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Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária

On-line version ISSN 1984-2961

Rev. Bras. Parasitol. Vet. (Online) vol.18 no.1 Jaboticabal Jan./Mar. 2009

https://doi.org/10.4322/rbpv.01801010 

ARTIGO COMPLETO

 

Praziquantel, levamisol e diflubenzuron no controle de Dolops carvalhoi (Crustacea: Branchiura) e Anacanthorus penilabiatus (Monogenea: Dactylogyridae) em Piaractus mesopotamicus Holmberg, 1887 (Osteichthyes: Characidae)

 

Praziquantel, levamisole and diflubenzuron in the control of Dolops carvalhoi (Crustacea: Branchiura) and Anacanthorus penilabiatus (Monogenea:  Dactylogyridae) in Piaractus mesopotamicus Holmberg, 1887 (Osteichthyes: Characidae)

 

 

Sergio Henrique Canello SchalchI; Flávio Ruas de MoraesII,III; Vando Edésio SoaresIII

IAgência Paulista de Tecnologia e dos Agronegócios, Pesca e Aquicultura, Votuporanga - SP, Brasil
IICentro de Aquicultura da UNESP – CAUNESP, Universidade Estadual Paulista – UNESP
IIICentro de Pesquisas em Sanidade Animal, Universidade Estadual Paulista – UNESP

Autor para correspondência

 

 


RESUMO

Neste trabalho, avaliou-se a eficácia antiparasitária  do praziquantel, levamisol e diflubenzuron administrados via oral, adicionados à ração, para pacus (Piaractus mesopotamicus) infectados  por Anacanthorus penilabiatus e Dolops carvalhoi. Foram utilizadas 19 caixas d'água de 300 L de capacidade, comportando 28 peixes cada. Os tratamentos foram feitos misturando  os princípios ativos nas dietas. A intensidade parasitária e eficácia foram avaliadas 1 dia antes e 3, 7 e 15 dias após o início da alimentação com ração contendo diflubenzuron, levamisol e praziquantel isolados ou associados em diferentes concentrações por 7 dias. Os resultados da eficácia terapêutica sugerem que, isoladamente ou associado com levamisol e praziquantel, o diflubenzuron é eficiente contra o crustáceo D. carvalhoi, demonstrando que a eficácia dos tratamentos nos dias 3, 7 e 15 variou de 96,2 a 100%. Contra os monogenóides,  as drogas não apresentaram eficácia satisfatória. Os resultados sugerem o uso do diflubenzuron para o controle de D. cavalhoi em peixes de cativeiro e em condições de quarentenário.

Palavras-chave: controle, parasitos, dieta, peixes.


ABSTRACT

This assay evaluated  the control efficacy of diflubenzuron, praziquantel and levamisole added to the diet of pacu (Piaractus mesoptamicus) infected with Anacanthorus penilabiatus and Dolops carvalhoi. 19 water tanks of 300 L capacity were utilized with 28 fish in each one. The treatments were made by mixing the active principles in the diet. The experiment was evaluated in four harvests done 1 day before and 3, 7 and 15 days after the treatment. The medicated feeding was applied for 7 days. The results of efficacy suggest that the diflubenzuron alone or associated with levamisole and praziquantel  was efficient against the crustacean D. carvalhoi and the efficacy in the 3, 7 and 15 days evaluations ranged from 96,2 to 100%. Against the monogenean the drugs did not present efficacy. The results suggest the use of diflubenzuron for the control of D. carvalhoi in captive fishes in special conditions.

Keywords: control, parasites, diet, fishes.


 

 

Introdução

A criação intensiva torna os peixes mais susceptíveis às enfermidades em decorrência do estresse e da má qualidade da água, que favorece a proliferação de organismos com potencial patogênico, acarretando surtos de doenças infecciosas e parasitárias (MORAES; MARTINS, 2004).

