudo, era tão modesto109 que recomendava que seus discípulos ouvissem outros. E quando um jovem de Quíos não gostou de sua diatribe, mas antes da do anteriormente mencionado Hierônimo, o próprio <Arcesilau> o conduziu e o introduziu ao filósofo, exortando-o a comportar-se bem.

[43.1] Uma <história> graciosa que dele se conta é a seguinte: a alguém que lhe perguntou por que, por um lado, os <discípulos> das outras <escolas> mudam para a de Epicuro, mas, por outro lado, ninguém <mudava-se> da de Epicuro, disse: “Porque, por um lado, um homem pode tornar-se eunuco, mas, por outro lado, um eunuco não se torna um homem.”

[43.5] Afinal, aproximando-se do fim, deixou tudo para seu irmão Pilade, porque conduziu-o para Quíos, ocultado de Moireas, e de lá levou-o para Atenas. Em sua existência, nem se casou, nem gerou filhos. Fez três testamentos: um deixou em Erétria com Anfícrito, outro em Atenas com alguns amigos, [43.10] o terceiro enviou para casa, para Taumasía, uma parenta, pedindo que o guardasse. Para esta última escreveu assim:

“Arcesilau a Taumasía, saudações,

[44.1] “Dei meu testamento a Diógenes para ser-te entregue. Porque tenho estado sempre mal e meu corpo está fraco, achei que deveria fazer um testamento, para que, se algo inusitado se suceder, nenhuma injustiça te ocorra, que me foste amigável e sinceramente apegada. Entre todos aí, [44.5] tu és a mais digna de confiança para cuidar <do meu testamento>, tanto por causa da idade quanto pelo nosso parentesco. De fato, lembra-te que deposito em ti a mais absoluta confiança. Tenta ser justa comigo, de modo que, na medida em que de ti <depender>, meu <testamento seja> nobremente administrado. Uma <cópia> dele está guardada em Atenas com alguns, e outra em Erétria com [44.10] Anfícrito.”

Morreu, como diz Hermipo,110 por ter bebido muito vinho sem mistura.111 E enlouqueceu. Nessa época tinha setenta e cinco anos, sendo aceito pelos atenienses como nenhum outro.

[45.1] Eis nosso <epigrama> para ele:

Arcesilau, por que tão excessivamente vinho sem mistura bebeste, de modo a perder a própria razão? Lamento-te não tanto pela morte, mas porque às Musas [45.5] ultrajaste, sem medida desfrutando a taça.112

Havia outros três Arcesilau: um poeta da antiga comédia, outro elegíaco, e diferentemente, um escultor para quem Simônides compôs o seguinte epigrama:

É de Ártemis a escultura, e o preço é de duzentas [45.10] dracmas párias, marcadas com um bode. Feita por Arcesilau, exercitado na arte de Atenas, o valoroso filho de Aristodíco.113

O supramencionado filósofo, de acordo com o que diz Apolodoro nas Crônicas,114 floresceu em torno da centésima vigésima <oitava> olimpíada.115

BÍON

[46.1] Bíon116 era da estirpe de Borístenes. Ele próprio esclareceu a Antígono quem eram seus pais e que circunstâncias o levaram à filosofia. Pois quando <Antígono> lhe indagou:

Quem entre os homens <és>? Qual a tua cidade e teus pais?117

[46.5] Percebendo que fora difamado, disse-lhe: “O meu pai era um liberto, limpava o nariz no braço - indicando que era negociante de peixe salgado - da estirpe de Borístenes, sem face, mas a escrita no rosto, um sinal da gravidade do seu senhor; minha mãe era do tipo tal que ele se casaria, de um bordel. [46.10] Então meu pai, tendo sonegado algum imposto, foi vendido com toda a nossa família. E eu, quando era jovem e gracioso, fui comprado por um orador que, [47.1] ao morrer, deixou-me tudo. E eu queimei todos os escritos dele, juntei os farrapos e vim para Atenas estudar filosofia.

Eis a estirpe e também o sangue de que orgulha-te ser.118

[47.5] Este é o meu. Portanto, que finde a história que contam Perseu e também Filoníde. Mas examina-me por mim próprio.”

