SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.63 issue4The genus Bulbophyllum (Orchidaceae) in southern BrazilMelastomataceae in the "Parque Estadual do Forno Grande", Espírito Santo, Brazil author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Rodriguésia

On-line version ISSN 2175-7860

Rodriguésia vol.63 no.4 Rio de Janeiro Oct./Dec. 2012

https://doi.org/10.1590/S2175-78602012000400007 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Flora da Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Cucurbitaceae

 

Flora of the Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Cucurbitaceae

 

 

Géssica Anastácia Gomes-CostaI,1; Marccus AlvesII

IUniversidade Federal de Pernambuco, Centro de Ciências Biológicas, Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal, Av. Prof. Moraes Rego s/n, 50560-901, Recife, PE
IIUniversidade Federal de Pernambuco, Centro de Ciências Biológicas, Depto. Botânica, Av. Prof. Moraes Rego s/n, 50560-901, Recife, PE

 

 


RESUMO

Cucurbitaceae é predominantemente tropical e subtropical compreendendo cerca de 950 espécies. É uma família de grande importância na economia mundial devido às espécies utilizadas na alimentação, além de possuir elevado potencial bioprospector. No Brasil, sua diversidade é pouco conhecida sendo pouco citada na maioria dos inventários florísticos, sendo este o primeiro trabalho taxonômico para o Nordeste do Brasil. Foram registradas dez espécies em seis gêneros na área estudada: Cayaponia tayuya, Gurania aff. bignoniacea, G. bignoniacea,G. lobata, G. subumbellata, Luffa cillyndrica, Melothria pendula, Momordica charantia, Psiguria ternata e Psiguria triphylla. O tratamento taxonômico inclui chaves de identificação, descrições, ilustrações e comentários para os táxons.

Palavras-chave: flora, Mata Atlântica, taxonomia, trepadeiras.


ABSTRACT

Cucurbitaceae inhabit predominantly tropical and subtropical regions with ca. 950 species. It is a family of great importance for the global economy because of its uses as food and its high potential in biosprospecting. In Brazil, its diversity is still poorly understood and it is seldom mentioned in most floristic inventories. Indeed, this is the first taxonomic study of the family for northeastern Brazil. Ten species in six genera were recorded in the study area: Cayaponia tayuya, Gurania aff. bignoniacea, G. bignoniacea, G. lobata, G. subumbellata, Luffa cillyndrica, Melothria pendula, Momordica charantia, Psiguria ternata and P. triphylla. The taxonomic treatment includes identification keys, descriptions, illustrations and comments for each taxon.

Key words: flora, Atlantic rainforest, taxonomy, vines.


 

 

Introdução

Cucurbitaceae está representada por 97 gêneros e aproximadamente 950 espécies (Schaefer & Renner 2011) presentes nas regiões tropicais e subtropicais do mundo. No Brasil, são reconhecidas 148 espécies reunidas em 30 gêneros (Klein & Lima 2011) dos quais, 52 espécies e 22 gêneros ocorrem no Nordeste (Gomes-Klein 2006).

As cucurbitáceas exibem alta plasticidade nos caracteres morfológicos. São predominantemente plantas herbáceas escandentes ou prostradas, anuais ou perenes, monóicas ou dióicas e com gavinhas posicionadas ao lado da base do pecíolo formando com este um ângulo de 90º. As folhas podem ser simples, palmatilobadas ou compostas, as inflorescências são em geral racemosas ou reduzidas a uma única flor. As flores possuem hipanto bem diferenciado, mesmo nas flores masculinas. O fruto é frequentemente um pepônio, mas pode ser bacóide, capsular (Luffa) ou ainda uma cápsula carnosa, como observado em Momordica charantia L. (Wunderlin 1978; Jeffrey & Trujillo 1992; Nee 2007).

Economicamente é uma família de importância mundial, por apresentar espécies cultivadas para a alimentação e outras que despertam interesse na indústria farmacêutica pela presença de compostos bioativos (Schaefer & Renner 2011)

Os estudos taxonômicos no Brasil são pontuais e escassos, sendo inexistentes, até o presente, no Nordeste.Esses tratam-se principalmente de flórulas locais (Augusto 1946; Nee 2007; Klein 2001), além do estudo da Subtribo Melothrinae no Rio de Janeiro (Gomes-Klein 1996) e dos gêneros Cayaponia Silva Manso (Gomes-Klein 2000); Anisosperma Silva Manso; Apodanthera Arn.; Fevillea L.; Melothria L.; Melothrianthus Mart. Crov. e Sicyos L. (Lima 2010) no Brasil.

Este trabalho tem como objetivo inventariar e caracterizar morfologicamente Cucurbitaceae ocorrentes na Usina São José, Igarassú, Pernambuco, dando continuidade ao conjunto de monografias de famílias botânicas na Usina São José (e.g. Alves-Araújo & Alves 2010; Melo et al. 2010; Pontes et al. 2010; Buril & Alves 2011), contribuindo, dessa forma, para o conhecimento das espécies da Mata Atlântica Nordestina.

 

Materiais e Métodos

A Usina São José (USJ) localiza-se no município de Igarassu, Pernambuco (7º40'21,25"–7º55'50,92"S e 34º54'14,25"–35º05'21,08"W) (Trindade et al. 2008), compreende uma área total de 280 km2 e possui aproximadamente 100 fragmentos florestais. Seis deles, com área de 12 a 388 ha, foram selecionados para este estudo. Coordenadas geográficas e caracterização ambiental para cada um dos fragmentos estão disponíveis em Araújo & Alves (2010). Além das coletas e observações de campo, intensificadas em 2010-2011, foram ainda acrescidas informações obtidas a partir das coleções depositadas nos herbários ALCB, ASE, CEPEC, EAN, HRB, HST, HUEFS, INPA, IPA, JPB, MAC, PEUFR, R, RB, UFP e UFRN. O material coletado foi submetido às técnicas usuais em taxonomia vegetal (Mori et al. 1985) e as amostras depositadas no herbário UFP, com duplicatas distribuídas aos herbários CEPEC, NY e RB.

A distribuição das espécies no Brasil foi baseada em bibliografia (Gomes-Klein & Lima 2011; Gomes-Klein 2006; Lima 2010, Steele 2010) além da análise das coleções dos herbários visitados.

As identificações foram realizadas com o auxílio de bibliografia especializada (Cogniaux 1878; Jeffrey & Trujillo 1992; Steele 2010; Nee, comunicação pessoal) e por comparação com amostras previamente identificadas por especialistas. A descrição da família foi realizada exclusivamente a partir de amostras da área de estudo. As medidas das folhas foram obtidas conforme o esquema da figura 1a e consideradas como adultas aquelas com inflorescência nas axilas. Nas flores pistiladas, o hipanto é tratado como porção superior e inferior. A classificação do indumento e termos morfológicos seguiram Gonçalves & Lorenzii (2007) e Harris & Harris (2000). Os frutos foram mensurados a partir de material fresco, exceto em Cayaponia tayuya (Vell.) Cogn., para a qual foram analisadas amostras herborizadas. Nesta última, consideraram-se "brácteas" as estruturas foliáceas situadas na base dos eixos parciais (paracládios de diversas ordens) da inflorescência panicular (Gomes-Klein 2000).

