SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.42 número4Statistical Literacy in Teachers from Distinct Training LevelsA Propósito de uma Estética Formativa Mediante um Conceito-Paisagem índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Educação & Realidade

versão impressa ISSN 0100-3143versão On-line ISSN 2175-6236

Educ. Real. vol.42 no.4 Porto Alegre out./dez. 2017  Epub 07-Ago-2017

http://dx.doi.org/10.1590/2175-623662640 

Outros Temas

Pesquisas em Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil

Studies on Augmentative and Alternative Communication in Early Childhood Education

Munique MassaroI 

Débora DeliberatoI 

IUniversidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), São Paulo/SP - Brasil

Resumo:

O objetivo deste estudo foi mapear a produção de conhecimento acerca da Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil indexada em Bases de Dados Científicos de 1980 a julho de 2015 e nos Anais do Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa. Foram encontrados 80 trabalhos nacionais e internacionais a respeito da temática. O tema é recente no panorama brasileiro. As pesquisas internacionais focalizaram o desenvolvimento da linguagem e aspectos comunicativos das crianças com deficiência e pesquisadores brasileiros se propuseram a dar suporte em escolas com adaptações de atividades e estratégias pedagógicas por meio da comunicação suplementar e alternativa.

Palavras-chave: Educação Especial; Educação Infantil; Sistemas de Comunicação Alternativos e Suplementares

Abstract:

The aim of this study was to map the production of knowledge on Augmentative and Alternative Communication in Early Childhood Education indexed in scientific databases from 1980 to July 2015, and conference proceedings of the Brazilian Society for Augmentative and Alternative Communication. Eighty studies conducted both nationally and abroad, were found regarding the theme which is recent in the Brazilian panorama. Studies abroad focus on the development of language and communicative aspects of children with disabilities, while in Brazil the research intends to provide school support with activities and teaching strategies adapted through augmentative and alternative communication.

Keywords: Special Education; Early Childhood Education; Alternative and Augmentative Communication.

Introdução

A Comunicação Suplementar e Alternativa é uma área de conhecimento que abrange as questões do campo da Linguagem e da Tecnologia Assistiva. De acordo com a American Speech-Language-Hearing Association (1989), a área da Comunicação Suplementar e Alternativa é definida como:

Uma área de prática clínica que procura compensar, de modo temporário ou permanente, padrões de incapacidade ou de perturbação exibidos por pessoas com severos distúrbios de comunicação expressiva, da fala ou da escrita. Seu objetivo primário é facilitar a participação das pessoas nos vários contextos comunicativos. Tais contextos dependem das circunstâncias em que a pessoa vive, bem como do tipo e grau de distúrbio de comunicação que ela apresenta (American speech-language-hearing association, 1989, p. 07).

Os sistemas de comunicação suplementar e alternativa destinam-se a complementar, potencializar e ou substituir a fala ou a escrita de pessoas com deficiência e necessidades complexas de comunicação, ampliando as possibilidades de desenvolvimento da recepção, compreensão e expressão da linguagem destas (Asha, 1989; von Tetzchner, 2009).

Historicamente, os estudos a respeito da comunicação suplementar e alternativa começaram a ser desenvolvidos no Canadá e Estados Unidos, no início da década de setenta, com o intuito de possibilitar as expressões de crianças com lesões cerebrais, anartrias e problemas motores (Gava, 1999).

Internacionalmente, Comunicação Suplementar e Alternativa denomina-se Augmentative and Alternative Communication (AAC) e o termo foi estabelecido nos Estados Unidos, em 1983, com a constituição da International Society Augmentative and Alternative Communication (ISAAC) (Gava, 1999).

Já no Brasil, os sistemas de comunicação suplementar e alternativa foram introduzidos no final dos anos setenta. No entanto, no campo da pesquisa, a área foi iniciada na década de noventa, na Universidade Estadual de Campinas e na Universidade de São Paulo (Nunes, 2003).

A disseminação do conhecimento da área da Comunicação Suplementar e Alternativa pode ser visualizada a partir das ações da International Society for Augmentative and Alternative Communication (ISAAC) criada em 1983 e da Associação dos Membros Brasileiros da International Society for Augmentative and Alternative Communication (ISAAC-BRASIL) fundada em 2005. Ambas as instituições realizam eventos científicos com o objetivo de acompanhar os avanços e tendências da ciência e da tecnologia na área, além de valorizar e articular saberes científicos e práticas. Os eventos congregam profissionais de diversas áreas, como: Saúde, Educação, Arte, Linguagem, Informática, Engenharia, entre outras. Em 2015, foi realizada a sexta edição do evento brasileiro e em 2014, ocorreu a décima sexta edição do evento internacional organizado pela a associação internacional.

Na literatura nacional e internacional a respeito da comunicação suplementar e alternativa identifica-se estudos bibliométricos que analisam as produções bibliográficas da área. Essas pesquisas possibilitam a construção de indicadores a respeito da dinâmica e evolução das informações científicas e o caminho da construção de novos conhecimentos quer no campo da linguagem ou no campo dos recursos e da tecnologia.

Cesa e Mota (2015) realizaram um estudo cujo objetivo foi investigar as áreas de conhecimento que pesquisam a Comunicação Suplementar e Alternativa e as temáticas vigentes nos últimos cinco anos em periódicos brasileiros. As autoras fizeram uma revisão de literatura no portal da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Elas pesquisaram nas bases de referência da Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), da Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), da Biblioteca Cochrane - registros de ensaios clínicos controlados (CENTRAL), nos registros da metodologia Cochrane (CMR), nas revisões sistemáticas Cochrane (CDSR), na Scientific Eletronic Library Online (SciELO), no Banco de Dados de Enfermagem (BDENF) e no Índice Bibliográfico Espanhol de Ciências da Saúde (IBECS). Os descritores utilizados na busca foram comunicação aumentativa alternativa, comunicação alternativa, comunicação suplementar alternativa, comunicação ampliada e suas combinações, no período compreendido entre 02 de setembro de 2013 e 02 de outubro de 2013. O estudo identificou 17 publicações, sendo onze trabalhos na área da Fonoaudiologia, dois em Fisioterapia, um em Terapia Ocupacional, um em Psicologia e dois na área da Educação. As autoras ainda identificaram que entre as 17 pesquisas, cinco foram trabalhos de revisões de literatura. Cesa e Mota (2015) discutiram no seu trabalho que os temas identificados nos estudos publicados estavam direcionados ao adulto, ao idoso e em relação à família das pessoas com necessidades complexas de comunicação. Neste contexto de discussão, as autoras não identificaram estudos a respeito da Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil ou a respeito do uso da Comunicação Suplementar e Alternativa com crianças pequenas em idade de creche e pré-escolar.

