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Rodriguésia

Print version ISSN 0370-6583On-line version ISSN 2175-7860

Rodriguésia vol.69 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 2018

http://dx.doi.org/10.1590/2175-7860201869216 

Artigos Originais

Flora da Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Polygonaceae

Flora of Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Polygonaceae

Marily Jullis Perera1  2 

Marccus Alves1 

1Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Ciências Biológicas, Depto. Botânica, Lab. Morfo-Taxonomia Vegetal, Av. Profº Moraes Rêgo s/n, Cidade Universitária, 50670-901, Recife, PE, Brasil.

Resumo

Polygonaceae é representada no Brasil por 95 espécies, das quais 29 são endêmicas. Este trabalho é parte da série de monografias taxonômicas de famílias encontradas em fragmentos de Mata Atlântica da Usina São José, localizada no litoral norte do estado de Pernambuco. Dez táxons foram encontrados: Coccoloba alnifolia, C. declinata, C. laevis, C. latifolia, C. lucidula, C. marginata, C. mollis, C. parimensis, C. rosea e C. striata. Chave de identificação, descrições, comentários e ilustrações são apresentadas. Coccoloba latifolia é apresentada aqui como o primeiro registro para a Mata Atlântica e Pernambuco. Embora a área estudada tenha uma pequena extensão, ela mostra uma grande diversidade para o gênero Coccoloba, uma vez que cerca de 90% das espécies listadas para o estado de Pernambuco podem ser encontradas, reforçando a sua importância para a conservação.

Palavras-chave: Coccoloba; Floresta Atlântica; taxonomia

Abstract

Polygonaceae is represented in Brazil by 95 species, of which 29 are endemic. This work is part of the series of taxonomic monographs of families found in fragments of Atlantic Forest of Usina São José, located in the northern coast of the state of Pernambuco. We found ten taxa: Coccoloba alnifolia, C. declinata, C. laevis, C. latifolia, C. lucidula, C. marginata, C. mollis, C. parimensis, C. rosea and C. striata. An identification key, descriptions, comments, and illustrations are presented. Coccoloba latifolia is presented here as the first record for the Atlantic Forest and Pernambuco. Although the studied site has a relative small area, it shows a great diversity to the genus Coccoloba, since 90% of the species found in the state of Pernambuco can be found there, reinforcing its importance to conservation.

Key words: Coccoloba; Atlantic Forest; taxonomy

Introdução

Polygonaceae pertence à ordem Caryophyllales (APG IV 2016) e possui cerca de 43 gêneros e 1.100 espécies em regiões temperadas do hemisfério norte, tropicais e subtropicais da América do Sul, África e Ásia (Brandbyge 1993). No Brasil são encontrados nove gêneros, com cerca de 100 espécies, destas aproximadamente 30 são endêmicas (BFG 2015). Tais gêneros ocorrem espontaneamente por todos os estados brasileiros, sendo Coccoloba o gênero mais diverso com 44 espécies (Howard 1961; Melo 2000, 2004).

A família é composta por plantas anuais ou perenes e com hábitos diversos desde ervas, arbustos, árvores a lianas com folhas alternas simples e inteiras e ócreas que são estípulas conspícuas e conadas formando um tubo que envolve o caule (Brandbyge 1993). As inflorescências são cimosas ou racemosas e as flores, pouco vistosas, são bissexuadas ou unissexuadas, actinomorfas, monoclamídeas ou diclamídeas. O cálice é 3(-5) mero, dialissépalo ou gamossépalo; a corola é trímera, dialipétala ou gamopétala; 6-9 estames e o ovário é súpero, (2-)3(-4) carpelar, unilocular e uniovulado com placentação ereta (Brandbyge 1993; Melo 1999, 2003, 2004; Tabosa et al. 2016). Os frutos são do tipo aquênio ou núcula cobertos por pericarpo carnoso ou seco (Barroso et al. 1999).

Algumas espécies são utilizadas na ornamentação e arborização, como os gêneros Antigonom (A. leptopus) e Triplaris (T. americana e T. gardneriana) (Lorenzi & Souza 1995; Silva-Brambilla & Moscheta 2001), espécies do gênero Polygonum que são empregados na medicina popular, com utilidade farmacêutica e química (Joachimovits 1959; Kulakkattolickal 1989; Sartor et al. 1998; Lorenzi 1991). Além disso, apresentam importância madeireira (Pio Correa 1984; De Paula 1993; Lorenzi & Matos 2002).

Esse trabalho é parte de uma série de monografias que objetiva inventariar e caracterizar morfologicamente as espécies encontradas em fragmentos de Floresta Atlântica de Terras Baixas da Usina São José, Igarassu, Pernambuco, contribuindo para o conhecimento da flora local. São apresentadas chave de identificação, descrições e ilustrações dos caracteres diagnósticos das espécies de Polygonaceae encontradas na área.

Materiais e Métodos

Localizada na costa litorânea norte de Pernambuco, a Usina São José (USJ) está a 40 km de Recife (7º40’-7º55’S, 34º54’-35º05’W), com área total de 280 km2, abrange os municípios de Igarassu (onde estão inseridos os fragmentos estudados), Abreu e Lima, Araçoiaba, Goiana, Itapissuma e Itaquitinga (Trindade et al. 2008). A Usina São José, está situada dentro do domínio da Mata Atlântica com vegetação característica de Floresta Estacional Semidecidual de Terras Baixas (Veloso et al. 1991; IBGE 2012), com cerca de 110 fragmentos florestais com diversificadas áreas e formatos entre 29 e 400 ha, tais fragmentos estão incorporados em matrizes agrícolas (cultura canavieira) (Trindade et al. 2008).

