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Jornal da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

versão On-line ISSN 2179-6491

J. Soc. Bras. Fonoaudiol. vol.24 no.2 São Paulo  2012

http://dx.doi.org/10.1590/S2179-64912012000200001 

Editorial

 

 

O segundo fascículo do JSBFa, ano de 2012, apresenta uma série de artigos sobre avaliação, com diversos focos de análise. Essa variedade inclui não somente as diversas áreas de especialização fonoaudiológica, mas conta também com a colaboração de autores de outras formações acadêmicas, como médicos e dentistas.

O presente fascículo conta com 13 artigos originais, um artigo sobre Prática Baseada em Evidências, um relato de caso e uma comunicação breve. Dos 13 artigos originais, dois são da área de voz, sendo um deles um artigo estrangeiro, quatro da área de motricidade orofacial, quatro da área de linguagem, sendo um deles sobre fluência da fala, e três da área de audiologia.

O primeiro artigo da área de voz, uma contribuição de Maryn e Roy, dois destacados colegas dos Países Baixos e dos Estados Unidos, estudou a influência das tarefas de voz e fala sobre a avaliação perceptivo-auditiva, submetendo amostras de 39 sujeitos a cinco avaliadores experientes. O estudo concluiu que as vogais sustentadas são avaliadas como mais desviadas em relação às amostras de fala encadeada e desta forma ambas as tarefas devem ser usadas na avaliação clínica.

O segundo artigo, de Ugulino, Oliveira e Behlau, analisou a relação entre a avaliação do fonoaudiólogo e a autoavaliação vocal e o impacto da disfonia na qualidade de vida de 96 indivíduos, sendo 48 com queixa e alteração vocal e 48 com voz saudável, e concluiu que a percepção do clínico corresponde de forma indireta à percepção que o indivíduo tem da sua qualidade vocal e do impacto da alteração de voz na sua qualidade de vida, devendo ser usadas de forma complementar.

O primeiro artigo da área de motricidade orofacial, de Castro,Toro, Sakano e Ribeiro, avaliou as funções orofaciais de mastigação, deglutição e fala em 27 crianças asmáticas e 27 saudáveis e concluiu que crianças asmáticas apresentam padrões alterados de mastigação, deglutição e fala.

O segundo artigo da área de motricidade orofacial, de Machado Júnior e Crespo, é um estudo radiográfico com o objetivo de avaliar a postura craniana de 110 sujeitos, sendo 55 crianças com deglutição atípica em dentição mista 55 crianças com deglutição normal, e concluiu que os ângulos entre processo odontoide e base do crânio e processo odontoide e plano de Frankfurt estão aumentados no grupo com deglutição atípica.

O terceiro artigo da área de motricidade orofacial, de Picinato-Pirola, Mello-Filho e Trawitzki, verificou se o número de golpes e o tempo mastigatório são influenciados pela presença de uma deformidade dentofacial, na mastigação habitual livre de 15 pacientes com classe II, 15 com classe III e 15 de um grupo controle; os autores concluíram que, apesar de os indivíduos de classe III serem bastante heterogêneos nos aspecto pesquisados, não houve influência das deformidades dento-faciais no número de golpes mastigatórios e no tempo da mastigação.

O último artigo da área de motricidade orofacial, de Weber, Côrrea, Ferreira, Soares, Bolzan e Silva, investigou a frequência de sinais e sintomas de disfunção da coluna cervical em 34 mulheres com e 37 sem disfunção temporomandibular e concluíram que não houve diferença na postura craniocervical entre os grupos e que a coexistência de sinais e sintomas comuns parece estar mais relacionada à inervação compartilhada do que à alteração postural propriamente dita.

O primeiro artigo da área de linguagem, de Cardoso, Rocha, Moreira e Pinto, estudou a relação entre o desempenho sócio-cognitivo e diferentes situações comunicativas em 30 de crianças com diagnósticos distintos (dez crianças com diagnóstico inserido nos distúrbios do espectro do autismo, dez crianças com deficiência mental e dez crianças deficiência auditiva), e concluiu que o desempenho sócio-cognitivo pode ser utilizado como instrumento auxiliar no planejamento terapêutico, facilitando a identificação de variáveis que possam interferir no desempenho comunicativo.