Em outro estudo, Moreschi, Bello e Hayashi (2013) verificaram como o tema da Comunicação Suplementar e Alternativa estava representado nos registros de textos completos disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) de 1981 a 2008. Para a realização da pesquisa, foi utilizado o descritor Auxiliares de Comunicação para Deficientes. Entre os 1648 estudos identificados, os autores selecionaram 24 trabalhos para análise, devido à disponibilidade dos textos em formato completo e em razão do tema dos artigos estarem de acordo com o objetivo da busca. Os resultados indicaram que o maior número de estudos foi publicado no ano de 1995, com seis pesquisas, seguido dos anos de 2007 e 2008 com quatro pesquisas em cada ano. A maioria dos artigos sobre a temática da comunicação suplementar e alternativa foi realizada nos Estados Unidos, com 16 pesquisas, tendo destaque o Journal of Applied Behavior Analysis, seguido do Reino Unido com três pesquisas e o Brasil com duas pesquisas. Os autores dos trabalhos estavam vinculados à 24 instituições diferentes. As autoras discutiram a prevalência dos estudos internacionais em relação aos estudos identificados no Brasil e o avanço nas pesquisas norte-americanas. Além disso, foi discutido também que, embora tenham sido identificados registros de artigos desde a década de 1980, foi na década de 2000 que houve um aumento significativo da produção científica na área da Comunicação Suplementar e Alternativa em todo o mundo. A partir desse estudo, foi possível identificar apenas um artigo que pode ter abordado a respeito da Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil. Entretanto, não há informações suficientes para se obter alguma conclusão. O objetivo desse artigo mencionado era discutir sobre o desenvolvimento de linguagem alternativa em crianças a partir de práticas inclusivas, no entanto, não há menção se essas práticas inclusivas se referiam à Educação Infantil.

Pesquisa com a temática da comunicação suplementar e alternativa em periódicos internacionais também foi evidenciado na literatura da área. Cesa, Ramos-Souza e Kessler (2010) realizaram uma pesquisa cujo objetivo foi indicar diretrizes de intervenção e pesquisas a respeito da Comunicação Suplementar e Alternativa, a partir da identificação e síntese descritiva de artigos publicados em periódicos indexados em bases de dados eletrônicas internacionais, no período entre 1997 e 2008. As autoras realizaram uma revisão de literatura no portal da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), na base de dados da Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), na Scientific Eletronic Library Online (SciELO), na Biblioteca Cochrane e no portal da American Speech-Language-Hearing Association (ASHA). As palavras-chave utilizadas para a busca foram: cerebral palsy, augmentative alternative communication, language therapy e intervention. As autoras identificaram 319 artigos e estabeleceram os seguintes critérios de seleção para análise:

a) princípios da seleção da comunicação suplementar e alternativa: design e acessibilidade e, b) princípios relacionados às estratégias terapêuticas: introdução, manutenção e generalização da comunicação suplementar e alternativa. Perante estes critérios, as autoras analisaram 26 artigos. Os resultados da literatura a respeito das práticas de ensino de tecnologia assistiva para bebês e crianças pequenas indicaram que as evidências da efetividade do uso de recursos foram limitadas em termos do número de relatos, áreas de conteúdo e nível de evidências. Entretanto, pode-se evidenciar na pesquisa de Cesa, Ramos-Souza e Kessler (2010), diferentemente das pesquisas que realizaram buscas em periódicos brasileiros, que cinco artigos a respeito da comunicação alternativa tiveram a participação de crianças com idade inferior a seis anos, sendo um estudo no contexto da Educação Infantil. Outros três artigos tiveram crianças envolvidas na pesquisa, mas não há informações a respeito da faixa etária desses participantes.

Na literatura brasileira a respeito da Comunicação Suplementar e Alternativa evidencia-se, a partir dos estudos expostos, que há escassez de estudos voltados para crianças no contexto da Educação Infantil ou para crianças em idade de creche e pré-escolar. Além disso, parece que os autores pesquisados também não se preocuparam em descrever informações como: a) comunicação alternativa no contexto da Educação Infantil, b) especificidades das crianças pequenas com deficiência e, c) especificidades da Educação Infantil no uso dos sistemas e recursos de comunicação suplementar e alternativa.

As revisões sistemáticas em periódicos internacionais dos estudos citados mostraram que, mesmo de maneira restrita, há um maior número de artigos publicados a respeito da temática em questão, quando comparados aos periódicos brasileiros. Este fato pode estar relacionado ao tempo em que a área da Comunicação Alternativa está consolidada internacionalmente quanto à pesquisa e aos programas de intervenção em relação ao Brasil (Moreschi; Bello; Hayashi, 2013).

Este estudo justifica-se pela lacuna e pela necessidade de atenção aos estudos da área da Comunicação Suplementar e Alternativa no contexto da Educação Infantil, principalmente quanto a temática de formação de professores.

Assim, o objetivo deste estudo foi mapear a produção de conhecimento acerca da Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil indexada em Bases de Dados Científicos e nos Anais do Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa.

Método

Primeiramente, para a realização da revisão de literatura, foram estabelecidas as Bases de Dados Científicos eletrônicas que foram: o portal da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), o Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Education Resources Information Center (ERIC), o Banco de Teses da CAPES, o Portal de Periódicos CAPES/MEC, base Acervus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Catálogo P@rthenon da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e base Dedalus da Universidade de São Paulo (USP).

Em um segundo momento, foram definidas as palavras-chave para a busca das pesquisas a respeito do tema proposto. Como critério de busca para as palavras-chave foi utilizada a proposta de Chun (2009). Os resultados da pesquisa da autora indicaram várias versões do uso de palavras descritoras: Comunicação Alternativa e Suplementar, Comunicação Alternativa, Comunicação Suplementar e/ou Alternativa, Sistemas Alternativos e Facilitadores de Comunicação, Comunicação Suplementar, Comunicação Alternativa e Ampliada.

Assim, nesta pesquisa foram adotadas diferentes palavras-chave dependendo da base de dados pesquisada. Todos os termos foram pesquisados duas vezes; a primeira vez sem a utilização das aspas e a segunda vez com a utilização das aspas. A partir destes critérios, foram utilizadas as seguintes palavras-chave:

a) Na base de dados ERIC foi utilizado somente o termo augmentative and alternative communication, por ser o termo internacionalmente oficial da área da Comunicação Suplementar e Alternativa.

b) Nas bases de dados da SciELO, BVS, no Banco de Teses da CAPES e no Portal de Periódicos CAPES/MEC, foram utilizadas as seguintes palavras-chave: comunicação alternativa, comunicação suplementar, comunicação ampliada, comunicação aumentativa, comunicação alternativa e ampliada, comunicação alternativa e suplementar, comunicação suplementar e alternativa, comunicação alternativa e aumentativa, sistemas de comunicação alternativos e suplementares, sistemas de comunicação alternativos e aumentativos e o termo em inglês augmentative and alternative communication.

c) Na base Acervus da Unicamp, Catálogo P@rthenon da Unesp, Biblioteca Comunitária da UFSCar e base Dedalus da USP foram utilizadas as palavras-chave combinadas: educação infantil e educação especial.

A palavra-chave - sistemas de comunicação alternativos e aumentativos - e sua variação - sistemas de comunicação alternativos e suplementares - foram utilizados por serem um descritor em Ciência da Saúde do sistema DeCS da BVS.

A coleta de dados ocorreu na primeira semana de agosto do ano de 2015 e foi definido o período de 1980 a julho do ano de 2015 para a seleção dos estudos na temática estabelecida.

Os critérios para a seleção dos estudos foram: pesquisas cujo título tratava da Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação ou na Educação Infantil; ou cujo título mencionava o uso da comunicação suplementar e alternativa com crianças, estudantes ou professores. Após esta primeira seleção das pesquisas, foram lidos todos os resumos. As pesquisas que não possuíam resumo nas bases de dados eletrônicas ou que os objetivos do estudo não eram a respeito da Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil foram descartadas.

