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Educação & Realidade

versão impressa ISSN 0100-3143versão On-line ISSN 2175-6236

Educ. Real. vol.42 no.4 Porto Alegre out./dez. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/2175-623664290 

SEÇÃO TEMÁTICA: NORBERT ELIAS E EDUCAÇÃO

Os Corpos de Elias: a concepção de corpo e educação a partir de três trabalhos de Norbert Elias

Ricardo de Figueiredo LucenaI 

IUniversidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa/PB - Brasil

Resumo:

As discussões sobre o corpo e a sua interconexão com a educação e a civilização fez transparecer a necessidade de explorar alguns elementos expostos por Elias, em três textos: Civilização dos Pais (2012); Sobre os Seres Humanos e em suas Emoções: um ensaio na perspectiva da sociologia dos processos (2009); e La Soledad de los Moribundos (1989). Daí a pergunta deste estudo: como tratar a relação entre corpo, educação e civilização a partir da perspectiva colocada por Elias? Os três trabalhos apresentam um nexo civilizatório que parte da infância até a velhice, em uma forma contínua e que se complementa. Não se deve tratar o corpo como um fenômeno isolado, mas como corpos que são construídos e complementados durante toda a vida do(s) indivíduo(s) - indivíduos inseridos numa sociedade.

Palavras-chave: Educação; Corpo; Civilização; Indivíduo e Sociedade

Introdução

A relação entre corpo, educação e civilização faz suscitar uma série de interrogações, melhor dizendo, de inquietações que podem trazer novos movimentos para pensarmos o homem. Afinal, a preocupação com a educação compõe, na história humana, um aspecto relevante de um projeto civilizador de qualquer sociedade. Por outro lado, a ideia de corpo, por sua atualidade e relevância, é mais uma expressão desse processo que, nas sociedades ocidentais, também se expressa por meio de um padrão de condutas específicas e na forma de manifestação de sentimentos que, cada vez mais, se deslocam de um controle exercido por terceiros e passa, por meio de vários aspectos, a ser autocontrolado.

Portanto, passar a discorrer sobre a questão do corpo e da educação pensando a partir do conceito de civilização cunhado por Norbert Elias, com o intuito de retirar elementos que nos permitam observar como educação e corpo são tratados na ideia que Elias desenvolve sobre os processos civilizadores, é uma ação necessária. Vale ressaltar que as temáticas corpo e educação, em seu sentido mais formal e pedagógico, não compunham o leque de preocupações centrais sobre as quais Elias discutiu ao longo de sua obra. Assim, no propósito geral que nos anima, pensar sobre a temática a partir da identificação de onde e como é possível reconhecer a ideia de educação e de corpo na teoria dos processos civilizadores é um elemento a ser perseguido neste estudo. Isso não significa que não percebamos outros focos que participam da observação de Elias nesses mesmos textos, mas apenas significa que a centralidade da análise em torno do corpo busca destacar a crescente preocupação no âmbito da educação com esse aspecto, que durante muitas décadas foi tratado como sendo um dado menor no espectro das preocupações pedagógicas2. Apesar dos densos trabalhos de Vygotsky e Merleau-Ponty que, de certa forma, inauguram os estudos sobre corpo na contemporaneidade e de estudos como os de Le Breton acerca da sociologia do corpo, que está mais próximo ainda do enfoque aqui perseguido. Considerando isso, cabe notar e destacar a ainda recente, mas significativa, abordagem sobre o corpo, feita por autoras como Carmem Soares e Petrucia Nóbrega, no Brasil.

No tocante à abordagem centrada nos estudos de Norbert Elias, que busco apresentar, questões mais gerais como o processo de individualização, a interdependência e outros, estão apenas anunciadas aqui, mas são cruciais para se entender a sociologia dos processos, nos moldes colocados por Elias. Por isso, não enfatizar esses conceitos não quer dizer que não estejam observados e considerados, mas apenas que, no âmbito de nossas discussões aqui, em parte, elas cedem lugar para a busca de uma compreensão e situação do corpo no foco da nossa análise.

É no sentido de um controle efetuado através de terceiras pessoas, convertido em vários aspectos, em autocontrole - fundamento da ideia de processo - que se marca aqui o direcionamento dado ao termo civilização. E, portanto, de um modo geral, civilização se pauta no equilíbrio da conduta humana e no controle das paixões e dos sentimentos provenientes da diferenciação e da interdependência funcional. Então, cabe perguntar: onde podemos perceber e destacar esses elementos de controle social e individual que nos permitem entender educação e corpo no processo de civilização experimentado no Ocidente?

