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Sexualidad, Salud y Sociedad (Rio de Janeiro)

versão On-line ISSN 1984-6487

Sex., Salud Soc. (Rio J.)  no.9 Rio de Janeiro dez. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1984-64872011000400005 

ARTIGOS

 

Mídia e Sexualidade: a relação lésbica na revista TPM

 

Medios y sexualidad: la relación lésbica en la revista TPM

 

Media and sexuality: gay relationship in the magazine TPM

 

 

Bruna Mariano Rodrigues

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, Brasil > bruna@ims.uerj.br

 

 


RESUMO

Relações homoafetivas ganham cada vez maior visibilidade na mídia brasileira, que se constitui como um rico acervo de costumes e valores, documentando e construindo a realidade social. Apesar disso, as revistas femininas não tratam do tema com frequência. O presente artigo analisa, por meio de técnicas de análise de discurso, de que maneira são apresentadas as relações lésbicas na revista TPM, única publicação brasileira que conta com uma coluna permanente escrita por uma jornalista assumidamente homossexual. Demonstra-se, por último, que a chamada "Coluna do Meio", assinada por Milly Lacombe, apresenta um modelo tradicional de relacionamento amoroso, que pressupõe estabilidade e monogamia.

Palavras-chave: TPM; sexualidade; imprensa feminina; heteronormatividade; representações sociais


RESUMEN

Las relaciones homoafectivas adquieren cada vez mayor visibilidad en los medios de comunicación brasileños, que van constituyéndose en un rico acervo de costumbres y valores, documentando y construyendo la realidad social. A pesar de ello, las revistas femeninas no abordan el tema con frecuencia. Este artículo analiza, a través de técnicas de análisis del discurso, de qué manera son presentadas las relaciones lésbicas en la revista TPM, única publicación brasileña que cuenta con una columna permanente escrita por una periodista asumidamente homosexual. Por último, se demuestra que la llamada "Columna del Medio", de Milly Lacombe, presenta un modelo tradicional de relación amorosa, que presupone estabilidad y monogamia.

Palabras clave: sexualidad; prensa femenina; heteronormatividad; representaciones sociales


ABSTRACT

Homosexual relations are gaining greater visibility in the media, which is constituted as a rich collection of customs and values , documenting and constructing social reality. Nevertheless, women's magazines do not address the issue frequently. Thus, this article aims to analyze how lesbian relationships are presented in the magazine TPM, only Brazilian publication that has an ongoing column written by an openly gay journalist. Using techniques of discourse analysis, we investigated whether the column, named "Coluna do Meio", signed by Milly Lacombe, presents a traditional model of relationship, which implies stability and monogamy, which may make the subject more widely accepted by readers of that magazine.

Keywords: TPM; sexuality; women's press; heteronormativity; social representations


 

 

Introdução

A mídia brasileira aborda, de maneira cada vez mais recorrente, assuntos ligados ao chamado "universo gay". Parte dessa visibilidade é resultado da ação do movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e transexuais) que, desde a década de 1960, luta pelo fim da discriminação e do preconceito em relação a esse grupo da população (Colling, 2007:12).

Propostas políticas de criminalização da homofobia, como o Projeto de Lei da Câmara 122/2006, e modificações efetivas, como o recente reconhecimento de relações estáveis entre pessoas do mesmo sexo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), são alguns exemplos de mudanças que vêm ocorrendo na sociedade brasileira. Ao analisar tais mudanças, questiona-se se a luta pela cidadania plena da população LGBT não estaria se dando em termos hegemônicos, como problematiza o sociólogo Richard Miskolci: "O reconhecimento legal das vidas sexuais de casais formados por pessoas do mesmo sexo torna 'respeitáveis' somente aqueles que se igualam ao modelo heterossexual monogâmico estável" (2007:123). Nesse sentido, aponta-se para certa "domesticação" das demandas do movimento LGBT, que tem lutado por questões relacionadas ao casamento e à constituição familiar, como a possibilidade de adoção de crianças por casais homossexuais (Vale de Almeida, 2009:3).

Apesar do aumento de visibilidade da população LGBT, a imprensa feminina brasileira ainda não possui nenhum título voltado explicitamente para lésbicas e nenhuma das publicações já existentes conta com colaboradoras que se dizem homossexuais. Nesse contexto, a revista TRIP Para Mulher (TPM)1 é inovadora por trazer uma coluna permanente que é assinada por Milly Lacombe, jornalista brasileira de 43 anos, assumidamente homossexual, que fala de assuntos cotidianos, entre eles sua relação amorosa, nas páginas da revista.