Tendo em vista as dificuldades de coleta do grupo e a frequência de amostras incompletas nos acervos consultados, optou-se pela elaboração de chaves de identificação para amostras estéreis, com flores estaminadas e frutificadas.

 

Resultados e Discussão

Na área de estudo foram reconhecidas dez espécies de Cucurbitaceae, entre nativas e naturalizadas, distribuídas em seis gêneros, sendo Gurania Cogn. (4 spp.) o mais representativo, seguido de Psiguria Arn. (2 spp.). Com o tratamento, foram acrescidas ao levantamento florístico de Alves-Araújo et al. (2008) quatro novas espécies para a área, Gurania aff. bignoniacea, G. subumbellata (Miq.) Cogn., Psiguria ternata (M. Roem.) C. Jeffrey e P. triphylla (Miq.) C. Jeffrey, além de serem realizadas atualizações nas identificações anteriores.

As espécies são, de modo geral, de ampla distribuição no Brasil, ocorrendo desde a região Norte ao Sudeste, especialmente nos ambientes florestais. Luffa cylindrica M. Roem. (bucha), Momordica charantia L. (melão-de-são-caetano) e Melothria pendula L., são comuns em áreas abertas e antropizadas. As demais espécies são comuns na Floresta Atlântica, sendo encontradas na maioria das vezes em áreas de borda sobre dossel, exceto C. tayuya, registrada também para áreas abertas na Caatinga e no Cerrado.

Tratamento taxonômico

Cucurbitaceae Juss.

Trepadeiras herbáceas, por vezes robustas (ex. Gurania e Psiguria). Gavinhas simples ou ramificadas. Folhas alternas, simples, em geral palmatilobadas, ou 3-folioladas, podendo em alguns casos, ocorrer estas variações em uma mesma espécie. Inflorescências racemosas axilares, frequentemente diferenciadas quanto ao sexo ou flores solitárias. Flores dióicas. Cálice e corola pentâmeros. Corola amarela, esverdeada, rosada ou vermelha. Hipanto verde ou laranja. Androceu com 2, 3 ou 5 estames, anteras livres ou adnatas, retas, convolutas ou sigmóides, mono ou 2-tecas. Gineceu com 2–3 carpelos, ovário ínfero. Frutos secos ou carnosos, deiscentes ou indeiscentes.

Chave para identificação do material estéril de Cucurbitaceae da USJ

1. Gavinhas ramificadas.
  2. Folhas simples, com glândulas esparsas na face abaxial, base
cordada ............................................................................Luffa cylindrica
  2'. Folhas simples, com glândulas na base, base decurrente ....Cayaponia tayuya
1'. Gavinhas simples.
  3. Folhas simples.
    4. Folhas com até 8 cm de comprimento.
      5. Folhas 5–7 palmatipartidas; ápice agudo e
mucronulado .....................................................Momordica charantia
      5'. Folhas 3–5 anguladas ou 3–5 suavemente palmatífidas, ápice agudo, não mucronulado ....................................................Melothria pendula
    4'. Folhas maiores que 8 cm de comprimento.
      6. Folhas glabras ..............................................0000 Psiguria triphylla
      6'. Folhas com indumento.
        7. Pecíolo pubérulo ................................................. Gurania lobata
        7'. Pecíolo crispado-pubescente a crispado viloso..Gurania subumbellata
  3'. Folhas 3-folioladas.
    8. Folhas cartáceas a coriáceas, pecíolo > 4 cm
de comprimento .............................................................Psiguria ternata
    8'. Folhas membranáceas, pecíolo ate 3,5 cm de comprimento.
      9. Ramo, pecíolo e pecíololo glabrescentes; lâmina glabra, pubérula nas nervuras e às vezes na margem .........................Gurania aff. bignoniacea
      9'. Ramo, pecíolo e pecíololo laxo-crispado-pilosos a vilosos; lâmina crispado-pilosa a esparso-crispado-pilosa .................Gurania bignoniacea

Chave para identificação do material de Cucurbitaceae com flores estaminadas da USJ

1. Flores com 2 estames.
  2. Cálice laranja; corola amarela.
    3. Folhas simples.
      4. Inflorescência capitada a globosa; sépalas
recurvadas ........................................................Gurania subumbellata
      4'. Inflorescência não-globosa em geral subcapitada; sépalas eretas ou levemente patentes .....................................................Gurania lobata
    3'. Folhas compostas.
      5. Lâmina foliolar glabra, raro pubérula nas nervuras principais e margem; sépalas maiores que as pétalas .........................Gurania aff. bignoniacea
      5'. Lâmina foliolar crispado-pilosa a esparso-crispado-pilosa; sépalas menores ou iguais as pétalas ..................................Gurania bignoniacea
  2'. Cálice verde; corola rosada ou vermelha com fauce amarela.
    6. Flores pediceladas, corola rosada ..................................Psiguria ternata
    6'. Flores sésseis, corola vermelha com fauce amarela ..........Psiguria triphylla
1'. Flores com mais de 2 estames.
  7. Estames totalmente livres.
    8. Flores com 3 estames ..............................................Melothria pendula
    8'. Flores com 5 estames .................................................Luffa cilyndrica
  7'. Estames com anteras conatas.
    9. Folhas com glândulas na base da lâmina foliar ..............Cayaponia tayuya
    9'. Folhas sem glândulas na lâmina foliar .....................Momordica charantia

Chave para identificação do material frutificado de Cucurbitaceae da USJ

1. Frutos deiscentes.
  2. Frutos carnosos, deiscência explosiva, formando 3 valvas
recurvadas ................................................................Momordica charantia
  2'. Frutos secos, deiscência através de um opérculo cônico .......Luffa cyllindrica
1'. Frutos indeiscentes.
  3. Frutos quando maduros com até 3 cm de comprimento.
    4. Frutos bacáceos; lâminas foliares com glândulas na base.Cayaponia tayuya
    4'. Frutos peponídeos; lâminas foliares sem glândulas na
base ........................................................................Melothria pendula
  3'. Frutos quando maduros maiores do que 3 cm de comprimento
    5. Folhas palmatilobadas.
      6. Folhas glabras; frutos sulcados longitudinalmente .......Psiguria triphylla
      6'. Folhas e frutos sem as características acima.
        7. Infrutescência congesta; mais de 6 frutos por
..............................................................Gurania subumbellata
        7'. Infrutescência laxa; até 4 frutos por nó ..................Gurania lobata
    5'. Folhas 3-folioladas.
      8. Folhas com margem inteira ......................................Psiguria ternata
      8'. Folhas com margem denticulada.
        9. Pecíolo crispado-piloso a viloso; frutos obovados a elipsóides, glabrescentes, verde-intensos com máculas
esbranquiçadas ...............................................Gurania bignoniacea
        9'. Pecíolo glabro a pubérulo; frutos fusiformes, glabros, esverdeados, com listras longitudinais mais escuras e pontuações
esbranquiçadas .........................................Gurania aff. bignoniacea

