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Educação & Realidade

versão impressa ISSN 0100-3143versão On-line ISSN 2175-6236

Educ. Real. vol.40 no.3 Porto Alegre jul./set. 2015  Epub 11-Maio-2015

http://dx.doi.org/10.1590/2175-623644756 

Outros Temas

Imagens de uma Nova Economia Identitária dos Corpos Grávidos

Images of a New Identitary Economy of Pregnant Bodies

Maria Simone Vione Schwengber I  

Denise Raquel Rohr I  

IUniversidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul (Unijuí), Ijuí/RS - Brasil


RESUMO

A ideia orientadora deste artigo é a de que as imagens criam representações relativas às feminilidades, introduzindo uma nova economia identitária dos corpos grávidos. Investigamos a produção discursiva das identidades maternas divulgadas na revista brasileira Pais e Filhos. Como ferramenta teórico-metodológica, fizemos uso dos conceitos de análise de discurso de Michel Foucault. Selecionamos as imagens, observando os movimentos históricos em circulação, que exprimem, mediante transformações do lugar das práticas corporais e esportivas, a intervenção nos corpos, afirmando posições identitárias - a da mãe esportiva, delicada, moderada, equilibrada, forte, firme, preparada, sensual, limpa, sem manchas.

Palavras-Chave: Imagens; Práticas Corporais e Esportivas; Corpo Grávido

ABSTRACT

The idea guiding this paper is that images create representations of femininities, thus introducing a new identitary economy of pregnant bodies. We investigated the discursive production of mother identities published in the Brazilian magazine Pais & Filhos. As a methodological-theoretical tool, we adopted the concepts of discourse analysis by Michel Foucault. We selected images considering mainstream historical movements that express, through transformation of places occupied by body and sports practices, the intervention in the bodies, thus stating identitary positions - a sportive, delicate, moderate, balanced, strong, tough, prepared, sensual, clean, immaculate mother.

Key words: Images; Body and Sports Practices; Pregnant Body

Considerações Iniciais

[...] a história do presente ou, o que é o mesmo, a ontologia crítica de nós mesmos, a desconstrução histórica daquilo que somos e já estamos deixando de ser, tem a ver com a problematização das evidências e universalidades que nos configuram em nossas formas de conhecimento, em nossas práticas, em nossas formas de relação com os demais e conosco. Trata-se de mostrar que aquilo que somos é arbitrário, específico e contingente; de colocar em questão o habitual, aquilo que é o mais difícil de ver como problemático porque se converteu em hábito para nós, em costume, em identidade (Larrosa, 2000, p. 330).

Iniciamos este texto com a epígrafe de Larrosa (2000) porque nos ajuda a formular a inquietação que move a pesquisa: como as identidades maternas vêm sendo narradas e produzidas? Fazemos uso, mais especificamente, das análises de matérias (imagens) produzidas nos exemplares da revista Pais e Filhos publicados nas décadas de 1970, 1980 e 1990 do século XX. Fischer diz que:

[...] nossos objetos em construção poderão tornar-se mais densos na medida em que os tratarmos efetivamente como objetos históricos que são, vistos em suas descontinuidades e permanências, naquilo que oferecem como ruptura ou como (provisória) fixação de modos de ser e existir. Caso contrário, ficaremos diante de uma massa informe e amorfa de materiais, sem as marcas da sua concretude histórica [...] (Fischer, 2002, p. 65).

Procuramos, então, perceber de que forma as identidades maternas vêm sendo produzidas no tempo e no espaço - mas não num tempo linear, contínuo, preocupado com a cronologia. O que pretendemos marcar alguns pontos de emergência, continuidades e descontinuidades.

Pensar no tempo e nas identidades é pensar o quanto, com o passar do tempo, as mulheres foram reinventando as suas identidades maternas em meio a tensões, a discursos (visíveis e dizíveis) da cultura e a desejos (conscientes ou inconscientes) de assumir significados culturais e de identificar-se. Atentamos para o fato do quanto contingentes e provisórias são as identidades - e aqui nos referimos às identidades femininas. Hall (2003) ensina que a identidade é um processo, não é algo dado; é negociada em fase de mudanças pessoais e sociais, e circunscrita aos tempos históricos.

A identidade é uma construção social, simbólica e psíquica. Ela resulta de processos em que as representações simbólicas sociais são engendradas e assumidas pelos sujeitos como parte integrante das posições que os identificam no seio social e nos espaços temporais (Woodward, 2000). Woodward (2000) destaca as posições-de-sujeitos que os sistemas de representação produzem e como nós, enquanto sujeitos, podemos ser posicionados em seu interior. Desse modo, a aquisição de uma identidade é em parte dependente do contexto cultural no qual nos constituímos, havendo geralmente uma repoetização individual dos sentidos culturais e sociais. A ideia de repoetizar se dá a partir de conotações existenciais subjetivas (individuais) no que concerne aos processos de (res)significações e revalorização das práticas culturais e sociais.

Assim sendo, não existe(m) identidade(s) sem o corpo vivido e situado historicamente. O corpo é o lugar onde a linguagem e a cultura se fazem presentes, produzindo as marcas identitárias. A corporeidade, ensina-nos Foucault (2000), atua como realidade bio-político-histórica, isto é, como interpenetrada de história. Ela é ponto de apoio de complexas correlações de experiências sobre o qual incidem inúmeras conformações discursivas produtoras de verdades e de identidades. Isso faz com que a história das técnicas de intervenção nos corpos humanos seja também a história de como a sociedade trata o cuidado de si.

Feitas as considerações iniciais, cabe colocar agora o desafio que constitui este trabalho: pensar a produção das identidades maternas a partir das inúmeras formações discursivas culturais, como as das imagens de uma revista brasileira. Esta pesquisa tem como base o modo como as representações sociais e culturais - neste caso, as imagens - produzem determinadas formas de aprendizado e constituem identidades. Questionamos inicialmente como o olhar trabalha. O que vemos e como vemos? Como nomeamos?

A ideia orientadora desta pesquisa é a de que as imagens criam representações identitárias socialmente enraizadas relativas às feminilidades. As imagens, mais ou menos massivamente difundidas, produzem e sedimentam modos de pensar o feminino nas sociedades ocidentais (Mota-Ribeiro, 2007). Mais ainda, as imagens contam histórias de grupos sociais (no caso, das mulheres) e culturas humanas localizadas e datadas. Nas sociedades contemporâneas ocidentais, estamos constantemente rodeados de imagens de feminilidade, e "[...] estas constroem discursos acerca do que significa ser feminino na nossa cultura que afeta quase todos, mulheres e homens, de variadas formas" (Mota-Ribeiro, 2007, p. 18).