Crustáceos da subfamília Branchiura, como Argulus sp. e Dolops sp., parasitam  a superfície  corporal, nadadeiras  e brânquias de várias espécies de peixes silvestres e de cativeiro (EIRAS, 1994; PAVANELLI et al., 2002). Como são histófagos, a penetração do seu aparelho bucal causa dano mecânico ao hospedeiro e a injeção de enzimas tóxicas determina inflamação local (SHIMURA, 1983). A agressão  do Dolops sp. é severa, visto que seu aparelho de fixação é dotado de ganchos e, ao mudarem constantemente de lugar,  ampliam os danos ao hospedeiro. Nos locais agredidos, observam-se hemorragias puntiformes,  excesso de muco e hiperpigmentação na pele. Nas brânquias há hipertrofia com hiperplasia do epitélio de revestimento e de células mucóides, além de focos necróticos, que prejudicam as trocas gasosas e iônicas. Os parasitos atuam como vetores de bacterioses e viroses de importância (SHIMURA, 1983). Os Dactylogyridae têm forma alongada, são monoxêmicos, com exceção do Diplozoon sp., favorecendo as grandes infestações. Ao liberarem seus ovos dão origem aos oncomiracídeos infectantes,  e os monogenóides  adultos  alimentam-se do epitélio cutâneo e branquial, causando processo irritativo e anorexia (RHODE, 1993).

No Brasil causam doença em pacus (Piaratus mesopotamicus), tambaquis (Colosssoma macropomum) e no híbrido tambacu. Nos filamentos branquiais, causam petéquias, hiperplasia epitelial, inflamação e edema subepitelial com ruptura de células pilares (MARTINS; ROMERO, 1996).

O  diflubenzuron  (1-(4-clorofenil)-3-(2-6-diflurobenzoil) uréia) (DFB) é potente regulador de crescimento de artrópodes, pois interfere na síntese de quitina durante a fase de muda de estágios imaturos (EISLER, 1992). Hosberg e Hoy (1991) relataram seu potencial contra infestações causadas pelo "piolho de salmão" (Caligus sp.), sendo aprovado pelo  EPA (Environmental Protection Agency) (TANNER; MOFFETT, 1995). A imersão prolongada dos peixes em 0,03 mg de diflubenzuron por litro de água é a mais indicada, segundo NOGA (1996).

O praziquantel é usado em medicina humana para controlar infecções por trematódeos e cestóides (REDMAN  et al., 1996), e o levamisol para nematóides (ROBERTSON; MARTIN, 1993). Informações sobre o uso desses princípios ativos no controle de monogenéticos são escassos. Schmahl e Mehlhorn (1985) demonstraram a efetividade de tratamento com praziquantel para Dactylogyrus vastator, D. extensus e Diplozoon paradoxum. Em carpas (Cyprinus  carpio), nas doses de 0; 1,0;  5,0; 10,0 e 100,0 mg.L–1, a dose de 1,0 mg.L–1    causou danos irreversíveis no tegumento do monogenóide após 30 minutos de exposição. Os resultados sugerem que a utilização de 10 mg.L–1, durante 3 horas, à temperatura de 22 ºC, foi eficaz para controlar esses parasitos.

Hirazawa et al. (2000) verificaram eficácia do praziquantel (2.000 e 4.000 mg.kg–1    de ração) para peixes parasitados  por larvas de monogenóides (Heterobothrium okamotoi).

O levamisol, forma levógira do tetramisol, é um anti-helmíntico do grupo dos imidotiazóis, e seu provável efeito no parasito concentra-se na estimulação dos gânglios parassimpáticos e simpáticos (GUSTAFSSON et al., 1987). Sua ação em peixes não foi encontrada na literatura que foi  possível compulsar.

Diante do exposto, este ensaio teve como objetivo avaliar a eficácia do praziquantel, levamisol e diflubenzuron adicionados à ração peletizada para P. mesopotamicus, no controle de Dolops carvalhoi e A. penilabiatus.

 

Material e Métodos

Os  ensaios foram conduzidos na  Universidade Estadual Paulista  Júlio  de  Mesquita  Filho,  campus  de  Jaboticabal (21º 15' 22" S e 48º 18' 58" W, altitude de 595 m). Para infestações de monogenóides foram utilizados exemplares adultos de P. mesopotamicus, oriundos de pesque-pague e/ou pisciculturas comerciais, após prévio exame parasitológico.  Esses animais foram acondicionados junto com os mais jovens em tanques de alvenaria de 16 m3, por duas semanas, tempo necessário para o monogenóide completar seu ciclo de vida e infectar os peixes jovens. (PELLITERO, 1988; THATCHER, 1991).