1. Cayaponia tayuya (Vell.) Cogn.,in A. DC., Monogra. Phan. 3: 772. 1881. Fig. 1a-k

Ramos glabros a pubérulos, gavinhas 2-7 partidas. Folhas simples, inteiras, deltóides a ovadas ou 3–5 palmatilobadas, lobos laterais e central deltóides a lanceolados,lobos basais, quando presentes, assimétricos, 7,5–8 (15,5) × 4,5–9 (14) cm, glândulas na base da lâmina foliar, membranáceas, face adaxial puncteada, escabra, face abaxial reticulada, pubescente, ápice agudo a acuminado, margem denticulada, base decurrente, com glândulas; pecíolo1–3 cm compr. Brácteas foliáceas, ovadas a lanceoladas, 7–7,5 × 4–4,5 cm, com glândulas na base. Inflorescências paniculares. Bractéolas lanceoladas 0,2 cm compr. Flores esverdeadas. Flores estaminadas 0,3 cm compr.; pedicelo 0,3–0,7 cm compr., glabro a glabrescente; hipanto largo-infundibuliforme a campanulado, 0,5–0,7 × 5–6 cm, glabrescente; sépalas triangulares, 1,5–2 cm compr. no botão; corola campanulada, 0,6–0,8 × 0,6 cm, tomentosa, pétalas ovadas, reflexas, ápice agudo, 0,5 × 0,3 cm; estames 3, filetes filiformes, ca. 0,4 cm compr., glabros, vilosos próximo a base, anteras conatas, sigmóides, 0,2 cm compr., glabras, ciliadas no ápice; pistilódio 3-lobado, 0,1 × 0,1 cm, glabro. Botões pistilados 0,3 cm compr.; pedicelo glabro; hipanto superior estreito-campanulado, 0,15–0,25 × 0,1–0,15 cm, glabro; sépalas triangulares, 0,1 × 0,1 cm; corola 0,2–0,25 × 0,1 cm, tomentosa, pétalas lanceoladas, ápice agudo; hipanto inferior fusiforme, 0,2–0,25 × 0,1 cm glabro; estilete glabro; estigma 3, bilobados no ápice, glabros, disco nectarífero trilobado, glabro; estaminódios-3, filiformes, ca. 0,1 cm compr., glabros. Pedicelo frutífero ca. 0,5 cm compr. Frutos bacáceos, globosos a elipsóides, laranja a avermelhados quando maduros, 1–1,2 × 0,7 cm, glabrescentes, tecido fibroso presente. Sementes-3, ovadas, pardas, 1,2 × 0,6 cm, pubescentes.

Material examinado selecionado: Igarassú, Engenho Santa Helena, 8.X.2003, fr., I.M.M. Sá e Silva& H.C.H Silva 176 (UFP, PEUFR); Mata dos Macacos, 16.II.2004, fr., I.M.M. Sá e Silva & A. G. Silva 159 (UFP, PEUFR); Mata de Piedade, 17.VIII.2009, fl. (), fl. (), J.D. Garcia1124 (UFP, CEPEC); Mata do Pezinho 4.X.2007, fl. (), A. Alves-Araújo et al.579 (UFP, IPA); Mata de Vespas, 30.X.2007, fl. (), fr., J.S. Marques et al. 265 (IPA).

Amplamente distribuída no Brasil (Klein & Lima 2011). Exibe alto polimorfismo, especialmente na forma das folhas e frutos. Relacionada morfologicamente à Cayaponia racemosa Mill. (Cogn.), táxon não ocorrente no Brasil, que apresenta anteras replicadas e glabras no ápice, estigmas inteiros, disco cupuliforme e sementes glabras (Gomes-Klein 2000).

2. Gurania bignoniacea (Poepp. & Endl.) C. Jeffrey., Kew Bull. 33(2): 354. 1978. Fig. 1l-s

Ramos laxo-crispado-pilosos a vilosos, gavinhas simples. Folhas 3-folioladas, folíolos laterais 9–11 × 4,5–5,5 cm, lâmina e base assimétricas, ápice acuminado, nervuras primárias predominantemente excêntricas; folíolo central obovado, elíptico a oblanceolado 10–13 × 4,5–6,5 cm, ápice acuminado, base aguda ou assimétrica; membranáceos, indumento evidente a olho nu, crispado-piloso a esparso-crispado-piloso; margem denticulada; pecíolo e peciólulo crispado-pilosos a vilosos; pecíolo 1,5–3,2 cm compr.; peciólolo 0,7–1 (1,3) cm compr. Flores com hipanto laranja, pétalas amarelas. Flores estaminadas em racemos axilares curtos, pedúnculo 9–19 cm compr.; pedicelo 0,5–1 cm compr., glabrescente a piloso; hipanto urceolado a ovado, 0,6–0,8 × 0,4–0,6 cm; pubescente a esparso-piloso, com tricomas curtos e/ou longos e crispados; sépalas triangulares, 0,2–0,3 cm compr.; pétalas lanceoladas, 0,3–0,4cm compr.; estames-2, sésseis, anteras arqueadas, convolutas na região basal, 0,4–0,6 × 0,20 cm, glabras, apêndice triangular, 0,7–0,8 mm compr., papiloso. Flores pistiladas não observadas. Pedicelo frutífero 3,5–5 cm. Frutos jovens peponídeos, em infrutescências laxas, obovados a elipsóides, lustrosos, verde intenso com pontuações esbranquiçadas, 4,5–5,5 cm compr., glabrescentes com tricomas longos, 1–4 frutos por nó. Sementes muitas, ovóides, 0,9 × 0,5 cm, glabras.

Material examinado selecionado: Igarassu, Mata dos Macacos, 15.VIII.2007, fl. (), D. Araújo 410 (UFP); Mata de Piedade, 1.III.2010, fl. (), G.A. Gomes-Costa et al. 43 (UFP, RB), 21.VIII.2010, fr., G.A. Gomes-Costa et al. 87 (UFP, RB, CEPEC), fl. (), G.A. Gomes-Costa et al.75 (UFP, RB, CEPEC); Mata de Vespas, 18.VII.2007, fl. (), N.A. Albuquerque 346 (IPA); Mata de Zambana, 18.X. 2007, fl. (), N.A. Albuquerque 528 (IPA).

