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Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária

On-line version ISSN 1984-2961

Rev. Bras. Parasitol. Vet. (Online) vol.18 no.2 Jaboticabal Apr./June 2009

http://dx.doi.org/10.4322/rbpv.01802009 

ARTIGO COMPLETO

 

Prevalência de anticorpos anti-Toxoplasma gondii em bovinos abatidos em matadouros do estado da Bahia, Brasil

 

Prevalence of antibodies anti-Toxoplasma gondii in slaughtered cattle at stockyards in the State of Bahia, Brazil

 

 

Fernando H. SpagnolI; Elisson B. ParanhosII; Laura Lucia dos S. OliveiraII; Simoni M. de MedeirosIII; Carlos Wilson G. LopesIV; George R. AlbuquerqueV

IPrograma de Pós-Graduação em Ciência Animal, Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC e Bolsista FAPESB
IIGraduação em Medicina Veterinária, Departamento de Ciências Agrárias e Ambientais, Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC e Bolsista IC - PIBIC (CNPq / UESC)
IIICurso de Enfermagem, Centro Universitário UNIABEU
IVDepartamento de Parasitologia Animal, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ e Bolsista CNPq
VDepartamento de Ciências Agrárias e Ambientais, Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC

Autor para correspondência

 

 


RESUMO

Foram analisados 600 soros de bovinos abatidos nos matadouros sob Inspeção Municipal de Ilhéus e Itabuna, e no matadouro frigorífico sob Inspeção Federal em Jequié, BA, para anticorpos anti-Toxoplasma gondii por imunofluorescência indireta. A prevalência total foi de 11,83% (71), sendo os animais positivos 19,3% (37) no matadouro de Ilhéus, 9,8% em Itabuna (21) e 6,8% (13) em Jequié. Dos animais positivos, 65 (91,5%) tiveram título de 1:64, e 6 (8,5%) de 1:256. A maioria dos soros positivos para T. gondii foram oriundos de animais provenientes de granjas leiteiras e foram abatidos nos matadouros sob inspeção municipal em comparação com aqueles animais que procederam de fazendas com criação extensiva, e abatidos em matadouros sob inspeção federal.

Palavras-chave: Toxoplasmose, prevalência, gado de abate


ABSTRACT

Serum samples of 600 slaughtered cattle from Ilhéus and Itabuna Municipal slaughterhouse and Jequié Federal slaughterhouse, all of them located in the State of Bahia were screened using an indirect immunofluorescent antibody test against Toxoplasma gondii. Prevalence was 11.83% (71), and positive samples were distributed as 19.3% (37) from Ilhéus, 9.8% (21) from Itabuna and 6.8% (13) from Jequié slaughterhouses respectively. From positive cattle, 91.5% (65) had titles 1:64, and 8.5% (6) had title 1:256. The majority of serum positive samples against T. gondii were related to animals from dairy farms which were slaughtered at municipality stockyards under municipal inspection in comparison with those slaughtered at Federal inspection which were related to beef cattle that were raised in farms extensively.

Keywords: Toxoplasmosis, prevalence, slaughtered cattle


 

 

Introdução

Toxoplasmose é uma parasitose cosmopolita, sendo as condições do meio ambiente determinantes do grau da distribuição do parasito. A infecção é mais prevalente em climas quentes que em frios e regiões de montanhas, e mais em regiões úmidas do que em áreas secas. Isso, provavelmente, devido às condições favoráveis à esporulação e sobrevivência dos oocistos no meio ambiente (DUBEY; BEATTIE, 1988). Outro fator importante são os hábitos culturais e alimentares de uma população, cujo consumo de carne crua ou mal cozida é considerado um dos principais fatores de risco para a população humana (TENTER et al., 2000).

A infecção pelo T. gondii em adultos saudáveis é normalmente assintomática, porém, a doença pode ser severa em indivíduos imunodeprimidos, como portadores da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) e transplantados (TENTER et al., 2000; DUBEY, 2004). Em mulheres que têm o primeiro contato com o parasita durante a gravidez, há grande possibilidade de transmissão transplacentária, que poderá acarretar desde perda gradativa de visão nos casos mais leves, até fetos mal formados, morte pré-natal e aborto, em graves infecções (DUBEY, 2004).