Desse   lote   inicial   de   1.400   exemplares  de   pacus (P. mesopotamicus  Holmberg, 1887) jovens, provenientes do Centro de Aquicultura da UNESP – CAUNESP e oriundos da mesma desova, foram selecionados 532 peixes pesando entre 40 e 100 g após biometria. Esses peixes selecionados  foram transferidos para 19 caixas d'água de plástico com 300 L de capacidade. Em cada caixa foram acondicionados 28 peixes que foram infectados por A. penilabiatus.

Para infestação com D. carvalhoi,  foram utilizadas  mais 6 caixas  d'água  de 300 L. Para isto foram transportados de um pesque-pague da região exemplares de P. mesopotamicus parasitados por  adultos  até  o  CAUNESP  infestados por D. carvalhoi adultos. Após reprodução, incubação e crescimento (10 a 50 dias), os parasitos permaneceram nas 6 caixas até o estágio pré-adultos quando foram utilizados para infestação. O número de parasitos colocados nas 19 caixas para a obtenção de infestação não muito severa para o ensaio foi de 400 espécimes. No entanto, foi observado que os peixes jovens se alimentaram de alguns exemplares antes dos parasitos se fixarem ao hospedeiro.

Os  tratamentos foram ministrados adicionando-se à ração basal (Tabela 1) os princípios ativos praziquantel – PZQ, levami- sol – LVM e diflubenzuron – DFB. Os peixes foram distribuídos em grupos ao acaso e alimentados com a ração contendo esses fármacos.

À ração contendo 26% de proteína bruta e 4.150 kcal de energia bruta, foi adicionado o praziquantel, levamisol e diflubenzuron de acordo com o delineamento proposto e, a seguir, peletizada. O diflubenzuron (25%) e o praziquantel (98%) foram utilizados na forma de pó, e o levamisol na forma líquida (23%). A presença dos princípios ativos na ração foi avaliada por análise de cromatografia líquida (HPLC) (LABTEC – Guabi).

Os peixes foram alimentados duas vezes ao dia, 3% da biomassa, por 7 dias. A avaliação da intensidade parasitária foi realizada antes e 3, 7 e 15 dias após por exame parasitológico (THATCHER, 1991), determinando-se a eficácia dos tratamentos. Em cada tempo foram colhidos 7 peixes de cada tratamento, diminuindo-se proporcionalmente o volume de água. Diariamente foi determinada a temperatura, pH e oxigênio dissolvido e, a cada 3 dias, a concentração de amônia. Todas as características hídricas permaneceram dentro de parâmetros adequados para os peixes (SIPAÚBA-TAVARES, 1995). Em cada colheita, os peixes foram anestesiados em solução aquosa de benzocaína 1:10.000 (NOGA, 1996), medidos e pesados.

O percentual de eficácia dos tratamentos foi calculado obedecendo à Equação 1:

 

 

onde: x = média do número de parasitos do grupo controle; e y = média do número de parasitos do grupo tratado.

Os resultados das contagens de monogenóides foram transformados em log(x + 1) segundo Little e Hills (1978) e analisados em delineamento inteiramente casualizado. Das contagens transformadas em log(x + 1) foram obtidas as médias aritméticas (=10[∑log(x+1)/n] – 1) dos tratamentos, que foram confrontadas pelo teste de Scheffé, ao nível de 95% de confiança. Tais análises foram efetuadas utilizando-se o Software SAS versão 8.2 (SAS, 1999-2001).

 

Resultados e Discussão

O resultado da dosagem de medicamentos na ração está expresso na Tabela 1. Da sua análise, verifica-se que o praziquantel apresentou níveis próximos ao adicionado à ração, assim como o diflubenzuron. No caso do levamisol, em quase todas as concentrações, ocorreram perdas. Com a alteração na dosagem esperada de levamisol, não foi possível observar o efeito desejado, como proposto inicialmente. Para o diflubenzuron, a perda da substância só foi verificada nos tratamentos em que se utilizou a dose mais alta, mas sem interferência no resultado final.