As expedições de observação e coleta de material foram realizadas entre outubro de 2015 a outubro de 2016 como subsídio ao acervo já disponível para a área nos herbários locais (UFP, IPA e PEUFR). Os fragmentos florestais selecionados para o estudo: Chave (101 ha), Dedo de Deus (328 ha), Macacos (357 ha), Pezinho (29 ha), Piedade (306 ha) e Zambana (388 ha), foram percorridos de forma aleatória tendo em vista a maior área de abrangência possível, totalizando cerca de 60 horas de esforço amostral.

As amostras foram identificadas com o auxílio de literatura especializada (Rizinni 1978; Melo 1996, 1998, 2000, 2003; Mariano 2006), além de consultas às coleções de herbários (UFP, HST, PEUFR, IPA, JPB, UFRN, MAC e MUFAL). Informações sobre o habitat e abundância das espécies na área foram obtidas através de observações em campo e dados das etiquetas das exsicatas analisadas. A terminologia morfológica segue Harris & Harris (2001) e Gonçalves & Lorenzi (2007) e para os habitats florestais (borda, declive, sítio ripário e tabuleiro) adotou-se Silva et al. (2008).

As amostras foram tratadas de acordo com os procedimentos usuais em estudos taxonômicos (Peixoto & Maia 2013), depositadas no herbário UFP e as duplicatas enviadas aos herbários HUEFS, JPB, NY e RB. Este estudo segue a padronização adotada na série de publicações taxonômicas sobre os principais grupos de Angiospermas que ocorrem nos fragmentos da Usina São José (Alves-Araújo & Alves 2010; Amorim & Alves 2011; Pessoa & Alves 2012; Araújo & Alves 2013; Costa-Lima & Alves 2015; Luna et al. 2016).

Resultados e Discussão

Na Usina São José foram reconhecidos dez táxons pertencentes à Polygonaceae: Coccoloba alnifolia, C. declinata, C. laevis, C. latifolia, C. lucidula, C. marginata, C. mollis, C. parimensis, C. rosea e C. striata. Os táxons foram observados nas bordas, declive, tabuleiro e terraço dos remanescentes florestais estudados. São amplamente distribuídas na América do Sul, sendo três delas endêmicas para o Brasil (C. alnifolia, C. laevis e C. declinata). No Brasil, a maioria dos táxons encontrados na área de estudo está presente nos domínios da Mata Atlântica e Cerrado, podendo ocorrer na Caatinga e Floresta Amazônica. Neste trabalho, C. latifolia é um novo registro para Pernambuco e para Mata Atlântica. Confirmou-se que as flores apresentam grande homogeneidade entre as espécies e com pouca relevância na diagnose taxonômica, sendo os caracteres foliares e das ócreas mais relevantes na caracterização das espécies (Melo 2003). Constatamos que as amostras depositadas nos herbários, em sua grande maioria, apresentam equívocos com relação ao registro da fase de floração, pois as ocréolas e pedicelo são comumente confundidos com os verticilos florais. O estado do Ceará que apresenta seis espécies (Tabosa et al. 2016), quatro delas em comum com nossa área de estudo. Nossos estudos comprovaram a maior diversidade para os remanescentes da floresta atlântica na USJ, bem como reforçam a importância da área para conservação das espécies.

Chave de identificação para Polygonaceae da Usina São José, Igarassu, PE

  • 1. Glândulas punctiformes ausentes na face abaxial.

    • 2. Arbusto a árvore; folhas membranáceas, face abaxial pubescente; pecíolo inserido acima da base da ócrea ......................................................................................................... 7. Coccoloba mollis

    • 2’. Lianas; folhas coriáceas, face abaxial glabra; pecíolo inserido abaixo da base da ócrea ............................................................................................................................... 8. Coccoloba parimensis

  • 1’. Glândulas punctiformes presentes na face abaxial.

    • 3. Folhas membranáceas .

      • 4. Caule fistuloso, marrom, com lenticelas elípticas, alvas; folhas com face abaxial pubescente ........................................................................................ 4. Coccoloba latifolia

      • 4’. Caule maciço, acinzentado, com lenticelas arredondadas a elípticas, marrons; folhas com face abaxial glabra ................................................................................... 2. Coccoloba declinata

    • 3’. Folhas coriáceas.

      • 5. Árvores a arbustos; caule maciço a fistuloso, cilíndrico.

        • 6. Pecíolo glabro inserido na base da ócrea ...................................... 3. Coccoloba laevis

        • 6’. Pecíolo pubescente inserido acima da base da ócrea.

          • 7. Caule maciço, casca fissurada, lenticelas oblongas ........... 1. Coccoloba alnifolia

          • 7’. Caule fistuloso, casca estriada, lenticelas elípticas ................ 9. Coccoloba rosea

      • 5’. Lianas; caule maciço, cilíndrico a bilobado.

        • 8. Folhas oblongo-lanceoladas a ovais ........................................ 6. Coccoloba marginata

        • 8’. Folhas elípticas a obovadas.

