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Floresta e Ambiente

versão impressa ISSN 1415-0980versão On-line ISSN 2179-8087

Floresta Ambient. vol.23 no.4 Seropédica out./dez. 2016  Epub 22-Mar-2016

http://dx.doi.org/10.1590/2179-8087.126315 

Artigos Originais

Intemperismo Artificial em Lâminas de Tectona grandis Tratadas com Produtos de Acabamento

Artificial Weathering in Tectona grandis Slides Treated with Finishing Products

Francis Lívio Corrêa Queiroz1 

Joaquim Carlos Gonçalez1 

Cláudio Henrique del Menezzi1 

Edilene Silva Ribeiro1 

Clarissa Melo Lima1 

1Departamento de Engenharia Florestal, Universidade de Brasília – UnB, Brasília/DF, Brasil

RESUMO

Este estudo teve por objetivo avaliar a ação do tempo de exposição ao intemperismo artificial na cor de lâminas de madeiras de teca tratadas com produtos de acabamento. Amostras que receberam 2 tipos de produto, a seladora e o stain, mais as testemunhas, sem acabamento. O experimento foi instalado no delineamento inteiramente casualizado, com 3 tratamentos e 4 repetições. As lâminas ficaram expostas ao simulador QUV-Acelerated Weathering Teste, por 7 períodos, de: 6, 12, 24, 48, 96, 192 e 384 horas. Após cada período de intemperismo foram feitas medições das cores, com espectrofotômetro COLOR EYe XTH. As variáveis cromáticas avaliadas foram: L*, a*, b*, C e h*. Ao final do estudo pôde-se concluir que as lâminas de madeira de teca sofreram alterações em sua cor com o passar do tempo de exposição e que o stain apresentou maior eficiência na conservação da cor da madeira.

Palavras-chave:  teca; fotodegradação; colorimetria; seladora; stain

ABSTRACT

This study aims to evaluate the effects of weather exposure to artificial weathering in the color of teak wood veneer treated with finishing products. The samples received 2 types of products, the sealer and the stain, plus witnesses, unfinished. The experiment was conducted in a completely randomized design with 3 treatments and 4 replications. Slides were exposed to QUV-Accelerated Weathering Test simulator for 7 periods as follow: 6, 12, 24, 48, 96, 192 and 384 hours. Color measurements were made after each period of weathering using the spectrophotometer Color Eye XTH. The chromatic variables evaluated were: L *, a *, b *, C * and h*. The study concluded that the teak wood veneer had color alterations with the exposure time and the stain was more efficient in preserving the wood color.

Keywords:  teak; photobleaching; colorimetry; sealer; stain

1 INTRODUÇÃO

As indústrias madeireiras, no Brasil, utilizam em grande escala toras de árvores do gênero Pinus e Eucalyptus para processamento mecânico. Entretanto, o reflorestamento com Tectona grandis (teca) surge como uma boa alternativa de investimento (Lima et al., 2011). Teca, segundo ABRAF (2013), é plantada principalmente nos estados do Mato Grosso e do Pará, cobrindo cerca de 68 mil hectares de reflorestamento no Brasil.

Conforme Thulasidas et al. (2006), a madeira da teca é considerada premium, valorizada pela sua atratividade, com cor amarela ou marrom dourada. Entre outras propriedades desejáveis dessa madeira incluem-se durabilidade natural, bem como facilidade na usinagem e no acabamento. Porém, a despeito da sua importância econômica e da ampla utilização da espécie, carência de informações sobre diversos aspectos (Costa et al., 2009), sobretudo quanto à qualidade dessa madeira, ainda persiste.

Para Camargos & Gonçalez (2001), de maneira geral a cor da madeira é muito instável, estando sujeita a alterações rápidas, sendo que tal instabilidade se encontra intrinsecamente relacionada com os elementos anatômicos e constituintes da madeira. Tal propriedade da madeira pode ser alterada pelo intemperismo, que é uma ação complexa e combinada de sol, chuva ou umidade e vento (Hon, 2001 apud Pastore, 2004). Essas alterações ocorrem principalmente devido à ação dos raios ultravioleta, que provocam tanto a fotodegradação quanto a fotodescoloração da madeira, diminuindo sua vida útil (Gouveia, 2008). Por essa razão, produtos de acabamento como vernizes, stains e tintas são usados para proteger a superfície da madeira, amenizando a degradação.

