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Rodriguésia

Print version ISSN 0370-6583On-line version ISSN 2175-7860

Rodriguésia vol.59 no.4 Rio de Janeiro Oct./Dec. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/2175-7860200859414 

Articles

COMPOSIÇÃO FLORÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO DE EPÍFITAS VASCULARES EM UM REMANESCENTE ALTERADO DE FLORESTA ESTACIONAL SEMIDECIDUAL NO PARANÁ, BRASIL

Floristic composition and distribution of vascular epiphytes in an altered fragment of Seasonal Semideciduous Forest in Paraná State, Brazil

Greta Aline Dettke1  3 

Andréa Cristina Orfrini2 

Maria Auxiliadora Milaneze-Gutierre2 

1Programa de Pós-Graduação em Botânica, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Av. Bento Gonçalves 9500, Bloco IV, Prédio 43433, Campus do Vale, Bairro Agronomia, 91501-970, Porto Alegre, RS, Brasil.

2Departamento de Biologia, Universidade Estadual de Maringá, Av. Colombo 5790, 87020-970 Maringá, PR, Brasil.


RESUMO

Estudos em várias regiões do globo têm demonstrado que a abundância, riqueza e estrutura das comunidades de epífitas vasculares, importantes elementos das florestas tropicais, mostram relevantes modificações de acordo com o grau de interferência sobre a estrutura das florestas. Este estudo teve como objetivo o levantamento e análise da distribuição da flora epifítica vascular do Parque do Ingá (Maringá, PR), verificando a existência de mudanças nesta sinúsia em zonas alteradas ao longo do fragmento estudado. Foram registradas 29 espécies de epífitas vasculares, representadas pelas famílias Bromeliaceae (7), Cactaceae (6), Polypodiaceae (4), Viscaceae (4), Orchidaceae (3), Araceae (2), Piperaceae (2) e Commelinaceae (1). A maioria das espécies são epífitas verdadeiras e as síndromes de dispersão predominantes são a endozoocoria e anemocoria. Em estudo quantitativo, foram amostradas 22 espécies, sendo as famílias mais importantes, quanto ao valor de importância epifítico, Polypodiaceae, Cactaceae e Bromeliaceae, ocupando preferencialmente o fuste alto e a copa. O índice de diversidade de Shannon para o Parque do Ingá foi de 1,106. Nas áreas de zoneamento do Parque há uma distribuição diferenciada das espécies epifíticas, de acordo com a umidade e oferta de luminosidade e nas áreas com maior impacto antrópico a riqueza de espécies foi menor, confirmando estudos anteriores em outras regiões de florestas tropicais.

Palavras-chave: flora; floresta tropical; síndrome de dispersão; fitossociologia

ABSTRACT

Studies in several areas of the world have been demonstrating that important elements of tropical forests like vascular epiphytes show relevant modifications according to the degree of interference on the structure of the forests. This study aims to rise and analyze the distribution of the vascular epiphytes of the Parque do Ingá (Maringá, PR) as well as to verify the existence of changes in this plant group in altered areas along the fragment. In qualitative study, 29 species of vascular epiphytes were registered, belonging to the families Bromeliaceae (7), Cactaceae (6), Polypodiaceae (4), Viscaceae (4), Orchidaceae (3), Araceae (2), Piperaceae (2) and Commelinaceae (1). Most of the species is holoepiphytes and the anemochory and endozoochory are predominant dispersion syndromes. In quantitative study, 22 species were showed. Considering the value of epiphytic importance, the most important families are Polypodiaceae, Cactaceae and Bromeliaceae. They occupy preferentially loud trunk and the top trees. The Shannon diversity index for the Parque do Ingá was of 1,106. In the zoning areas of the park there is a differentiated distribution of the epiphytic species, according to humidity and offer of light and in the areas with larger antropic impact the richness of species was low, confirming previous studies in other areas of tropical forests.

Key words: flora; tropical forest; dispersion syndromes; phytosociology

Texto completo disponível apenas em PDF.

AGRADECIMENTOS

As autoras agradecem o auxílio prestado, durante as coletas, por Ângela Maria Marques Sanches, do programa de pós-graduação em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais/Nupélia-UEM e Francisco Calixto, funcionário do Parque Ecológico/UEM; e à bióloga Érica Duarte pela revisão do abstract.

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Recebido: Outubro de 2007; Aceito: Novembro de 2008

3Autor para correspondência: gretadet@yahoo.com.br

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