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Rodriguésia

Print version ISSN 0370-6583On-line version ISSN 2175-7860

Rodriguésia vol.69 no.3 Rio de Janeiro July/Sept. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/2175-7860201869331 

Artigos Originais

Flora das cangas da Serra dos Carajás, Pará, Brasil: Quiinaceae

Flora of the canga of the Serra dos Carajás, Pará, Brazil: Quiinaceae

Débora Larissa Carvalho Botelho1 

Antônio Elielson Sousa da Rocha1  2 

1Museu Paraense Emílio Goeldi, Av. Magalhães Barata 376, São Braz, 66040-170, Belém, PA, Brasil.

Resumo

Este estudo apresenta um tratamento taxonômico para a família Quiinaceae na vegetação de canga na Serra dos Carajás, no estado do Pará, Brasil, incluindo descrição morfológica, ilustrações e comentários. Foi registrada uma espécie Quiina pteridophylla.

Palavras-chave: Amazônia; Quiina; taxonomia

Abstract

This study presents a taxonomic treatment for the family Quiinaceae in canga vegetation of the Serra dos Carajás, in the state of Pará, Brazil, including morphological description, illustrations, and comments. One species was recorded, Quiina pteridophylla.

Key words: Amazon; Quiina; taxonomy

Quiinaceae

Quiinaceae Choisy ex Engl. é caracterizada pelas folhas opostas ou verticiladas, compostas ou simples, com presença de estípulas interpeciolares, venação foliar terciária densamente espaçada, flores uni ou bissexuadas, diclamídeas, actinomorfas, polistêmones, gineceu sincárpico ou apocárpico, ovário súpero, estilete terminal, frutos bagas com pericarpo fibroso, contendo discretas ou grandes lacunas. Apesar da proposta da inclusão de Quiinaceae como uma subfamíla de Ochnaceae sensu lato (Schneider et al. 2014; APG IV 2016), o tratamento taxonômico mais recente e abrangente para o grupo (Schneider & Zizka 2016) trata Quiinaceae com uma família distinta, posição também adotada neste trabalho.

A família é composta por quatro gêneros e 46 espécies, apresenta distribuição neotropical, entre a América Central e parte norte da América do Sul, majoritariamente distribuída na Amazônia (Schneider & Zizka 2016). No Brasil são registradas 40 espécies, duas subespécies, sendo 15 endêmicas (BFG 2015). Na Serra dos Carajás ocorrem três espécies, uma delas em áreas de canga: Quiina pteridophylla (Radlk.) Pires. As demais espécies ocorrem em floresta de terra firme, são: Lacunaria crenata (Tul.) A.C.Sm. e Quiina paraensis Pires & Fróes.

1. Quiina Aubl.

Quiina compreende 32 espécies, distribuídas da América Central ao norte da América do Sul, ocorrendo preferencialmente em floresta de terra firme. Caracteriza-se por apresentar folha simples, inteira ou pinatisecta, verticilada ou oposta, flores estaminadas e hermafroditas, ovário sincárpico (Schneider & Zizka 2016). Para as cangas das Serra dos Carajás foi registrada uma única espécie: Quiina pteridophylla (Radlk.) Pires.

1.1. Quiina pteridophylla (Radlk.) Pires. Bol. Tecn. Inst. Agron. N. 20: 48. 1950. Touroulia pteridophylla Radlk. Sitzungsber. Math.-Phys. Cl. Königl. Bayer. Akad. Wiss. München. 19: 218. 1889. Fig. 1a-c

Ilustração: Elielson Rocha.

Figura 1 a-d. Quiina pteridophylla – a. folha indivíduo adulto; b. folha indivíduo jovem; c. flor; d. estípula (P. Cavalcante 2277; P. Cavalcante 2153). 

Illustration: Elielson Rocha.

Figure 1 a-d. Quiina pteridophylla – a. leaf from adult plant; b. leaf from juvenile plants; c. flower; d. stipule (P. Cavalcante 2277; P. Cavalcante 2153). 

