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Jornal da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

On-line version ISSN 2179-6491

J. Soc. Bras. Fonoaudiol. vol.24 no.4 São Paulo  2012

http://dx.doi.org/10.1590/S2179-64912012000400001 

EDITORIAL

 

 

Com satisfação concluímos o ano de 2012 entregando o quarto fascículo do JSBFa, com 18 contribuições, sendo 13 artigos originais, dois artigos sobre Fonoaudiologia baseada em evidências, dois estudos de caso e uma comunicação breve.

Dos artigos originais, a maior participação é da área de Audiologia, com seis artigos, sendo quatro deles sobre próteses auditivas, um dos quais abordando especificamente a inserção da telessaúde no atendimento de pacientes, além de contribuições sobre limiares auditivos em crianças expostas ao mercúrio no período pré-natal e associação entre mutações genéticas e deficiência auditiva. A área de linguagem contribuiu com três artigos originais, um deles sobre compreensão de leitura de alunos surdos, outro sobre desempenho perceptivo-auditivo na identificação de contrastes fonológicos e o terceiro sobre habilidades de linguagem e dificuldades de aprendizagem. A área de voz também contribuiu com três estudos, um sobre habilidades sociais de crianças disfônicas, outro com proposta de triagem de afinação vocal e o último explorando dor em cantores populares. A área de motricidade oral contribuiu com um artigo original sobre a força axial da língua.

Quanto à Audiologia, a primeira contribuição é de Campos e Ferrari, sobre a avaliação da eficácia da teleconsulta na programação e adaptação de aparelho de amplificação sonora individual de 50 usuários, concluindo que teleconsulta é um procedimento eficaz para a programação, verificação do AASI e orientação de pacientes, quando os serviços face a face não estiverem disponíveis. A segunda contribuição, de Pinheiro, Iório, Miranda, Dias e Pereira, comparou os processos de reconhecimento de fala com características do processamento cognitivo em 60 idosos, comprovando que os indivíduos com alteração cognitiva apresentam pior desempenho no processo de reconhecimento da fala em escuta dicótica. O terceiro artigo, de Laperuta e Fiorini, analisou a satisfação do idoso usuário de AASI em um estudo longitudinal, com 22 participantes, e concluiu que há um grau de satisfação elevado, porém, com médias diferentes dos efeitos obtidos ao longo do tempo. O quarto estudo, de Dutra, Cavadas, Jesus, Santos, Silva e Câmara, avaliou os limiares auditivos de 90 crianças com histórico de exposição ao mercúrio durante o período pré-natal e concluiu que seus limiares auditivos estão dentro dos padrões de normalidade. O quinto estudo, de Biaggio, Azevedo, Iório, Svidnicki e Satorato, estabeleceu a frequência de mutações genéticas relacionadas à deficiência auditiva neurossensorial e verificou a associação entre o grau de perda auditiva e a alteração genética em 30 crianças, evidenciando que as mutações genéticas foram encontradas em 36,7% da amostra, com maior grau de perda auditiva nesse grupo, o que justifica a importância do rastreamento genético no processo de reabilitação auditiva. O último artigo desta área, de Novaes, Versolatto-Cavanaugh, Figueiredo e Mendes, explorou os fatores determinantes no desenvolvimento de habilidades comunicativas em crianças com deficiência auditiva, concluindo que a qualidade da participação dos pais na intervenção e suas expectativas sobre o futuro são aspectos importantes nos achados encontrados.

A área de Linguagem traz uma interface com a Audiologia, com estudo de Luccas, Chiari e Goulart, sobre a avaliação da compreensão de leitura, de 35 alunos surdos nas classes regulares de escolas públicas, com e sem apoio pedagógico, constatando que não houve impacto da sala apoio e acompanhamento pedagógico à inclusão. O segundo estudo, de Berti, Falavigna, Santos e Oliveira, investigou o desempenho perceptivo-auditivo de 59 crianças quanto à identificação de contrastes entre as oclusivas e concluiu que essa habilidade leva tempo para ser dominada, parecendo haver uma hierarquia entre os sons dessa classe. O último estudo de linguagem, de Silva, Cunha, Pinheiro e Capellini, comparou e correlacionou o desempenho em nomeação rápida, leitura e compreensão de 32 escolares com dificuldades de aprendizagem, em duas tomadas de leitura, e concluiu que a defasagem na realização das tarefas propostas na primeira avaliação ocasionou falhas no mecanismo de conversão fonema-grafema, que influenciou o desempenho na segunda tomada de leitura.