Na verdade, por um lado, Bíon era versátil, um sofista sutil, e forneceu muitos pretextos para os que queriam espezinhar a filosofia; por outro lado, em alguns respeitos, era aprazível e capaz de desfrutar da soberba. [47.10] Também deixou muitas memórias e máximas necessárias que englobam várias coisas. Por exemplo, quando censurado por não perseguir um adolescente, disse: “Não é possível um queijo mole com um anzol fisgar”.119 [48.1] Certa vez, tendo-lhe sido perguntado quem sofre mais agonia, disse: “O mais desejoso por prosperar.” Perguntado por alguém se deveria ou não casar-se - pois isso também é atribuído <a Bíon> - disse: “Se, por um lado, a esposa for feia, terás um castigo; se, por outro lado, for bela, a terás em comum”.120 [48.5] Da velhice, disse que é o ancoradouro dos males, pois verdadeiramente para lá todos eles fogem. Da reputação, que é a mãe <das excelências>. A beleza, o bem de outro. A riqueza, os nervos das coisas. Para alguém que devorou o patrimônio, disse: “Por um lado, Anfiarau121 a terra engoliu; tu, por outro lado, <engoliste> a <tua> terra.” Não ser capaz de suportar um grande mal é um mal. [48.10] Condenava aqueles que aos homens queimavam como se incapazes de sentir, mas cauterizava-os como se sensíveis. [49.1] Dizia continuamente que é preferível oferecer favores aos outros do que os tomar dos outros, pois isso desabilita o corpo e a alma. <Bíon> reprovou Sócrates, dizendo que se, por um lado, tinha desejo por Alcibíades e afastou-se, foi tolo; [49.5] se, por outro lado, não o tinha, não fez nada contrário às expectativas. Fácil dizia ser o caminho para o Hades: de todo modo, de olhos fechados por ele passa-se. A Alcibíades censurou, dizendo que, por um lado, quando novo, afastou os homens das mulheres; por outro lado, tendo se tornado jovem, <afastou> as mulheres dos homens. Em Rhodes, quando os atenienses praticavam retórica, ensinava filosofia; [49.10] de fato, tendo sido acusado por isso, disse: “Tendo trazido trigo, como eu venderia cevada?”

[50.1] Dizia que aqueles no Hades seriam mais castigados se os recipientes em que carregam água fossem perfeitos e não furados. A um tagarela inconveniente que lhe pedia ajuda, disse: “Satisfaço tua demanda se intermediários mandares e tu próprio não vieres.” Navegando com <homens> maus, deparou-se com piratas e, [50.5] ao dizerem <seus companheiros> “Estamos perdidos se formos descobertos”, Bíon falou: “Eu também”, se não formos descobertos”. Dizia que a presunção é um obstáculo para o progresso. De um rico avarento, disse: “Ele não adquiriu propriedade, mas a propriedade o adquiriu.” Dizia que os avarentos encarregavam-se das posses como se lhes fossem próprias, [50.10] mas não se beneficiam delas mais do que se fossem de outros. Por um lado, quando jovens, usamos a coragem, disse, por outro lado, quando velhos, usamos a prudência. [51.1] A prudência supera as outras excelências, assim como a visão os outros sentidos. Não se deve censurar a velhice, pois para ela, disse, todos clamamos ir. A um invejoso tristonho, disse: “Não sei se ou adveio-te um mal ou o bem de outrem.” [51.5] O baixo nascimento, dizia, é um mau parceiro da franqueza ao falar:122

Pois assujeita o homem, quão corajoso ele seja.123

<É preciso> observar atentamente de que qualidade os amigos são, para que não pensemos que desfrutamos os maus ou rejeitamos os bons.

[51.10] De fato, no princípio, no tempo em que ouvia Crates, ele criticava a Academia. Então, aderiu à conduta cínica, tomando o manto surrado e o alforje. [52.1] Pois o que mais <faltou> para mudar-lhe em direção à indiferença?124 Depois, dirigiu-se para os teodoreanos, tendo ouvido Teodoro, o ateu,125 que <utilizava> todas as figuras sofísticas de argumentação. Então, ouviu Teofrasto, o peripatético. Era teatral e muito provocador de debate, [52.5] usando nomes vulgares para as coisas. De fato, por empregar todas as formas de discursos, diz-se que Eratóstenes126 falou que Bíon foi o primeiro a enfeitar a filosofia com flores. Era também habilidoso em parodiar. Este é um exemplo disso:

[52.10] Ó gentil Arquitas, nascido na música, feliz na sua própria presunção, o melhor entre todos os homens para a nota da discórdia fazer soar.127