Uma das passagens que expressa, mais apropriadamente, a questão do ser educado no processo analisado por Norbert Elias pode ser identificada no texto a seguir, o que nos permite também fazer algumas aproximações acerca da ideia de corpo. Nesse texto, muito do que é dito tem estreita relação com a questão do movimento e pode dar uma noção do que representam as formas de organizações que criamos e às quais nos submetemos. Diz Elias (1994a, p. 98):

O controle comportamental desta ou daquela espécie existe sem dúvida em todas as sociedades humanas. Mas aqui, em muitas sociedades ocidentais, há vários séculos que esse controle é particularmente intensivo, complexo e difundido; e o controle social está mais ligado do que nunca ao autocontrole do indivíduo. Nas crianças, os impulsos instintivos, emocionais e mentais, assim como os movimentos musculares e os comportamentos a que tudo isso as impele, ainda são completamente inseparáveis. Elas agem como sentem. Falam como pensam. À medida que vão crescendo, os impulsos elementares e espontâneos, de um lado, e a descarga motora - os atos e comportamentos decorrentes desses impulsos -, de outro, separam-se cada vez mais. Impulsos contrários, formados com base nas experiências individuais, interpõem-se entre eles. [...] Uma trama delicadamente tecida de controles, que abarca de modo bastante uniforme, não apenas algumas, mas todas as áreas da existência humana, é instalada nos jovens desta ou daquela forma, e às vezes de formas contrárias, como uma espécie de imunização, através do exemplo, das palavras e atos dos adultos. E o que era, a princípio, um ditame social acaba por tornar-se, principalmente por intermédio de pais e professores, uma segunda natureza do indivíduo, conforme suas experiências particulares.

Pensar nessas colocações feitas por Elias é refletir sobre o próprio processo de educação a que todos nós nos submetemos ao longo de nossas vidas. É perceber que,

[...] à medida que elas avançam mais e mais atividades que originalmente implicavam a pessoa inteira, com todos os seus membros, são concentradas apenas nos olhos, embora, é claro, esse tipo excessivo de restrição possa ser compensado por atividades como a dança, ou os esportes [...] (Elias, 1994a, p. 100).

Por isso, “[...] os prazeres do olhar e da audição tornam-se mais ricos, mais intensos, mais sutis e mais gerais. Os dos membros são cada vez mais confinados a algumas áreas da vida. Percebemos muito e nos movimentamos pouco” (Elias, 1994a, p. 100).

Feito esse preâmbulo, vale frisar que este ensaio tem por propósito aprofundar a reflexão sobre corpo e sua interconexão com a questão da educação e a ideia de civilização, em três textos escritos por Norbert Elias que tratam, respectivamente, da visão da criança ao longo do processo civilizador no ocidente; as emoções humanas e do envelhecimento e morte. São eles: A Civilização dos Pais (2012); Sobre os Seres Humanos e suas Emoções: um ensaio sob a perspectiva da sociologia dos processos (2009) e La Soledad de los Moribundos (1989). Daí vem a questão que anima este trabalho: como pode ser tratada a relação entre corpo, educação e civilização a partir da perspectiva colocada por Elias? Primeiramente, os textos apresentam três momentos distintos, mas complementares da relação entre educação e civilização, seguindo o caminho anunciado antes e, nesse sentido, são uma porta de entrada para se discutir sobre a ideia de corpo, considerando as questões colocadas pelo autor. Para tanto, é interessante notar mais uma passagem de A Sociedade dos Indivíduos (1994), onde Elias (1994a, p. 103) nos diz o seguinte:

Considerados como corpos, os indivíduos inseridos por toda vida em comunidades de parentesco estreitamente unidas foram e são tão separados entre si quanto os membros das sociedades nacionais complexas. O que emerge nestas últimas são o isolamento e a encapsulação dos indivíduos em suas relações uns com os outros (Elias, 1994a, p. 103).

Essa passagem foi a principal chave para se começar a entender a ideia de corpo que não esteja eminentemente relacionada a uma instância isolada ou a um fenômeno específico, como parece ser parte de muitas análises hoje em dia. Que considera o corpo como um dado que se constrói por si próprio e, por isso, possuidor de um estatuto próprio. Nesse sentido, pensar com3 Elias mostrou uma maneira, no mínimo, estranha de se pensar o corpo já como, ou somente como fruto de relações. A passagem acima sugere que assim foi no passado e se apresenta como uma chave para análise no presente. E é nesse caminho que venho tratando a questão: como fruto de relações, a ideia de corpo não é nem pode ser a mesma ao longo da vida de um indivíduo e no atual estágio de civilização, bem como no processo de formação de uma nação. Por isso é que os três trabalhos arrolados acima mostram um nexo civilizacional desde a infância até a velhice, num contínuo que se complementa. Sendo assim, não se deve tratar aqui do corpo como um fenômeno isolado, mas de corpos que se constroem e se complementam ao longo da vida de indivíduos inseridos numa sociedade.

