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Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos

On-line version ISSN 2176-6681

Rev. Bras. Estud. Pedagog. vol.96 no.242 Brasília Jan./Apr. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/S2176-6681/324612565 

Estudos

As redes sociais na internet e suas apropriações por jovens brasileiros e portugueses em idade escolar*

Social networks on the internet and their appropriations by young Brazilian and Portuguese students

Luiz Alexandre da Silva Rosado 1  

Vitor Manuel Nabais Tomé 2  

1Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Departamento de Ensino Superior do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines). Rio de Janeiro, Brasil. alexandre.rosado@globo.com

2Universidade do Algarve, Centro de Investigação em Artes e Comunicação, Faro, Portugal. vitor@rvj.pt

RESUMO

O fenômeno das redes sociais on-line é marcante na atual fase da internet 2.0, tendo crescido vertiginosamente, a partir do ano 2005, com a adesão majoritária de jovens, que as acessam por computadores fixos e móveis, em plataformas dos mais variados tipos. Por meio delas, trocam mensagens e compartilham conteúdos os mais diversos. Diante desse cenário, com base em duas pesquisas convergentes, pretende-se discutir os usos e as apropriações das redes sociais on-line por jovens alunos do ensino fundamental e médio e destacar os pontos mais pertinentes da atual fase da internet nos contextos pessoal, familiar e escolar. Foram aplicados questionários, inspirados em modelo de pesquisa elaborado na Itália, a 404 alunos brasileiros de oito escolas no Rio de Janeiro e a 549 alunos portugueses de 11 escolas na região portuguesa de Castelo Branco. Com essa rica empiria, verificou-se em que pontos os jovens se aproximam dos ideais de uma nova subjetividade (o leitor imerso nas novas mídias) e de um jovem naturalmente afeito aos suportes digitais (o nativo digital)

Palavras-Chave: redes sociais na internet; família; jovens alunos; educação e novas tecnologias.

ABSTRACT

The phenomenon of online social networks has been remarkable in the current phase of internet 2.0 and has grown rapidly from the year 2005, with the majority membership of young people, who access the social networks from desktops and mobile platforms of all kinds. Using these platforms, they exchange messages and share various contents. Given this scenario, based on two converging researches, this paper discusses the uses and appropriations of online social networks by students of elementary school and high school. Also, it highlights the most relevant points in the current phase of the internet in relation to personal, family and school contexts. Inspired by a research model developed in Italy, 404 questionnaires were applied to Brazilian students from eight schools in Rio de Janeiro and 549 Portuguese students from 11 schools in the Portuguese region of Castelo Branco. With this comprehensive database, we could verify at which points the youth approaches the ideals of a new subjectivity (the reader immersed in new medias) and a youngster naturally used to digital media (the digital native)

Key words: social networks on the internet; family; young students; education and new technologies.

Introduzindo o contexto de duas pesquisas convergentes

A motivação para a escrita deste artigo veio da convergência de interesses e de métodos de pesquisa. Por um lado, o grupo de pesquisa Jovens em Rede (JER), do Departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), propôs ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) uma pesquisa com três anos de duração (2011-2014), denominada Mídias Sociais e Relacionamento Pais e Filhos: Determinantes Psicossociais e Estratégias Educativas. Parte dela foi realizada com jovens alunos dos ensinos fundamental e médio com a finalidade de mapear seus perfis de uso de redes sociais e a relação do perfil com a família.

Em contrapartida, o pesquisador Vitor Tomé, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, instituição do Ministério da Educação e Ciência de Portugal, propôs para o seu período de pós-doutoramento na Universidade do Algarve uma pesquisa sobre o uso de redes sociais na internet, tendo como sujeitos participantes jovens de escolas portuguesas. A pesquisa foi denominada As Redes Sociais e a Nova Literacia dos Media.

Os questionários aplicados nas duas pesquisas se cruzam com base no Centro di Ricerca sull´Educazione ai Media all´Informazione e ala Tecnologia (Cremit), localizado em Milão (Itália), na Università Cattolica del Sacro Cuore (Unicatt), que inspirou a elaboração do questionário aplicado pelo JER em escolas do Rio de Janeiro e parte daquele aplicado por Vitor Tomé em escolas da região de Castelo Branco, na parte centro-leste de Portugal. A pesquisa italiana, em fase de conclusão e publicação pelo Cremit, foi chamada de Family TAG: Technology across Generations.

