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Educação & Realidade

versão On-line ISSN 2175-6236

Educ. Real. vol.38 no.1 Porto Alegre jan./mar. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S2175-62362013000100001 

EDITORIAL

 

 

Educação & Realidade inicia o ano de 2013 com boas novas.

Uma das novidades é a sua roupagem; inauguramos novo projeto gráfico, assinado por Bento de Abreu, com a intenção de oferecer aos nossos leitores um projeto atualizado, abrangendo, entre outros, os elementos cromáticos, tipográficos e de disposição textual. Com essa renovação no projeto visual esperamos valorizar ainda mais a produção acadêmico-científica de alta qualidade veiculada em nossa revista.

Outra inovação é a periodicidade de Educação & Realidade. A partir do presente volume, de número 38, passaremos de três para quatro números anuais. Assim, a publicação trimestral viabilizará a difusão de uma quantidade maior de artigos em cada ano, o que se apresentou aos editores como necessidade e oportunidade diante do significativo volume de textos que são submetidos à revista nas suas diferentes seções, seja no fluxo contínuo, seja por intermédio dos editais de chamada de apresentação de seções temáticas ou de artigos para seções temáticas propostas pelos editores.

Uma terceira boa notícia diz respeito a uma nova via de difusão da Educação & Realidade: o portal Scientific Electronic Library Online – SciELO Brasil. Como sabemos, essa biblioteca eletrônica reúne uma coleção de renomados periódicos científicos brasileiros, selecionados com base em critérios exigentes, que abrangem a avaliação do caráter científico dos periódicos, de seus procedimentos de avaliação dos artigos, do seu conselho editorial e de sua periodicidade. A inserção de nossa revista no portal SciELO Brasil é, pois, para nós, motivo de comemoração, compartilhada, sem dúvida, com autores, com colaboradores, com ex-editores e com membros dos conselhos editoriais que, pela contribuição de ontem ou de hoje, se fazem presentes nessa conquista.

Este primeiro número do volume 38 de Educação & Realidade é integrado por uma seção temática intitulada Educação em Prisões, organizada pelos professores Elionaldo Fernandes Julião, do Instituto de Educação de Angra dos Reis e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense e Elenice Maria Ca-mmarosano Onofre, da Universidade Federal de São Carlos. Essa seção abrange uma apresentação, assinada pelos organizadores, e nove artigos que oferecem uma visão ampla da educação para pessoas que estão na contingência de privação de liberdade em estabelecimentos penais, amplitude essa que diz respeito aos territórios e aos temas enfocados.

A apresentação dos organizadores da seção Educação em Prisões dispensa maiores comentários, sobre seu conteúdo, neste editorial. Mesmo assim, como editores e como professores-pesquisadores, fazemos aqui um breve registro, suscitado mais pela temática da seção do que por particularidades dos textos nela reunidos.

Como bem afirmam os organizadores, na sua apresentação, "Para a sociedade em geral, a questão da educação na política pública de execução penal é ainda um assunto nebuloso". Uma complementação a essa assertiva poderia ser a indagação sobre o caráter também nebuloso da política pública educacional numa sociedade que prioriza mecanismos de repressão às práticas criminais, sendo o aprisionamento um dentre eles. Num texto publicado no Le Monde Diplomatique Brasil, de fevereiro de 2013, Luiz Antonio Machado da Silva, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), refere que, no Brasil, a metáfora da guerra é a referência dominante da regulação da ordem pública na atualidade. Isso significa a visão do diferente como inimigo, o esgarçamento do diálogo social e o protagonismo da atividade policial; nesse contexto, ainda segundo esse autor, as políticas sociais deixam de lado a linguagem dos direitos e passam a justificar-se como recursos de controle do crime e da violência, como coadjuvantes da repressão policial. Isso dá uma ideia do tamanho do desafio que é pensar a educação de jovens e adultos no sistema prisional esteada no referencial dos direitos humanos e dos direitos de cidadania, pois implica um pensar e um conviver que reconheça sujeitos, pessoas e cidadãos, numa aterradora circunstância histórica em que sobressai a mira em inimigos a serem castigados ou pacificados.

Dentro da tradição dos últimos anos, Educação & Realidade se completa com a seção Outros Temas, que reúne artigos submetidos no fluxo contínuo da revista. Desta vez contamos com oito contribuições, as quais resenhamos na sequência para, desde já, despertar ainda mais o interesse de nossos leitores.

Em A Análise Foucaultiana do Discurso como Ferramenta Metodológica de Pesquisa, Mauricio dos Santos Ferreira e Clarice Salete Traversini operam com a análise do discurso referenciada na obra de Michel Foucault para analisar discursos da atualidade sobre o mercado de trabalho num caderno semanal do jornal Zero Hora. Com o artigo, os autores almejam tanto discutir a produção de subjetividades afeitas à governamentalidade neoliberal, por meio das matérias veiculadas no periódico, quanto evidenciar as potencialidades heurísticas da análise do discurso foucaultiana.