É desse isolamento e encapsulamento que vamos tentar tratar o objeto desse ensaio. Talvez esse aspecto seja um dos problemas mais correntes no contexto da educação e que tem merecido pouco ou nenhuma atenção. Corpos isolados e encapsulados como parte de um controle geral dos afetos. Um controle cada vez mais expandido, de um lado e, de outro, cada vez mais inconscientes e como parte da vida de cada um.

Os corpos de Elias vêm daí: dos corpos que somos à proporção que crescemos e nos inserimos no mundo, porque,

[...] à medida que prossegue essa mudança social, as pessoas são mais e mais instadas a esconder umas das outras, ou até de si mesmas, as funções corporais ou as manifestações e desejos instintivos antes livremente expressos, ou que só eram refreados por medo das outras pessoas, de tal maneira que normalmente se tornam inconscientes deles (Elias, 1994a, p. 103).

Os corpos de Elias são civilizados pela presença de pais e professores, pela presença do outro, pela expressão de emoções e pelo tempo de uma vida que se depara com a presença da morte ou com o medo de morrer. Passemos então a tratar daquilo que denominamos como primeiro corpo.

O Primeiro Corpo

No sentido do processo elaborado por Elias, a civilização é um sendo e, por isso, nenhum ser humano nasce civilizado. E o entendimento do que isso vai ser ao longo de nossas vidas depende das nossas oportunidades e, mais do que isso, do grupo social que nos acolhe e nos faz participar da vida na relação com o mundo e com os outros. Portanto, ao nascer deparamo-nos, mesmo sem o saber, com um leque de expectativas que a sociedade e os familiares põem como desejos. A infância passa, então, a ser um espaço de projetos e desejos dos que nos antecederam e desafios para os que chegam. Mas, como “[...] o estado social do conhecimento acerca dos problemas da infância, ainda hoje, é bastante fragmentado” (Elias, 2012, p. 469), surge o primeiro obstáculo para o desenvolvimento do indivíduo.

Em A Civilização dos Pais (2012), Elias discorre sobre as relações de poder entre pais e filhos, a grande desproporção de poder entre eles, mas também faz algumas observações sobre a educação escolar e as transformações, no âmbito da família, e o controle de ações relativas ao seu corpo. Assim nos coloca a questão: como ajudar as crianças a viverem o seu processo civilizador individual por meio do qual cada um se transforma em adulto?

No mundo hodierno, o que significa ser criança? Descobrir as crianças, diz Elias, significa dar conta de sua relativa autonomia, pois não são simplesmente adultos pequenos. Elas “[Vão] se tornando adultos, individualmente, por meio de um processo civilizador que varia segundo o estado de desenvolvimento dos respectivos modelos sociais de civilização” (Elias, 2012, p. 469).

Um dos aspectos centrais desse contexto que Elias nos convida a entender está no fato de nos encontrarmos em um período de transição:

[...] no qual as relações entre pais e filhos mais antigas, estritamente autoritárias, e outras mais recentes, mais igualitárias, coexistem e ambas as formas, frequentemente, encontram-se misturadas dentro das mesmas famílias. A transição de uma relação pais-filhos mais autoritárias para uma mais igualitária gera, pois para ambos os grupos, uma série de problemas específicos e, em geral uma considerável insegurança (Elias, 2012, p. 471).

Mas, para bem entendermos esse fator, é preciso considerar que a barreira de sensibilidade dos homens antigos era muito distinta da atual, especialmente no que se refere ao emprego da violência física. Naquelas sociedades, os castigos e as medidas tomadas para disciplinar as crianças eram particularmente severas, e os pais da antiguidade estavam muito mais influenciados pelo que eles mesmos sentiam do que pela intenção de se colocar no lugar das crianças.

Nesse sentido, o conceito de individualização é para nós um caminho de explicação plausível para lidar com a questão da criança na relação com os pais e os familiares. Essa transformação civilizatória de cada indivíduo, que Elias chama de individualização, é a chave para pensarmos o variante de poder entre pais e filhos e o consequente modelamento dos desejos e das pulsões das crianças. Como consequência, podemos observar o que significou a crescente separação dos corpos entre os pais e os filhos e uma correlata separação e diversificação dos cômodos das residências. Portanto,

[...] a crescente sensibilidade, o avanço das barreiras de vergonha com respeito aos odore, em particular os do corpo, durante o curso do processo civilizador, mereciam uma investigação mais detida. A suscetibilidade da situação de ver uma pessoa nua diminuiu em nossos dias. Contudo, a suscetibilidade com respeito aos odores do corpo de outra pessoa vem crescendo. Só o fato de falar do tema suscita sensações penosas. Surgem, como consequência, produtos industriais que têm como função tapar ou refinar os odores do corpo. O mal-estar manifesto pelos adultos frente às crianças, que não podem regular o tempo nem o lugar para fazer suas necessidades naturais da mesma forma que os adultos, desempenha um papel nada insignificante na relação entre os pais e filhos (Elias, 2012, p. 480-481).