          • 9. Caule com casca estriada; folhas concolores, ápice agudo; pecíolo pubescente inserido na base da ócrea .................................................... 5. Coccoloba lucidula

          • 9’. Caule com casca fissurada; folhas discolores, ápice curto acuminado; pecíolo glabro inserido acima da base da ócrea ......................................... 10. Coccoloba striata

1. Coccoloba alnifolia Casar., Nov. Stirp. Bras. 8: 71. 1844.Fig. 1a-f

Figura 1 a-f. Coccoloba alnifolia – a. hábito; b. caule (transversal); c. ócrea; d. flores; e. ocréola; f. fruto. g-l. C. declinata – g. hábito; h. caule fistuloso (transversal); i. ócrea; j. flores; k. ocréola; l. fruto. m-p. C. laevis – m. ócrea; n. flores; o. ocréola; p. fruto. 

Figure 1 a-f. Coccoloba alnifolia – a. habit; b. branch solid (transversal section); c. ochrea; d. flowers; e. ocreola; f. fruit. g-l. C. declinata – g. habit; h. branch fistulous (transversal section); i. ochrea; j. flowers; k. ocreola; l. fruit. m-p. C. laevis – m. ochrea; n. flowers; o. ocreola; p. fruit. 

Árvores 8-10 m alt.; caule maciço, cilíndrico, casca fissurada, marrom, ramos glabros; lenticelas oblongas, alvas; internós 2-4 cm compr. Folhas 10,5-19 × 9-19,5 cm compr., obovadas a orbiculares, coriáceas, discolores, margem levemente revoluta, ápice arredondado, curto-acuminado a retuso, base arredondada a subcordada, face adaxial glabra, nervuras visíveis, face abaxial pubescente, tricomas filiformes na axila das nervuras, glândulas punctiformes presentes, nervuras proeminentes, 6-8 pares de nervuras secundárias, nervação terciária visível na face adaxial e proeminente na face abaxial; pecíolo 2,5-3 cm compr., pubescente, dorsalmente-plano, inserido acima da base da ócrea; ócrea 1,5-2 cm compr., coriácea, ápice obtuso, fragmento da base persistente, glabra. Inflorescência terminal, monotirsos densifloros 15,5-28 cm compr., raque costada, pubescente; ocréola 0,8-1 mm compr., coriácea, cilíndrica, pubescente. Flores 1-2 mm compr., tépalas conatas na base, hipanto campanulado; pedicelo 1 mm compr., incluso nas ocréolas. Fruto 3-5 mm compr., globoso, ápice obtuso, margem fusionada, glabra.

Material examinado selecionado: Mata de Cruzinha, 28.IX.2003, fl., I.M.M. Sá e Silva et al. 209 (UFP); Mata Dedo de Deus, 7.III.2016, fr., M.J.C. Pereira et al. 45 (UFP); Mata da Zambana, 18.X.2007, fl., A. Alves-Araújo et al. 647 (UFP).

Comentários. Endêmica do Brasil ocorre nas regiões Nordeste e Sudeste, nos domínios fitogeográficos da Caatinga e Mata Atlântica, nas formações vegetacionais da Floresta Ciliar, Floresta Estacional Semidecidual e Restinga (Melo 2004; BFG 2015). No Nordeste e Sudeste é conhecida como “pau-de-estalo” e “cabuçu” (BFG 2015). Na USJ é encontrada nas bordas e tabuleiro. Pode ser confundida vegetativamente com Coccoloba warmingii pelo porte arbóreo, lâminas foliares obovadas a orbiculares, coriácea, discolores e ápice arredondado, curto acuminado a retuso. Entretanto, a face abaxial de C. alnifolia é pubescente, sendo possível visualizar glândulas punctiformes e o pecíolo é inserido acima da base da ócrea. Coccoloba warmingii no Nordeste ocorre apenas na Bahia, além das regiões Sudeste e Sul, nessa espécie a face abaxial da lâmina foliar é glabra a pubescente, sem glândulas punctiformes e o pecíolo é inserido na base ou acima da base.

2. Coccoloba declinata (Vell.) Mart., Flora 20(2): 90. 1837.Fig. 1g-l

Árvores 5-8 m alt.; caule maciço, cilíndrico, casca estriada, acinzentada, ramos glabros; lenticelas arredondadas e elípticas, marrons; internós 2-8 cm compr. Folhas 5-13 × 2-5,5 cm compr., elípticas a elíptico-ovaladas, membranáceas, discolores, margem plana, ápice agudo a curto-acuminado, base cuneada a arredondada, face adaxial glabra, nervuras visíveis, face abaxial glabra, glândulas punctiformes visíveis, nervuras proeminentes, 6-8 pares de nervuras secundárias, nervação terciária reticulada visível em ambas as faces; pecíolo 1,5-2 cm compr., glabro, dorsalmente-plano, inserido na base ou acima da base da ócrea; ócrea 0,5-1,5 cm compr., coriácea, ápice acuminado, base persistente, glabra. Inflorescência lateral, monotirsos laxifloros 1,8-12 cm compr., raque costada, glabra; ocréola 1 mm compr., coriácea, cilíndrica, glabra. Flores 4 mm compr., tépalas conadas na base, hipanto campanulado; pedicelo 1 mm compr., incluso nas ocréolas. Fruto 5-7 mm compr., elíptico, ápice agudo, margem fusionada, estriada, glabra.

Material examinado selecionado: Mata de Piedade, 2.II.2010, est., J.D.G. Garcia 1420 (UFP); 12.IX.2007, fr., A. Melo et al. 146 (UFP); 24.IV.2008, fr., N.A. Albuquerque et al. 485 (IPA).

