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História da Educação

versão impressa ISSN 1414-3518versão On-line ISSN 2236-3459

Hist. Educ. vol.19 no.47 Santa Maria set./dez. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/2236-3459/47454 

Dossiê Imagem e Cultura Visual

FOTOGRAFIA, IMPRENSA DE VARIEDADES E EDUCAÇÃO: DISCURSOS VISUAIS E TEXTUAIS SOB O FOCO DE UMA PEDAGOGIA DE REVISTA

PHOTOGRAPHY, VARIETY PRESS AND EDUCATION: SPEECHES VISUAL AND TEXTUAL UNDER THE FOCUS OF A PEDAGOGY OF MAGAZINE

FOTOGRAFÍA, PRENSA DE VARIEDADES Y EDUCACIÓN: DISCURSOS DEL VISUAL Y TEXTUAL BAJO EL ENFOQUE DE UNA PEDAGOGÍA DE REVISTA

PHOTOGRAPHIE, REVUE DE VARIETE ET EDUCATION: DISCOURS VISUEL ET TEXTUEL SOUS LE THÈME D'UNE PÉDAGOGIE DE REVUE

Cláudio de Sá Machado Júnior1 

1Universidade Federal do Paraná, Brasil


Resumo

Neste artigo discutem-se possíveis usos e funções da imprensa de variedades ao destacar o potencial pedagógico da fotografia, considerada um signo discursivo de estatuto próprio que não deve ser desvinculado dos signos textuais. Sua contribuição problematiza os estudos em história da educação, sugerindo caminhos teóricos e metodológicos a partir de bibliografia produzida no campo das ciências humanas e da análise do discurso. Tem como exemplo específico aRevista do Globo, periódico quinzenal sul-rio-grandense, com ênfase à década de 1930. Por fim, reivindica o estudo da imprensa de variedade como uma das muitas possibilidades de se estudar as instituições e as práticas escolares, mas também ela própria como um dispositivo educativo ora de referência, ora referencial.

Palavras-chave: fotografia; educação; imprensa; discurso; pedagogia de revista

Abstract

This article discusses possible uses and functions of the variety press of teaching potential of the photograph, considered a discursive sign of the statute should not be disconnected from the textual signs. This contribution discusses the studies in the history of education, suggesting theoretical and methodological literature produced from the field of humanities and discourse analysis paths. Has the specific example of the Revista do Globo, biweekly Rio Grande do Sul magazine, giving emphasis to the 1930s. Finally, the study claims the press of variety as one of many possibilities to study the institutions and school practices but also as an educational device reference and referential.

Key-words: photography; education; press; speech; pedagogy of magazine

Resumen

Este artículo discute los posibles usos y funciones de la prensa para destacar la variedad de posibilidades de la fotografía, la enseñanza, considerada un signo discursiva de la propia ley no debe ser desconectado de los signos textuales. Su contribución se analizan los estudios de la historia de la educación, lo que sugiere la literatura teórica y metodológica producido a partir del campo de las humanidades y las trayectorias de análisis del discurso. Tiene el ejemplo concreto de la Revista do Globo, periódico quincenal del Rio Grande do Sul, dando énfasis a la década de 1930. Finalmente, el estudio afirma la prensa de la variedad como una de las muchas posibilidades para el estudio de las instituciones y las prácticas escolares pero también a sí misma como un dispositivo de referencia y referencial

Palabras-clave: fotografía; educación; imprensa; discurso; pedagogía de revista

Résumé

Cet article examine les utilisations et les fonctions possibles des images de la revue de variété pour mettre en évidence les potentielles pédagogiques de la photographie, c'est en considéré comme un signe discursif par elle-même qui ne doit pas être déconnectée des signes textuels. Les questionnements suscités par la photographie contribuent par les études en histoire de l'éducation, ce qui suggère les nouveaux chemins théoriques et méthodologiques à partir de littérature qui se produit dans le champ des sciences humaines et de l'analyse du discours. Au Brésil, le périodique hebdomadaire de sud de pays,Revista do Globo, on présente comme un cas spécifiques, mettant l'accent sur les années 1930. L'étude de revue de variété se présente comme plus une forme d'étudier les institutions et les pratiques scolaires, ainsi qu'elle-même comme l'instrument pédagogique de référence et référentiel.

Mots-clé: photographie; éducation; revue de variété; discours; pédagogie de revue

Direto ao ponto: de qual modo as fotografias da imprensa de variedades podem contribuir para os estudos de História da Educação? A experiência da leitura de artigos provenientes da respectiva área em periódicos científicos corroborará a ideia de que, entre as tendências recentes da História da Educação, o uso de fontes oriundas da imprensa aparece em quantidade razoável. Em especial, verifica-se uma preocupação maior com a chamada imprensa escolar, que possui vínculos com instituições e grupos sociais específicos. Da mesma forma, constata-se nesses trabalhos que os usos da fotografia são cada vez mais reivindicados como fonte visual que está muito além do mero suporte ilustrativo. Exigem-na como linguagem específica que se articula em diferentes graus junto a outras práticas de comunicação. Quando a fotografia está vinculada à imprensa, seu alcance visual é potencializado consideravelmente, conforme a capacidade de circulação das respectivas publicações.