O segundo artigo da área de linguagem, de Bragatto, Osborn, Yaruss, Quesal, Schiefer e Chiari, apresenta a versão brasileira do protocolo Overall Assessment of the Speaker's Experience of Stuttering - Adults (OASES-A), após aplicação em 18 gagos. O estudo confirmou que o instrumento é útil para avaliar e tratar pessoas que gaguejam, pois fornece subsídios ao profissional fonoaudiólogo especializado, da autopercepção destas pessoas sobre as dificuldades na comunicação e o impacto da gagueira sobre a qualidade de vida.

O terceiro artigo da área de linguagem, de Gonzalez, Cáceres, Bento-Gaz e Befi-Lopes, estudou o uso de conjunções em narrativas e investigou a influência da complexidade dos estímulos em 20 indivíduos com distúrbio específico de linguagem e 20 com desenvolvimento típico. O estudo concluiu que ambos os grupos apresentaram maior uso de conjunções coordenativas do que subordinativas, porém, sujeitos em desenvolvimento normal apresentam maior número de conjunções.

O quarto artigo de linguagem, de Brancalioni, Bertagnolli, Bonini, Gubiani e Keske-Soares, analisou a relação entre a discriminação auditiva e o desvio fonológico em 82 crianças com comprometimento de linguagem e confirmou que as dificuldades na discriminação auditiva tiveram menor ocorrência em sujeitos mais velhos e foi mais comprometida de acordo com a gravidade do desvio fonológico.

O primeiro estudo da área de audiologia, uma análise multicêntrica de Angrisani, Azevedo, Carvallo, Diniz e Matas, caracterizou as respostas do Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico de 47 recém-nascidos pequenos e 39 adequados para idade gestacional, e concluiu que ambas crianças nascidas com peso adequado ou pequenas para a idade gestacional podem apresentar alterações auditivas de caráter central, transitórias ou permanentes, independente da presença ou ausência de indicadores de risco auditivo.

O segundo estudo da área de audiologia, de Sousa, Dias e Pereira, avaliou a habilidade auditiva de resolução temporal e comparou as versões do teste de detecção de intervalos aleatórios com estímulos do tipo tom puro e clique em 40 indivíduos jovens com limiares auditivos normais e concluíram que não há diferença no desempenho dos indivíduos para a habilidade auditiva de resolução temporal, independente do estímulo auditivo utilizado.

O terceiro artigo da área de audiologia, de Bazilio, Frota, Chrisman, Meyer, Asmus e Camara, investigou as habilidades auditivas de ordenação e resolução temporal em 33 trabalhadores rurais expostos ocupacionalmente a agrotóxicos, e correlacionou estes resultados com o grau de exposição a estas substâncias, concluindo que há relação entre exposição a agrotóxico e pior desempenho nos testes de processamento auditivo temporal, sugerindo que essa substância é nociva às vias auditivas centrais.

O excelente estudo de caso de Costa, Martinho-Carvalho, Cunha e Lewis investigou as habilidades auditivas e comunicativas de dois irmãos diagnosticados com Espectro da Neuropatia Auditiva, por mutação no gene Otoferlin, concluindo que a aquisição dessas habilidades envolve fatores subjetivos, que devem ser investigados a partir da singularidade de cada caso.

O artigo de Fonoaudiologia Baseada em Evidência, de Araújo, Zucki, Corteletti, Lopes, Feniman e Alvarenga, sobre alteração auditiva e síndrome da imunodeficiência adquirida, investigou a ocorrência de perda auditiva em indivíduos com HIV/AIDS e sua caracterização quanto ao tipo e grau e concluiu que os pacientes portadores de HIV/AIDS podem apresentar perda auditiva de tipo, grau e etiologias variáveis.

A comunicação breve deste fascículo, de Jacinto, Ribeiro, Soares e Cárnio, verificou a interferência de estímulos visuais na escrita de surdos sinalizadores sem queixas de leitura e escrita, concluindo que os diferentes estímulos visuais não interferem na produção textual dos sujeitos.

Aproveito essa oportunidade para lamentar o fato de que, apesar de todos os esforços despendidos pelos grupos de pesquisa brasileiros, do apoio de colegas internacionais e da certeza de que produzimos pesquisa de qualidade e oferecemos um panorama amplo e único sobre a área de distúrbios, ciências e reabilitação da comunicação humana, estamos sofrendo por não obter uma visibilidade internacional adequada para os periódicos da SBFa.

Cordialmente,

 

Mara Behlau

Editora científica do JSBFa

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