Material examinado adicional: BRASIL. ALAGOAS: Mata Grande, 20.XII.1974, fl., Andrade-Lima 7722 (IPA). PERNAMBUCO: Aliança, Mata do Engenho Cueiras, 11.IV.2006, fl., C.G. Lopes & N.L. Alencar 507 (PEUFR). São Vicente Férrer, Mata do Estado, 15.X.1988, fl., E.M.N. Ferraz & A.G. Bispo 467 (PEUFR).

Comentários. Endêmica do Brasil presente em todas as regiões, exceto na Região Sul. Ocorre nos domínios da Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, tipos de vegetação Caatinga (stricto sensu), Carrasco, Cerrado (latu sensu), Floresta Ciliar, Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual e Restinga (BFG 2015). Encontra-se florida de janeiro a outubro (Melo 1996, 2004). Na USJ, é encontrada nas bordas do fragmento e terraço. Pode ser confundida com Coccoloba parimensis e C. striata. Em C. parimensis as lenticelas são inconspícuas, apresentam ócreas com 2-3,5 cm comp., pecíolo inserido abaixo da base da ócrea e fruto globoso, em C. striata as lenticelas são arredondadas a elípticas, alvas, ócrea com 1-2 cm compr., pecíolo inserido acima da base da ócrea e fruto oval, já em C. declinata as lenticelas são arredondadas a elípticas, marrons, ócrea com 0,5-1,5 cm compr., o pecíolo está inserido na base ou acima da base da ócrea e o fruto é elíptico.

3. Coccoloba laevis Casar., Nov. Stirp. Bras. 8: 71. 1844.Fig. 1m-p

Arbustos 2-4 m alt.; caule maciço, cilíndrico, casca estriada, marrom, ramos glabros; lenticelas elípticas a arredondadas, alvas; internós 1,5-4 cm compr. Folhas 8-24 × 5,5-15,5 cm compr., elípticas a obovadas, coriáceas, discolores, margem revoluta, ápice arredondado a obtuso, base cordada a subcordada, face adaxial glabra, nervuras visíveis, face abaxial glabra, glândulas punctiformes visíveis em ambas às faces, nervuras proeminentes, 4-7 pares de nervuras secundárias, nervação terciária reticulada marcada na face abaxial; pecíolo 0,5-1,5 cm compr., glabro, dorsalmente-plano, inserido na base da ócrea; ócrea 0,5-1 cm compr., coriácea, ápice cuspidado, base persistente, glabra. Inflorescência terminal, monotirsos densifloros 5-22 cm compr., raque costada, glabra; ocréola 1 mm compr., membranácea, cilíndrica, glabra a pubescente. Flores 3 mm compr., tépalas conatas na base, hipanto campanulado; pedicelo 1 mm compr., incluso nas ocréolas. Fruto 0,8-1 cm compr., globoso, ápice obtuso, margem fusionada, estriada, glabra.

Material adicional: BRASIL. BAHIA: Camaçari, 18.X.1996, fl., D.S. Carneiro-Torres et al. 6 (IPA). PARAÍBA: Lucena, 2.XII.1997, fl., R. Pereira et al. 1303 (IPA; JPB). PERNAMBUCO: Cabo de Santo Agostinho, Praia do Paiva, 8.V.1997, fl., A. Laurênio 514 (PEUFR); Praia do Paiva, 2.IX.1997, fr., A. Sacramento 149 (PEUFR).

Comentários. Endêmica do Brasil, é amplamente distribuída em todo o Nordeste e no Sudeste ocorre apenas no Espírito Santo. Presente apenas no domínio da Mata Atlântica, com distribuição nas formações vegetacionais da Floresta Ombrófila e Restinga (Melo 1996; BFG 2015; Tabosa et al. 2016). No Nordeste, é conhecida como “pipoca”, “cabuçu”, “bainha-de-facão”, “cravassú” (BFG 2015).

A amostra A. Lins e Silva 401 (IPA, UFP) citada em Melo et al. (2011) é indicada como estéril e não foi localizada nos acervos indicados, não sendo por tanto possível a confirmação da identidade taxonômica. A espécie foi mantida como de possível ocorrência na área estudo tendo sido analisada com amostras adicionais provenientes das proximidades.

4. Coccoloba latifolia Lam., Encycl. Met. 6:61. 1804.Fig. 2a-g

Figura 2 a-g. Coccoloba latifolia – a. hábito; b. caule fistuloso (transversal); c. caule sólido (transversal); d. ócrea; e. flores; f. ocréola; g. fruto. h-l. C. lucidula – h. caule sólido (transversal); i. ócrea; j. flores; k. ocréola; l. fruto. m-r. C. marginata – m. hábito; n. caule (transversal); o. ócrea; p. flores; q. ocréola; r. fruto. 

Figure 2 a-g. Coccoloba latifolia – a. habit; b. branch fistulous (transversal section); c. branch solid (transversal section); d. ochrea; e. flowers; f. ocreola; g. fruit. h-l. C. lucidula – h. branch solid (transversal section); i. ochrea; j. flowers; k. ocreola; l. fruit. m-r. C. marginata – m. habit; n. branch solid (transversal section); o. ochrea; p. flowers; q. ocreola; r. fruit. 