De fato, o visual tem sido particularmente importante na definição da feminilidade, talvez porque geralmente (e inicialmente) o estatuto da mulher costuma ser avaliado a partir da sua aparência. O visual (entendido em sentido amplo) é, assim, um ponto central para se fazer uma leitura das feminilidades. Sabemos que as imagens modificam profundamente a natureza das próprias experiências, já que agem transformando de modo significativo a organização social, cultural e estética das mulheres, sobretudo, dos corpos. Estudos de Petyr (2013) destacam que a confiança das mulheres e garotas cai 80% olhando revistas de moda. A ironia, como destacam os autores, é que até mulheres que são consideradas belas (top models) também declaram que sua confiança se abala após olhar essas revistas.

Neste artigo, propomos questionamentos que sinalizam para a formação e a transformação das identidades femininas, sobretudo as maternas, desnaturalizando-as no sentido de apontar as identidades como uma construção discursiva e cultural. Nosso argumento é que as identidades femininas são construídas no lastro das práticas discursivas culturais e nas de relações de saber/poder (Foucault, 2000), destacando-se neste texto as imagens. Mais especificamente, buscamos pensar na emergência de identidades maternas esportivas a partir das imagens que circulam numa revista brasileira, a Pais & Filho.

Para Foucault é a partir da modernidade que "nasce uma arte do corpo humano" (Foucault, 2000, p. 114), que não somente visa ao aumento de suas habilidades, mas materializa e implica modos de ser, comportamentos. Segundo Bruno (2004), na contemporaneidade, as identidades vão deixando de constituir-se no âmbito do secreto, do íntimo, para relacionar-se à exterioridade, ao corpo físico, o que pode ser observado na visibilidade cada vez maior dada aos corpos. Com o advento das novas técnicas de comunicação e informação, o corpo já não é percebido como antes, visto que seus limites estão cada vez mais dispersos e fluidos.

De acordo com Bruno, "[...] os dispositivos contemporâneos vêm contribuir para a constituição de identidade(s) e subjetividade(s) exteriorizadas em que vigoram a projeção e a antecipação pública" (Bruno, 2004, p. 4). Para Bruno, a subjetividade é "[...] exteriorizada porque encontra na exposição 'pública' [...] o domínio privilegiado de cuidados e controle sobre si" (Bruno, 2004, p. 116). Nesse sentido, podemos dizer que a aparência está vinculada à superfície, ao corpo - hoje, aparência e identidade confundem-se. Talvez isso faça com que a identidade se torne cada vez mais instável, provisória e mutável, ocupando diversos espaços da vida ou revezando-se em diferentes momentos (Hall, 2003).

As narrativas atuais sobre a vida íntima, por exemplo, sobre a gravidez, não são mais expostas em uma esfera que poderíamos chamar de privada ou quase privadas (confessionários, consultórios), mas ao público na mídia, nas páginas das revistas, na Internet, no Facebook, no Youtube. Ou seja, o reconhecimento não vem mais de uma autoridade, mas do olhar de um outro comum, de um igual: "online ainda no ventre" (Petyr , 2013, p. 71). Petyr (2013) afirma que uma de cada três crianças brasileiras já está presente na Web antes mesmo de nascer e que normalmente uma ultrassonografia é postada pelos pais em redes sociais; aos dois anos, 92% das crianças estão na Internet, em fotos ou vídeos, e algumas até contam com perfil no Facebook. Petyr (2013) diz que vivemos num mundo onde cada momento da vida passou a ser digitalizado. Assim, parece possível dizer que, de certa forma, há uma intensificação do eu (visual), porém corporificado, performático, espetacular e reflexivo.

Trata-se de uma intensificação do olhar (do visual). Com o surgimento das mídias visuais, há uma sofisticação dos dispositivos do olhar, produzindo uma experiência, uma estrutura midiática no tecido da vida social contemporânea. Fischer (2002) diz que há uma colonização do olho humano pelos mass media, através de televisão, cinema, revistas, jornais, fotografia, Internet, o que rendeu à imagem, no século XX, o mais honroso espaço (recurso) de comunicação social. Desse modo, no atual século, a digitalização tem marcado nossas vidas.

A Experiência Contemporânea da Maternidade e as Imagens

Destacamos nessa seção a emergência peculiar da valorização da maternidade nos modos como os corpos grávidos têm sido representados, expostos e exibidos em imagens a partir da mídia brasileira. Parece que a experiência da maternidade contemporânea não pode ser compreendida fora de suas relações com as imagens. A cultura contemporânea, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, é uma cultura figurada; é imagética, com ênfase nas imagens mais do que nas palavras (Lasch, 1999).

Tomamos aqui as imagens como "[...] tecnologias de sistemas de signos que nos colocam no universo das linguagens" (Foucault, 2004, p. 45). O termo imagem será utilizado no decorrer deste trabalho para se referir a um campo, que representa uma instância que enuncia (Foucault, 2004), que também conta parte da nossa história contemporânea. Consideremos as imagens como uma linguagem, um registro, "[...] uma comunicação sem palavras, mas repleta de ideias e memórias trazidas por elas" (Barthes, 1990, p. 41).

Propusemos, então, o entendimento da relação da imagem como um texto (um discurso). A imagem, mais do que apenas ilustrar, ornar um texto, representa, descreve, narra, simboliza, expressa, brinca, persuade, normatiza, pontua e educa, além de enfatizar sua própria configuração e chamar atenção para o seu suporte - a linguagem visual. Concebemos que as imagens (texto) se somam aos discursos. Portanto as imagens estão ligadas ao exercício de uma linguagem, vinculada a uma organização simbólica (a uma determinada cultura, a um determinado tempo e contexto) (Silva, 2000).

Vivemos um processo de valorização e intensificação das imagens na diversidade de suportes, nas formas, nas funções. Como diz Eco (1999), a civilização contemporânea vive a imagem; trata-se de uma espécie de corrida da visibilidade, na medida em que as referências para o ser humano são deslocadas e potencializadas pela pulsão da visibilidade midiática. As imagens são linguagem, formas de expressão, conteúdos para conhecer e pensar a vida. A imagem é uma linguagem que possibilita que a vida e as ações do outro cheguem até nós; Ajuda a levar à vida do outro (Schwengber, 2012).

Ao longo do século XX, multiplicaram-se discursos e imagens sobre o processo da gravidez, reforçando essa experiência corporal, como destaca Martins (2004). Segundo essa autora, foram sendo produzidos tratados médicos e imagens anatômicas, assim como inúmeras publicações na literatura, na arte e na mídia, presentificando o tema da gravidez e da maternidade (Meyer, 2006) na cultura brasileira.