No Brasil, participaram do estudo 404 alunos, entre 11 e 19 anos de idade, de oito diferentes escolas cariocas, distribuídos do 6º ano do ensino fundamental (EF=45,3% do total) até o 2º ano do ensino médio (EM=54,4% do total). A amostra foi intencional, haja vista que a escolha das escolas e das turmas foi realizada pelos membros do JER e envolveu escolas públicas e privadas, tanto laicas quanto confessionais, sendo 73% dos alunos pertencentes a escolas públicas, o que atendeu à proporção encontrada no município do Rio de Janeiro. Eles responderam um questionário impresso composto de 31 perguntas, sendo 13 com escalas Likert e cinco com escalas de intensidade (quanto tempo, quantas vezes). Realizou-se a tradução do questionário da pesquisa desenvolvida pelo Cremit, adaptando-se o conteúdo das questões ao contexto brasileiro, especialmente no que tange ao aumento de opções de arranjos familiares, visto que o cenário encontrado no País é mais diversificado do que o europeu. A autorização para aplicação do questionário foi obtida mediante o contato com a direção de cada uma das escolas envolvidas.

Já em Portugal, participaram 549 alunos distribuídos em 11 escolas públicas de 2º e 3º ciclos, com alunos de 10 a 18 anos de idade. Eles responderam, em suporte impresso, a um questionário de 32 perguntas, sendo uma com escala Likert e nove com escalas de intensidade. A amostra, aleatória, foi composta por alunos previamente autorizados pelos encarregados de educação (autorização exigida pelo Ministério da Educação). O questionário foi produzido pelo próprio pesquisador e posteriormente validado de forma qualitativa com alunos e especialistas em Portugal, na França e na Itália, e sua aplicação nas escolas foi previamente autorizada pelo Ministério da Educação.

A pesquisa brasileira teve como foco a relação do jovem com sua família mediada pelo novo contexto das mídias sociais, enquanto o questionário português teve como foco os novos hábitos desenvolvidos pelos jovens com o uso dessas mesmas mídias para comunicação, aprendizagem com os pares e sua forma de relacionamento com outras esferas sociais, como a escola e a família.

O perfil de uso das redes sociais na internet por esses jovens brasileiros e portugueses será o tema central deste artigo, procurando-se convergir os resultados de ambas as pesquisas e destacar os pontos mais pertinentes da atual fase da internet no contexto escolar. Visando enriquecer o debate teórico-conceitual, nos próximos dois tópicos trataremos do contexto tecnológico atual em que se inserem os jovens que se apropriam das redes sociais na internet.

O contexto tecnológico atual e as potencialidades das redes sociais na internet

No contexto da cultura digital (ou cibercultura), que materialmente vem se desenvolvendo desde a ampliação do acesso aos computadores pessoais (PCs) nos anos 1980, as redes sociais on-line ocupam atualmente o centro das atenções, especialmente a partir da década de 2000,1 quando registraram forte crescimento de adesão e utilização, especialmente por jovens em idade escolar.

Colabora para esse crescimento a ubiquidade de acesso por meio das conexões sem fio (Wi-Fi, 3G, 4G) e a maior portabilidade/mobilidade dos suportes (tablets, celulares), que vão além do computador atrelado a um espaço geográfico fixo. Segundo Santaella (2010, p. 3), estamos na segunda fase da "cultura do computador" ou das "tecnologias do acesso", assim, "o [estágio] da conexão contínua é constituído por uma rede móvel de pessoas e de tecnologias nômades que operam em espaços físicos não contíguos". O espaço urbano, que inclui a escola enquanto espaço geográfico físico, cada vez mais se cruza com o virtual no dia a dia das pessoas, e nesses espaços comunidades se formam e compartilham suas vidas, seus problemas, seus pensamentos.

O site líder no segmento de redes sociais, Facebook (2012), atingiu no ano de 2012 a marca de um bilhão de pessoas inscritas, um sexto da população mundial, o que evidencia sua potencialidade de conectar enorme quantidade de sujeitos e permitir a centralização do tráfego de dados em seus servidores de informação, criando uma "rede paralela" dentro da rede maior, que é a internet, competindo em volume de acesso com o maior mecanismo de busca da rede, o Google.

No rastro das adaptações contínuas necessárias no volátil ramo da informática, foram também desenvolvidos aplicativos (apps) para celulares, tablets e modelos de televisão digital em inúmeros sistemas operacionais (iOS, Android, Windows Phone), que permitem aos usuários inscritos estarem sempre conectados à rede social, alimentando-a com comentários, fotografias, vídeos e compartilhamento de links.

Vistas de modo mais amplo, as redes sociais on-line se integram em um conjunto de tipologias de websites (gêneros) que permitem a participação coletiva com a edição e o compartilhamento de conteúdos diversos, denominados genericamente de web 2.0. 2 Exemplos são repositórios em que os espectadores comentam e criam ligações (blogs), editam textos coletivos (wikis), compartilham arquivos (torrents, P2P) e vão moldando toda uma cultura participativa paralela aos veículos clássicos de massa.