O objetivo deste artigo é analisar a citada coluna, intitulada "Coluna do Meio", e investigar quais representações veicula sobre o "universo lésbico". Para tal, foram selecionadas seis edições de TPM, entre os meses de junho de 2010 e abril de 2011. Reunimos as edições de números pares, intercalando os meses de publicação, como forma de obter um corpus de pesquisa representativo. Utilizaram-se técnicas de análise de discurso como metodologia de pesquisa, as quais ajudam a identificar e a compreender a construção de sentidos em relação à homossexualidade feminina.

Para pesquisar as representações sociais construídas em relação à homossexualidade feminina na coluna, buscamos marcas nos textos que faziam referência à orientação sexual de sua autora e, em seguida, após leitura exaustiva, interpretamos tais marcas, criando categorias de análise que dessem conta de tais representações.2

A pesquisa acerca da maneira como a imprensa feminina trata determinados assuntos é relevante, já que as revistas para mulheres ajudam a construir a própria realidade social. "A linguagem não serve só para relatar ou descrever. A linguagem diz as coisas. E a imprensa feminina, sendo linguagem, diz a mulher" (Buitoni, 2009:11). Hollenbach (2005:48), que analisa as representações do casamento na revista TPM, coloca ainda que as revistas femininas "[...] ajudam a formar o modo através do qual as mulheres olham para si mesmas e o modo como a sociedade olha para elas".

Parte-se do pressuposto de que as representações sociais veiculadas na mídia formam um conhecimento que ajuda os indivíduos a se situarem em diferentes contextos e, dessa maneira, são relevantes objetos de pesquisa (Matos & Lopes, 2008:62). As revistas femininas revelam jogos de poder e valores morais, o que também se constitui como justificativa para investigações acerca desse tipo de imprensa, que conta com um número bastante expressivo de títulos no Brasil.

Notamos, ainda, que já existe um número relevante de pesquisas que tratam da relação entre mídia e sexualidade. Entretanto, grande parte delas tem como objeto de análise as telenovelas e a relação homossexual masculina.3 Nesse contexto, este artigo se propõe a ser uma pequena contribuição ao campo, tomando como objeto uma revista feminina e a representação do relacionamento lésbico que ali de dá.

 

TPM: uma inovação na imprensa feminina?

Lançada no mês de maio de 2001 pela Editora TRIP, com tiragem inicial de 80 mil exemplares, a revista TPM tem periodicidade mensal e é distribuída em todo o país, totalizando 31 mil revistas mensais, segundo informações obtidas em seu site.4 A revista foi criada como a versão feminina da TRIP, publicação que está no mercado desde 1986. A razão alegada para sua criação foi o fato de um percentual representativo de leitores da TRIP ser composto por mulheres, como foi percebido a partir de uma pesquisa de opinião. Paulo Lima, atual editor de TPM, afirmou: "[...] nos demos conta de que 25% dos leitores da TRIP, supostamente concebida e apontada para leitores homens, são garotas" (Lima apud Benatti, 2005:111).

Apesar de também tratar de moda, beleza e relacionamentos, a revista TPM sempre se posicionou como uma publicação que, além de estar voltada para mulheres, diferenciava-se radicalmente das demais revistas que compunham o universo da chamada imprensa feminina. Tal posicionamento já aparece de forma explícita no editorial de sua primeira edição, assinada pelo editor Paulo Lima, responsável pela publicação até os dias atuais:

[...] as revistas femininas nem mesmo se dignam a velar aquilo que pensam da mulher brasileira: uma pessoa simplória, de horizontes estreitos, com pouquíssimo potencial, de espiritualidade rasa, cultura próxima do zero, tipo físico medíocre, que se agarra a regimes, peelings, drenagens linfáticas, plásticas e ginásticas, para - com a ajuda de um fragilíssimo Cascolac cultural que consegue absorver de suas páginas - lutar com todas as forças a fim de laçar um pobre diabo que a carregue (Lima apud Hollenbach, 2003:249).

A crítica do editor toca em um dos aspectos fundamentais da imprensa feminina: seu caráter de aconselhamento e persuasão, que se vale de textos que interpelam as leitoras diretamente, tratando-as com intimidade. Dulcília Buitoni, referência nos estudos sobre a imprensa feminina, afirma que esta "informa pouco, mas forma demais. Antes de tudo, é uma imprensa de convencimento" (Buitoni, 2009:208).