Para Belmiro (1992), o fenômeno da gravidez como acontecimento, espetáculo exprime-se nos ensaios fotográficos a partir de 1970, como interesse fotográfico e como consumo cultural midiático. As revistas acabam se constituindo, de acordo com Fischer (2002), como um misto de relação pedagógica, sedução e exemplaridade; ensinam e cativam em sua abertura para o novo e dão exemplos de formas de viver e comportar-se. É nas décadas de 1960 a 1970 que se encontra a gênese de um momento histórico, um salto para uma ordem cultural centrada em estímulos sensoriais de imagens (da experiência corporal da gravidez) tecnicamente ampliadas.

Para Belmiro (1992), as imagens de gravidez, entre 1930 e 1950, eram escassas, restritas a iniciativas individuais, acervos pessoais, ou melhor, encontradas apenas de forma periférica. A autora destaca que as transformações dos valores, a partir dos anos 1960, em relação à exposição do corpo grávido vêm substituir um silenciamento dos aspectos ligados à intimidade, como os eventos reprodutivos, pertencentes até então à esfera privada. Belmiro ainda afirma que a divulgação de imagens de artistas grávidas, depois dos anos 1970 - como as da americana Demi Moore, grávida e nua, e de brasileiras, como Leila Diniz, Wanderléia, Monique Evans e Luiza Brunet -, pode também ter contribuído para a massificação dos registros fotográficos da gravidez.

As grávidas parecem que estão prontas para despirem-se de corpo e alma, de uma maneira que suas avós jamais seriam capazes. No século XXI, observa-se uma sensível diminuição das taxas de natalidade. Pode-se dizer que há menos gravidez e menos filhos, mas gestações cada vez mais planejadas e expostas (Schwengber, 2012). A gravidez reveste-se agora de um significado particular, e as grávidas tomam entusiasmo em uma tarefa social, expondo os corpos e experimentando um projeto reflexivo do self (Giddens, 2002).

Gravidez e as Imagens Esportivas

Como destacamos na seção anterior, contemporaneamente, são muitos as imagens e os discursos destinados a educar os corpos grávidos, de modo que as imagens das grávidas, ao serem vinculadas com as práticas corporais esportivas como mais uma das políticas de verdade (Foucault, 2004), não ficam fora dessa rede educativa. Com isso, atuam como mais um discurso que cria estratégias de regulação na tentativa de produzir também identidades.

O estilo de vida contemporâneo é marcado pela esportividade e desencadeia uma onda de esportivização. As imagens esportivas - de forma muito particular, desde as últimas décadas do século XX - têm sido um dos principais meios de referência para demonstrar a capacidade vital dos corpos. O esporte concorre para a economia dos corpos, ocupa na cultura um lugar de produção de vitalidade (dos corpos físicos) e de manutenção da vida em si, ao mesmo tempo em que se oferece como um recurso que auxilia no ideário de ajustamento dos cidadãos e cidadãs aptos à padronização da vida autocontrolada. "Esporte dado aos movimentos, gestos, atitudes, rapidez, poder infinitesimal sobre um corpo ativo" (Rose, 2007, p. 37). Essas são algumas das estratégias que se impõem nos processos de ação esportiva.

É dessa maneira que pensamos o esporte como um biovalor (Rose, 2007). A importância dada à vitalidade dos corpos grávidos (força vital, vigor, capacidade de ação) nesses novos tempos contrapõe-se ao ofuscamento a que estavam submetidos no passado. Observa-se uma inversão de valores na passagem das ideias de acumulação e poupança para a passagem de produção e otimização de energia vital dos corpos. Os novos valores identificam-se com um corpo que se transforma em objeto de cuidados e de desassossegos. Rose (2007) destaca as progressivas transformações da existência no século XXI, da presença das políticas vitais que acentuam a expressão da vida em si, políticas que estão preocupadas em controlar, arquitetar, reformar e modular a capacidade vital dos seres humanos. Desse modo, acreditamos que a estética esportiva tem recebido um lugar de destaque na economia da vitalidade, positivando a expressão vida em si.

Integrante da governamentalidade contemporânea, o esporte passa a ser prescrito como uma forma de produção e manutenção da vida ativa e saudável. É dessa maneira que entendemos o esporte como integrante da governamentalidade (Foucault, 2008) neoliberal contemporânea, pois tem sido prescrito como uma forma de produção e manutenção da vida ativa e saudável. A partir de tal perspectiva, esclarecemos que o prisma analítico da governamentalidade permite focalizar o ato de governar e também o autogoverno operado pelo processo de esportivização contemporânea como uma atividade intencionalmente programada para conduzir condutas (da sociedade, dos mercados, dos indivíduos e dos demais elementos sociais). Em tal perspectiva, esclarecemos que a governamentalidade diz respeito ao governamento da conduta e opera a partir de uma multiplicidade de racionalidades humanamente programadas para estruturar e instrumentalizar o eventual campo de possibilidades de ação: dos outros, de si mesmo e da relação de si mesmo com os outros.

A governamentalidade, enquanto racionalidade política, permite a operacionalização de uma tecnologia de poder macro (pois procura atingir uma totalidade) e ao mesmo tempo micro (individualizante, por preocupar-se com cada um dentro do todo). Esse sentido atribuído à governamentalidade oportuniza pensarmos como uma racionalidade específica do nosso tempo, por exemplo: a vivência de uma vida saudável organiza determinadas formas de conduzir as condutas dos sujeitos e das populações, possibilitando a emergência de diferentes estratégias, esportivas. Rose (2007) vê a emergência de uma economia da esperança pelo esporte que promete segurança com um prudente olho no futuro, de modo que os sujeitos são constantemente incentivados a tornarem-se ativos e responsáveis pelo seu governamento.

As décadas de 1970, 1980 e 1990 foram marcadas por grandes mudanças e desafios em relação à política da vida esportiva (Giddens, 2002), à possibilidade de escolher o estilo de vida ativo como um dos que mais convêm. Foi nesse contexto político-econômico que emergiram com mais força novas propostas de ampliação da participação feminina nos esportes. Esse período foi caracterizado pela obrigatoriedade da prática da Educação Física escolar e universitária. Mais do que isso, na cultura brasileira, estava na superfície o estímulo à brasileira para investir mais firmemente no seu processo de individualização (vida para si), para inserir-se na vida pública, identificando-se com novos hábitos e comportamentos.