No caso da grande imprensa 1 , ou da imprensa de massa, que no entendimento de Jesús Martín-Barbero (2013, p. 174) designa os meios que atingem "o modo como as classes populares vivem as novas condições de existência, tanto no que elas têm de pressão quanto no que as novas relações contêm de demanda e aspirações de democratização social", o alcance da informação é percebido não somente pela quantidade de receptores, mas também por sua pluralidade, sendo o popular a maior parte da composição das massas. O periódico, seja ele jornal ou revista, ultrapassa a recepção do circuito de consumo que se restringe a um segmento específico, geralmente delimitado por um contexto de filiações institucionais ou por afinidades culturais, como ocorre em muitos estudos sobre a imprensa escolar.

Mas não basta utilizar-se das fotografias de imprensa para acrescentar uma nova perspectiva aos estudos de História da Educação. Há necessidade de se familiarizar com as fundamentações teóricas e metodológicas que foram criadas a seu respeito, mesmo que se tenha em mente a impossibilidade de se conhecer tudo que existe a respeito. Quem já se aventurou em busca de leituras sobre a imprensa e sobre a fotografia sabe do que estou falando, visto a quantidade significativa de produções que dão conta de uma série de discussões nem sempre dialógicas. Não tenho por intenção hierarquizar os textos que elevam as fontes visuais da imprensa ao patamar de uma nova fonte, mas alerto para a necessidade de fundamentações que municiem melhor nossas pesquisas, ao menos no que diz respeito ao reconhecimento estatuário desses vestígios históricos.

Maurício Estevam Cardoso (2011), em texto específico que busca uma aproximação entre os pressupostos da História da Educação e da História Cultural, ajuda-nos a compor com uma breve lista algumas dessas múltiplas possibilidades de pesquisas:

Além das tradicionais fontes para o estudo da História da Educação - documentos oficiais, relatórios de instrução pública, resoluções e leis, fontes escritas de natureza oficial em geral - novas fontes são utilizadas pelos historiadores da educação, como as revistas pedagógicas, os manuais escolares, revistas, jornais, peças publicitárias, obras artísticas, programas de rádio e televisão, os materiais produzidos e utilizados no cotidiano escolar - cadernos e trabalhos de alunos, fotografias, desenhos, cartazes, programação de comemorações cívicas, provas etc. - e, também, fontes que não apresentam relação direta com a educação, como a literatura e as autobiografias. Pode-se contar também, para os períodos mais recentes, com o trabalho com fontes orais. (Cardoso, 2011, p. 289)

A imprensa, e especificamente a imprensa de revista, consegue aglutinar em seus conteúdos vários desses elementos mencionados por Cardoso (2011). Muitas vezes encontramos nela reproduções diagramadas de obras artísticas, de publicidades, de conteúdos literários e autobiográficos, informes e comentários sobre programas e novidades da televisão e do rádio, reportagens sobre a educação em suas diversas possibilidades de abordagem, além, é claro, de fotografias. O desafio de se trabalhar com a imprensa de revista requer não apenas uma especialização, mas também um esforço amplo para conseguir articular seus vários conteúdos que, conseguinte, representam múltiplas linguagens. A fotografia, a rigor, não deve ser interpretada distante da leitura dos editoriais, sem a percepção de que é necessário estabelecer uma relação com os demais conteúdos visuais, com os textos diversos, e assim por diante. Logo, a revista não deve ser descaracterizada de seu contexto histórico cuidadosamente apresentada à memória pela narrativa histórica.

Daniel Bougnoux (1999, p. 91) lembra que "tanto no jornalismo como na arte, a fotografia, e depois o cinema, provocaram um curto-circuito sensível, e trazem um enriquecimento surpreendente das mensagens". A comunicação que se iniciou, predominantemente, verbal nos jornais modernos, com o advento das tecnologias aplicadas ao trabalho gráfico tornou-se gradativamente inserida na qualidade de signos visuais em meio a um conjunto de signos linguísticos. Entre o final do século 19 e início do século 20 as publicações de revistas seguiram, de certo modo, a voga editorial imbricada em uma rede de influências visuais que foram caracterizando conteúdos cosmopolitas manifestadamente em todos os seus conteúdos comunicativos. André Rouillé (2009, p. 128) menciona as revistas francesas. Podemos considerar também as revistas alemãs e estadunidenses, que teriam sido responsáveis, desde o último século, por um favorecimento do ver em detrimento do ler:

