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Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos

Print version ISSN 0034-7183On-line version ISSN 2176-6681

Rev. Bras. Estud. Pedagog. vol.97 no.246 Brasília May/Aug. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/S2176-6681/279534061 

EDITORIAL

EDITORIAL

Ana Maria de Oliveira Galvão

Ana Maria Iório Dias

Flávia Obino Corrêa Werle

Guilherme Veiga Rios

Maria Clara Di Pierro

Rogério Diniz Junqueira

Wivian Weller

Em 2016, a Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (RBEP) completa 72 anos de contribuição para a divulgação de debates, ensaios e pesquisas em educação e áreas afins. Neste número, publicamos onze artigos, um relato de experiência e uma resenha, em que diferentes temas são abordados, demonstrando a amplitude do escopo deste periódico e o cenário complexo e polifônico da produção científica da área de educação.

Os artigos que compõem a seção "Estudos" tematizam teorias antropológicas, relações escola e comunidade, profissionalização do educador, novas tecnologias, metodologias de ensino e educação inclusiva.

Os dois textos iniciais são contribuições de pesquisadores estrangeiros. O primeiro, Antropologia: um desafio para a educação e o desenvolvimento humano, de cunho mais teórico, focaliza a antropologia e suas articulações, analisando a multidimensionalidade das questões e as exigências de transdisciplinaridade e transculturalidade que transversalizam o campo em antropologia. O segundo artigo, Familia y escuela: crisis de participación en contextos de vulnerabilidad, problematiza os níveis de participação de pais e responsáveis em escolas de educação básica, abordando as necessidades de intervenção socioeducativa em perspectivas adequadas de forma a responder a linguagens, estilos e costumes dos grupos de pais e professores envolvidos.

A profissão docente e a formação do professor são temas abordados em três artigos. A profissão docente em análise no Brasil: uma revisão bibliográfica realiza uma revisão teórica sobre profissão, estatização da docência, demanda por conhecimentos profissionais, desvalorização social, retração salarial, precariedade da formação e carreira. O artigo Narrativas de vida de instrutores da educação profissional como possibilidade de estudos no campo das representações sociais apresenta pesquisa feita com instrutores da educação profissional demonstrando que, para eles, a docência perde em centralidade para a área profissional técnica específica em que atuam. A pesquisa valoriza as narrativas autobiográficas, discute as representações sociais e analisa as cenas do cotidiano de trabalho construídas pelos entrevistados. Mediações em leitura: encontros na sala de aula trata da formação inicial e da importância do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), evidenciando o esforço de qualificação de futuros professores de língua e literatura para serem mediadores em leitura.

Dois artigos discutem propostas relacionadas ao ensino. Em Divulgação científica sobre prática de laboratório: análise da inserção ciência, tecnologia e sociedade (CTS) em textos produzidos por estudantes de Ciências Biológicas, analisam-se as relações entre ciência, tecnologia e sociedade, tendo por base empírica textos de divulgação científica produzidos por estudantes do curso de Ciências Biológicas, destacando a prevalência de conteúdos científicos e a restrita discussão de questões sociais, históricas e éticas sobre conhecimento científico-tecnológico. O outro artigo, Aprendizagem matemática no contexto educacional ribeirinho: a análise de registros de representação semiótica em atividade de modelagem matemática, valoriza e relaciona condições locais - manejo sustentável do açaí predominante na região - às dificuldades na aprendizagem da matemática - função polinomial do 1º grau.

São também abordados temas relacionados às tecnologias da informação e comunicação (TIC) e à inclusão social. O uso do celular por estudantes na escola: motivos e desdobramentos problematiza questões sociais e culturais relativas à cibercultura dos jovens e repercussões das novas tecnologias de comunicação no contexto escolar. Trata de dispositivos móveis e acesso a redes sociais, discutindo os motivos de uso de aparelhos celulares por estudantes no ambiente escolar. Neste caso, a própria metodologia empregada privilegiou as novas tecnologias - a coleta de dados ocorreu pelo Twitter e por entrevistas on-line.

Quanto à inclusão social, dois textos focalizam tal temática. A construção do projeto bilíngue para surdos no Instituto Nacional de Educação de Surdos na década de 1990 analisa, na perspectiva de um modelo socioantropológico de educação de surdos, as redes de poder e a construção do projeto bilíngue no Instituto Nacional de Educação de Surdos. O artigo - Narrativas autobiográficas de sujeitos surdos ou com deficiência visual: análise de identidades e de representações - contribui para a discussão desencadeada neste número acerca da problemática relacionada à inclusão de pessoas com deficiência e o direito à diferença, mediante a exposição de pesquisa que decorre de narrativas autobiográficas, indagando sobre processos identitários e representações de pessoas surdas e de pessoas com deficiência visual.

Finaliza a seção "Estudos" a pesquisa bibliográfica, que enfoca o Poema pedagógico de Makarenko, identificando que, para esse autor, o coletivo é uma construção realizada na convivência diária entre educandos e educadores.

Na seção "Relatos de Experiência", é apresentado um estudo de caso que problematiza a diversificação de metodologias de ensino em cursos de licenciatura em Ciências Biológicas e constata a grande valorização de metodologias tradicionais pelos estudantes.

O número 246 termina com uma resenha do livro de Edgar Morin, publicado em 2015 - Ensinar a viver: manifesto para mudar a educação -, obra centrada em questões como: Qual deve ser a razão da escola? Qual o sentido do ato de educar?

Os trabalhos apresentados apontam para a diversidade temática e metodológica da área de educação. Esperamos que as discussões aqui apresentadas - da contribuição da antropologia para a educação; da escola e as possibilidades de transformá-la em espaço de convivência e aprendizagem com a diversidade; do uso de novas tecnologias; da problemática de formação, carreira, profissão docente e propostas de formação inicial de professores; assim como de novas metodologias de ensino em licenciaturas de matemática e ciências biológicas; do uso das tecnologias de informação e comunicação e repercussões na escola; da educação de pessoas surdas em contextos escolares inclusivos e bilíngues - inspirem-nos em direção ao aprofundamento da reflexão, ao avanço teórico e à ação na educação.

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