Assim, a partir dos anos 1960 e já no final da década de 1970, as imagens começaram a sugerir com mais frequência o prazer de estar consigo, o contentamento de cuidar do corpo (Sant'anna, 2001), o trabalho minucioso sobre o corpo, indícios do cuidado consigo e para com o outro. Dentre essas imagens, entendemos que emergem as vinculadas ao esporte, que ajudam a marcar um novo limite nas transformações das representações discursivas de mulheres mais dinâmicas e ativas, enfatizando a individualidade e a liberdade de cuidados corporais.

Goellner (2004) destaca que um conjunto de fatores, movimentos e acontecimentos contribuiu para a afirmação da importância das práticas corporais e esportivas prescritas para as mulheres, inclusive para as gestantes, no século XX. Acontecimentos e circunstâncias ajudaram a reforçar a importância das práticas corporais e esportivas para mulheres, como competições nacionais e internacionais, Jogos Olímpicos, criação de clubes esportivos, programas governamentais e não-governamentais, mulheres "[...] que faziam força física em casas de espetáculos, circos e music halls" (Goellner, 2004, p. 362), proliferação das imagens esportivas da mídia nos cinemas e propagandas, a própria profissionalização do ideário esportivo, os concursos de misses, entre outros acontecimentos.

Entendemos que movimentos e acontecimentos esportivos como os destacados por Goellner (2004) criaram e criam condições de possibilidade para a afirmação, cada vez maior, da prescrição das práticas corporais e esportivas para as mulheres brasileiras e também para as grávidas. São muitos os discursos e as intervenções destinados a educar os corpos grávidos; as práticas corporais e esportivas, como práticas contemporâneas, não ficam distantes dessa afirmação. Não é à toa que uma variedade dessas práticas para as gestantes eclode com mais força a partir da segunda metade do século XX.

Desse modo, mudanças no campo social e cultural possibilitaram novos questionamentos sobre as construções culturais das mulheres, inclusive da maternidade dos corpos grávidos, o que aqui importa pensar.

O que nos interessa é compreender essa nova discursividade que investe e opera novas relações das mulheres com seus corpos, com gravidez e com as práticas corporais e esportivas. Enunciados que circulam na revista mãe saudável agora faz exercício físico engendram a injunção de um novo ethos e um novo governo do eu feminino. Assim observamos emergência dessa nova sensibilidade das gestantes em relação às práticas corporais se espraia. Tomamos o final dos anos 1960 como ponto de inflexão e de definição de uma nova formação gramática "discursiva dizível e visível" (Foucault, 2004, p. 112).

Aspectos Metodológicos da Análise

No contexto da mídia brasileira direcionada às mulheres (potencialmente) grávidas, escolhemos para analisar a revista Pais & Filhos pela importância da sua contribuição, uma vez que essa publicação é considerada "a mais tradicional revista da família, há quarenta anos no mercado brasileiro" (Mira, 2001, p. 41). Entendemos, então, que revistas como a Pais & Filhos integram o conjunto de tecnologias culturais que, através de imagens e discursos, interfere/contribui/afeta a construção de significados; são "pedagógicas porque contribuem para definir as formas pelas quais o significado é produzido, pelos quais as identidades são produzidas, apresentadas" (Fischer, 2002, p. 2).

As imagens de mulheres grávidas têm um lugar central na Pais & Filhos, enquanto artefato cultural, sendo compreendidas como um grande subjetivador de identidades e como um instrumento propagador de verdades. Salientamos que revistas como a Pais & Filhos exercem pedagogias do olhar ao veicularem valores estéticos e culturais através daquilo que mostram e da maneira como mostram.

Para examinar a revista, nos apoiamos na perspectiva das teorizações de análise de discurso de Foucault (1988). Para Foucault (1988), são os enunciados que posicionam os sujeitos de forma particular nos discursos:

Descrever uma formulação de enunciados não consiste em analisar a relação entre o autor e o que ele diz (ou quis dizer, ou disse sem querer), mas em determinar que posição de sujeito pode e deve ser ocupada por qualquer indivíduo para que ele seja o sujeito dele (Foucault, 1988, p. 95-96).

Trata-se, ao contrário, de trabalhar no interior do discurso, compreender e "[...] estabelecer séries, distinguir o que é pertinente, descrever as relações, definir as unidades enunciativas" (Foucault, 1988, p. 7). De acordo com Foucault, o(a) pesquisador(a) atento(a) estuda o que os enunciados suscitam, a luta política que eles colocam em movimento.

Então, descrever um enunciado "[...] consiste em descrever a posição que pode ocupar o indivíduo para ser seu sujeito" (Foucault, 1988, p. 109). Foi assim que articulamos questões como estas: de que modo e segundo que condições o sujeito aparece na ordem desses discursos? Que lugar o discurso dá ao sujeito? Quais são os modos de existência desses discursos? Enfim, trata-se de compreender, captar a posição que o sujeito ocupa na formação discursiva, bem como quem fala, com que autoridade, sob que condições, sobre que sistema de legitimação social.

Daí que, para nós, foi possível identificar tanto os enunciados dizíveis quanto os visíveis pelas imagens, no sentido de melhor mapear o movimento das práticas corporais e esportivas e o corpo grávido no contexto da revista Pais & Filhos. Assim, analisamos as imagens que frequentemente integram os textos dessa revista, não como peças ilustrativas, mas como práticas educativas, procurando explorar seu caráter discursivo e produtivo. Soares (2004) instiga-nos a pensar que as práticas corporais podem ser configuradas como uma forma de expressão concreta de possibilidades de educação dos corpos, entre os quais, incluo os das gestantes. Essas imagens de práticas corporais produzem posições de sujeitos e identidades, exercendo poder de autoridade e de sedução (Louro, 2004).

Utilizamos as imagens como um recurso analítico. Enfatizamos que as imagens associam "[...] duas linguagens: o que implica tentar ler pelos códigos da língua a fluidez da linguagem visual, o que significa também estabelecer significados, conceitos, racionalizar, esquematizar" as unidades significativas (Silva, 2000, p. 125). Portanto, a imagem está ligada ao exercício de uma linguagem, está vinculada a uma organização simbólica (a uma determinada cultura, a um determinado tempo e contexto).

No trabalho de análise, selecionamos as imagens que se repetiam, que eram retomadas (propiciando identificações-projeções), observando as respectivas posições sociais e os modelos formadores que delimitam e governam os corpos grávidos. Partindo da premissa de que as imagens produzem e veiculam saberes, procuramos compreender seu entorno, os valores e os preceitos que elas expõem, respondendo às seguintes questões: quais imagens apresentam maior potencialidade de persistência/repetição/recorrências? Quais têm o poder de criar e introduzir novas identificações-projeções, sensibilizando o olhar das mulheres?

