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Rodriguésia

Print version ISSN 0370-6583On-line version ISSN 2175-7860

Rodriguésia vol.70  Rio de Janeiro  2019  Epub Apr 25, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/2175-7860201970020 

Artigo Original

Cactaceae no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Rio de Janeiro, Brasil1

Cactaceae in Serra da Tiririca State Park, Rio de Janeiro, Brazil

Lucas Veronezi Feitosa de Vasconcelos2  3 

Diego Rafael Gonzaga3  4 

Ricardo Carneiro da Cunha Reis3 

2Universidade Estácio de Sá, Graduação em Ciências Biológicas, R. André Rocha 838, Taquara, 22710-560, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

3Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, R. Jardim Botânico 1008, Cactário/Curadoria de Coleções Vivas, Jardim Botânico, 22460-000, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Resumo

Apresenta-se a flora de Cactaceae no Parque Estadual da Serra da Tiririca (PESET). A família está representada na área por 10 gêneros e 20 espécies, listadas a seguir: Brasiliopuntia brasiliensis, Cereus fernambucensis subsp. fernambucensis, Coleocephalocereus fluminensis, Epiphyllum phyllanthus, Hylocereus setaceus, Lepismium cruciforme, Opuntia monacantha, Pereskia aculeata, P. grandifolia, Pilosocereus arrabidae, P. brasiliensis subsp. brasiliensis, Rhipsalis cereoides, R. crispata, R. grandiflora, R. lindbergiana, R. mesembryanthemoides, R. neves-armondii, R. pachyptera, R. paradoxa e R. teres. Seis espécies estão categorizadas em diferentes níveis de ameaça a nível mundial. São apresentadas chaves de identificação, descrições, ilustrações, comentários taxonômicos e ecológicos para as espécies. Os dados apresentados contribuem para a ampliação do conhecimento da flora de Cactaceae do estado do Rio de Janeiro e do Brasil.

Palavras-chave: conservação; Flora do Brasil; Floresta Atlântica; florística; taxonomia

Abstract

The flora of Cactaceae of the Serra da Tiririca State Park is presented. The family is represented in the area by 10 genera and 20 species, listed below: Brasiliopuntia brasiliensis, Cereus fernambucensis subsp. fernambucensis, Coleocephalocereus fluminensis, Epiphyllum phyllanthus, Hylocereus setaceus, Lepismium cruciforme, Opuntia monacantha, Pereskia aculeata, P. grandifolia, Pilosocereus arrabidae, P. brasiliensis subsp. brasiliensis, Rhipsalis cereoides, R. crispata, R. grandiflora, R. lindbergiana, R. mesembryanthemoides, R. neves-armondii, R. pachyptera, R. paradoxa and R. teres. Six species are categorized under different threat levels worldwide. We present identification keys, descriptions, illustrations, taxonomic and ecological comments for the species. The data presented contribute to the knowledge about the flora of Cactaceae in the state of Rio de Janeiro and Brazil.

Key words: conservation; Brazilian Flora; Atlantic Forest; floristics; taxonomy

Introdução

O estado do Rio de Janeiro abriga, em sua cobertura vegetal, remanescentes importantes de Floresta Atlântica, caracterizados por diferentes tipos vegetacionais como floresta ombrófila densa, floresta estacional semidecidual, refúgios ecológicos e vegetações pioneiras como restinga e mangue (Veloso et al. 1991; Coelho et al. 2017). Sua área florestal, bem como as demais fisionomias remanescentes estão atualmente reduzidas a aproximadamente 17% da cobertura original (Rocha et al. 2003), sendo que 29,8% encontram-se em Unidades de Conservação (SOS Mata Atlântica 2003).

Na década de 1970, a região oceânica de Niterói foi marcada por extensa expansão urbana, existindo propostas que previam mudanças significativas para os ecossistemas lagunar e fluvial (Ignácio et al. 2015). Em 1989 um documento denominado “Exposição de Motivos para Criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca” foi redigido (IEF 1994; Barros et al. 2003), ocorrendo, posteriormente a criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca (PESET), respaldado pela lei nº 1901 de 29/11/1991, sob a administração do antigo IEF, atual INEA (Barros 2008; Ignácio et al. 2015).

O PESET apresenta diversos ambientes, tais como lagoas, brejos, mangues, dunas, floresta ombrófila densa submontana e vegetação rupícola de afloramentos rochosos (IBGE 2012). Estudos abrangendo a análise da flora local sugerem que esta Unidade de Conservação (UC) possui diversidade vegetal de grande importância, e reforçam a necessidade de proteção e conservação in situ deste patrimônio florístico (Barros 2008; Andreata et al. 2008). Esta UC possui características únicas, principalmente no tocante ao seu relevo, situando-se quase inteiramente sobre blocos de rochas granito-gnáissicas, que configuram morros costeiros de perfis arredondados, alinhados e projetados em direção ao mar, formando verdadeiros “pães de açúcar”. Em alguns pontos do maciço do cristalino, aflora-se o gnaisse facoidal formando os inselbergs (Bergamaschi & Almeida 2007). A vegetação desse ecossistema apresenta alto grau de endemismo, com espécies adaptadas a condições muito peculiares (Ignácio et al. 2015). Barros (2008) destaca que essa área apresenta uma fisionomia muito típica, de ambientes sujeitos a escassez de água, solos rasos e temperaturas elevadas, onde predominam plantas herbáceas e subarbustivas principalmente das famílias Cactaceae, Bromeliaceae e Cyperaceae. Na literatura, poucos inventários florísticos são relatados para essa área, podendo ser destacados: Orchidaceae (Pinheiro 1999), Euphorbiaceae (Pinto 2004), Bromeliaceae e Cactaceae nos afloramentos rochosos do Costão de Itacoatiara (Verçoza & Bastos 2013) e Peperomia (Piperaceae) (Queiroz et al. 2014). Diante disso, torna-se necessário o conhecimento dos táxons de Cactaceae no PESET.

Cactaceae compreende 124 gêneros e 1.438 espécies distribuídas nas Américas, onde ocorrem desde o Canadá até a Patagônia (Hunt et al. 2006). Apenas Rhipsalis baccifera (J.M. Muell.) Stearn ocorre também no Paleotrópico (Hunt et al. 2006). Existem três principais centros de diversidade e endemismo para esta família: região entre o sudoeste dos Estados Unidos até o México, região central da cordilheira dos Andes (especialmente no Peru e na Bolívia) e toda região leste do Brasil, onde integram habitats variados (Taylor & Zappi 2004). No Brasil, 270 espécies e 89 subespécies distribuídas em 39 gêneros de Cactaceae são encontradas em todos os estados, representando 30% da diversidade da família a nível global (Zappi & Taylor 2019). As espécies brasileiras encontram-se principalmente nos domínios fitogeográficos da Caatinga, Cerrado e Floresta Atlântica (Taylor & Zappi 2004).

Várias espécies de Cactaceae no Brasil e no mundo encontram-se seriamente ameaçadas de extinção, estando cerca de 31% da família categorizada em algum nível de ameaça (Goettsch et al. 2015). Sete dessas espécies ocorrem no estado do Rio de Janeiro, e são pertencentes aos gêneros Pilosocereus Byles & Rowley, Rhipsalis Gaertn. e Schlumbergera Lem. (Calvente et al. 2005; Martinelli & Moraes 2013; Goettsch et al. 2015). Os principais fatores de impacto para as populações de Cactaceae no estado do Rio de Janeiro são: a restrição de suas áreas de distribuição, a destruição e/ou fragmentação de seus habitats, a invasão de espécies exóticas nas áreas de ocorrência de suas populações, intensa urbanização das áreas circundantes, mineração (principalmente de granito), queimadas, extração de areia das restingas, turismo desordenado e avanço de áreas agrícolas (Martinelli & Moraes 2013). Os estudos em Cactaceae realizados para o estado são: Rizzini et al. (1990) para a APA de Maricá; Freitas (1992) na APA de Massambaba; Freitas (1996) na Reserva Ecológica de Macaé de Cima; Scheinvar et al. (1996) na Reserva Florestal da Vista Chinesa; Freitas (1997) na APA Cairuçu; Moura & Costa (2001) no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba e arredores; Calvente et al. (2005) que forneceram a listagem, distribuição geográfica e conservação das espécies para todo o estado; Calvente & Andreata (2007) no Parque Municipal da Prainha; Arbo-Gallas & Verçoza (2012) para o Costão de Itacoatiara em Niterói e Gonzaga et al. (2017) para o Parque Nacional do Itatiaia.

Este trabalho apresenta o tratamento taxonômico da família no PESET, contribuindo para o conhecimento florístico da região, bem como do estado do Rio de Janeiro, apresentando chave de identificação, descrições, ilustrações, comentários taxonômicos e ecológicos, e ainda dados de conservação para os táxons, sendo estes dados fundamentais para otimizar a implementação do plano de manejo, bem como para auxiliar na rotina de fiscalização e conservação da flora do parque.

Material e Métodos

O PESET está situado entre os municípios de Niterói e Maricá no estado do Rio de Janeiro (22º48’-23º00’S, 42º57’-43º02’W) (Fig. 1). Em Niterói, a Serra da Tiririca é protegida pelo decreto Municipal nº 5.902/90, como Área Permanente de Proteção, e pela Lei Orgânica do Município de 4/4/1991. Em Maricá é considerada Área de Proteção Ambiental (APA) pela Lei Orgânica promulgada em 5/4/1990, no art. 339. A Serra da Tiririca está inserida na Floresta Atlântica (Ignácio et al. 2015), localizada na porção litorânea da Serra do Mar. É formada por conjunto de morros com altitudes que variam de 128 m no Morro da Penha até 412 m no Alto Mourão (Barros & Seoane 1999).

Figura 1 Mapa de localização da área de estudo. 

Figure 1 Location map of study area. 