Bovinos são mais resistentes à toxoplasmose, mas, quando presente, os sintomas clínicos mais comuns são: febre, inapetência, diarréia, dispnéia, descargas nasais e tosse (SANGER et al., 1953; COSTA et al., 1977; DUBEY, 1983; OLIVEIRA et al., 2001) e aborto (CANADA et al., 2002).

Toxoplasma gondii foi isolado, pela primeira vez, em tecidos bovinos por Sanger et al. (1953), quando identificaram a presença de formas do parasito. Desde então, T. gondii vem sendo isolado de diversos órgãos (ZARDI et al., 1964; CATAR et al., 1969; MUNDAY, 1978; DUBEY, 1983; DUBEY; THULLIEZ, 1993). No Brasil, Jamra et al. (1969), Spósito Filha et al. (1988) isolaram T. gondii de tecidos de bovinos.

Dubey (1983), em trabalho experimental com bezerros e vacas prenhes, concluiu que T. gondii pode permanecer viável nos tecidos dos bovinos até a idade de abate desses animais.

Objetivou-se com o presente trabalho verificar a prevalência de anticorpos anti-T. gondii em bovinos abatidos nos matadouros sob Inspeção Municipal, dos municípios de Itabuna e Ilhéus, e sob Inspeção Federal no de Jequié, estado da Bahia, Brasil.

 

Material e Métodos

Foram utilizadas amostras de sangue de 600 bovinos, sendo 192 e 214 provenientes dos matadouros sob Inspeção Municipal dos municípios de Ilhéus e Itabuna, respectivamente, e 194 do matadouro frigorífico sob Inspeção Federal no município de Jequié, independentemente de raça e idade, identificados de acordo com o sexo e município de procedência.

O cálculo, para a obtenção de um número representativo dos animais, foi realizado com auxílio do programa Epi Info, versão 6.04 (CDC, Atlanta) (DEAN; ARNER, 2002). Os três matadouros juntos abatem cerca de 130.000 bovinos por ano. A amostragem dos animais foi calculada pela média dos resultados encontrados nos trabalhos de Passos et al. (1984), Marana et al. (1994) e Daguer et al. (2004), com uma prevalência esperada de 27,50% e o pior resultado aceitável de 23,20%.

As coletas foram efetuadas durante o período de outubro de 2004 a setembro de 2005, sendo o sangue adquirido por ocasião da sangria, em tubos de ensaio de 15 mL sem anticoagulante. Terminada a coleta, os tubos foram acondicionados em caixas isotérmicas com gelo reciclável e levados ao Laboratório de Parasitologia Veterinária da Universidade Estadual de Santa Cruz, onde foram centrifugados a 350 g, por 10 minutos, para uma melhor separação do soro, e este acondicionado em criotubos de 2,0 mL em duplicata, identificados e armazenados a uma temperatura de -20 ºC. Os soros foram levados para o Laboratório de Coccídios e Coccídioses Projeto Sanidade Animal (Embrapa/UFRRJ), devidamente acondicionados em caixas isotérmicas, para realização da sorologia.

Para a pesquisa de anticorpos anti -T. gondii nas vacas foi utilizado o teste de Imunofluorecência Indireta (IFI), segundo Camargo (1964). Para isso, foram utilizadas lâminas apropriadas para IFI, contendo antígenos da cepa C do T. gondii, soros controles positivos e negativos e soro antibovino conjugado com isotiocianato de fluoresceína (F-7887TM, Sigma-Chemical, EUA). A diluição inicial foi de 1:16,em diluições sequenciais na base quatro até a negativação, sendo considerados positivos títulos > 64 (COSTA et al., 1977).

O teste do Qui-quadrado foi utilizado para comparar a soropositividade dos animais em relação ao sexo, local do matadouro e sistema de inspeção.