A madeira de Tectona grandis processada e acabada tem sido objeto de estudos da relação da cor e acabamento em função da deterioração produzida pela exposição à intempérie. A propriedade da cor da madeira associada a técnicas de acabamento é objeto de estudo de Lopes et al. (2014), que buscaram a uniformização da cor da madeira de árvores jovens, peças de cerne e alburno, pela aplicação de tratamento termorretificador, a fim de tornar a madeira maciça mais interessante para o consumo.

Devido à crescente importância da madeira de Tectona grandis no Brasil, conhecer a sua cor e a variação dela em função de produtos de acabamento empregados na madeira e do tempo da sua exposição à intempérie é fundamental para o uso maximizado desse produto florestal. Assim, este trabalho teve por objetivo avaliar a ação do tempo de exposição ao intemperismo artificial na cor de lâminas de madeira de Tectona grandis tratadas com produtos de acabamento.

2 MATERIAL E MÉTODOS

A avaliação da cor das lâminas de teca em função do intemperismo acelerado foi realizada no laboratório de tecnologia da madeira do Departamento de Engenharia Florestal da Faculdade de Tecnologia da UnB.

As amostras de Tectona grandis, em lâminas, provieram de povoamento florestal com 13 anos de idade, instalado no município de Juara, estado de Mato Grosso. As lâminas com corte contínuo em torno rotativo, foram torneadas na mesma unidade produtora das árvores, de propriedade de Sharewood Reflorestadora do Brasil Ltda. Essas lâminas foram transformadas em amostras de dimensão 9,5cm de comprimento × 6,5cm de largura x 0,12cm de espessura.

As amostras receberam dois tipos de acabamento, seladora e stain. Mais as testemunhas, sem acabamento. Em delineamento inteiramente casualisado (DIC), o experimento configurou-se em 3 tratamentos em 4 repetições, totalizando 12 unidades amostrais. A seladora utilizada foi a NL 9245-00; o stain aplicado foi o Semitransparente – Natural UV Gold – Código: 33b080101. Composição: 3 iodo, 2 propinil-butil – carbamato (IPBC) – 0,25%; inertes (resinas, óleos vegetais, pigmentos inorgânicos, cargas minerais, solventes alifáticos e aromáticos derivados de petróleo) – 99,75%.

Todas as amostras foram lixadas com lixa grana 280 para madeira e em seguida tratadas, recebendo duas demãos por pincel de cerdas com os produtos de acabamento, sendo: 4 amostras tratadas com seladora; 4 amostras tratadas com stain; e mais 4 amostras no estado natural, testemunhas (sem acabamento).

2.1 Acelerador de intemperismo

A máquina simuladora de intemperismo acelerado usada no ensaio foi a QUV-Acelerated Weathering Teste – Q-LAB Modelo QUV/SPRAY – U2061-L. Que é uma câmara que reproduz testes de intemperismo, ou seja, os danos causados pela chuva, orvalho e luz solar sobre os materiais. Para isso, as lâminas foram submetidas a ciclos alternados de umidade, utilizando-se spray de água para imitar chuva, evaporação de água sob temperaturas elevadas, reproduzindo o orvalho. A luz ultravioleta da câmara, produzida por lâmpadas especiais de UV fluorescente, reproduz os danos causados pela luz solar.

As lâminas ficaram expostas ao simulador de intemperismo por 7 períodos, sendo: 6, 12, 24, 48, 96, 192 e 384 horas. Totalizando 756 horas de teste.

O ensaio observou metodologia conforme com a norma ASTM G 154 de 2006. G 157 (ASTM, 2006), períodos 7, em ciclos, com as seguintes fases e parâmetros: 1 – UV – exposição a luz por 8 horas, de lâmpadas tipo UVA 340, com comprimento de onda de 340nm, produzindo irradiação de 1,55W/m2 e temperatura de 60°C; 2 – spray – exposição a água por 0,25 horas, sem luz e sem controle de temperatura interna da câmara; e 3 – condensação – por 3,75 horas, com temperatura de 50°C e sem luz. Cada ciclo de intemperismo, com as 3 fases, possui 12 horas.