Devido ao baixo número de trabalhos brasileiros encontrados com o tema Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil, foi realizada uma busca de pesquisa nas seis únicas edições dos Anais de Resumos e Trabalhos Completos do Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa (ISAAC-BRASIL), dos anos de 2005, 2007, 2009, 2011, 2013 e 2015.

Todos os títulos dos trabalhos dos Anais foram lidos e seguiram os mesmos critérios para a seleção de trabalhos das Bases de Dados Científicos.

Para a análise dos dados, estes foram inseridos no Microsoft Excel, a partir das categorias de análise: ano da publicação, tipo de estudo, fonte da publicação, local de origem do primeiro autor da publicação, objetivos do estudo e principais resultados do estudo. Após a classificação dos dados, foram realizadas análises qualitativas e quantitativas de estatística descritiva.

Resultados e Discussão

A partir dos critérios de busca foram identificadas 43 pesquisas internacionais que tratavam do tema Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil. No Brasil, nas Bases de Dados Científicos pesquisadas, foram encontradas duas dissertações de mestrado, uma tese de doutorado e dois artigos provenientes dessas três pesquisas.

Na Figura 1 estão apresentados os resultados referentes ao ano de publicação dos 48 estudos nacionais e internacionais encontrados nas Bases de Dados Científicos. Observa-se que na década de 80 foi publicado um estudo, na década de 90 foram publicados 12 estudos, nos anos 2000, 22 estudos, e entre os anos de 2010 e 2015 foram publicados 13 estudos. Por meio destes resultados, é possível observar aumento do número das pesquisas sobre o tema Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil ao longo das décadas, com dois picos de maior publicação nos anos de 1995 e 2007. Moreschi, Bello e Hayashi (2013) também identificaram que o maior número de estudos encontrados na BVS a respeito da Comunicação Suplementar e Alternativa foi publicado nos anos de 1995 e 2007. Acerca das pesquisas brasileiras, as duas dissertações identificadas foram publicadas nos anos de 2010 e 2012, a tese de doutorado no ano de 2013 e os dois artigos nos anos de 2012 e 2013.

Fonte: Elaboração das autoras

Figura 1 Ano de publicação dos 48 estudos encontrados nas bases de dados 

Nos Anais das seis edições do Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa foram encontrados, ao total, 32 resumos e trabalhos completos a respeito da Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil. Esses trabalhos são resultados de pesquisas e relatos de experiências. A Figura 2 descreve o ano e a quantidade de publicações durante os eventos.

Fonte: Elaboração das autoras

Figura 2 Frequência das Publicações a Respeito da Comunicação Alternativa (CA) na Educação Infantil nas seis Edições do Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa 

Pode-se observar que no ano de 2005 não foram publicados trabalhos a respeito da Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil; em 2007 apenas 3,4% dos trabalhos foram a respeito da temática; no ano de 2009, 8,6 %; no ano de 2011, 6,5%, no ano de 2013, 11,7%; e no ano de 2015, 7,2%. Logo, identifica-se que no Brasil, de um modo geral, houve um aumento do número de pesquisas nessa área, com um decréscimo na última edição do evento. Além disso, o ano de 2013 se destaca pela maior quantidade de trabalhos publicados. Nas Bases de Dados Científicos pesquisadas, nesse mesmo ano, houve um número alto de trabalhos publicados sobre o tema, quando comparado aos outros anos, resultando cinco estudos encontrados no total, sendo duas pesquisas brasileiras.

A Figura 3 descreve quais foram os tipos dos 48 estudos nacionais e internacionais identificados nas Bases de Dados Científicos. Entre o total das publicações selecionadas 69% foram publicações de artigos, 15% das publicações foram dissertações e teses, 8% foram Guias de Pesquisas destinados à famílias e profissionais da educação de alunos com deficiências, 6% foram Relatórios Científicos e 2% das publicações foram livros.

Fonte: Elaboração das autoras

Figura 3 Tipo de Estudos Nacionais e Internacionais Encontrados nas Bases de Dados 

O Quadro 1 descreve os periódicos nacionais e internacionais que publicaram os 33 artigos selecionados e a quantidade de artigos provenientes de cada periódico. Há 23 diferentes periódicos identificados, sendo dois periódicos brasileiros. Observa-se que os periódicos são da área da Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Psicologia e da Educação. Por meio do quadro 1 é possível constatar que os periódicos não têm quantidade numerosa de artigos publicados com o tema Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil.

Quadro 1: Periódicos dos Artigos Encontrados nas Bases de Dados 

Periódicos Quantidade
American Journal of Occupational Therapy 1
Augmentative and Alternative Communication 2
Disability and Rehabilitation: Assistive Technology 1
International Journal of Disability, Development and Education 1
Journal of Autism and Developmental Disorders 2
Journal of Applied Behavior Analysis 1
Journal of Early Intervention 2
Journal of Intellectual & Developmental Disability 2
Journal of Positive Behavior Interventions 1
Journal of Speech, Language, and Hearing Research 1
Journal of Visual Impairment & Blindness 1
Language, Speech, and Hearing Services in Schools 1
NHSA Dialog 1
Occupational Therapy in Health Care 1
Psychology in the Schools 1
Research and Practice for Persons with Severe Disabilities 2
Revista Brasileira de Educação Especial 2
Revista Educação Especial 1
Seminars in Speech and Language 2
South African Journal of Communication Disorders 1
TEACHING Exceptional Children 3
Young Children 2
Young Exceptional Children 1

Fonte: Elaboração das autoras.

Acerca do local de origem do primeiro autor das 48 publicações encontradas nas Bases de Dados Científicos, segue o Quadro 2 com informações sobre o continente, o país, a cidade e a quantidade de pesquisas encontradas nos locais. A maioria dos estudos é proveniente dos Estados Unidos, seguido do Brasil e da Austrália, corroborando com os resultados da pesquisa de Moreschi, Bello e Hayashi (2013). Observa-se que o tema Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil é estudado por poucos países, mas por diferentes instituições. Isso contribui para que as ações na área sejam realizadas por diversas perspectivas, abrangendo variadas realidades. No Brasil, as pesquisas publicadas são provenientes do Estado de São Paulo.

Quadro 2: Local de Origem das 48 Publicações Encontradas nas Bases de Dados 

Continente País Cidade Quantidade Total
América do Norte Estados Unidos Lawrence 2 35
Salt Lake City 3
Austin 1
Atlanta 1
Boone 1
Memphis 1
Nashville 1
Tallahassee 1
Albuquerque 1
Cambridge 1
Fort Lauderdale 2
Seattle 1
Park City 1
Minneapolis 2
New Orleans 1
Maple Heights 1
Charlottesville 1
Alma 1
Gainesville 1
San Diego 1
State College 1
West Hartford 1
Tempe 1
New York 1
Marion 1
Monterey 1
Carbondale 1
Reno 1
Morganton 2
América do Sul Brasil Marília 5 5
Ásia Qatar Doha 1 1
África África do Sul Pretoria 1 1
Europa Noruega Oslo 1 1
País de Gales Cardiff 1 1
Oceania Austrália Newcastle 1 4
Sydney 3

Fonte: Elaboração das autoras.

