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Rodriguésia

Print version ISSN 0370-6583On-line version ISSN 2175-7860

Rodriguésia vol.69 no.3 Rio de Janeiro July/Sept. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/2175-7860201869327 

Artigos Originais

Flora das cangas da Serra dos Carajás, Pará, Brasil: Myrtaceae

Flora of the canga of the Serra dos Carajás, Pará, Brazil: Myrtaceae

Jonilson Ribeiro Trindade1  3 

Alessandro Silva do Rosário2 

João Ubiratan Moreira dos Santos3  4 

1Museu Paraense Emílio Goeldi, Av. Magalhães Barata 376, São Brás, 66040-170, Belém, PA, Brasil.

2Universidade do Estado do Pará, Centro de Ciências Naturais e Tecnologia, Trav. Doutor Enéas Pinheiro 2626, Marco, 66095-015, Belém, PA, Brasil.

3Universidade Federal Rural da Amazônia, Inst. Ciências Agrárias, Av. Perimetral 1901, Terra Firme, 66077-830, Belém, PA, Brasil.

Resumo

Este estudo apresenta um tratamento florístico para as espécies de Myrtaceae ocorrentes nas cangas da Serra dos Carajás, Pará, Brasil. Com base em coleções depositadas em herbários e coletas de campo, foram confirmadas 26 espécies, distribuídas em cinco gêneros: Calyptranthes (1 sp.), Campomanesia (1 sp.), Eugenia (8 sp.), Myrcia (15 sp.) e Myrciaria (1 sp.). Uma nova ocorrência é registrada para o estado do Pará. São fornecidas chaves de identificação para gêneros e espécies e descrições morfológicas, além de comentários taxonômicos.

Palavras-chave: Amazônia; biodiversidade; Eugenia; FLONA de Carajás; Myrcia

Abstract

This study presents a floristic treatment for the species of Myrtaceae occurring in the canga of the Serra dos Carajás, Pará, Brazil. Based on collections deposited in herbaria and field samples, 26 species were confirmed, distributed in five genera: Calyptranthes (1 sp.), Campomanesia (1 sp.), Eugenia (8 spp.), Myrcia (15 sp.) and Myrciaria (1 sp.). One new record for the state of Pará was found. Identification keys for genera and species, morphological descriptions, and taxonomic comments are provided.

Key words: Amazon; biodiversity; Eugenia; FLONA of Carajás; Myrcia

Myrtaceae

As espécies de Myrtaceae Juss. apresentam geralmente hábito subarbustivo a arbóreo, com folhas simples, opostas nas espécies neotropicais ou alternas, providas com numerosas glândulas oleíferas. As flores são monoclinas, actinomorfas, epíginas, geralmente diclamídeas, com 3-6 sépalas distintas ou indistintas, prefloração valvar, quincuncial ou cálice com sépalas indivisas no botão separando-se irregularmente, ou decíduo como uma caliptra; pétalas livres 3-6, raro reduzidas ou ausentes; estames numerosos, livres ou unidos; ovário ínfero 2-5 carpelar, estilete terminal, hipanto prolongado ou não acima do ovário. Frutos baga ou cápsula loculicida, raramente drupa (Machiori & Sobral 1997; Rosário 2012). Myrtaceae inclui cerca de 130 gêneros e 5.670 espécies, com distribuição pantropical e extensão para áreas temperadas, com centros de diversidade nos trópicos úmidos, especialmente na América do Sul, Austrália e Ásia Tropical (Govaerts et al. 2008). Para o Brasil são referidos 23 gêneros e 1026 espécies, distribuídos em todas as regiões do país (BFG 2015). Nas cangas da Serra dos Carajás foram identificadas 26 espécies, distribuídas em cinco gêneros.

Chave de identificação dos gêneros de Myrtaceae das cangas da Serra dos Carajás

  • 1. Inflorescências em panículas ............................................................................................................... 2

  • 1’. Inflorescências em racemos, glomérulos ou flores solitárias .............................................................. 3

    • 2. Cálice com sépalas unidas formando uma caliptra ............................................. 1. Calyptranthes

    • 2’. Cálice com 5 lobos distintos .......................................................................................... 4. Myrcia

      • 3. Cálice com 4 lobos ............................................................................................... 3. Eugenia

      • 3’. Cálice com 5 lobos .............................................................................................................. 4

        • 4. Inflorescências em glomérulos, embrião eugenioide ................................ 5. Myrciaria

        • 4’. Flores solitárias, embrião pimentoide ................................................. 2. Campomanesia

1. Calyptranthes Sw.

Árvores a arbustos, com ramificação frequentemente dicotômica. Inflorescências geralmente axilares e/ou terminais; brácteas e bractéolas presentes ou ausentes. Botão floral ovado, cálice com sépalas totalmente soldadas entre si, abrindo-se na antese através de uma caliptra, frequentemente persistente no fruto; pétalas comumente ausentes; hipanto longamente prolongado acima do ovário; ovário 2-locular, 2 óvulos por lóculo. Fruto baga, ápice geralmente coroado pelo ápice tubular do hipanto e pelo disco estaminal, podendo apresentar estilete e caliptra persistentes; embrião mircioide (Barroso et al. 1984; Machiori & Sobral 1997; Rosário et al. 2014b). Calyptranthes está representado por 74 espécies no Brasil (BFG 2015), e apenas C. bipennis ocorre nas cangas da Serra dos Carajás.

1.1. Calyptranthes bipennis O. Berg, Linnaea 31: 248 1862.Fig. 1a-b

Figura 1 a-b. Calyptranthes bipennis - a. ramo com panículas; b. fruto imaturo. c-d. Campomanesia aromatica - c. ramo com flores solitárias; d. fruto. e. Eugenia anastomosans - ramo com fascículos. f. Eugenia cupulata - ramo com racemos. g. Eugenia densiracemosa - ramo com racemos. h. Eugenia egensis - ramo com racemo. i. Eugenia flavescens - ramo com fascículos. j. Eugenia florida - ramo com racemos. k. Eugenia punicifolia - ramo com flores solitárias. l. Eugenia sp. - ramo com com inflorescência biflora. (a-b. Dias et al. 04; c-d. Giorni et al. 347; e. Silva et al. 1362; f. Mota et al. 1129; g. Daly et al.1767; h. Costa et al. 651; i. Lobato et al. 4448; j. Silva 2664; k. Trindade et al. 379; l. Viana et al. 3391). 

Figure 1 a-b. Calyptranthes bipennis - a. branch with panicles; b. immature fruit. c-d. Campomanesia aromatica - c. branch with solitary flowers; d. fruit. e. Eugenia anastomosans - branch with fascicles. f. Eugenia cupulata - branch with racemes. g. Eugenia densiracemosa - branch with racemes. h. Eugenia egensis - branch with raceme. i. Eugenia flavescens - branch with fascicles. j. Eugenia florida -branch with racemes. k. Eugenia punicifolia - branch with solitary flowers. l. Eugenia sp. - branch with 2-flowers inflorescence. (a-b. Dias et al. 04; c-d. Giorni et al. 347; e. Silva et al. 1362; f. Mota et al. 1129; g. Daly et al.1767; h. Costa et al. 651; i. Lobato et al. 4448; j. Silva 2664; k. Trindade et al. 379; l. Viana et al. 3391). 

Arvoretas a árvores. Ramos alados ou cilíndricos, glabros. Folhas com pecíolos ca. 5 mm compr., alados; lâminas 4-7,1 × 1,5-2,3 cm, elípticas a lanceoladas, ápice agudo, base cuneada, nervura central proeminente abaxialmente e impressa adaxialmente; cartáceas; glabras; amareladas a esverdeadas mesmo após herborizadas, discolores, face adaxial escura e abaxial clara. Inflorescências em panículas, axilares ou terminais; ramificações até segunda ordem; raques 3-5 cm compr.; pedicelos 0,7-1 mm compr.; brácteas ca. 1 mm compr.; bractéolas ca. 0,5 mm compr. Flores alternas na inflorescência; botões 1,5-2 × 1,5-3 mm compr., cálice e corola fusionados; hipanto ca. 2 mm larg.; ovário glabro. Frutos 0,3-0,5 × 0,3-0,5 cm, globosos, esverdeados, glabros, glândulas conspícuas.

Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra Sul, S11-C, 06º23’80”S 50º23’30”W, II.XII.2015, fr., C.S.P. Dias et al. 4 (MG).

Nas cangas de Carajás, Calyptranthes bipennis quando estéril, pode facilmente ser confundida com Eugenia flavescens, pois ambas apresentam folhas elípticas de coloração verde-amarelada, mesmo após herborizadas. Porém, se distinguem porque C. bipennis apresenta pecíolos alado enquanto E. flavescens o apresenta cilíndrico. Quando em floração são facilmente distinguíveis pelos caracteres genéricos, especialmente o cálice em caliptra em Calyptranthes e 4 sépalas livres em Eugenia.

Espécie com distribuição na América do Sul, desde Guiana e Colômbia até a Bolívia e Brasil (Tropicos 2018), onde foi referida apenas para os estados do Acre e Amazonas (BFG 2015). A ocorrência da espécie em Carajás representa o primeiro registro para o estado do Pará. Nas Serra dos Carajás foi coletada apenas na Serra Sul: S11C, com flores e frutos nos meses de outubro a dezembro.

2. Campomanesia Ruiz & Pav.

Subarbustos, arbustos a árvores. Flores solitárias, raramente aos pares e axilares. Botão floral com cálice parcialmente fechado ou 4-5 lobado; na antese geralmente com 5 pétalas; hipanto não ou pouco prolongado acima do ovário; ovário 8-16-locular, numerosos óvulos por lóculo. Fruto baga, coroada pelos lobos do cálice, geralmente com 1-4 sementes; embrião pimentoide (Barroso et al. 1984; Machiori & Sobral 1997). Campomanesia está representado no Brasil por 42 espécies (BFG 2015) e apenas C. aromatica ocorre nas cangas da Serra dos Carajás.