Amplamente distribuída na América do Sul (Jeffrey 1975), com registros no Brasil para as Regiões Norte, Nordeste e Sudeste, nos domínios Amazônico e Atlântico. Espécie comum nos fragmentos florestais nordestinos. As flores apresentam grande plasticidade quanto ao indumento, apresentando desde hipanto pubérulo a piloso com tricomas longos e evidentes. Relacionada morfologicamente à Gurania acuminata Cogn., pois ambas apresentam folhas polimórficas e flores semelhantes quanto à forma e dimensão, sendo difícil a distinção morfológica entre elas, uma vez que podem ocorrer em simpatria. No entanto, em G. acuminata há predomínio de folhas 3-lobadas e glabras enquanto em G. bignoniacea as folhas são em geral 3-folioladas e pilosas (Neill & Nee, comunicação pessoal). Até o presente na Região Nordeste G. acuminata é registrada apenas para o estado da Bahia.

3. Gurania aff. bignoniacea Fig. 1t-aa

Ramos glabrescentes, gavinhas simples. Folhas 3-folioladas, folíolos laterais ca. 10,5 × 6 cm, lâmina e base assimétricas, ápice acuminado, nervuras primárias predominantemente excêntricas;folíolo central elíptico a ovado,11,5–12,2 × 6–6,5 cm, ápice acuminado, base aguda ou assimétrica; membranáceos, glabros, raro pubérulos nas nervuras principais e margem, pubescentes quando jovem; margem denticulada; pecíolo e pecíololo glabros a pubérulos, raro pubescentes; pecíolo 1,3–2,5 cm compr.; peciólolo 0,8–1 cm compr. Flores com hipanto laranja, pétalas amarelas. Flores estaminadas em curtos racemos axilares, pedúnculo 13–16 cm compr.; pedicelo 0,2–0,8 cm compr., pubérulo, às vezes piloso na inserção da flor; hipanto urceolado a ovado, 0,6–0,8 × 0,6–1cm, pubérulo, raro com tricomas longos esparsos; sépalas triangular-lanceoladas a oblongo-lanceoladas, patentes, 0,4–0,6 cm compr.; pétalas triangulares, 0,1–0,4 cm compr.; estames-2, sésseis, anteras ligeiramente arqueadas, convolutas na região basal, 0,4–6 × 0,3 cm, glabras, apêndice triangular, 0,7–0,8 mm compr., papiloso. Flores pistiladas em ramos com folhas, reunidas em fascículos sésseis, com 2–4 flores por nó, pedicelo até 1,5 cm compr., pubescente; porção superior do hipanto e perianto similares aos das flores estaminadas; porção inferior do hipanto cilíndrica, glabrescente. Pedicelo frutífero ca. 5 cm comp. Frutos jovens peponídeos, em infrutescências laxas, fusiformes, lustrosos, esverdeados com listras verde mais escuro e pontuações esbranquiçadas, 5,5–7,5 cm compr., glabros; 1–4 frutos por nó. Sementes muitas, ovóides, 0,7 × 0,5 cm, glabras.

Material examinado selecionado: Igarassu, Mata de Piedade, 21.VIII.2010, fl. (, ), fr., G.A. Gomes-Costa et al. 85 (UFP, CEPEC), 23.VIII.2010, fl. (), G.A. Gomes-Costa et al. 233 (UFP); Mata dos Macacos, 22.III.2011, fl. (), G.A. Gomes-Costa et al. 241 (UFP).

Relacionada morfologicamente à Gurania bignoniacea (Poepp. & Endl.) C. Jeffrey. Embora ocorram em simpatria, diferencia-se desta por possuir folhas glabras a pubérulas, sépalas maiores que as pétalas e frutos listrados. Já G. bignoniacea apresenta folhas pilosas, com tricomas longos, sépalas menores do que as pétalas e frutos não listrados.

4. Gurania lobata (L.) Pruski, Brittonia 51(3): 329, f. 1-2. 1999. Fig. 2a-h

Ramos pubérulos a glabrescentes, gavinhas simples. Folhas simples, 3–5 palmatífidas a 3–5 palmatipartidas, largo-reniformes, ovadas, largo-ovadas ou deltóides, discolor, lobo central maior que os laterais, elíptico, oblanceolado, ovado, oblongo oulargo-ovado; lobos laterais assimétricos, 16,5–29,5 × 15,5–33,5 cm; membranáceas a cartáceas, face adaxial esparso-pubescente a escabra, pubérula nas nervuras, face abaxial crispado-pilosa a crispado-tomentosa, reticulada, ápice curto-acuminado, acuminado ou raro agudo, base profundamente cordada, sinus basal (2) 5–7 cm compr.; margem denticulada; pecíolo 5–7 cm compr., pubérulo. Flores com hipanto laranja, pétalas amarelas. Flores estaminadas em racemos axilares curtos,subcapitados, pedúnculo 16–32 cm compr.; pedicelo 0,2–0,5 (0,8) cm comp., geralmente denso-pubérulo; hipanto urceolado-cilíndrico, 1–1,2 × 0,2–0,7 cm, pubérulo; sépalas lanceoladas a linear-lanceoladas, eretas ou levemente patentes, 0,3–0,5 cm compr.; pétalas lanceoladas, 0,5 cm compr.; estames-2, sésseis, anteras retas, confluentes na região basal, 0,7–1 × 0,1–0,3cm, glabras, apêndice estreito-triangular a triangular, 0,2–0,3 cm compr., geralmente glabro. Flores pistiladas em ramos áfilos, reunidas em fascículos sésseis, com ca. 4 flores por nó; pedicelo até 3 cm compr., pubérulo a piloso; porção superior do hipanto e perianto similares aos das flores estaminadas; porção inferior do hipanto cilíndrica, glabro a esparso piloso; estilete glabro. Pedicelo frutífero ca. 3,5 cm comp. Frutos jovens peponídeos, em inflorescência laxa, fusiforme-cilindricos,opacos, esverdeados, 6,5–8 cm compr., glabros, 1–4 frutos por nó. Sementes muitas, obovóides, 0,7 × 0,4 cm, glabras.

Material examinado selecionado: Igarassu, Mata de Chave, 3.III.2010, fl. (), E. Pessoa et al. 282 (UFP); Mata de Pezinho, 15.II.2008, fl. (), A. Alves-Araújo et al.873 (UFP); Mata de Piedade, 26.I.2010, fl. () e fr., J.D. Garcia 1383 (UFP), 5.III.2010, fl. (), G.A. Gomes-Costa et al.46 (UFP), 17.V.2010, fl. (), G.A. Gomes-Costa et al. 57 (UFP), 23.VIII.2010, fr., G.A. Gomes-Costa et al. 90 (UFP).