Coletas mensais foram realizadas entre janeiro e dezembro de 2016 em três setores do PESET (Darcy Ribeiro, Lagunar e Serra da Tiririca), exceto o setor Insular, que abriga as ilhas do Pai, da Mãe e da Menina. Os exemplares coletados foram georeferenciados e fotografados em campo, sendo posteriormente processados de acordo com Fidalgo & Bononi (1989) e Groot (2011) e depositados no herbário RB. Os dados relativos ao habitat, substrato, coloração, tamanho das populações, possíveis ameaças e demais dados considerados relevantes foram anotados em campo. Também foram examinadas as coleções dos herbários FCAB, HB, R, RB e RBR (acrônimos segundo Thiers, continuamente atualizado).

Exemplares de algumas espécies foram cultivados na coleção viva do cactário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e as descrições do tratamento taxonômico foram feitas preferencialmente a partir de material fresco. Todavia, estruturas reprodutivas foram preservadas em álcool 70% ou re-hidratadas de material herborizado sendo utilizadas sempre que necessário. As análises morfológicas foram realizadas com auxílio de estereomicroscópio e as identificações com auxílio de bibliografia especializada (Schumann 1890; Britton & Rose 1923; Zappi 1994; Barthlott & Taylor 1995; Anderson 2001; Taylor & Zappi 2004; Calvente et al. 2005; Hunt et al. 2006; Zappi et al. 2007) e comparação com coleções depositadas em herbários, incluindo tipos nomenclaturais quando disponíveis. Os dados de fenologia reprodutiva referem-se aos materiais estudados e observações em campo no PESET exclusivamente.

As categorias de ameaça das espécies foram obtidas no Plano de Ação Nacional para Conservação das Cactáceas (Ribeiro-Silva et al. 2011), na Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção (MMA 2014) e Lista Mundial para Cactaceae (Goettsch et al. 2015) que seguem em linhas gerais os critérios da IUCN (2012).

Foram preparadas chaves de identificação das espécies e breves descrições com enfoque principal nos caracteres considerados diagnósticos e fornecidos comentários adicionais sobre taxonomia e distribuição geográfica das espécies. Para ilustrar as espécies são apresentadas fotografias obtidas na área, exceto em Pereskia grandifolia subsp. grandifolia e Rhipsalis neves-armondii, não localizadas férteis em campo.

Resultados e Discussão

Vinte espécies distribuídas em 10 gêneros foram registradas e são listadas a seguir: Brasiliopuntia brasiliensis (Willd.) A.Berger, Cereus fernambucensis Lem. subsp. fernambucensis, Coleocephalocereus fluminensis (Miq.) Backeb., Epiphyllum phyllanthus (L.) Haw., Hylocereus setaceus (Salm-Dyck) R.Bauer, Lepismium cruciforme (Vell.) Miq., Opuntia monacantha Haw., Pereskia aculeata Mill., P. grandifolia Haw., Pilosocereus arrabidae (Lem.) Byles & Rowley, P. brasiliensis subsp. brasiliensis (Britton & Rose) Backeb., Rhipsalis cereoides (Backeb. & Voll) Backeb., R. crispata (Haw.) Pfeiff., R. grandiflora Haw., R. lindbergiana K.Schum., R. mesembryanthemoides Haw., R. neves-armondii K.Schum., R. pachyptera Pfeiff., R. paradoxa (Salm-Dyck ex Pfeiff.) Salm-Dyck subsp. paradoxa e R. teres (Vell.) Steud.

Das 20 espécies registradas para o PESET, apenas Rhipsalis neves-armondii não foi recoletada. Epiphyllum phyllanthus e Pilosocereus brasiliensis subsp. brasiliensis são registrados pela primeira vez na área de estudo.

No que se refere a categorização de ameaça de extinção, quatro encontram-se em algum grau de ameaça segundo Goettsch et al. (2015), Pilosocereus arrabidae e Rhipsalis cereoides (Quase Ameaçada, NT), R. crispata (Em Perigo, EN) e R. mesembryanthemoides (Criticamente Ameaçada, CR). Segundo a listagem do Plano de ação nacional para a conservação das cactáceas (Ribeiro-Silva et al. 2011), seis espécies são categorizadas como ameaçadas, Pilosocereus arrabidae e Rhipsalis grandiflora no status “Quase Ameaçada”, Pilosocereus brasiliensis, Rhipsalis cereoides, R. crispata e R. mesembryanthemoides no status “Vulnerável” (VU). Além de Rhipsalis cereoides ser apresentado no status “Criticamente em Perigo” segundo MMA (2014). Destas, R. cereoides é a espécie mais preocupante por apresentar populações no Costão de Itacoatiara, área que sofre com pressões antrópicas, caracterizadas pelo elevado número de visitação humana, sujeitando as populações ao pisoteio e coleta ilegal. Como estratégias para conservação desse táxon, sugere-se estudos demográficos, demarcação e georreferenciamento de populações, bem como a conscientização dos visitantes para a preservação.

Tratamento taxonômico

Chave de identificação das espécies de Cactaceae no Parque Estadual da Serra da Tiririca (PESET)

  • 1. Folhas bem desenvolvidas, persistentes.

    • 2. Plantas arbustivas a arborescentes, eretas; flores magentas, reunidas em inflorescências; frutos piriformes 9. Pereskia grandifolia

    • 2’. Plantas arbustivas, escandentes; flores alvas a cremes, isoladas; frutos globosos ......................................... 8. Pereskia aculeata

  • 1’. Folhas reduzidas, decíduas ou ausentes.

    • 3. Gloquídeos presentes.

      • 4...... Plantas arbustivas, cladódios aplanados, monomórficos; flores ca. 2,5 × 5,2-6 cm, amarelas; frutos piriformes róseos 7. Opuntia monacantha

      • 4’.... Plantas arborescentes, cladódios dimórficos, os primários cilíndricos, os secundários aplanados; flores 2,5-3,5 × 2,5-4,5 cm, amarelas; frutos globosos amarelados ............................................................................................................ 1. Brasiliopuntia brasiliensis

    • 3’. Gloquídeos ausentes.

      • 5...... Plantas colunares; terrícolas ou rupícolas.

        • 6...... Cefálio lateral presente ............................................... 3. Coleocephalocereus fluminensis

        • 6’..... Cefálio ausente.

          • 7...... Cladódios 4-6 costelas, flores > 20 cm compr.; frutos róseos ................................................... 2. Cereus fernambucensis subsp. fernambucensis

          • 7’.... Cladódios 4-7 costelas, flores < 10 cm compr.; frutos verde-arroxeados ou arroxeados a avermelhados.

            • 8...... Cladódios ramificados, arqueados a eretos na porção apical, costelas 4-7; aréolas com 1-13 espinhos; frutos ca. 4,2 × 5 cm, arroxeados a avermelhados .......................................................................... 10. Pilosocereus arrabidae

            • 8’..... Cladódios raramente com ramificações laterais, costelas 4, eretos; aréolas com 1-3 espinhos, densamente lanosas; frutos ca. 2,8 × 3,3 cm, verde-arroxeados .............................................................. 11. Pilosocereus brasiliensis subsp. brasiliensis

      • 5’.... Plantas com cladódios cilíndricos, aplanados ou 3-5 alados; rupícolas, epífitas ou escandentes

        • 9...... Cladódios aplanados ou 3-5 alados.

          • 10.... Cladódios aplanados ou com 3-5 alados ausentes em todo o corpo do indivíduo.

            • 11.... Tubo floral > 10 cm compr.; aréolas glabras; pericarpelo glabro; frutos róseos 4. Epiphyllum phyllanthus

            • 11’.. Tubo floral ausente; aréolas pubescentes; pericarpelo glabro; frutos alvos ............................................ 13. Rhipsalis crispata

              10’. Cladódios 3-5 alados presentes, ao menos em alguma porção do indivíduo.

              • 12.... Tubo floral > 10 cm compr. ...................................................................... 5. Hylocereus setaceus

              • 12’.. Tubo floral ausente.

                • 13.... Cladódios 2-3 alados, aréolas glabras; flores ca. 1,2 × 1,2 cm, estames ca. 143 ............................... 18. Rhipsalis pachyptera

                • 13’... Cladódios 3-5 alados, aréolas espinescentes a lanosas; flores 0,6-1,2 × 0,5-0,6 cm, estames 77-102.

                  • 14.... Flores emersas, aréolas espinescentes; frutos alvos a róseos translúcidos ............................ 12. Rhipsalis cereoides

                  • 14’.. Flores imersas, aréolas lanosas; frutos alvos a magenta.

                    • 15.... Alas contínuas nos cladódios; frutos magenta ....... 6. Lepismium cruciforme

                    • 15’... Alas descontínuas nos cladódios; frutos alvos .................................................................. 19. Rhipsalis paradoxa subsp. paradoxa

  • 9’. Cladódios cilíndricos.

    • 16. Cladódios dimórficos, os primários longos, os secundários curtos.

      • 17.... Segmentos secundários 0,5-1,3 × 0,1-0,3 cm; flores ca. 5 × 13 mm, estames ca. 19 ................................. 16. Rhipsalis mesembryanthemoides

      • 17’.. Segmentos secundários 0,6-6,3 × 0,1-0,2 cm; flores 6-7 × 6-8 mm, estames 26-32 ................................ 20. Rhipsalis teres

      • 16’. Cladódios monomórficos, todos de comprimento similar.

        • 18.... Aréolas imersas ............................................................................... 17. Rhipsalis neves-armondii

        • 18’.. Aréolas emersas.