2.1. Campomanesia aromatica (Aubl.) Griseb., Fl. Brit. W. Is. 242. 1860.Fig. 1c-d

Arbustos a arvoretas, 2-3 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas com pecíolos 3-12 mm compr.; lâminas 2-10,5 × 1-4 cm, elípticas ou ovais, ápice acuminado ou agudo, base cuneada ou obtusa, nervura central proeminente abaxialmente e impressa adaxialmente; membranáceas a cartáceas; glabras; concolores. Flores solitárias ou aos pares, axilares; pedicelos 1-3 mm compr.; brácteas ca. 5 mm compr.; bractéolas 2-3 mm compr.; botões com prefloração valvar; sépalas 5, 2-5 × 1-2 mm, deltoides; pétalas 5, 3-5 × 2-4 mm, oblongas, alvas, tricomas em ambas as faces, glândulas na face dorsal; estames 3-5 mm compr., anteras oblongas; hipanto ca. 2 mm larg., com tricomas; ovário 5-locular, estilete 4-5 mm compr., com tricomas. Frutos ca. 5 × 5 cm, globosos, com tricomas, glândulas conspícuas.

Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11-D, 6º24’45”S, 50º20’03”W, 7.X.2009, fr., V.T. Giorni et al. 347 (BHCB, IAN). Parauapebas, estrada da Serra Norte para a Serra Sul, 6º17’05”S 50º20’13”W, 10.X.2008, fl., L.V.C. Silva et al. 382 (IAN).

Esta espécie pode ser confundida na área com Myrcia tomentosa, quando em estado vegetativo, pois suas folhas se assemelham na forma. Entretanto, enquanto C. aromatica apresenta flores solitárias, M. tomentosa tem inflorescências em panículas.

Ocorre no Caribe (Trindade e Tobago), América do Sul (Bolívia, Brasil, Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Venezuela) (Holst et al. 2003; Tropicos 2018). No Brasil há registro para as regiões: Norte (Pará) e Nordeste (Bahia, Ceará, Paraíba). Serra dos Carajás: Serra Sul: S11D, em mata à beira de canga. Registrada com flores e frutos no mês de outubro.

3. Eugenia L.

Subarbustos a árvores. Inflorescências geralmente axilares ou terminais, em racemos ou flores em fascículos, dicásios ou flores solitárias; brácteas decíduas e bractéolas persistentes na antese. Botão floral com cálice aberto, 4-lobado; pétalas 4; ovário 2-3-locular, 2 a numerosos óvulos por lóculo. Fruto baga, com variadas formas, ápice coroado; embrião eugenioide (Barroso et al. 1984; Machiori & Sobral 1997). Eugenia tem mais de 500 espécies com distribuição pantropical e nas Américas ocorre desde o México até a Argentina. No Brasil está representado por 387 espécies, sendo o maior gênero em número de espécies no país (BFG 2015). Nas cangas da Serra dos Carajás foram registradas oito espécies.

Chave de identificação das espécies de Eugenia das Canga da Serra dos Carajás

  • 1. Flores reunidas em racemos, com raques desenvolvidas .................................................................... 2

  • 1’. Flores em fascículos, aos pares ou solitárias ....................................................................................... 5

    • 2. Folhas com pecíolos iguais ou maiores que 1,9 cm compr.; lâminas iguais ou maiores que 20 cm compr. .......................................................................................................... 3.2. Eugenia cupulata

    • 2’. Folhas com pecíolos até 0,8 cm compr.; lâminas até 13,5 cm compr. ......................................... 3

      • 3. Flores alternas nas raques ...................................................................... 3.6. Eugenia florida

      • 3’. Flores opostas nas raques .................................................................................................... 4

        • 4. Hábito arbóreo, sépalas deltoides, pétalas glabras em ambas as faces ................................................................................................................................... 3.4. Eugenia egensis

        • 4’. Hábito arbustivo, sépalas orbiculares, pétalas com tricomas na face dorsal ............................................................................................................... 3.3. Eugenia densiracemosa

          • 5. Folhas com pecíolos iguais ou maiores que 1 cm compr.; lâminas iguais ou maiores que 11 cm compr. .............................................................. 3.1. Eugenia anastomosans

          • 5’. Folhas com pecíolos até 0,9 cm compr.; lâminas com até 7 cm compr. ............. 6

            • 6. Inflorescência em racemo com raque bem desenvolvida de 2-10 cm .......................................................................................................... 3.8. Eugenia. sp.

            • 6’. Inflorescência em racemo com raque pouco desenvolvida menor que 2 cm, ou fasciculadas ................................................................................................. 7

              • 7. Flores em racemo, nervura media sulcada ...... 3.7. Eugenia punicifolia

              • 7’. Flores em fascículos, nervura media plana ....... 3.5. Eugenia flavescens

3.1. Eugenia anastomosans DC., Prod. 3: 269. 1828.Fig. 1e

Arbustos a árvores, 4-6 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas com pecíolos 1-1,4 cm compr.; lâminas 11-19 × 3-7,2 cm, elípticas, ápice acuminado ou arredondado, base cuneada, nervura central proeminente em ambas as faces; cartáceas ou subcoriáceas; glabras; discolores, face adaxial escura e abaxial clara. Flores em fascículos ou solitárias, axilares; pedúnculo ca. 3 cm compr.; pedicelos ca. 7 mm compr.; brácteas ca. 6 mm compr.; bractéolas ca. 1,5 mm compr.; botões com prefloração contorta; sépalas 4, 4-5 × 5-7 mm compr., orbiculares; pétalas 4, 7-12 × 5-7 mm, orbiculares, rosadas, tricomas somente nas margens, glândulas presentes em ambas as faces; estames 10-15 mm compr., anteras oblongas; hipanto ca. 5 mm larg., glabro; ovário 2-locular, estilete 15-30 mm compr., glabro. Frutos não observados.

Material selecionado: Parauapebas, Serra Norte, N2, 30.V.1983, fl., M.F.F. Silva et al. 1362 (MG); N5, 13.VIII.2016, fl., R.M. Harley et al. 57980 (MG).

Eugenia anastomosans é similar com Eugenia sp., E. punicifolia e E. flavescens em estado vegetativo, pois compartilham os seguintes caracteres em comum: a forma e o tamanho de suas folhas, no entanto E. anastomosans diferencia-se especialmente por ter folhas maiores (incluindo pecíolos e lâminas).

Ocorre na Bolívia, Brasil, Equador, Guiana Francesa, Suriname e Venezuela (Holst et al. 2003; Tropicos 2018). No Brasil há registro apenas para a região Norte, nos estados do Amapá e Pará. Na Serra dos Carajás: Serra Norte: N2, N5, com flores nos meses de maio e agosto.

3.2. Eugenia cupulata Amshoff, Recueil Trav. Bot. Néerl. 39: 160. 1942.Figs. 1f; 2a

Figura 2 a. Eugenia cupulata - ramo com botões e flores. b. Eugenia punicifolia - ramo com flores. c-d. Myrcia atramentifera - c. ramo com flores; d. ramo com frutos. e. Myrcia bracteata - ramo com botões florais. f. Myrcia clusiifolia - ramo com frutos. g-h. Myrcia cuprea - g. ramo com botões florais; h. ramo com flores. i-j. Myrcia multiflora - i. ramo com botões florais; j. ramo com frutos. k. Myrcia sylvatica - ramo com botões e flores. l. Myrciaria floribunda - ramo com frutos. Fotos: a, b, f, h, k, l. N. Mota; c, g, i, j. J. Trindade; d. J. Mendes; e. A. Simões. 

Figure 2 a. Eugenia cupulata - branch with buds and flowers. b. Eugenia punicifolia - branch with flowers. c-d. Myrcia atramentifera - c. branch with flowers; d. branch with fruits. e. Myrcia bracteata - branch with flower buds. f. Myrcia clusiifolia - branch with fruits. g-h. Myrcia cuprea - g. branch with flower buds; h. branch with flowers. i-j. Myrcia multiflora - i. branch with flower buds; j. branch with fruits. k. Myrcia sylvatica - branch with buds and flowers. l. Myrciaria floribunda - branch with fruits. Photos: a, b, f, h, k, l. N. Mota; c, g, i, j. J. Trindade; d. J. Mendes; e. A. Simões. 

Árvores, 6-10 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas com pecíolos 1,9-2,2 cm compr.; lâminas 20-21 × 7,2-8,6 cm, oblongadas, ápice emarginado, base obtusa, nervura central proeminente em ambas as faces; coriáceas; glabras; mesmo após herborizadas com coloração verde a amarelada, concolores. Inflorescências em racemos, axilares ou terminais, raques 2,3-4 cm compr., flores com posições opostas; pedicelos 4-7 mm compr.; brácteas ca. 2 mm compr.; bractéolas ca. 2 mm compr. Flores com sépalas 4, 6-7 × 4-5 mm, ovaladas; pétalas 4, 7-9 × 4-5 mm, oblongas, alvas, glabras, glândulas presentes na face ventral; estames ca. 6 mm compr., anteras elipsoides; hipanto ca. 3 mm larg., glabro; ovário 2-locular, estilete ca. 7 mm compr., glabro. Frutos não observados.

Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra Sul, S11A, 06º20’43”S, 50º24’29”W, 8.XII.2007, fl., N.F.O. Mota et al. 1129 (MG).

Ocorre na Bolívia, Brasil, Guiana Francesa e Suriname (Tropicos 2018). No Brasil há registro para as regiões: Norte (Acre, Amazonas, Pará, Rondônia) e Nordeste (Maranhão). Na Serra dos Carajás, foi coletada na Serra Sul: S11A, registrada com flores no mês de dezembro.

3.3. Eugenia densiracemosa Mazine & Faria, Phytotaxa 151(1): 53. 2013.Fig. 1g

Arbustos, 2-3,5 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas com pecíolos ca. 0,8 cm compr.; lâminas 11,9-13,5 × 5-6,3 cm, elípticas, oblongadas ou obovadas, ápice acuminado, base aguda ou obtusa, nervura central proeminente abaxialmente e impressa adaxialmente, cartáceas a subcoriáceas, glabras, discolores, face adaxial escura e abaxial clara. Inflorescências em racemos, axilares, raques 2-6,2 mm compr., flores com posições opostas; pedicelos ca. 2,5 mm compr.; brácteas 1-1,5 mm compr., bractéolas 1-1,5 mm compr. Flores com sépalas 4, 1,5-2 × 1,5-1,7 mm, orbiculares; pétalas 4, 2,5-3 × 2-2,5 mm, oblongas, orbiculares, alvas, tricomas na face dorsal e margens, glândulas em ambas as faces; estames 2-3 mm compr., anteras elipsoides; hipanto ca. 2-3,5 mm larg., glabro; ovário 2-locular, estilete 5-7 mm compr., glabro. Frutos ca. 0,6 × 1,2 mm, elipsoides a globosos, alaranjados, glabros, glândulas conspícuas.

Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra Sul, S11D, 06º22’31”S, 50º21’16”W, 3.XII.2015, fl., J.R. Trindade et al. 382 (MG). Parauapebas, Serra Norte, 05º55’S, 50º26’W, 6.XII.1981, fr., D.C. Daly et al. 1767 (MG).

Eugenia densiracemosa assemelha-se a E. egensis que também ocorre na área, pelas flores em racemos. No entanto, difere desta por ter menor porte, folhas maiores, sépalas orbiculares e pétalas ciliadas (vs. sépalas deltoides e pétalas glabras para E. egensis).

A espécie tem distribuição referida para Brasil e Guiana Francesa (Mazine & Faria 2013). No Brasil há registros para as regiões Norte (Acre, Pará, Tocantins), Nordeste (Ceará, Maranhão) e Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso) (BFG 2015). Na Serra de Carajás: coletada na Serra Norte e Serra Sul: S11D, com flores e frutos no mês de dezembro.

3.4. Eugenia egensis DC., Prodr. 3: 281. 1828.Fig. 1h

Árvores, 3-4 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas com pecíolos 5-7 mm compr.; lâminas 4,5-7 × 1,5-2,2 cm, elípticas ou estreito-elípticas, ápice acuminado, base cuneada; nervura central proeminente abaxialmente e impressa adaxialmente; subcoriáceas a coriáceas; glabras; discolores, face adaxial escura e abaxial clara. Inflorescências em racemos, axilares; raques 1,2-4 cm compr.; pedicelos 3-10 mm compr.; brácteas ca. 1 mm compr.; bractéolas ca. 1 mm compr. Flores opostas nas inflorescências; sépalas 4, 1-1,5 × 1 mm, deltoides; pétalas 4, 1,5-2 × 1-1,5 mm, oblongas, alvas, glabras, glândulas presentes em ambas as faces; estames ca. 1,5 mm compr., anteras elipsoides; estiletes ca. 2 mm compr., glabros; hipanto ca. 3 mm larg., glabros. Frutos não observados.

Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra do Tarzan, 06º19’44”S, 50º07’38”W, 15.X.2008, fl., L.V. Costa et al. 651 (MG).

Apresenta ampla distribuição desde a América Central (Costa Rica e Panamá) até a América do Sul atingindo Brasil, Bolívia, Colombia e Paraguai (Holst et al. 2003; Tropicos 2018). No Brasil há registro para as regiões Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins), Nordeste (Alagoas, Ceará, Maranhão), Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo) e Sul (Paraná). Na Serra dos Carajás foi coletada apenas na Serra do Tarzan, com flores em outubro.

3.5. Eugenia flavescens DC., Prodr. 3: 272. 1828.Fig. 1i

Arbusto, arvoreta ou árvore, 1,5-6 m alt. Ramos achatados ou cilíndricos, pubérulos quando jovens, posteriormente glabrescentes. Folhas com pecíolos 2-5 mm compr.; lâminas 3,5-7 × 1,7-3 cm, elíptico ou oblongado, ápice acuminado ou agudo, base aguda ou cuneada; nervura central proeminente em ambas as faces; cartácea; glabra; concolores, verdes a amareladas. Flores em fascículos, axilares e terminais, raques 0,2-0,4 mm compr., pedicelo ca. 3 mm compr.; brácteas ca.1 mm compr.; bractéolas ca. 1 mm compr.; sépalas 4, 0,5-1 × 0,5 mm, orbiculares; pétalas 4, ca. 0,5 × 0,7-1 mm, orbiculares, amarelas, glabras, glândulas presentes na face dorsal; estames ca. 4 mm compr., anteras ovoides; hipanto 3 mm larg., glabro; ovário 2-locular, estilete 0,7-1 mm compr., glabro. Frutos 1 × 1 cm, globosos, esverdeados, glabros, glândulas conspícuas.

Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra Sul, S11D, 06º23’39”S, 50º21’55”W, 7.XII.2007, fr., N.F.O Mota et al. 1096 (MG); Serra do Tarzan, 06º20’11”S, 50º09’47”W, 16.XII.2007, fr., N.F.O Mota et al. 1215 (MG). Parauapebas, [Marabá], Serra Norte, N1, 19.I.1985, fr., O.C. Nascimento et al. 909 (MG); N4, 06º10’01”S, 50º11’31”W, 25.VIII.2015, fl., L.C.B. Lobato et al. 4448 (MG); N8, 3.I.2011, fr., L. Tyski et al. 05 (HCJS).

Apresenta ampla distribuição na América do Sul, desde as Guianas e Venezuela até Bolívia e Brasil (Holst et al. 2003; Tropicos 2018). Nesse país há registro para as regiões Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins), Nordeste (Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte), Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso) e Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo) (BFG 2015). Na Serra dos Carajás: Serra Norte: N1, N4, N8, Serra Sul: S11D e Serra do Tarzan, com flores e frutos praticamente durante o ano todo.

3.6. Eugenia florida DC., Prod. 3: 283. 1828.Fig. 1j

Arbustos, 4-5 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas com pecíolos ca. 5-7 mm compr., lâminas 6,7-9,3 × 2,8-3,5 cm, elípticas, ápice acuminado ou cuspidado, base cuneada, nervura central proeminente abaxialmente e impressa adaxialmente; subcoriáceas; glabras; discolores, face adaxial escura e abaxial clara. Inflorescências em racemos, axilares ou terminais; raques 2-4,2 cm compr., pedicelo 4-5 mm compr.; brácteas 0,5 mm compr., bractéolas 1 mm compr. Flores alternas na inflorescência, prefloração contorta; sépalas 4, ca. 1 × 0,5 mm, orbiculares; pétalas 4, 2 × 1-1.5 mm, orbiculares, alvas, com tricomas somente na face ventral e margens, glândulas presentes na face dorsal; estames ca. 2 mm compr., anteras elipsoides.; hipanto ca. 2 mm larg., glabro; ovário 2-locular, estilete 1,5-2 mm compr., glabro. Frutos não observados.

Material selecionado: Parauapebas [Marabá], Serra Norte, N1, 31.IV.1970, fl., H. Silva et al. 2664 (MG).

Ocorre em Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guiana, Guiana francesa, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela (Holst et al. 2003; Tropicos 2018). No Brasil há registro para as regiões: Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins), Nordeste (Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina). Em Carajás foi coletada apenas na Serra Norte: N1, com flores no mês de abril.

3.7. Eugenia punicifolia (Kunth) DC., Prod. 3: 267. 1828.Figs. 1k; 2b

Arbustos, arvoretas ou árvores, 1-3 m alt. Ramos achatados ou cilíndricos, com tricomas quando jovens. Folhas com pecíolos 1,5-3 mm compr.; lâminas 1,5-4,9 × 1,4-1,7 cm, elípticas ou obovadas, ápice agudo, base atenuada ou cuneada, nervura central proeminente abaxialmente e impressa adaxialmente; coriáceas; tricomas em ambas as faces; discolores, face adaxial escura e abaxial clara. Inflorescência em racemos com raques pouco desenvolvidas, axilares; raques 0,1-0,8 mm compr.; pedicelos 4-6 mm compr.; brácteas 0,5-0,7 mm compr.; bractéolas 0,5-0,8 mm compr. Flores com prefloração contorta; sépalas 4, 0,5-1,5 × 1,5-2 mm, orbiculares; pétalas 4, 1-3 × 2-2,5 mm, orbiculares, alvas, tricomas somente nas margens, glândulas presentes em ambas as faces; estames ca. 1,5 mm compr., anteras elipsoides; hipanto 1,2-2 mm larg., glabro.; ovário 2-locular, estilete ca. 4 mm compr., glabro. Frutos 0,75-1 × 0,6-0,8 cm, elipsoides ou globosos, avermelhados, glabros, com glândulas.

Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra Sul, S11D, 06º23’48”S, 50º22’22”W, 1.XII.2015, fl. e fr., J.R. Trindade et al. 369 (MG). Parauapebas [Marabá], Serra Norte, N1, 20.IV.1970, fr., P. Cavalcante et al. 2684 (MG); N4, 06º05’23”S, 50º11’33”W, 13.III.2015, fr., L.C. Lobato et al. 4312 (MG); N5, 06º04S, 50º08’W, 12.V.1982, fr., C.R. Sperling et al. 5585 (MG).

Ocorre na Bolívia, Brasil, Cuba, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela (Holst et al. 2003; Tropicos 2018). No Brasil há registro para as regiões: Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná). Nas Serra dos Carajás: Serra Norte: N1, N2, N4, N5. Serra Sul: S11D, com flores e frutos durante praticamente o ano todo.

3.8. Eugenia sp.Fig. 1l

Árvores, 3-4 m alt. Ramos cilíndricos; glabros. Folhas com pecíolos 3-4 mm compr.; lâminas 4-7 × 1,5-3 cm; elíptico ou oblongado, ápice acuminado a mucronado, base obtusa; nervura central proeminente em ambas as faces; cartáceas glabras; discolores, face adaxial escura e abaxial clara. Flores em racemos com 2-10 flores, pedicelo ca. 6 mm compr., brácteas 0,5-0,7 mm compr.; bractéolas ca. 0,5 mm compr. Flores com sépalas ca. 4,5 × 5 mm, deltoides; pétalas; hipanto piloso. Frutos 0,25-0,5 × 0,25-0,5 cm, globosos, arroxeados, glabros, glândulas conspícuas.

Material examinado: Canaã dos Carajás, Serra Sul, 06º22’18”S, 50º23’05”W, 8.XII.2007, fr., P.L. Viana et al. 3391 (MG).

Em Carajás assemelha-se a E. anastomosans, E. punicifolia e E. flavescens. Da primeira distingue-se pelas folhas (lâmina e pecíolo) menores. Das duas ultimas distingue-se pela inflorescência biflora (vs: uniflora em E. punicifolia e fasciculada em E. flavescens). Nesse trabalho não se chegou a uma conclusão quanto ao nome da espécie, devido a só existir uma coleta, sendo necessárias mais coleções para definir sua identidade taxonômica. O único espécime foi coletado na Serra Sul: S11C, coletado em canga aberta, estava em frutificação no mês de dezembro.