Outra característica que marca a imprensa feminina tradicional, também criticada no editorial de TPM, é a centralidade da figura masculina e de temas relativos aos relacionamentos amorosos. Entretanto, mesmo a temática amorosa sempre foi tratada a partir de padrões moralistas. Matérias sobre sexo e sexualidade feminina só começam a aparecer a partir da década de 1970, com o lançamento da revista Nova, versão brasileira da publicação norte-americana Cosmopolitan que, como afirma Lara Deppe, "investe no 'despertar da sexualidade feminina', estimulando a mulher a ser mais ativa, a tomar a iniciativa" (2001:27). Fazendo sucesso ao tratar de sexo, a revista Nova não está, entretanto, imune a críticas. Uma delas é feita por grupos feministas que afirmam que a revista vende uma falsa liberação sexual, já que a preocupação continua centrada no olhar e na aprovação masculinos, o que reforçaria valores conservadores (Mira, 2001:132-133).

Produzindo e veiculando representações acerca da sexualidade feminina, as revistas são responsáveis por disseminar padrões e podem colaborar com possíveis estereótipos e estigmas. "[...] As revistas femininas configuram-se como um local privilegiado para a reprodução, a construção e a acumulação de um saber sobre a sexualidade na contemporaneidade" (Hollenbach, 2005:48).

O tratamento da sexualidade feminina, no entanto, sempre privilegiou modelos heterossexuais. Como afirmamos, as revistas femininas brasileiras dão destaque até hoje a relacionamentos de orientação heterossexual, que são debatidos e analisados à exaustão em suas páginas.

Por serem um local privilegiado de aprofundamento sobre as questões femininas, as revistas são importantes produtoras de discurso a respeito das mulheres. Ao fazê-lo, mais do que retratar a realidade, os magazines ajudam a construir um saber sobre o comportamento feminino e, consequentemente, sobre as formas "normais" de relacionamento entre os sexos (Hollenbach, 2003:251).

A ênfase em relacionamentos heterossexuais também parece ocorrer em TPM. Entretanto, a simples existência da seção assinada por Milly Lacombe, intitulada "Coluna do Meio",5 demonstra que a homossexualidade também ocupa espaço, mesmo que pequeno, na publicação.

A Coluna do Meio aparece a partir da quinta edição, tratando de um tema bem específico: a homossexualidade, particularmente a feminina, ilustrado na maioria das vezes pelo relacionamento da colunista e sua parceira. Abordando temas como a não publicização da orientação sexual como um dos fatores que perpetuam a intolerância e o preconceito, a resistência familiar em relação aos filhos gays e o direito à maternidade de um casal homossexual, esta coluna demonstrava indícios de um espaço onde a reflexão sobre a heterossexualidade compulsória e os tabus e os preconceitos que envolvem a homossexualidade, sobretudo a feminina, seria fecunda (Matos & Lopes, 2008:66).

Entretanto, como afirmam Matos e Lopes, a proposta inicial da coluna sofreu alterações e a homossexualidade deixou de ser seu foco. "O caráter da coluna é modificado, sob o argumento do diretor de redação - Fred Melo Paiva - de que não era interessante para a TPM 'fechar' suas possibilidades, restringindo a coluna a um tema específico" (Matos & Lopes, 2008:66). O assunto, no entanto, não deixou de ser abordado na coluna,6 que é uma das seções mais lidas da revista, como coloca Gabriela Hollenbach (2005:125): "A delicadeza com que a jornalista fala do assunto e o sucesso da 'Coluna do Meio' entre as leitoras transformaram-na em uma espécie de ícone do lesbianismo (sic) no Brasil".

 

A narratividade em TPM

A revista TPM traz ainda um elemento inovador no que diz respeito à sua narratividade. A explicitação do posicionamento do sujeito que narra, como acontece na "Coluna do Meio", é uma constante em toda a revista. "[...] Inverte-se uma fórmula tradicional das revistas femininas: em vez de registrar as confissões de leitoras e entrevistadas, são as narradoras que compartilham a própria vida para promover a identificação do público" (Silva, 2006:2).

O uso da primeira pessoa em colunas e reportagens da rompe com o modelo jornalístico tradicional, que se pretende neutro, objetivo e imparcial.7 "O jornalismo [...] é uma construção narrativa da realidade, mas que tenta ocultar as marcas de quem narra - que nada mais é do que uma das tantas formas que pode ter um narrador" (ibid:3).