Árvores a arbustos 6-10 m alt.; caule fistuloso a maciço, cilíndrico, casca estriada, marrom, ramos glabros; lenticelas elípticas, alvas; internós 1-4 cm compr. Folhas 4-53 × 4,5-37 cm compr., elípticas, obovadas a orbiculares, membranáceas, discolores, margem plana a levemente revoluta, ápice curto-acuminado a arredondado, base subcordada, face adaxial glabra, nervuras visíveis, face abaxial pubescente, glândulas punctiformes visíveis, nervuras proeminentes, 6-11 pares de nervuras secundárias, nervação terciária reticulada proeminente; pecíolo 1-3 cm compr., pubescente, dorsalmente-plano, inserido na base ou acima da base da ócrea; ócrea 3,5-5 cm compr., coriácea, ápice obtuso, base persistente, glabra. Inflorescência terminal, diplotirsos densifloros 5-18 cm compr., raque costada, glabra; ocréola 1 mm compr., coriácea, cilíndrica, glabra. Flores 2-3 mm compr., tépalas conatas na base, hipanto campanulado, pedicelo 1,5-2 mm compr., incluso nas ocréolas. Fruto 7-8 mm compr., oval, ápice obtuso, margem parcialmente livre, com estriações longitudinais, glabro.

Material examinado selecionado: Mata de Chaves, 30.VI.2016, fr., M.J.C. Pereira et al. 67 (UFP); Mata de Macacos, 17.XII.2015, est., M.J.C. Pereira et al. 16 (UFP); Mata de Zambana, 18.X.2007, fl., N.A. Albuquerque et al. 561 (IPA).

Comentários. Espécie distribuída na América do Sul na Venezuela, Trinidad & Tobago Guiana, Suriname, Guiana Francesa e no Brasil, onde ocorre nas regiões Norte e Nordeste. Presente na Amazônia, Caatinga e Cerrado (BFG 2015; Melo 2004; Tabosa et al. 2016), sendo um novo registro para a Mata Atlântica e para Pernambuco. No Norte, é conhecida como “canassu preto”, “canaleira” ou “cabeça-de-macaco” (BFG 2015). Na USJ, é comum, encontrada nas bordas e no interior dos fragmentos. É facilmente identificada pelo porte arbóreo e diplotirsos paniculados, compartilhando com Coccoloba mollis tais características. Entretanto, as lâminas foliares em C. latifolia são elípticas, obovadas a orbiculares, glabras, ápice curto acuminado a arredondado, base subcordada e fruto com margem parcialmente livre, glabro. Já em C. mollis as lâminas foliares são ovais, ápice obtuso a curto acuminado, base cordada a subcordada, face abaxial pubescente e fruto com margem livre a fusionada, pubescente.

5. Coccoloba lucidula Benth. in Hook., London J. Bot. 4: 627. 1845.Fig. 2h-l

Lianas ca. 6 m alt.; caule maciço, bilobado, casca estriada, marrom, ramos glabros; lenticelas arredondadas a elípticas, alvas; internós 2-7 cm compr. Folhas 8-24 × 5,5-15,5 cm compr., elípticas a obovadas, coriáceas, concolores, margem plana a levemente revoluta, ápice agudo, base cordada a subcordada, face adaxial glabra, nervuras visíveis, face abaxial glabra, glândulas punctiformes visíveis, nervuras proeminentes, 6-10 pares de nervuras secundárias, nervação terciária reticulada pouco marcada ou inconspícua; pecíolo 1-1,5 cm compr., pubescente, dorsalmente-plano, inserido na base da ócrea; ócrea 1-2 cm compr., coriácea, ápice agudo, base persistente, glabra. Inflorescência terminal, monotirsos laxifloros 13-17 cm compr., raque costada, glabra; ocréola 1 mm compr., coriácea, cilíndrica, glabra. Flores 2-3 mm compr., tépalas conatas na base, hipanto campanulado, pedicelo 1 mm compr., incluso nas ocréolas. Fruto 1 cm compr., globoso, ápice obtuso, margem fusionada, estrias longitudinais, glabra.

Material examinado: Mata de Chave, 28.I.2016, fr., M.J.C. Pereira et al. 27 (UFP); 28.I.2016, fr., M.J.C. Pereira et al. 28 (UFP); Mata de Piedade, 26.I.2010, fl., J.D.G. Garcia 1389 (IPA); 9.VIII.2010, fr., D. Araújo 395 (UFP).

Comentários. Coccoloba lucidula ocorre na Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, e no Brasil. Está presente em todas as regiões, exceto na Região Sul. Presente na Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, com distribuição na Caatinga (stricto sensu), Cerrado (lato sensu), Floresta Ciliar, Floresta de Igapó, Floresta de Várzea, Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual e Restinga (Melo 2004; BFG 2015). Na USJ, é encontrada nas bordas do fragmento e terraço. Pode ser confundida vegetativamente com C. gentryi R.A. Howard por apresentarem o mesmo hábito, folhas elípticas e coriáceas. Entretanto, em C. lucidula, as lenticelas são arredondadas a elíticas, as folha tem a face abaxial glabra e o pecíolo está inserido na base da ócrea. Coccoloba gentryi no Brasil ocorre na Região Norte, apenas no estado do Amazonas, nas Florestas de Igapó e Florestas de Várzea (BFG 2015; Melo 2000).