4. Myrcia DC.

Subarbustos a árvores. Inflorescências axilares ou terminais, em panículas multifloras, paucifloras, raramente racemos, dicásios ou flores solitárias; brácteas e bractéolas persistentes na antese. Flores 5-meras; cálice com prefloração valvar ou quincuncial, lobos individualizados, persistentes nos frutos; pétalas presentes; hipanto prolongado até ca. 1 mm acima do ápice do ovário; ovário 2-3-locular, com 2 óvulos por lóculo. Fruto baga, 1-3(4)-seminados; embrião mircioide (Barroso et al. 1984; Rosa & Romero 2012; Marchiori & Sobral 1997; Rosário et al. 2017). Myrcia tem distribuição neotropical. No Brasil está representado por 278 espécies (BFG 2015), sendo que 15 foram registradas nas cangas da Serra dos Carajás.

Chave de identificação das espécies de Myrcia das cangas da Serra dos Carajás, Pará, Brasil

  • 1. Botões com prefloração valvar ............................................................................................................ 2

  • 1’. Botão com prefloração quincuncial ................................................................................................... 12

    • 2. Ramos com tricomas ................................................................................................................... 3

    • 2`. Ramos glabros ............................................................................................................................. 7

      • 3. Folhas com tricomas em apenas uma das faces .................................................................. 4

      • 3’. Folhas com tricomas em ambas as faces ............................................................................. 5

        • 4. Pecíolos 3-8 mm compr. Inflorescência 7-10 cm compr., com ramificações até terceira ordem, brácteas ca.1 mm compr. Hipanto glabro. Frutos globosos, glândulas conspícuas ................................................................................. 4.1. Myrcia amazonica

        • 4`. Pecíolos ca. 2 mm compr. Inflorescência 0,3-1,6 cm compr., com ramificações até segunda ordem, brácteas ca. 5 mm compr. Hipanto com tricomas. Frutos elipsoides, glândulas inconspícuas ................................................................... 4.11. Myrcia paivae

          • 5. Folhas com base arredondada ou côncava, 3,6-4,9 cm larg., membranáceas, concolores. Inflorescência com ramificação até primeira ordem, com inserção alterna das flores. Pétalas alvas; hipanto com tricomas na face dorsal e glabro na ventral. Frutos 0,7-1 × 0,7-0,9 cm ................................................ 4.15. Myrcia tomentosa

          • 5’. Folhas com base cuneada, 1-3,3 cm larg., coriáceas, discolores. Inflorescência com ramificação de segunda a terceira ordem, com inserção oposta ou fasciculada das flores. Pétalas vermelhas, amarelas ou alvas; hipanto com tricomas na face dorsal ou em ambas. Frutos com 0,4- 0,7 × 0,3-0,5 cm

            • 6. Folhas de ápice agudo. Ramos da inflorescência até segunda ordem. Sépalas 1,5-3 mm compr., deltoides, pétalas vermelhas, com tricomas e glândulas somente na face dorsal; estilete e hipanto com tricomas. Frutos elipsoides,

            • 6’. Folhas de ápice acuminado ou cuspidado. Ramos da inflorescência até terceira ordem. Sépalas ca. 0,7 mm compr., orbiculares, pétalas alvas a amarelas, com tricomas e glândulas em ambas as faces; estilete e hipanto glabros. Frutos globosos, amarelados a avermelhados ............................. 4.5. Myrcia cuprea

              • 7. Ramos sulcados. Folhas concolores. Inflorescência de ramificação em primeira ordem. Hipanto ca. 2 mm larg .......................................................................................................... 4.9. Myrcia aff. maguirei

              • 7’. Ramos cilíndricos, folhas discolores. Inflorescência de ramificação em segunda ou terceira ordem. Hipanto de 0,5-1,5 mm larg ................................................................................................................ 8

                • 8. Pedicelos ca. 1,5 mm compr., sépalas deltoides, pétalas e hipanto com tricomas ............................................................................................................................................... 4.14. Myrcia sylvatica

                • 8’. Pedicelos 2-6 mm compr., sépalas orbiculares ou ovaladas, pétalas e hipanto glabros .............. 9

                  • 9. Folhas com ápice arredondado ou obtuso, coriáceas, com tricomas na face abaxial, ovário 3-locular, hipanto com tricomas ........................................................ 4.7. Myrcia guianensis

                  • 9’. Folhas com ápice acuminado ou cuspidado, cartáceas ou membranáceas, glabras em ambas as faces, ovário 2-locular, hipanto glabro ......................................................................... 10

                    • 10. Folhas com ápice cuspidado ou retuso, nervura central proeminente em ambas as faces. Inflorescência com ramificações até segunda ordem, bractéolas ausentes, pétalas orbiculares com glândulas somente na face dorsal, anteras ovoides ................................................................................................................................. 4.8. Myrcia inaequiloba

                    • 10’. Folhas com ápice acuminado, nervura central proeminente apenas na face abaxial. Inflorescência com ramificações até terceira ordem, bractéolas presentes, pétalas oblongas com glândulas em ambas as faces, anteras globosas .................................................. 11

                      • 11. Folhas cartáceas. Inflorescências axilares, sépalas ca. 0,5 mm compr., orbiculares, estames ca. 2,5 mm compr., estilete ca. 3,5 mm compr., frutos 3-4 × 3-4 cm ......................................................................................................... 4.6. Myrcia grandis

                      • 11’. Folhas membranáceas. Inflorescências axilares e terminais, sépalas ca.1 mm compr., ovaladas, estames ca. 2 mm compr., estilete 2-3 mm compr., frutos 5-5,5 × 5-5,5 ........................................................................................... 4.10. Myrcia multiflora

                        • 12. Ramos com tricomas. Inflorescência sem brácteas ... 4.12. Myrcia splendens

                        • 12’. Ramos glabros. Inflorescência com brácteas ............................................... 13

                          • 13. Pecíolos 1-1,5 mm compr.; folhas de ápice obtuso, base cordada. Pétalas deltoides; anteras ogas ..................................... 4.13. Myrcia subsessilis

                          • 13’. Pecíolos 3-10 mm; folhas de ápice acuminado ou arredondado, base cuneada. Pétalas orbiculares; anteras ovoides ou globosas ................ 14

                            • 14. Folhas glabras, ápice arredondado ou cuspidado, nervura central proeminente adaxialmente. Ovário 3-locular; pétalas glabras; hipanto glabro .......................................................... 4.4. Myrcia clusiifolia

                            • 14’. Folhas com tricomas, ápice acuminado ou agudo, nervura central impressa adaxialmente. Ovário 2-locular; pétalas com tricomas; hipanto com tricomas ............................ 4.2. Myrcia atramentifera

4.1. Myrcia amazonica DC., Prod. 3: 250. 1828.Fig. 3a-b

Figura 3 a-b. Myrcia amazonica - a. ramo com panículas; b. flor. c-d. Myrcia atramentifera - c. ramo com panículas; d. flor. e-f. Myrcia bracteata - e. ramo com panículas; f. flor. g-h. Myrcia clusiifolia - g. ramo com panículas; h. flor. i-j. Myrcia cuprea - i. ramo com panículas; j. flor. k-l. Myrcia grandis - k. ramo com panículas; l. flor. (a-b. Lobato et al. 4324; c-d. Viana et al. 5751; e-f. Trindade et al. 381; g-h. Lobato et al. 4436; i-j. Harley et al. 57329; k-l. Sperling et al. 5820). 

Figure 3 a-b. Myrcia amazonica - a. branch with panicles; b. flower. c-d. Myrcia atramentifera - c. branch with panicles; d. flower. e-f. Myrcia bracteata - e. branch with panicles; f. flower. g-h. Myrcia clusiifolia - g. branch with panicles; h. flower. i-j. Myrcia cuprea - i. branch with panicles; j. flower. k-l. Myrcia grandis - k. branch with panicles; l. flower. (a-b. Lobato et al. 4324; c-d. Viana et al. 5751; e-f. Trindade et al. 381; g-h. Lobato et al. 4436; i-j. Harley et al. 57329; k-l. Sperling et al. 5820). 

Subarbustos, arbustos ou arvoretas, 1-3 m alt. Ramos cilíndricos, com tricomas quando jovens. Folhas com pecíolos 3-8 mm compr.; lâminas 5,5-10 × 2-5 cm, elípticas ou oblongadas, ápice acuminado, base obtusa, nervura central proeminente em ambas as faces; coriáceas; face adaxial glabra, face abaxial com tricomas; discolores, face adaxial escura e abaxial clara. Inflorescências em panículas, axilares ou terminais; ramificações até terceira ordem; raques 7-10 cm compr.; pedicelos 1-3 mm compr.; brácteas ca. 1 mm compr.; bractéolas ca. 0,5 mm compr. Flores opostas nas inflorescências; botões com prefloração valvar; sépalas 5, ca, 1 × 1 mm, orbiculares; pétalas ca. 1,5 × 1,5 mm, orbiculares, alvas, glabras, glândulas em ambas as faces; estames ca. 4 mm compr., anteras ovoides; hipanto ca. 1 mm larg., glabro; ovário 2-locular, estilete ca. 3 mm compr., glabro. Frutos 0,5-1 × 0,5-0,1 cm, globosos, avermelhados, glabros, glândulas inconspícuas.

Material selecionado: Parauapebas [Marabá], Serra dos Carajás, 25.X.1985, fr., R.S. Secco et al. 600 (MG); Serra Norte, N2, 06º03’28”S, 50º15’19”W, 31.VII.2015, fl., P.L. Viana et al. 5756 (MG); N5, 06º06’46”S, 50º08’20”W, 14.III.2015, fl., L.C. Lobato et al. 4324 (MG).

Ocorre no Caribe (Belize,), na América Central (Costa Rica, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá), e na América do Sul na Bolívia, Brasil, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela (Holst et al. 2003; Tropicos 2018). No Brasil há registros para as regiões: Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantinas), Nordeste (Bahia, Maranhão, Paraíba), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná, Santa Catarina). Na Serra dos Carajás ocorre na Serra Norte: N2, N5, sobre canga aberta e mata baixa sobre canga. Coletada com flores e frutos praticamente durante todo o ano.