Espécie amplamente distribuída na América do Sul (Pruski 1999). No Brasil ocorre nas Regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, sendo geralmente encontrada em ambientes florestais. Na USJ, é comum e distingue-se das demais espécies do gênero na área por apresentar folhas profundamente lobadas, flores estaminadas com hipanto geralmente cilíndrico e inflorescência estaminada subcapitada.

5. Gurania subumbellata (Miq.) Cogn., Diagn. Cucurb. nouv. Fig. 2i-o

Ramos glabrescentes a crispado-pubescentes, densamente vilosos quando jovens, gavinhas simples. Folhas simples,frequentemente 3-palmatífidas, deltóides a largo-ovadas,lobo central maior que os laterais, largo-triangular, largo-ovado ou ovado-oblongo, lobos laterais assimétricos, 18–20 × 21–22,5 cm; membranáceas, face adaxial esparso-pubescente, às vezes escabrosa,face abaxial pubescente a tomentosa, reticulada; ápice agudo e acuminado, base profundamente cordada,sinus basal 2,5–4,4 cm compr.; margem denticulada; pecíolo 7–9,5 cm compr., crispado-pubescente a crispado-viloso. Flores com hipanto laranja, pétalas amarelas. Flores estaminadas em inflorescências racemosas umbeliformes, densas, globosas, pedúnculo 24,5–35 cm compr., esparso piloso, pedicelo 0,6–2 cm compr., ascendente-pubescente; hipanto urceolado, 0,3 × 0,5 cm, ascendente-pubescente; sépalas lanceoladas a linear-lanceoladas, recurvadas,0,7 cm comp.; pétalas estreito-triangulares a lanceoladas, 0,4 cm comp.; estames-2, sésseis,anteras arqueadas ou ligeiramente arqueadas, confluentes na base, 0,2–0,3 × 0,1 cm, apêndice agudo, 0,3 mm compr., glabro. Flores pistiladas em ramos folhosos, em fascículos, ca. 10 flores por nó, às vezes formando densos agrupamentos; pedicelo 0,2 cm compr., densamente pubescente; porção superior do hipanto e perianto similares aos das flores estaminadas; porção inferior do hipanto cilíndrica, glabrescente. Pedicelo frutífero 2–2,5 cm comp. Frutos peponídeos,em infrutescência congesta, elipsóide-cilindricos, opacos, esverdeados com listras longitudinais amareladas, glabros, mais de seis frutos por nó. Sementes muitas, obovóides, 0,7 × 0,4 cm, glabras.

Material examinado selecionado: Igarassu, Mata de Chave, 3.III.2010, fl. (), E. Pessoa et al.283 (UFP); Mata dos Macacos, 10.VI.2006, fl. (), A. Melo et al. 61 (UFP); Mata de Piedade, 21.IX.2010, fl. (), G.A. Gomes-Costa et al. 76 (UFP); Mata de Zambana, 28.VII.2007, fl. (), N.A. Albuquerque 424 (IPA).

Material adicional: PERNAMBUCO: São Lourenço da Mata, Estação Ecológica de Tapacurá, 9.VIII.2010, fl. (), fr., G.A. Gomes-Costa et al. 61 (UFP).

Espécie distribuída no Brasil, Bolívia, Venezuela, Guiana Suriname e Guiana Francesa (Kearns 1998). No Brasil, ocorre em todas as regiões, exceto no Sul, estando associada aos domínios Amazônico, Atlântico e da Caatinga (Gomes-Klein & Lima 2011). Na USJ é comum a ocorrência de indivíduos estaminados na borda dos fragmentos. Distingue-se das demais espécies do gênero por apresentar inflorescências racemosas umbeliformes, globosas e densas, e sépalas longas e recurvadas.

6. Luffa cylindrica M. Roem., Fam. nat. syn. monogr. Fig. 2p-w

Ramos glabrescentes a pubérulos, gavinhas 3–5 partidas. Folhas simples, 5–7 palmatipartidas, suborbiculares a ovadas, lobos triangulares, 15 cm compr.; cartáceas, faces adaxial e abaxial escabras, face abaxial com glândulas esparsas; ápice acuminado, margem denteada e/ou denticulada, base profundamente cordada, sinus basal 2,5 cm compr.; pecíolo 9–13,5 cm compr., pubescente. Bractéolas elípticas a lanceoladas, 0,7–0,8 × 0,3 cm, com glândulas. Flores com hipanto verde, pétalas amarelas. Flores estaminadas em racemos axilares, pedúnculo 16–28 cm compr.,pubérulo a glabrescente; pedicelo 2 cm compr.; hipanto campanulado, 0,8 × 0,6 cm, apresso-pubescente; sépalas lanceoladas, acuminadas, 1,3 × 0,6 cm compr.;pétalas obovadas a oblanceoladas, levemente cuspidadas, 4–5 × 3 cm; estames-5, livres, filetes 0,6–0,8 cm compr., pubérulos, ciliados na base, anteras convolutas, monotecas. Flores pistiladas solitárias, pedicelo 11–14 cm compr.; glabrescente a pubérulo em direção a base; porção superior do hipantoe perianto similares às flores estaminadas; sépalas com glândulas discóides externamente; porção inferior do hipanto fusiforme, apresso-puberula; estilete-1, estigmas bilobados, densamente papilados; estaminódios-5, pubescentes, glabros na extremidade. Frutos secos, cilíndricos ou fusiformes, deiscentes por um opérculo cônico, com extremidade alongada, verde, longitudinalmente estriado, máculas escuras. Sementes muitas, ovóides, cinza, máculas escuras, 0,8–1,2 × 0,7–1 cm, superfície ornamentada.

Material examinado selecionado: Mata de Piedade, 21.VIII.2010, fl. (), fl. (), fr., G. A. Gomes-Costa et al. 80 (UFP); Mata dos Macacos, 16.VIII.2007, est., D. Araújo et al. 424 (UFP).

Espécie nativa dos trópicos do Velho Mundo, após o cultivo tornou-se espontânea e naturalizada nos trópicos do Novo Mundo (Wunderlin 1978), sendo amplamente encontrada no Brasil. Na USJ, ocorre em ambientes antropizados. É facilmente reconhecida pelas folhas com lobos triangulares e acuminados e os frutos capsulares fibrosos, cilíndricos ou fusiformes.