Na medida em que trazemos para a discussão esses aspectos da educação visual da contemporaneidade, estamos sugerindo que as imagens afetam diretamente o fazer e o pensar das mulheres, justamente por conterem elementos da ética e da estética, além do domínio do conteúdo. As imagens, como um espelho, criam vínculos afetivos com que nos identificamos e avaliamos quem somos, atualizam representações simbólicas e identitárias. As imagens atuam na construção de identidades e apresentam normas como algo natural.

Para Woodward (2000), a "mídia nos diz como devemos ocupar uma posição-de-sujeito particular e fornece imagens com as quais possamos nos identificar" (Woodward, 2000, p. 17). De acordo com Giroux (1999), "as imagens [...] operam na produção de identidades, bem como na produção de legitimação de saberes" (Giroux, 1999, p. 111). Meyer (2006) adverte que os efeitos dessas produções não são os mesmos para todos(as) aqueles(as) com quem interagem.

O primeiro passo de leitura da Pais & Filhos foi localizar somente as imagens sobre gravidez e as práticas corporais e esportivas, delineando sua abrangência; localizamos os tópicos principais das imagens, e, dentro delas, a posição dos seus enunciados, as formações discursivas articuladas. Classificamos os temas por ordem cronológica por décadas, a fim de identificar as mudanças de ênfase nas abordagens, e também por entender que os discursos veiculados determinam o que pode ser dito e/ou escrito sobre um objeto e/ou tema relacionado com a gravidez numa dada época. Analisamos os exemplares da revista tendo em mente o conceito de a priori histórico, explanado por Foucault (2000) deste modo:

[...] é o que, em dada época, recorta na experiência um campo de saber possível, define o modo de ser dos objetos que nele aparecem, arma o olhar cotidiano de poderes teóricos e define as condições em que se podem enunciar as coisas num discurso reconhecido como verdadeiro (Foucault, 2000, p. 173).

Identificamos didaticamente a presença desse discurso nas imagens da Pais & Filhos a partir de três grandes movimentos: o primeiro compreende a primeira década de existência da revista, de 1970 a 1980; o segundo vai de 1980 a 1990; e o terceiro, de 1990 a 2005. A seguir, discutimos como esses movimentos dos sentimentos identitários particularizados pelas imagens das práticas corporais e esportivas se apresentam no contexto da revista.

Mãe delicada, Moderada, Equilibrada

A revista, nos primeiros dez anos do seu projeto editorial (de 1970 a 1980), faz todo um movimento para mostrar que as práticas corporais devem ser realizadas/vivenciadas pelas gestantes na justa medida (...), com movimentos nem para mais e nem para menos (Pais & Filhos, 1970, capa). Observa-se a repetição e multiplicação de enunciados, tais como:

Grávida, ponha o corpo em movimento, em particular as pernas, mas sem grande esforço [...] Gestante! Faça exercício com alma de quem fica sentada (Pais & Filhos, 1975, p. 12-13).

É importante destacar que a Pais & Filhos investe na produção identitária da nova mulher: moderna, uma mãe pra frente, ágil e capaz de enfrentar os desafios, inclusive superar alguns tabus, dentre os quais, o do desprezo às práticas corporais e esportivas. Cuidar do corpo grávido agora implica "colocá-lo em movimento muito mais do que cercá-lo [...]" (Sant'anna, 2001, p. 256). É importante destacar que, no contexto da Pais & Filhos, se fazia presente, até então, a recomendação de cuidados para as pernas muito mais pelo uso de meias do que pela prática de exercícios físicos. Porém, a partir desse período, as recomendações de uso das meias se mantêm, mas acrescidas de prescrições de alguma prática corporal. As gestantes são estimuladas a assumir e a manter ações dinâmicas, em que uma representação corporal mais enérgica abre caminho, tornando insuficiente o uso apenas das meias. O repouso é substituído pelo movimento. Há uma abertura de espaço para as práticas de movimento. Recomenda-se:

[...] abrir-se para um trabalho muscular, um aperfeiçoamento da capacidade funcional, por meio das prescrições de alguns movimentos para o corpo grávido, com alternância de esforços estáticos e dinâmicos (Pais & Filhos, 1975, p. 13).

Pode-se dizer que a revista colabora para marcar o discurso das práticas corporais como uma importante política de verdade científica (Foucault, 2000) e uma política identitária da mãe ativa, equilibrada. Cuidar da saúde implica, agora, colocar o corpo em movimento, muito mais do que restringi-lo (Soares, 2004).

No quadro a seguir, mapeamos e classificamos o conjunto de imagens que tiveram, de 1970 a 1980, maior impacto no contexto da Pais & Filhos. Dentre elas, destacamos imagens das gestantes em práticas corporais, como: eutonia, terapias de meditação corporal, bioenergia, biodança, alongamentos, antiginástica, exercícios de reeducação postural global e respiratória, ioga e tai chi chuan.

Figura 1  Gestantes em Práticas Corporais 

Como se vê nas imagens do quadro, há um conjunto de valores propostos nessas pedagogias corporais, tais como o uso do corpo de forma individual, tranquila, lenta, leve, distanciando-se da expressão de dor, de sofrimento e de esforços corporais exagerados. As imagens destacam que as práticas corporais devem ser vivenciadas pelas gestantes na justa medida, com movimentos nem para mais, nem para menos; para isso, recorre-se às prescrições das atividades corporais alternativas, suaves e brandas. Observa-se, por meio da linguagem característica dessas práticas, um imperativo para que as gestantes relaxem, afrouxem as tensões, respirem com suavidade, sintam o corpo. De outro modo, essas práticas significam, enquanto ideal, o domínio de si, a autonomia corporal, caminhando na direção de um incentivo para que as gestantes labutem para ser donas de si (de seus corpos).

Observamos que, nessa discursividade, a gestante é investida de uma missão produtiva de conhecer, governar e administrar o seu corpo e o estado de gravidez de modo equilibrado. É dessa forma, pois, que o discurso das práticas corporais alternativas, na revista, se constitui pelo ethos que individualiza o corpo. São práticas que procuram levar as gestantes a curtir seu próprio corpo e a sua condição a exemplo das formulações a seguir:

[...] práticas corporais alternativas tratam de ensinar a gestante a afinar a escuta a seu corpo [...] Desenvolvem a tomada de consciência harmoniosa e afetuosa do corpo (Pais & Filhos, 1978, p. 32).