Os  resultados apresentados na Figura 1 e Tabela 2 permitem verificar que os tratamentos de 1 a 4 (praziquantel associado com diflubenzuron) e de 5 a 7 (levamisol combinado com diflubenzuron) tiveram relativa eficácia contra A. penilabitus nos 3 tempos de observação.  As menores  eficácias foram observadas nos grupos tratados com praziquantel e levamisol, isoladamente ou em associação.

Há dificuldades na terapêutica contra monogenóides no ambiente de criação em cativeiro, em consequência da baixa eficácia das drogas e alto nível de estresse dos peixes (PIRONET; JONES, 2000). Todavia, há boa eficiência no uso de 0,5 mg.L–1 de água de praziquantel em banhos de 30 minutos, sendo interessante a inclu- são deste produto em dietas para peixes infectados por Haliotrema abaddon, pois o fármaco age especificamente contra plathelmintos e é insolúvel em água (PIRONET; JONES, 2000). Utilizando-se 2 mg.L–1 de água de praziquantel por trinta horas, na forma de ba- nhos, Stephens et al. (2003) observaram efetividade (p < 0,05) em Glaucosoma hebraicum infectado contra H. abaddon. Esses resultados, no entanto, representam parasitos e peixes criados em ambiente salino, fatores que não recomendam comparação com os achados deste trabalho realizado em água doce e clima tropical.

Neste ensaio, a associação destes produtos, praziquantel e levamisole, adicionados à ração, apresentou baixa eficiência contra monogenóides (Tabela 2). O levamisol é anti-helmíntico de amplo espectro, com atividade contra diversos tricostrongilídeos, estrongilídeos e helmintos pulmonares e vasculares, nas formas adultas e jovens. O praziquantel, em doses  relativamente baixas exerce elevada atividade contra  cestóides  e todas as tênias (LAMMLER; GIESSEN, 1977). Neste ensaio, investigou-se os benefícios da associação de levamisol e praziquantel, na busca de melhor eficácia contra os helmintos monogenóides, mas os resultados não permitem a indicação das referidas drogas para o controle dessa parasitose. Entretanto, quando o praziquantel foi associado ao diflubenzuron (952 e 1.243 mg.kg–1 de ração), observou-se eficácia próxima a 90%, que pode ser atribuída ao efeito do diflubenzuron (Figura 1).

Pela Tabela 3 verifica-se que o número médio de D. carvalhoi apresentou redução parcial, na segunda  avaliação, e total na terceira. Não foram observados parasitos na superfície corporal dos peixes e nem nas caixas de água ao término do ensaio. Os  peixes apresentavam-se  sadios e com coloração brilhante durante e após os tratamentos. Verificou-se que, após 3, 7 e 15 dias, o diflubenzuron apresentou alta eficácia contra a forma pré-adulta deste crustáceo. Quando associado ao  praziquantel e ao levamisol, a eficácia também foi elevada  (Tabela 4). Eficácia de 97,2% foi obtida por Schalch et al. (2005), que uti- lizaram banhos terapêuticos de trinta minutos com diflubenzuron (2 mg.L–1  de água) em  pacus  naturalmente infestados pelo mesmo parasito. O diflubenzuron adicionado à ração para controle de "piolho de salmão" (Caligus elongatus, Lepotheirus salmonis) sugere  o seu  uso em águas abertas, pois o produto não se dispersa na água, sendo seus metabólitos predominantemente excretados nas fezes e depositados para sedimentação e degradação (ERDAL, 1997).

 

 

 

Os resultados deste trabalho mostram que os peixes mantiveram-se em bom crescimento, e o consumo foi suficiente para eliminar o crustáceo com o uso de diflubenzuron na ração na concentração de 0,935 a 0,968 e 1.237 a 1.291 mg.kg–1. Esse achado corrobora os resultados de Schalch et al. (2005), que utilizaram banhos em solução aquosa na concentração de 2,0 mg.L–1, em 3 exposições de 30 minutos de duração, a intervalos de 24 horas, com a mesma espécie de peixe e a mesma do parasito.