[53.1] E geralmente brincava com a música e com a geometria. Também era extravagante, pelo que mudava-se de cidade para cidade, às vezes maquinando uma apresentação. Desse modo, em Rhodes, persuadiu os marinheiros a tomarem roupas de estudantes e seguirem-no. [53.5] Ao entrar com eles no ginásio, foram olhados por todos. Também costumava adotar alguns jovens para satisfazer seus prazeres e para ser defendido por sua benevolência. Mas era excessivamente egocêntrico e insistia muito que o que é dos amigos é comum. Por isso, dos quantos que ouviram suas palestras, ninguém se intitulou seu discípulo. [54.1] E houve alguns que o seguiram na impudência. Pelo menos Betío, um de seus acompanhantes, que (dizem) a Menedemo falou: “Eu, deixe-me dizer-lhe, ó Μenedemo, às noites uno-me com Bíon e nada de realmente estranho acho ter isso.” Amiúde ateiamente expressava-se nas conversas, [54.5] algo que lhe viera dos teodoreanos. E posteriormente, quando caiu doente (como <dizem> os de Calcis, onde finalmente morreu), foi persuadido a portar um amuleto e a arrepender-se das ofensas contra o divino. A falta de tratamento médico reduziu-o a uma situação terrível, até Antígono enviar-lhe dois servos. [54.10] E estes o seguiam em uma liteira, como diz Favorino em sua obra Miscelânea histórica.128

Mas, ainda assim, morreu, e nós o censuramos do seguinte modo:

[55.1] De Bíon, natural da terra cita de Borístenes, ouvimos que dizia que nenhum dos deuses é real. Se de fato tivesse permanecido com essa opinião, poder-se-ia dizer: “Assim lhe parece, errado, de fato, mas assim lhe parece”. [55.5] Mas, quando derrubado por uma prolongada doença e temendo morrer, ele, que dizia os deuses não existirem, que nenhum templo olhou, [56.1] que amiúde zombou dos mortais por sacrificarem aos deuses, e que sequer na lareira e sobre os altares, e também na mesa, com aroma, gordura e incensos, ofertou aos narizes dos deuses; que sequer disse: “Pequei, confesso, no passado”, [56.5] a uma velha prontamente permitiu que em seu pescoço pusesse um encantamento, e obedientemente atou amuletos de couro nos seus braços, [57.1] e também colocou auréolas de murta e louro sobre a porta, a tudo imediatamente prontificando-se para não morrer. Tolo, quis que o divino pudesse comprado por certo preço, como se os deuses existissem quando Bíon quisesse crer. [57.5] Portanto, foi com vã sabedoria que, quando tudo era carcaça podre carbonizada, esticou a mão e disse: “Salve, salve, Plutão”.129

[58.1] Houve dez Bíons: primeiro, o contemporâneo de Ferecides de Siros, de quem se diz ter dois livros em jônico; ele era de Proconeso. Segundo, um siracusano, que escreveu sobre a arte retórica. Terceiro, o nosso <Bíon>. Quarto, um discípulo de Demócrito e matemático, abderita, [58.5] que escreveu em ático e jônico; foi o primeiro a dizer que há lugares onde a noite dura seis meses e o dia seis meses.130 O quinto, de Sólis, escreveu sobre a Etiópia. O sexto, um retórico, de quem se diz ter escrito nove livros para as Musas. O sétimo, um poeta lírico. O oitavo, um escultor milésio, lembrado por Pólemon. [58.10] O nono, um poeta trágico, do dito <círculo> de Tarso. O décimo, um escultor de Clazômena ou de Quíos, lembrado por Hiponax.

LÁCIDES

[59.1] Lácides,131 filho de Alexandre, era cirenaico. É o iniciador da nova Academia e sucedeu Arcesilau. <Era> um homem honorável e que tinha não poucos imitadores, amante do labor desde novo e pobre, gracioso e de boa conversa apesar disso. [59.5] Contam uma doce <história> sobre sua administração doméstica: sempre que tirava algo da despensa, fechava novamente <a porta> e lançava o sinete para dentro através da abertura, para não haver roubos e retiradas das coisas estocadas. Então, ao saberem disso, os servos rompiam o selo e retiravam o quanto queriam. Depois, o sinete era lançado do mesmo modo [59.10] através da abertura para dentro da despensa. E esse feito nunca foi detectado.

[60.1] Lácides lecionava na Academia, no jardim construído pelo rei Atálo, e por isso chamado de Lacydeion. Foi o único que em vida transmitiu a escola a Telécles e Evandro, ambos da Foceia.132 [60.5] Evandro foi sucedido por Hegesino de Pérgamo,133 e este por Carnéades.134 Graciosamente reporta-se a Lácides o seguinte: tendo sido chamado por Átalo, dizem que ele falou que as estátuas eram melhores vistas de longe. Mais tarde, estudou geometria, pelo que alguém lhe perguntou: “Então agora é o momento?”, <e ele [redarguiu]>: “Então nem mesmo agora?”