4.2. Myrcia atramentifera Barb. Rodr., Vellosia sec. ed.: 31. 1891.Figs. 2c-d; 3c-d

Arvoretas a árvores, 3-10 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas com pecíolos 5-10 mm compr.; lâminas 8,8-12,8 × 2,3-5,4 cm, elípticas ou lanceoladas, ápice acuminado ou agudo, base aguda ou cuneada, nervura central proeminente na face abaxial e impressa na adaxial; coriáceas, face adaxial glabra, face abaxial com tricomas; discolores. Inflorescência em panículas, axilares ou terminais; ramificações até terceira ordem; raques 4-13,8 cm compr.; pedicelos 1-2 mm compr. Flores alternas ou opostas ou em tríades nas inflorescências; prefloração quincuncial; sépalas 5, 1-1,5 × 1,5-2 mm, orbiculares; pétalas 5, 3-3,5 mm, pétalas orbiculares, alvas, tricomas em ambas as faces, glândulas em ambas as faces; estames ca. 6 mm compr., anteras ovoides; hipanto 2 mm larg., com tricomas; ovário 2-locular; estilete 6-7 mm compr., com tricomas. Frutos 0,8-1 × 0,4-0,5 cm, elipsoides, arroxeados, glabros, glândulas inconspícuas.

Material selecionado: Parauapebas, Serra Norte, N2, 06º03’28”S, 50º15’19”W, 31.VII.2015, fl., P.L. Viana et al. 5751 (MG); N5, 22.XI.1988, fr., J.A.A. Bastos et al. 69 (HCJS).

Apesar desta espécie estar sendo considerada um sinônimo para Myrcia splendens (Sw.) DC. de acordo com a Flora do Brasil 2020 (2018), no presente trabalho optou-se por tratá-las como espécies independentes, levando em consideração as diferenças morfológicas observadas nos materiais analisados. Os espécimes identificados como Myrcia atramentifera apresentam porte de até 10 m de altura, seus ramos são glabros, as lâminas foliares apresentam dimensões de 8,8-12,8 × 2,3-5,4 cm, os estames medem cerca de 6 mm de comprimento, e seus frutos apresentam apenas coloração arroxeada quando maduros. Diferentemente, os espécimes de Myrcia splendens atingem porte menor até 5 m de altura, seus ramos apresentam tricomas, as lâminas foliares são menores e mais estreitas, com dimensões de 3-6 × 0,9-2 cm, os estames medem cerca de 1/3 do tamanho (ca. 2 mm compr.), e seus frutos apresentam coloração vermelha a arroxeada quando maduros.

Espécie endêmica do Brasil (Tropicos 2018), ocorrendo exclusivamente na região Norte (Amazonas e Pará). No Pará a espécie tem nome popular de cumatê, sendo bem conhecida, por produzir uma tinta que é aplicada na pintura de cuias e outros utensílios usados por comunidades tradicionais. Na Serra dos Carajás, foi coletada na Serra Norte: N2, N5.

4.3 Myrcia bracteata (Rich.) DC., Prodr. 3: 245 1828.Figs. 2e; 3e-f

Arbustos, arvoretas ou árvores; 1,5-5 m alt. Ramos cilíndricos, com tricomas. Folhas com pecíolos 1-3 mm compr., folhas 3-10 × 1-2,5 cm, elíptica ou lanceolada, ápice agudo, base cuneada, nervura central proeminente abaxialmente e impressa adaxialmente; coriáceas, tricomas em ambas as faces; discolores, face adaxial escura, face adaxial clara. Inflorescências em panículas, axilares ou terminais; ramificações até segunda ordem; raques 1-5,5 cm, pedicelo 0-1 mm; brácteas 5-10 mm compr.; bractéolas 3-5 mm compr. Flores opostas na inflorescência; prefloração valvar; sépalas 5, 1,5-3 × 1,5-2 mm, deltoides; pétalas 5, 1,5-2,5 × 1,5-2 mm, orbiculares, vermelhas, tricomas somente na face dorsal, glândulas somente na face dorsal; estames 2 mm compr., anteras elipsoides a ovoides; hipanto ca. 2,5 mm larg., com tricomas; ovário 2-locular; estilete ca. 3 mm compr., piloso. Frutos 0,4-0,7 × 0,3-0,5 cm, elipsoides, rosados, com tricomas, glândulas conspícuas.

Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra Sul, S11D, 06º22’31”S, 50º21’16”W, 03.XII.2015, fl., J.R. Trindade et al. 381 (MG); Serra do Rabo-Sul, 15.XII.2010, fl., N.F.O. Mota et al. 1868. Parauapebas, Serra Norte, 05º55’S, 50º26’W, 05.XII.1981, fl. e fr., D.C. Daly et al. 1717 (INPA, MG); N3, 14.III.2007, fl. D.F. Silva et al. 236 (HCJS); N7, 04.II.1985, fl., O.C. Nascimento et al. 1146 (MG).

Ocorre na América do Sul (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela) (Holst et al. 2003; Tropicos 2018) . No Brasil há registros para as regiões: Norte (Acre, Amazonas, Pará, Roraima) e Centro-Oeste (Mato Grosso). Na Serra dos Carajás: Serra Norte: N3, N7, Serra Sul: S11D e Serra da Bocaina [Serra do Rabo-Sul], sobre canga aberta e borda de mata de canga. Registrada com flores e frutos durante os meses de outubro a março.

4.4. Myrcia clusiifolia (Kunth) DC., Prodr. 3: 255 1828.Figs. 2f; 3g-h

Arbusto; 1,5-1,6 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas com pecíolos 3-4 mm compr.; lâminas 2,5-4 × 1,5-2,5 cm, folhas elípticas ou obovadas, ápice arredondado ou cuspidado, base cuneada, nervura central proeminente em ambas as faces; coriáceas; glabras; discolores. Inflorescências em panículas, axilares ou terminais; ramificações até segunda ordem; raques 1,6-4 cm compr.; pedicelos 2-4 mm. Flores alternas na inflorescência; prefloração quincuncial; sépalas 5, ca. 1 × 1 mm, orbiculares; pétalas 5, ca. 2 × 2 mm, orbiculares, alvas, glabras, glândulas na face dorsal; estames ca. 4 mm compr., anteras ovoides; hipanto ca. 2 mm larg., glabro; ovário 2-3-locular, estilete ca. 5 mm compr., glabro. Frutos 0,4-0,7 × 0,4-0,8 cm, globosos, avermelhados, glabros, glândulas conspícuas.

Material selecionado: Parauapebas, Serra Norte, N4, 06º06’46”S, 50º11’32”W, 21.VIII.2015, fl., L.C.B. Lobato et al 4436 (MG); N5, 11.XI.1988, fr., J.P. Silva 165 (HCJS).

É referida para o Brasil apenas para a região Norte: Amapá e Amazonas, e recentemente registrada para o Pará (Rosário et al. 2017). Na Serra dos Carajás, foi coletada na Serra Norte: N4, N5.

4.5. Myrcia cuprea O. Berg) Kiaersk., Fl. bras. 14(1): 77. 1857.Figs. 2g-h; 3i-j

Arvoretas, 3-4 m alt. Ramos cilíndricos, com tricomas. Folhas com pecíolos 2-8 mm compr.; lâminas 3,7-6,3 × 1,5-3,3 cm, elípticas ou oblongas, ápice acuminado ou cuspidado, base cuneada, margem levemente revoluta; coriáceas; tricomas em ambas as faces; discolores, face adaxial escura e abaxial clara. Inflorescência em panículas, axilares ou terminais; ramificações até terceira ordem; raques 2,5-6,5 cm compr.; pedicelos 1-2,5 mm compr. Flores opostas ou em tríades na inflorescência; prefloração valvar; sépalas 5, 0,7 × 1-1,5 mm, orbiculares; pétalas 5, 1 × 1,5-2 mm, orbiculares, alvas a amarelas, tricomas em ambas as faces, glândulas presentes em ambas as faces; estames ca. 2 mm compr., anteras ovoides; hipanto ca. 1 mm larg. glabro, glândulas presentes; ovário 2-locular; estilete ca. 4 mm compr., glabro. Frutos 0,4-0,5 × 0,3-0,4 cm, globosos, amarelados a avermelhados, com tricomas, glândulas conspícuas.

Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra do Rabo, 06º19’37”S, 49º55’33”W, 13.XII.2007, fl., N.F.O. Mota et al. 1179 (MG); Serra do Tarzan, 06º19’45”S, 50º08’26”W, 1.IX.2015, fl., R.M. Harley et al. 57329 (MG); Serra Sul, S11C, 06º23’33”S, 50º22’06”W, 2.XII.2015, fr., R. Goldenberg et al. 2236 (MG); S11D, 22.VI.2013, fl., R.S. Santos et al. 25 (MG); Serra Sul, 06º23’48”S, 50º22’23”W, 1.XII.2015, fr., J.R. Trindade et al. 367 (MG). Parauapebas [Marabá], Serra Norte, 04.VI.1983, fl., M.F.F. da Silva et al. 1473 (MG).

Ferreira et al. (2013) quando estudaram esta espécie em ambientes de restinga, a consideraram como de grande potencial para uso ornamental. Durante o trabalho de campo em Carajás, podemos confirmar tal afirmação, pois a espécie inclui plantas com folhas, ramos e inflorescência de uma coloração bastante atrativa que vai do cobre ao dourado.

A espécie ocorre em várias áreas da região Amazônica, e sua utilização como ornamental seria uma forma de auxiliar na preservação da mesma, através de sua propagação para fins paisagísticos.

Ocorre no Brasil, Guiana Francesa e Suriname. No Brasil ocorre nas regiões: Norte (Amazonas, Amapá, Pará) e Nordeste (Maranhão). Na Serra dos Carajás: Serra Norte, platô não especificado, Serra Sul: S11D, Serra da Bocaina [Serra do Rabo] e Serra do Tarzan, com flores e frutos durante os meses de abril a dezembro.