7. Melothria pendula L., Sp. pl. 1: 35. 1753. Fig. 3 a-h

Ramos delicados, glabros a pubescentes, gavinhas simples. Folhas simples, 3–5 anguladas ou 3–5 palmatifidas, ovadas a ovadas-triangulares, 3–5 × 4–6 cm; membranáceas, face adaxial glabra a escabra, face abaxial escabro-pubescente, ápice agudo, margem esparsamente denticulada, base profundamente cordada, sinus basal 1–2 cm compr.; pecíolo 3–6 cm compr., pubescente. Flores com hipanto verde, pétalas amarelas. Flores estaminadas em racemos axilares, pedúnculo glabrescente 2–2,5 cm compr.; pedicelo 0,2–0,5 cm compr., glabrescente a piloso; hipanto estreitamente campanulado, 0,15–0,3 cm compr., esparso piloso externamente, piloso internamente; sépalas < 0,5 mm comp.; pétalas com ápice bilobado, papilosas, 0,2 cm compr.; estames-3, sésseis; anteras retas, pilosas nas margens, 0,1cm comp.; pistilódio globoso, glabro, 0,7 mm diâm. Flores pistiladas solitárias, pedicelo 4,5–5,5 cm compr., glabrescente; porção superior do hipanto e perianto similares aos das flores estaminadas; porção inferior do hipanto fusiforme-cilíndrica, 0,6 × 0,15 cm, glabra; estilete glabro a pubérulo, disco anelar 0,7 mm diâm. Pedicelo frutífero 6–7 cm compr. Frutos peponídeos, elipsóides a globóides, lustrosos, verdes com máculas claras, enegrecidos na maturidade, 2 × 1 cm, glabros. Sementes muitas, obovadas, 0,5 × 0,2–0,3 cm, esverdeadas, pilosas.

Material examinado selecionado: Mata de Piedade, 21.IX.2010, fl. (), fr., G.A. Gomes-Costaet et al. 78 (UFP), fr., G.A. Gomes-Costaet al. 79 (UFP); 16.X.2002, fl. (), G.J. Bezerra et al. 73 (UFP); Mata de Vespas, 18.VI.2007, fl. (), P.Y. Ojima 62 (UFP).

Espécie encontrada na América continental, Bahamas e Oeste da Índia (Wunderlin 1978) e amplamente distribuída no Brasil (Lima 2010). Na USJ ocorre em áreas antropizadas, nas cercas ou na margem dos canaviais.

8. Momordica charantia L., Sp. pl. 2: 1009-1010. 1753. Fig. 3i-p

Ramos delicados, glabrescentes, gavinhas simples. Folhas simples, suborbiculares a ovadas, 5–7 palmatipartidas, lobo central maior que os laterais, obovóide a elipsóide, com estreitamento na base, 4,5–8 cm diâm.; membranáceas, face adaxial esparso-pilosa, face abaxial esparso-pilosa nas nervuras, ápice agudo e mucronulado, margem denteada e denticulada; lobos basais auriculados; pecíolo 2,5–3,5 cm compr., glabrescente a esparso-pubescente. Brácteas foliáceas, reniformes. Flores com hipanto verde, pétalas amarelas. Flores estaminadas axilares; pedicelo 6,5–7,5 cm compr., esparso-pubescente; hipanto estreito-campanulado, 0,4 × 0,3 cm, pubescente; sépalas ovadas a lanceoladas, agudas no ápice, ca. 0,6 × 0,3 cm; pétalas oblongo-obovadas, arredondadas no ápice, 2 × 1,2 cm; estames-3, filetes glabros, 0,4 cm compr., anteras sigmóides, conatas, 0,3 cm compr. Flores pistiladas solitárias, axilares; porção superior do hipanto e perianto similares aos das flores estaminadas, porção inferior do hipanto 0,8–1 × 0,3 cm, tuberculado, piloso; estilete glabro; estigma 3, bilobados. Frutos carnosos, fusiformes, deiscência explosiva, valvas-3, recurvadas, alaranjados, tuberculados. Sementes muitas, oblongas, negras, arilóide vermelho, 0,8–1 × 0,4–0,6 cm.

Material examinado selecionado: Mata de Macacos, 22.III.2011, fl. (, ), G.A. Gomes-Costa et al. 242 (UFP); Mata de Vespas, 24.XI.2009, fl. (,), E. Pessoa 129 (UFP); Engenho D'água, 23.X.2002, fr., G.J. Bezerra 102(UFP).

Espécie com distribuição pantropical (Jeffrey & Trujillo 1992; Nee 1993), no Brasil ocorre em todas as regiões (Gomes-Klein & Lima 2011). Na USJ é comum em áreas antropizadas, nas bordas dos fragmentos e dos canaviais.

9. Psiguria ternata (M. Roem.) C. Jeffrey, Kew Bull. 33(2): 354. 1978. Fig. 3q-x

Ramos, pecíolo, peciólulo e pedúnculo glabrescentes a pubérulos, gavinhas simples. Folhas 3-folioladas, folíolos laterais 12,5–16,5 × 6,5–7,5 cm, lâmina e base assimétricas, ápice cuspidado, nervuras primárias predominantemente excêntricas; folíolo central obovado a largo elíptico 13,2–18,2 × 7,5–9,5 cm; cartáceos a coriáceos, face adaxial glabra, face abaxial ocasionalmente pubérula nas nervuras; ápice cuspidado, base aguda, raro assimétrica; margem inteira; pecíolo 4–5,3 cm compr.; peciólulo 1–2 cm compr. Flores com hipanto verde e corola rosada. Flores estaminadas em racemos compactos, piramidais, 2–3 flores basais bem maiores que as subseqüentes, pedúnculo 19–21 cm comp.; pedicelo até 0,3 cm compr., pubérulo a piloso; hipanto urceolado a urceolado-cilíndrico, 0,7–1,1 × 0,4–0,6 cm; glabrescente externamente, piloso na abertura internamente; sépalas triangulares, 0,2–0,3 × 0,1–0,2 cm, pubérulas a esparso pubérulas; corola zigomorfa, 4–5 meras; pétalas obovadas, ápice arredondado a agudo, 2,0–4,5 × 1,2–2,5 cm, esparsamente pubérulas; estames-2, sesséis, anteras 0,6–0,9 × 0,1–0,3 cm, retas, apêndice linear-triangular, glabrescente a esparso-piloso, 0,1 cm compr. Flores pistiladas em racemos laxos, axilares, com folhas reduzidas na extremidade do ramos, 2–3 flores por nó; pedicelo 0,8–3,5 cm compr.; glabrescente a pubérulo, às vezes piloso na inserção da flor, perianto similar ao das flores estaminadas, pétalas rotundas a levemente truncadas no ápice, 2 × 1,2 cm; porção superior do hipanto urceolada-cilindrica, 1–1,5 × 0,5–0,7 cm., glabrescente; porção inferior do hipanto elipsóide, 0,8 × 0,2 cm, glabro a glabrescente; estilete glabro; estigmas 2, bífidos, 1 cm compr.; glabros. Pedicelo frutífero ca. 4 cm. Frutos peponídeos, elípticos, lustrosos, verde intenso com listras longitudinais mais claras e pontoações esbranquiçadas, 5–6 × 2,5–3 cm, glabros. Sementes muitas, ovóides-oblongas, 0,9 × 0,5 cm, glabras.