          • 19.... Cladódios terminais com crescimento indeterminado, ramificação sub-apical; flores 6,5-7 × 6-10 mm 15. Rhipsalis lindbergiana

          • 19’... Cladódios terminais com crescimento determinado, ramificação apical; flores ca. 13 × 8-11 mm 14. Rhipsalis grandiflora

1. Brasiliopuntia brasiliensis (Willd.) A.Berger., Entwicklungslin. Kakt. 94. 1926. Fig. 2a-d

Figura 2 a-n. Detalhes das espécies de Cactaceae do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Rio de Janeiro (Brasil) - a-d. Brasiliopuntia brasiliensis - a. hábito; b. detalhe do cladódio; c. detalhe da flor; d. cladódio e fruto (indicado por seta); e-g. Cereus fernambucensis subsp. fernambucensis - e. hábito; f. flor; g. fruto; h-j. Coleocephalocereus fluminensis - h. hábito; i. flor; j. fruto; k-l. Epiphyllum phyllanthus - k. cladódio e tubo floral; l. flor; m-n. Hylocereus setaceus - m. botão floral; n. flor. (fotos: a-d,h-n. Diego R. Gonzaga; e,g. Ricardo C.C. Reis; f. Lucas V.F. de Vasconcelos). 

Figure 2 a-n. Details of Cactaceae species from the Serra da Tiririca State Park, Rio de Janeiro (Brasil) - a-d. Brasiliopuntia brasiliensis - a. habit; b. cladode details; c. flower detail; d. cladode and fruit (indicated by arrow); e-g. Cereus fernambucensis subsp. fernambucensis - e. habit; f. flower; g. fruit; h-j. Coleocephalocereus fluminensis - h. habit; i. flower; j. fruit; k-l. Epiphyllum phyllanthus - k. cladode and floral tube; l. flower; m-n. Hylocereus setaceus - m. floral bud; n. flower. (photos: a-d,h-n. Diego R. Gonzaga; e,g. Ricardo C.C. Reis; f. Lucas V.F. de Vasconcelos) 

Terrícola, arborescente, 1,5-2,5 m alt.; cladódios dimórficos, os basais cilíndricos, ca. 5 cm diâm., os intermediários cilíndricos, ca. 0,9 cm diâm., os terminais aplanados, 7,2-14,2 × 2,5-4,9 cm, verdes, margem irregular, ramificação lateral; aréolas 2-3 mm diâm., marginais, espinescentes, gloquídeos presentes, espinhos 0,3-1,8 cm compr., acinzentados, 1 por aréola. Botão floral emerso, verde-claro. Flores ca. 2,5-3,5 × 2,5-4,5 cm, amarelas, 1 por aréola, terminais a laterais; pericarpelo depresso-globoso ca. 1,8 × 0,9 cm, gloquídeos presentes, escamosos, verde-claro; segmentos do perianto ca. 21, os externos triangulares a obovoides, 0,2-1,1 × 0,2-1 cm, esverdeados, os internos oblanceolados a obovados, 1,4-1,8 × 0,7-1,1 cm, amarelos; estames ca. 238, amarelados, filetes 5-7 mm compr., estilete ca. 1,4 × 0,2 cm, esverdeado, estigma ca. 3 × 3 mm, 4-lobado, lobo ca. 2 mm compr. Frutos globosos, 2,4-2,9 × 1,9-2,5 cm, amarelados, truncados, perianto caduco, gloquídeos conspícuos persistentes, castanhos a negros; sementes ovoides, ca. 1 × 0,7 cm, castanhas, testa verrucosa.

Material examinado: Maricá, Itaipuaçú, Pico Alto Mourão, 20.X.1981, fl. e fr., R.H.P. Andreata 130 (RB). Niterói, Alto Mourão, 5.VIII.2001, fr., B.R. Silva 784 & W.G. da Silva (HB); 28.X.2015, fl., L.V.F. Vasconcelos et al. 2 (RB); 28.X.2015, bot. e fr., L.V.F. Vasconcelos et al. 8 (RB); 16.VI.2016, fr., L.V.F. Vasconcelos 44 (RB); 18.VIII.2016, fr., G.A. de Queiroz et al. 414 (RB); Setor Peixoto, 11.X.2016, bot. e fl., D.R. Gonzaga & R.C.C. Reis 759 (RB).

Brasiliopuntia brasiliensis ocorre na Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Peru (Hunt et al. 2006). No Brasil tem ampla ocorrência em todas as regiões (BFG 2018). No PESET é uma espécie frequente, registrada por muitos indivíduos ao longo das trilhas do Alto Mourão, Córrego dos Colibris, Costão de Itacoatiara, Enseada do Bananal, Morro das Andorinhas e Setor Peixoto, em ambientes florestais e rochosos. Diferencia-se das demais espécies da área por apresentar hábito arborescente e cladódios dimórficos. Coletada com flores em outubro e frutos em agosto e outubro.

2. Cereus fernambucensis Lem. subsp. fernambucensis., Cact. Gen. Sp. Nov. 58. 1839. Fig. 2e-g

Rupícola a arenícola, subarbustiva, colunar, ereta a escandente, 0,5-1,4 m alt.; cladódios 4-6 costelas, verdes, costelas 0,7-2,5 × 0,4-1,6 cm, ramificação terminal a lateral; aréolas 2-5 mm diâm., apicais e marginais, distanciadas 1-3,2 cm, espinescentes, espinhos 0,2-3,9 × 0,1 cm, acinzentados com pontuações negras ao longo dos cladódios e dourados no ápice, 3-9 por aréola. Botão floral emerso, verde a vináceo. Flores ca. 22,8 × 9 cm, alvas, 1 por aréola, terminais a laterais; pericarpelo ovado a semi-ovado, ca. 2,7 × 1,4 cm, glabro, verde; tubo floral ca. 8 mm diâm., glabro, verde; segmentos do perianto ca. 41, os externos lanceolados, 1-6,7 × 0,3-0,8 cm, verdes com ápice vináceo, os internos obovados, elípticos a lanceolados, 5,1-6,8 × 0,8-1,3 cm, alvos; estames ca. 246, alvos, filetes 3-7,7 cm comp.; estilete ca. 14,3 × 0,3 cm, alvo, estigma ca. 1,7 cm compr., 13-lobado, lobo ca. 1,5 cm compr., papiloso. Frutos ovoides a elipsoides, 4,4-6,2 × 2,7-4,6 cm, róseos, perianto persistente a caduco, abertura por fenda vertical, polpa alva; sementes ovoides a cocleariformes, ca. 2 × 1,5 mm, negras, testa lisa.

Material examinado: Niterói, Costão de Itacoatiara, 16.IV.1995, M.G. Santos 83 (RB); Itacoatiara, 18.III.1996, fl., M.G. Santos 770 (RB); Itaipu, Rua Jardim Camboatá, 21.III.2016, fl., L.V.F. Vasconcelos & R.C.C. Reis 17 (RB); rua José Geraldo Bezerra de Menezes, 27.II.2016, fr., L.V.F. Vasconcelos & R.C.C. Reis 22 (RB); 27.II.2016, fr., L.V.F. Vasconcelos & R.C.C. Reis 23 (RB).

Cereus fernambucensis subsp. fernambucensis é endêmica do Brasil, ocorrendo nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste (BFG 2018). No PESET a espécie é rara, representada por poucos indivíduos, ocorrendo no Costão de Itacoatiara, ao longo da região da Duna Grande e nos arredores do canal da lagoa de Itaipu, ambas sob ambientes rochosos. Diferencia-se das demais espécies da área por apresentar hábito de escandente a decumbente e os cladódios segmentados. Por vezes, pode ser confundido com Pilosocereus arrabidae, porém apresentam diferenças nas dimensões e formato da flor, como também do fruto e no hábito, já que P. arrabidae é ereto e com porte arbóreo. Coletada com flores no mês de março e frutos em fevereiro.

3. Coleocephalocereus fluminensis (Miq.) Backeb., Jahrb. Deutsch. Kakteen-Ges. 1941 (2): 53. 1942. Fig. 2h-j

Rupícola, decumbente, arqueado, ereto na porção terminal, 0,5-1,5 m alt.; cladódios 11-15 costelas, verdes, costelas 0,5-1,6 × 0,6-0,8 cm, ramificação lateral; aréolas 2-6 cm diâm., apicais e marginais, distanciadas 7-9 mm, espinescentes, margem irregular, espinhos 0,3-2 × 0,1 cm, acinzentados a negros, 2-20 por aréola, cerdas 3,5-6,3 × 0,1 cm, douradas; cefálio lateral, lanoso, tricomas alvos. Botão floral imerso no cefálio, creme alaranjado. Flores 6-6,2 × 2-2,5 cm, cremes com ápice róseo a vináceo, 1 por aréola, laterais; tubo floral ca. 3,5 × 1 cm, infundibuliforme, creme, imerso no cefálio; pericarpelo turbinado, 0,6-1,5 × 0,6-1,1 cm, ápice truncado, glabro, creme; segmentos do perianto ca. 49, os externos triangulares a lanceolados, 0,4-1,3 × 0,1-0,4 cm, róseos a vináceos, os internos lanceolados, 4-4,4 × 0,4-0,6 cm, alvos a róseos; estames ca. 305, alvos; filetes 1,1-3,5 cm compr., estilete ca. 6,4 × 0,15 cm, amarelado, estigma ca. 3 mm compr., 11-lobado, lobo ca. 2,5 mm compr. Frutos obovoides, ca. 2,5 × 1,5 cm, magentas, nítidos, perianto persistente; sementes globosas a ovoides, ca. 1 × 1 mm, negras, expostas por fenda basal, testa verrucosa.

Material examinado: Niterói, Costão de Itacoatiara, 16.IV.1995, M.G. Santos 82 (RB); Morro da Peça, 27.II.2016, fl. e fr., L.V.F. Vasconcelos & R.C.C. Reis 25 (RB); Morro das Andorinhas, 21.VIII.2002, fl., W.S. Gomes et al. 151 (RB); Praia de Itaipuaçú e Itacoatiara, 12.IV.1989, fl. e fr., R. Andreata et al. 889 (RB).

Coleocephalocereus fluminensis é endêmica do Brasil, ocorrendo em todos os estados da Região Sudeste (BFG 2018). No PESET a espécie é frequente, representada por muitos indivíduos, ocorrendo no Costão de Itacoatiara, Morro das Andorinhas, Morro da Peça, Mirante do Peixoto e nas margens do canal da Lagoa de Itaipu, em ambientes rochosos. Diferencia-se das demais espécies do parque por apresentar cefálio lateral, costelas 11-15, além de raramente apresentar ramificações laterais e apresentar estrutura decumbente. Coletada com flores nos meses de fevereiro e agosto e frutos em fevereiro.