Do ponto de vista estrutural, a unidade básica de uma rede é o nó, o ponto de encontro no qual uma relação (vínculo/conexão) pode ser estabelecida. No caso específico das redes sociais on-line, elas permitem a explicitação de vínculos, entendidos como laços sociais externalizados por meio de perfis que se interconectam, que se ligam e desenvolvem ações que os mantêm em contato. Um perfil pode conter fotografias e vídeos pessoais ou de terceiros, gostos culturais (filmes, músicas, livros), quantidade de amigos linkados, grupos de pertença, locais de visitação preferidos, coleção de postagens (linha temporal).

Nas redes sociais on-line, são os nós-sujeitos, por meio de seus perfis, que definem a topologia de sua microrrede, tendo o poder de permitir ou negar acesso a outro nó que solicita ligação. Dessa forma, a rede social on-line não é uma rede totalmente descentralizada (Baran, 1964), em formato todos-todos (Lévy, 1999), em que cada nó poderia acessar livremente o outro, mas um conjunto de redes menores centralizadas (um-todos) que se descentralizam por meio de pontes de conexão entre elas (emaranhado de microrredes). No caso do Facebook, essas pontes são simbolizadas por expressões como "amigos de amigos", "amigos em comum" ou "grupos" sugeridos, levando o sujeito a fazer novas ligações com outros perfis existentes. Esses vínculos podem ser fortes ou fracos, com base no grau medido pela frequência (tempo) e volume (quantidade) de informações trocadas entre dois elementos-nós dessa rede.

Pela facilidade de criação de vínculos por um simples clique (baixo custo de filiação), muitos desses laços tendem a ser fracos, com redes que superam a capacidade de o sujeito manter comunicação forte com todos os laços que possui no banco de dados do website, os quais podem chegar a centenas ou mesmo milhares de "amigos".3 Cabe enfatizar que um vínculo pode nascer e se desenvolver sem que os sujeitos jamais se encontrem pessoalmente (fisicamente), não sendo este um fator primordial para a constituição de um laço forte ou fraco. Existem os laços nascidos já ociosos, em redes altamente centralizadas nas quais a troca mútua de mensagens praticamente não existirá, a exemplo de "celebridades" que possuem milhões de perfis ligados ao seu, sem interagir com cada um deles, emitindo mensagens no formato um-todos.

Um perfil na rede social on-line representa, em geral, uma pessoa, mas pode representar também objetos culturais (filmes, músicas), de consumo (produtos), lugares (cidades, instituições, associações), movimentos sociais (partidos, grupos representativos, ideologias) e outros nós não humanos, ainda que estes sejam alimentados por interações mútuas (Primo, 2000), em que humanos reagem inteligentemente às mensagens trocadas, negociando significados mediante textos, fotografias e vídeos. As restrições de tempo (simultaneidade) e espaço (proximidade) podem ser superadas nesses novos espaços de socialização, que registram interações assíncronas e entre nós geograficamente distantes.

Novas tecnologias, novos sujeitos? O jovem diante do uso das tecnologias de conexão contínua

Essa nova configuração das relações em redes digitais vem sendo debatida de maneira ampla ao se perceber que os sujeitos, nascidos concomitantemente ou não a esse novo contexto, mudam em algum nível sua forma de lidar com o outro nas relações sociais desenvolvidas no cotidiano. Para Santaella (2010, p. 3), "essas tecnologias estão gestando novas subjetividades em contínua mutação", já tendo desenvolvido ampla análise do que veio a chamar de leitor imersivo (Santaella, 2004), um leitor que navega nesses novos espaços por meio de hiperlinks e alterna entre dados de maneira instantânea e independente do deslocamento corporal até esses artefatos.

Nesse processo, os jovens parecem ser os que se adaptam e mudam de maneira mais veloz em relação a outros segmentos etários, intervindo, em maior ou em menor grau, nos discursos e negociações presentes nessas comunidades formadas na internet. Atividades simultâneas (multitarefa), leitura rápida e randômica de assuntos diversificados, jogos de computador e celulares permanentemente conectados à internet caracterizam os jovens dessa geração, na visão de Santaella (2010).

Diante de tal cenário, em mutação constante, pais, educadores e instituições de ensino se perguntam: como entrar em espaços tão ricamente habitados pelos jovens-alunos, que emergiram em poucos anos de maneira superacelerada, e tão facilmente acessíveis por meio de inúmeros artefatos-suportes digitais? O desnível experiencial entre as gerações se torna um obstáculo, e novos códigos e formas de lidar com a informação são rapidamente constituídos pelos mais jovens em redes que muitos pais e professores desconhecem. É preciso, então, conhecer o comportamento dos jovens nesses espaços de socialização, aspecto esse que, em parte, tentaremos abordar neste artigo.