A criação dos cômodos nas residências, destinados a funções específicas, é mais um demonstrativo desse processo de autorregulação que atinge as pessoas no processo de individualização. Nesse sentido, Elias (2012, p. 482) nos diz que “[...] a domesticação das necessidades naturais que, nos estados industrializados mais desenvolvidos, chegou ao extremo do total isolamento dos indivíduos para realização de suas necessidades certamente representa uma faceta de um surto civilizatório muito mais amplo”. Por outro lado, essa forte restrição ao contato físico e esse isolamento dos pais podem ser uma espécie de preparação para o alto grau de individualização que hoje se espera dos adultos em nossa sociedade.

Outro aspecto nessa corrente é a emergência de quebras de tabus com o significativo ruir dos muros impostos entre os corpos. O contato corporal entre mães/pais e filhos e o brincar na forma de jogos esportivos dos pais jovens e seus filhos, que promovem contatos físicos diversos, fizeram surgir um surto de informalização4 que aponta para um declínio de muitos símbolos de autoridade e respeito que, no passado, confirmavam a dominação dos pais, e hoje, reforçam o efetivo gozo de mais liberdade de manifestações corporais por parte dos filhos.

O Segundo Corpo

O segundo corpo envolve Sobre os Seres Humanos e suas Emoções: um ensaio sob a perspectiva da sociologia dos processos (2009). Nele o compartilhamento entre o humano e o não humano se evidencia na análise, com destaque para a questão do engate entre um processo biológico de maturação e um processo social de aprendizagem. Essa relação funcional que, ao considerá-la como uma questão relacional, será possível conectar a natureza humana com a sociedade humana e essa com outros aspectos da forma natural, muitas vezes visto como um segundo mundo existindo de forma isolada. Para Elias, essa repartição na compreensão do ser humano é fruto de muita confusão e enganos na análise das emoções humanas e do aprender no humano. Ele denuncia que esse dualismo ou isolacionismo entre o mundo humano e a natureza ou não humana, não nos permite oferecer explicações plausíveis sobre a unificação funcional entre emoções humanas e aquelas das espécies não humanas, o que deixa uma lacuna no elo que conecta o natural com o que é considerado não natural. Um exemplo disso é que “[...] os sociólogos podem ver o corpo como um tema de interesse. Mas as práticas dominantes do ‘isolamento’ analítico fazem com que o corpo seja facilmente considerado um tópico da pesquisa sociológica separado dos outros tópicos talvez até, como o tema de uma determinada especialidade” (Elias, 2009, p. 21). Isso reforça o que viemos colocando como o cerne da questão do tratamento do corpo como objeto de análise nas próprias ciências humanas, especialmente, no contexto da educação.

Para desenvolver seu argumento, Elias aponta três hipóteses: a primeira delas é de que,

[...] como espécie, os seres humanos representam uma inovação inédita e que o equilíbrio de força entre as condutas adquiridas e inatas tomou um novo rumo. Pela primeira vez no processo evolutivo, os aspectos adquiridos do direcionamento do comportamento tornaram-se clara e inconfundivelmente superior em relação aos aspectos inatos (Elias, 2009, p. 26).

A segunda é: “Os seres humanos não apenas podem aprender mais que qualquer outra espécie, eles também devem aprender mais” (Elias, 2009, p. 26); e a terceira hipótese é de que “[...] nenhuma emoção de uma pessoa adulta é inteiramente inata, um modelo de reação geneticamente fixado. Como as linguagens, as emoções humanas resultam de uma fusão entre os processos inatos e adquiridos” (Elias, 2009, p. 35) e se constitui de três componentes: “[...] um somático, um comportamental e um componente de sentimento” (Elias, 2009, p. 37).

Na sequência da análise, é interessante observar o destaque que Elias dá à questão da face e do sorriso. Novamente, um componente corporal na análise das emoções e da civilização humana. Uma boa estratégia, segundo Elias,

[...] para abordar o problema das emoções humanas e, na verdade, o problema mais amplo das relações entre o ser humano e as demais espécies, é olhar com mais atenção para a face humana. [...] A face é um dos principais instrumentos para indicar os sentimentos com os quais os seres humanos são dotados por natureza, ou seja, como resultado do processo evolutivo já que, no curso dessa evolução, a face também se tornou um grande instrumento de comunicação (Elias, 2009, p. 40-41).