4. Epiphyllum phyllanthus (L.) Haw., Syn. Pl. Succ. 197. 1812. Fig. 2k-l

Epífita, herbácea, pendente, 50-90 cm compr.; cladódios aplanados, os basais 0,6-7,4 cm diâm., os terminais 4,8-92 × 1,7-7 cm, ramificação terminal a lateral, 1-2 furcado; aréolas 1-5 mm diâm., distanciadas 0,7-7 cm, marginais, glabras. Botão floral emerso, amarelado a verde. Flores 26,3-26,7 × 3,9-5,8 cm, alvas, 1 por aréola, terminais a laterais; pericarpelo oblongo, 2,3-3 × 0,5-0,8 cm, tubular, glabro, com escamas triangulares, verde; tubo floral cilíndrico, 20,6-22,2 × 0,4-0,6 cm, com escamas triangulares 0,6-1,6 × 0,1-0,2, verde; segmentos do perianto ca. 20, os externos lanceolados a oblongos, 2,1-2,9 × 0,3-0,4 cm, verdes, os internos lanceolados, 1,6-2,2 × 0,3-0,4, alvos; estames 38-55, alvos, filetes 0,5-1,1 cm compr.; estilete 22,4-23,8 cm compr., amarelado, estigma 4-5 mm compr., ca. 9-lobado, lobo ca. 3 mm compr., papiloso. Frutos oblongos a elipsoides, ca. 7,5 × 2 cm, magenta, perianto caduco; sementes cocleariformes, ca. 4 × 2 mm, negras, testa verrucosa.

Material examinado: Niterói, Setor Darcy Ribeiro, 24.II.2016, bot., L.V.F. Vasconcelos et al. 16 (RB); via de escalada do Peixoto, 29.X.2016, fl., L.V.F. Vasconcelos & R.C.C. Reis 60 (RB).

Material adicional: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Gávea, Praça Santos Dumont, 26.VII.2016, bot. e fr., L.V.F. Vasconcelos 55 (RB).

Epiphyllum phyllanthus ocorre na Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Cuba, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela (Hunt et al. 2006). No Brasil ocorre em todas as regiões e em todos os estados, com exceção do Amapá (BFG 2018). No PESET a espécie é rara, representada por poucos indivíduos, ocorrendo no Córrego dos Colibris, na Enseada do Bananal e no Setor Darcy Ribeiro, em ambientes florestados, e próximas a ambientes perturbados e antropizados. Diferencia-se das demais espécies do parque por possuir cladódios alados com margem crenada, flores com tubos florais alongados e frutos oblongos e magenta. Coletada com flores no mês de outubro.

5. Hylocereus setaceus (Salm-Dyck) R.Bauer., Cactaceae Syst. Init. 17: 29. 2003. Fig. 2m-n

Epífita a saxícola, subarbustiva, rastejante, 0,5-1 m alt.; cladódios triangulares, 3-alados, verde-escuros, margem irregular, ramificação terminal a lateral; aréolas 2-4 mm diâm., apicais e marginais, distanciadas 0,4-4,4 cm, espinescentes, espinhos cônicos 2-5 × 1 mm, acinzentados a negros, 1-5 por aréola. Botão floral emerso, verde. Flores ca. 22,6 × 17 cm, alvas, 1 por aréola, laterais; pericarpelo depresso-globoso, ca. 3,4 × 2,3 cm, espinescente, verde; tubo floral infundibuliforme, ca. 10,5 × 1,8 cm, escamas triangulares, espinescente, verde; segmentos do perianto ca. 77, os externos triangulares a lanceolados, 0,8-1,2 × 0,3-1 cm, verde-amarelados, os internos elípticos a lanceolados, 8,8-10,2 × 0,9-2,6 cm, alvos; estames ca. 400, cremes de base amarelada, filetes 7,8-10,1 cm compr.; estilete ca. 19,1 × 0,3 cm, amarelo, estigma ca. 1 × 0,3 cm, 14-lobado, lobo ca. 1 cm compr., papilosos. Frutos globosos a ovoides, ca. 7,5 × 4,5 cm, vermelhos, aréolas espinescentes caducas, perianto persistente a caduco; sementes obovoides, ca. 2,5 × 1 mm, negras, testa verrucosa.

Material examinado: Niterói, Costão de Itacoatiara, 16.IV.1995, M.G. Santos 84 (RB); 29.XII.1997, fl., M.C.F. dos Santos et al. 92 (RB); Itaipu, rua Lírio do Campo, 21.III.2016, fr., L.V.F. Vasconcelos & R.C.C. Reis 29 (RB); Pedra do Elefante, 11.II.2016, bot., L.V.F. Vasconcelos et al. 11 (RB); 11.II.2016, fl., L.V.F. Vasconcelos et al. 12 (RB).

Hylocereus setaceus ocorre na Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai (Hunt et al. 2006). No Brasil, ocorre nas regiões Norte (Pará, Rondônia, Roraima), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe), Centro-oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (em todos os estados) e Sul (Paraná) (BFG 2018). No PESET a espécie é frequente, representada por muitos indivíduos, ocorrendo no Alto Mourão, no Córrego dos Colibris, no Costão de Itacoatiara, na Enseada do Bananal e nos arredores do canal da lagoa de Itaipu, em ambientes rochosos e florestados. Diferencia-se das demais espécies do parque por possuir hábito escandente, cladódios triangulares, flores grandes e alongadas com espinhos no pericarpelo e frutos ovoides vermelhos. Coletada com flores no mês de fevereiro e frutos em março.

6. Lepismium cruciforme (Vell.) Miq., Bull. Sci. Phys. Nat. Néerl. 49. 1838. Fig. 3a

Figura 3 a-p. Detalhes das espécies de Cactaceae do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Rio de Janeiro (Brasil) - a. Lepismium cruciforme - cladódio com flores e frutos; b-c. Opuntia monacantha - b. hábito e frutos; c. cladódios e botões florais; d. Pereskia aculeata - ramo com fruto; e. P. grandifolia subsp. grandifolia - detalhe da flor; f-g. Pilosocereus arrabidae - f. hábito; g. flor; h-i. P. brasiliensis subsp. brasiliensis - h. botões florais; i. fruto; j-k. Rhipsalis cereoides - j. hábito com flores; k. flor; l-m. R. crispata - l. cladódios com flores; m. detalhe da flor; n-p. R. grandiflora - n. hábito; o. flores; p. frutos. (fotos: a,d-g,j-p. Diego R. Gonzaga; b,c,h. Ricardo C.C. Reis; i. Lucas V.F. de Vasconcelos). 

Figure 3 a-p. Details of Cactaceae species from the Serra da Tiririca State Park, Rio de Janeiro (Brasil) - a. Lepismium cruciforme - cladode with flowers and fruits; b-c. Opuntia monacantha - b. habit and fruits; c. cladode with floral buds; d. Pereskia aculeata - branch with fruits; e. P. grandifolia subsp. grandifolia - flower detail; f-g. Pilosocereus arrabidae - f. habit; g. flower; h-i. P. brasiliensis subsp. brasiliensis - h. floral buds; i. fruit; j-k. Rhipsalis cereoides - j. habit with flowers; k. flower; l-m. R. crispata - l. cladode with flowers; m. floral details; n-p. R. grandiflora - n. habit; o. flowers; p. fruits (photos: a,d-g,j-p. Diego R. Gonzaga; b,c,h. Ricardo C.C. Reis; i. Lucas V.F. de Vasconcelos). 

Epífita a rupícola, herbácea a pendente, ca. 40 cm compr.; cladódios 3-alados, verde-claros, 15-47 × 1-1,8 cm, ramificacão terminal a lateral, 2-furcados; aréolas 2-3 mm diâm., apicais e marginais, distanciadas 2,1-3,1 cm, lanosas. Botão floral imerso, creme com ápice vináceo. Flores ca. 1,2 × 0,6-0,8 cm, cremes matizadas de cor de vinho, 1-3 por aréola, terminais a laterais; pericarpelo depresso-globoso, 3-4 × 2-3 mm, glabro, vináceo; segmentos do perianto ca. 8, os externos elípticos a rômbicos, 5-9 × 3-4 mm, cremes matizados de cor de vinho, os internos elípticos a lanceolados, 8-10 × 2-3 mm, cremes, estames 44-48, alvos; filetes 4-6 mm compr.; estilete 8-9 mm compr., alvos, estigma ca. 1,5 mm compr., 3-lobado, lobo ca. 1,5 mm compr. Frutos ovoides a globosos, ca. 8 × 6 mm, magentas, translúcidos, perianto caduco; sementes elipsoides, ca. 1,5 × 0,8 mm, castanhas, testa verrucosa.

Material examinado: Niterói, Alto Mourão, 28.X.2015, fl., L.V.F. Vasconcelos et al. 4 (RB); Córrego dos Colibris, 25.II.2000, fl. e fr., A.P.M. Guimarães et al. 70 (RB); 25.VI.2016, fr., L.V.F. Vasconcelos 42 (RB).

Lepismium cruciforme ocorre na Argentina, Brasil e Paraguai (Hunt et al. 2006). No Brasil, ocorre nos estados da Bahia, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e em todos os estados das regiões Sudeste e Sul (BFG 2018). No PESET a espécie é rara, representada por poucos indivíduos, ocorrendo no Alto Mourão, Setor Peixoto e no Córrego dos Colibris em ambientes rochosos e florestados. Diferencia-se de espécies de Rhipsalis pelas suas aréolas imersas nos vértices dos cladódios com tricomas abundantes, pelas dimensões das flores e coloração dos frutos. Coletada com flores nos meses de fevereiro e outubro e frutos em fevereiro e junho.