Uma consulta ao dicionário, a esse recurso tão enredado nas "operações de fixação e legitimação dos significados atribuídos às palavras" (Meyer, 2006, p. 36), permite delimitar algumas das definições do termo alternativo: "Diz-se daquilo que representa uma opção entre duas ou mais possibilidades" [...] "Que adota uma posição independente em relação a tendências dominantes" (Ferreira, 2010, p. 125). As práticas corporais são consideradas alternativas pela sua disponibilidade tanto pela garantia de prudência com os corpos, como sensibilização e autoconhecimento, no sentido de valorizar o corpo como uma unidade harmoniosa. Essas práticas abrem espaços como outro jogo corporal marcando os exercícios físicos como práticas suaves, prazerosos, de bem estar e saúde.

O próprio adjetivo alternativo se associa ao universo do suave aparece no dicionário associado às expressões delicado, moderado, equilibrado - muito mais positivadas para o feminino e esperadas, sobretudo, de um corpo grávido.

O movimento feito pelos discursos na revista, no que se refere aos enunciados e às imagens, segue basicamente um percurso, triunfa e populariza-se o modelo identitário da mãe cuidadosa - que cuida do outro e se cuida, "exercitar é dar ao seu bebê saúde em forma de amor" (Pais & Filhos, 1978, p. 112), como no exemplo de prescrição do seguinte exercício:

Massagear lentamente a barriga. Visualizar seu filho e o espaço que ele está ocupando em seu corpo. Vá imaginando lentamente cada parte do corpinho, sinta seu coraçãozinho e deixe que a energia de amor, do seu coração chegue até você (Pais & Filhos, 1978, p. 112).

Essa atividade, por exemplo, desafia a gestante a estabelecer vínculos amorosos com o feto - já representado como um coraçãozinho que pulsa de amor pela mãe. Esse exercício dá vazão a uma racionalidade identitária sensível e afetuosa. Para realizá-lo, a mãe age, ordena, acarinha e afaga - mãe representada aqui como aquela que dá assistência, auxilia, aguenta; aquela que não se afasta da interação, abaixa os olhos, junta as mãos e cobre com ternura o filho, num ato de espera do que deseja.

O sujeito materno é aqui posicionado enquanto aquele que, por intermédio das práticas corporais, transmite amor e saúde para o feto; mas não é qualquer tipo de saúde: é uma saúde dada em forma de amor. Fazer exercício na justa medida, vem a confirmar a ideia da boa mãe que se cuida, fazendo e que o seu próprio corpo produza a saúde de ambos. Os exercícios corporais, enquanto forma especial de comunicação mãe e filho, indicando aqui a presença insubstituível da mãe no processo de desenvolvimento da criança.

Esses discursos sinalizam, no contexto da Pais & Filhos, que o próprio ato de cuidar de outra pessoa é um ato gentil, equilibrado, harmonioso, que demanda atitude, envolvimento, doação, paciência, troca e comunicação. A isso também se vincula a responsabilidade da mãe, fazendo emergir a preocupação com o ser que ela gestou e reforçando a posição identitária de mãe delicada, equilibrada, responsável e amorosa. Todos esses enunciados presentes ligados a um ideal identitário de mãe perfeita - a mãe delicada, equilibrada, amorosa. As posições identitárias da mãe delicada, moderada, cuidadosa/amorosa/gentil, tão exaltada a partir do catolicismo e reiterada pelo romantismo (Badinter, 2011), parece que também são reforçadas na revista pelo discurso das práticas corporais alternativas.

Destacamos na próxima seção o segundo movimento.

Mãe forte, Firme, Resistente, Preparada

As imagens do próximo quadro são do segundo movimento, de 1980 a 1990. São imagens mais ligadas ao mundo fitness (preparação, aptidão, boa forma): gestantes caminhando, em corridas e jogos, dentro da piscina, ligadas a aparelhos e/ou a máquinas, nas práticas da musculação, em trabalho de potência muscular, ginástica localizada, peso e halteres.

Figura 2  Gestantes ligadas ao mundo fitness 

É possível afirmar que aqui já há uma clara celebração da flexibilidade e da mobilidade dos corpos. Não há lugar para inatividade. Entre padrões diferentes, encontra-se o convite à busca do exercício físico aeróbico como nova política de verdade científica (Foucault, 2000). O modo de andar rápido, a velocidade, a autodisciplina, a arquitetura do corpo com roupa esportiva, ajudam a determinar a conformação de potência muscular dos corpos grávidos e ainda a dar um ar de jovialidade e mobilidade. Vigarello (2008) faz uma leitura da mobilidade associada à velocidade e suas consequências nos modos de experimentação, que atingem, inclusive, os corpos grávidos nas formas de viver a gravidez, de maneira mais ágil, móvel, flexível, menos fixada em comportamentos e valores.

Como nos ensina Corbin (2008), parece que as imagens das práticas corporais visam a aumentar o rendimento físico. As máquinas obrigam as forças naturais dos corpos a agirem segundo movimentos determinados e, com astúcia, submetem, pouco a pouco, os corpos a forças ainda mais poderosas, aparecendo aí uma capacidade de retorção do mais forte sobre o mais fraco.

O resultado desse novo interesse em imprimir mais potência nos corpos é o ressurgimento das infinitas e renovadas ginásticas educativas ou corretivas, fundadas, como afirmam Corbin (2008) e Soares (2004), em séries de exercícios fragmentados. As imagens trazem gestos implícitos, com o tempo rápido, acelerado e mais individualizado dos movimentos, incluindo a busca da produtividade individual, fruto de quantidade e intensidade de práticas.

Aumentar o domínio de si representa a produção identitária de mulheres gestantes disciplinadas e controladas, ligadas paralelamente a um processo de programação racional e meticulosa dos corpos, não por adestramentos violentos nas formas de conduzir o governo de si de seus corpos, mas pela reorganização do mundo da disciplina, dos deveres individuais e da microfísica, como destaca Foucault (2004).

Parece que, nesse contexto, de 1980 a 1990, as práticas esportivas para as gestantes dizem respeito a uma vitória em uma prova - o parto - ao atingir-se o rendimento máximo no que se refere ao desempenho nesse acontecimento. Parece que elas unificam de modo particular, um conjunto de marcas corporais, tais como preparação, resistência, determinação, força e busca de superação dos limites corporais. A ampliação do dever de cuidar de si (mais para si e por si) e de dispor do próprio corpo e o fortalecimento dos deveres para consigo observam-se, de forma típica, nesse movimento, recente fenômeno da mãe preparada para a gravidez e o trabalho de parto. Normalmente, espera-se que as mulheres gestantes estejam preparadas e permaneçam controladas e que, de preferência, se comportem bem em todas as situações, inclusive no parto. Para Badinter (2011), o investimento das últimas três décadas do século XX foi um pouco esse de converter a mulher num ser forte e resistente, com certo coroamento identitário da supermulher: uma mulher que se prepara para todos os momentos.