Em TPM e na coluna de Milly Lacombe, o emissor não apenas se mostra, mas também conta sua história de vida, em tom intimista e pessoal, como fica evidente no trecho a seguir:

Tinha 16 anos quando, ao beijar a boca de uma outra mulher, experimentei esse mesmo gosto. Naquela tarde de dezembro em 1982, dentro de um pequeno quarto na alameda Joaquim Eugênio de Lima, percebi que liberdade e segurança são conceitos opostos. A possibilidade de ver minha mãe entrar no quarto e me flagrar em ato transgressor e de enlouquecimento total era nítida como uma manhã de verão. Ainda assim, queria que aquele beijo nunca mais terminasse. Com ele, estava aprendendo a ser livre e, com ele, começava a entender que a verdadeira liberdade só existe quando teimamos em respeitar quem somos e o que sentimos (TPM, agosto de 2010).

As marcas discursivas pessoais de TPM ("nós" ou "a equipe de TPM") são evidentes. Nesse sentido, o tom jornalístico neutro parece ter sido abandonado ou ao menos relativizado. No entanto, a função conselheira, tradicional da imprensa feminina à qual TPM busca ser um contraponto, continua presente, como afirma Patrícia da Silva (2006:8): "Se na TPM, com exceção da seção de beleza, praticamente inexiste o manual 'faça isso, faça aquilo', tão comum nas publicações femininas, as narradoras embutem em seu discurso seus próprios ensinamentos e dicas".

Mesmo que isso não aconteça de maneira evidente, a tentativa de orientação de comportamento continua existindo. Para Silva (2006), "Na revista TPM, a narração enquadra-se naquilo que Benjamin (1985) julgava mais importante ao relatar uma história - dar conselhos" (2006:8).

Como sujeito conselheiro, o narrador deixa rastros em seu texto e conta de sua própria vivência, como acontece com os textos produzidos por Milly Lacombe. "O narrador retira da experiência o que ele conta: sua própria experiência ou a relatada pelos outros. E incorpora as coisas narradas à experiência dos seus ouvintes" (Benjamin, 1985:201). Em relação à natureza da verdadeira narrativa, Walter Benjamin (ibid:200) afirma que:

Ela tem sempre em si, às vezes de forma latente, uma dimensão utilitária. Essa utilidade pode consistir seja num ensinamento moral, seja numa sugestão prática, seja num provérbio ou numa norma de vida - de qualquer maneira, o narrador é um homem que sabe dar conselhos.

Mesmo presentes explicitamente na revista, os relatos sobre a experiência da homossexualidade feminina ainda são marcados por certo tradicionalismo, que privilegia um relacionamento estável e próximo ao modelo de casamento heterossexual. Veremos adiante como a homossexualidade vem sendo abordada pela mídia e, em seguida, em que medida a coluna de Milly Lacombe faz coro (ou não) com essa forma de tratamento, que pode ser chamado de "modelo heteronormativo", entendido neste trabalho como "a reprodução de práticas e códigos heterossexuais, sustentada pelo casamento monogâmico, amor romântico, fidelidade conjugal, constituição de família" (Calegari apud Darde, 2008:224).

 

Mídia e representação da homossexualidade

As práticas homossexuais enfrentam diversos estigmas sociais, e uma das grandes condenações morais sobre as relações amorosas e sexuais entre pessoas do mesmo sexo é a de que tais práticas seriam marcadas pela promiscuidade e pela grande variabilidade de parceiros, como afirma Miskolci:

Desde a sua criação pela psiquiatria até o presente, a homossexualidade foi vista como um estigma fundado em uma sexualidade desviada, descontrolada e associal. A sexualidade de gays e lésbicas rompe com a associação entre sexo e reprodução, o que levava à suspeita de que ela não tem controle nem pode ser socialmente responsável. [...] Ainda que tenham ocorrido avanços na percepção social sobre aqueles que se relacionam com parceiros/as do mesmo sexo, não há dúvida de que suas vidas amorosas ainda são vistas como reduzidas à sexualidade e sob a necessidade de controle (2007:118).

Se a homossexualidade não é socialmente aceita de forma plena, o tratamento que a mídia dá ao assunto parece funcionar de maneira similar. A noção de que a homossexualidade seria um desvio em relação à normalidade e a sua associação a uma prática "antinatural" permeiam o discurso midiático, o que certamente contribui para o estigma sobre esse grupo da população, como analisa Vicente Darde:

Essa perspectiva naturalizante dos sujeitos e dos comportamentos sociais por parte da mídia é o eixo que norteia a construção de sentidos sobre a representação das relações de gênero e sexualidade na sociedade contemporânea. Mais do que isso, ela se funda num padrão normativo ocidental hegemônico - a heteronormatividade - que, além de partir do pressuposto da heterossexualidade compulsória, hierarquiza e atribui valores aos sujeitos, às feminilidades, às masculinidades, aos arranjos socioafetivos e familiares, à sexualidade e às relações de poder (2008:224).