6. Coccoloba marginata Benth. in Hook., London J. Bot. 4: 626. 1845.Fig. 2m-r

Lianas 2,5-8 m alt.; caule maciço, bilobado a cilíndrico, casca estriada, marrom, ramos glabros; lenticelas elípticas a oblongas, alvas; internós 2-7 cm compr. Folhas 5,5-8 × 13,5-20 cm compr., oblongo-lanceoladas a ovais, coriáceas, discolores, margem plana, ápice agudo a curto-acuminado, base obtusa a subcordada, face adaxial glabra, nervuras visíveis, face abaxial glabra, glândulas punctiformes visíveis, nervuras proeminentes, 7-11 pares de nervuras secundárias, nervação terciária reticulada marcada em ambas as faces; pecíolo 2,5-3,5 cm compr., glabro, dorsalmente-plano, inserido na base ou acima da base da ócrea; ócrea 1-1,5 cm compr., membranácea, ápice agudo, base persistente, glabra. Inflorescência lateral, monotirsos densifloros 6-21 cm compr., bi-triramificados na base, raque estriada, glabra a pubescente; ocréola 1 mm compr., membranácea, cilíndrica, pubescente. Flores 2-2,5 mm compr., tépalas conatas na base, hipanto infundibuliforme, pedicelo 1 mm compr., incluso nas ocréolas. Fruto 5-9 mm compr., oval, ápice curto-acuminado, margem livre, glabra.

Material examinado: Mata de Piedade, 10.IV.2007, fl., A. Alves-Araújo et al. 207 (UFP); Mata de Zambana, 18.X.2007, fl., N.A. Albuquerque et al. 561 (IPA).

Material adicional: BRASIL. BAHIA: Ilhéus, Fazenda Recreio, 25.I.2003, fr., A.M. Miranda et al. 4063 (HST). Maraú, 29.XII.2005, fr., P.D. Carvalho et al. 291 (HST).

Comentários. Coccoloba marginata ocorre em todas as regiões, exceto a Região Sul. Com distribuição na Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Ocorre nas formações vegetacionais do Cerrado (lato sensu), Floresta Ciliar, Floresta de Igapó, Floresta de Terra Firme, Floresta de Várzea, Floresta Ombrófila e Restinga (Melo 1996, 2004; BFG 2015). No Mato Grosso e Pará, é conhecida como “cipó-pau” e “ocaimã” (BFG 2015). Na USJ, é encontrada em bordas e clareiras no interior dos fragmentos e terraço. Espécie polimórfica, dentre as coletadas é a única que possui monotirsos bi-triramificados na base.

7. Coccoloba mollis Casar., Nov. Stirp. Bras. 8: 72. 1844.Fig. 3a-f

Figura 3 a-f. Coccoloba mollis – a. hábito; b. caule fistuloso (transversal); c. ócrea; d. flores; e. ocréola; f. fruto. g-m. C. parimensis – g. hábito; h. caule bilobado (transversal); i. caule cilíndrico (transversal); j. ócrea; k. flores; l. ocréola; m. fruto. n-s. C. rosea – n. hábito; o. caule fistuloso (transversal); p. ócrea; q. flores; r. ocréola; s. fruto. t-x. C. striata – t. caule bilobado (transversal); u. ócrea; v. flores; w. ocréola; x. fruto. 

Figure 3 a-f. Coccoloba mollis – a. habit; b. branch fistulous (transversal section); c. ochrea; d. flowers; e. ocreola; f. fruit. g-m. C. parimensis – g. habit; h. branch bilobed (transversal section); i. branch cylindrical (transversal section); j. ochrea; k. flowers; l. ocreola; m. fruit. n-s. C. rosea – n. habit; o. branch fistulous (transversal section); p. ochrea; q. flowers; r. ocreola; s. fruit. t-x. C. striata – t. branch bilobed (transversal section); u. ochrea; v. flowers; w. ocreola; x. fruit. 

Árvores a arbustos 4-6 m alt.; caule fistuloso, cilíndrico, casca estriada, marrom, ramos pubescentes; lenticelas oblongas, alvas; internós 3-4 cm. Folhas 5,5-14,5 × 5-11,5 cm compr., ovais a ovaladas, membranáceas, concolores, margem plana, ápice obtuso a curto-acuminado, base cordada a subcordada, face adaxial glabra, nervuras visíveis, tricomas filiformes conspícuos nas axilas da nervura primária e secundárias, face abaxial pubescente, glândulas punctiformes ausentes, nervuras proeminentes, 8-14 pares de nervuras secundárias, nervação terciária reticulada proeminente; pecíolo 1-3 cm compr., pubescente, dorsalmente-plano, inserido acima da base da ócrea; ócrea 2-4 cm compr., coriácea, ápice obtuso, base persistente, pubescente. Inflorescência terminal, diplotirsos densifloros 14-20 cm compr., raque costada, pubescente, ráquila 7-10,5 cm compr.; ocréola 1 mm compr., coriácea, cilíndrica, pubescente. Flores 2-3 mm compr., tépalas conatas na base, hipanto infundibuliforme, pedicelo 1 mm compr. Fruto 6 mm compr., globoso, ápice obtuso, margem livre a fusionada, pubescente.

Material examinado: Mata de Macacos, 28.XI.2007, fl., A. Melo & N. Albuquerque 182 (UFP); Mata de Pezinho, 19.XI.2015, fl. e fr., M.J.C. Pereira et al. 10 (UFP); Mata de Pezinho, 19.XI.2015, fl. e fr., M.J.C. Pereira et al. 11 (UFP).