É interessante destacar que, ao mesmo tempo em que o parto na Pais & Filhos é representado como um fenômeno da natureza, também é descrito como um dos fenômenos controlados pelo domínio das ciências e pelas próprias gestantes. Como se observa no seguinte excerto:

Aulas de preparo para o parto são absolutamente necessárias a todas as gestantes, durante o longo período de 9 meses em que a mulher 'prepara' outra pessoa (Pais & Filhos, 1984, p. 27).

Entendemos que chegamos a uma época de mudanças do status da preparação do corpo, em que a preparação do corpo grávido ganhou uma amplitude inédita. Chega-se a ponto de acreditar que a gestante que grita durante o trabalho de parto e/ou faz cesariana sente que não deveria agir assim, que se descontrolou e/ou não se preparou. A ocorrência de qualquer complicação no decorrer da gravidez e/ou no trabalho de parto ou no próprio parto, a partir da década de 1980, no contexto da Pais & Filhos e na cultura ocidental, passa a ser concebida, de modo geral, como falha (culpa) da própria gestante, decorrente da falta de controle do seu corpo e da falta de preparação. Essas falhas, em outras épocas, eram atribuídas ao destino, à parteira, ao/à obstetra e/ou ao desenvolvimento limitado da ciência e da tecnologia.

De 1980 a 1990, há uma ideia que circula nas imagens da revista que enunciam na direção de destacar a representação identitária de mulher forte, que demonstra força, firmeza e eficiência. As posições identitárias da mulher-mãe-forte são vistas nas projeções dessas imagens de mulheres em trabalho corporal, com corpos exageradamente fortes, firmes, resistentes. Através dos apelos ao autocontrole "[...] o corpo torna-se o lugar da moral e a matriz da identidade pessoal" (Ortega, 2008, p. 40). Na nossa análise os enunciados da produzidos pela Pais & Filhos destacam que cuidar do corpo grávido implica colocá-lo em movimento, vinculando-se assim a ideia de que o exercício físico é fundamental para a saúde das crianças e, para as gestantes. E ainda as gestantes que adquirem rigor físico a revista nomeia como mãe preparada. Para Soares (2004), as imagens esportivas jogam com certa concepção do esportista forte e preparado (treinado). O esportista "[...] é quase sempre movido pela ideia de ir mais longe, ser mais veloz, fazer a ultrapassagem dos limites das próprias forças, de regular os esforços [...], de superação de si mesmo" (Soares, 2004, p. 52). Parece que o estímulo à adoção das práticas esportivas dado pela Pais & Filhos a partir de 1980 culmina em 1990, com a adesão das mulheres à cultura da superação de limites, despertando seus desejos de vitória em diversos âmbitos da vida, inclusive na gestação.

Mãe Sensual, Limpa, sem Mancha

Figura 3  Corpos puros e limpos 

É no terceiro movimento, de 1990 a 2004, que encontramos uma hibridização, uma combinação inédita de muitas e diferentes práticas corporais e esportivas nas páginas da Pais & Filhos. Como se observa no quadro acima, a gestante aparece na malhação, pedalando a bicicleta, fazendo ioga e pilates, talvez na direção de apaziguar a responsabilidade de gestar outra vida, num contexto que exige dela (sobretudo de seu corpo), somente dela, a produção de um corpo puro e limpo, sem manchas aparente e com uma saúde perfeita. No cerne desse terceiro movimento, encontram-se discursos que corroboram que as práticas corporais e esportivas reestruturadas, apresentadas às gestantes como técnicas de sedução, novidade (pela lógica da moda), humor, entretenimento, erotismo, promessa de maior bem-estar.

Entretanto, os enunciados, depois da década de 1990 na revista, demonstram que a mãe deve estar rodeada por uma série exercícios que estimulam as gestantes a dançar, pedalar, caminhar na esteira, a depositar certa confiança na ideia da prevenção, buscando alguma referência - de prevenção dos seus próprios corpos. Para Bauman (2001), essa representação de prevenção ensina que são as gestantes, em sua trajetória individual de cuidados, que "ajudam o mundo em seu percurso, trazendo 'carne' saudável, limpa, perfeita" (Bauman, 2001, p. 72). Todo esse empreendimento é feito, talvez, para a grávida deixar o corpo mais apto e para encaixar os corpos que porventura estejam fora do lugar, como destaca Bauman (2001). O que significa estar fora do lugar? Pelo que a revista ensina, é ser gorda, ter celulite, ser flácida e sedentária.

As práticas corporais, a partir da década de 1990, adquirem um grande impulso como práticas de prevenção e de promoção da saúde, e também como práticas de modelagem estética dos corpos grávidos. A seguinte chamada ilustra um pouco essa questão: O que uma mulher vive na gravidez não deve ficar em seu corpo. Deve ficar apenas em sua memória. Os corpos grávidos são admirados, desde que não exibam as marcas da sua função: pele escurecida, manchada e/ou com estrias, aumento de peso, falta de tônus muscular - nesse caso, tornam-se objetos de repulsa.

Outro exemplo: na revista, a celulite e a gordura aparecem como inimigas das gestantes, e as atividades físicas surgem aí como uma forma de limpar a pele e de deixar o corpo grávido limpo, compacto e firme, sem excessos de gordura e, de preferência, sem marcas de consequências do estado de gravidez. Para Courtine (1995), há uma tendência, neste tempo histórico, ao amor pelo corpo liso, polido, e a uma cultura visual do músculo.

Dessa forma, a memória do processo da gravidez marcada nas dobras da pele converte-se em doença (Wolf, 1996). Perguntamos: será que não acontece nada de político aí? Parece-nos que essas exigências para eliminar as marcas dizem muito, não de doença, mas da saúde moral e estética de uma época (?!). As gestantes são convidadas a construir suas saúdes e, por consequência, as dos seus fetos, a conservar as suas formas, a modelar sua aparência, a apagar as marcas da gravidez. Sibilia (2004) diz tratar-se de uma clara transição para as intervenções de uma vontade fáustica de limpar, corrigir, criar, ultrapassar de deletar toda e qualquer impureza, inclusive as da pele.