O Quadro 3 apresenta informações do local de origem do primeiro autor das 32 publicações das seis edições do Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa. As informações são a respeito da região, do Estado, da cidade, da instituição e da quantidade de pesquisas encontradas nos locais. Por meio do quadro 3 é possível identificar que a maioria das pesquisas é proveniente do Estado de São Paulo, como também identificado por Berberian e colaboradoras (2009). Não foi encontrado estudo proveniente da região Norte e a região Nordeste é o local proveniente de menor número de publicações nos anais do Congresso. Observa-se ainda, que as pesquisas a respeito do tema em questão são resultantes principalmente de três universidades: Unesp - campus de Marília, UFRGS e UERJ. Esse fato é preocupante, pois demonstra o limite de crescimento dos estudos e ações nessa área em diferentes partes e diversas realidades do Brasil.

Quadro 3: Local de Origem das 32 Publicações das seis Edições do Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa 

Região Estado Instituição Cidade Quantidade Total
Sul Rio Grande do Sul UFRGS Porto Alegre 5 6
Secretaria Municipal de Educação 1
Sudeste São Paulo Unesp Marília 12 22
UFSCAR São Carlos 1
Secretaria Municipal de Educação Ribeirão Preto 1
Associação Educacional Quero-Quero de Reabilitação Motora e Educação Especial São Paulo 1
Rio de Janeiro UERJ Rio de Janeiro 4
UFRJ 2
Secretaria Municipal de Educação Angra dos Reis 1
Nordeste Piauí UFPI Teresina 2 4
Sergipe UFS São Cristóvão 2

Fonte: Elaboração das autoras.

Os 80 estudos identificados nas Bases de Dados Científicos e nos Anais de Resumos e Trabalhos Completos do Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa também foram analisados em relação aos seus objetivos e principais resultados.

A respeito das pesquisas encontradas nas Bases de Dados Científicos, segue um gráfico, na Figura 4, descrevendo os principais temas específicos estudados. Observa-se que a maioria das pesquisas analisou o uso da comunicação suplementar e alternativa para o desenvolvimento da competência comunicativa de crianças na Educação Infantil.

Fonte: Elaboração das autoras

Figura 4 Principais Temas Específicos Encontrados nas Bases de Dados 

Segue uma descrição das pesquisas de intervenção encontradas nas Bases de Dados Científicos ao longo do tempo.

O estudo de Trefler, Nickey e Hobson (1983) analisou a aplicação de um projeto em comunicação alternativa e tecnologia assistiva em dez crianças com deficiência de três anos na escola de Educação Infantil. Não foi possível identificar os resultados da pesquisa no resumo do estudo realizado.

Um dos trabalhos de intervenção identificados da década de 90, de Kaiser (1995), teve o objetivo de descrever o estágio de desenvolvimento, implementação e avaliação de um programa que utilizou um sistema de comunicação suplementar e alternativa por 12 semanas em seis crianças pré-escolares não verbais com deficiências que frequentavam uma escola de Educação Especial. Em todo ambiente da sala de aula foi utilizado símbolos de um sistema de comunicação suplementar e alternativa em placas de comunicação. Como resultado, foi verificado melhoria na comunicação das crianças em todas as áreas testadas.

Os outros quatro trabalhos de intervenção da década de 90 envolveram não só a pessoa com deficiência, como também seus pares de comunicação. A pesquisa de Schepis (1996) teve o objetivo de examinar a aquisição e utilização de um dispositivo de saída de voz em rotinas que ocorrem naturalmente no ambiente escolar de Educação Infantil de quatro crianças com idades de três a cinco anos com autismo e examinar as interações comunicativas dessas crianças com seus professores e auxiliares. Os resultados mostraram que as crianças adquiriram habilidades para usar o vocalizador para solicitar itens e responder perguntas e houve um aumento do comportamento comunicativo com gestos, palavras e vocalizações.

A pesquisa de Schepis e colaboradores (1998) avaliaram os efeitos de um dispositivo de saída de voz e procedimentos de ensino naturalistas a respeito das interações comunicativas de quatro crianças pequenas com autismo. Um professor e três assistentes foram ensinados a usar estratégias de ensino naturalistas para fornecer oportunidades de comunicação às crianças com autismo com o uso do vocalizador nas rotinas de lanche e brincadeira em sala de aula de Educação Infantil. Como resultado do estudo, os autores identificaram: a) todas as crianças apresentaram aumento de interações usando o vocalizador, b) não houve redução de outros comportamentos comunicativos e, c) as crianças usaram diferentes mensagens: solicitações, respostas para perguntas fechadas, declarações e comentários sociais.

Carter e Maxwell (1998) realizaram uma pesquisa cujo objetivo foi de aumentar a quantidade de interação social na sala de aula entre crianças de cinco a nove anos e seus pares, utilizando sistemas de comunicação suplementar e alternativa. Uma intervenção multifacetada de linha de base múltipla de 15 semanas foi dirigida aos parceiros de comunicação. O estudo demonstrou eficácia para aumentar a interação social entre os alunos na sala de aula de Educação Infantil e Ensino Fundamental.

Por fim, o estudo de Watson (1995) teve o objetivo de melhorar a comunicação de uma criança com paralisia cerebral não falante e 24 alunos sem deficiência de uma sala de aula de Educação Infantil regular. Uma intervenção de 12 semanas incluiu o ensino de como usar placas de comunicação suplementar e alternativa e como encorajar e solicitar que o aluno com paralisia cerebral use, quando apropriado, os cartões de comunicação. Foram realizados pré e pós testes e observações das interações entre os alunos. Não há descrito no resumo os específicos resultados da pesquisa, porém há a indicação de que todos os objetivos do programa foram cumpridos.

As pesquisas de intervenção em comunicação suplementar e alternativa na Educação Infantil dos anos 2000 tiveram como sujeitos de pesquisa, em sete trabalhos, somente crianças com deficiência e dois trabalhos envolveram as crianças com deficiência e seus pares de comunicação.

O trabalho de Johnston e colaboradores (2003) teve como objetivo o ensino de comportamentos funcionais de comunicação suplementar e alternativa às três crianças com deficiência em salas de aula de Educação Infantil inclusivas. Durante a intervenção foram criadas oportunidades de comunicação e ofertadas consequências naturais para as respostas adequadas. Os resultados indicaram que a estratégia de intervenção foi eficaz no ensino de comportamentos de comunicação funcionais usando a comunicação suplementar e alternativa para os três participantes.

A pesquisa de Stahmer e Ingersoll (2004) teve como objetivo analisar os resultados de um programa inclusivo de intervenção para 20 crianças com autismo, menores de 3 anos. A metodologia utilizada foi um desenho quase-experimental. Os resultados indicaram aumentos significativos nas habilidades funcionais de comunicação, comportamentos sociais e de lazer. No início do projeto, 50% das crianças não tinham habilidades funcionais de comunicação, enquanto que após o trabalho de intervenção, 90% utilizaram um sistema de comunicação suplementar e alternativa de forma funcional.

Dois estudos tiveram como objetivo avaliar os efeitos do ensino do uso de um auxílio de comunicação com saída de voz. O estudo de Cosbey e Johnston (2006) envolveu três crianças com deficiência múltipla grave e consistiu na criação de oportunidades de comunicação para solicitar itens ou colegas em contexto natural de atividades lúdicas em sala de aula de Educação Infantil inclusiva. Os resultados indicaram que a estratégia de intervenção naturalista foi eficaz aos três participantes. Já na pesquisa de Olive e colaboradores (2007), participaram da intervenção três crianças com autismo em sessões de jogos de cinco minutos nas salas de aulas de Educação Infantil. As três crianças aprenderam a utilizar o vocalizador para solicitar itens durante o jogo.