[61.1] Tornou-se escolarca no quarto ano da 134ª Olimpíada135 e liderou a escola por vinte e seis anos. Seu fim se deveu a uma paralisia por excesso de bebida.136 E eis uma piada nossa sobre isso:

[61.5] E de ti, Lácides, ouvi uma voz, <que dizia> que a ti Baco levou para o Hades arrastando-te pelas pontas dos pés. Está claro: quando Dionísio entra muito no corpo, desata os membros. Por isso então que é chamado desatador?137

CARNÉADES

[62.1] Carnéades,138 filho de Epicomo ou de Filocomo, segundo Alexandre em sua obra Sucessões, era cirenaico. Estudou cuidadosamente os livros estoicos <e sobretudo> os de Crisipo. E, justamente por os ter exitosamente replicado, dele se dizia:

[62.5] Se, pois, não houvesse Crisipo, não haveria eu.

Era homem laborioso como nenhum outro, menos em física e mais em ética. Por isso, ocupado com argumentos, deixava os cabelos e as unhas crescerem. [62.10] Tamanha era sua força na filosofia que os oradores paravam suas aulas para irem a ele e ouvi-lo.

[63.1] Sua voz era muito potente, de modo que o chefe do ginásio dirigiu-se a ele para que não gritasse, e ele disse: “Dá-me uma medida para a voz.” Donde, acertando um golpe certeiro, o outro revidou, pois disse: “A medida tens nos ouvintes.” Era um terrível admoestador e implacável nas investigações. [63.5] Pelas causas supracitadas, recusava jantares. Certa vez, segundo nos diz Favorino em sua obra Miscelânea histórica, quando seu aluno Méntor da Bitínia, tendo chegado para a diatribe, se engraçou com a jovem <de Carnéades>, este assim parodiou no meio do seu próprio discurso:

[63.10]

[64.1] Vem um velho do mar, infalível, parece Méntor tanto no corpo quanto na voz; desta escola proclamo que deve ser banido;139

E o outro ergueu-se:

[64.5] Uns proclamaram, outros reuniram-se imediatamente.140

Parece ter-se acovardado face à morte, quando frequentemente dizia, “A natureza compôs e dissolverá.” Tendo sabido que Antípatro morreu bebendo veneno, se lhe incitou a coragem diante da morte, e disse: “Então dá-me”. E lhe perguntaram: [64.10] “O quê?” “Vinho com mel,” falou. Na hora de sua morte, dizem que ocorreu um eclipse lunar, como se obscuramente o astro mais belo depois do sol expusesse sua simpatia.

[65.1] Diz-nos Apolodoro, em sua obra Cronologias, que ele partiu dentre os homens no quarto ano da 162ª Olimpíada,141 tendo vivido oitenta e cinco anos. Conservam-se cartas dele a Ariarátes, o rei da Capadócia. [65.5] O restante foi escrito por seus estudantes. Ele próprio nada deixou. Escrevi sobre ele os seguintes versos logaédicos:

Por que Carnéades, por que, ó Musa, desejas que eu censure? Ignorante <pois> é quem não reconhece o quanto temia [65.10] a morte; e, quando tísico, tendo a pior doença, não desejou obter a liberação. Mas, ao escutar que Antípatro <a> extinguira bebendo veneno, [66.1] disse: “Então dá-me algo para beber”- “Ora, o que? - O que?” - “Dá-me vinho com mel.” Amiúde tinha à mão isto: “A natureza juntou-me, agora dissolver-me-á.” Por um lado, foi para nada menos do que para baixo da terra. Por outro lado, [66.5] teria evitado muitos males tendo passado para o Hades.142

Dizia-se que seus olhos à noite não enxergavam e ele não percebia. Ordenou a um criado que acendesse uma lâmpada. O criado a trouxe e falou: “Ei-la”. “Então,” disse <Carnéades>, “lê tu.”

De fato, ele teve muitos outros estudantes, [66.10] mas o mais reputado foi Clitômaco, sobre quem falaremos.

Houve outro Carnéades, um insípido poeta elegíaco.

CLITÔMACO

[67.1] Clitômaco143 era cartaginês. De fato, chamava-se Asdrúbal e filosofou em sua pátria na própria língua. Mas foi para Atenas já aos quarenta anos, tornando-se ouvinte de Carnéades. Este, reconhecendo sua industriosidade, o fez aprender as letras e instruiu o homem. [67.5] Ele obrou tão diligentemente que escreveu mais de quatrocentos livros. E sucedeu Carnéades. Através de seus escritos muito elucidou <o pensamento de Carnéades>. O homem deteve-se nas três seitas: na acadêmica, na peripatética e na estoica.

