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Jornal da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

versão On-line ISSN 2179-6491

J. Soc. Bras. Fonoaudiol. vol.24 no.2 São Paulo  2012

http://dx.doi.org/10.1590/S2179-64912012000200007 

ARTIGO ORIGINAL

 

Tempo e golpes mastigatórios nas diferentes deformidades dentofaciais

 

 

Melissa Nara de Carvalho Picinato-PirolaI; Francisco Veríssimo de Mello-FilhoII; Luciana Vitaliano Voi TrawitzkiII

IPrograma de Pós-Graduação (Doutorado) em Ciências Médicas, Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo -USP - São Paulo (SP), Brasil
IIDepartamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo -USP - São Paulo (SP), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Verificar se o número de golpes e o tempo mastigatório são influenciados pela deformidade dentofacial, na mastigação habitual livre.
MÉTODOS: Participaram 15 pacientes com deformidade dentofacial classe II (GII), 15 com classe III (GIII) e 15 indivíduos sem a deformidade (GC). Foi analisada a mastigação habitual livre de um biscoito de maisena, considerando o tempo e o número de golpes mastigatórios apresentados durante duas mastigações. A contagem dos golpes foi feita considerando os movimentos mandibulares de abertura e fechamento da mandíbula. O tempo para o consumo de cada mordida do alimento foi investigado por meio de um cronômetro digital, acionado após a colocação do alimento na cavidade oral e paralisado no momento da deglutição final de cada porção.
RESULTADOS: Não houve diferenças entre os grupos, tanto para a variável referente ao número de golpes, quanto para a relacionada ao tempo. Entretanto, quanto ao número de golpes, observou-se que os grupos GC e GII apresentaram uma concordância significativa entre a primeira e a segunda situação de mastigação, o que não ocorreu com o GIII. Na análise do tempo, houve uma concordância significativa no GC entre a primeira e a segunda situação de mastigação; o GII apresentou uma concordância razoável entre as duas situações de mastigação e o GIII apresentou discordância entre as duas mastigações.
CONCLUSÃO: As deformidades dentofaciais não influenciam no número de golpes mastigatórios e no tempo da mastigação. Entretanto, os indivíduos classe III não apresentam uma uniformidade nesses aspectos.

Descritores: Mastigação; Má oclusão; Estudos de tempo e movimento; Anormalidades maxilofaciais; Anormalidades do sistema estomatognático


 

 

INTRODUÇÃO

A mastigação é uma das principais funções do sistema estomatognático, uma vez que representa a fase inicial do processo digestivo, sendo a fase preparatória para a deglutição(1,2). A função mastigatória é influenciada por diversos fatores, tais como: consistência do alimento, fluxo de saliva, força de mordida, severidade da maloclusão, ausências dentárias e estado de saúde das estruturas orofaciais e da articulação temporomandibular(2-5).

O número de golpes mastigatórios ocorridos até o início da deglutição dependerá do volume do alimento ingerido, de suas características, das condições neuromusculares, do padrão de crescimento facial, da necessidade de se apressar durante as refeições(2) e da personalidade do indivíduo(6). Estudos evidenciaram que não há relação entre a performance mastigatória e o número de golpes mastigatórios(6,7).

As deformidades dentofaciais são consideradas problemas graves de maloclusões que requerem tratamentos associados de cirurgia, ortodontia e terapia miofuncional orofacial(8). A procura pelo tratamento geralmente está relacionada às queixas estéticas e funcionais, sendo a mastigação uma das principais(9,10).

As relações esqueléticas desfavoráveis nos indivíduos com deformidades dentofaciais e o comprometimento da oclusão levam a um prejuízo na mastigação(1,11). Assim, o propósito do presente estudo foi verificar se o número de golpes e o tempo mastigatório são influenciados pela deformidade dentofacial na mastigação habitual livre e se há uniformidade nessas variáveis em duas situações de mastigação. Adotou-se como hipótese uma possível diferença entre os grupos com deformidade dentofacial e o grupo controle.

 

MÉTODOS

O presente estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP), sob o número 11463/2006. Todos os indivíduos assinaram o "Termo de Consentimento Livre Esclarecido" (TCLE).

Participaram 45 indivíduos adultos, com idades entre 18 e 35 anos de idade. Dos participantes, 15 possuíam o diagnóstico de deformidade dentofacial classe II (GII), sendo seis homens e nove mulheres, com média de idade de 24 anos, e 15 apresentavam diagnóstico de classe III (GIII), sendo oito homens e sete mulheres, com média de idade de 25 anos. Todos eram pacientes do Ambulatório de Cirurgia Craniomaxilofacial do HCFMRP-USP, com indicação para cirurgia ortognática, e formaram o grupo com deformidade (GD). O diagnóstico dentofacial foi realizado pela equipe de ortodontia por meio da avaliação clínica, análise dos modelos de gesso, análises fotográficas e cefalométricas.