Fase jovem arvoreta ou árvore até 3 m alt. Folhas verticiladas; pecíolo canaliculado, 4,5-6 cm compr., pubescente, tricomas esparsos, pulvino 4 mm diâm; lâmina membranácea, pinatisecta, com 10-11 lobos, glabra, 5,2-13,2 × 1-2,9 cm, base atenuada, margem serreada, ápice acuminado-apiculado, 12-17 pares de nervuras secundárias, pubescentes, nervuras proeminentes em ambas as faces; estípula interpeciolar elíptico-lanceolada, pubescente, 2-2,6 cm compr., ápice cuspidado, apiculado, margem levemente serreada. Árvore adulta 7-10 m alt. Folhas verticiladas; pecíolo cilíndrico, 1,5-4,3 cm compr., pubescente a canescente, pulvino 2,5-4 mm diâm.; lâmina foliar membranácea, inteira, glabra, 12,5-22,5 × 3,5-5,5 cm oblongo-lanceolada a obelíptica, base atenuada, margem serreada, ápice agudo, apiculado; nervura principal bicôncava, 16-28 pares de nervuras secundárias, proeminentes na face abaxial, pouco proeminentes na adaxial, esparsamente pilosas a pubescentes; estípula interpeciolar lanceolada a oblíquo-ovada, 1,8-4,2 cm compr., tricomas canescentes pouco densos nas nervuras e margens, ápice cuspidado, apiculado, margem levemente serreada. Inflorescência estaminada com até 60 flores, 1-3 flores por verticilo; estames 30-46. Inflorescência hermafrodita com 10-30 flores, 1(-3) flores por verticilo; bráctea alterna ou oposta, 0,5-2,5 mm compr., ovada a subulada; bractéolas 0,3-0,5 mm compr., lanceoladas a estreito-lanceoladas; pedicelo 1,5-4,1 mm compr., brácteas, bractéolas, pedicelo e sépalas com tricomas canescentes. Flores 2,4-6,9 mm compr.; sépalas 5, ápice agudo ou arredondado, ciliadas; pétalas 5, elíptico-obovadas, glabras; estames 10-17,5, 1,1-1,5 mm compr., 4 mm compr.; ovário 2,2 mm compr., glabro, raro piloso, estiletes 2, livres, 4 mm compr.. Fruto baga, estriado, 1-1,5 × 0,4-0,6 cm.

Material examinado: Marabá, Serra Norte, 6º00´S, 50º18´W, 26.V.1969, fl., P. Cavalcante 2277 (MG); 6º00´S, 50º18´W, 24.V.1969, fl., P. Cavalcante 2153 (MG); 26.V.1969, fl., P. Cavalcante 2179 (MG); 18.VII.1973, fl., J.M. Pires & B.C. Passos (IAN-140161).

Para chneider et al. (2002) esta espécie é considerada morfologicamente intermediária entre Quiina e Lacunaria. Devido a vários caracteres morfológicos é considerada uma aberração, provavelmente por sua considerável mudança de forma da fase jovem, assemelhando-se a uma samambaia. Schneider & Zizka (2016) apontam como caracteres exclusivos dessa espécie a estípula com ápice cuspidado apiculado e margem serreada, o que inclusive a distingue das demais espécies da família na área (L. crenata - MG: 99171 e Q. paraensis - MG: 115746).

Ocorre na Bolívia, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname, Venezuela e Brasil: AP, AM, MT, PA, RO (Schneider & Zizka 2016). Na Serra dos Carajás foi registrada na Serra Norte: N1.

Editor de área: Dr. Pedro Viana

Lista de exsicatasCavalcante P 2153, 2179, 2277 (1.1). Pires JM (1.1).

Agradecimentos

Agradecemos ao convênio do projeto MPEG/ITV/FADESP (01205.000250/2014-10). Ao Museu Paraense Emílio Goeldi, a infraestrutura e aos curadores e equipes dos herbários consultados, o acesso aos espécimes.

Referências

APG IV (2016) An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG IV. Botanical Journal of the Linnean Society 181: 1-20. [ Links ]

BFG - The Brazil Flora Group (2015) Growing knowledge: an overview of seed plant diversity in Brazil. Rodriguésia 66: 1085-1113. [ Links ]

Schneider JV, Bissiengou P, Amaral Mdo C, Tahir A, Fay MF, Thines M, Sosef MS, Zizka G & Chatrou LW (2014) Phylogenetics, ancestral state reconstruction, and a new infrafamilial classification of the pantropical Ochnaceae (Medusagynaceae, Ochnaceae s. str., Quiinaceae) based on five DNA regions. Molecular phylogenetics and evolution 78: 199-214. [ Links ]

Schneider JV & Zizka G (2016) Quiinaceae. Flora Neotropica Monograph 115: 1-168. [ Links ]

Recebido: 24 de Outubro de 2017; Aceito: 12 de Março de 2018

2 Autor para correspondência: asrocha@museu-goeldi.br

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