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Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva

versão On-line ISSN 2179-8397

Rev. Bras. Cardiol. Invasiva vol.20 no.3 São Paulo  2012

http://dx.doi.org/10.1590/S2179-83972012000300020 

NOTAS E INFORMAÇÕES

 

In memoriam

 

 

Marco V. Wainstein

Professor da Faculdade de Medicina – Hospital das Clínicas de Porto Alegre – Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Porto Alegre, RS Coordenador do Laboratório de Cateterismo Vascular – Hospital Moinhos de Vento – Porto Alegre, RS

 

 

 

Jorge Pinto Ribeiro, nascido em 9 de abril de 1955, faleceu no dia 23 de agosto de 2012, aos 57 anos. Ribeiro deixa esposa, Cora Helena, e três filhos, Mariana, Clarissa e André.

Ribeiro graduou-se em medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1978. Fez residência médica em medicina interna no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA, Porto Alegre, RS) e transferiu-se para Boston, Estados Unidos, em 1981, onde permaneceu até 1985. Em Boston, realizou seu doutorado em fisiologia aplicada pela Boston University, graduando-se com distinção. Simultaneamente, manteve seu foco na prática clínica, iniciando seu fellowship em cardiologia no Brigham and Women's Hospital, importante hospital da Harvard Medical School. Foi quando teve a oportunidade de conviver com grandes ícones da cardiologia moderna, como Eugene Braunwald, Peter Libby, Peter Ganz, Tom Smith e Wilson Collucci, entre outros, participando ativamente de projetos de pesquisa desenvolvidos nesse ambiente. Seu destacado desempenho durante esse período estabeleceu um vínculo profícuo e permanente com a Harvard University e seus hospitais. Em virtude disso, Ribeiro encaminhou outros colegas de seu grupo, entre eles Paulo Picon, Luís Eduardo Rohde, Carisi Polanczyk e Marco Wainstein, para que também lá aperfeiçoassem sua formação. Após o retorno a Porto Alegre, esse grupo passou a desempenhar funções de destaque em suas respectivas áreas de atuação.

Ao retornar ao Brasil e ao HCPA, ainda como professor de fisiologia do exercício, começou a se envolver intensamente na assistência. Em 1989 fez concurso para professor assistente do Departamento de Medicina Interna da Faculdade de Medicina da UFRGS, passando em primeiro lugar entre os 104 inscritos, com média 10. No Serviço de Cardiologia, começou a estruturar os métodos diagnósticos não-invasivos, como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico e monitorização ambulatorial da pressão arterial, imprimindo o mesmo padrão de excelência que havia vivenciado em Boston. Posteriormente, entre 1997 e 2005, Ribeiro chefiou o Serviço de Cardiologia do HCPA. Sua gestão, marcada por atitudes inovadoras, refletiu sua maneira ética e dinâmica de trabalhar e enfrentar problemas. Ainda no HCPA e no Departamento de Medicina Interna, foi coordenador da Comissão de Pesquisa e Pós-Graduação, chefe de Métodos Não-Invasivos e Cardiologia Intervencionista, e coordenador do Curso de Pós-Graduação em Cardiologia Clínica da UFRGS.

Foi o principal responsável pelo planejamento e pela criação do Serviço de Cardiologia do Hospital Moinhos de Vento (Porto Alegre, RS), onde, desde 2000, exercia a função de chefe do Serviço.

Ribeiro foi um homem de atitudes muitas vezes polêmicas e desafiadoras, primando sempre pela melhor evidência científica disponível. Pesquisador do CNPq e livre-docente em cardiologia pela Universidade de São Paulo (USP, São Paulo, SP), iniciou sua sólida carreira como pesquisador, ainda antes de rumar para os Estados Unidos, no Laboratório de Pesquisa do Exercício (LAPEX) da UFRGS, sob a égide do renomado professor Eduardo Henrique DeRose. Foi onde deu início às linhas de pesquisa em fisiopatologia do exercício e controle do sistema nervoso autônomo. Sua atividade como pesquisador rendeu-lhe inúmeras publicações em prestigiosas revistas internacionais, de alto fator de impacto. Ao longo de sua carreira de orientador de pós-graduação formou 31 mestres e 26 doutores.

Ribeiro era reconhecido internacionalmente como exímio palestrante e conferencista, o que lhe rendeu intensa participação em eventos científicos tanto nacionais como internacionais. Sob o ponto de vista associativo, Ribeiro atuou como vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). O reconhecimento de seu esforço extrapolou fronteiras regionais, quando a SBC o agraciou com o Prêmio de Dedicação à Pesquisa.

Além de sua destacada atuação como pesquisador, cardiologista clínico e orientador de pós-graduação, Ribeiro tinha duas outras grandes paixões: dar aulas para a graduação, para os alunos de clínica médica da Faculdade de Medicina da UFRGS, e atuar como cardiologista intervencionista. Em seus últimos anos de vida esteve muito próximo da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI). Participou ativamente como palestrante destacado dos congressos da SBHCI, incluindo a última edição realizada em Salvador, Bahia. Presentemente, Ribeiro era chefe da Unidade de Hemodinâmica do HCPA.

Ribeiro era, acima de tudo, um entusiasta pela vida. Além de viver intensamente seu trabalho, conseguia manter intenso convívio familiar, desfrutar da companhia de amigos e se dedicar ao lazer. Desportista nato, praticou natação competitiva ainda durante a juventude, dedicando-se, posteriormente, ao esqui aquático, ao surf e, ainda, ao tênis. Gostava também de festas com os amigos e de dançar. Ribeiro nos abandona de forma súbita. Vítima de uma neoplasia para cujo tratamento a medicina ainda não oferece alternativas eficazes, sua partida precoce nos deixa órfãos de sua sabedoria e de seus maravilhosos ensinamentos. Seu maior legado vivo foi o grupo de médicos que ajudou a formar e que pretendem perpetuar sua obra.

 

Marco V. Wainstein