7. Opuntia monacantha Haw., Suppl. Pl. Succ. 81. 1819. Fig. 3b-c

Arenícola, subarbustiva, 1-1,5 m alt.; cladódios aplanados, 8,7-15,8 × 4,5-7,6 cm, verde-claros, ramificação terminal a lateral, margem irregular; aréolas 3-5 mm diâm., marginais, espinescentes, espinhos 0,4-3,6 × 0,1 cm, acinzentados, 1-3 por aréola. Botão floral emerso, verde a vináceo. Flores ca. 2,5 × 5,2-6 cm, amarelas, 1 por aréola, terminais a laterais; pericarpelo turbinado, ca. 4,5 × 1,7 cm, escamoso, espinescente, verde; segmentos do perianto ca. 27, os externos ovados a lanceolados, 0,4-1,6 × 0,5-1,5 cm, verde-amarelados a vináceos, os internos obovados, 1,9-2,8 × 1-2 cm, amarelos levemente matizados de vináceo; estames ca. 422, alvos, filetes 0,3-1,6 cm compr., estilete ca. 1,3 × 0,3 cm, alvo, estigma ca. 5 × 5 mm, 5-7 lobado, lobo ca. 3 mm compr. Frutos piriformes a obovados, ápice truncado, 5,5-8 × 2,5-3,9 cm, verdes, gloquídeos persistentes, perianto caduco, sementes reniformes, ca. 2 × 2 mm, castanhas, testa lisa.

Material examinado: Niterói, Duna Grande, 27.II.2016, fl. e fr., L.V.F. Vasconcelos & R.C.C. Reis 18 (RB); Restinga de Itacoatiara, 18.III.1996, M.G. Santos 1996 (RB).

Opuntia monacantha ocorre na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai (Hunt et al. 2006). No Brasil está distribuída nas regiões Nordeste (Bahia, Sergipe), Sudeste e Sul (em todos os estados) (BFG 2018). No PESET a espécie é rara, representada por poucos indivíduos, ocorrendo na região da Duna Grande em ambientes de restinga. Diferencia-se das demais espécies do parque por apresentar os seus cladódios aplanados, longos espinhos e gloquídeos associados a estes nos cladódios e nos frutos. Coletada com flores e frutos no mês de fevereiro.

8. Pereskia aculeata Mill., Gard. Dict., ed. 8. (Pereskia nº 1). 1768. Fig. 3d

Saxícola a terrícola, subarbustiva, escandente 0,5-1 m alt., segmentos do caule eretos a arqueados; aréolas, 0,1-0,25 cm diâm., tricomas alvos, espinescentes, espinhos recurvos a eretos 1-6 mm compr., ca. 2 por aréola, axilar. Folhas alternas, membranáceas, 2,1-8,8 × 0,5-3 cm, verdes a arroxeadas na face abaxial, lanceoladas a elípticas, ápice agudo, atenuado a acuminado, base cuneada; nervuras secundárias 4-7, na grande maioria inconspícuas, pecíolos 2-5 mm. Inflorescências terminais a laterais, racemosa a paniculada. Botão floral emerso, verde. Flores 0,7-1 × 2,5-4,1 cm, alvas a cremes, pedicelos 0,4-15 cm; pericarpelo turbinado, 2-3 × 2-5 cm, espinescente, espinhos ca. 2 por aréola, 1-7 mm compr., acinzentados, brácteas 0,5-1,3 × 0,1-0,3 cm, lanceoladas; segmentos do perianto ca. 14, os externos triangulares a oblongos, 0,3-1,8 × 0,2-0,6 cm, esverdeados, os internos oblongos, 1,7-2,2 × 0,6-0,8 cm, alvos; estames ca. 158, filetes ca. 1 cm compr., cremes; estilete ca. 9 mm compr., creme; estigma ca. 3 mm compr, creme, 5-lobado, lobo ca. 3 × 1 mm. Frutos globosos, pedicelados, 0,7-2,4 × 0,5-1,9 cm, amarelos, espinhos e perianto persistentes a caducos; sementes globosas, ca. 4 × 4 mm, negras, truncadas, testa lisa, nítida.

Material examinado: Niterói, Córrego dos Colibris, 28.VI.2016, fr., L.V.F. Vasconcelos et al. 48 (RB); Costão de Itacoatiara, 11.VIII.1998, fr., F. Pinheiro et al. 166 (RB); 4.V.2002, fl., M.G. Santos 1581 (RB); Morro das Andorinhas, 10.VI.2001, fr., L.J.S. Pinto et al. 477 (RB); 29.III.2002, fl. e fr., A.A.M. de Barros 1480 (RB); 30.V.2016, fr., L.V.F. Vasconcelos & R.C.C. Reis 38 (RB).

Material adicional: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Maricá, Lagoa do Padre, 8.IX.1975, fr., H.P. Bautista 175 (RB). Rio de Janeiro, Parque Natural Municipal da Prainha, Morro da Boa vista, 29.I.2004, bot. e fl., A.M. Calvente & L.M. Versieux 85 (RB).

Pereskia aculeata ocorre na Argentina, Brasil, Cuba, Estados Unidos (Flórida), Guiana, Guiana Francesa, Haiti, México, Panamá, Paraguai, Pequenas Antilhas, Porto Rico, República Dominicana, Suriname e Trinidad & Tobago (Hunt et al. 2006). No Brasil, ocorre nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul (BFG 2018). No PESET a espécie é frequente, sendo representada por muitos indivíduos, ocorrendo no Córrego dos Colibris, no Costão de Itacoatiara, Mirante e Setor Peixoto e no Morro das Andorinhas, em ambientes rochosos e florestados. Diferencia-se de P. grandifolia por apresentar folhas lanceoladas a ovadas, de menores dimensões e flores alvo-alaranjadas. Já em P. grandifolia as folhas são elípticas a obovadas ou elípticas a oblongas e as flores são magentas. Coletada com flores nos meses de março e maio e frutos em março, maio, junho e agosto.

9. Pereskia grandifolia Haw., Suppl. Pl. Succ. 85. 1819. Fig. 3e

Terrícola, arbustiva, 1,8-2 m alt., segmentos do caule eretos a arqueados; aréolas 0,3-0,4 cm diâm., arredondadas, espinescentes, espinhos eretos 0,2-1,4 cm compr., ca. 1 por aréola, caulinar. Folhas alternas, membranáceas, verdes, 2,6-13,5 × 1-5,7 cm, elípticas a obovadas ou elípticas a oblongas, ápice agudo a acuminado ou arredondado, base atenuada; nervuras secundárias 10-15, inconspícuas, pecíolos 5-8 cm. Inflorescências terminais, cimosas a paniculadas. Botão floral emerso, róseo. Flores ca. 2,2 × 4,2 cm, magentas, pedicelos 0,6-3,5 cm compr.; pericarpelo turbinado, 2-5 × 4-7 mm, pubescente, brácteas 7-11 × 2-4 mm, elípticas; segmentos do perianto 11-14, os externos obovados a oblongos, 1,1-1,7 × 0,6-1,1 cm, alvos a róseos, os internos obovados a obtriangulares, 2-2,7 × 0,7-1,5 cm, róseos; estames ca. 228, filetes 5-7 mm compr., alvos, anteras amarelas; estilete 1-1,2 × 0,1 cm, estigma ca. 2 mm compr., amarelo, ca. 8-lobado, lobo ca. 2 mm compr. Frutos piriformes a turbinados, 3,2-3,8 × 2,5-3,2 cm, verdes a arroxeados, folhas reduzidas persistentes, perianto caduco; sementes piriformes, ca. 3 × 3 mm, negras, testa lisa, nítida.

Material examinado: Niterói, Itaipu, 27.II.2016, fr., L.V.F. Vasconcelos & R.C.C. Reis 24 (RB); Morro das Andorinhas, 22.XI.2004, fl., A.A.M. de Barros 2322 (RB).

Material adicional: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Rio de Janeiro, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Cactário, 9.V.1995, fr., L. Scheinvar 6225 (RB); 1.X.2015, fl., D.R. Gonzaga 617 (RB).

Pereskia grandifolia é endêmica do Brasil sendo amplamente cultivada nos países tropicais (Hunt et al. 2006). No Brasil, ocorre nas regiões Nordeste (Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí), Sudeste (em todos os estados) e Sul (Paraná, Santa Catarina) (BFG 2018). No PESET a espécie é rara, representada por poucos indivíduos, ocorrendo nos arredores do canal da lagoa de Itaipu e no Morro das Andorinhas em ambientes de borda de mata e florestados. Diferencia-se de P. aculeata por apresentar folhas elípticas a obovadas ou elípticas a oblongas e flores magentas. Neste estudo, não foram encontrados exemplares dessa espécie no Morro das Andorinhas, local mencionado nos registros de herbário. Foi avistada apenas nos arredores do canal da Lagoa de Itaipu, onde exemplares foram observados estéreis ou com frutos verdes. Coletada com flores no mês de novembro e com frutos em fevereiro.

10. Pilosocereus arrabidae (Lem.) Byles & Rowley., Succ. J. Gr. Brit. 19: 66. 1957. Fig. 3f-g

Rupícola, terrícola a saxícola, colunar, 1,1-1,5 m alt.; cladódios 4-7 costelas, verde-escuros, costelas 1,1-2,5 × 0,5-1,5 cm, ramificação lateral, margem irregular; aréolas 3-6 mm diâm., apicais e marginais, distanciadas 0,4-2 cm, espinescentes, espinhos 0,2-2 × 0,1 cm, acinzentados a negros, 1-13 por aréola. Botão floral emerso, verde. Flores ca. 7 × 4,5 cm, alva-esverdeadas, 1 por aréola, laterais; pericarpelo depresso-globoso, ca. 0,9 × 1,4 cm, glabro, verde; tubo floral ca. 4 × 1,3 cm, glabro, verde; segmentos do perianto ca. 36, os externos triangulares, 0,5-1,6 × 0,5-1 cm, verdes, os internos obovados a triangulares, 1-1,4 × 0,5-0,8 cm, alvo-esverdeados; estames ca. 692 alvos, filetes 1-2,1 cm compr.; estilete ca. 4,6 × 0,2 cm, alvo, estigma ca. 4 × 2 mm, 4-7 lobado, lobo ca. 3 mm compr., papiloso. Frutos globosos a depresso-globosos, ca. 4,2 × 5 cm, avermelhados a arroxeados, perianto persistente, abertura por fenda horizontal, polpa vermelha; sementes obovoides, ca. 2 × 1 mm, negras, testa verrucosa.