Nesse sentido, um sorriso na face, que também mistura aspectos inatos e adquiridos, quem sabe, diz Elias (2009, p. 43), “[...] possa ser considerado o registro de um processo evolutivo até agora inédito”. Aqui a análise apresenta para nós um desafio dos mais interessantes. Ao discutir sobre o sorriso da criança, Elias nos mostra o quanto esse componente denuncia ou anuncia as propriedades inatas e adquiridas das pessoas. Daí é possível constatar que, “[...] conforme os seres humanos envelhecem, a forma totalmente inata de um sorriso [de um bebê] é grandemente enfraquecida, tornando-se muito mais maleável e modificando-se através das experiências anteriormente vividas, assim como das imediatas” (Elias, 2009, p. 44). Mais uma vez apostando nessa balança de relações entre o biológico e o social, entre o inato e o adquirido, sob a ótica do sorriso, aponta que:

[...] o que é atualmente a forma de um sorriso infantil, um sorriso que é totalmente inato, com um modelo completamente rígido, espontâneo e estreitamente ligado a uma situação específica, é um vestígio recente de uma forma de sorrir, e, portanto, de uma forma de comunicação intraespécie que, em algum estágio anterior, foi uma forma comum de comunicação, não só de crianças como de adultos também. O sorriso inato do bebê, com seu inflexível e rígido automatismo, seu forte vínculo com situações específicas é estreitamente semelhante à forma de comunicação dominante em grupos de animais. Sua ‘delicadeza’ se assemelha ã transição do domínio do inato para o domínio adquirido do direcionamento de conduta (Elias, 2009, p. 45).

Dito isso, cabe concluir, com o autor, que os impulsos emocionais inatos estão relacionados à capacidade pessoal adquirida de autorregulação por um autocontrole que se expressa nos movimentos de cada pessoa e que é um fator de comunicabilidade cada vez mais presente nas formas de expressar. Nesse sentido, “[...] as emoções e os movimentos a elas relacionados têm uma função dentro do contexto de relacionamento entre pessoas e, num sentido mais vasto, entre uma pessoa e a natureza” (Elias, 2009, p. 46). Assim é que o terceiro corpo se anuncia, depois de todo um percurso civilizacional que marca a conduta dos homens, seus medos e desejos.

O Terceiro Corpo

La Soledad de los Moribundos (1989)5 é um livro instigante, porque trata de um tema presente na vida e cercado de mistério, a morte, e porque, nele, a teoria do processo civilizador trava um diálogo com um objeto específico na longa duração - a morte -, razão porque cria uma situação que nos faz quase apalpar, sentir com o tato, a forma de abordagem dos problemas que Elias anuncia em muitos dos seus trabalhos. Nesse sentido, consegue ser uma síntese de vários outros textos. É instigante, ainda, porque parece que Elias fala primeiro da morte como parte de um sentido da vida e, no final (apêndice), fala como que para si e de si, pois, em inúmeros momentos, usa a si mesmo como referência do que quer discutir. Um exemplo disso é o tópico denominado El Envejecimiento e Lamuerte: algunos problemas sociologicos (1989), em que Elias já inicia dizendo: “[...] uma experiência que tuveen mi juventud há cobrado una cierta significación para mi a hora que soy mas viejo” (Elias, 1989, p. 85).

Portanto, o texto procura apresentar de forma que possamos ter mais e melhores elementos para pensar sobre a obra de Norbert Elias, fazendo algumas aproximações com a análise que viemos traçando, ou seja, com a ideia de corpo como um processo que vai se construindo ao longo da vida do indivíduo. O primeiro elemento que Elias nos apresenta nesse texto não é diretamente sobre a teoria do processo civilizador, tampouco sobre a Sociologia Figuracional, mas sobre uma atitude que, com o auxílio dessas vias de interseção, podemos tomar diante do envelhecimento e da morte, qual seja: “Mirar de frente a lamuerte como a un dado de la própria existencia; acomodar nuestra vida, sobre tudo nuestro comportamiento para com otras pessonas, al limitado espacio de tiempo de que disponemos” (Elias, 1989, p. 7).

Isso porque a velhice trai - ou traz - tudo o que a sociedade moderna faz tanto por esconder ou deter - a solidão, os odores, o medo da morte, o corpo débil e dependente novamente do amparo, agora não dos mais velhos, mas dos mais jovens e dos especialistas. Há, na citação feita, vários aspectos que, ao longo do texto, são pontos sempre recorrentes. Enxergar a morte como um dado da própria existência significa vê-la com menos fantasias e menos tabus,

[...] dado que la explotación de los miedos y temores humanos há sido una de las principales fuentes de poder de unos hombres sobre otros hombres, estas fantasias han constituído una base para el desarrollo y el mantenimiento de gran profusión de sistemas de dominación (Elias, 1989, p. 47).

Esse aspecto fantasioso e envolto em uma crescente teia de tabus é um ponto caro para Elias ao longo da análise. Em A Sociedade dos Indivíduos (1994), ele também se reporta ao papel das fantasias como mantenedoras da supremacia de grupos (Mennell, 1994). Porém, aqui, importa mostrar que as fantasias sobre a imortalidade que, em épocas anteriores, eram predominantemente coletivas, hoje sofrem um processo de diferenciação, no sentido de predominar um caráter pessoal e comparativamente privado. Isso porque o medo individual da morte, da forma como hoje se nos apresenta, é acompanhado da ideia de que o velho é como um signo premonitório de nossa própria morte. Esse medo individual é também como o medo de um castigo imposto por um pai, um acerto de seus pecados. Vê-se aí toda a gênese explicativa dos primeiros passos do homem sob a ótica das grandes religiões do Ocidente. Para Elias, porém, muito se poderia aliviar da dor íntima de cada pessoa se pudesse suavizar ou anular as fantasias de culpas reprimidas.

