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Educação & Realidade

versão On-line ISSN 2175-6236

Educ. Real. vol.37 no.2 Porto Alegre maio/ago. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S2175-62362012000200001 

EDITORIAL

 

 

Dizer do que trata a Educação, saber quais os limites, as bordas que enfeixam os saberes, os métodos, as temáticas, enfim, o que costumamos chamar o campo da Educação, não é tarefa fácil, entretanto, quando saltamos para a área da pesquisa essa tentativa se rarefaz ainda mais no vazio.

A pesquisa em praticamente todos os campos das Ciências Humanas possui um caráter eminentemente interdisciplinar. Assim, é evidente que a Educação, seja como prática, seja como campo de saber, bebe em outras áreas de conhecimento e mesmo se mistura a muitas delas. Educação & Realidade tem alimentado esse tipo de discussão na medida em que tem sido pioneira na visibilidade de temáticas, a um só tempo, candentes para a área e raras na produção brasileira.

Este número, com efeito, procura desviar, de certa forma, a atenção para os territórios da pesquisa em educação e focar as suas bordas, apresentando contribuições de pesquisadores que não são stricto sensu da área, mas que em função da excelência das suas pesquisas – e da peculiaridade, às vezes, polêmica de suas produções -, nas suas respectivas áreas, contribuem de forma superlativa e singular para as discussões que este periódico tem proposto nos últimos anos. A seção temática Temas Multidisciplinares para a Educação tem essa característica e uma apresentação mais pormenorizada de seus textos pode ser lida no texto de nossa editora associada, Nalú Farenzena, que se segue a este editorial.

Na esteira do que Educação & Realidade tem proposto, essa seção temática procura justamente friccionar a discussão na área, solicitando temas que atravessam a Educação e que lhe são base para pesquisar em Educação.

Como de hábito, a essa seção sucede um conjunto de textos diversificados, agrupados na seção Outros Temas.

Nela encontramos, por exemplo, o trabalho de Natália de Lacerda Gil, Campo Educacional e Campo Estatístico: diferentes apropriações dos números do ensino, no qual a autora analisa os discursos sobre as estatísticas educacionais, em especial, os modos de apropriação da estatística escolar nas décadas de 1930 e 1940.

Em um registro bastante diferente, temos o segundo trabalho da seção, cujo título é O Percurso do Conceito de Cooperação na Epistemologia Genética, de autoria de Liseane Silveira Camargo e Maria Luíza Rheingantz Becker. Esse artigo analisa o conceito de cooperação na obra de Jean Piaget, dando visibilidade à importância desse conceito ao pensá-lo a partir de um novo ponto de vista. A cooperação é apresentada, portanto, como um percurso na obra do autor e abordado seja como produto de um tipo de relação social, seja como um método de trocas sociais.

Eliane Gomes dos Santos, Maria da Glória Schwab Sadala e Sônia Xavier de Almeida Borges escrevem o artigo intitulado Avaliação Institucional: por que os atores silenciam?, no qual as autoras, subsidiadas pela psicanálise de Jacques Lacan, problematizam a questão da avaliação institucional em instituições de ensino superior no Brasil. Nesse trabalho, elas desenvolvem a noção de resistência dos atores-sujeitos ao processo avaliativo, propondo alternativas a esse sistema, bem como refletindo sobre os impasses nele articulados.

Com o objetivo de discutir os múltiplos contextos vividos pelos estudantes de uma escola pública de periferia, Pesquisar com os Cotidianos: os múltiplos contextos vividos pelos/as alunos/as, procura responder uma questão basilar para a Educação: qual a potência da escola na vida de nossos estudantes? Assim, Angela Francisca Caliman Fiorio, Kelen Antunes Lyrio e Carlos Eduardo Ferraço fazem desfilar no texto uma série de temáticas associadas à questão em tela, dentre eles, as relações entre vida e conhecimento; a escola pública nas suas dimensões políticas e curriculares; as expectativas de estudantes.

Andréa Quirino de Luca, Daniel Fonseca de Andrade e Marcos Sorrentino apresentam a possibilidade de se pensar a pesquisa no campo da Educação Ambiental a partir da noção de diálogo. Com efeito, O Diálogo como Objeto de Pesquisa na Educação Ambiental, defende as metodologias participativas, articulando o conceito de diálogo com o de comunidades interpretativas e de aprendizagem.

Questões sobre pesquisa em Educação são abordadas por Marcos Garcia Neira e Bruno Gonçalves Lippi, no artigo Tecendo a Colcha de Retalhos: a bricolagem como alternativa para a pesquisa educacional, no qual os autores descrever a bricolagem como possibilidade de pesquisa, discutindo os pressupostos metodológicos e epistemológicos desse tipo de prática de pesquisa.

O artigo de Daniel Cavalcanti de Albuquerque Lemos, Os Cinco Olhos do Diabo: os castigos corporais nas escolas do século XIX, trata sobre as práticas de castigos corporais, na perspectiva da constituição de uma cultura escolar na época da corte. Temas como os limites da autoridade do professor e a intervenção da sociedade são analisados em diferentes fontes.

O Processo de Regionalização das Universidades do Mercosul: um estudo exploratório de regulação supranacional e nacional analisa o processo de regionalização em universidades no Brasil e na Argentina. Nele, Nora Krawczyk e Salvador Antonio Mirelis Sandoval, os autores, problematizam as mudanças institucionais, sob o ponto de vista das políticas de integração regional de educação em relação às dinâmicas nacionais.

A Questão do Método e da Metodologia: uma análise da produção acadêmica sobre professores(as) da Região Centro-Oeste/Brasil, de Solange Martins Oliveira Magalhães e Ruth Catarina Cerqueira R. de Souza, objetiva discutir as questões de método e metodologia na produção acadêmica. A análise do trabalho se circunscreve na produção dos Programas de Pós-graduação da Região Centro-Oeste, entre os anos de 1995 a 2009.

Este número encerra, ainda, com duas resenhas. A primeira de autoria de Marcelo Prado Amaral Rosa, intitulada Jovens e Cotidiano, sintetiza e apresenta o livro homônimo de Nilda Stacanela, no qual a autora pretende "conhecer e compreender as dinâmicas que envolvem os processos educativos não-escolares dos jovens de uma periferia urbana, a fim de possibilitar releitura das práticas educativas escolares". A segunda – Repensando a Educação no Império: uma síntese provisória e incompleta –, assinada por Aline Morais Limeira e Giselle Baptista Teixeira, resume o conteúdo e a forma do livro Educação, Poder e Sociedade no Império Brasileiro, de José Gondra e Alessandra Schueler, no qual "os autores desconstruíram certas representações do Império Brasileiro que ainda ecoam na historiografia educacional".

Toda essa diversidade de textos visa, uma vez mais, a dar continuidade num dos objetivos centrais de Educação & Realidade: divulgar a produção qualificada da pesquisa em Educação; porquanto os textos aqui apresentados representam tal empresa.

Desejamos, com efeito, uma leitura entusiasmada.

Luís Armando Gandin – Editor-Chefe
Gilberto Icle – Editor Associado
Nalú Farenzena – Editora Associada

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