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Rodriguésia

Print version ISSN 0370-6583On-line version ISSN 2175-7860

Rodriguésia vol.67 no.5spe Rio de Janeiro  2016

http://dx.doi.org/10.1590/2175-7860201667545 

Artigos Originais

Flora das cangas da Serra dos Carajás, Pará, Brasil: Phytolaccaceae

Flora of the cangas of The Serra dos Carajás, Pará, Brazil: Phytolaccaceae

Julia Meirelles1  2 

1Museu Paraense Emílio Goeldi, Coord. Botânica, Av. Perimetral 1901, Terra Firme, 66077-830, Belém, PA, Brazil.


Resumo

Este estudo inclui o levantamento de Phytolaccaceae para as cangas da Serra dos Carajás, Pará, Brasil, e fornece descrições detalhadas, ilustrações e comentários morfológicos da única espécie registrada na área de estudo, Phytolacca thyrsiflora, amplamente distribuída nas Américas de Norte a Sul.

Palavras-chave: Caryophyllales; Microteaceae; Petiveriaceae

Abstract

This study includes the species of Phytolaccaceae registered for the canga of the Serra dos Carajás, Pará state, and provides detailed descriptions, illustrations, and morphological comments, of the only species registered for the study area Phytolacca thyrsiflora, widely distributed from North to South America.

Key words: Caryophyllales; Microteaceae; Petiveriaceae

Phytolaccaceae R. Brown

Phytolaccaceae é uma família de plantas herbáceas, arbustivas, arbóreas ou lianescentes com distribuição pantropical. Devido ao recente reconhecimento do gênero Microtea Sw. e da subfamília Rivinoideae como famílias distintas - Microteaceae Schäferh. & Borsch (Stevens onwards; Schaferhoff et al. 2009) e Petiveriaceae C. Agardh (Stevens onwards; APG IV 2016) respectivamente - a família Phytolaccaceae foi reduzida a cinco gêneros: Agdestis Moc. & Sessé, Anisomeria D. Don, Ercilla A.Juss., Nowickea J. Martínez & J.A. McDonald e Phytolacca L. e cerca de 32 espécies (Stevens 2001). No Brasil, a família é representada por um único gênero, Phytolacca com três espécies nativas. Algumas espécies são conhecidas por possuírem propriedades medicinais (Steinmann 2010). No estado do Pará são registradas duas espécies: P. rivinoides Kunth & Bouché e P. thyrsiflora Fenzl ex J.A. Schmidt (BFG 2015). Na Serra dos Carajás, ocorre apenas P. thyrsiflora que é descrita e ilustrada neste trabalho.

1. Phytolacca L.

Phytolacca compreende cerca de 20 espécies, herbáceas, arbustivas ou arbóreas, com distribuição tropical a subtropical. O gênero diferencia-se dos outros na família, pelas folhas não cordadas, sépalas subisomórficas levemente carnosas, ovário súpero, séssil, formado por 5-16 carpelos unidos (Steinmann 2010). No Brasil, é representado por apenas três espécies: P. dioica L., P. rivinoides e P. thyrsiflora (BFG 2015), consideradas como pioneiras em terrenos recém desmatados, e invasoras de algumas culturas, por preferirem solos férteis. As espécies do gênero são popularmente conhecidas pelos nomes de umbú, caruru brabo, caruru-de-pomba entre outros. As folhas após cozimento são consumidas em saladas, os frutos verdes são purgativos e quando maduros fornecem material para tinturaria (Santos & Flaster 1967).

1.1. Phytolacca thyrsiflora Fenzl ex J.A. Schmidt In: Martius Flora brasiliensis 14(2): 343. 1872. Fig. 1a-d

Figura 1 Phytolacca thyrsiflora - a. hábito; b. flor; c. fruto; d. semente (C.R. Sperling 5656). 

Figure 1 Phytolacca thyrsiflora - a. habit; b. flower; c. fruit; d. seed (C.R. Sperling 5656). 