Mesmo que não seja possível ignorar a população LGBT, a visibilidade deste grupo nos veículos de comunicação foi por muito tempo acentuada através de estereótipos de gays afeminados e lésbicas masculinizadas. Entretanto, tais representações vêm sendo modificadas. "Antigas 'caricaturas' - marcadas pela linguagem do humor de forma a desqualificar os sujeitos - são substituídas por personagens sem afetação e em relações monogâmicas, uma forma de tornar a imagem palatável ao público em geral" (Beleli, 2009:117).

Já para Leandro Colling (2007), a representação midiática em relação a gays, lésbicas, travestis e transexuais está sendo transformada em busca de maior respeitabilidade para a chamada população LGBT. A partir de uma pesquisa histórica sobre a representação dos homossexuais em telenovelas, Colling concluiu que a maioria dos personagens gays de novelas contemporâneas é apresentada não mais como indivíduos caricatos, mas como personagens não afetados, que não apresentam trejeitos considerados femininos. Entretanto, o mesmo autor alerta para o fato de que a mudança na representação midiática também possui aspectos controversos. Não são exibidas cenas que sugiram erotismo ou mesmo beijos explícitos, por exemplo, o que leva ao seguinte questionamento por parte do pesquisador: "Para serem mais aceitos nas telenovelas, os personagens gays necessitam anular as suas diferenças e se comportar dentro de um modelo heteronormativo?" (Colling, 2007:5).

Nesse contexto, a apresentação da relação homoafetiva enquadrada em um padrão heteronormativo pode ser entendida não exatamente como um avanço, mas antes como uma resposta conservadora ao estigma e ao preconceito, ou seja, uma maneira de se redimir uma relação fora dos limites normais socialmente estabelecidos. "A heteronormatividade também é reforçada no momento em que leva os homossexuais a quererem adotar normas e valores entendidos como heterossexuais, como o casamento" (Darde, 2008:226).

De forma similar ao que ocorre nas telenovelas, que não mostram cenas que sugiram envolvimento sexual, a "Coluna do Meio" da revista TPM fala de relacionamento, amor, mas nunca usa o termo "sexo", por exemplo. Nesse sentido, a ausência de determinados temas é representativa do modelo de relação homossexual que é apresentado. A apresentação de uma sexualidade romantizada parece reforçar o enquadramento e a "domesticação" das relações homoafetivas.

 

A construção da homossexualidade em TPM

Como afirmamos, a metodologia utilizada neste trabalho é a análise de discurso, que parte do pressuposto de que falas e textos são práticas sociais, ou seja, são construídas pelos indivíduos ao mesmo tempo em que constroem a realidade social. Além disso, toda forma de linguagem é circunstancial e, dessa maneira, as práticas de análise de discurso devem levar em consideração tanto o discurso em si quanto seu contexto. "Uma análise de discurso é uma leitura cuidadosa, próxima, que caminha entre o texto e o contexto, para examinar o conteúdo, a organização e as funções do discurso" (Gill, 2010:248).

É a partir dessa premissa que abordamos, de forma breve, as mudanças que vêm acontecendo no país em face da população LGBT, as características que marcam a chamada imprensa feminina e a relação entre mídia e homossexualidade, por considerarmos que tais elementos constituem o contexto de nosso objeto de análise.

Todas as colunas selecionadas durante a formulação deste trabalho fazem referência ao relacionamento homossexual de Milly Lacombe. Algumas, no entanto, dedicam apenas um parágrafo ao tema, enquanto outras tratam do assunto de forma mais extensa e aprofundada. Já as categorias de análise usadas para codificação, formuladas a partir das questões recorrentes, foram as seguintes: amor romântico, enquadramento da relação em uma constituição familiar, exposição da intimidade do casal, sexualidade romantizada e, por último, duração do relacionamento.

Estas cinco categorias, obtidas após identificação de certo padrão nos dados reunidos, não são estanques e podem mesmo se entrecruzar em alguns momentos. Entretanto, a divisão é útil para fins de análise e acreditamos que as categorias possuem certo grau de autonomia, sendo possível identificar a predominância de cada uma delas nos trechos selecionados.

a. Amor romântico

O conceito de amor romântico surgido na Modernidade sustenta ideologicamente o casamento monogâmico nas sociedades ocidentais, pressupondo fidelidade e manutenção da constituição familiar (Giddens, 1993).

