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Jornal da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

versión On-line ISSN 2179-6491

J. Soc. Bras. Fonoaudiol. vol.23 no.4 São Paulo dic. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S2179-64912011000400001 

Editorial

 

 

É com grande satisfação que apresentamos o último número de JSBFa de 2011, completando o primeiro ano de publicação deste periódico sob a responsabilidade da SBFa. O desafio foi grande, mas a satisfação compensou toda a dedicação. A equipe envolvida nos trabalhos sente-se recompensada e agradece, de modo especial, os autores que confiaram em nossa competência para efetuar, com sucesso, essa transição.

Esse fascículo, dedicado aos diversos aspectos de avaliação em Fonoaudiologia, apresenta 17 contribuições, sendo 12 artigos originais de diversas especialidades, dois estudos de caso, sendo um sobre Processamento Auditivo e outro sobre Disfagia e Acidente Vascular Cerebral, um artigo sobre Fonoaudiologia Baseada em Evidência, analisando a produção fonoaudiológica sobre voz no canto popular, e uma Comunicação Breve que apresenta a equivalência cultural da versão brasileira da Voice Symptom Scale - VoiSS. Esse fascículo conta também com um Artigo Especial sobre redação e qualidade da escrita científica, de Cáceres, Gândara e Puglisi, que seguramente será de grande valia aos leitores e aos jovens autores por apresentar um roteiro para elaborar racionalmente um artigo científico.

A área de voz conta com o artigo original de Rechenberg, Goulart e Roithmann, que apresenta um estudo analítico sobre o impacto da atividade laboral de teleatendimento em sintomas e queixas vocais, mapeando o risco de problemas de voz nesses profissionais, assim como a sua possibilidade de eles impactarem negativamente e de modo significativo o desempenho desses indivíduos em seu trabalho. A outra contribuição da área de voz é a Comunicação Breve de Moreti, Zambon, Oliveira e Behlau, que oferece a equivalência cultural da versão brasileira da Voice Symptom Scale - VoiSS, denominada pelos autores ESV, uma publicação importante por liberar a utilização deste protocolo, considerado particularmente robusto para a avaliação do impacto de uma disfonia.

A área de motricidade orofacial está presente com três artigos, sendo dois mais relacionados a aspectos anatômicos e funcionais dos órgãos fonoarticulatórios e um terceiro que estuda a associação de alterações de fala com distúrbios da motricidade orofacial e do processamento auditivo. O artigo de Berwig, Silva, Corrêa, Moraes, Montenegro e Ritzel comparou as dimensões do palato duro de respiradores nasais e orais por diferentes etiologias e concluiu que os respiradores orais apresentam o palato duro mais estreitado e mais profundo, ressaltando ainda que os de etiologia viciosa apresentam maior profundidade dessa estrutura na altura dos dentes caninos, quando comparados aos respiradores orais por etiologia obstrutiva. O segundo artigo desta especialidade, de Bolzan, Souza, Boton, Silva e Corrêa, analisou o tipo facial e a postura de cabeça de crianças respiradoras nasais e orais e concluiu que o tipo braquifacial favorece o modo respiratório nasal; além disso, o estudo verificou que a postura da cabeça não é influenciada nem pelo modo respiratório nem pela etiologia da respiração oral. O terceiro estudo, de Rabelo, Alves, Goulart, Friche, Lemos, Campos e Friche descreveu as alterações de fala em escolares de primeira a quarta série e identificou elevada ocorrência dessas alterações associadas a outros distúrbios, como problemas de motricidade orofacial e/ou do processamento auditivo, o que reforça a importância da necessidade de diagnóstico e intervenção precoces.