Na composição desse terceiro movimento cabe viver a maternidade associada à busca da carreira, da beleza, do sucesso, do exercício da sexualidade. Folhear a Pais & Filhos dos anos 90 é deparar-se com gestantes que, além de bem-sucedidas e belas, são inteligentes, elegantes, empenhadas em suas carreiras. A revista configura a imagem de uma mulher realizada na maternidade sem que deixe de se empenhar na carreira - a imagem de uma gestante serena, divertida, bem cuidada, sem marcas e aborrecimentos da gravidez. Associa-se o decurso da gravidez (as formas que o corpo vai tomando) ao mito de um eternamente belo.

Longe de Concluir: identidades em trânsito

Entre o dito e o não dito das imagens, as teias da captura e da leitura vão se multiplicando e nos possibilitam pensar o quanto as identidades são construídas no entrelaçamento da relação de poder-saber das práticas corporais e esportivas. As estratégias de governamento propagadas pelas imagens na revista e enfatizadas, por exemplo, pelo discurso das práticas corporais parecem constituir-se como um dispositivo produtivo de governamentalidade neoliberal. As imagens, em especial aqui destacadas, apresentam como um recurso educativo de governamento de nossas condutas e que contribuem para uma ressignificação dos esportes e da condição de certas posições identitárias.

Entendemos que a revista, com suas imagens, produz posições identitárias, gera laços de inscrição do sujeito, captura as mulheres e conforma uma identidade que tenta ilusoriamente diz eu posso ser uma mãe esportiva - um lugar é dado, mesmo que um lugar deslizante, tensional, produzido.

A produção das identidades e a governamentalidade estão relacionadas entre si, produzindo-as. A governamentalidade age para "[...] guiar, afetar a conduta dos sujeitos de maneira que eles se tornem de um certo tipo" (Foucault, 2004, p. 28). Essa arte de governar consiste em fornecer uma forma de governo para cada um e para todos, uma forma que individualiza e normaliza a partir da máxima aqui destacada: Eu sou mãe esportiva.

As análises destacam diferentes posições identitárias, que denominamos como em trânsito - transformações da mãe cuidadosa (aquela que cuida e se cuida), carinhosa, flexível, preparada, atlética, participativa, resistente, forte e sensual. Nomeamos como certa economia identitária, que institui quais práticas e quais corpos interessa, na revista o flexível, preparado, carinhoso, atlético, resistente, forte. Referimos à noção de uma nova economia-moral das identidades (já no título do artigo) dos corpos grávidos, essa ideia inspirada nos pressupostos de Foucault (2008), que nos ensinou a pensar o quanto os sujeitos (no caso aqui as mulheres gestantes) são responsáveis pela produção de identidades normatizadas que, em um território atendem não só aos desígnios morais, mas, também, aos aparatos do mercado - aqui o editorial da revista Pais & Filhos - que governam, regulam a produção da gestante ativa rentável, que produz a sua saúde e a do feto. Para Gadelha (2009), quando falamos em uma economia, estamos nos referindo ao "[...] trabalho exercido pelos indivíduos como uma conduta econômica, e de tentar entender como essa conduta é praticada, racionalizada e calculada [...]" (Gadelha, 2009, p. 176).

Essa miscelânea de posições identitárias - flexível, preparada, carinhosa, atlético, resistente, forte - retrata as transformações e as singularidades das épocas. Bauman (2001) adverte que "as batalhas por identidade travadas, na realidade, realizam a sua tarefa de identificação, dividem tanto quanto unem" (Bauman, 2001, p. 85). As identidades flutuam nos contextos socioculturais - algumas por nossa própria escolha, outras infladas e lançadas por um conjunto de artefatos. Stuart Hall (2003) assume a postura de que as identidades estão descentradas, deslocadas ou fragmentadas. Sua definição traduz-se em uma disputa regida por relações de poder-saber. Nesse sentido, a identidade tornou-se politizada, mudando de acordo com os contextos de representações e sendo caracterizada como um processo de ganhos e perdas.

As identidades coexistentes marcam a plasticidade dos corpos; diferentes tons e matizes enriquecem e dão vida, graça e movimento à história das mulheres em imagens diferentes e coloridas. As imagens atuam com um significativo lugar de memória identitária. As imagens conduzem nossos olhares, portam em si o peso e a leveza da vida.

As imagens da revista Pais & Filhos caminham na direção da busca de "novas formas identitárias de feminilidades, de novas concepções de viver a gravidez" (Rago, 2004, p. 34). A mulher grávida, nas posições identitária de esportiva, sedutora, erotizada, sensual, já passa a invadir o imaginário coletivo das imagens, adquirindo novos valores.

Falando do tempo presente (como começamos neste artigo), gostamos de pensar no que dizem Larrosa e Skliar (2001):

É o presente que nos é dado como incompreensível e, ao mesmo tempo, como aquilo que nos dá o que pensar. Por isso, ao nosso tempo não cabe um tom elegíaco, de perda e lamento, no qual ressoaria a perda do que fomos e já não somos; nem um tom épico, de luta e entusiasmo, no qual caberia a conquista do que seremos e, entretanto, não conseguimos ser; nem um tom clássico, de ordem e estabilidade, no qual caberia o repouso satisfeito de quem somos. O nosso não é o lamento nem a serenidade, mas o desconcerto. Por isso o nosso é, melhor dizendo, um tom caótico no qual o incompreensível de que somos se mostra disperso e confuso, desordenado, desafinado, em um murmúrio desconcertado e desconcertante, feito de dissonâncias, de fragmentos, de descontinuidades, de silêncios, de causalidades, de ruídos (Larrosa; Skliar, 2001, p. 8).

Esperamos que o movimento analítico aqui realizado possa ajudar a fissurar a concepção de que existe uma identidade feminina natural e terminal. As identidades são definidas historicamente, e não biologicamente, de tal modo que nossas identificações estão sendo continuamente deslocadas (Hall, 2003). Nosso investimento analítico neste artigo não se propõe como conclusivo e explicativo. Longe de concluir, ele busca, sim, a abertura ao diálogo, pretendendo ser uma contribuição ao debate.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 22 de Janeiro de 2014; Aceito: 28 de Novembro de 2014

Maria Simone Vione Schwengber é doutora em Educação pela UFRGS; professora do Programa de Pós-Graduação em Educação nas Ciências Mestrado e Doutorado; membro do Grupo de Pesquisas e Estudos de Gênero (GEERGE) e do Grupo de Pesquisa Paidotribas - Educação, Corpo e Cultura (UNIJUÍ). E-mail: simone@unijui.edu.br

Denise Raquel Rohr é mestre em Educação nas Ciências pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul; professora de Educação Física - Anos Finais - da rede pública municipal de Ijuí-RS. E-mail: deniseraquelrohr@yahoo.com.br

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