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Dental Press Journal of Orthodontics

versão On-line ISSN 2176-9451

Dental Press J. Orthod. vol.16 no.2 Maringá abr. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S2176-94512011000200001 

EDITORIAL

 

O Brasil se tornará, em 2015, o principal produtor de conhecimento em Odontologia no mundo

 

 

Analistas econômicos, técnicos do Banco Mundial e acadêmicos do meio concordam que o Brasil deverá assumir a posição de 5ª economia do mundo em um prazo relativamente curto. Aqueles afeitos à ciência podem até se espantar com o crescimento econômico, mas não com a forma de se averiguar e projetar essa posição do país. Modelos estatísticos de "regressão", que no vernáculo da área é sinônimo de "previsão", são utilizados para esse fim. As séries históricas são analisadas e cenários futuros são estimados.

Em verdade, essa é uma ferramenta recorrente em diferentes estudos publicados nas páginas do DPJO. Em ciência, é fundamental em certos casos analisar dados para desenvolver modelos preditivos. Esses modelos são utilizados como parâmetro para prever resultados, classificar casos e entender a dificuldade de certos tratamentos.

As estatísticas também são utilizadas para avaliar a quantidade e a qualidade da produção científica dos países e especialidades. Um dos bancos de dados disponíveis para consulta com esse fim é o da SCOPUS1 e, recentemente, fiz uma análise das informações disponibilizadas por ele. Esse exercício incluiu avaliar as estatísticas descritivas da produção científica dos principais países produtores de conhecimento na Odontologia. Avaliei duas vertentes: a produção de todas as áreas e a da Ortodontia isoladamente.

Em 1996, primeiro ano constante nessa base de dados, o Brasil estava em 17º lugar no ranking de número de artigos produzidos em Odontologia. Todavia, quando avaliamos a produção total entre 1996 e 2009, saltamos para o 4º lugar. O ano de 2009 é o mais recente da lista da SCOPUS. Entretanto, o mais interessante é o que ocorre quando detalhamos um pouco mais essa pesquisa. Se apenas o ano de 2009 é submetido à análise, nosso país se encontra em 2º lugar no número de artigos produzidos, atrás apenas dos EUA.

Quando avaliamos a especialidade de Ortodontia de maneira isolada, os dados ficam ainda mais motivantes. Ao longo de todo o período de 1996-2009, nosso país se encontra em 2º lugar no ranking de publicações na área. Mas quando apenas os anos de 2008 e 2009 são analisados, estamos - pasmem - em 1º lugar no número de artigos, e com um fator H mais alto do que o norte-americano (o fator H mede a quantidade ponderada pela qualidade dos trabalhos, sendo que essa é aferida pelo número de citações).

O fato de sermos o primeiro país do mundo em publicações na área ortodôntica não é tudo. A matriz de dados não incorpora o Dental Press Journal of Orthodontics publicado em inglês. Ou seja, nosso número de citações aumentará exponencialmente num futuro próximo. O jornal, quando ainda publicado com o nome Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial, teve um crescimento vertiginoso no período recente, como pode ser testemunhado no site da SCOPUS. Em certas configurações de busca, nosso jornal se encontra em 3º lugar no cenário internacional. Mas isso é parte - apenas - do começo.

Impressionado com o crescimento da publicação brasileira na Odontologia, fiquei intrigado em relação ao cenário futuro. Mantidas as atuais taxas de expansão de publicação dos países, como estaremos em 5 anos? Para entender o cenário futuro, busquei o número de artigos publicados pelas principais nações ao longo de uma década, e realizei modelos de regressão linear - leia-se "previsão" - para projetar o ranking delas em 2016. A Figura 1 engloba todos os países analisados e tem, na área em amarelo, o futuro. O Brasil se tornará, em 2015, o principal produtor de conhecimento em Odontologia no mundo, ultrapassando os EUA. Observe nossa curva de ascensão.

 

 

A mudança de polaridade científica terá uma forte repercussão em nosso país. Nossas escolas terão que se adaptar para receber o estudante estrangeiro falante da língua inglesa. Não se espantem. Americanos e europeus se tornarão frequentadores assíduos de nossas universidades, invertendo a rota migratória estabelecida no século vinte. E essa cooperação será muito benéfica para todos.

Coordenadores de cursos no Brasil, preparem-se para esse cenário. Vocês receberão esses estudantes e desempenharão, frequentemente, o papel de líderes de grupos de pesquisa internacionais.

 

Boa leitura.

 

Jorge Faber
Editor-chefe
faber@dentalpress.com.br