Material examinado selecionado: Mata de Piedade, 15.II.2011, fl. (), J. D. Garcia 1571 (UFP), 1-5.III.2010, fl. (), G.A. Gomes-Costa 47 (UFP), fr., G.A. Gomes-Costa 48 (UFP), 23.VIII.2010, fl. (), fr., G.A. Gomes-Costa 91 (UFP); Mata do Pezinho, 16.VIII.2007, fr, D. Araújo et al. 446 (UFP).

Espécie amplamente distribuída na Bolívia, Brasil, Peru e Paraguai (Steele 2010). No Brasil, ocorre em todas as regiões, estando associada aos domínios Amazônico, Atlântico e do Cerrado (Gomes-Klein & Lima 2011). Na USJ é comum na borda dos fragmentos. Por vezes confundida com P. triphylla (Miq.) C. Jeffrey devido às folhas 3-folioladas, porém distingue-se pela cor da corola e pelo tamanho e arranjo das flores na inflorescência.

10. Psiguria triphylla (Miq.) C. Jeffrey, Kew Bull. 33(2): 353. 1978. Fig. 3z-dd

Ramos, gavinha, pecíolo, peciólulo e pedúnculo sulcados, glabros, gavinhas simples. Folhas simples, 5-palmatipartidas, raro trífidas, geralmente largo-deltóides, lobo central maior que os laterais, espatulado ou oblanceolado, 13–20 × 18–23 cm; discolores, lustrosas, coriáceas, glabras, às vezes punctadas em ambas as faces, venação proeminente na face abaxial, ápice cuspidado a acuminado, margem inteira a denticulada, base largo sagitada; pecíolo 4–5 cm compr. Flores com hipanto verde e corola vermelha com fauce amarela. Flores estaminadas em racemos compactos, 2–3 flores basais pouco maiores que as subsequentes, pedúnculo 20 cm compr., glabro; flores sésseis, hipanto urceolado-cilíndrico ou cilíndrico, base pouco espessada, 1,2–1,5 × 0,3–0,4 cm, glabro; sépalas triangulares,0,2–0,3 cm compr.; corola zigomorfa, pétalas obovadas, ápice arredondado a cuspidado, 0,7–1,2 × 0,3–0,9 cm, pubérulas, pilosas internamente próximo à fauce; estames-2, sésseis, anteras retas, 0,3–0,4 × 0,15 cm; apêndice ausente. Flores pistiladas não observadas. Pedicelo frutífero 8–12 cm compr. Frutos peponídeos, obovados a elípticos, sulcados longitudinalmente, lustrosos, verde intenso com pontuações brancas, 6–7 × 3,5–4 cm, glabros. Sementes muitas, ovóide-oblongas, 0,8 × 0,5 cm, glabras.

Material examinado selecionado: Mata de Piedade, 9.VIII.2007, fl. (), D. Araújo et al. 400 (IPA), 21.VIII.2010, fl. (), G.A. Gomes-Costa et al. 72 (UFP).

Material adicional: PERNAMBUCO:Jaqueira, RPPN Frei Caneca, 12.X.2010, fl. (),G.A. Gomes-Costa et al. 198 (UFP), 13.X.2010, fr., G.A. Gomes-Costa et al. 205 (UFP).

Ocorre do sul do México ao norte da Bolívia, desde o nível do mar até 2.100 m de altitude, nas regiões tropicais e subtropicais, em ambientes florestais (Steele 2010). No Brasil, é conhecida nas Regiões Norte (Gomes-Klein & Lima 2011; Steele 2010) e Nordeste, onde até então era registrada apenas para o estado de Alagoas (Lyra-Lemos et al. 2010). Apesar de citada para o estado de Pernambuco por Alves-Araújo et al. (2008) e Araújo & Alves (2010), as amostras analisadas não correspondem ao táxon em questão, sendo aqui o seu primeiro registro confirmado. Em P. triphylla as folhas são polimórficas sendo comum o padrão 3-foliolada, raro lobada (Steele 2010). No entanto, nos fragmentos florestais nordestinos é comum a ocorrência de folhas 5-palmatipartidas.

 

Agradecimentos

Os autores agradecem ao CNPq pela bolsa de mestrado concedida a primeira autora, aos proprietários da USJ/Grupo Cavalcante Petribú pelo apoio logístico, à Dra. Roxanne Steele e ao Dr. Michael Nee pelo auxílio nas identificações, à Regina Carvalho pelas ilustrações e aos curadores do herbários visitados. Este estudo teve apoio finaceiro da NSF, Velux Stiftung e Beneficia Foundation.

 

Referências

Alves-Araújo, A.; Araújo, D.; Marques, J.; Melo, A.; Maciel, J.R.; Uirapuã, J.; Pontes, T.; Lucena, M.F. A.; du Bocage, A.L. & Alves, M. 2008. Diversity of angiosperms in fragments of Atlantic Forest in the state of Pernambuco, Northeastern Brazil.Bioremediation, Biodiverstity and Bioavailability 2: 14-26.         [ Links ]

Alves-Araújo, A. & Alves, M. 2010. Flora da Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Sapotaceae. Rodriguésia 61: 303-318.         [ Links ]

Araújo, D. & Alves, M. 2010.Climbing plants of a fragmented area of lowland Atlantic Forest, Igarassu, Pernambuco (northeastern Brazil). Phytotaxa 8: 1-24.         [ Links ]

Augusto, Ir. 1946. Cucurbitaceae. In: Flora do Rio Grande do Sul. Imprensa Oficial, Porto Alegre. Pp. 454-470.         [ Links ]

Buril, M.T. & Alves, M. 2011. Flora da Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Convolvulaceae. Rodriguésia 62: 93-105.         [ Links ]

Cogniaux, A. 1878.Cucurbitaceae. In: Martius, C.F.P. von; Eichler, A.M. & Urban, I. (eds.). Flora brasiliensis 6 (4). Munchen, Wien, Leipzig. Vol. 6 (4). Pp. 1-126.         [ Links ]

Gomes-Klein, V.L. 1996. Cucurbitaceae do estado do Rio de Janeiro: subtribo Melothriinae E.G.O. Muell et F. Pax. Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro 34: 93-172.         [ Links ]

Gomes-Klein, V.L. 2000. Estudo taxonômico de Cayaponia Silva Manso no Brasil. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo, São Paulo. 289p.         [ Links ]

Gomes-Klein, V.L. 2006. Cucurbitaceae. In: Barbosa, M.R.V.; Sothers, C.; Simon, M; Gamarra-Rojas, C.F.L. & Mesquita, A.C. (orgs.). Checklist das plantas do nordeste brasileiro: Angiospermas e Gymnospermas. Ministério de Ciência e Tecnologia, Brasília. Pp. 63-64.         [ Links ]