O estudo de Trief (2007) teve como objetivo a introdução de um sistema de comunicação com símbolos tangíveis à 48 alunos de Educação Infantil e Ensino Fundamental com deficiência múltipla, incluindo a deficiência visual e limitada habilidade verbal. Não foi possível identificar no resumo a descrição da metodologia e dos resultados identificados na pesquisa.

A pesquisa de Johnston e colaboradores (2009) analisou uma estratégia de intervenção destinada a ensinar os sons das letras correspondentes à ortografia da combinação consoante-vogal-consoante para crianças pequenas que usavam a comunicação suplementar e alternativa durante atividades lúdicas de alfabetização em salas de aulas de Educação Infantil inclusivas. Foi utilizada a metodologia de linha de base múltipla. Os resultados proporcionaram suporte preliminar para a utilização da estratégia de intervenção.

O estudo de Mathisen e colaboradores (2009) analisou a utilização do MINSPEAK como um meio de aumentar as habilidades linguísticas emergentes e competências de alfabetização de uma criança com deficiência na Educação Infantil. Os resultados indicaram que quando os membros da família e as equipes educacionais trabalhavam juntos era possível conseguir progressos importantes nas habilidades de linguagem.

A pesquisa de Carr e Felce (2007) investigou o impacto do domínio do Exchange Communication System (PECS) para a Fase III, sobre as comunicações de crianças com autismo com idade entre três e sete anos e de um grupo controle de não-intervenção. O grupo de intervenção recebeu 15h de ensino do PECS ao longo de cinco semanas. Além disso, foram realizadas três observações das comunicações entre as crianças e seus professores: 2h em sala de aula em seis semanas antes do ensino, durante a semana imediatamente anterior ao ensino e durante a semana imediatamente seguinte ao ensino. Para o grupo controle, foram realizadas duas observações de 2h, com um intervalo de cinco semanas, sem ensino do PECS. Os resultados indicaram que iniciações e interações comunicativas aumentaram significativamente entre as crianças e os professores no grupo PECS, mas não para o grupo controle.

A pesquisa de Trembath e colaboradores (2009) teve o objetivo de avaliar a eficácia de duas intervenções de ensino naturalístico com e sem um dispositivo de saída de voz com crianças com autismo e seus colegas de classe com desenvolvimento típico em três escolas de Educação Infantil. A intervenção ocorreu durante sessões de jogos e o método de linha de base múltipla foi utilizado para avaliar os resultados. As três crianças com autismo aumentaram os seus comportamentos comunicativos imediatamente após a introdução das duas intervenções e generalizaram esses comportamentos para as interações das refeições com os seus pares. No entanto, apenas uma criança manteve esse aumento de interações comunicativas.

As sete pesquisas de intervenção dos anos 2010 a 2015 envolveram crianças com paralisia cerebral, autismo, deficiência intelectual, deficiência múltipla e crianças com desenvolvimento típico.

A pesquisa de Barnes (2010) analisou a atenção compartilhada, a interação interpessoal e a comunicação de três crianças com autismo em sessões de terapia de música em uma classe de Educação Infantil. Foram realizadas gravações em vídeo ao longo de dois anos, entrevistas com professores, relatórios escolares e notas de campos. Os resultados mostraram que as crianças usaram o olhar, expressão facial, movimentos do corpo, expressão vocal e manipulação de objetos durante as atividades e que as crianças e os adultos tiveram um processo compartilhado de aprendizagem.

O estudo de Rocha (2010) visou a descrição do processo de prescrição e confecção de recursos da tecnologia assistiva para duas crianças com paralisia cerebral no contexto da Educação Infantil. A coleta de dados foi dividida em cinco tarefas: 1 obter informações a respeito das crianças e o seu contexto escolar; 2 gerar ideias; 3 escolher as alternativas viáveis; 4 representar a ideia; 5 construir o recurso de tecnologia assistiva. Os procedimentos foram registrados por meio de filmagem, diário contínuo, gravação das entrevistas e protocolos. A autora concluiu que para a prescrição do recurso de tecnologia assistiva foi necessário estabelecer etapas com procedimentos específicos, ou seja, foi necessário a implementação de programas de intervenção.

Dois trabalhos, Massaro (2012) e Massaro e Deliberato (2013) descreveram o desenvolvimento de um programa de intervenção com um grupo de sete alunos com deficiência, a professora, duas auxiliares de sala e três classes do ensino regular de Educação Infantil. O programa ocorreu em três etapas: 1 orientações sistemáticas a respeito de linguagem e comunicação à professora; 2 identificação das habilidades dos alunos e do planejamento pedagógico da sala de aula; 3 elaboração e adaptação de recursos por meio dos sistemas de comunicação suplementares e alternativos. Massaro (2012) identificou a participação dos alunos com deficiência nas atividades pedagógicas por meio de músicas infantis adaptadas com sistemas de comunicação suplementares e alternativos. Massaro e Deliberato (2013) identificaram a percepção do professor a respeito do uso da comunicação suplementar e alternativa durante esse programa de intervenção. Todos os alunos com deficiência participaram do programa de intervenção utilizando habilidades expressivas não-verbais. Sistemas suplementares e alternativos de comunicação puderam atuar no desenvolvimento da comunicação e da linguagem das crianças, como ser um recurso para ensinar conteúdos pedagógicos. A professora identificou que sistemas de comunicação suplementares e alternativos podem favorecer as habilidades de expressão dos alunos com deficiência na Educação Infantil desde que estejam de acordo com as especificidades dos alunos.

A pesquisa de Rocha (2013) avaliou o uso de recursos de tecnologia assistiva durante as atividades de ensino e identificou as estratégias utilizadas a fim de mediar o uso desses recursos com duas crianças com paralisia cerebral por meio do ensino colaborativo entre os profissionais da saúde e da educação no contexto da Educação Infantil. Os registros do programa de intervenção foram realizados por meio de filmagem, diário de campo, protocolo de rotina escolar e protocolo de descrição das atividades. Os resultados indicaram que a parceria estabelecida entre os profissionais foi fundamental para o uso do recurso tecnológico.

Dhas, Samuel e Manigandan (2014) demonstraram a utilização de um modelo orientado de tomada de decisões na implementação da tecnologia de acesso a computador como alternativa para a escrita de uma criança com paralisia cerebral atetoide na Educação Infantil. A pesquisa, com metodologia de estudo de caso, discutiu o papel do terapeuta ocupacional nesse processo, usando uma abordagem centrada na família.

Por fim, a pesquisa de Brady e colaboradores (2013) investigou um modelo de desenvolvimento de linguagem não-verbal com 93 crianças com deficiência intelectual para estas aprenderem a se comunicar com comunicação suplementar e alternativa. As crianças foram avaliadas antes e após a intervenção. Os adultos da escola de Educação Infantil e da casa dos alunos foram mediadores da aquisição de vocabulários em comunicação suplementar e alternativa das crianças. Os resultados mostraram que a quantidade de contribuições recebidas em casa foi um mediador mais significativo que na escola.