4.6. Myrcia grandis McVaugh, Mem. New York Bot. Gard. 18(2): 114. 1969.Fig. 3k-l

Arbustos, 1-1,5 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas com pecíolos 3,5-4,5 mm compr.; lâminas 3-4,7 × 1,5-2 cm, elípticas, ápice acuminado, base cuneada, nervura central proeminente abaxialmente e impressa adaxialmente; cartáceas; glabras; discolores, face adaxial avermelhada e abaxial marrom claro. Inflorescências em panículas, axilares; ramificações até terceira ordem, raques 4,5-6 cm compr., pedicelos 2-3 mm compr. Flores alternas ou em tríades na inflorescência; prefloração valvar; sépalas 5, ca. 0,5 × 0,5 mm, orbiculares; pétalas 5, ca. 2 × 2 mm, oblongas, alvas, glabras, glândulas presentes em ambas as faces; estames ca. 2,5 mm compr., anteras globosas; hipanto ca. 0,5 mm larg., glabro; ovário 2-locular, estilete ca. 3,5 mm compr., glabro. Frutos 3-4 × 3-4 cm, globosos, avermelhados, glabros, glândulas conspícuas.

Material selecionado: Parauapebas [Marabá], Serra Norte, N1, 06º02’S, 50º17’W, 25. V. 1982, fl., C.R. Sperling et al. 5820 (MG); N4, 14.III.1984, fl. e fr., A.S.L. da Silva et al. 1757 (MG).

Ocorre em Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana, Panamá, Guiana Francesa e Suriname (Holst et al. 2003; Tropicos 2018). No Brasil ocorre nas regiões: Norte (Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima) e Nordeste (Maranhão). Na Serra de Carajás: Serra Norte: N1, N4, em solo de canga. Registrada com flores e frutos durante os meses de março a agosto.

4.7. Myrcia guianensis (Aubl.) DC., Prodr. 3: 245 1828.Fig. 4a-b

Figura 4 a-b. Myrcia guianensis - a. ramo com panículas; b. flor. c-d. Myrcia inaequiloba - c. ramo com panículas; d. flor. e-f. Myrcia aff. maguirei - e. ramo com panículas; f. botão floral. g-h. Myrcia multiflora - g. ramo com panículas; h. flor. i-j. Myrcia paivae - i. ramo com panículas; j. botão floral. k-l. Myrcia splendens - k. ramo com panículas; l. flor. (a-b. Carreira et al. 3543; c-d. Rosa et al. 4487; e-f. Secco & Cardoso 642; g-h. Gil et al. 508; i-j. Gil et al. 505; k-l. Mota et al. 1090). 

Figure 4 a-b. Myrcia guianensis - a. branch with panicles; b. flower. c-d. Myrcia inaequiloba - c. branch with panicles; d. flower. e-f. Myrcia aff. maguirei - e. branch with panicles; f. flower bud. g-h. Myrcia multiflora - g. branch with panicles; h. flower. i-j. Myrcia paivae - i. branch with panicles; j. flower bud. k-l. Myrcia splendens - k branch with panicles; l. flower. (a-b. Carreira et al. 3543; c-d. Rosa et al. 4487; e-f. Secco & Cardoso 642; g-h. Gil et al. 508; i-j. Gil et al. 505; k-l. Mota et al. 1090). 

Arbustos, arvoretas ou árvores, 1-5 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas com pecíolos 2-4 mm compr., lâminas 1,7-5,6 × 1-2,5 cm, elípticas ou obovadas, ápice arredondado ou obtuso, base cuneada ou obtusa, nervura central proeminente adaxialmente; coriáceas; a face adaxial glabra e abaxial com tricomas; discolores, face adaxial escura e abaxial clara. Inflorescências em panículas, axilares e terminais, ramificações até segunda ordem, raques 1,5-5 cm compr., pedicelos 2-6 mm compr. Flores opostas ou tríades na inflorescência; prefloração valvar; sépalas 5, ca. 1-1,5 × 1-1,5 mm, orbiculares; pétalas 5, 1-2 × 1,5-2 mm, orbiculares, alvas, glabras, glândulas presentes em ambas as faces; estames 2-4 mm compr., anteras oblongas; hipanto ca. 1,5 mm larg., glabro; ovário 3-locular, estilete 3-4 mm compr., glabro. Frutos 0,5-0,7 × 0,5-0,7 cm, globosos, avermelhados, glabros, glândulas conspícuas.

Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra dos Carajás, S11A, 06º18’19”S, 50º26’57”W, 22.V.2016, fl., L.V. Vasconcelos 863 (MG). Parauapebas, Serra Norte, 05º55’S, 50º26’W, 5.XII.1981, fr., D.C. Daly et al. 1720 (MG); N1, 06º00’53”S, 50º17’52”W, 24.XI.2009, fr., R.D. Ribeiro et al. 1365 (MG); N3, 18.V.2016, fr., A.L. Hiura et al. 70 (MG); N4, 06º29’22”S, 50º10’16”W, 25.VI.2015, fr., J.R. Trindade et al. 255 (MG).

Ocorre em Brasil, Bolívia, Porto Rico, Trinidad e Tobago, Equador, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Panamá, Peru, Suriname e Venezuela (Holst et al. 2003; Tropicos 2018). No Brasil ocorre nas regiões: Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte), Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina). Na Serra dos Carajás, foi coletada nas Serra Sul: S11A e Serra Norte: N1, N3, N4, com floração praticamente durante o ano todo.

4.8. Myrcia inaequiloba (DC.) Lemée, Fl. Guyane Franc., 3: 150, 1954.Fig. 4c-d

Arbustos ca. 1,5 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas com pecíolos 3-5 mm compr., lâminas 3,3-6,7 × 2-3,3 cm, elípticas ou obovadas, ápice cuspidado ou retuso, base cuneada ou obtusa; nervura central proeminente em ambas as faces; cartáceas; glabras, discolores, face adaxial escura e abaxial clara. Inflorescências em panículas, axilares, ramificações até segunda ordem, raques 5-10 cm compr., pedicelos 3-5 cm compr., bractéolas ca. 0,5 mm compr. Flores opostas ou em tríades na inflorescência; prefloração valvar; sépalas 5, ca. 1 × 1 mm, orbiculares; pétalas 5, ca. 2 × 2 mm, orbiculares, alvas, glabras, glândulas presentes na face dorsal; estames ca. 2 mm compr., anteras ovoides; hipanto ca. 1 mm larg., glabro; ovário 2-locular, estilete ca. 2 mm compr., glabro. Frutos não observados.

Material selecionado: Parauapebas [Marabá], Serra Norte, N1, 23.I.1983, fl., N.A. Rosa et al. 4487 (MG).

Brasil, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Suriname e Venezuela (Holst et al. 2003; Tropicos 2018). No Brasil ocorre nas Regiões: Norte (Acre, Amazonas, Pará e Roraima) e Nordeste (Sergipe). Está sendo registrada pela primeira vez para o estado do Pará. Na Serra dos Carajás, foi registrada na Serra Norte: N1, com flores no mês de janeiro.

4.9. Myrcia aff. maguirei (McVaugh) E.Lucas & C.W.Wilson, Ann. Missouri Bot. Gard. 101: 673. 2016.Fig. 4e-f

Arbustos ca. 2 m alt. Ramos sulcados, glabros. Folhas com pecíolos 3-5 mm compr., lâminas 5-9 × 2-2,7 cm compr.; elípticas ou lanceoladas, ápice acuminado ou agudo, base aguda ou obtusa; nervura central proeminente abaxialmente e impressa adaxialmente; cartáceas ou coriáceas; glabras; concolores. Inflorescências em panículas, axilares, ramificações até primeira ordem, raques 1,5-3 mm compr., pedicelos ca. 5 mm compr., brácteas ca. 0,5 mm compr. Flores alternas nas inflorescências; prefloração valvar; sépalas 5; anteras ca. 2 mm compr., ovoides; hipanto ca. 2 mm larg., glabro; ovário 2-locular, estilete 2-3 cm compr., glabro. Frutos não observados.

Material examinado: Serra Norte, N3, 28.X.1985, fl., R. Secco & O. Cardoso 642 (MG).

Rosário et al. (2014a) ao analisarem o espécime R. Secco & O. Cardoso 642 (MG) o identificaram como Marlierea maguirei McVaugh, sendo este o primeiro registro para o estado do Pará, e para o Brasil. Eve et al. (2016) transferiram diversas espécies de Myrtaceae da subtribo Myciinae, seção Aulomyrcia para o gênero Myrcia, inclusive Marlieria maguirei = Myrcia maguirei (McVaugh) E.Lucas & C.W.Wilson.

O espécime Secco & Cardoso 642, foi comparado em detalhe com a descrição original de McVaugh (1958) e chegou-se à conclusão de que o mesmo é pertencente ao gênero Myrcia mas não pode ser identificado como M. maguirei, tratando-se de um táxon próximo dessa espécie. O espécime Secco & Cardoso 642 é uma planta pilosa, com lâminas foliares de até 9 cm de compr., e inflorescências não ramificadas (Fig. 4e). Diferentemente, Myrcia maguirei é descrita como glabra, com lâminas foliares menores (até 6 cm de compr.), e inflorescências ramificadas. Devido a falta de outros espécimes desse táxon disponível para estudo, preferimos identificar o espécime como afim de M. maguirei.

Na Serra dos Carajás, foi coletada apenas na Serra Norte: N3, registrada com flores no mês de outubro.

4.10. Myrcia multiflora (Lam.) DC., Prodr. 3: 244 1828.Figs. 2i-j; 4g-h

Arbustos ou arvoretas, 0,7-4 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas com pecíolos 2,5-5,5 cm compr., lâminas 1,5-4,5 × 0,8-2,3 cm, elípticas ou ovaladas, ápice acuminado, base cuneada ou obtusa, nervura central proeminente abaxialmente e impressa adaxialmente, membranácea, glabras; discolores, face adaxial escura e abaxial clara. Inflorescências em panículas, axilares ou terminais, ramificações até terceira ordem, raques 2-10 cm compr., pedicelos 2-3,5 mm compr. Flores alternas nas inflorescências; prefloração valvar; sépalas 5, ca. 1 × 1 mm, ovaladas; pétalas 5, 2-3 × 1,5-2 mm, oblongas, alvas, glabras, glândulas presentes em ambas as faces; estames ca. 2 mm compr., anteras globosas ou oblongas; hipanto ca. 0,5 mm larg., glabro; ovário 2-locular, estilete 2-3 mm compr., glabro. Frutos 5-5,5 × 5-5,5 cm, globosos, avermelhados, glabros, glândulas conspícuas.

Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra Sul, S11A, 06º21’04”S, 50º26’22”W, 4.IV.2016, fl., L.M.M. Carreira et al. 3534 (MG); S11D, 06º23’48”S, 50º22’23”W, 1.XII.2015, fr., J.R. Trindade et al. 365 (MG). Parauapebas, Serra Norte, 06º55’S, 50º15’W, 5.XII.1981, fr., D.C. Daly et al. 1739 (MG); N1, 06º02’27”S, 50º16’14”W, 18.V.2016, fl., A.L Hiura et al. 77 (MG); N2, 06º03’28”S, 50º15’09”W, 31.VIII.2015, fl., P.L. Viana et al. 5754 (MG); N3, 06º03’69”S, 50º12’37”W, 22.VI.2015, fl., J.R. Trindade et al. 229 (MG); N4, 06º10’01”S, 50º11’31”W, 26.VIII.2015, fl., L.C.B. Lobato et al. 4449 (MG); N5, 06º 04’S, 50º08’W, 12.V.1982, fl., C.R. Sperling et al. 5608 (MG).

Através das análises de exsicatas, e observações em campo, constatou-se que esta é a espécie de Myrtaceae mais bem distribuída nas diversas áreas de canga da Serra dos Carajás. Está presente tanto na Serra Norte como na Serra Sul, ocorrendo no interior de matas bem preservadas, e também, em áreas antropizadas, especialmente na margem das estradas, o que indica que esta espécie pode apresentar boas características para uso na recomposição ambiental local.

Bolívia, Brasil, Trinidad e Tobago, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela (Holst et al. 2003; Tropicos 2018). No Brasil ocorre nas Regiões: Norte (Acre, Amazonas, Pará, Tocantins), Nordeste (Bahia, Rio Grande do Norte), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina). Na Serra dos Carajás, foi coletada na Serra Sul: S11A, S11D e Serra Norte: N1, N2, N3, N5, registrada com flores e frutos nos meses de maio a dezembro.

4.11. Myrcia paivae O. Berg., Fl. bras. 14(1): 179 1857.Fig. 4i-j

Arbustos, arvoretas ou árvores, 1-5 m alt. Ramos cilíndricos, com tricomas. Folhas com pecíolos ca. 2 mm compr., lâminas 3-6 × 0,9-2 cm, elípticas ou lanceoladas, ápice acuminado ou agudo, base cuneada ou obtusa, nervura central proeminente abaxialmente e impressa adaxialmente; coriáceas; face adaxial glabra, face abaxial com tricomas; discolores, face adaxial escura e abaxial clara. Inflorescências em panículas, axilares ou terminais, ramificações até segunda ordem; raques 0,6-1,3 cm compr., pedicelo ca. 1 mm compr.; brácteas ca. 5 mm compr., bractéolas ca. 1 mm compr. Flores alternas ou tríades na inflorescência; prefloração valvar; sépalas 5, ca. 1 × 1 mm, deltoides; pétalas 5, ca. 1,5 × 1,5 mm, orbiculares, alvas, tricomas em ambas as faces, glândulas presentes em ambas as faces; estames ca. 2 mm compr., anteras ovoides; hipanto 1-2 mm larg., com tricomas; ovário 2-locular, estilete 3-4 mm compr., glabro. Frutos ca. 1 × 0,5 cm, elipsoides, avermelhados, glabros, glândulas inconspícuas.

Material selecionado: Parauapebas, Serra Norte, N5, 06º02’28”S, 50º05’16”W, 2.IX.2015, fl., A. Gil et al. 505 (MG).

No Brasil ocorre nas regiões: Norte (Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima) e Centro-Oeste (Mato Grosso). Na Serra dos Carajás, foi coletada na Serra Norte, N5.

4.12. Myrcia splendens (Sw.) DC., Prodr. 3: 244 1828.Fig. 4k-l

Arbustos, arvoretas ou árvores, 1-5 m alt. Ramos cilíndricos, com tricomas. Folhas com pecíolos 0,2-2 cm de compr., lâminas 3-6 × 0,9-2 cm, elípticas ou lanceoladas, ápice acuminado ou agudo, base cuneada ou obtusa; nervura central proeminente abaxialmente e impressa adaxialmente; coriáceas; tricomas apenas na face abaxial e glabra adaxial; discolores, face adaxial escura e abaxial clara. Inflorescências em panículas, axilares ou terminais, ramificações até segunda ordem, raques 0,6-1,3cm compr., pedicelos ca. 1 mm compr.; brácteas ca. 5 mm compr., bractéolas ca. 1 mm compr. Flores opostas ou tríades na inflorescência; prefloração quincuncial; sépalas 5, ca. 1 × 1 mm, deltoides; pétalas 5, ca. 1,5 × 1,5 orbiculares, alvas, tricomas em ambas as faces, glândulas presentes em ambas as faces, estames ca. 2 mm compr., anteras ovoides; hipanto 1-2 mm larg., com tricomas; ovário 2-locular, estilete 3-4 mm compr., glabro. Frutos ca. 1 × 0,5 cm, elipsoides, avermelhados a arroxeados, glabros, glândulas inconspícuas.

Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra Sul, S11D, 06º23’43”S, 50º22’23”W, 1.XII.2015, fr., J.R. Trindade et al. 374 (MG); Serra do Rabo, 06º18’36”S, 49º53’22”W, 14.XII.2007, fl., N.F.O. Mota et al. 1189 (MG). Parauapebas, Serra Norte, N1, 06º01’30”S, 50º17’49”W, 24.XI.2009, fr., R.D. Ribeiro et al. 1353 (MG); N2, 06º03’28”S, 50º15’19”W, 31.VII.2015, fl., P.L. Viana et al. 5766 (MG); N4, 06º29’22”S, 50º10’16”W, 25.VI.2015, fl., J.R. Trindade et al. 253 (MG).

No Brasil ocorre nas Regiões Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina). Na Serra dos Carajás, foi coletada na Serra Sul: S11D, Serra Norte: N1, N2, N4, e Serra da Bocaina [Serra do Rabo], registrada com flores e frutos no mês de dezembro.

4.13 Myrcia subsessilis O. Berg., Linnaea 31: 251 1862.Fig. 5a-b

Figura 5 a-b. Myrcia subsessilis - a. ramo com panículas; b. botão floral. c-d. Myrcia sylvatica - c. ramo com panículas; d. flor. e-f. Myrcia tomentosa - e. ramo com panículas; f. flor. g. Myrciaria floribunda - ramo com glomérulos. (a-b. Viana et al. 5768; c-d. Trindade et al. 347; e-f. Trindade et al. 384; g. Mota et al. 1178

Figure 5 a-b. Myrcia subsessilis - a. branch with panicles; b. flower bud. c-d. Myrcia sylvatica - c. branch with panicles; d. flower. e-f. Myrcia tomentosa - e. branch with panicles; f. flower. g. Myrciaria floribunda - branch with glomerules. (a-b. Viana et al. 5768; c-d. Trindade et al. 347; e-f. Trindade et al. 384; g. Mota et al. 1178). 

Arbustos, arvoretas ou árvores, 0,5-4,5 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas com pecíolos 1-1,5 mm compr., lâminas 2,7-7,5 × 2-4,2 cm, elípticas ou obovadas, ápice obtuso, base cordada ou obtusa; nervura central proeminente abaxialmente e impressa adaxialmente; coriáceas; glabras; discolores, face adaxial escura e abaxial clara. Inflorescências em panículas, axilares ou terminais; ramificações até terceira ordem; raques 2,5-10 cm compr., pedicelos 0,5-1,5 cm compr. Flores alternas, opostas ou tríades na inflorescência; prefloração quincuncial; sépalas 5, 1 × 1 mm, orbiculares; pétalas 5, 2-2,5 × 2-2,5 mm, deltoides, alvas, tricomas em ambas as faces, glândulas presentes em ambas as faces; estames 5 mm compr., anteras oblongas; hipanto ca. 1 mm larg., com tricomas; ovário 2-locular, estilete ca. 4 mm compr., piloso na base e glabro no ápice. Frutos 0,7-1,2 × 0,6-0,7 cm, elipsoides, arroxeados, glabros, glândulas conspícuas.

Material selecionado: Parauapebas, Serra Norte, 05º55’S, 50º26’W, 5.XII.1981, fr., D.C. Daly et al. 1696 (MG); N1, 06º00’53”S, 50º17’52”W, 24.XI.2009, fr., R.D. Ribeiro et al. 1366 (MG); N2, 06º03’28”S, 50º15’09”W, 31.VIII.2015, fl., P.L. Viana et al. 5768 (MG).

No Brasil é referida apenas para a região Norte, nos estados do Amazonas, Amapá, Pará. Registrada com flores e frutos nos meses de agosto a dezembro. Na Serra dos Carajás, foi coletada na Serra Norte: N1, N2.

4.14. Myrcia sylvatica (G. Mey.) DC., Prodr. 3: 244 1828.Figs. 2k; 5c-d

Arbustos a árvores, 1-6 m alt. Ramos cilíndricos, glabros. Folhas com pecíolos ca. 1,5 mm compr.; lâminas 1,5-7,6 × 0,7-2,7 cm, elípticas ou lanceoladas, ápice acuminado ou agudo, base obtusa, nervura central proeminente abaxialmente e impressa adaxialmente; cartácea ou subcoriácea; face adaxial glabra, face abaxial com tricomas; discolores, face adaxial escura e abaxial clara. Inflorescências em panículas, axilares ou terminais; ramificações até terceira ordem; raques 1,6-5,2 cm compr.; pedicelos ca. 1,5 mm compr. Flores opostas ou tríades na inflorescência; prefloração valvar; sépalas 5, 0,5-1 × 1-1,5 mm, deltoides; pétalas 5, 2-2,5 × 2 mm, orbiculares, alvas, tricomas em ambas as faces, glândulas presentes em ambas as faces; estames ca. 4 mm compr., anteras ovoides; hipanto ca. 1 mm larg., com tricomas, 2-locular; estilete 3,5-4 mm compr. glabro. Frutos 5-6 × 4-5 cm, elipsoides, com tricomas, glândulas conspícuas, arroxeados.

Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra Sul, S11D, 06º22’08”S, 50º23’07”W, 2.XII.2015, fl. e fr., J.R. Trindade et al. 376 (MG); Serra do Tarzan, 06º19’47”S, 50º07’52”W, 1.IX.2015, fl., R.M. Harley et al 57348 (MG). Parauapebas, Serra Norte, N1, 06º18’00”S, 50º16’59”W, 29.XI.2013, fl., R.S. Santos et al. 145 (MG); N4, 25.I.1985, fr., O.C. Nascimento et al. 958 (MG).