Uma explicação para o fraco desempenho do praziquantel e do levamisol é que ambos são solúveis em água. Dessa maneira, parte dos princípios ativos contidos na ração poderia ter se lixiviado (LAMMLER; GIESSEN, 1977). Por outro lado, no caso do diflubenzuron, embora a lixiviação possa ocorrer, sua eficácia é alta quando a temperatura da água varia de 20 a 25 ºC (PIRONET; JONES, 2000). Além disso, neste experimento, as drogas foram ministradas na ração e a ingestão do alimento foi rápida. Nesse caso a solubilidade ou não em água parece desprovida de importância.

Outro ponto que pode ter prejudicado a eficácia dos tratamentos contra os 2 parasitos é o hábito alimentar onívoro da espécie de peixe ora utilizada. No momento da digestão, ocorre ação de ácido clorídrico que permite a queda do pH da ingesta no estômago para melhor ação da pepsina (FURUYA, 1998). Dessa forma, a maioria dos medicamentos, na dependência de serem ácidos fracos ou bases, podem se dissociar trazendo variações na quantidade de princípio ativo capaz de atravessar a fase lipídica das barreiras mucosas gastrintestinais (LAMMLER; GIESSEN, 1977).

Segundo Schaefer e Dupras (1976, 1977), o pó molhável (WP 25) não é persistente na água de viveiros devido à hidrólise e absorção pela matéria orgânica de fundo. O tratamento com diflubenzuron na forma de banhos para Ictalurus nebulosus e Pomoxis nigromaculatus não deixou resíduos nos tecidos após 7 dias (COLWELL; SCHAEFER, 1980). Schaefer e Dupras (1977) e Apperson et al. (1978) relataram que a quantidade de resíduos de diflubenzuron nos tecidos de Pomoxis annularis e Lepomis macrochirus foi 50 vezes superior à concentração na água, 4 dias após o tratamento, sendo rápida sua eliminação. O potencial de bioacumulação de diflubenzuron em P. annularis e L. macrochirus expostos  à concentração de 10 ppb, durante 24 horas, foi de 822 e 848 ppb. A quantidade remanescente nos tecidos mostrou ser dependente da concentração existente na água (SCHAEFER et al., 1979).

De acordo com Winkaler (2008), o diflubenzuron não é tóxico para o pacu, pois a aplicação de mais de 5000 mg.L–1   de água não causou qualquer tipo de sinal clínico. Porém reduziu a atividade da enzima glutationa transferase hepática, sugerindo interferência metabólica. A bioacumulação de diflubenzuron na musculatura de pacus foi 3,3 vezes maior  que a concentração aplicada na água. Essa bioacumulação foi maior quando a droga foi aplicada na água do que quando ministrada pela ração. De acordo com Lopes (2005), essa bioacumulação no músculo de pacus foi 17 vezes superior  à concentração na água nas primeiras 5 horas e, após esse período,  não mais se observaram resíduos nas amostras de filés dos peixes.

Os resultados do presente trabalho permitem indicar, para o controle do D. carvalhoi, 3 a 7 dias de tratamento com diflubenzuron adicionado na ração, graças à sua eficácia e rápida eliminação nos tecidos do peixe. A droga pode ser utilizada na forma de péletes de ração para reprodutores, alevinos e peixes de engorda. Contudo, o tempo de carência do produto deve ser respeitado para garantir segurança alimentar. Seu uso deve ser parcimonioso, levando-se em conta a proximidade do abate para consumo e o uso de quarentenários isolados do ambiente de criação, considerando-se  seus efeitos sobre invertebrados planctônicos que poderiam prejudicar a cadeia alimentar.

 

Conclusões

A utilização do diflubenzuron associado ou não ao levamisol e ao praziquantel na ração, foi eficaz no controle de D. carvalhoi nas condições deste ensaio. Não foi observada eficácia terapêutica adequada, quando se utilizou o levamisol, praziquantel e diflubenzuron simples ou associados no controle de A. penilabiatus.

 

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Autor para correspondência:
Sérgio Henrique Canello Schalch
Pólo Regional Noroeste Paulista
Agência Paulista de Tecnologia e dos Agronegócios
Pesca e Aquicultura, Rod. Péricles Belini, km 121, CP 61
CEP 15500-970 Votuporanga - SP, Brasil
e-mail: sschalch@apta.sp.gov.br
Apoio:
FAPESP, processo: 03/01881-9

Recebido em 31 de Maio de 2008
Aceito em 27 de Fevereiro de 2009

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