Além disso, o amor romântico também está ligado à idealização da figura amada, bem como ao sentimento de que tal pessoa é única e especial. Como afirma Heilborn (1992:65), "a qualidade distintiva do amor moderno diz respeito precisamente à focalização em um ser insubstituível e único, expressão radical da individualidade".

Dessa maneira, a categoria "amor romântico" engloba as referências à idealização da figura da parceira que aparecem de maneira recorrente em todas as edições analisadas da "Coluna do Meio" e, a nosso ver, são as mais marcantes em todo o corpus de textos selecionados.

É interessante notar que a parceira de Milly Lacombe nunca tem seu nome publicado, sendo referida por meio dos seguintes termos: "meu amor", "meu objeto de obsessão", "meu objeto de devoção", "meu objeto de paixão", "meu objeto de sedução" e, ainda, "meu objeto de adoração". Tais termos, além de demonstrarem certa possessividade da autora em relação à parceira, denotam também o sentimento passional que a autora tem por ela, um elemento que também caracteriza o amor: "[...] o amor é interpretado como uma atração passional que deve desaguar na união conjugal do par" (Heilborn, 1992:67).

O romantismo presente no relacionamento de Milly Lacombe e a singularização da pessoa amada ficam claros nos trechos a seguir:

Vou te contar, meu amor, por que eu acho que você é a mulher mais interessante do mundo. [...] porque a sua pele é cor de mel, a sua sobrancelha é grossa e, embora esteja quase sempre deliciosamente despenteada, é moldada aos seus olhos, que têm um desenho perfeitamente assimétrico, sendo o esquerdo levemente menos arredondado do que o direito - apenas mais uma de suas sublimes imperfeições (TPM, junho de 2010; grifos meus).

O uso da expressão "sublimes imperfeições", por exemplo, é bastante representativo em relação à idealização da parceira, já que mesmo características que poderiam ser consideradas defeitos (assimetria entre os olhos) são descritas como sublimes, ou seja, como traços que transcendem a normalidade em um sentido positivo, muito próximos da perfeição. Em outros momentos, Milly Lacombe fala de atitudes notadamente românticas, como a compra de flores e o preparo do jantar para o ser amado, como no trecho abaixo:

[...] preparei o jantar - macarrão, porque não me resta outro artifício culinário - coloquei a mesa, algumas flores ao centro, abri uma garrafa de vinho e, com o coração batendo rápido demais - condição cardíaca que é meu estado natural desde que te conheci - esperei você chegar (TPM, agosto de 2010; grifos meus).

b. Enquadramento da relação em uma constituição familiar

A partir desta categoria trata-se das referências a um relacionamento próximo do modelo de casamento e, ainda, aos trechos que citam a palavra "família" de forma explícita, para se referirem à relação entre a autora e sua parceira. Um determinado modelo de família está intimamente relacionado à sexualidade, segundo Heilborn: "A família nuclear afirmou-se como um dos elementos tácitos mais preciosos para a difusão e a penetração do dispositivo da sexualidade nas almas e nos corpos do sujeito" (1992:63). Os trechos a seguir exemplificam a maneira como o relacionamento amoroso de Milly Lacombe é tido e apresentado por ela como um casamento e uma família:

Faz três anos que levei uma vira-lata para dentro de casa. Três anos em que passamos a ser uma família de quatro - duas pessoas-humanas e duas pessoas-caninas (TPM, dezembro de 2010; grifos meus).

Eu fico esperando o dia que ele [o sobrinho de Milly Lacombe] vai cansar de mim, da tia estranha que arruma briga pública com o ídolo supremo dele, que é casada com outra mulher, que não tem um tostão no bolso (TPM, fevereiro de 2011; grifos meus).

c. Exposição da intimidade do casal

Esta categoria analítica reúne os trechos das colunas em que a autora aborda a intimidade do casal, dando aos leitores a impressão de que conhecem a fundo o seu relacionamento. Dessa maneira, parece ser facilitada a aceitação da lesbianidade de Milly Lacombe, que compartilha sua intimidade e os detalhes de seu relacionamento afetivo com o público leitor.

Antes, parei para comprar flores porque sei como você gosta de flores, e como eu gosto de ver seus olhinhos sorrirem quando você entra em casa e vê flores (TPM, agosto de 2010; grifos meus).