Para Jenkins (2010), "quaisquer alterações que ocorrem no nível da cultura e da tecnologia começam a ser divulgadas a partir dos jovens", sendo este protagonismo juvenil também intuído por Prensky (2001) com base em sua dicotomia "nativo e imigrante digital", quando afirma que novas tecnologias digitais estão formando outro tipo de sujeito, muito mais adaptado e que naturalizou o uso dos suportes digitais em seu cotidiano.

Segundo o autor, o modo de pensar da geração digital (nascida após os anos 80) é completamente diferente das anteriores; trata-se de um novo modo de processar informação, moldado por alta carga experiencial com videogames, programas de TV e uso do computador e dispositivos móveis conectados, corroborando a abordagem de Santaella (2004, 2010). Do ponto de vista educacional, segundo Prensky (2001), o mais preocupante é que esses jovens estão recebendo uma educação cuja referência é a cultura constituída com os suportes analógicos, impressos ou eletrônicos de transmissão massiva, voltada à memorização, ao uso de testes e ensino passo a passo, não compatíveis com esse novo modo de agir e pensar dos nativos.

Nessa mesma linha de pensamento, Santaella (2010) alerta que o modo de aprendizagem surgido com os suportes digitais móveis é ubíquo, mais caótico, atendendo à necessidade informacional assim que ela surge. Para a autora, é necessário entender que a nova modalidade de aprendizagem ubíqua extrapola a clássica dupla ensino-aprendizagem, mesmo quando nos referimos à já estabelecida EaD massiva, pois os artefatos digitais móveis e de conexão contínua permitem formas de acesso às informações que dispensam totalmente a intermediação de instituições formais.

O protagonismo do jovem é confirmado pelo relatório do Comitê Gestor da Internet (CGI-BR, 2012), que aponta as faixas etárias predominantes no acesso à internet no Brasil: 10 a 15 anos (65% acessam) e 16 a 24 anos (64% acessam), caindo significativamente nas faixas acima dos 40 anos de idade. Percebe-se que os jovens são os que mais rapidamente adotam os novos suportes de configuração digital, especialmente os das classes A, B e C dos grandes centros urbanos (juventude citadina). Idêntica situação ocorre em Portugal, que apresenta uma das maiores taxas de primeiro acesso à internet na Europa, segundo a qual 93% dos jovens de 9 a 16 anos têm acesso à rede em casa, 67% dos quais no quarto (Ponte; Jorge, 2012).

Em 2012, o número de celulares no Brasil alcançou a cifra de 256 milhões (Landim, 2012), mais de um para cada habitante, evidenciando a presença massiva dos suportes móveis no cotidiano da população, especialmente dos mais jovens que o tempo todo estão na companhia das redes sociais. Em Portugal, existiam, em 2013, cerca de 13,1 milhões de celulares para 10 milhões de habitantes, sendo o acesso à internet comum para 21% dos usuários, enquanto 13,8% acedem às redes pelo celular (Anacom, 2013). O site Facebook informou que a média de idade dos seus um bilhão de usuários era de somente 22 anos e que 60% deles acessavam a rede social por suportes digitais móveis (Facebook..., 2012).

Quanto ao contexto local, sabemos do alto percentual de jovens e adultos que ainda estão fora da cultura formada pelo uso dos suportes digitais em virtude da exclusão digital, mas que rapidamente estão sendo incluídos. Em termos percentuais, o Relatório do CGI-BR (2012) apontava um rápido crescimento do acesso a computadores no Brasil (2005: 17% e 2010: 39%), assim como à internet (2005: 13% e 2010: 27%). Embora ainda deficitário, o acesso vem permitindo que a geração digital, relatada por Prensky há uma década nos Estados Unidos, seja cada vez mais realidade em solo brasileiro. Em Portugal, 64,8% da população tinha computador em 2012, ao passo que em 2005 essa percentagem não chegava à metade da população (47,8%) (Grupo Marktest, 2013).

Baseando-se no entendimento das potencialidades dos recursos computacionais em rede, com forte adesão dos jovens ao contexto tecnológico contemporâneo, podemos compreender melhor os dados encontrados junto aos alunos brasileiros e portugueses, dados esses que podem ajudar a delinear o perfil "digital" e de uso das redes sociais on-line pelos estudantes que frequentam nossas escolas.