[67.10] Em geral, os Acadêmicos são ridicularizados por Timão assim:

Dos Acadêmicos, a prolixidade insossa.144

Mas, tendo passado pelos acadêmicos, oriundos de Platão, dirijamo-nos aos peripatéticos, também oriundos de Platão, a começar por Aristóteles.

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1Que teria indicado aos irmãos Castor e Pólux o local onde fora escondida Helena (irmã deles e, então, com doze anos), raptada por Teseu, que matara o Minotauro. Ao fazer tal coisa, Academo poupou Atenas da destruição ameaçada pelos irmãos de Helena, pelo que foi declarado herói e salvador da cidade. O túmulo de Academo foi erigido próximo ao cemitério de Atenas, e continha um bosque sagrado com doze oliveiras e um altar dedicado à deusa Palas Atena.

2Catão o velho, ou Catão censor (que viveu entre 234 e 149 a.C.), foi um político romano conhecido por seu apego aos modos antigos romanos (caracterizados pela simplicidade, frugalidade e extrema austeridade) e pelo anti-helenismo, que considerava moralmente enfraquecedor.

3Catão o Jovem, ou Catão de Útica (que viveu entre 95 e 46 a.C.), foi um politico romano célebre pela sua integridade moral, pela sua adesão ao estoicismo e pelo conflito com Júlio César. Por não aceitar a ditadura deste último e o consequente fim da República Romana, cometeu suicídio.

4Espeusipo de Atenas viveu entre c. 408 e 339/8 a.C. Primeiro escolarca a suceder a Platão na direção da Academia, encabeçou-a por 8 anos, entre 348/7-339/8 a.C.

5Vizinho de Platão, executou o testamento deste. Provavelmente neto do velho Eurimedon, general ateniense durante a Guerra do Peloponeso, morto em 413 a.C. É preciso distinguir estes dois de Eurimedon, o hierofante, que, juntamente com a escola de Isócrates e Demófilo, acusou Aristóteles de impiedade. Cf. DL III.42; III.43.

6348-344 a.C.

7Cassandro da Macedônia, um dos generais de Alexandre o Grande, viveu entre c. 350 a.C. - 297 a.C.

8Mantinea era uma cidade da Arcádia, no Peloponeso. Lastênia assistia as aulas de Platão vestida em trajes masculinos. Ateneu afirma que ela chegou a relacionar-se amorosamente com Espeusipo (vii, 279, xii, 546).

9Floresceu em c. 350 a.C. Fliunte era uma cidade do Peloponeso. Segundo Temístio, após ler a República, Asioteia foi estudar com Platão em Atenas (Orações, 23, 295 c). Como Lastênia, Asioteia assistia as aulas de Platão vestida como um homem. Cf. DL III.46.

10Dionísio I ou Dionísio o Velho, tirano de Siracusa, viveu entre 432 e 367 a.C.

11Isto é: Lastênia.

12Cf. Ateneu, vii. 279 e.

13Diodoro Sículo ou Diodoro da Sicília, historiador grego que floresceu no século 1 e escreveu a Bibliotheca Historica, em quarenta livros, dos quais uma parte sobrevive.

14Etheásato: aoristo indicativo de theámai, que significa primariamente “contemplar”.

15Chaireîn: Diógenes visa o duplo sentido do termo, que pode significar mera saudação a um conhecido (que era a intenção de Espeusipo ao falar) e literalmente, como o traduzimos, “ter bom ânimo”.

16Antologia Palatina VII.101.

17Ou Phthiriasis: doença caracterizada pela erupção de pústulas das quais surgem larvas de piolhos que devoram a pele do enfermo. Cf. Bondeson, 1998.

18Favorino de Arelate (c. 80-160): filósofo e sofista romano de origem gaulesa que viveu sob Adriano.

19Médico grego conhecido como o primeiro anatomista. Cofundador da escola de medicina de Alexandria junto com Erasístrato. Viveu entre 335 e 280 a.C.

20Xenócrates da Calcedônia viveu entre c. 396/5 - 314/3 a.C. e foi o segundo escolarca a suceder a Platão na direção da Academia, encabeçando-a entre 339/8 e 314/3 a.C.

21Famosa cortesã que viveu no século 4 a.C. Assim chamada por sua compleição (phrýne, em grego, significa “rã”). Ateneu cita-a diversas vezes em anedotas. Teria sido acusada por impiedade, segundo Pseudo-Plutarco (Vidas de dez oradores 9). Defendida pelo orador Hipérides, e vendo este que o julgamento ia muito desfavorável para a sua cliente, desnudou-a perante os juízes, que a absolveram por sua bela nudez.

22Há duas cortesãs com o mesmo nome: Laís de Corinto (fl. 425 a.C.) e Laís de Hicara, que são comumente confundidas desde a Antiguidade. Era considerada a mulher mais bela de seu tempo e teve como cliente o filósofo Aristipo.