Além disso, a autora faz menções a brigas que, por serem coisas típicas de quase todos os relacionamentos amorosos, podem causar um efeito de aproximação com as leitoras. No exemplo a seguir, Milly Lacombe fala de quando decidiu trazer um animal de estimação para casa, mesmo sem o consentimento da parceira, o que gerou uma discussão com elementos bastante conhecidos daqueles que formam ou já fizeram parte de um casal:

Minha memória protetora e seletiva impede de trazer à tona o que foi por ela respondido, mas alguns trechos, se eu buscar com afinco, voltam: "loucura", "absurdo", "inconsequente", "porque não é você que vai cuidar" e "não se fala mais nisso" foram usados (TPM, dezembro de 2010; grifos meus).

d. Sexualidade sutil ou romantizada

Esta categoria engloba as poucas referências que a autora faz à sua vida sexual. Podemos perceber que tais referências sempre fazem parte de um contexto de romantismo e paixão, como ocorre no trecho a seguir:

Tem o jeito que você se veste, que vai do largado ao clássico, passando pelo pop sofisticado. Tem o jeito cheio de ritmo que você faz amor, e que me beija na cama. E os pelos que crescem em sentido contrário na sua perna, e que são só seus - e meus, há inacreditáveis 50 meses (TPM, junho de 2010; grifos meus).

No exemplo acima é privilegiada a expressão "fazer amor", que aparece apenas uma vez nas seis edições analisadas. A palavra "sexo", por exemplo, está ausente e não surge em nenhuma coluna, o que denota que a relação sexual é associada diretamente ao sentimento amoroso. A categoria engloba ainda as menções sutis a situações eróticas ou sexuais, como as seguintes:

E a depositária da minha libido precisou que eu dissesse apenas duas palavras para determinar: "Vá agora mesmo fazer o que tem que ser feito. Ficaremos bem" (TPM, agosto de 2010; grifos meus).

Tem o jeito manhoso que você me pede um beijo, que esfrega seu rosto no meu, que diz "eu banana". E o jeito que você seca o cabelo de manhã, de salto alto e sem mais nenhuma peça de roupa, para brincar com minha libido e me fazer delirar. E o jeito que você desafia minha timidez, minhas manias, meus traumas (TPM, junho de 2010; grifos meus).

Nos trechos acima, o uso da palavra "libido" pode ser considerado sutil, já que o desejo sexual poderia também ser nominado como tesão, por exemplo, que possui uma conotação mais sexual, mais carnal do que "libido".

e. Duração do relacionamento

Esta categoria reúne todas as referências ao tempo de relacionamento entre Milly Lacombe e sua parceira. A longa duração é um dos fatores que parecem garantir a estabilidade e a seriedade de uma relação perante a sociedade, encaixando-a em um modelo heteronormativo. Os excertos a seguir são representativos:

Nem sei como consegui conquistar uma mulher tão bonita, você precisava vê-la, mas o fato é que faz cinco anos que ela chegou e não saiu mais. Todos os dias quando acordo e a vejo dormindo a meu lado penso: "Como consegui colocar essa mulher na minha cama?" (TPM, fevereiro de 2011; grifos meus).

Tem o jeito que você mexe a cabeça quando dança e o ritmo cadenciado com que as suas mãos passeiam pelo meu rosto, dizendo, numa linguagem que é só delas - e minha há 50 meses - que me amam. O jeito que você segura o cigarro, que mexe naquele pelinho do queixo que é só seu - e, vá lá, faz algum tempo, meu também (TPM, junho de 2010; grifos meus).

 

Considerações finais

Neste artigo apresentamos um modelo único de vivência da experiência gay feminina, ligada a conceitos como família, monogamia e estabilidade. É válido ressaltar que levamos em consideração o fato de a parceria estável ser uma opção expressiva entre mulheres, sendo elas lésbicas ou não, como indica Heilborn (1992). Em relação à conjugalidade, a autora afirma que ela é "a forma eleita de gestão da homossexualidade feminina. Em um casal de mulheres, obedecendo aos ditames da intensificação dos atributos de gênero, há uma confluência dessa disposição para a vida a dois, ou melhor, a duas" (1992:178).