Material examinado: Niterói, Enseada do Bananal, 4.II.2016, fl. e fr., D.R. Gonzaga et al. 663 (RB); Morro das Andorinhas, 20.XI.2004, bot. e fr., A.A.M de Barros et al. 2300 (RB); 30.V.2016, fr., L.V.F. Vasconcelos & R.C.C. Reis 37 (RB); Pedra de Itacoatiara, 19.VIII.1997, fl., K.M. Leal et al. 07 (RB); Pedra do Elefante, 11.II.2016, fr., L.V.F. Vasconcelos et al. 13 (RB).

Pilosocereus arrabidae é endêmica do Brasil, ocorrendo nas regiões Nordeste (Bahia) e Sudeste (Espírito Santo, Rio de Janeiro) (BFG 2018). No PESET a espécie é frequente, representada por muitos indivíduos, ocorrendo no Alto Mourão, Enseada do Bananal, Morro das Andorinhas, Mirante do Peixoto e no Setor Darcy Ribeiro, ambos em ambientes rochosos. Diferencia-se de P. brasiliensis por apresentar aréolas pouco lanosas ou glabras, ramificações laterais muito frequentes e maior número de costelas. Coletada com flores no mês de fevereiro e frutos nos meses de fevereiro, maio e novembro. É categorizada como “Quase Ameaçada” (Ribeiro-Silva et al. 2011; Goettsch et al. 2015).

11. Pilosocereus brasiliensis (Britton & Rose) Backeb. subsp. brasiliensis., Cactaceae (Backeberg) 4: 2423. 1960. Fig. 3h-i

Terrícola a saxícola, colunar, 1-1,5 m alt.; cladódios 4-costelas, verde-escuros, costelas 0,8-1,2 × 0,5-0,7 cm; ramificação lateral, margem irregular; aréolas ca. 3 mm diâm., apicais e marginais, lanosas, distanciadas 5-9 mm, espinescentes, espinhos 1-6 × 0,5 mm, acinzentados a negros, 1-3 por aréola. Botão floral emerso, verde claro com ápice levemente vináceo. Flores ca. 6,6 × 1,5 cm, alvas a verdes, 1 por aréola, laterais; pericarpelo depresso-globoso, ca. 1 × 1,5 cm glabro, verde-escuro; segmentos do perianto ca. 36, os externos elípticos à ovados, 0,6-1,3 × 0,6-1,2 cm, verdes a verdes com ápice vináceo, os internos elípticos à oblongos, 1,1-2 × 0,3-0,7 cm, alvos; estames ca. 550, creme, filetes 0,4-1,8 cm compr., estilete ca. 3,8 × 0,2 cm, estigma ca. 8 mm compr., 10-lobado, lobo ca. 7 mm compr., papiloso. Frutos globosos, ca. 2,8 × 3,3 cm, verdes-arroxeados, perianto persistente, abertura por fenda horizontal, polpa vermelha, sementes cocleariformes, ca. 1,5 × 1 mm, negras, testa verrucosa.

Material examinado: Niterói, Itaipu, 27.II.2016, fl. e fr., L.V.F. Vasconcelos & R.C.C. Reis 21 (RB).

Pilosocereus brasiliensis subsp. brasiliensis é endêmica do Brasil, ocorrendo nos estados da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro (BFG 2018). No PESET a espécie é rara, representada por poucos indivíduos, ocorre nos arredores do canal da lagoa de Itaipu e Morro da Peça em ambientes rochosos. Diferencia-se de P. arrabidae, por apresentar aréolas muito lanosas no ápice do cladódio e frutos verdes-arroxeados, enquanto que em P. arrabidae, os frutos são arroxeados. Apesar de Ule (1903), historicamente já haver mencionado a possível ocorrência desta espécie na região de Niterói, nenhuma documentação em registros de herbários foi encontrada (Zappi 1994). Sendo assim, a coleta desta espécie no PESET vem confirmar essa ocorrência. Coletada com flores e frutos no mês de fevereiro. É categorizada como “Vulnerável” (Ribeiro-Silva et al. 2011).

12. Rhipsalis cereoides (Backeb. & Voll) Backeb., Anais Reunião Sul-Amer. Bot. 3: 12. 1940. Fig. 3j-k

Rupícola, subarbustiva, ereta a decumbente, 0,3-0,5 m alt.; cladódios 3-5 alados, verde-claros, 2-12 × 0,5-2,1 cm, ramificação lateral a terminal, 2-3 furcados; aréolas 1-3 mm diâm., apicais e marginais, distanciadas 0,5-3,4 cm, espinescentes. Botão floral emerso, castanho a creme. Flores 6-12 × 5-6 mm, cremes a alvas, 1-3 por aréola, terminais a laterais; pericarpelo depresso-globoso, 1-4 × 1-3 mm, glabro, castanho amarelado; segmentos do perianto 11-12, os externos ovados, 3-6 × 3-4 mm, cremes a alvos, os internos elípticos a lanceolados, 7-10 × 3-4 mm, alvos; estames 77-102, filetes 5-10 mm compr., estilete 5-6 × 2 mm, alvos, estigma ca. 3 mm compr., 4-5 lobado, lobo ca. 1 mm compr., papiloso. Frutos globosos, 5-6 × 5-6 mm, alvos a róseos translúcidos, ápice truncado, perianto persistente a caduco, sementes piriformes, ca. 1 × 0,5 mm, negras, testa levemente verrucosa.

Material examinado: Niterói, Alto Mourão, 12.IV.1989, R. Andreata et al. 886 (RB); 8.II.2010, fl., C.N. Fraga et al. 2863 (RB); 28.X.2015, fr., L.V.F. Vasconcelos et al. 6 (RB); 28.X.2015, bot. e fl., L.V.F. Vasconcelos et al. 7 (RB); Costão de Itacoatiara, fr., M.G. Santos 81 (RB); 31.I.2000, fl. e fr., V.G. Trece 52 (R); 13.XI.2003, bot. e fl., A.M. Calvente 71 (RB); 20.XI.2004, fl., A.A.M. de Barros et al. 2302 (RB); 9.IV.2015, fl. e fr., D.R. Gonzaga & C. Martins 518 (RB); 4.II.2016, bot. e fl., D.R. Gonzaga et al. 664 (RB); 14.V.2016, fl., M.C. Almeida 157 (R); Morro Alto Mourão, 12.II.1985, fl., P. Plowman et al. 13935 (RB); Morro das Andorinhas, 30.V.2016, fl. e fr., L.V.F. Vasconcelos & R.C.C. Reis 34 (RB); Pedra de Itacoatiara, 12.IX.1982, fr., C. Farney 92 (RB); 16.V.1997, fl., K.A. Lúcio et al. 9 (RB); Pico Alto Mourão, 25.XI.1981, R.H.P. Andreata 326 (RB); 9.IX.1982, fl., R. Andreata et al. 545 (RB).

Rhipsalis cereoides é endêmica do Brasil, ocorrendo apenas nos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro (BFG 2018). No PESET a espécie é frequente, representada por muitos indivíduos, ocorrendo no Alto Mourão, Costão de Itacoatiara e Morro das Andorinhas, ambos em ambientes rochosos. Porém, está fortemente exposta à redução das populações, por ocorrer em áreas de intensa visitação turística na UC. Diferencia-se das demais espécies de Rhipsalis do parque por ser arbustiva, apresentar hábito rupícola e possuir aréolas espinescentes. Coletada com flores nos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio, outubro e novembro e em frutos nos meses de janeiro, abril, maio e outubro. É categorizada como “Vulnerável” (Ribeiro-Silva et al. 2011), “Criticamente Ameaçada” (MMA 2014), e como “Quase Ameaçada” (Goettsch et al. 2015).

13. Rhipsalis crispata (Haw.) Pfeiff., Enum. Diagn. Cact. 130. 1837. Fig. 3l-m

Epífita, pendente, 40 cm compr.; cladódios alados, os basais 0,6-1,1 cm diâm., 6,6-21,4 × 2-6,1 cm, ramificação terminal a lateral, 2-4 furcados; aréolas ca. 1 mm diâm., apicais e marginais, pubescentes, distanciadas 0,8-3,5 cm, crenadas. Botão floral emerso, amarelado. Flores 9-10 × 13 mm, creme-amareladas, 1-2 por aréola, terminais a laterais; pericarpelo depresso-globoso, 2,5-3 × 2 mm, glabro, verde; segmentos do perianto 8-9, os externos triangulares a oblongos, 1-6 × 1-3 mm, amarelos, os internos elípticos a lanceolados ou elípticos a oblongos, 5,5-9 × 2-3,5 mm, cremes; estames 64-66, alvos, filetes 3-6,5 mm compr.; estilete ca. 5 mm compr., alvos, estigma ca. 2 mm compr., 3-4 lobado, lobo ca. 2 mm compr., papiloso. Frutos globosos, 3-5 × 4-5,5 mm, alvos, translúcidos, perianto persistente, sementes ovoides a elipsoides, 1,2-1,5 × 0,5-1 mm, negras, testa lisa.

Material examinado: Niterói, Córrego dos Colibris, 16.VI.2016, fr., L.V.F. Vasconcelos 40 (RB); Itacoatiara, 18.VIII.2000, fl., W.B. de Carvalho et al. 154 (RB); Morro das Andorinhas, 30.V.2016, fl., L.V.F. Vasconcelos & R.C.C. Reis 35 (RB).