2.2 Colorimetria

O aparelho utilizado para medir as cores das lâminas da madeira após cada período de intemperismo foi o espectrofotômetro portátil COLOR EYe XTH – GretagMacbeth, de refletância difusa no intervalo visível do espectro eletromagnético, com iluminante D65 e com ângulo de 10°. As variáveis cromáticas avaliadas foram: L*, a*, b*, C e h*, do sistema CIE 1976 L*a*b* (CIELAB), (CIE, 1976), com 20 leituras para cada amostra, no plano tangencial, para cada período, somando 1.680 leituras. Mais 240 leituras na primeira avaliação com as amostras sem nenhum acabamento, antes do início dos períodos, totalizando 1.920 registros.

O espectrofotômetro foi acoplado a um computador que, com o software Color iControl, processou automaticamente os dados do fluxo de radiação.

Para a mensuração da alteração de cor nas amostras, combinando as variáveis L*, a* e b*, antes e depois das exposições (∆E), foi utilizada a fórmula da Equação 1. Para verificar a variação total da cor (∆E) em cada tratamento, utilizou-se a Tabela 1 (Hikita et al., 2001 apud Lima et al., 2013).

Tabela 1 Classificação da variação total da cor (∆E) de madeiras.Table 1. Rating of the total variation of color (ΔE) of woods. 

VARIAÇÃO TOTAL DA COR (∆E) CLASSIFICAÇÃO
0,0-0,5 Desprezível
0,5-1,5 Ligeiramente perceptível
1,5-3,0 Notável
3,0-6,0 Apreciável
6,0-12,0 Muito apreciável
ΔE=ΔL²+Δa²+Δb² (1)

Com os valores da classificação da variação total da cor entre os períodos de intemperismo aplicados aos tratamentos foi possível quantificar o quanto os produtos utilizados no acabamento interferiram na mudança de cor da madeira de teca em uso externo.

2.3 Processamento de dados das cores das lâminas

Os dados obtidos de saturação (C), ângulo da cor (h*), claridade (L*) e matiz (a* e b*) passaram por análise de variância, teste F, com de significância de ρ < 0,05, e por teste de médias de Tukey (ρ < 0,05), pelo sistema computacional SAEG, nos casos em que houve rejeição da hipótese nula (H: µ ≠ 0).

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Como descreveu Gonzaga (2006), no corte tangenciando e seccionando, os anéis produzem desenhos na face da madeira, formados pelos cones seccionados de crescimento do tronco da árvore, elemento de decoração muito apreciado pelo consumidor. Para a madeira de teca, o seccionamento em posição tangencial produz lâminas com coloração desuniforme, com diferenças de cor e nuances em função da concentração de extrativos entre os anéis. O estudo de intemperismo foi desenvolvido em amostras que apresentavam a sua face tangencial marcada por essa heterogeneidade de cor.

Os valores médios das variáveis cromáticas (L*, a*, b*, C e h*) avaliadas nas lâminas de Tectona grandis, para cada período, em função dos tratamentos, são apresentados na Tabela 2.

Tabela 2 Valores médios dos parâmetros colorimétricos (L*, a*, b*, C e h*) de lâminas de Tectona grandis para cada período, em função de tratamentos, seladora, stain e testemunhas.Table 2. Average values of the colorimetric parameters (L *, a *, b *, C and h*) Tectona grandis veneer for each period, depending on the treatments, sealer, stain and control. 

