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Jornal da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

On-line version ISSN 2179-6491

J. Soc. Bras. Fonoaudiol. vol.24 no.3 São Paulo  2012

http://dx.doi.org/10.1590/S2179-64912012000300001 

Editorial

 

 

Prezados colegas,

Disponibilizamos a edição de setembro de 2012, do JSBFa, que apresenta 15 contribuições das mais variadas áreas de atuação fonoaudiológica, com enfoque particular nas especialidades de motricidade orofacial e linguagem. A área de MO contribuiu com cinco Artigos Originais, sendo dois sobre aleitamento, um sobre mastigação, e dois especificamente abordando aspectos da deglutição. A audiologia contribuiu com um artigo sobre ruído e ambiente de trabalho. A área de linguagem produziu cinco Artigos Originais, sendo dois na área de fonologia, um sobre escrita, um estudo palatográfico dos sons alveolares do Português Brasileiro, um sobre o grau de concretude das palavras. Os dois estudos de caso são da área de linguagem, um sobre avaliação pragmática e outro sobre traços distintivos. A área de voz contribui com um artigo para a sessão de Fonoaudiologia Baseada em Evidências, sobre distúrbios da voz em docentes, e também com uma Comunicação Breve sobre desvantagem vocal em cantores populares e líricos.

O primeiro artigo da área de motricidade oral é de Scheeren, Mengue, Devincenzi, Barbosa e Gomes e analisou as condições iniciais de aleitamento materno de 26 díades mãe/bebê, destacando que, embora a maioria dos prematuros apresente início satisfatório do aleitamento materno, é essencial o uso de práticas específicas para sua efetividade. O segundo artigo, de Crestani, Souza, Beltrami e Moraes, investigou a associação entre tipo de aleitamento, presença de risco ao desenvolvimento infantil, e variáveis obstétricas e socioeconômicas, em 182 díades mãe/bebê, e concluiu que baixo peso, prematuridade e intercorrências ao nascimento podem estar associados ao aleitamento misto, mesmo na presença de disponibilidade física e tempo das mães. O terceiro artigo, de Mangilli, Sassi, Sernik, Tanaka e Andrade, caracterizou o controle motor dos músculos masseter e temporal em atividades da função mastigatória, em 22 indivíduos adultos com oclusão normal e concluiu que a associação da eletromiografia e da ultrassonografia traz importantes informações sobre a fisiologia da musculatura esquelética, com boa correlação entre as duas abordagens. O quarto estudo, de Spadotto, Gatto, Cola, Silva, Schelp, Domenis e Dantas, identificou os componentes do sinal acústico da deglutição em 14 indivíduos saudáveis, com o auxílio de software específico, e constatou a visualização de três componentes do som durante a deglutição, com grande variabilidade nas respostas. O quinto artigo desta área, também sobre deglutição, é de Cassol, Galli, Zamberlan e Dassie-Leite e analisou a autopercepção de 102 idosos saudáveis frente às possíveis dificuldades de deglutição, verificando que estes indivíduos, em geral, não autorreferem alterações significativas quanto à qualidade de vida em deglutição e que a prótese dentária bem adaptada minimiza os prejuízos referentes à deglutição.

A contribuição da audiologia é de Servilha e Delatti, e refere-se à correlação entre ruído no ambiente de trabalho e sintomas auditivos e extra-auditivos, mencionados por 84 professores universitários, concluindo-se que, embora o ambiente universitário tivesse sido considerado ruidoso, não houve associação com doenças auditivas e extra-auditivas.

O primeiro artigo da área de linguagem é de Mezzomo e Luiz, e investigou e comparou o uso de estratégias de reparo na aquisição do /R/ em onset simples empregadas por 120 crianças de duas cidades gaúchas com aquisição fonológica típica. O estudo concluiu que as estratégias de reparo podem divergir conforme a variante dialetal utilizada, o que deve ser considerado na terapia fonoaudiológica. O segundo artigo desta área é de Silva, Ferrante, Van Borsel e Pereira, e descreveu a aquisição fonológica típica do Português Brasileiro de 480 crianças do Rio de Janeiro, a fim de ajudar os fonoaudiólogos na avaliação e tratamento dos transtornos dos sons da fala. O terceiro artigo desta área é de Jesus e Reis, e forneceu a descrição articulatória detalhada da forma e da extensão do contato língua-palato nos diferentes fones alveolares do Português, por meio da eletropalatografia. O quarto estudo é de Calais, Lima-Gregio, Arantes, Gil e Borges, e apresentou uma proposta de julgamento de concretude de um conjunto de 162 palavras da língua portuguesa, realizado por 50 estudantes universitários; revelou três categorias quanto ao grau deste atributo, contribuindo para a escolha das palavras com alto grau de concretude para elaboração de um teste de reconhecimento de fala. O último artigo original da área de linguagem é de Santos e Befi-Lopes, e avaliou se o desempenho em provas de linguagem é preditivo do domínio ortográfico e da qualidade da produção escrita de 82 alunos do 4º ano do Ensino Fundamental, concluindo que as habilidades linguísticas analisadas foram preditivas do desempenho ortográfico.

O primeiro estudo de caso é de Bretanha e Lopes-Herrera e contou com a análise dos dados de cinco crianças com desenvolvimento típico de linguagem para a verificação do momento de maior fidedignidade de dados do processo de avaliação de linguagem para realizar o levantamento do perfil pragmático infantil. O segundo estudo de caso, de Bagetti, Ceron, Mota e Keske-Soares, teve como objetivo comparar as mudanças fonológicas decorrentes da aplicação de uma abordagem de terapia fonoaudiológica baseada em traços distintivos, utilizando o Modelo de Oposições Máximas Modificado no tratamento de sete crianças com desvio fonológico.

A sessão de Fonoaudiologia Baseada em Evidência contou com o artigo de Santana, Goulart e Chiari, que apresentou uma análise da produção bibliográfica científica sobre a prática da vigilância à saúde do trabalhador, relacionada aos distúrbios vocais em professores, e concluiu que o aspecto principal dos estudos é a identificação de fatores de risco associados aos distúrbios vocais nesta categoria profissional.

Finalmente, a Comunicação Breve de Moreti, Ávila, Rocha, Borrego, Oliveira e Behlau analisou 118 protocolos de autoavaliação de desvantagem vocal de cantores de diversos estilos, mostrando similaridades na avaliação das consequências da presença de problemas técnicos ou distúrbios vocais, com uma maior percepção sobre a própria voz no grupo dos cantores clássicos.

É interessante perceber um aumento nos critérios de avaliação e uma maior sofisticação nas abordagens diagnóstica, quer sejam feitas com avaliações clínicas, protocolos de autoavaliação ou instrumentais. A leitura deste fascículo permitirá uma boa atualização dos fonoaudiólogos que buscam excelência no atendimento clínico.

 

Mara Behlau
Editora científica do JSBFa