Análise dos principais resultados convergentes: o que os alunos portugueses e brasileiros têm a nos dizer sobre o uso de redes sociais on-line?4

Embora o discurso sobre a mobilidade dos suportes e a ubiquidade do acesso à internet seja hoje a tendência teórica, em 2012 os alunos brasileiros e portugueses relataram acessar a rede e, consequentemente, as redes sociais majoritariamente via computadores fixos ou portáteis (pt=97,1%; br=82%5), fossem pessoais ou compartilhados pela família. Os tablets ainda eram raros entre os jovens considerando que 14,9% dos brasileiros os possuíam e 14% dos portugueses os utilizavam para acessar as redes sociais. Os celulares eram utilizados por 48,5% dos alunos brasileiros para acessar as redes sociais, enquanto, em relação aos portugueses, o percentual caía para 29%. Talvez o baixo uso de dispositivos móveis seja resultante do maior controle dos pais portugueses sobre o acesso de seus filhos, havendo ainda limitação - tal como no Brasil - devido ao preço de acesso e navegação na internet, pois 53% dos lares com crianças em idade escolar têm baixos recursos financeiros (Ponte; Jorge, 2012).

Quanto ao papel da escola no acesso às redes sociais, as duas pesquisas apontaram a baixa participação (pt=3,8%; br=5,2%), evidenciando a distância entre o ambiente de educação formal e as novas ambiências em que os jovens utilizam suportes fixos (a residência, principalmente) e móveis. A biblioteca escolar tem participação no acesso praticamente nula, de, aproximadamente, 2% nos dois países. Os dados indicam que o aspecto potencialmente educacional no uso das redes sociais para atividades escolares, o ato de trazer e incorporar a ambiência comunicacional dos nativos digitais, tal como Prensky (2001) recomenda, não vem sendo adotado nas escolas. No caso português, segundo dados recolhidos junto aos docentes inquiridos, a utilização de redes sociais por alunos está mesmo proibida em 5 das 11 escolas participantes do estudo.

Ainda sobre o acesso, os dados da pesquisa nos dois países apontaram para a lógica do multiacesso, ou seja, em Portugal, os jovens relataram lançar mão de vários suportes para se conectar a redes sociais (pt=47%), alternando entre eles ao longo do tempo, sendo mais frequentes as combinações entre computador pessoal e celular (pt=12%) e entre computador da família e pessoal (pt=8%); no Brasil, as principais combinações foram computador de casa e celular (br=10%) e computador de casa, da casa de amigos, celular e computador móvel (br=9,5%). Esse fato reforça a ideia de que outro tipo de leitura midiática, a simultânea e multimeios, vem se desenvolvendo com essa geração. A criação de aplicativos multiplataforma também facilita a continuidade em um suporte daquilo que se começou em outro.

A faixa etária se mostrou variável fundamental para a definição dos modos de acesso a suportes e seus recursos. Notou-se no caso dos alunos portugueses que quanto maior a idade (a partir dos 10 anos) maior a independência no acesso. Isso significa que o uso de computador da família vai aos poucos sendo substituído pelo uso de computador pessoal e celular. A tendência se mostrou a mesma no caso dos alunos brasileiros, em relação aos quais o uso de celular para acesso às redes sociais aumentou de 30% em alunos com 12 anos para 66% em alunos de 18 anos de idade, embora o uso do computador de casa não tenha diminuído (na pesquisa brasileira não se considerou a posse familiar ou individual do computador).

O uso de redes sociais medido de acordo com aqueles que declararam acessar perfis on-line foi muito alto nos dois países (pt=91%; br=93%), sendo o Facebook o site predominante (pt=91%; br=85%). O segundo lugar se diferenciou justamente porque na pesquisa brasileira o Orkut (br=71%) constava da lista de opções, enquanto na portuguesa tratava-se do Youtube (pt=87%). O fato é que grande parte dos jovens dos dois países declaram alto acesso a essas redes, incluindo, além do uso simultâneo de redes diferentes - lógica de multiperfil -, a alta frequência diária, segundo a qual, em Portugal, 38,5% dos alunos acessavam o Facebook todos os dias, e no Brasil, 45,5% acessavam todos os dias redes sociais em geral.

Se o acesso se mostrou alto, a quantidade do que é produzido e compartilhado pelos alunos (produto autoral) se mostrou baixa, apesar da disponibilidade dos recursos próprios para gravação e edição multimídia em celulares e tablets. Os jovens da pesquisa portuguesa mostraram que publicam mais as produções de terceiros do que as de sua própria autoria. A maioria deles relatou nunca publicar vídeo (pt=72%) e áudio (74,5%) próprios, sendo bem mais baixo o percentual dos que nunca publicam fotografias próprias (pt=34,6%).

A situação muda quando os conteúdos de terceiros são compartilhados: 31,9% dos alunos portugueses nunca compartilhavam foto, 40,9%, vídeo, e 54,6%, áudio. A faixa etária influencia significativamente a publicação de fotografias de autoria própria, de modo que 68,4% até os 10 anos de idade nunca as publicam, ao passo que apenas 21,1% até os 15 anos de idade nunca as publicam. Também, à medida que a idade aumenta, mais se publicam vídeos e áudios de terceiros.