Tratamento Período Parâmetros colorimétricos Cor
(h) L* a* b* C h*
Testemunhas 01 51,22a 11,14c 25,87b 28,17b 65,88a Marrom-oliva
Seladora 01 52,64b 11,64a 26,89a 29,31a 66,62a Marrom-oliva
Stain 01 53,59a 11,47a 26,42b 28,80b 66,51a Marrom-oliva
Testemunhas 6 53,35a 10,89c 28,51a 30,52a 69,08a Amarelo amarronzado
Seladora 6 43,37b 14,36b 26,06b 29,76b 61,11b Amarelo amarronzado
Stain 6 41,81c 15,80a 25,22c 29,77b 57,82c Amarelo amarronzado
Testemunhas 12 43,10a 13,85b 28,49a 31,70a 64,00a Amarelo amarronzado
Seladora 12 42,26a 13,34b 21,13b 25,02c 57,47b Marrom avermelhado
Stain 12 38,77b 14,43a 22,10b 26,41b 56,52c Marrom avermelhado
Testemunhas 24 - 14,96b 24,77a 28,98a 58,55a Marrom avermelhado
Seladora 24 40,52a 15,49a 23,32b 28,01a 56,34c Marrom avermelhado
Stain 24 40,84a 15,36a 24,26ab 28,72a 57,51b Marrom avermelhado
Testemunhas 48 50,64a 13,46c 30,60a 33,43a 66,25a Marrom-oliva
Seladora 48 40,02c 16,68a 24,31b 29,49b 55,51c Marrom avermelhado
Stain 48 40,94b 15,15b 24,05b 28,45c 57,56b Marrom avermelhado
Testemunhas 96 51,70a 12,57c 28,95a 31,57a 66,51a Marrom-oliva
Seladora 96 40,39c 17,18a 25,03c 30,37b 55,45c Amarelo amarronzado
Stain 96 43,16b 15,46b 25,99b 30,26b 59,07b Amarelo amarronzado
Testemunhas 192 56,91a 10,57c 25,82b 27,91c 67,75a Amarelo amarronzado
Seladora 192 43,54c 17,71a 28,02a 33,19a 57,57c Amarelo amarronzado
Stain 192 44,86b 14,72b 26,30b 30,16b 60,66b Amarelo amarronzado
Testemunhas 384 60,09a 08,50c 21,57c 23,19c 68,53a Oliva amarelado
Seladora 384 53,57b 13,93a 29,93a 33,05a 65,14b Amarelo amarronzado
Stain 384 48,55c 12,75b 27,95b 30,75b 65,39b Marrom-oliva

01 = Leitura antes dos períodos de intemperismo; Médias seguidas pela mesma letra na coluna, por período de intemperismo, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Analisando-se essa tabela e os tratamentos antes dos períodos de intemperismo (01), a cor natural da lâmina de madeira de teca é marrom-oliva, caracterizada pelos parâmetros colorimétricos médios das amostras testemunhas: L* (51,22), a* (11,14), b* (25,87), C (28,17) e h* (65,88). Apesar de a coordenada b* ter uma participação marcante na formação da cor final dessa espécie, percebe-se também a influência significativa da coordenada a*. A participação desses dois pigmentos (amarelo e vermelho) em proporções diferentes culmina na cor da espécie (marrom-oliva). As amostras que receberam os produtos de acabamento (seladora e stain) não sofreram alterações de sua cor natural, apesar de os valores da claridade (L*) mostrarem diferenças estatísticas em relação às testemunhas. A classificação utilizada para a definição da cor (Camargos & Gonçalez, 2001) é baseada na análise de cluster, que agrupa valores de variáveis com afinidade para definição do grupo de cores. Essas variáveis possuem intervalos de valores mais elásticos, incluindo valores próximos em um mesmo grupo, como foi o caso dos três tratamentos antes dos períodos de intemperismo. No caso de se querer realizar uma triagem mais fina (peças de um lote mais homogêneo de cor), através dos parâmetros colorimétricos, a ANOVA seguida do teste de Tukey consegue fazer essa separação.

Com o arranjo das variáveis cromáticas foi possível obter 4 grupos de cores, conforme classificação de Camargos & Gonçalez (2001): marrom-oliva, grupo de cores 13; oliva amarelado, grupo de cores 18; amarelo amarronzado, grupo de cores 23 e marrom avermelhado, grupo de cores 25. As lâminas dos três tratamentos antes dos períodos de intemperismo enquadraram-se no grupo 13, marrom-oliva.

As lâminas testemunhas foram as que apresentaram maior variação de cor em função dos períodos de intemperismo. Variaram de marrom-oliva, até 6 horas, passando para marrom avermelhado, entre 12 e 36 horas. Entre 36 e 180 horas enquadraram-se entre as cores amarelo amarronzado e marrom-oliva. E, finalmente, às 756 horas, sob intemperismo acelerado, enquadraram-se na cor oliva amarelado. Os valores de L* (claridade) das testemunhas diminuíram até o tratamento de 48 horas, e os da coordenada a* (vermelho), aumentaram, justificando o escurecimento da madeira com o passar do tempo. A partir do tratamento de 96 horas, a cor da madeira das testemunhas voltaram a clarear, mostrando um valor de L* de 60,09 no tratamento de 384 horas, mais clara mesmo do que antes dos períodos de tratamentos, passando a madeira para a cor oliva amarelado. Tanto o valor de a* como o de b* diminuíram, deixando a madeira mais clara. O intemperismo para as testemunhas levou a um desbotamento da cor da madeira, deixando-a com um aspecto desgastado.