Erva ca. 0,5 m alt. ou arbusto muito ramificado ca. 1,5 m alt.; ramos 2-6 mm larg., angulosos, verticalmente sulcados, glabros, entrenós achatados. Folhas simples, com pecíolos 0,5-2 cm compr., avermelhados, lâmina 4-9 × 1-3,5 cm, membranáceas a papiráceas, oblongas a lanceoladas, base decurrente, margem inteira a levemente serreada, ápice acuminado. Tirsos 10-18 × 1-2 cm, terminais ou pseudolaterais, eretos a recurvados, peduncúlos 5,5-7,5 cm compr., raque avermelhada, brácteas filiformes, com ápice aristado, pedicelos 2-5 mm compr. Flores bissexuadas, 5-meras; sépalas 5, 2-3 × 1-2 mm, oblongas, côncavas, glabras, brancas a rosadas com diminutas rugosidades oblongas; estames 10, isomórficos, anteras elípticas, dorsifixas, brancas; ovário súpero, 6-8-locular, placentação central, estigmas 6, recurvados. Fruto baga, pericarpo roxo a nigrescente, uma semente por lóculo; sementes ca. 2,5×1 mm, 6-8 por fruto, reniformes, testa negra e brilhante.

Material examinado: Parauapebas [Marabá]: Serra dos Carajás, Serra Norte, Clareira N4, 21.IV.1970, fl. e fr., P. Cavalcante 693 (MG). "2 km west of AMZA camp N5", 6°04'S, 50°08'W, 13.V.1982, fl. e fr., C.R. Sperling et al. 5656 (MG).

Phytolacca thyrsiflora distingue-se de P. rivinoides, que também ocorre no Pará, pelos tirsos com 9,5-35,5 cm de comp., os pedicelos menores que 7,0 mm de compr., as sépalas persistentes nos frutos, os estames em número de 8 a 12 e o ovário com 7 a 9 lóculos (Marchioretto & Siqueira 1993).

Phytolacca thyrsiflora é amplamente distribuída, muitas vezes considerada como planta ruderal e invasora de culturas, ocorrendo desde a América do Norte até a Argentina. Na Serra dos Carajás, esta espécie foi coletada nos blocos de canga N4 e N5. A espécie referida é comum em áreas de clareiras e de sub-bosque da mata devastada, áreas antropizadas e também em afloramentos rochosos ferruginosos, nas áreas de canga.

Lista de exsicatas

Cavalcante, P. 693 (1.1); Sperling, C.R. 5656 (1.1).

Agradecimentos

A autora agradece ao Programa de Capacitação Institucional (MPEG/MCTI), a bolsa concedida; ao ilustrador João Silveira, as ilustrações; ao projeto objeto do convênio MPEG/ITV/FADESP (01205.000250/2014-10) e ao projeto aprovado pelo CNPq (processo 455505/2014-4), o financiamento.

Referências

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BFG. 2015. Growing knowledge: an overview of seed plant diversity in Brazil. Rodriguésia 66: 1085-1113. [ Links ]

Marchioretto, M.S. & Siqueira, J.C. 1993. O gênero Phytolacca L. (Phytolaccaceae) no Brasil. Pesquisas, Botânica 44:5-40. [ Links ]

Santos, E. & Flaster, B. 1967. Fitolacáceas. In: Reitz, P.R. (ed.). Flora Ilustrada Catarinense, parte I, fasc. Fito. Herbário Barbosa Rodrigues, Itajaí. 37p. [ Links ]

Schäferhoff, B.; Müller, K.F. & Borsch T. 2009. Caryophyllales phylogenetics: disentangling Phytolaccaceae and Molluginaceae and description of Microteaceae as a new isolated family. Willdenowia 39: 209-228. [ Links ]

Steinmann, V.W. 2010. Neotropical Phytolaccaceae. In: Milliken, W.; Klitgård, B. & Baracat, A. Neotropikey - Interactive key and information resources for flowering plants of the Neotropics. Disponível em <http://www.kew.org/science/tropamerica/neotropikey/families/Phytolaccaceae.htm>. Acesso em 25 abril 2016. [ Links ]

Stevens, P.F. 2001 [onwards]. Angiosperm Phylogeny Website. Version 12, July 2012 [and more or less continuously updated since]. Available at <http://www.mobot.org/MOBOT/research/APweb/>. Access on 25 April 2016 [ Links ]

Recebido: 08 de Maio de 2016; Aceito: 19 de Outubro de 2016

2Autor para correspondência: jmeirell@gmail.com

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