Quanto às mensagens textuais, elas estão no topo dos conteúdos compartilhados pelos jovens portugueses, atividade declarada por 73,4% deles, seguida pelo compartilhamento de notícias e acontecimentos atuais considerados importantes. Dessa forma, as redes sociais assumem um papel importante para a formação em conhecimentos gerais dos jovens, levando-os a ler, ver e ouvir aquilo que os amigos indicam, formando uma rede dinâmica de recomendações que cresce em volume à medida que avançam em idade.

Em relação ao tempo, grande parte chegou bem recentemente às redes sociais. Os alunos brasileiros estão há menos de um ano (br=42%) ou entre um e três anos (br=37,5%), algo semelhante aos alunos portugueses, que criaram seus perfis (pt=49%) nos anos de 2010 e 2011. Como era de se esperar, quanto menor a idade, mais recente é a criação do perfil. Esse dado mostra que o jovem é altamente aberto a inovações tecnológicas, tal como foi intuído por Jenkins, visto que, apesar da pouca idade das redes sociais (surgiram em 2004), elas se tornaram rapidamente um meio de convivência utilizado pela maioria dos jovens participantes do estudo.

Apesar de a criação de perfil no Facebook (e em outras redes como Orkut e Linkedin) ser permitida apenas a maiores de 13 anos de idade, muitos jovens brasileiros e portugueses afirmaram terem criado seus perfis com 12 anos ou menos (alguns chegam aos sete anos de idade), evidenciando que os controles formais nesses sites não são eficazes a ponto de inibir o acesso de adolescentes e crianças. As redes sociais se tornaram ambientes de convivência para os jovens, e aqueles que têm menos de 13 anos não se sentem inibidos em entrar para conviver com seus amigos.

O ambiente das redes sociais é tão natural aos jovens (nativos) que eles não parecem se importar, em parte, com a revelação de dados pessoais, como o nome de sua escola (pt=46,3%), o endereço (pt=31,9%) e o nome próprio completo (pt=30,6%). Os alunos brasileiros declaram utilizar, predominantemente, imagens do próprio rosto para se identificar nas redes sociais (br=55%) ou com familiares e amigos no cotidiano (br=11,5%). No caso dos alunos portugueses, foi detectado que o grau de privacidade vai caindo à medida que a idade avança, pois o jovem tende a divulgar mais fotografias de si e a falar mais o nome de sua escola.

Já o volume total de conexões na rede social se mostrou alto, mas não muito mais alto do que as ligações (laços fortes e fracos) que fazemos em um grande centro urbano ao longo de nossas vidas. No caso brasileiro, 56,1% dos alunos declararam possuir até 300 amigos, dado próximo ao que detectou a pesquisa em Portugal (61% possuíam até 300 amigos). Cerca de um terço (31%) dos alunos brasileiros, quando perguntados quantos de seus amigos conheciam pessoalmente, declararam conhecer até 100 e 22% até 200. Já 41,7% dos alunos portugueses diziam conhecer a maior parte e cerca de 51% afirmaram que aceitaram como amigos pessoas que não conheciam pessoalmente, percentual que progride à medida que a idade aumenta.

No entanto, a pesquisa portuguesa demonstrou que esses desconhecidos eram pessoas próximas, sejam outros alunos da escola em que estudavam, amigos de amigos, vizinhos e mesmo meninas ou meninos que pareceram simpáticos por uma fotografia postada ou por terem a mesma idade. O mundo escolar e comunitário vivido presencialmente influencia fortemente os laços estabelecidos nas redes sociais on-line; elas atuam de maneira fundamental na extensão das amizades cultivadas no ambiente escolar, de modo que 90% dos alunos portugueses admitiram seu uso para comunicação com outros alunos de sua escola após o período de aulas, aumentando o contato à medida que avançam em idade.

Essa familiaridade pelo contato presencial também foi corroborada quando se verificou que, entre os alunos portugueses, a percentagem de comentários feitos nas postagens de amigos que conheciam pessoalmente era de 70,3%, enquanto de amigos que apenas conheciam on-line caía para 20%. O percentual (pt=56,4%) caía também para os comentários feitos em mensagens postadas por ídolos (personalidades públicas, como atores e jogadores de futebol), que não mantinham contato direto e pessoal com aqueles que os seguiam (redes no formato um-todos).