Durante a aplicação dos períodos de intemperismo, as cores das lâminas acabadas com seladora variaram de marrom-oliva, até 12 horas, a marrom avermelhado (25), entre 12 e 84 horas, até a estabilização na cor amarelo amarronzado (23), após 84 horas de exposição. As cores das lâminas acabadas com stain, durante a aplicação dos períodos de intemperismo, variaram de amarelo marronzado, até 6 horas, a marrom avermelhado, entre 12 e 384 horas, estabilizando-se na cor marrom-oliva após 384 horas de exposição. Observa-se que os valores das coordenadas a* e b*, ao final do último tratamento, tanto para seladora como para o stain, são maiores que para os tratamentos iniciais (01). Isso demostra que esses produtos conseguiram proteger a madeira contra o intemperismo. A classificação da cor ao final do processo em amarelo amarronzado (seladora) e marrom-oliva (stain), deveu-se, principalmente, ao aumento de ambas as coordenadas (a* e b*), devido à presença desses produtos. Pode-se inferir que os pigmentos dos produtos de acabamento interagiram com os da madeira, levando ao aumento desses e à definição da cor final. Com relação à manutenção da cor original da madeira, o produto stain se mostrou mais eficiente.

Lopes (2012), usando tabela de grupo de cores de Camargos (1999), chegou à classificação da cor do cerne de madeira maciça de teca, sem tratamento, com 12 anos de idade, no grupo marrom-oliva, a* (8,65 a 9,19), b* (> 15) e L* (58,63 a 60,23). O alburno foi classificado no grupo branco-acinzentado, a* (5,15 a 10,39), b* (20,03 a 22,09) e L* (72,01 a 75,80).

Thulasidas et al. (2006), estudando a variação da cor do cerne de Tectona grandis originada de florestas plantadas e de florestas tropicais, tipo florestas inundadas, de Kerala, sul da Índia, concluiu que a cor da madeira de florestas inundadas é mais pálida (menor amarelecimento), o que é fator limitante de preço para uso em movelaria de casas e jardins, em comparação com a cor da madeira de florestas plantadas. Os resultados para a classificação das cores das lâminas antes dos períodos de intemperismo confirmam relato de Bryce (1966) de que a menor rotação de cultivo e o crescimento mais rápido da Tectona grandis são fatores que podem conferir uma cor mais pálida à madeira.

Conforme classificação de Camargos (1999), a cor das lâminas da madeira de teca, pela variável luminosidade L* entre 34,46 e 52,72, é escura (L* < 54), ficando clara L* igual a 54,07 (L* > 54) apenas depois de 384 horas sob ação de intemperismo acelerado.

Lukmandaru (2011), buscando correlacionar conteúdo e propriedades de cor de extrativos de madeira de teca com propriedades de sua resistência natural a cupim, com as propriedades de cor, medidas pelo sistema CIELab, chegou a resultados que mostraram que a luminosidade (L*) e a cor vermelha (a*) variaram significativamente na direção radial em função do conteúdo dos extrativos.

A análise da variação total na cor da madeira (∆E) e sua classificação, conforme Tabela 1, antes e após os tratamentos, são apresentados na Tabela 3, na qual os valores para as variáveis, quando positivos, indicam que as lâminas ficaram mais clara (ΔL*), vermelha (Δa*) e amarela (Δb*), e quando negativos, que as lâminas ficaram mais escura (-ΔL*), (-Δa*) verde e (-Δa*) azul.

Tabela 3 Variação dos parâmetros colorimétricos em função dos produtos de acabamento e do tempo de exposição na câmara de intemperismo acelerado.Table 3. Variation the colorimetric parameters in function of the finished product and the exposure time in the accelerated weathering chamber. 