A importância dada à conjugalidade ou aos relacionamentos estáveis está ligada não diretamente à orientação sexual, mas ao próprio gênero feminino: "No par lésbico, atualiza-se uma imagem que é em tudo congruente com a representação do feminino como dedicado ao mundo dos afetos" (Heilborn, 1992:182). A romantização da relação afetiva, como vimos, é uma forte característica da coluna e marca especialmente as poucas alusões à prática sexual. Além disso, a romantização das menções a qualquer tipo de erotismo reforça nossa interpretação de que a representação da homossexualidade, a partir de um modelo de relação estável e monogâmica, parece buscar afastar o pânico moral que ainda cerca as práticas homoafetivas, que passariam a ter certa legitimação social por não serem ameaçadoras à ordem social vigente.

De acordo com o exposto, a revista TPM traz uma concepção familiar e convencional das relações afetivas, encaixando a homossexualidade feminina em um modelo heteronormativo. As categorias encontradas coincidem com temáticas como casamento, família e amor romântico, exatamente os elementos que compõem o modelo da heteronormatividade, como assinalado por Calegari (apud Darde, 2008:224).

A própria existência de uma coluna permanente assinada por uma jornalista gay parece indicar que a homossexualidade está sendo mais aceita, de forma gradativa, na sociedade. Entretanto, apesar de seu caráter inovador, a revista TPM ainda não representa a pluralidade de experiências homossexuais. Acreditamos que isso está em consonância com a afirmação de Iara Beleli (2009:118), que pesquisou a representação dos homossexuais em telenovelas brasileiras:

A questão aqui não é se os "diferentes" são ou não incluídos, pois a inclusão parece estar sendo feita, mas como as imagens são editadas de forma a não desestabilizar o status quo [...], recorrendo a um modo de se ser gay/lésbica. A imposição de uma identidade singular oculta a complexidade da vida dos indivíduos, a multiplicidade de identidades e suas interações [...].

A apresentação de uma única maneira de viver a lesbianidade não indica, necessariamente, a maneira como o assunto será lido, processado e mesmo vivenciado.

Sabemos que a influência da mídia nas práticas sociais se exerce a partir de um complexo jogo de poder, onde há sempre uma negociação e, por isso, não podemos aceitar o conceito de que a mídia teria um poder total de controle e manipulação da opinião (Darde, 2008:232).

Além disso, as conclusões deste artigo não são menos construídas e circunstanciadas que qualquer outro discurso. Somente uma análise da recepção da revista TPM poderia garantir que a representação da homossexualidade feita pela revista realmente torna o assunto mais aceitável por parte de suas leitoras. O presente texto, no entanto, busca ser uma primeira aproximação, e pode ser utilizado em pesquisas futuras que aprofundem a temática.

 

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Fontes:

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TPM. São Paulo: Editora TRIP, abril de 2011, ano 10, n. 108.

 

 

Recebido: 05/08/2011
Aceito para publicação: 30/10/2011

 

 

1 A sigla TPM, que dá nome à revista, possui duplo sentido e também faz alusão ao período de tensão pré-menstrual (TPM). Fabíola Rohden (2008:134) explica que a chamada "TPM" tem sido usada como "chave explicativa" para variadas formas de comportamento feminino e se relaciona com a noção de que o corpo da mulher está sujeito a intensas oscilações hormonais.
2 Ressaltamos que, dadas as limitações de tamanho deste artigo, não foram analisadas as ilustrações que acompanham o texto da coluna.
3 Tal fato foi constatado a partir da pesquisa bibliográfica realizada para a elaboração do presente artigo.
4 Disponível em: <http://revistatrip.uol.com.br//midiakit/2011/midiakit_tpm_2011.pdf >. Acesso em 19/07/2011.
5 "Coluna do Meio" também era o título da seção diária assinada por Celso Cury no jornal Última Hora, na década de 1970. Como afirma James Green (1999:265), as colunas de Cury fizeram grande sucesso entre gays ao trazerem comentários sobre personalidades homossexuais, além de notícias sobre bares e boates voltados para esse público no Rio de Janeiro e em São Paulo.
6 Mesmo quando a coluna privilegia temas como a vida profissional de sua autora ou o relacionamento com sua família, por exemplo, quase sempre vem à tona a orientação sexual de Milly Lacombe, por meio de referências explícitas ou não.
7 A aparente isenção e neutralidade que marcam o jornalismo podem ser entendidas como ferramentas ideológicas. Nesse sentido, Gabriela Hollenbach afirma que a imprensa "pretende retratar uma realidade que não pode ser percebida objetivamente, o que faz com que seu conteúdo adquira um caráter ideológico e reproduza um ponto de vista entre tantos outros - geralmente consoante com o ponto de vista dominante [...]"(2003:248).