As áreas de linguagem e de audiologia contribuem, cada uma, com quatro artigos. O primeiro artigo de linguagem, de Oliveira e Limongi, estudou a qualidade de vida de pais/cuidadores de crianças e adolescentes com síndrome de Down, por meio do questionário WHOCQOL-bref, e concluiu que o domínio Meio Ambiente e as variáveis sócio-demográficas "grau de instrução" e "nível socioeconômico" são os aspectos que influenciam a percepção da qualidade de vida. O segundo artigo de linguagem é de Lamônica, Maximino, Silva, Yacubian-Fernandes e Crenitte e analisou o desempenho de indivíduos com mielomeningocele no que diz respeito às habilidades psicolinguísticas e escolares, concluindo que as principais alterações estão nas tarefas de velocidade de leitura e nomeação automática rápida. O terceiro artigo de linguagem tem a autoria de Nascimento, Carvalho, Kida e Ávila e estudou a fluência e compreensão leitora em escolares com dificuldades de leitura, concluindo que estes dois aspectos correlacionam-se e que as alterações da decodificação influenciam a compreensão leitora, a qual não melhora com a escolaridade. O terceiro artigo, de Okuda, Pinheiro, Germano, Padula, Lourencetti, Santos e Capellini, caracterizou e comparou as funções motoras fina, sensorial e perceptiva de escolares com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade e concluiu que os escolares com TDAH apresentam rendimento inferior nas funções pesquisadas, o que pode causar impacto significativo sobre o desempenho acadêmico, uma vez que compromete o desenvolvimento da linguagem escrita, ocasionando disgrafia nesses escolares.

O primeiro artigo da área de audição, de Didoné, Kunst, Weich, Tochetto e Mota, estudou a presença de alterações no sistema olivococlear medial em crianças com desvio fonológico e não identificou alterações à avaliação das emissões otoacústicas evocadas transientes (EOAET). O segundo artigo, de Marculino, Rabelo e Schochat, teve como objetivo estabelecer os critérios de normalidade para o teste Gaps-in-Noise (GIN) em crianças de nove anos de idade e apresentou os valores normativos para as orelhas direita e esquerda. O terceiro estudo, de Souza, Osborn, Gil, Iório, ofereceu a tradução e adaptação do questionário ABEL - Auditory Behavior in Everyday Life para o Português Brasileiro, mostrando a coerência entre a versão original e a produzida, o que permite o uso desse instrumento, para detalhar o desenvolvimento dos comportamentos auditivos de crianças brasileiras usuárias de AASI. O último artigo original da área de audição é a apresentação dos resultados de uma triagem auditiva neonatal em recém-nascidos de mães soropositivas para o HIV de Manfredi, Zuanetti, Mishima e Granzotti, que concluiu não haver associação entre ausência de emissões otoacústicas evocadas por transiente e a exposição do neonato ao HIV durante a gestação. Além desses quatro artigos originais, a área de audição está representada por um estudo de caso, de Salvador, Pereira, Moraes, Cruz e Feniman, sobre a não existência de alteração no processamento auditivo de perda auditiva unilateral em um adolescente de 17 anos de idade, exceto no que se refere à localização da fonte sonora. O segundo estudo de caso apresentado neste fascículo, de Itaquy, Favero, Ribeiro, Barea, Almeida e Mancopes, analisou a ocorrência de disfagia após Acidente Vascular Cerebral Isquêmico agudo, durante as 48 horas de aparecimento dos sintomas e confirmou uma relação entre gravidade do paciente neurológico e a manifestação da disfagia.

A contribuição para a seção Fonoaudiologia Baseada em Evidência é de Drumond, Vieira e Oliveira e apresentou uma revisão bibliográfica sobre a produção científica brasileira da Fonoaudiologia na última década referente à voz no canto popular e concluiu que o número de estudos é ainda restrito quando comparado à diversidade de gêneros musicais e à singularidade do cantor popular.

Aproveitamos esse editorial para dizer que traçamos uma estratégia editorial agressiva para o ano de 2012, a fim de melhorar a visibilidade de nossa produção científica e o fator de impacto do JSBFa. Algumas das principais ações envolvem investimentos na melhoria da qualidade do trabalho dos revisores nacionais, aumento do corpo de pareceristas internacionais, garantia da pontualidade e redução do tempo do processo de avaliação, busca de uma representatividade nacional na origem dos artigos e uma editoração profissional que nos ajude a melhorar a revisão, normalização e tradução dos artigos. Queremos que nossa ciência ocupe o lugar que ela merece e contamos com sua contribuição.

Que 2012 seja um ano de grandes progressos científicos para a Fonoaudiologia!

 

Mara Behlau
Editora científica do JSBFa