Em relação às 32 pesquisas e relatos de experiências dos Anais de Resumos e Trabalhos Completos do Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa, observa-se um perfil diferente de estudos quando comparados às pesquisas internacionais. A Figura 5 descreve três principais temas específicos estudados e a quantidade de pesquisas.

Fonte: Elaboração das autoras

Figura 5 Três Principais Temas Específicos Identificados nos Anais de Resumos e Trabalhos Completos do Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa 

Além desses temas específicos, foram identificados três estudos que trataram da utilização de recursos de tecnologia assistiva, três estudos a respeito de interações comunicativas e dois estudos sobre caracterização de crianças com deficiência, professores e ou recursos. Dos 32 trabalhos encontrados, 12 descreveram a parceria colaborativa dos profissionais para a implementação de recursos de comunicação suplementar e alternativa, três estudos discutiram o atendimento educacional especializado na Educação Infantil, três estudos foram realizados por meio de pesquisa-ação e dois foram realizados por meio de intervenções experimentais.

Evidencia-se que as pesquisas e relatos de experiências encontradas nos Anais do Congresso focalizaram o uso da comunicação suplementar e alternativa em atividades pedagógicas. Parece que esses trabalhos se propõem, de modo geral, a oferecer serviços de suporte em comunicação suplementar e alternativa aos professores e crianças na Educação Infantil, pois doze deles enfatizaram a intervenção prática em um trabalho colaborativo realizado por diferentes profissionais e, pelo menos sete deles, discutiram a formação de professores durante esse processo. É possível observar também que nenhuma pesquisa explorou o uso de vocalizadores, ou ainda, aspectos de vocabulário.

Nos Anais do Congresso há 26 pesquisas que envolveram intervenções em sala de aula. Há oito pesquisas que analisaram o processo de implementação da comunicação suplementar e alternativa em atividades pedagógicas, especificamente por meio da adaptação de livros de histórias infantis e, além disso, identificaram a participação das crianças durante as intervenções. Três dessas pesquisas utilizaram o Sistema de Comunicação Alternativa para Letramento de Pessoas com Autismo (SCALA) em tablets. Os principais resultados dessas pesquisas indicaram que houve ampliação das habilidades discursivas, ampliação do vocabulário e as crianças demonstraram interesse por esse tipo de atividade.

Além disso, há doze pesquisas que discutiram adaptações de recursos e estratégias de atividades pedagógicas a fim de ampliar o processo comunicativo dos alunos nas situações de ensino e aprendizagem. De uma maneira geral, os pesquisadores concluíram que durante o processo de intervenção as crianças demonstraram melhora nas iniciativas comunicativas de forma contextualizada com a professora e colegas de classe, aumento do tempo de atenção às atividades, aumento de recursos expressivos, ampliação do campo semântico e crianças autistas demonstraram redução de comportamentos inadequados.

O estudo de Olmedo e Walter (2015) teve como objetivo implementar e avaliar um programa de intervenção com PECS adaptado envolvendo quatro alunos com transtorno do espectro do autismo entre quatro e cinco anos, duas professores e duas mediadoras. Foi realizado um delineamento quase experimental AB, com pré-teste, intervenção e pós-teste. A intervenção com os profissionais foi realizada por meio de capacitação teórica e prática. Na avaliação com o uso do instrumento Childhood Autism Rating Scale (CARS), três crianças obtiveram pontuação menor após a intervenção e apenas um aluno manteve a mesma pontuação obtida antes da intervenção. Em relação às características gerais das habilidades comunicativas expressivas, avaliadas por meio do instrumento de avaliação Protocolo de Observação Comportamental (PROC), todas as crianças obtiveram uma maior pontuação após a intervenção, tanto nos aspectos relacionados às habilidades de comunicação expressiva como compreensiva.

A pesquisa de Brito e colaboradores (2013) com uma criança de seis anos diagnosticada com transtorno do espectro do autismo foi realizada com o objetivo de analisar as condições de ensino e aprendizagem do uso de pranchas de comunicação suplementar e alternativa durante três comportamentos alvos: ir ao banheiro, brincar com um colega de classe e ler um livro. Foi realizado um delineamento experimental de sujeito único. Os resultados parciais da pesquisa indicaram que o aluno tem retirado o cartão de comunicação de um painel, levado para professores e tentado verbalizar eu quero.

Três trabalhos de intervenção em sala de aula trataram da utilização de recursos de tecnologia assistiva em sala de aula, sendo: computadores, acionadores, comunicador em forma de relógio e outros recursos pedagógicos adaptados, como jogos de letras, jogos de matemática. Os pesquisadores concluíram que a utilização dos recursos pode melhorar o desempenho funcional das crianças e mantê-las motivadas com uma participação ativa durante as atividades. A parceria colaborativa entre profissionais da saúde e da educação forneceu suporte às mudanças de práticas na Educação Infantil e uma possibilidade de formação em serviço (Rocha; Deliberato, 2009; Rocha; Deliberato, 2011; Lourenço, 2013).

Por fim, a pesquisa de Rodrigues, Rodrigues e Fernandes (2011) avaliou e acompanhou o desenvolvimento linguístico de um aluno não falante com síndrome de Down de sete anos de idade na Educação Infantil. O estudo teve a duração de oito meses. Foi confeccionada uma pasta de comunicação suplementar e alternativa que a professora começou a utilizar diariamente com a criança. Os resultados mostraram mudanças comportamentais a respeito do desempenho linguístico da criança e esta começou a socializar e interagir mais vezes com a professora.

Conclusões

O tema Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil vem sendo estudado por diferentes pesquisadores internacionais e nacionais ao longo dos anos. No entanto, no Brasil, os resultados das pesquisas ou relatos de experiências ainda estão sendo publicados em anais de eventos científicos. Foram identificados dois artigos em periódicos científicos conceituados da área.

Internacionalmente, observou-se que há publicações sobre o tema desde a década de 80 e houve um aumento das publicações ao longo das décadas, com um pico do número de publicações nos anos de 1995 e 2007. No Brasil, as primeiras publicações a respeito do tema em questão foram identificadas nos anos 2000, com um aumento do número de publicações no ano de 2013. Esses resultados mostraram que o tema Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil é recente no panorama brasileiro e poucos pesquisadores se preocuparam em pesquisar essa temática.

Dos 80 trabalhos analisados, a maioria, 33, foram artigos científicos encontrados nas Bases de Dados Científicos, em 23 diferentes periódicos, sendo dois periódicos brasileiros. Além disso, 32 trabalhos foram pesquisas e relatos de experiências publicados em Anais de Resumos e Trabalhos Completos do Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa. Os outros trabalhos foram dissertações e teses, relatórios de pesquisa, guias e livro.

As pesquisas brasileiras são oriundas basicamente da região Sudeste, a maioria da cidade de Marília, interior do Estado de São Paulo e as três instituições universitárias que mais se dedicam a pesquisar o tema estão na região Sudeste e Sul - Unesp, UFRGS e UERJ. Os dados indicam a carência de estudos nas diferentes regiões do Brasil e a falta de preocupação dos pesquisadores em estudar as especificidades da Educação Infantil e as especificidades da criança pequena com deficiência que necessita ou usa comunicação suplementar e alternativa. No exterior, as pesquisas abrangeram sete países. Entretanto, nos Estados Unidos, local onde há maior concentração de pesquisas a respeito da temática no mundo, diferentes pesquisadores investigaram a utilização da comunicação suplementar e alternativa no nível da Educação Infantil para promover interações e suporte adequado às crianças pequenas com deficiência.