Dessa forma é que a morte, assim como outros sentimentos e manifestações de natureza animal do ser humano, vai se escondendo, cada vez mais, por trás das cortinas da vida social. Aspecto, aliás, que Elias faz questão de frisar e que embasa todo o processo civilizador em curso, com uma previsibilidade crescente das questões da natureza e uma superior medida de previsão e controle das paixões como uma forma também de conformar os corpos.

A ameaça constante de um grupo humano a outro grupo humano tem sido um dos motivos das inúmeras transformações por que passam as nossas sociedades vistas em um longo prazo. Não é à toa que, num texto de apresentação da teoria de Elias, Steffen Mennell chame a atenção para o problema constante da violência como categoria relevante. Argumenta que Elias alerta para o engano de se considerar a função econômica como se fosse mais importante do que a do uso e do combate ao uso da violência (Elias, 1994b). Aliás, na obra de Elias, é fundamental o entendimento da análise feita e da relação constante com as mudanças no gradiente da pulsão agressiva. Nesse contexto, ele mesmo frisa que,

[...] como todos os demais instintos, ela [a agressividade] é condicionada, mesmo em ações visivelmente militares, pelo estado adiantado da divisão de funções, e pelo decorrente aumento na dependência dos indivíduos entre si e face ao aparato técnico (Elias, 1989, p. 12).

Há que se ressaltar que o controle dessa agressividade cria a possibilidade de haver uma empatia crescente entre seres humanos que comungam de ritos e ideias e reforçam seus laços de reciprocidade, porque “[...] as ideias e os ritos comuns unem os homens; as ideias e os ritos diferentes separam os grupos” (Elias, 1997)6 Na verdade, o que entra em cena é um processo de monopolização da força que permite que grupos cada vez mais extensos se vejam impelidos a conviver em crescente dependência mútua. Nesse contexto, muda a forma como veem as forças naturais extra-humanas e ascende, com um grau de exigência maior, a preocupação com o controle sobre as relações entre as pessoas e entre os grupos. Esse monopólio da violência permite a formação de centros mais estáveis de violência física e uma pacificação interna que possibilita o desenrolar e a diferenciação da vida social (Elias, 1989).

Esse sentido de mudança faz com que questões como a morte, por exemplo, ainda tão carregadas de explicações fantasiosas - mas muito mais em épocas pretéritas - sofram uma mudança característica nesses últimos quatrocentos ou quinhentos anos, se compararmos com a Idade Média, argumenta Elias, quando se falava com mais frequência e mais abertamente sobre a morte e o morrer, quando o sentimento de culpa e o medo do castigo após a morte eram doutrina oficial. Nos dias atuais, as fantasias são, crescentemente, de caráter pessoal e privado, e a forma de se tratarem os velhos, os cadáveres e as sepulturas tem passado das mãos dos familiares para a de especialistas.

Esse distanciamento tem criado nos indivíduos uma tendência a estarem na defensiva e uma forma de embaraço quando se deparam com os moribundos e a morte. Para Elias, não temos criado meios efetivos de lidar, de forma aberta e franca, com as questões que a velhice e a morte nos apresentam. Como não criamos formas de identidade ou de comportamentos sociais correspondentes às situações críticas que acarretam a desestabilização do autocontrole, como a morte, parece que o embaraço crescente diante dela favorece o isolamento precoce dos moribundos. As rotinas institucionalizadas dos hospitais configuram, socialmente, a situação do final da vida.

O alto grau de individualização é outro aspecto importante nesse contexto, pois é preciso considerar que:

La peculiaridad de la forma de morir y también de la idea de La muerte em las sociedades más desarrolladas no puede entenderse cabalmente sin tener em cuenta el poderoso impulso individualizado que se inicia em El Renascimiento y que, com muchas oscilaciones, se prolonga hasta nuestros días (Elias, 1994a, p. 109)7.