Tratamento Período Tempo de exposição (h) Variação dos parâmetros colorimétricos Classificação
(h) ΔL* Δa* Δb* ΔE ΔE
Testemunhas 01 01 –0,71 –0,13 –0,34 0,80 LP
6 6 –1,42 0,38 –2,3 2,73 N
12 12 10,25 –2,96 0,02 10,67 MA
24 36 9,09 –1,11 3,72 9,88 MA
48 84 –16,63 1,5 –5,83 17,69 MA
96 180 –1,06 0,89 1,65 2,15 N
192 372 –5,21 2 3,13 6,40 MA
384 756 –3,18 2,07 4,25 5,70 A
Seladora 01 01 –6,3 2,28 0,53 6,72 MA
6 6 9,27 –2,72 0,83 9,70 MA
12 12 1,11 1,02 4,93 5,15 A
24 36 1,74 –2,15 –2,19 3,53 A
48 84 0,5 –1,19 –0,99 1,63 N
96 180 –0,37 –0,5 –0,72 0,95 LP
192 372 –3,15 –0,53 –2,99 4,37 A
384 756 –10,03 3,78 –1,91 10,89 N
Stain 01 01 –10,87 4,77 0,22 11,87 MA
6 6 11,78 –4,33 1,2 12,61 MA
12 12 3,04 1,37 3,12 4,57 A
24 36 –2,07 –0,93 –2,16 3,13 A
48 84 –0,1 0,21 0,21 0,31 D
96 180 –2,22 –0,31 –1,94 2,96 N
192 372 –1,7 0,74 –0,31 1,88 N
384 756 –3,69 1,97 –1,65 4,50 A

01 = Leitura antes dos períodos de intemperismo; D = Desprezível; LP = Ligeiramente perceptível; N = Notável; A = Apreciável; MA = Muito apreciável.

As lâminas com acabamento por seladora e stain, em função da exposição, foram classificadas como muito apreciáveis (6,0 a 12,0) no início dos períodos, com classificação decrescente. Ao final dos períodos, as lâminas tratadas com seladora foram classificadas como muito apreciáveis, enquanto as lâminas acabadas com stain foram classificadas como apreciáveis (3,0 a 6,0). Essa classificação permite dizer que o produto stain conseguiu dar uma maior estabilidade à cor ao final do tempo de intemperismo estudado. Para as lâminas testemunhas, a variação total da cor no início dos períodos foi ligeiramente perceptível (0,5 a 1,5), chegando a muito apreciável (6,0 a 12,0) com 84 horas de exposição, finalizando, às 756 horas de exposição, classificadas como apreciáveis (3,0 a 6,0). Como já mencionado anteriormente, houve desgaste da cor da madeira, o qual afetou o valor da claridade (L*), levando a uma alteração da cor com relação às lâminas testemunhas iniciais, conferindo aspecto desbotado à madeira.

A variação dos parâmetros colorimétricos neste ensaio é o que melhor explica a alteração da cor em função do tempo de intemperismo para as lâminas com tratamento de acabamento em relação às testemunhas. Para as lâminas tratadas com seladora, a variável claridade teve comportamento de clareamento (ΔL*) em função do intemperismo até 180 horas de exposição. A partir de 180 horas, as lâminas escureceram (–ΔL*). Quanto à tonalidade, houve predominância das pigmentações verde (–Δa*) e azul (–Δb*). Nas lâminas tratadas com stain, a variável claridade, obtida foi predominantemente escura (–ΔL*). Quanto à tonalidade, houve predominância das pigmentações verde (–Δa*) e azul (–Δb*). Nas lâminas sem tratamento, a variável claridade começou o período de intemperismo acelerado com as lâminas escuras (–ΔL*), clareando até 24 horas de teste (ΔL*); após 48 horas de exposição, essas lâminas voltaram a escurecer (–ΔL*). Já a tonalidade (C) das lâminas começou com as pigmentações verde (–Δa*) e azul (–Δb*) e, com o passar do tempo sob intemperismo, derivou para as pigmentações vermelha (Δa*) e amarela (Δb*).

Teles (2014), em ensaio com madeiras amazônicas tratadas quimicamente, observou a mesma tendência de escurecimento das peças após intemperismo com elevação da luminosidade (L*) em função do aumento do tempo de exposição, sugerindo que esse resultado é função da lixiviação de constituintes da parede celular pela água na fase de spray.

Igualmente, o resultado de Pace (2013), estudando acabamento superficial em madeira de Corymbia citriodora sob intemperismo acelerado, verificou que após a aplicação da seladora e do stain essa madeira também escureceu, passando por fase de clareamento durante os períodos de intemperismo, voltando a escurecer ao final do teste.

Os espectros de refletância de cor de lâminas de madeira de teca em função do comprimento de onda para os períodos de intemperismo estudados podem ser vistos nas Figuras 1, 2a e 2b. Segundo Gonçalez (1993), os valores de refletância na região do visível permitem a caracterização da assinatura espectral de cada tratamento aplicado à madeira em estudo. Observa-se que os espectros de refletância dentro do visível (entre 360 e 750nm) têm comportamento linear e crescente para os três tratamentos.