Também participaram 15 indivíduos sem a deformidade dentofacial, sendo quatro homens e 11 mulheres, com média de idade de 23 anos, portadores de dentição natural, sem alterações na morfologia da face ou na oclusão dentária, sem ausências dentárias, e sem sinais ou sintomas de disfunção na articulação temporomandibular (ATM), que formaram o grupo controle (GC). Os participantes foram avaliados clinicamente pela equipe de ortodontia do serviço.

Como critério de inclusão, para formar o GD, foram selecionados indivíduos com presença de deformidade dentofacial classe II (GII) e classe III (GIII), sendo que todos deveriam ter indicação para correção cirúrgica da deformidade, independentemente de alterações oclusais e esqueléticas. Todos os pacientes deveriam estar em tratamento ortodôntico com aparelho fixo nos dentes superiores e inferiores, independentemente da fase do tratamento. Além disso, os pacientes não poderiam apresentar mais de uma ausência dentária em cada um dos lados da arcada, com ou sem o espaço interdental, devido à extração do dente para fins do tratamento ortodôntico, odontológico ou por perdas precoces. Foram excluídos do estudo indivíduos portadores de distúrbios neurológicos centrais ou periféricos, que tivessem sofrido traumas e/ou tumores na região de cabeça e pescoço e que utilizavam próteses dentárias totais ou parciais.

Procedimentos

Para a avaliação, foi solicitada a mastigação habitual livre (sem interferência do examinador), fornecendo a cada voluntário, um biscoito de maisena (Maizena, Marilan®, Marília, São Paulo, Brasil). Os indivíduos foram avaliados na posição sentada e foram filmados com o auxílio de uma câmera (Handycam-zoom, Sony®, Manaus, Amazonas, Brasil) instalada à sua frente sobre um tripé, sempre com distância aproximada de 1 m e 50 cm. As imagens foram analisadas por um único examinador, considerando o número de golpes e o tempo mastigatório apresentado durante a mastigação habitual livre do primeiro e do segundo pedaço do biscoito (duas situações de mastigação).

A contagem dos golpes mastigatórios foi feita considerando os movimentos mandibulares de abertura e fechamento até ocorrer o contato dos dentes. O tempo para o consumo de cada mastigação do alimento foi investigado por meio de um cronômetro digital (Intermec, Everett®, Washington, USA). O cronômetro foi acionado após a colocação do alimento na cavidade oral e paralisado no momento da deglutição final de cada porção.

Para a análise estatística foi utilizado o software SAS 9.0 (Version 9, Cary®, NC, USA). O número de golpes mastigatórios foi comparado entre os grupos, considerando as duas situações de mastigação, por meio do modelo de Poisson com efeito aleatório(12). O tempo mastigatório foi comparado entre os grupos por meio do modelo de regressão linear com efeitos mistos (efeitos aleatórios e fixos)(13).

Para verificar as concordâncias das duas situações de mastigação em relação ao número de golpes e tempo, foi utilizado o coeficiente de correlação intraclasses (ICC), que mede o grau de concordância entre as medidas dentro de cada classe(14). Quanto mais próximo o coeficiente estiver de 1, maior será a concordância entre as medidas dentro de uma mesma classe.

 

RESULTADOS

Na comparação entre os grupos GC, GII e GIII quanto à mastigação, não houve diferença tanto para a variável referente ao número de golpes, quanto para a relacionada ao tempo. Foram obtidos os resultados dos números de golpes mastigatórios e do tempo, na primeira e na segunda mastigação, para os três grupos (Tabela 1).

No que se refere à comparação entre as duas situações de mastigação, observou-se que os grupos GC e GII apresentaram concordância significativa entre a primeira e a segunda quanto ao número de golpes. Já o grupo GIII apresentou discordância entre as duas situações de mastigação. Na análise quanto ao tempo, no GC houve concordância significativa entre a primeira e a segunda situação de mastigação. O grupo GII apresentou concordância razoável entre as duas situações de mastigação e o grupo GIII apresentou discordância entre os dois momentos (Tabela 2).

 

 

DISCUSSÃO

Vários estudos abordam a função mastigatória tanto em indivíduos normais quanto em indivíduos com deformidades dentofaciais, com várias metodologias(15-18). Entretanto, a literatura referente ao número de golpes mastigatórios e ao tempo de mastigação é escassa.