Novamente, essa individualização, como processo, leva à construção de relações que primam por um controle geral dos afetos, à negação e à transformação dos instintos. Dito de outra maneira, o que pode ser visto, de um lado, como o chamado processo de individualização crescente, de outro, é concebido como um processo de civilização. E toda sociedade que ruma no sentido de um nível elevado de individualização possibilita o surgimento de formas específicas de realização e de insatisfação. “Chances específicas de felicidade e contentamento para os indivíduos e formas específicas de infelicidade e incômodo que não são menos próprias de cada sociedade” (Elias, 1989, p. 66)8. Não é à toa que a sensação de se sentir só e, efetivamente, estar só é uma característica própria dos indivíduos que vivem nas sociedades diferenciadas de hoje. Esse elevado grau de independência pessoal, essa solidão peculiar desse tipo de sociedade se apresenta como um fator necessário para a sua manutenção. Em contrapartida, apresenta falhas em aspectos que se constituem como pontos débeis dessas sociedades. O isolamento e a solidão dos que ainda não morreram e a própria ideia da morte são apenas uma delas.

Na verdade, o que, num contexto mais abrangente, define esse processo de individualização é uma direção específica do processo de diferenciação social, a progressiva divisão de funções e o crescimento de cadeias de interdependência por meio dos quais os impulsos e as ações dos indivíduos se interligam. Que tornam cada indivíduo mais só, mas ao mesmo tempo potencialmente inter-relacionado.

Assim, acompanhando esse desenvolvimento, ao mesmo tempo em que há uma crescente preocupação com a velhice, há um crescente número de instituições que cuidam dos velhos de forma mais isolada e distante do círculo familiar. Então se, na vida social, em estágios anteriores, as pessoas não tinham oportunidade, necessidade nem capacidade de ficarem a sós, hoje essas longas cadeias de ação e a crescente divisão de funções abrem o caminho para uma individualização característica que, de certa forma, impele os indivíduos a se verem diferenciados dos demais. E, embora comunguem de certos aspectos da vida social, sentem como um abismo entre sua parte interna e a sociedade externa (Elias, 1989).

Por fim, vale a pena apontar, ainda, um tema que o autor traça ao lado da individualização e é pontual para se entender o envelhecimento e a morte hoje. Para ele, trata-se da ideia de sentido e significado da vida, para aqueles que estão prestes a morrer e para os que se deparam com pessoas nessa situação. Talvez, por isso, “La plenitud de sentido del individuo está em la más estrecha relación com el significado que, en el curso de su vida, há alcanzado para los demás, bien por su persona, por su comportamiento o por su trabajo” (Elias, 1989, p. 83-84). Este é um dos aspectos mais incômodos e desejados para a vida dos indivíduos nas sociedades hodiernas: a busca de um sentido para a vida!

Por essa razão é que uma pessoa se sente verdadeiramente só quando percebe que, ainda estando viva, não significa mais nada para os que a rodeiam. Então, não há dúvida de que a tendência ao isolamento, nas sociedades diversificadas de hoje, da forma como nos referimos antes, faz parte da personalidade dos indivíduos, em particular, dos velhos e dos moribundos.

Para concluir, cabe observar que, quando Elias fala que nenhuma emoção humana é inteiramente inata, um modelo genético previamente fixado, está nos alertando para o fato de que as características humanas são o resultado de um processo de autorregulação colocado pela vida coletiva e que aponta constantemente para a percepção de si. A tomada de consciência sobre o que nos é dado conhecer permite ao homem identificar-se (ou não) com os outros homens, com o meio e com ele mesmo como indivíduo.

O foco que buscamos dar ao tema se justifica porque entendemos que é preciso pensar o corpo em relação à educação, considerando a ideia de processo, e o fato de não ser adequado o tratamento mais comum do tema, em que se isola o corpo, de forma a considerá-lo como parte unicamente de um mundo humano, e se esquece do engate - o processo que conecta a natureza humana com a sociedade humana - que é necessário para se entender o fenômeno no contexto das inter-relações, ou, dito de outra forma, no contexto dos processos de civilização. Os corpos de Elias se unificam na ideia de processo, quando estes se fazem constituir pelo entrelaçamento das relações formadas entre o homem e a natureza não humana. O corpo, como um contínuo que se constrói na interdependência constante do homem com a natureza, do homem com os outros homens, num processo que se renova e possibilita pensarmos na diversidade característica do ser humano.

Para a educação o desafio da imagem do homem como um ser estático, um adulto que nunca foi criança; da criança que não carece de outros para poder ser e a omissão de processos em que cada pessoa está verdadeiramente engajada, parecem ser fatores que bloqueiam a discussão e impedem ver o tema como um elo possível para superarmos uma visão dissociada entre homem e natureza e uma visão isolada onde se considera a si mesmo como seres separados dos outros por muros bem sólidos. Nesse sentido, e buscando outras explicações, faz-se urgente pensar esse eu que se duplica ou esse duplo eu que se unifica no complexo entrelaçamento da natureza humana e da sociedade humana. Ademais, nunca é tarde para se aprender que “[...] as relações sempre estão mudando, e o desafio se impõe toda vez, de novo e de novo. Para os indivíduos, a necessidade de trabalhar conscientemente em suas relações mútuas nunca acaba” (Elias, 2012, p. 493).