 

Resultados e Discussão

Das 600 amostras de soros bovinos analisadas, obteve-se uma prevalência de 11,83% (71) pela IFI. Após a análise individual por município, observou-se 19,1% (37) de prevalência em Ilhéus, 9,8% (21) em Itabuna e 6,7% (13) em Jequié (Tabela. 1).

A literatura consultada mostra grande discrepância nos valores de resultados dos estudos soroepidemiológicos para T. gondii em bovinos, no Brasil, variando de 1,03 a 48,51% (GONDIM et al., 1999; MARANA et al., 1995). Analisando os estudos realizados exclusivamente em matadouros, tiveram a positividade pela IFI variando entre 9,0 e 41,4% (PASSOS et al., 1984; DAGUER et al., 2004).

A prevalência encontrada neste estudo está abaixo das encontradas por Marana et al. (1994) e Daguer et al. (2004), que encontraram, respectivamente, 32,34 e 41,4% de soropositividade em bovinos abatidos na região de Londrina e Pato Branco, no Paraná. Porém é mais elevada que a de Passos et al. (1984) e Meireles et al. (2003), que encontraram 9,0 e 11,0% de positividade, em Belo Horizonte, MG, e Taquarituba, SP.

O único estudo soroepidemiológico para anticorpos anti-T. gondii em bovinos, na Bahia, foi realizado por Gondim et al. (1999), que analisaram o soro de 194 bovinos oriundos de rebanhos da Caatinga e Recôncavo, pelo Teste de Aglutinação em Látex (LAT), encontrando 1,03% de positividade. Esse resultado apresenta valores bem abaixo dos encontrados nos bovinos abatidos nos matadouros dos municípios de Ilhéus, Itabuna e Jequié.

Dos 71 animais positivos na IFI, 65 (91,5%) tiveram títulos sorológicos de 1:64, e 6 (8,5%) com 1:256. Esses resultados são semelhantes aos de trabalhos que relacionam a titulação de anticorpos anti-T. gondii, mostrando que a positividade, normalmente, é maior na diluição de 1:64, com poucos títulos de 1:256 (GARRIDO et al., 1972; COSTA; COSTA, 1978; MARANA et al., 1994; OGAWA et al., 2005; ALBUQUERQUE et al., 2005), sendo que Garrido et al. (1972) afirmaram que animais com títulos mais baixos possuem infecção latente e, com títulos mais elevados, possuem uma forma ativa da doença.

Não houve também diferenças significativas quanto ao sexo (p = 0,71), corroborando com Arias et al. (1994) e Daguer et al. (2004). Houve diferenças significativas quanto ao sistema de inspeção Municipal e Federal (p = 0,01) e quanto aos matadouros (p = 0,0004) (Tabelas 2 e 3). Tal fato pode estar associado às condições de criação dos animais abatidos nos matadouros municipais, principalmente no de Ilhéus, onde se observa um maior número de bovinos de descarte com maior presença de fêmeas, oriundas de granjas leiteiras. Albuquerque (2004), ao trabalhar com bovinos leiteiros na bacia leiteira Sul Fluminense, RJ, enfatizou que a bovinocultura intensiva ou semi-intensiva sempre foi mais propícia à infecção por T. gondii. Razão essa de grande importância, quando se usa carne resfriada oriunda do abate de vacas de descarte para consumo da população local, onde a permanência de cistos viáveis em animais soro reagentes facilitaria a dispersão de T. gondii.

 

Agradecimentos

Ao PROCAD/CAPES e FAPESB e aos Médicos Veterinários Aloísio Correia Leite, Francisco Salles Almeida Filho e Pedro Alexandre Gomes Leite, inspetores, lotados nos respectivos matadouros.

 

Referências

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Autor para correspondência:
George R. Albuquerque
Departamento de Ciências Agrárias e Ambientais, Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC,
BA 415 km 16, CEP 45.662-000 Salobrinho, Ilhéus - BA, Brasil;
e-mail: gralbu@uesc.br

Recebido em 31 de Maio de 2008
Aceito em 27 de Fevereiro de 2009

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