Gomes-Klein, V.L.G. & Lima, L.F.P. 2011. Cucurbitaceae. In: Lista de espécies da flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2010/FB017036>. Acesso em 23 Jun 2011.         [ Links ]

Gonçalves, E.G. & Lorenzi, H. 2007. Morfologia vegetal: organografia e dicionário ilustrado de morfologia das plantas vasculares. Instituto Plantarum de Estudos da Flora, Nova Odessa. 416p.         [ Links ]

Harris, J.G. & Harris M.W. 2000. Plant identification terminology: an illustrated glossary. Spring Lake Publishing, Spring Lake. 197p.         [ Links ]

Jeffrey, C. 1975. Further notes on Cucurbitaceae: IV. Some New-World taxa. Kew Bulletin 30: 347-380.         [ Links ]

Jeffrey, C. & Trujillo, B. 1992.Cucurbitaceae. In: Morillo, G. (ed.). Flora da Venezuela. Instituto Botánico de Venezuela/Consejo Nacional de Investigaciones Cientificas y Tecnológicas, Caracas. Pp. 11-201        [ Links ]

Kearns, D.M. 1998. Cucurbitaceae. In: Steyermark, J. A.; Berry, P.E. & Holst, B.K. (eds). Flora of the Venezuelan Guyana (4). Missouri Botanical Garden Press, St. Louis. Pp. 431-461        [ Links ]

Klein, V.L.G. 2001. Flora Fanerogâmica da Reserva do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (São Paulo, Brasil): 61-Cucurbitaceae. Hoehnea 28: 5-13.         [ Links ]

Lima, L.F.P. 2010. Estudo taxonômicos e morfopolínicos em Cucurbitaceas Brasileiras. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Sul.         [ Links ]

Lyra-Lemos, R.P.; Mota, M.C.S.; Chagas, E.C.O. & Silva, F.C. (orgs.). 2010. Checklist – Flora de Alagoas: angiospermas. Instituto do Meio Ambiente de Alagoas, Herbário MAC, Maceió. 141p.         [ Links ]

Melo, A.; Alves-Araújo, A. & Alves, M. 2010. Burmaniaceae e Gentianaceae da Usina São José, Igarassu, Pernambuco. Rodriguésia 61: 431-440.         [ Links ]

Mori, S.A.; Mattos-Silva, L.A.; Lisboa, G. & Coradin, L. 1985. Manual de manejo do herbário fanerogâmico. Centro de Pesquisas do Cacau, Ilhéus. 97p.         [ Links ]

Nee, M. 1993. Flora de Vera Cruz: Cucurbitaceae. Fasc. 74. Instituto de Ecologia, Vera Cruz. Pp. 1-129        [ Links ]

Nee, M. 2007. Flora da Reserva Ducke, Amazonas Brasil: Cucurbitaceae. Rodriguésia 58: 703-707.         [ Links ]

Pontes, T.A.; Andrade, M.I. & Alves, M. 2010. Flora da Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Araceae. Rodriguésia 61: 689-704.         [ Links ]

Pruski, J.F. 1999. Gurania lobata (Cucurbitaceae), a new combination for an overlooked Linnaean name. Brittonia 51: 326-330.         [ Links ]

Souza, V.C. & Lorenzii, H. 2008. Botânica sistemática: Guia ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas nativas e exóticas no Brasil, baseado em APG II. Instituto Plantarum, Nova Odessa, SP.         [ Links ]

Schaefer, H. & Renner, S.S. 2011. Phylogenetic relationships in the order Cucurbitales and a new classification of the gourd family (Cucurbitaceae). Taxon 60: 122-138.         [ Links ]

Steele, P.R. 2010. Taxonomic revision of the Neotropical Genus Psiguria (Cucurbitaceae). Systematic Botany 35: 341-357.         [ Links ]

Thiers, B. 2011 [continuamente atualizado]. Index Herbariorum: a global directory of public herbaria and associated staff. New York Botanical Garden's Virtual Herbarium. Disponível em <http://sweetgum.nybg.org/ih>. Acesso em 5 Fev 2011.         [ Links ]

Trindade, M.B.; Lins-e-Silva, A.C.B.; Silva, H.P.; Figueira, S.B. & Schessl, M. 2008. Fragmentation of the Atlantic rainforest in the Northern coastal region in Pernambuco, Brazil: recent changes and implications for conservation. Bioremediation, Biodiversity and Bioavailability 2: 5-13.         [ Links ]

Wunderlin, R.P. 1978. Family 182. Cucurbitaceae. In: Woodson Jr., R.E. & Schery, R.W. (eds.). Flora of Panama. Part IX. Annals of the Missouri Botanical Garden: 285-366.         [ Links ]

 

 

Artigo recebido em 11/08/2011.
Aceito para publicação em 29/05/2012.

 

 

1 Autora para correspondência: gessica_anastacia@hotmail.com

 

 

Lista de exsicatas

Albuquerque, N. 284 (2); 346 (2); 387 (9); 424 (5); 528 (2); 600 (3); Alves-Araújo, A. 576 (1); 579 (1); 873 (4); Araújo, D. 324 (8); 381 (3); 382 (3); 399 (3); 400 (10); 401 (3); 402 (4); 410 (3); 424 (6); 430 (2); 446 (9); 467 (9); 469 (9); 580 (2); 622 (9); 624 (3);Araújo, K.C. 12 (8); Bezerra, G.J. 69 (2); 73 (7); 102 (8); Cavalcanti, D. 62 (9); García, J.D. 923 (9); 925 (9); 1124 (1); 1171 (2); 1383 (4); 1386 (3); 1388 (4) 1391 (5); 1427 (9); 1569 (4); 1571 (9); Gomes-Costa, G.A. 43 (2); 44 (9); 45 (2); 46 (4); 47 (9); 48 (9); 57 (4); 71 (2); 72 (10); 73 (4); 74 (4); 75 (2); 76 (5); 78 (7); 79 (7); 80 (6); 85 (3); 86 (9); 87 (2); 90 (4); 91 (9); 92 (2); 93 (2); 94 (4); 198 (10); 205 (10); 225 (7); 233 (3); 241 (3); 242 (8); 244 (3); Marques, J.S. 133 (5); 216 (2); 265 (1); 301 (4); Melo, A. 25 (4); 42 (9); 46 (5); 47 (4); 61 (5); 344 (9); Melquiades, A. 22 (2); 33 (8); 255 (2); Ojima, P.Y. 50 (3); 62 (7); Pessoa, E. 29 (7); 41 (8); 129 (8); 282 (4); 283 (5); Sá e Silva. M.M.I. 154 (8); 159 (1); 176 (1); 319 (9); 321 (3 e 9).

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License