No presente estudo, quando a mastigação foi comparada entre os grupos GC, GII e GIII, verificou-se que o número de golpes e o tempo mastigatório foram semelhantes entre eles. Desta forma, sob uma perspectiva de análise perceptiva visual, não é possível afirmar que as deformidades dentofacias trazem prejuízos na mastigação quanto às variáveis referentes ao número de golpes e ao tempo mastigatório. Em um estudo anterior, os autores não encontraram diferenças quanto ao número de golpes na mastigação de amêndoas e carne seca, quando comparados os grupos com maloclusões classe I, classe II, classe III e indivíduos sem maloclusão. Os autores afirmaram, ainda, que as maloclusões afetam a capacidade de quebra do alimento, porém não influenciam no número de golpes mastigatórios necessários para deglutir amêndoas e carne seca(1).

Outro estudo mostrou que o tempo, a duração e a excursão mandibular durante a mastigação dos pacientes com deformidades dentofaciais não foram diferentes do grupo controle. Os autores utilizaram como metodologia a eletromiografia e as medidas do movimento mandibular por um sirognatógrafo, na mastigação de um alimento artificial (Gummi-Bears)(19). Tal estudo também não encontrou diferenças em relação aos golpes mastigatórios e ao tempo de mastigação, mesmo utilizando metodologia diferente da empregada no presente estudo.

Trabalhos mostraram que a eficiência mastigatória está prejudicada em indivíduos com deformidade dentofacial(15-17). Entretanto, um indivíduo com boa performance mastigatória não apresenta um menor número de golpes mastigatórios do que um indivíduo com performance prejudicada(20). No nosso estudo, os indivíduos do grupo controle também não apresentaram variações quanto ao número de golpes e tempo mastigatório quando comparados aos indivíduos com as deformidades dentofaciais classe II e III.

Outro aspecto investigado no presente estudo foi a uniformidade dos golpes e do tempo mastigatório entre duas situações de mastigação livre. Verificamos que os indivíduos que não apresentam deformidades, ou apresentam a deformidade classe II, conseguem manter um padrão mastigatório uniforme quanto ao número de golpes e tempo de mastigação, sendo que o mesmo não ocorre nos indivíduos com a deformidade classe III. Os indivíduos com a deformidade dentofacial classe III apresentaram uma maior discordância entre as duas situações de mastigação, o que evidencia que a mastigação nesses indivíduos não acontece de maneira uniforme.

Alguns estudos relataram que o processo mastigatório se adapta conforme a consistência alimentar(20-22). Com o mesmo tipo de alimento, o número de golpes mastigatórios necessários para prepará-lo para a deglutição se apresenta de forma constante(23). Nós utilizamos como instrumento de avaliação um único tipo de alimento, sendo observada uniformidade quanto ao número de golpes e tempo mastigatório nos indivíduos sem a deformidade dentofacial e nos indivíduos com a deformidade dentofacial classe II.

Os indivíduos com deformidade dentofacial classe III apresentam menor área de contato oclusal quando comparados a indivíduos sem a deformidade(24). Dessa forma, as condições oclusais dos indivíduos classe III podem ser menos favoráveis para a função mastigatória, o que pode justificar a não uniformidade na mastigação desses indivíduos. Na avaliação da performance mastigatória de indivíduos com maloclusão (classe III, classe II, classe I) e sem maloclusão, utilizando um alimento artificial (CutterSil), foi verificado que os indivíduos classe III apresentaram menor trituração do alimento(1). Além disso, os indivíduos classe III relataram maiores dificuldades para mastigar, seguidos dos indivíduos classe II e classe I(1).

Os resultados mostraram valores consideravelmente altos de desvio padrão, inclusive em indivíduos controles. Esse fator pode ser justificado pela mastigação "livre" de parte do alimento, que pode mostrar essa variação entre os sujeitos.

Este estudo traz novos dados relacionados ao número de golpes mastigatórios e ao tempo de mastigação nos indivíduos com e sem a deformidade dentofacial. Porém, este foi realizado por meio de análise subjetiva e com um único alimento. Novos estudos podem ser realizados ampliando os tipos de alimentos naturais e de forma mais objetiva, por meio de instrumentos como a eletromiografia, a sirognatografia, entre outros. Além disso, um maior número de participantes acrescentaria e confirmaria os resultados obtidos neste estudo.

 

CONCLUSÃO

O número de golpes e o tempo mastigatório não são influenciados pela deformidade dentofacial na mastigação habitual livre. Porém, os indivíduos que não apresentam deformidades, ou apresentam deformidade classe II conseguem manter um padrão mastigatório uniforme quanto ao número de golpes e tempo de mastigação, sendo que o mesmo não ocorre com os indivíduos com deformidade classe III.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) pelo auxílio financeiro recebido, processo número: 2009/17660-8.

 

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