23A dracma ática era uma moeda de prata que tinha de um lado a fronte de Atenas e do outro uma coruja. Valia três quartos de um denário romano.

24Antípatro: general macedônico que apoiava Filipe II e Alexandre o Grande. Viveu entre c. 397 BC e 319 a.C.

25Escritor grego desconhecido.

26O nome completo da obra (hoje perdida) é Capítulos de Histórias Paralelas (Cf. à frente 4.14.5-10).

27Literalmente: “de muito beber” (polyposías).

28Chóes: nome dado ao segundo dia da Antestéria, um dos quatro festivais atenienses a Dionísio, que ocorria anualmente durante três dias (na lua cheia entre janeiro e fevereiro).

29322 a.C.

30Homero, Odisséia, X, 383 e seguintes.

31Literalmente: “Não tens as asas da filosofia”. O termo “asas” (labás) refere-se às asas das ânforas, pelas quais estas são soerguidas.

32Isto é: não produz os fios de lã, mas os requer prontos para fiar (Xenócrates não leciona os conhecimentos supostos àquele que quer filosofar, mas os supõe dominados pelo aluno).

33Literalmente: “Alguém lhe arrancaria o pescoço”.

34Atyphótatos: adjetivo derivado de týphos (fumaça, vapor, coisa vã), que significa literalmente “não inflado”.

35Marsílio Ficino crê ser esta obra o diálogo pseudo-platônico Axiochus.

36Taxa paga pelos metecos (estrangeiros) residentes em Atenas.

37339-338 a.C.

38Antologia Palatina, VII, 102.

39Aqui advém o velho problema: como traduzir adequadamente téchnē?

40Diógenes acaba por citar apenas cinco dos seis Xenócrates anunciados. Provavelmente um dos nomes se perdeu por obra de um copista.

41Pólemon de Atenas morreu entre 270/269 a.C. Foi o terceiro escolarca a suceder a Platão, encabeçando a Academia de 314/313 a 270/269 a.C.

42Cf. Luciano, Bis accusatus 16.

43316-312 a.C.

44Usava-se o termo meirákion para indicar um adolescente com cerca de 14 anos.

45Homero.

46“Condimentado” traduz silphiōtá, temo se significa literalmente “preparado com silphium”, planta do gênero Ferula, possivelmente extinta, que era usada como condimento na Antiguidade.

47Fragmento 180 Dindorf.

48Epicheírei: terceira do singular do presente indicativo ativo de epicheírō, que significa, literalmente, “pôr mãos à obra”.

49Diatribṓn.

50Exédra: salão ou arcada com recessos e assentos, utilizada, na academia, para conferências.

51Erasthḗnai.

52Referência à ordem dórica da arquitetura clássica, que se caracteriza por colunas austeras e masculinas, sem adornos (volutas ou folhas de acanto estilizadas) no capitel. As volutas caracterizavam as colunas jônicas; e as folhas de acanto, as colunas coríntias - ambas, de acordo com Vitrúvio, possuíam caráter feminino.

53Philosoklḗs.

54Glýxis.

55Vinho de excelente qualidade de Esmirna.

56Antologia Palatina II 380.

57Crates de Atenas (morto por volta de 268-264 a.C.) sucedeu Pólemon, tornando-se o quarto escolarca a suceder a Platão na direção da Academia, encabeçando-a entre 270/69 a.C.

58Antologia Palatina VII 103.

59Apolodoro de Atenas viveu entre c. 180 e 120 a.C.. Historiador e gramático, foi aluno de Diógenes da Babilônia, Panécio de Rhodes e do gramático Aristarco de Samotrácia.

60Trata-se esta obra de um livro de história em versos que cobre o período da queda de Troia.

61Theodṓreion: Por ter abraçado as doutrinas de Teodoro.

62Soldado que tinha por função cavar trincheiras, fossos e galerias subterrâneas.

63Isto é: filósofo cínico.

64Crantor de Solis (que morreu entre 276/5 a.C.) foi um filósofo da Academia Platônica.

65Asklēpieîon: Asclépios, filho de Apolo, é o deus grego da medicina.

66Teeteto de Cirene, poeta grego que floresceu no século III a.C.

67Antologia Palatina II, 28

68Antágoras de Rhodes foi um poeta grego nascido por volta de 270 a.C.

69Deinós: literalmente “terrível”.

70Antologia Palatina II 381.

71Arcesilau de Pitane viveu entre 316/5-241/0 a.C. Sucedeu Crates como quinto escolarca da Academia em c. 264 a.C. É o fundador da Segunda ou Média Academia, na qual se desenvolveu o ceticismo acadêmico.