O primeiro artigo da área de voz, de Silva, Batista, Oliveira e Dassie-Leite, analisou habilidades sociais de 38 crianças, disfônicas e não disfônicas, por meio do Inventário Multimídia de Habilidades Sociais para Crianças - IMHSC, e concluiu que não foi possível determinar comportamentos sociais específicos nas crianças com problemas de voz. O segundo estudo, de Moreti, Pereira e Gielow, propôs um procedimento simples e de rápida aplicação, para triagem de afinação vocal, útil para identificar o desempenho de indivíduos adultos, com melhores resultados para musicistas. O último artigo, de Rocha, Moraes e Behlau, estudou a presença de dores corporais em 100 cantores populares e concluiu que esses profissionais da voz apresentam dores corporais, principalmente proximais à região da laringe, havendo relação entre dor e problemas vocais, falta de treinamento e busca de especialistas.

A área de motricidade oral contribuiu com um interessante estudo, de Almeida, Furlan, Las Casas e Motta, que analisou a influência de peso, altura e índice de massa corporal na força axial da língua de 44 indivíduos adultos e concluiu que há relação positiva entre índice de massa corporal, peso e força média da língua.

Os estudos de caso publicados são muito interessantes, um deles, de Lamônica, Stump, Pedro, Rolim-Liporacci, Caldeira, Anastácio-Pessan e Gejão, analisou dez lactentes com fenilcetonúria, destacando que é viável dar continuidade ao aleitamento materno a essas crianças, desde que os níveis de fenilalanina sejam controlados e que os efeitos deste tipo de aleitamento materno para o desenvolvimento infantil sejam verificados. O segundo caso, de Melo e Lara, apresenta análise de habilidades auditivas e linguísticas iniciais em duas crianças usuárias de implante coclear, ressaltando que a criança inserida em um programa terapêutico mostrou melhor desempenho em comparação com a quer apenas fazia uso do implante coclear.

O primeiro artigo de Fonoaudiologia Baseada em Evidência, de Coelho, Brasolotto e Bevilacqua, traz uma análise sistemática dos benefícios do uso do implante coclear na produção vocal e após o estudo de 27 trabalhos, constatou-se que a qualidade vocal da criança ou adulto com deficiência auditiva, usuário de implante coclear, tem sido estudada apenas em pequena escala, não havendo dados suficientes sobre os efeitos do implante na qualidade vocal de crianças ou adultos com deficiência auditiva. O segundo artigo, de Veiga, e Bianchini, realizou uma revisão integrativa de estudos sobre deglutição sequencial de líquidos e após a análise de 18 artigos, conclui-se que há uma grande variabilidade na metodologia empregada para caracterização da deglutição sequencial, o que limita a comparação entre os achados.

A Comunicação Breve, de Marchesan, Martinelli e Gusmão, sobre modificações do frênulo lingual após frenectomia, caracterizou 53 sujeitos por meio de um protocolo específico, aplicado pré e pós-cirurgia, comprovando melhoria na forma da ponta da língua e seus movimentos, um mês após intervenção, além de melhor fechamento labial, controle de saliva e fala, sem o apoio de uma intervenção fonoaudiológica

Comunicamos ainda que este é o último fascículo sob o nome de Jornal da SBFa, pois a partir de 2013 nosso periódico passará a se chamar CoDAS e contará com a colaboração de editores associados e novos pareceristas, nacionais e internacionais, além de ser operacionalizada por uma editoria científica compartilhada, com a formação de uma dupla na qual será incluída a Profa. Dra. Fernanda Dreux Miranda Fernandes. Tais mudanças fazem parte de um ambicioso plano para aumentar a visibilidade de nossa produção e trazer autores internacionais para o nosso periódico. Por outro lado, a Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, passa para as mãos da Academia Brasileira de Audiologia - ABA, que se torna sua mantenedora. Durante os dois últimos anos a SBFa publicou dois periódicos: a Revista da SBFa e o Jornal da SBFa. Embora o trabalho envolvido fosse extremamente prazeroso, era muito grande e arriscava a qualidade da indexação de ambas as publicações, não se tendo obtido o desenvolvimento ansiado. A Fonoaudiologia precisa crescer e a ABA gentilmente ofereceu-se para assumir parte desse trabalho, passando a se responsabilizar pela Revista da SBFa.

Aproveitamos o momento para agradecer a todos os editores da Revista SBFa, fundada em 1997. No primeiro biênio, não há indicação específica de editor, pois os trabalhos eram analisados em esquema de revezamento; contudo, logo em seguida a figura do editor fica caracterizada e colaboraram nessa difícil tarefa as queridas: Teresa Mohmenson (1999-2001), Debora Befi-Lopes (2002-2005) e Fernanda Dreux Miranda Fernandes, a partir de 2006, com o recorde de sete anos de dedicação, persistência e serenidade na condução desse processo. A ABA sabe que conta com a SBFa e com os produtores de ciência do Brasil.

Vida longa, saudável e visível aos nossos periódicos!

Mara Behlau
Editora científica do JSBF

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