Isso demonstra que a facilidade de criar laços nas redes sociais (baixo custo de filiação) leva os jovens a adicionar muitos "amigos", mesmo que ao longo do tempo não mantenham um laço de amizade forte com todos eles (trocas frequentes), simplesmente como um nome em uma agenda de contatos. A pesquisa portuguesa indicou mais uma vez que a idade é um fator relevante, pois à medida que os alunos crescem, aumenta o número de amigos (laços) nas redes sociais, passando da faixa de menos de 100 para a faixa entre 300 e 500, virada que ocorre entre os 12 e 13 anos de idade. Quando replicada esta hipótese com os alunos brasileiros, observou-se também queda significativa dos alunos que tinham até 100 amigos à medida que a idade avançava, especialmente a partir dos 13 anos de idade.

E quanto à família? Em Portugal, mais da metade dos alunos (pt=52,6%) disseram ser amigos dos pais na rede social que mais usam, percentual semelhante ao de alunos brasileiros que têm em primeiro lugar a mãe presente na rede (br=47,3%), seguida pelo pai (br=33,7%). Tais percentuais não estão muito distantes dos alunos portugueses que têm professores adicionados em seus perfis (pt=43,2%). A pesquisa brasileira apontou também que as relações horizontais, com pessoas de faixa etária aproximada, predominaram, demonstradas pelo alto percentual de primos (br=80,4%) e irmãos (br=62,9%) presentes nas redes sociais dos alunos.

Quando a presença do perfil de pais e professores nas redes dos jovens alunos se traduz em mensagens e conversas por bate-papo on-line (chat), a comunicação é muito mais baixa se comparada com aquela entre amigos que os alunos conhecem pessoalmente. Por exemplo, em Portugal, o percentual de jovens que nunca trocam mensagens com os pais é de 57,2%, enquanto com os professores é de 77,8% e com os amigos, de 3,2%, reforçando as relações horizontais nesses espaços. Importante notar que esse contato com os pais vai caindo significativamente à medida que a idade dos alunos portugueses avança.

Esses dados demonstram que está havendo uma entrada significativa dos migrantes digitais nos espaços frequentados pelos nativos, fato que colabora para a diminuição de ideias preconcebidas sobre as redes sociais por parte dos adultos,6 que tendem a se aproximar da experiência vivenciada pelos filhos, mas ainda com enorme distanciamento em relação ao volume de mensagens trocadas pelos jovens com aqueles da mesma faixa etária. Quando os alunos portugueses eram questionados sobre a razão de não terem os pais como amigos na rede social, 66,4% dos 122 que responderam afirmaram que estes não tinham um perfil criado, ao passo que 38,5% de fato não os queriam nas redes sociais. Dessa forma, existe uma demanda significativa de participação dos pais nas redes sociais dos filhos que ainda não foi atendida, talvez pela própria autoexclusão de pais e professores desses espaços de convivência.

Tecendo algumas conclusões

Este artigo procurou definir em que pontos os jovens alunos participantes das pesquisas no Brasil e em Portugal se aproximam desse novo perfil geracional suposto por autores como Jenkins, Prensky e Santaella.

De fato, essa geração se mostrou nativa dos ambientes digitais pelo alto grau de participação nas redes sociais, principalmente na comunicação com os pares da mesma idade que pertencem ao convívio comunitário e da escola. Os migrantes digitais, sejam institucionais (escola e família) ou sujeitos (professores e pais), se encontram relativamente longe desses jovens, que declaram a baixa interação com estes nos espaços on-line. A escola e a biblioteca tradicionais não são espaços de acesso às redes sociais na internet, que são acessadas principalmente de suas casas (computador pessoal ou da família) ou, caso tenham, de seus dispositivos móveis.

As duas pesquisas detectaram novos hábitos dos jovens alunos, como o uso de múltiplos dispositivos para acessar as redes sociais e de múltiplos perfis criados em diversas redes às quais se filiam. O baixo custo de filiação, já apontado por Shirky como fator primordial das redes na web 2.0, foi percebido pelo alto número de amigos que os jovens declararam não conhecer pessoalmente, mas com quem se conectaram por meio das redes sociais na internet.

Existe uma forte influência do fator idade para a definição do aprofundamento nos usos das redes sociais on-line pelos jovens. À medida que vão amadurecendo, mais amigos são feitos (laços fracos), mais amizades fora do espaço de convivência presencial são tecidas, diminuindo a comunicação com pais e professores. Eles vão se tornando mais independentes e passam a acessar as redes via celular e computador pessoal, entrando aos poucos na lógica do multiacesso e da mobilidade e publicando conteúdos próprios com maior frequência. Apesar da forte participação nas redes, os jovens tendem mais a reproduzir e compartilhar conteúdos de terceiros do que a produzir seus próprios. A produção de vídeos e áudios não é prioritária para eles, que postam mais conteúdos na forma de mensagens textuais e fotográficas.

Diante de tal cenário, recomendamos às escolas que ampliem suas políticas de uso de redes sociais na internet, especialmente em relação ao incentivo para a produção autoral dos alunos (produção fotográfica, de áudio e de vídeo) e ao aprofundamento de conteúdos que podem ser pesquisados, postados e debatidos nas redes e comunidades criadas nesses espaços de socialização.