Comentários. Amplamente distribuída com ocorrência na Costa Rica, Panamá, Colômbia, Venezuela, Suriname, Guiana Francesa, Equador, Bolívia e no Brasil. É amplamente distribuída na Brasil, com ocorrência em todas as regiões, exceto na Região Sul. Presente nos domínios da Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, nas formações do Carrasco, Cerrado (lato sensu), Florestas de Igapó, Floresta de Terra Firme, Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila e Restinga (Melo 2004; BFG 2015; Tabosa et al. 2016). No Centro-Oeste, Norte e Sudeste é conhecida como “coaçu”, “folha larga”, “novateiro” (BFG 2015). Na USJ, é uma espécie comum, coletada em borda, declive e tabuleiro. Similar a Coccoloba latifolia por apresentar porte arbóreo a arbustivo, caule fistuloso e diplotirsos paniculados, C. mollis difere por apresentar folhas, ócreas e pecíolos pubescentes, enquanto que em C. latifolia são glabras.

8. Coccoloba parimensis Benth. in Hook., London J. Bot. 4: 626. 1845.Fig. 3g-m

Lianas 2-3 m alt.; caule maciço, bilobado a cilíndrico, casca fissurada, marrom, ramos glabros; lenticelas inconspícuas; internós 2,5-6,5 cm compr. Folhas 5,5-18 × 3-11 cm compr., elípticas a ovais, coriáceas, discolores, margem plana, ápice agudo a curto-acuminado, base arredondada, cordada a subcordada, face adaxial glabra, nervuras visíveis, face abaxial glabra, glândulas punctiformes ausentes, nervuras proeminentes, 8-11 pares de nervuras secundárias, nervação terciária reticulada proeminente; pecíolo 1-2 cm compr., glabro, dorsalmente achatado, inserido abaixo da base da ócrea; ócrea 1-2,5 cm compr., membranácea, ápice agudo, base persistente, glabra. Inflorescência lateral, monotirsos densifloros 3-7 cm compr., raque costada, glabra a pubescente; ocréola 1 mm compr., membranácea, cilíndrica, glabra. Flores 2-3 mm compr., tépalas conatas na base, hipanto infundibuliforme a campanulado, pedicelo 1 mm compr. Fruto 3-5 mm compr., globoso, ápice agudo, margem fusionada, glabra.

Material examinado selecionado: Mata de Piedade, 4.II.2010, fl., J.D.G. Garcia 1437 (UFP); 19.III.2010, fr., J.D.G. Garcia 1472 (UFP, IPA); 20.IV.2010, fr., J.D.G. Garcia 1478 (UFP); 4.II.2010, fl., J.D.G. Garcia 1431 (IPA).

Comentários. No Brasil, é amplamente distribuída, com ocorrências confirmadas para todas as regiões, exceto a região sul. Presente nos domínios da Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, nas vegetações da Campinarana, Cerrado (lato sensu), Floresta Ciliar, Floresta de Igapó, Floresta de Terra Firme, Floresta de Várzea, Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Ombrófila (Howard 1961; Melo 2004; BFG 2015; Tabosa et al. 2016). No Nordeste e Sudeste, é conhecida como “caa-uassu-rana”, “cipó-ponte” e “costela-de-vaca” (BFG 2015). Na USJ, é comum, sendo encontrada nas bordas, clareiras no interior dos fragmentos e terraço. Apresenta grande variação morfológica quanto ao tamanho, forma e textura das lâminas foliares. É confundida com Coccoloba declinata, C. lucidula e C. striata, mas diferencia-se por apresentar lenticelas inconspícuas e pecíolo glabro inserido abaixo da base da ócrea.

9. Coccoloba rosea Meisn. in Mart., Fl. bras. 5(1): 33. 1855.Fig. 3n-s

Árvores 3-7 m alt.; caule fistuloso, cilíndrico, casca estriada, marrom, ramos glabros, pubescente quando jovens; lenticelas elípticas, alvas; internós 6-9,5 cm compr. Folhas 9-30 × 6,5-35,5 cm compr., elípticas, obovadas a orbiculares, coriáceas, discolores, margem plana a levemente revoluta, ápice curto-acuminado, cuspidado a arredondado, base cordada a subcordada, face adaxial glabra, nervuras visíveis, face abaxial glabra a pubescente, glândulas punctiformes visíveis, nervuras proeminentes, 8-10 pares de nervuras secundárias, nervação terciária reticulada proeminente; pecíolo 1,5-2 cm compr., pubescente, dorsalmente-plano, inserido acima da base da ócrea; ócrea 1-3 cm compr., coriácea, ápice obtuso, base persistente, glabra. Inflorescência terminal, monotirsos densifloros 8-19 cm compr., raque costada, glabra; ocréola 1 mm compr., coriácea, cilíndrica, glabra. Flores 2-3 mm compr., tépalas conatas na base, hipanto campanulado; pedicelo 1,5-2 mm compr., incluso nas ocréolas. Fruto 4-7 mm compr., globoso, ápice obtuso, margem fusionada, glabra.

Material examinado: Mata de Macacos, 19.XI.2015, est., M.J.C. Pereira et al. 09 (UFP); 17.XII.2015, est., M.J.C. Pereira et al. 17 (UFP); 17.XII.2015, est., M.J.C. Pereira 18 (UFP).

Material examinado adicional: BRASIL. ALAGOAS: Coruripe, 30.VIII.2001, fr., M.A.B.L. Machado 57 (MAC). Marechal Deodoro, 30.VIII.1999, fl., J.E. Paula 4260 (MAC). São Luiz do Quitunde, 22.VIII.2004, fl., R.P. Lyra-Lemos 8493 (MAC).