72Ou Eólida.

73Epítropos.

74Autólico de Pitane (c. 360 a.C. - c. 290 a.C.): astrônomo, matemático e geógrafo grego. Dele nos chegaram duas obras: Da esfera móvel e Dos poentes dos corpos celestes.

75Teofrasto de Eressos viveu entre 372 a.C. e 287 a.C. Foi o sucessor de Aristóteles na direção do Liceu, encabeçando-o por trinta e seis anos.

76Nauck, T.G.F., Eur. 129.

77Nauck, T.G.F., Eur. 132.

78diatribḗ.

79Antologia Palatina III, 56.

80Antologia Palatina II, 382.

81Aríston de Quios, filósofo estoico, discípulo de Zenão de Cítio, floresceu por volta de 260 a.C.

82SVF I. 77, fragmento. 343. Como observa Hicks (1925), trata-se de paródia de passagem da Ilíada (6.181), na qual uma quimera é descrita como composta por uma cabeça de leão, cauda de dragão e corpo de cabra.

83Timão de Fliunte.

84Diels, fragmento 31.

85Diels, fragmento 32.

86Parrēsiastḗs.

87Diels, fragmento 33.

88Referindo-se à diferença entre um pênis de 25 centímetros (10 polegadas) e outro de 15 (seis polegadas).

89Catamitus era como se chamava o amante pré-adolescente ou adolescente numa relação homossexual na Roma antiga. O termo refere-se a Ganimedes, mancebo que, segundo o mito grego, fora amante de Zeus.

90N29, Adesp. 282.

91N29, Adesp. 283.

92Eurípedes, 976 N29.

93Sófocles, 436 N29.

94Alexino, o refutador, filósofo megárico e discípulo de Eubúlides de Mileto. Cícero refere-se a ele como criador de paradoxos lógicos (Academia, 2.24).

95Hicks (1925) observa que tais frases contradizem a suspensão de juízo preconizada pelo filósofo.

96Matemático e engenheiro grego e alexandrino que viveu entre 285 e 222 a.C. É o fundador da escola de matemática e engenharia de Alexandria. Inventou, entre outras coisas, o órgão hidráulico e a bomba d’água hidráulica, invenções mais tarde usadas pelos romanos.

97Provavelmente Eumênes de Cardia, general grego que apoiava a realeza macedônia e que, após a morte de Alexandre, envolveu-se em diversas batalhas pelo controle do império macedônio, chegando a controlar a Capadócia e a Paflagônia.

98Trata-se de Antígono II Gonatas (319-239 a.C.), que, tendo vencido os gauleses, comandou a Macedônia por longo período.

99“Dar-se a conhecer”. Trocadilho cético com o “aquietava-se”.

100Ladeira pertencente ao Pireu, hoje conhecida como Kastella. Em Muníquia ocorreu a célebre batalha entre os trinta tiranos e os democratas em 403 a.C., que terminou com a vitória destes. Era também o local onde ocorria o festival de Artêmis.

101O Pireu é um famoso porto localizado na área urbana de Atenas.

102Provavelmente a batalha naval de Cos, entre Antígono e Ptolomeu II, em 258 a.C., vencida pelo primeiro. Houve duas batalhas entre Antígono e a frota egípcia no mesmo período - a outra é a de Andros. Cf. TARN, 1913.

103Cidade grega da Magnésia, fundada por Demétrio Poliorcetes.

104Trocadilho com a suscetibilidade de Arcesilau à pederastia a ele atribuída e estar inclinado (kataphrenḗs) para ser penetrado.

105Hierônimo de Rhodes, o peripatético (c. 290-230 a.C.). Só fragmentos de suas obras sobrevivem.

106Kairós.

107Diels, fragmento 34.

108Cf. Homero, Ilíada 1.326 e 4.482.

109Átyphos: literalmente “não inflado”.

110FHG III. 44.

111Por costume, gregos e romanos não bebiam vinho sem misturá-lo com água. O vinho sem mistura (chamado merum, em latim; ákratos, em grego) era bebido apenas por bárbaros e beberrões, como observa Heródoto (6.84; Cf. Marcial, 1.11). A exata proporção de vinho e água era alvo de disputa na Antiguidade. Hesíodo (Os trabalhos e os dias, 596) recomenda três partes de água e uma de vinho, enquanto Aristófanes (Riqueza, 1132) recomenda uma parte de vinho e outra de água, o que era uma mistura considerada muito forte. A questão da proporção é discutida por Ateneu em seu Banquete de Sofistas (10.426b-427a, 10.430d-431b).