A pesquisa já demonstrou que notícias e atualidades são compartilhadas e pautam os interesses dos jovens nas redes sociais, de modo que cabe à escola utilizar mais esse recurso em suas atividades, aproximando-se do cotidiano dos jovens, sem que para isso perca suas funções primordiais como instituição. Sabemos que fenômenos como as redes sociais surgem e se alastram rapidamente e grande parte desses jovens ingressou nelas em um curto período de três anos, sendo necessário que escolas, pais e professores conheçam o que seus filhos fazem nas redes, mas, sobretudo, se familiarizem, utilizando-as em seu cotidiano, pois, nesses novos espaços, é que a subjetividade e a sociabilidade de seus alunos/filhos estão sendo construídas, cada vez mais cedo.

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*O artigo foi apresentado oralmente no Eixo 1: Educação e Processos de Aprendizagem e Cognição do VII Simpósio Nacional da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura, realizado na Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), em Curitiba, no período de 20 a 22 de novembro de 2013

1No Brasil, em 2004 surgiu o site de rede social Orkut, que rapidamente teve adesão de milhões de brasileiros. No ano de 2011 houve a virada no acesso para o site Facebook, tendo o Orkut uma queda de participação de 45% para apenas 12% em 2012 (Goes, 2012). O Facebook é uma rede social cujo foco é a linha de publicação do indivíduo (timeline) em comparação ao aspecto comunitário, ponto mais evidente na série de comunidades criadas no Orkut, em que interesses e gostos pessoais eram expressos, comentados e compartilhados.

2O conceito de web 2.0 foi discutido por O´Reilly em seu pioneiro artigo no ano de 2005. A internet como centro para oferecimento de serviços on-line, acessíveis em qualquer plataforma ou computador, sem necessidade de instalação local, assim como para produção de conteúdos pelos próprios usuários, com ou sem parceria de outros, caracterizam esta nova fase da internet, em que pequenos e grandes produtores de mídia convivem simultaneamente. Empresas que priorizaram a formação de bases de dados para hospedar conteúdos de autores pequenos e anônimos, incentivando sua participação, obtiveram grandes resultados financeiros e de repercussão entre internautas nesta primeira década do século 21.

3Shirky (2012) chama atenção para a drástica queda no custo de criação de grupos e ingresso em outros já existentes, custo aqui entendido como tempo, deslocamento, criação de infraestrutura para sua existência e manutenção. Com as redes sociais, um espaço de fácil filiação e manutenção foi criado para que as pessoas se associem e possam cumprir inúmeros tipos de tarefas coletivamente.

4Não serão privilegiados aqui percentuais obtidos na pesquisa, mas as conclusões retiradas dos dados com base na apreensão destes, que serão expostos em detalhes, quando pertinente. Após serem digitados de acordo com os questionários impressos preenchidos tanto no Brasil quanto em Portugal, todos os dados foram tratados em SPSS.

5Para distinguir as estatísticas provenientes das pesquisas feitas no Brasil e em Portugal, para cada percentual ou número resultante dos dados analisados serão utilizadas as abreviaturas "br" para Brasil e "pt" para Portugal.

6Muitas dessas ideias foram apresentadas no artigo de Rosado e Martins (2013) que classificou as visões dos pais em dois extremos, um positivo e um negativo, dicotomia próxima daquela expressa pela grande mídia em jornais e revistas e pela própria academia, tal como aponta Breton (2000). Entre elas, estão as ideias de medo, preocupação, proibição, orientação, controle e vigilância categorizadas com base em respostas abertas de 90 pais de alunos a respeito das redes sociais, com ou sem perfil nestas. A maioria das visões negativas expressas veio daqueles que nunca as utilizaram em seu cotidiano (28% do total). Conclui-se que, com o passar do tempo e com a maior imersão e inserção efetiva em tais ambientes on-line, essas visões tendem a se ajustar melhor às vivências cotidianas, incluindo os momentos de entretenimento e lazer.

Received: February 02, 2014; Accepted: July 30, 2014

*Autor para correspondência: alexandre.rosado@globo.com, vitor@rvj.pt

Luiz Alexandre da Silva Rosado, doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), é professor adjunto do Departamento de Ensino Superior do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) e da Pós-Graduação em Educação com Aplicação de Informática na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Integra o Diretório de Pesquisas Jovens em Rede (JER) na PUC-Rio, Rio de Janeiro, Brasil.

Vitor Manuel Nabais Tomé, doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Lisboa, é pesquisador do Centro de Investigação em Artes e Comunicação da Universidade do Algarve, Campus das Gambelas, Faro, Portugal.

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