Rhipsalis crispata é endêmica do Brasil, ocorrendo nas regiões Nordeste (Bahia, Pernambuco), Sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Santa Catarina) (BFG 2018). No PESET a espécie é frequente, representada por muitos indivíduos, ocorrendo no Córrego dos Colibris, Enseada do Bananal e no Morro das Andorinhas em ambientes florestados. Diferencia-se das demais espécies de Rhipsalis do parque por apresentar cladódios alados, com as margens fortemente crenadas. Coletada com flores no mês de maio e com frutos em junho. É categorizada como “Vulnerável” (Ribeiro-Silva et al. 2011) e “Em Perigo” (Goettsch et al. 2015).

14. Rhipsalis grandiflora Haw., Suppl. Pl. Succ. 83. 1819. Fig. 3n-p

Epífita, herbácea, pendente, 0,5-1 m compr.; cladódios cilíndricos, 2,4-29,8 × 0,2-0,4 cm, verde-escuros, ramificação terminal, 2-5 furcados; aréolas 1-2 mm diâm. ao longo dos cladódios, glabras. Botão floral emerso, esverdeado. Flores ca. 13 × 8-11 mm, alvas a creme, 1 por aréola, terminais a laterais; pericarpelo depresso-globoso, ca. 3 × 3 mm, glabro, verde; segmentos do perianto 11-12, os externos triangulares, 2-6 × 3 mm, esverdeados a cremes, os internos ovados a lanceolados, 7-11 × 2-3 mm, cremes a alvos; estames 113-116, alvos, filetes 5-15 mm compr.; estilete 8-9 mm compr., alvo, estigma ca. 1 mm compr., 4-lobado, lobo ca. 1,5 mm compr., papiloso. Frutos globosos, 4-6 × 5-6 mm, róseos, ápice truncado, perianto persistente a caduco; sementes obovoides a elipsoides, ca. 1 × 0,5 mm, negras, testa lisa.

Material examinado: Maricá, Itaipuaçú, Pico Alto Mourão, 25.XI.1981, fr., R.H.P. Andreata 303 (RB). Niterói, Alto Mourão, 14.I.2005, fr., A.A.M. de Barros 2363 (RB); 15.X.2015, fl., C. Martins 181 (RB); 11.II.2016, fr., L.V.F. Vasconcelos et al. 10 (RB); Setor Peixoto, 11.X.2016, fl., D.R. Gonzaga & R.C.C. Reis 763 (RB).

Rhipsalis grandiflora é endêmica do Brasil, ocorrendo nas regiões Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná, Santa Catarina) (BFG 2018). No PESET a espécie é frequente, representada por muitos indivíduos, ocorrendo no Alto Mourão, Setor Peixoto e no Córrego dos Colibris em ambientes florestados. Diferencia-se das demais espécies de Rhipsalis do parque por apresentar cladódios cilíndricos, alongados e espessos, além de flores de maiores dimensões em relação às demais espécies do gênero. Coletada com flores no mês de outubro e frutos nos meses de janeiro e fevereiro. É categorizada como “Quase Ameaçada” (Ribeiro-Silva et al. 2011).

15. Rhipsalis lindbergiana K.Schum., Fl. bras. (Martius) 4(2): 271-272, t. 53. 1890. Fig. 4a-c

Figura 4 a-n. Detalhes das espécies de Cactaceae do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Rio de Janeiro (Brasil) - a-c. Rhipsalis lindbergiana - a. botões florais e flores; b. detalhe da flor; c. frutos; d-f. R. mesembryanthemoides - d. cladódio e botão floral (indicado por seta); e. flor; f. frutos; g. R. neves-armondii - cladódio com flor; h-i. R. pachyptera - h. hábito e frutos; i. detalhe do fruto; j-l. R. paradoxa subsp. paradoxa - j. cladódio e botões florais; k. flor; l. frutos; m-n. R. teres - m. botões florais e flores; n. detalhe da flor. (fotos: a-f,h-n. Diego R. Gonzaga; g. Davi Nepomuceno). 

Figure 4 a-n. Details of Cactaceae species from the Serra da Tiririca State Park, Rio de Janeiro (Brasil) - a-c. Rhipsalis lindbergiana - a. floral buds and flowers; b. flowers details; c. fruis; d-f. R. mesembryanthemoides - d. cladode and floral buds (indicated by arrow); e. flower; f. fruits; g. R. neves-armondii - cladode with flower; h-i. R. pachyptera - h. habit and druits; i. fruits details; j-l. R. paradoxa subsp. paradoxa - j. floral buds; k. flower; l. fruits; m-n. R. teres - m. floral buds and flowers; n. flower detail. (photos: a-f,h-n. Diego R. Gonzaga; g. Davi Nepomuceno). 

Epífita, herbácea, pendente, 50-90 cm compr.; cladódios cilíndricos, 4,8-96 × 0,2-0,3 cm, crescimento indeterminado, ramificação terminal a lateral, 2-4 furcados; aréolas ca. 1 mm diâm., ao longo dos cladódios, glabras. Botão floral emerso, creme-acastanhado a róseo. Flores 6,5-7 × 6-10 mm, alvas a cremes matizadas de cor de vinho, 1 por aréola, laterais; pericarpelo depresso-globoso, 2,5-3 × 1,5-2 mm, glabro, verde; segmentos do perianto 8-10, os externos triangulares, 1-4 × 1-2 mm, cremes, os internos elípticos a oblongos ou elípticos a lanceolados, 3-5 × 1,5-2,5 mm, alvacentos; estames 52-59, amarelados a alvos, filetes 1,5-4 mm compr.; estilete ca. 4 mm compr., alvacento, estigma ca. 1 mm compr., 4-lobado, lobo ca. 0,5 mm compr., papiloso. Frutos globosos, 2-5 × 1,5-4 mm, alvos ou róseos, truncados, perianto persistente a caduco; sementes ovoides a elipsoides, ca. 1 × 0,5 mm, negras, testa lisa.

Material examinado: Niterói, Alto Mourão, 28.X.2015, fr., L.V.F. Vasconcelos et al. 1 (RB); 11.II.2016, fr., L.V.F. Vasconcelos et al. 9 (RB); Morro das Andorinhas, 22.XI.2004, fr., R. Moura et al. 377 (RB); Morro do Telégrafo, 8.X.2000, fl. e fr., L.O.F. de Sousa et al. 317 (RB); 23.XI.2002, fr., A.A.M. de Barros 1723 (RB); Setor Darcy Ribeiro, 24.II.2016, fr., L.V.F. Vasconcelos et al. 14 (RB); 24.II.2016, fr., L.V.F. Vasconcelos et al. 15 (RB); Setor Peixoto, 11.X.2016, bot. e fl., D.R. Gonzaga & R.C.C. Reis 762 (RB); Trilha das Esmeraldas, 22.IX.2016, fl., L.V.F. Vasconcelos & R.C.C. Reis 57 (RB).

Rhipsalis lindbergiana é endêmica do Brasil, ocorrendo nas regiões Nordeste (Bahia, Pernambuco, Sergipe), Sudeste (em todos os estados) e Sul (Paraná) (BFG 2018). No PESET a espécie é frequente, representada por muitos indivíduos, ocorrendo no Alto Mourão, no Morro das Andorinhas, no Morro do Telégrafo, na Trilha das Esmeraldas, no Setor Peixoto e em grande parte do Setor Darcy Ribeiro, ambos em ambientes florestados. Diferencia-se das demais espécies de Rhipsalis do parque por apresentar cladódios cilíndricos de crescimento indeterminado. Coletada com flores nos meses de setembro e outubro e frutos nos meses de fevereiro, outubro e novembro.

16. Rhipsalis mesembryanthemoides Haw., Saxifrag. Enum. 71. 1821. Fig. 4d-f

Epífita, herbácea, pendente, ca. 30 cm compr.; cladódios dimórficos, cilíndricos, os primários, 2-3 mm diâm., ramificação terminal a lateral, 2-7 furcados, os secundários 0,5-1,3 × 0,1-0,3 cm; aréolas ca. 1 mm diâm., pubescentes, ao longo dos cladódios primários. Botão floral emerso, creme. Flores ca. 5 × 13 mm, alvas, 1 por aréola, laterais; pericarpelo depresso-globoso, ca. 4 × 2 mm, glabro, creme; segmentos do perianto ca. 9, os externos triangulares, 2-3 × 2 mm, cremes a alvos, os internos oblongos a lanceolados, 6-9 × 2 mm, alvos; estames ca. 19, alvos, filetes 4-7 mm compr.; estilete ca. 8 mm compr., alvos, estigma ca. 2 mm compr., 3-lobado, lobo ca. 1,5 mm compr. papiloso. Frutos globosos, 4-6 × 5-6 mm, alvos, ápice truncado, perianto persistente a caduco; sementes obovoides a elipsoides, ca. 1 × 0,5 mm, negras, testa lisa.

Material examinado: Maricá, Itaipuaçú, Alto Mourão, 25.XI.1981, fl., R.H.P. Andreata 301 (RB). Niterói, Alto Mourão, 9.IX.1982, fl., G. Martinelli 8514 (RB); 28.X.2015, fr., L.V.F. Vasconcelos et al. 3 (RB); Córrego dos Colibris, 28.VI.2016, fl., L.V.F. Vasconcelos et al. 49 (RB); Morro do Cordovil, Trilha da Lagoinha, 6.VIII.2003, fl. e fr., A.A.M. de Barros et al. 2041 (RB); Morro do Telégrafo, 13.VIII.2001, fl., A.A.M. de Barros 1085 (RB); rua das Esmeraldas, 22.IX.2016, fl., L.V.F. Vasconcelos & R.C.C. Reis 58 (RB).

Rhipsalis mesembryanthemoides é endêmica do estado do Rio de Janeiro (BFG 2018). No PESET a espécie é frequente, representada por muitos indivíduos, ocorrendo no Alto Mourão, no Córrego dos Colibris, no Morro do Cordovil, no Morro do Telégrafo, na Rua das Esmeraldas, na Trilha das Esmeraldas e no Setor Peixoto, ambos em ambientes florestados. Diferencia-se das demais espécies de Rhipsalis do parque por apresentar cladódios dimórficos. Coletada com flores nos meses de junho, agosto, setembro e novembro e frutos nos meses de agosto e outubro. É categorizada como “Vulnerável” (Ribeiro-Silva et al. 2011) e “Criticamente Ameaçada” (Goettsch et al. 2015).