Comentários. Endêmica do Brasil, onde ocorre apenas na Mata Atlântica. Ocorre na Região Nordeste, no Sudeste apenas no Espírito Santo. Presente na Floresta Ombrófila e Restinga (BFG 2015; Melo 1996). No Nordeste e Sudeste, é conhecida como “chapelão” e “pajeú” (BFG 2015). Na USJ, é uma espécie rara, encontrada nas bordas dos fragmentos. É uma espécie de difícil identificação por apresentar forte polimorfismo foliar. Os indivíduos jovens possuem maior área foliar em comparação com os indivíduos adultos (Mariano 2006). Similar a Coccoloba latifolia e C. mollis por apresentarem o caule fistuloso, casca estriada, marrom e folhas grandes. Entretanto, C. rosea possui folhas coriáceas, face abaxial glabra a pubescente e inflorescências simples (monotirsos), enquanto que em C. latifolia e C. mollis as folhas são membranáceas, face abaxial pubescente e as inflorescências são compostas (diplotirsos).

10. Coccoloba striata Benth. in Hook., London J. Bot. 4: 626. 1845.Fig. 3t-x

Lianas ca. 7 m alt.; caule maciço, bilobado, casca fissurada, marrom, ramos glabros; lenticelas arredondadas a elípticas, alvas; internós 4-8 cm compr. Folhas 9-13 × 5,5-8 cm compr., elípticas a obovadas, coriáceas, discolores, margem plana a revoluta, ápice curto-acuminado, base arredondada, cordada a subcordada, face adaxial glabra, nervuras visíveis, face abaxial glabra, glândulas punctiformes visíveis, nervuras proeminentes, 7-11 pares de nervuras secundárias, nervação terciária reticulada marcada em ambas as faces; pecíolo 0,5-2,5 cm compr., glabro, dorsalmente-plano, inserido acima da base da ócrea; ócrea 1-2 cm compr., membranácea, ápice atenuado, base persistente, glabra. Inflorescência lateral, monotirsos laxifloros 9-31 cm compr., raque costada, glabra a pubescente; ocréola 1 mm compr., coriácea, cilíndrica, pubescente. Flores 2 mm compr., tépalas conatas na base, hipanto campanulado, pedicelo 0,5-1 mm compr., inclusos nas ocréolas. Fruto 3-4 mm compr., oval, ápice curto-acuminado, margens livres, glabra.

Material examinado selecionado: Mata de Macacos, 19.IV.2010, fl., J.D.G. Garcia 1473 (IPA); 9.III.2010, fl., J.D.G. Garcia 1469 (IPA); Mata de Zambana, 28.VII.2007, fr., A. Alves-Araújo et al. 488 (UFP).

Comentários. Distribui-se na Venezuela, Trinidad & Tobago, Guiana, Bolívia e no Brasil. No país é amplamente distribuída em todas as regiões, exceto na Região Sul. Ocorre na Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica (BFG 2015; Melo 2004). No Norte, é conhecida como “tucunaré-branco” (BGF 2015). Na USJ, é uma espécie comum, encontrada nas bordas, em clareiras no interior dos fragmentos e terraço. Espécie de grande plasticidade nas lâminas foliares, sendo por vezes confundida com Coccoloba parimensis por apresentar similaridades quanto a forma do caule e da lâmina foliar. C. striata apresenta glândulas punctiformes na face abaxial e pecíolo inserido acima da base da ócrea, enquanto em C. parimensis as glândulas são ausentes e o pecíolo é inserido abaixo da base da ócrea.

Lista de exsicatas

Albuquerque NA et al. 485 (2). Alves-Araújo A et al. 647 (1), 207 (6), 488 (10). Andrade-Lima 7722 (2). Araújo D 395 (5). Carneiro-Torres DS et al. 6 (3). Carvalho PD et al. 291 (6). Ferraz EMN & Bispo AG 467 (2). Garcia JDG 1420 (2), 1389 (5), 1437 (8), 1472 (8), 1478 (8), 1431 (8), 1473 (10), 1469 (10). Laurênio A 514 (3). Lyra-Lemos RP 8493 (9). Lopes CG & Alencar NL 507 (2). Machado MABL 57 (9). Melo A et al. 146 (2). Melo A & Albuquerque N 182 (7). Miranda AM et al. 4063 (6). Paula JE 4260 (9). Pereira MJC et al. 10 (7), 11 (7), 45 (1), 16 (4), 67 (4), 27 (5), 28 (5), 9 (9), 17 (9), 18 (9). Pereira R et al. 1303 (3). Sá e Silva IMM et al. 209 (1). Sacramento A 149 (3).

Editor de área: Dr. Marcelo Trovó

Agradecimentos

À Usina São José, o apoio logístico para as coletas. Aos financiadores desse trabalho: CNPq, U.S. National Science Foundation (DEB-0946618), Velux Stiftung, Beneficia Foundation; além do projeto “Floresta Atlântica - diversidade e conservação”. A Regina Carvalho, as ilustrações e aos curadores dos herbários visitados. A Drª Efigênia de Melo por todas as consultas, bibliografias e auxílios diversos prestados.

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Recebido: 18 de Janeiro de 2017; Aceito: 08 de Abril de 2017

2 Autor para correspondência: jhullisaleera@hotmail.com

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