No Brasil ocorre nas regiões Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco) e Centro-Oeste (Mato Grosso). Registrada com flores e frutos nos meses de setembro a fevereiro. Na Serra dos Carajás, foi coletada nas Serras Sul: S11D; Serra Norte: N1, N4, e Serra do Tarzan.

4.15. Myrcia tomentosa (Aubl.) DC., Prodr. 3: 245 1828.Fig. 5e-f

Arbustos a árvores, 2-5 m alt. Ramos cilíndricos, com tricomas. Folhas com pecíolos ca. 5 mm compr.; lâminas 5,2-10,5 × 3,6-4,9 cm, elípticas a obovadas, ápice acuminado a convexo, base arredondada ou côncava, nervura central proeminente abaxialmente e impressa adaxialmente; membranácea; faces adaxial e abaxial com tricomas; concolores. Inflorescências em panículas, axilares; ramificações até primeira ordem; raques 6,2-7 cm compr.; pedicelos 1-3 mm compr.; brácteas ca. 3 mm compr. Flores alternas na inflorescência; prefloração valvar; sépalas 5, 1,2-1,5 × 1 mm, deltoides; pétalas 5, 1,5-2 × 2 mm, orbiculares, alvas, glabras, glândulas presentes na face dorsal; estames 2-4 mm compr., anteras elipsoides; hipanto 1,5-3 mm larg., glabro internamente e piloso externamente; ovário 2-locular, estilete 2-6 mm compr., glabro. Frutos 0,7-1 × 0,7-0,9 cm, globosos, com tricomas, glândulas conspícuas.

Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra do Rabo, 06º19’37”S, 49º55’53”W, 13.XII.2007, fr., N.F.O. Mota et al. 1181 (MG); Serra Sul, S11D, 06º22’31”S, 50º21’16”W, 3.XII.2015, fl., J.R. Trindade et al. 384 (MG). Parauapebas, Serra Norte, N3, 28.X.1985, fl., R. Secco et al. 651 (MG).

No Brasil ocorre nas regiões Norte (Amazonas, Pará), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná). Registrada com flores e frutos durante os meses de outubro a dezembro. Na Serra dos Carajás, foi registrada na Serra Sul: S11D, Serra Norte: N3, e Serra da Bocaina [Serra do Rabo].

5. Myrciaria O. Berg

Árvores ou arbustos. Flores reunidas em glomérulos, axilares ou caulinares; brácteas decíduas e bractéolas soldadas pelo menos na base e persistentes após a antese. Botão floral com cálice aberto, 4-lobado, lobos decíduos após a antese; pétalas 4; hipanto tubular e decíduo após a antese; ovário 2-locular, 2 óvulos por lóculo, placentação axilar. Fruto globoso, com cicatriz circular da queda do cálice e hipanto que se soltam como uma unidade; 1-2 sementes, testa membranácea, embrião eugenioide (Barroso et al. 1984; Machiori & Sobral 1997; Silva 2012).

Myrciaria está representado no Brasil por 24 espécies (Silva 2012). Apenas M. floribunda ocorre nas cangas da Serra dos Carajás.

5.1. Myrciaria floribunda (H.West ex Willd.) O.Berg, Linnaea 27: 330 1856.Figs. 2l; 5g

Arbustos a árvores, 2-5 m alt. Ramos cilíndricos, com tricomas. Folhas com pecíolos ca. 5 mm compr.; lâminas 5,2-10,5 × 3,6-4,9 cm, elípticas ou obovadas, ápice acuminado ou convexo, base arredondada ou côncava, nervura central proeminente abaxialmente e impressa adaxialmente; membranáceas; faces adaxial e abaxial com tricomas; concolores. Inflorescências em glomérulos, axilares; raques 6,2-7 mm compr.; pedicelos 1-3 mm compr.; brácteas ca. 3 mm compr. Flores alternas na inflorescência; botões com prefloração valvar; sépalas 5, 1,2-1,5 × 1 mm, deltoides; pétalas 5, 1,5-2 × 2 mm, orbiculares, alvas, glabras, glândulas presentes na face dorsal; estames 2-4 mm compr., anteras elipsoides; hipanto 1,5-3 mm larg., glabro internamente e piloso externamente; ovário 2-locular, estilete 2-6 mm compr., glabro. Frutos 0,7-1 × 0,7-0,9 cm, globosos, esverdeados, com tricomas, glândulas conspícuas.

Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra do Rabo, 06º19’37”S, 49º55’53”W, 13.XII.2007, fr., N.F.O. Mota et al. 1178 (MG). Parauapebas, Serra Norte, N4, 12.I.2010, fl., L.C.B. Lobato et al. 3795 (MG).

Myrciaria floribunda difere-se de todas as demais espécies de Myrtaceae ocorrentes nas cangas da Serra de Carajás por apresentar inflorescências dispostas em glomérulos.

Belize, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Estados Unidos da América, Guatemala, Guiana, Guiana Francesa, Honduras, Hispaniola, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Porto Rico, Suriname e Uruguai (Holst et al. 2003; Tropicos 2018). No Brasil há registro para as regiões Norte (Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima), Nordeste (Alagoas, Bahia, Pernambuco), Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina). Na Serra dos Carajás, foi registrada na Serra Norte: N4 e Serra da Bocaina [Serra do Rabo], nos meses de dezembro e janeiro.

Lista de exsicatas Araújo CM 132 (4.9). Bastos JAA 59 (3.8), 60 (4.13), 66 (4.11), 69 (4.2). Berg CC 496 (4.10), 569 (4.10), 570 (3.6), 571 (3.6). Carreira LMM 3414 (4.5), 3427 (3.8), 3534 (4.10), 3543 (4.7). Cavalcante P 2684 (3.7). Costa LV 651 (3.4). Daly DC 1696 (4.13), 1717 (4.3), 1720 (4.7), 1732 (4.7), 1739 (4.10), 1740 (4.13), 1744 (3.6), 1767 (3.3), 1783 (3.6). Dias CSP 4 (1.1). Gil A 505 (4.11), 508 (4.10), 514 (4.12). Giorni VT 347 (2.1). Goldenberg R 2231 (4.10), 2236 (4.5). Harley RM 57329 (4.5), 57341 (3.6), 57348 (4.14), 57980 (3.1). Hiura AL 70 (4.7), 77 (4.10). Lobato LCB 3794 (3.8), 3795 (5.1), 3796 (3.6), 4312 (3.7), 4324 (4.1), 4381 (3.8), 4436 (4.4), 4448 (3.5), 4449 (4.10). Mota NFO 1063 (3.8), 1090 (4.14), 1094 (4.10), 1096 (3.5), 1103 (4.14), 1129 (3.2), 1149 (4.7), 1178 (5.1), 1181 (4.15), 1189 (4.12), 1215 (3.5), 1218 (4.13), 1868 (4.3). Nascimento OC 909 (3.5), 958 (4.14), 975 (3.6), 1146 (4.3), 1176 (4.14), 1179 (4.5). Pereira SS 7 (4.10). Ribeiro RD 1353 (4.12), 1365 (4.7), 1366 (4.13). Rosa NA 4487 (4.8), 4668 (4.6), 4672 (3.6). Santos RS 25 (4.5), 108 (3.6), 145 (10.4), 146 (4.7). Secco RS 577 (4.3), 588 (4.7), 591 (4.13), 600 (4.1), 620 (4.14), 642 (4.9), 651 (4.15), 667 (4.13), 717 (3.8). Silva ASL 1757 (4.6), 1765 (3.8), 1840 (4.7), 1890 (3.8). Silva DF 236 (4.3), 734 (4.9), 1036 (4.14). Silva H 2664 (3.6). Silva JP 165 (4.4), 182 (4.1), 417 (4.11), 508 (1.1). Silva LVC 382 (2.1), 595 (4.7), 624 (4.5). Silva MFF 1362 (3.1), 1473 (4.5). Souza DT 1175 (1.1). Sperling CR 5585 (3.7), 5602 (3.7), 5608 (4.10), 5617 (3.7), 5634 (3.7), 5820 (4.6). Tyski L 05 (3.5). Trindade JR 229 (4.10), 239 (4.10), 250 (4.10), 253 (4.12), 255 (4.7), 339 (3.14), 344 (4.14), 347 (4.14), 353 (4.3), 365 (4.10), 367 (4.5), 368 (4.10), 369 (3.7), 374 (4.12), 375 (4.10), 376 (4.14), 379 (3.8), 381 (4.3), 382 (3.3), 383 (4.10), 384 (4.15). Vasconcelos LV 863 (4.7). Viana PL 3379 (4.10), 3391 (3.8), 3392 (3.6), 3395 (1.1), 4309 (4.5), 5751 (4.2), 5754 (4.10), 5756 (4.1), 5766 (4.12), 5768 (4.13).

Editora de área: Dra. Ana Giulietti

Agradecimentos

Agradecemos ao Museu Paraense Emílio Goeldi, Universidade Federal Rural da Amazônia e Instituto Tecnológico Vale, a infraestrutura e demais apoio fundamentais para o desenvolvimento deste trabalho. A CAPES, pela bolsa de Pós-Graduação concedida ao primeiro autor. Aos pesquisadores Dra. Ana Maria Giulietti Harley, Dr. Ricardo de Souza Secco, Dr. Pedro Lage Viana e Dra. Ely Simone Cajueiro Gurgel, por suas valorosas contribuições a este trabalho. Aos curadores dos herbários BHCB, IAN, INPA, HCJS, MG e RB, o acesso aos materiais. Ao ICMBio , as licenças de coletas concedidas. Aos desenhistas João Silveira e Carlos Alvarez, as ilustrações. Aos colegas Camilo Veríssimo e Géssica Fernandes, a ajuda na montagem das pranchas de imagens. Aos pesquisadores Dr. André Simões, Me. Jone Mendes e Dra. Nara Mota, a cessão das fotos; aos referees, as sugestões ao texto.

Referências

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Recebido: 10 de Outubro de 2017; Aceito: 28 de Fevereiro de 2018

4 Autor para correspondência: bira@museu-goeldi.br

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