17. Rhipsalis neves-armondii K.Schum., Fl. bras. (Martius) 4(2): 284, t.56. 1890. Fig. 4g

Epífita, pendente, ca. 50 cm compr.; cladódios cilíndricos, 2-52 × 0,3-0,4 cm, verde-claros, pontuações vináceas, ramificação lateral a terminal, 3-6 furcados; aréolas ca. 5 mm diâm., lanosas, ao longo dos cladódios. Botão floral imerso, alvo. Flores ca. 9 × 15 mm, alvas, 1 por aréola, laterais a terminais; pericarpelo turbinado, ca. 3 × 3 mm, glabro, creme; segmentos do perianto ca. 12, os externos lanceolados, ca. 8-9 × 2,5-3 mm, alvos, os internos lanceolados, 11-12 × 2-3 mm, alvos; estames ca. 63, filetes 3-5 mm compr., alvos, com base alaranjada; estilete ca. 5,5 × 1 mm, alvo; estigma ca. 3 mm compr., alvo, 5-lobado, lobo 2,5-3 mm compr. Frutos globosos, ca. 10 × 12 mm, magenta, nítidos, truncados, perianto persistente a caduco; sementes piriformes a reniformes, ca. 1,5 × 1 mm, negras a castanho-escuras, testa verrucosa.

Material examinado: Maricá, Itaipuaçú, Alto Mourão, 21.VI.2011, fl., C.N. Fraga et al. 3288 (RB); Pico Alto Mourão, 23.V.1983, fl., R. Andreata et al. 592 (RB).

Material adicional examinado: BRASIL. RIO DE JANEIRO: Niterói, Parque Natural Municipal de Niterói, Morro Santo Inácio, 30.V.2017, fl., D.N.S. Machado 3004 (RB). Teresópolis, Parque Nacional da Serra dos Orgãos, 15.VII.2015, fr., C. Martins 179 (RB).

Rhipsalis neves-armondii é endêmica do Brasil, ocorrendo nos estados da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná (BFG 2018). No PESET a espécie é rara, representada por poucos indivíduos, ocorrendo no trecho elevado da trilha do Alto Mourão em ambientes florestados. Diferencia-se das demais espécies do gênero no parque por apresentar flores com pericarpelo imerso e frutos truncados, magenta. Coletada com flores nos meses de maio e junho.

18. Rhipsalis pachyptera Pfeiff., Enum. Diagn. Cact. 132. 1837. Fig. 4h-i

Epífita, pendente, ca. 50 cm compr.; cladódios aplanados a 3-alados, 14-18 × 8,8-10,5 cm, ramificação terminal, 2-furcados; aréolas 2-4 mm diâm., apicais e marginais, glabras, distanciadas 1,3-4 cm. Botão floral emerso, amarelado. Flores ca. 12 × 12 mm, 1-3 por aréola, cremes a alvas, laterais; pericarpelo depresso-globoso, ca. 4 × 5 mm., glabro, verde-claro; segmentos do perianto ca. 13, os externos triangulares a semi-orbiculares, 2-3 × 4 mm, alvacentos, os internos lanceolados a elípticos, 6,5-8 × 3-4 mm, alvos; estames ca. 143, alvos, filetes 4-7 mm compr.; estilete ca. 6 × 1 mm, estigma ca. 4 mm compr., alvo, 6 lobado, lobo ca. 3 mm compr. Frutos globosos, 9 × 9 mm, alvos, leitosos, perianto persistente; sementes ovoides a elipsoides, 1-1,2 × 0,5-1 mm, negras, testa lisa.

Material examinado: Maricá, Itaipuaçú, Alto Mourão, 25.XI.1981, R.H.P. Andreata 302 (RB). Niterói, Alto Mourão, 4.V.2017, fl. e fr., D.R. Gonzaga et al. 981 (RB).

Rhipsalis pachyptera é endêmica do Brasil, ocorrendo nos estados de Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (BFG 2018). No PESET a espécie é rara, representada por poucos indivíduos, ocorrendo ao longo da trilha do Alto Mourão em ambientes florestados. É similar a R. crispata em forma vegetativa, porém diferencia-se por apresentar cladódios crassos vs. mais delgados em R. crispata. Coletada com flores e frutos em maio.

19. Rhipsalis paradoxa (Salm-Dyck ex Pfeiff.) Salm-Dyck subsp. paradoxa., Cact. Hort. Dyck. 39. 1844. Fig. 4j-l

Epífita a rupícola, herbácea, pendente, 30-60 cm compr.; cladódios 3-alados, 6,8-19,1 × 0,8-1,5 cm, verde-escuros, apresentando alas descontínuas, ramificação lateral a terminal, 2-4 furcados; aréolas 1-4 mm diâm., marginais, distanciadas 1-7,5 cm, lanosas. Botão floral imerso, creme. Flores ca. 13 × 11 mm, alvas, 1 por aréola, laterais; pericarpelo depresso-globoso, ca. 3 × 4 mm, pubescente, creme; segmentos do perianto 9-10, os externos triangulares a lanceolados, 7-9 × 3-4 mm, creme-alvacentos, os internos elípticos a oblongos, 8-10 × 3 mm, alvacentos; estames ca. 105, alvos, filetes ca. 7 mm compr., estilete ca. 9 mm compr., alvos, estigma ca. 1,5 mm compr., 5-lobado, lobo ca. 1 mm compr., papiloso. Frutos globosos, ca. 5 × 5 mm, alvos, translúcidos, truncados, perianto caduco; sementes elipsoides a cocleariformes, ca. 1,2 × 0,5 mm, negras, testa lisa.

Material examinado: Niterói, Alto Mourão, 28.X.2015, fr., L.V.F. Vasconcelos et al. 5 (RB); Córrego dos Colibris, 30.VI.1998, M.G. Santos et al. 1018 (RB); 28.VI.2016, fl., L.V.F. Vasconcelos et al. 54 (RB); trilha das Esmeraldas, 22.IX.2016, fr., L.V.F. Vasconcelos 56 (RB).

Rhipsalis paradoxa subsp. paradoxa é endêmica do Brasil, ocorrendo nas regiões Nordeste (Bahia, Pernambuco), Sudeste e Sul (BFG 2018). No PESET a espécie é rara, representada por poucos indivíduos, ocorrendo no Alto Mourão, no Córrego dos Colibris, Via do Peixoto e na Trilha das Esmeraldas em ambientes florestados. Diferencia-se das demais espécies de Rhipsalis do parque por apresentar cladódios 3-alados, apresentando ângulos projetados em forma de alas. Coletada com flores no mês de junho e frutos no mês de setembro.

20. Rhipsalis teres (Vell.) Steud., Nomencl. Bot. ed. 2. 2: 449. 1841. Fig. 4m-n

Epífita, herbácea, pendente, ca. 60 cm compr.; cladódios cilíndricos, os basais 1,5-3 mm diâm., os terminais 0,6-6,3 × 0,1-0,2 cm, ramificação terminal a lateral, 2-6 furcados; aréolas ca. 1 mm diâm., terminais, pubescentes, ao longo dos cladódios. Botão floral emerso, creme-esverdeado. Flores 6-7 × 6-8 mm, esverdeadas a alvas, 1 por aréola, terminais a laterais; pericarpelo depresso-globoso, ca. 2 × 1,5 mm, glabro, verde; segmentos do perianto 6-7, os externos triangulares, 1-1,5 × 1 mm, esverdeados, os internos elípticos a lanceolados e oblongos a lanceolados, 3,5-5 × 2-2,5 mm, alvacentos; estames 26-32, alvos, filetes 3-4 mm comp.; estilete 3,5-4 mm compr., alvos, estigma ca. 1 mm compr., 3-lobado, lobo ca. 1 mm compr., papiloso. Frutos ovoides, 4,5-6 × 3-4 mm, alvos, truncados, perianto caduco; sementes elipsóides a oblongas, ca. 1 × 0,5 mm, negras, testa verrucosa.

Material examinado: Niterói, Alto Mourão, 25.XI.1981, R.H.P. Andreata 303 (RB); 16.VI.2016, bot., fl. e fr., L.V.F. Vasconcelos 43 (RB); 16.VI.2016, fl. e fr., L.V.F. Vasconcelos 45 (RB); Morro do Telégrafo, 27.IV.2006, T.H.S.S. Gomes et al. 1 (RB).

Rhipsalis teres é endêmica das regiões Sudeste e Sul do Brasil (BFG 2018). No PESET a espécie é frequente, representada por muitos indivíduos, ocorrendo no Alto Mourão, no Morro do Telégrafo e no Setor Peixoto em ambientes florestados. Diferencia-se das demais espécies de Rhipsalis por apresentar seus cladódios terminais finos, alongados, recurvados, e muito furcados, flores pequenas e frutos ovoides. Coletada com flores e frutos no mês de junho.

1Trabalho de conclusão de curso do primeiro autor pela Universidade Estácio de Sá, Campus R9, Taquara, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Agradecimentos

Os autores agradecem ao INEA, a concessão da licença de pesquisa; aos funcionários do Parque Estadual da Serra da Tiririca, a logística em campo; ao Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e à Brasil Kirin, os subsídios a esta pesquisa. Agradecem ainda aos parceiros que auxiliaram nas coletas em campo; aos curadores e funcionários dos herbários consultados; a Bruna N. Luna, a confecção das pranchas de imagens; a Wesley A. Campanharo, a confecção do mapa; e aos revisores, as valiosas contribuições.

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Recebido: 17 de Julho de 2017; Aceito: 03 de Maio de 2018

4Autor para correspondência: diego.gonzaga@gmail.com

Editor de área: Dr. Leandro Giacomin

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