Evidencia-se que as pesquisas internacionais abordaram variados específicos temas a respeito da Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil, dando ênfase ao desenvolvimento da linguagem e da competência comunicativa das crianças com deficiência. As pesquisas relataram a importância de uma equipe colaborativa para a implementação de sistemas e recursos e de um suporte adequado na Educação Infantil oferecido por professores. No entanto, pesquisas recentes ainda identificaram que os professores normalmente têm treinamento limitado no fornecimento de oportunidades de comunicação para crianças. Pesquisadores sugeriram a necessidade de mais pesquisas para fomentar a utilização da comunicação suplementar e alternativa ao nível da Educação Infantil, incluindo investigações para promover interações entre pares (Barker et. al, 2013; Douglas; Mcnaughton; Light, 2013).

Observa-se ainda que, diferente das pesquisas estrangeiras, pesquisas brasileiras estudaram as questões do suporte acadêmico em comunicação suplementar e alternativa dado a professores e crianças com deficiência, essencialmente com adaptações de atividades e estratégias pedagógicas envolvendo histórias infantis, músicas e outras atividades. As pesquisas também descreveram a importância do trabalho colaborativo entre profissionais da saúde e educação e da necessidade da formação dos professores na temática.

De um modo geral, as pesquisas analisadas apontaram resultados positivos quanto ao uso de sistemas de comunicação suplementar e alternativa na Educação Infantil. Estratégias de intervenção aumentaram as iniciações e interações comunicativas e favoreceram o desenvolvimento de habilidades funcionais, promovendo a participação social e acadêmica das crianças pequenas.

Referências

AMERICAN Speech-Language-Hearing Association (ASHA). Competencies for speech-language pathologists providing services in augmentative communication. ASHA, v. 31, p. 07-10, 1989. [ Links ]

BARKER, Michael; AKABA, Sanae; BRADY, Nancy; THIEMANN-BOURQUE, Kathy. Support for AAC use in Preschool, and Growth in Language Skills, for Young Children with Developmental Disabilities. Augmentative and Alternative Communication, Canada, v. 29, n. 4, p. 334-46, dec. 2013. [ Links ]

BARNES, Geoffrey Prescott. Moments of Meeting: difficulties and developments in shared attention, interaction, and communication with children with autism during two years of music therapy in a public preschool class. 2010. 299 f. Dissertation, Lesley University, United States of America, Cambridge, 2010. [ Links ]

BERBERIAN, Ana Paula; KRÜGER, Simone; GUARINELLO, Ana Cristina; MASSI, Giselle Aparecida de Athayde. A Produção do Conhecimento em Fonoaudiologia em Comunicação Suplementar e/ou Alternativa: análise de periódicos. Revista CEFAC, São Paulo, v. 11, Supl 2, p. 258-266, 2009. [ Links ]

BRADY, Nancy; THIEMANN-BOURQUE, Kathy; FLEMING, Kandace; MATTHEWS, Kris. Predicting Language Outcomes for Children Learning Augmentative and Alternative Communication: child and environmental factors. Journal of Speech, Language, and Hearing Research, United States, v. 56, n. 5, p. 1595-1612, oct. 2013. [ Links ]

BRITO, Aída Teresa dos Santos; LUSTOSA, Ana Valéria Marques Fortes; BRITO, Clarissa dos Santos; FONSECA, Danielle de Freitas; CRUZ, Kelvis Rodrigo Sampaio da; SOUSA, Marlos Aureliano Dias de; ARARIPE, Natalie Brito. Discussões sobre o Ensino Aprendizagem e o uso de Comunicação Alternativa pela Díade Professor - Aluno em uma Escola Particular na Cidade de Teresina - Piauí. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA, 5., 2013, Gramado. Anais... Gramado: ISAAC-Brasil, 2013. [ Links ]

CARR, Deborah; FELCE, Janet. The Effects of PECS Teaching to Phase III on the Communicative Interactions Between Children with Autism and their Teachers. Journal of Autism and Developmental Disorders, New York, v. 37, n. 4, p. 724-737, apr. 2007. [ Links ]

CARTER, Mark; MAXWELL, Katrina. Promoting Interaction with Children Using Augmentative Communication Through a Peer-Directed Intervention. International Journal of Disability, Development and Education, Australia, v. 45, n. 1, p. 75-96, mar. 1998. [ Links ]

CESA, Carla Ciceri; MOTA, Helena Bolli. Comunicação Aumentativa e Alternativa: panorama dos periódicos brasileiros. Revista CEFAC , São Paulo, v. 17, n. 1, p. 264-269, jan./fev. 2015. [ Links ]

CESA, Carla Ciceri; RAMOS-SOUZA, Ana Paula; KESSLER, Themis Maria. Novas Perspectivas em Comunicação Suplementar e/ou Alternativa a Partir da Análise de Periódicos Internacionais. Revista CEFAC , São Paulo, v. 12, n. 5, p. 870-880, set./out. 2010. [ Links ]

CHUN, Regina Yu Shon. Comunicação Suplementar e/ou Alternativa: abrangência e peculiaridades dos termos e conceitos em uso no Brasil. Pró-Fono Revista de Atualização Científica, São Paulo, v. 21, n. 1, p. 69-74, jan./mar. 2009. [ Links ]

COSBEY, Joanna. Evans; JOHNSTON, Susan. Using a Single-Switch Voice Output Communication aid to Increase Social Access for Children with Severe Disabilities in Inclusive Classrooms. Research and Practice for Persons with Severe Disabilities, United States, v. 31, n. 2, p. 144-156, 2006. [ Links ]

DHAS, Brightlin Nithis; SAMUEL, Preethy Sarah; MANIGANDAN, Chockalingam. Use of Computer Access Technology as an Alternative to Writing for a Pre-School Child with Athetoid Cerebral Palsy: a case report. Occupationl Therapy Health Care, United States, v. 28, n. 3, p. 318-332, jul. 2014. [ Links ]

DOUGLAS, Sarah; MCNAUGHTON, David; LIGHT, Janice. Teaching Paraeducators to Support the Communication of Young Children With Complex Communication Needs. Topics in Early Childhood Special Education, United States, v. 33, n. 2, p. 91-101, 2013. [ Links ]

GAVA, Maria Luisa. AAC - Comunicação Aumentativa Alternativa - como Respostas às Deficiências Verbais. In: TUPY, Tânia Maria; PRAVETTONI, Don Giancarlo. E se Falta a Palavra, qual Comunicação, qual Linguagem? Discurso sobre comunicação alternativa. São Paulo: Memnon, 1999. P. 79-166. [ Links ]

KAISER, Lora. Using Augmentative and Alternative Communication to improve communication for preschool handicapped children. 1995. 61 f. Dissertation - Nova Southeastern University, Fort Lauderdale, 1995. [ Links ]

JOHNSTON, Susan; MCDONNELL, Andrea; NELSON, Catherine; MAGNAVITO, Angie. Teaching Functional Communication Skills Using Augmentative and Alternative Communication in Inclusive Settings. Journal of Early Intervention, United States, v. 25, n. 4, p. 263-80, 2003. [ Links ]