Referências

ELIAS, Norbert. La Soledad de los Moribundos. México: FCE, 1989. [ Links ]

ELIAS, Norbert. A Sociedade dos Indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994a. [ Links ]

ELIAS, Norbert. O Processo Civilizador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar , 1994b. [ Links ]

ELIAS, Norbert. Os Alemães. Rio de Janeiro: Jorge Zahar , 1997. [ Links ]

ELIAS, Norbert. Sobre os Seres Humanos e suas Emoções: um ensaio sob a perspectiva da sociologia dos processos. In: GEBARA, Ademir; WOUTERS, Cas. O Controle das Emoções. João Pessoa: Editora da UFPB, 2009. P. 19-46. [ Links ]

ELIAS, Norbert. A Civilização dos Pais. Revista Sociedade e Estado, Brasília, v. 27, n. 3, p. 469-493, set./dez. 2012. [ Links ]

MENNELL, Steffen. A Globalização da Sociedade Humana como Processo Social a muito Longo Prazo: teoria de Elias. In: FEATHERSTONE, Mike (Coord.). Cultura Global. Petrópolis: Vozes, 1994. P. 381-394. [ Links ]

WOUTERS, Cas. Sobre la Sociogénesis de uma Tercera Naturalez em la Civilización de las Emociones. In: WEILER, Vera (Org.). Figuraciones en Proceso. Bogotá: Universidad Nacional de Colombia, 1998. P. 194-226. [ Links ]

1O sociólogo alemão Norbert Elias nasceu em Breslau em 1897 e morreu em Amsterdã em 1990. É o autor de obras como O Processo Civilizador, v. I e II e a Sociedade de Corte. O caráter multidisciplinar de seus estudos tem feito dele um autor cada vez mais aceito em áreas para além da sociologia e das Ciências Sociais. Pela sua abordagem processual sobre a relação entre indivíduo e sociedade, tem sido alvo de crescente interesse nos estudos relativos à educação.

2Essa afirmação vem apoiada na minha experiência docente na Educação Física Escolar e, recentemente, nos cursos ministrados na pedagogia e na pós-graduação em Educação. Lá, na educação física, uma discussão mais densa sobre o tema vai surgir apenas ao longo da década de 1990 e aqui, na pedagogia, a temática ainda é objeto de pouca leitura e discussão.

3O uso do termo com se dá, pois há um desejo do autor de enfatizar a forma diferente de Elias construir seu método de trabalho. Por isso é pensar com ele, porque é a partir do método que ele constrói.

4Sobre essa questão da Informalização sugiro a leitura do texto de Cas Wouters (1998). Numa passagem Wouters nos diz que “Cuando las líneas divisórias de lo social y lo psíquico están abiertas y los grupos sociales así como las funciones psíquicas están siendo integradas en las redes de interdependência em expansión, se abre paso la fase de informalización em el proceso de la civilización. Esta fase se caracteriza por la emancipación de las emociones y los impulsos que hasta ahora habián sido reprimidos, dando como resultado uma autorregulación más reflexiva y civilizada” (Wouters, 1998, p. 204).

5Além desse tópico, ver passagens nas páginas 85, 87 e 105.

6A esse respeito, ver o texto Civilização e violência, em Os alemães, p. 161-266, e uma passagem de A sociedade dos indivíduos, em que, ao tratar da questão da violência, Elias chega a dizer: “Aquilo a que nos referimos como a esfera ‘econômica’ das interconexões – a esfera que hoje é frequentemente considerada, generalizando-se a partir da estrutura da fase inicial da industrialização, como uma esfera isolada da história e como sua única força propulsora, como o motor que aciona todas as outras esferas na condição de ‘superestrutura’ - depende do monopólio da violência e só se torna possível com a crescente diferenciação da sociedade, ao se formarem centros mais estáveis de violência física e pacificação interna que permitem a emergência da economia como esfera distinta na vasta trama das ações humanas” (Elias, 1994a, p. 42 e seq.), sobre a questão do mecanismo monopolista, consultar O Processo Civilizador, v. 2 (1994b, p. 97 e seq.).

7Ver aí o item A Individualização no Processo Social, p. 102-125.

8Nessa parte, Elias fala também do que ele denomina de homo clausus, como fruto de uma tradição filosófica que trata o indivíduo como uma nômoda isolada.

Recebido: 25 de Abril de 2016; Aceito: 12 de Maio de 2017

Ricardo de Figueiredo Lucena é doutor em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professor Associado IV do Centro de Educação, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e professor do Programa de Pós-graduação em Educação/UFPB; líder do grupo de pesquisa sobre Memória do Esporte e da Educação Física no Nordeste do Brasil/CNPq. Autor de O esporte na Cidade (2001); Organizador de Temas contemporâneos em Educação (2009) e Esportes no Nordeste: um mosaico sócio histórico (2011). E-mail: cacolucena@gmail.com

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