Maria Teresa Telles Ribeiro Senna, Beatriz Vargas Dorneles e Maria Angela Mattar Yunes, em Conceitos Numéricos na Educação Infantil: uma pesquisa etnográfica, trazem resultados de um estudo realizado em duas instituições de educação infantil, uma delas brasileira, vinculada à Universidade Federal de Santa Catarina, e outra italiana, de Reggio Emilia. A construção da matemática inicial foi estudada por meio da observação sistemática de situações de vivência dos conceitos numéricos nas instituições, tendo como referência principal a teoria bioecológica do desenvolvimento humano, o que exigiu a articulação e o confronto de um leque de contextos e de relações.

Um filósofo estadunidense e os modos diferenciados de como suas ideias foram interpretadas por intelectuais brasileiros do campo da educação no Brasil é o tema do artigo Richard Rorty e a Filosofia da Educação: uma análise da recepção marxista, de Felipe Quintão Almeida e Alexandre Fernandez Vaz. Num primeiro momento, os autores exploram descrições elaboradas por autores marxistas da área da educação no Brasil, cujo direcionamento é de uma dura crítica a um suposto caráter cético e relativista da obra de Rorty. Noutra parte do artigo, os autores sugerem outras possibilidades de interpretação da obra do filósofo, para o qual discutem significados de conhecimento objetivo do mundo, relativismo e ceticismo político.

Em Resposta de Piaget a Vygotsky: convergências e divergências teóricas, Adrian Oscar Dongo-Montoya trabalha o diálogo entre os dois autores, enfatizando aspectos de esclarecimentos de Piaget a observações críticas sobre sua obra feitos por Vygotsky no que concerne: à realidade do fenômeno psicológico do egocentrismo cognitivo e linguístico; às relações entre as noções científicas e espontâneas na criança; aos mecanismos que explicam o desenvolvimento e progresso do conhecimento. O confronto, como diz o próprio título, expõe convergências e divergências entre os dois autores, as quais são sintetizadas claramente no final do artigo, sendo que uma das convergências destacadas é a de que, contrariamente à interpretação corrente, a evolução do pensamento da criança se explica, para ambos, pela ação de fatores exógenos sobre os processos endógenos.

No texto seguinte, intitulado Estudo do Posicionamento dos Alunos na sua Relação com o Sucesso Escolar, as professoras portuguesas Ana Maria Morais e Isabel Pestana Neves lançam mão de elementos da teoria do discurso pedagógico de Basil Bernstein para problematizar sociologicamente o sucesso e o insucesso escolares. Mais especificamente, exploram o conceito de posicionamento e sua relação com o aproveitamento escolar com base em investigações realizadas em contextos de socialização primária (família/comunidade) e socialização secundária (escola, sala de aula).

Damaris Fabiane Storck e Henrique Evaldo Janzen examinam, no artigo Autoria, Intervenções e Deslocamento Cultural: uma análise intercultural, o manual do professor do livro para o sexto ano do ensino fundamental intitulado Keep in Mind, obra inserida no Programa Nacional do Livro Didático, do Ministério da Educação, em 2011. Realizam uma análise intercultural a partir das concepções de linguagem de Bakhtin e mostram a ocorrência de um discurso híbrido no manual, composto da visão das autoras como escritoras do livro didático, mas moldado às exigências do programa do MEC.

A educação, retratada numa obra narrativa da literatura – O Ateneu: uma análise de mecanismos disciplinares no romance de Raul Pompeia –, é analisada por Tiago Ribeiro Santos e Rita de Cássia Marchi com base em conceitos das obras de Bourdieu e Foucault. Na sua leitura sociológica do Ateneu, os autores procuram argumentar pela pertinência da conjugação do poder disciplinar e do poder simbólico

Fecha a seção Outros Temas o artigo Biopolítica e Educação: relações a partir das discursividades sobre saúde na escola, de autoria de João Paulo Pereira Barros, texto que discute agenciamentos acionados por práticas discursivas sobre saúde nos espaços escolares. O autor se vale de elementos da história da educação brasileira e de pesquisa numa escola pública de Fortaleza para empreender sua análise.

A síntese do conteúdo deste número da Educação & Realidade é um convite à leitura e nossa expectativa é de que a qualidade dos textos se some ao espírito das boas novas anunciadas no início deste editorial.

Luís Armando Gandin – Editor-Chefe
Gilberto Icle – Editor Associado
Nalú Farenzena – Editora Associada

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