Figura 1 Espectros de refletância em função dos comprimentos de onda para as lâminas de teca (testemunhas) para os períodos de intemperismo estudados. 

Figura 2 Espectros de refletância em função dos comprimentos de onda para as lâminas de teca acabadas com seladora (a) e stain (b) para os períodos de intemperismo estudados. 

O percentual de refletância para as testemunhas caiu sensivelmente até 24 horas, seguido de um aumento da refletância nos tempos seguintes, apresentando refletância máxima no tratamento de 384 horas.

A Figura 2a representa o espectro de refletância considerando-se o produto de acabamento seladora. Observa-se que, até o tratamento 48 horas, os valores da refletância diminuem de forma similar nos comprimentos de onda. Depois desse tratamento, voltam a aumentar, apresentando refletância máxima no tratamento de 384 horas.

Já para o produto de acabamento stain, Figura 2b, os comprimentos de onda mostram curvas mais íngremes de refletância a partir de 560nm. Os valores de refletância diminuem de forma mais marcante até o tratamento 12 horas, voltando a aumentar levemente até o tratamento de 384 horas. No entanto, não se consegue atingir o valor máximo inicial, de antes dos períodos de tratamento.

Esses resultados são semelhantes aos de Pastore (2004), nos quais a irradiação ultravioleta na câmara de intemperismo mostrou tendência de provocar um escurecimento na cor da madeira de teca pela diminuição na intensidade da luz refletida. As testemunhas e o tratamento com seladora, ao final do processo, mostraram lâminas mais claras em relação às lâminas de antes do início dos períodos de intemperismo. Já o stain finalizou o processo com lâminas mais escuras do que as iniciais.

Temiz et al. (2007) e Dubey et al. (2010), investigando o envelhecimento acelerado em madeiras modificadas química e termicamente também chegaram a resultados em que a exposição a períodos de intemperismo produziram modificações na propriedade de cor da madeira de Pinus.

4 . CONCLUSÃO

O processo de intemperismo em lâminas de madeira de teca buscou avaliar a resistência da cor dessa madeira, usando-se produtos de acabamento, em relação ao tempo de exposição à intempérie, gerando conhecimento do potencial de uso da espécie pelas indústrias que usam essa madeira como matéria-prima em sua produção.

Este estudo permitiu concluir que:

  • As lâminas de madeira de teca sofrem alterações em sua cor com o passar do tempo, sendo essa alteração classificada de desprezível até muito apreciável, dependendo do tempo de exposição ao intemperismo e do produto de acabamento aplicado.

  • Os períodos de intemperismo produziram alterações na cor das lâminas de Tectona grandis, detectadas pela variação dos parâmetros colorimétricos.

  • A cor da madeira de teca natural é marrom-oliva, a qual escurece no início do intemperismo, voltando a clarear a partir do tratamento de 96 horas, tornando-se oliva amarelado de aspecto desgastado ao final de 384 horas de intemperismo.

  • Os produtos de acabamento stain e seladora contribuíram para a qualidade das lâminas, por conservarem melhor as características de cor da madeira de teca submetida aos períodos de intemperismo acelerado.

  • O stain apresentou maior eficiência na conservação da cor da madeira.

  • A utilização de uma ferramenta mais precisa, como por exemplo, o NIR (infravermelho próximo), que auxiliaria na determinação dos constituintes químicos da madeira, poderia ajudar a compreender melhor o comportamento da madeira de teca e a mudança de sua cor sob o intemperismo, produzindo, assim, informações que poderiam orientar os fabricantes no desenvolvimento de produtos de acabamento mais resistentes.

AGRADECIMENTOS

Ao Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso – INDEA/MT, pela concessão de licença para qualificação profissional e ao Professor Ildeu Soares Martins pelo processamento de dados e estatística.

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Recebido: 15 de Dezembro de 2014; Aceito: 02 de Novembro de 2015

Francis Lívio Corrêa Queiroz Departamento de Engenharia Florestal, Universidade de Brasília, Campus Universitário Darcy Ribeiro, Via L3 Norte, s/n, Asa Norte, CP 04.357, CEP 70910-900, Brasília, DF, Brasil e-mail: francislcq@hotmail.com

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