112Antologia Palatina VII. 104.

113Antologia Palatina III. 9.

114FGrH 244 F 16

115Isto é: 300-296 a.C.

116Bíon de Borístenes (c. 325 - c. 250 a.C.), após livrar-se da escravidão, mudou-se para Atenas, onde frequentou muitas escolas filosóficas. Diógenes Láercio coloca-o entre os céticos, provavelmente por ter em algum momento participado da Média Academia, mas nada do que sabemos dele nos autoriza fazer tal inserção. Pelo que dele sabemos, ele antes parece ter escolhido uma via cínica com traços cirenaicos.

117Homero, Odisséia, 10.325.

118Homero, Ilíada, 6.211.

119Compare com o dito de Musônio Rufo: “Dos jovens, não é fácil atrair os que são moles, pois não se prende um <pedaço de> queijo com um anzol [...]”. (fragmento 46 = Epicteto, Diatribes 3.6.9-10).

120Que Aulo Gélio também nos informa: “Ou casas com uma bela mulher ou com uma feia. Se ela é bela, a dividirás com outros. Se ela é feia, ela será um castigo. Mas ambas as coisas não são desejáveis. Logo, não cases” (Aulo Gélio, Noites Áticas, 5.11.1-2.). Gélio argumenta que a disjunção que serve de premissa maior para o argumento acima não é “justa”, pois não é necessário que um dos disjuntos seja verdadeiro, o que, para os estoicos, é requerido numa disjunção verdadeira (Aulo Gélio, Noites Áticas 5.11. 9). O argumento de Bíon seria, portanto, o que hoje chamamos de “falsa dicotomia”.

121Anfiarau era sacerdote oracular de Argos. Ao prever sua própria morte durante a célebre guerra de Argos contra Tebas, tentou impedi-la, mas fracassou. Zeus criou um abismo onde caiu Anfiarau durante tal guerra. Cf. Homero, Odisséia 15.238-255.

122Parrēsía.

123Eurípedes, Hipp. 424.

124Apátheia.

125Filósofo cirenaico, natural de Cirene, viveu entre 340-250 a.C.

126Eratóstenes de Cirene, viveu entre 276 e 194 a.C. Polímata, tornou-se famoso por calcular a circunferência da Terra.

127Cf. Homero, Ilíada 3.182; 1.146; 18.170.

128FHG III. 582

129Antologia Palatina V.37.

130Hicks (1925) observa que possivelmente Píteas de Massilia (c. 380 a.C. - c. 310 a.C.), em sua viagem ao norte (em 325 a.C.), presenciou os verões e os invernos árticos. Nesta mesma viagem, Píteas teria testemunhado a aurora polar. E teria sido também o primeiro a constatar e existência das tribos germânicas.

131Lácides de Cirene sucedeu Arcesilau na Academia em 241 a.C., cargo em que permaneceu por 26 anos e de que abdicou em 215 a.C. em problemas de saúde, vindo a falecer em c. 205 a.C. Nenhuma obra sua nos chegou.

132Isto é: o primeiro a transmitir a direção da Academia não a um escolarca, mas a dois. Nos dez últimos anos da vida de Lácides, a Academia foi comandada por um conselho encabeçado por estes dois, situação que perdurou após a morte de Lácides, até a direção caber a Evandro depois do falecimento de Télecles. Nada se sabe sobre o pensamento desses dois acadêmicos.

133Pouco se sabe sobre esse acadêmico. Encabeçou a Academia por um curto período em torno de 160 a.C.

134Cf. à frente.

135Entre julho de 241 e junho de 240 a.C.

136O que é negado por Eusébio de Cesareia, que afirma que Lácides era, em tudo, extremamente moderado.

137Antologia Palatina VII.105.

138Carnéades de Cirene viveu entre 214/3 e 129/8 BC. Foi um dos três filósofos que seguiram em embaixada a Roma por Atenas em 155, junto com Diógenes, o estoico, e Critolau, o peripatético. Primeiramente ligado ao Pórtico, uniu-se depois aos acadêmicos, tornando-se o quarto escolarca após Arcesilau.

139Carnéades cita dois versos da Odisseia com ligeira modificação no segundo (4.384; 2.268 ou 401).

140Homero, Ilíada, 2.52.

141129-128 a.C.

142Antologia Palatina V.39.

143Clitômaco de Cartago viveu entre 187/6 e 110/09 a.C. Aluno de Carnéades, encabeçou a Academia a partir de 126/7 a.C. Ao morrer, foi sucedido por Fílon de Larissa.

144Diels, fragmento 35.

Recebido: 31 de Julho de 2017; Aceito: 01 de Setembro de 2017

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