JOHNSTON, Susan; DAVENPORT, Lisa; KANAROWSKI, Betsy; RHODEHOUSE, Sara; McDONNELL, Andrea. Teaching Sound Letter Correspondence and Consonant-Vowel-Consonant Combinations to Young Children who use Augmentative and Alternative Communication. Augmentative and Alternative Communication , Canada, v. 25, n. 2, p. 123-35, jun. 2009. [ Links ]

LOURENÇO, Gerusa Ferreira. Parceria Colaborativa para a Formação de Profissionais e Integração de Estratégias de Comunicação Alternativa no Atendimento à Criança com Paralisia Cerebral. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA, 5., 2013, Gramado. Anais... Gramado: ISAAC-Brasil , 2013. [ Links ]

MASSARO, Munique. Música por Meio de Sistemas de Comunicação Alternativa: inserção do aluno com deficiência na atividade pedagógica. 2012. 113 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2012. [ Links ]

MASSARO, Munique; DELIBERATO, Débora. Uso de Sistemas de Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil: percepção do professor. Revista Educação Especial, Santa Maria, v. 26, n. 46, p. 331-350, 2013. [ Links ]

MATHISEN, Bernice; ARTHUR-KELLY; Michael; KIDD, Jenny; NISSEN, Chantelle. Using MINSPEAK: a case study of a preschool child with complex communication needs. Disability and Rehabilitation: assistive technology, United States, v. 4, n. 5, p. 376-383, sep. 2009. [ Links ]

MORESCHI, Cândice Lima; BELLO, Suzelei. Faria; HAYASHI, Maria Cristina Piumbato Innocentini. Análise Bibliométrica da Produção Científica Sobre Comunicação Alternativa - uma Pesquisa na Biblioteca Virtual em Saúde. Revista Educação Especial , Santa Maria, v. 26, n. 47, p. 665-684, set./dez. 2013. [ Links ]

NUNES, Leila Regina d’Oliveira de Paula (Org.). Favorecendo o Desenvolvimento da Comunicação em Crianças e Jovens com Necessidades Educacionais Especiais. Rio de Janeiro: Dunya, 2003. [ Links ]

OLIVE, Melissa; CRUZ, Berenice de la; DAVIS, Tonya; CHAN, Jeffrey; LANG, Russell; O’REILLY, Mark; DICKSON, Sarah. The Effects of Enhanced Milieu Teaching and a Voice Output Communication aid on the Requesting of Three Children with Autism. Journal of Autism and Developmental Disorders , New York, v. 37, n. 8, p. 1505-1513, sep. 2007. [ Links ]

OLMEDO, Patrícia Blasquez; WALTER, Cátia Crivelenti de Figueiredo. Comunicação Alternativa, Inclusão Escolar e Autismo: uma proposta de capacitação na educação infantil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA, 6., 2015, Campinas. Anais... Campinas: ISAAC-Brasil, 2015. [ Links ]

ROCHA, Aila Narene Dahwache Criado Rocha. O Uso de Recursos de Tecnologia Assistiva como Instrumento Facilitador de Atividades Pedagógicas de Crianças com Encefalopatia Crônica não Progressiva. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA, 3., 2009, São Paulo. Anais... São Paulo: ISAAC-Brasil, 2009. [ Links ]

ROCHA, Aila Narene Dahwache Criado Rocha. Processo de Prescrição e Confecção de Recursos de Tecnologia assistiva na educação infantil. 2010. 199 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2010. [ Links ]

ROCHA, Aila Narene Dahwache Criado Rocha. Recursos e Estratégias da Tecnologia Assistiva a Partir do Ensino Colaborativo Entre os Profissionais da Saúde e da Educação. 2013. 210 f. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2013. [ Links ]

ROCHA, Aila Narene Dahwache Criado Rocha; DELIBERATO, Débora. Procedimentos para a Confecção de Recursos de Tecnologia Assistiva para a Criança com Paralisia Cerebral no Contexto da Educação Infantil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA, 4., 2011, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: ISAAC-Brasil, 2011. [ Links ]

RODRIGUES, Simone Conceição Escovino; RODRIGUES, Suellen da Rocha; FERNANDES, Edicléa Mascarenhas. Atendimento Educacional Especial a um Aluno com Síndrome de Down sem Oralização. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA, 4., 2011, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: ISAAC-Brasil , 2011. [ Links ]

SCHEPIS, Maureen. A Comprehensive Evaluation of the Effects of Voice Output Communication Aids on the Communicative Interactions of Students with Autism. 1996. 93 f. Reports of Research. Office of Educational Research and Improvement, Educational Resources Information Center, Washington, DC, 12 mar. 1996. [ Links ]

SCHEPIS, Maureen; REID, Dennis; BEHRMANN, Michael; SUTTON, Kelly. Increasing Communicative Interactions of Young Children with Autism Using a Voice Output Communication aid and Naturalistic Teaching. Journal of Applied Behavior Analysis, United States, v. 31, n. 4, p. 561-78, 1998. [ Links ]

STAHMER, Aubyn; INGERSOLL, Brooke. Inclusive Programming for Toddlers with Autism Spectrum Disorders: outcomes from the children’s toddler school. Journal of Positive Behavior Interventions, United States, v. 6, n. 2, p. 67-82, 2004. [ Links ]

TREFLER, Elaine; NICKEY, Jeryl; HOBSON, Douglas. Technology in the Education of Multiply-Handicapped Children. American Journal of Occupational Therapy, United States, v. 37, n. 6, p. 381-387, jun. 1983. [ Links ]

TREMBATH, David; BALANDIN, Susan; TOGHER, Leanne; STANCLIFF, Roger. Peer-mediated Teaching and Augmentative and Alternative Communication for Preschool-Aged Children with Autism. Journal of Intellectual & Developmental Disability, Australia, v. 34, n. 2, p173-186, jun. 2009. [ Links ]

TRIEF, Ellen. The use of Tangible cues for Children with Multiple Disabilities and Visual Impairment. Journal of Visual Impairment & Blindness, United States, v. 101, n. 10, p. 613-619, oct. 2007. [ Links ]

VON TETZCHNER, Stephen. Suporte ao Desenvolvimento da Comunicação Suplementar e Alternativa. In: DELIBERATO, Débora; GONÇALVES, Maria de Jesus; MACEDO, Eliseu Coutinho de (Org.). Comunicação Alternativa: teoria, prática, tecnologias e pesquisa. São Paulo: Memnon Edições Científicas, 2009. P. 14-27. [ Links ]

WATSON, Joan. Improving Communication Between Regular Students and a Physically Impaired Non-Verbal Child Using Alternative Communication Systems in the Kindergarten Classroom. 1995. 66 f. Dissertation. Faculty of the Center for the Advancement of Education. Nova University, United States of America, 1995. [ Links ]

Recebido: 29 de Fevereiro de 2016; Aceito: 10 de Junho de 2016

Munique Massaro é doutora em Educação, linha Educação Especial, pela Faculdade de Filosofia e Ciências, na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. E-mail: munique_massaro@yahoo.com.br

Débora Deliberato é livre docente do Departamento de Educação Especial e do Programa de Pós-Graduação em Educação, linha Educação Especial, Faculdade de Filosofia e Ciências, na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. E-mail: delibera@marilia.unesp.br

Creative Commons License This is an open-access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License