A revista Vu qualifica-se como objetiva, Regardsmostra nitidamente seu engajamento, enquanto Voilà busca as reportagens sensacionalistas. Mas todos os três se inserem na grande mutação que atingiu o jornalismo ocidental no ano de 1920: os leitores de jornais começam a querer "ver, mais do que ler", e a "preferir a informação veiculada pela foto àquela veiculada pelo texto". [...] O jornalismo moderno caracteriza-se pelo nascimento do periódico ilustrado fotográfico, um novo híbrido, cuja particularidade é ser lido e olhado ao mesmo tempo: a informação não é somente uma questão de texto, mas, também, de fotografia. O novo estilo jornalístico é, assim, seguido por uma transformação das relações entre texto e imagem, entre o legível e o visível: "aos poucos, o texto transforma-se em simples recheios entre as fotos". (Rouillé, 2009, p. 128)

Evidentemente, a afirmação de Rouillé pode se por como uma afronta aos estudiosos dos processos pedagógicos escolares situados nesse mesmo período, ou seja, do início do século 20. Como poderia aumentar o desinteresse pela leitura em um momento em que o alcance da escola começa a se expandir de forma mais significativa nas sociedades ocidentais? O próprio autor buscou o questionamento sobre o desafio àcivilização da leitura, um termo inspirado por Rudolf Arnheim, refletindo sobre a experiência da fotografia na imprensa germânica, que teria gerado entre os meios de comunicação um caloroso debate. Parece que a imprensa de revista seguia na contramão da educação, privilegiando os meios de difusão de imagens em detrimento das letras. Mas nem por isso o conteúdo textual foi extinto das publicações de revistas. Pelo contrário, o advento do fotojornalismo ressignificou as duas linguagens, conceituando "o uso de fotografias e textos relacionados para representar acontecimentos da atualidade de acordo com certas estruturas narrativas", segundo definiu Helouise Costa (2012a, p. 31) com base no estudo de Wendy Kozol (1994).

Ao considerar a relação entre fotografia e imprensa como um fenômeno histórico, ou seja, como um objeto que não deve ser generalizado e que tem necessidade de ser situado em um contexto que lhe atribui legitimação social, Helouise Costa (2012a) se aproxima da reflexão feita por Pierre Bourdieu (2003), quando o sociólogo afirma que a fotografia pode ser considerada como um produto cultural socialmente definido e que cumpre, de certo modo, funções sociais:

Puesto que está siempre orientada al cumplimiento de funciones sociales y socialmente definidas, la práctica común de la fotografía es necesariamente ritual y ceremonial, por lo tanto estereotipada, tanto en la elección de los objectos como en sus técnicas de expresión. Pobre instituición, que no se lleva a cabo más que en circunstancias y en sitios preestabelecidos y que, destinada a solemnizar lo solemne y a sacralizar lo sagrado, ignora la ambición de promover a la categoría de "fotografía" todo lo que no se define objectivamente (es decir socialmente) como "fotografiable" y susceptible "de ser fotografiado", puesto que ése es el principio que funda su existencia y determina sus límites. (Bourdieu, 2003, p. 79)

Com a afirmação das revistas de variedades nas primeiras décadas do século 20, o ritual e cerimonial fotográfico, que muitas vezes esteve restrito à vida privada e a álbuns de família, ganhou notoriedade em páginas de revistas e modificou a ideia de noção de privacidade para fotografias que foram concebidas no seu momento de produção para a circulação em um ambiente restrito. Outras, por sua vez, já foram produzidas no contexto idealizado de uma grande circulação. É claro que não estamos falando de fotografias de políticos ou artistas, cuja ideia de imagem pública e visualmente reconhecida caracteriza-se de forma mais acentuada, mas sim de pessoas cujos rostos circulam de forma restrita na imprensa de massa. Pessoas ligadas às elites médias urbanas, geralmente vinculadas ao comércio ou à indústria, em sua grande maioria. As fotografias da vida (quase) privada (Machado Júnior, 2011) recebiam um novo significado nas páginas das revistas que as confundiam com a própria experiência da vida pública.

Para exemplificar um pouco do que estou falando, apresento a experiência que pude acompanhar ao longo de quatro anos de pesquisa de doutoramento. Não quero dizer que aRevista do Globo sirva como um exemplo universal e generalizante, pois cada contexto histórico tem a sua especificidade e cada publicação terá a sua perspectiva particular sobre a criação, diagramação e publicação de seu conteúdo diversificado. De qualquer forma um estudo comparado entre as publicações periódicas se faz mais do que necessário no âmbito de nossa produção historiográfica.

Não vou me aprofundar no tema, mas também não vou deixar de mencioná-lo. De volta ao objeto, a Revista do Globo não se caracterizou como uma publicação especializada em um único tema, pelo contrário, sempre se apresentou como voltada para um conteúdo de ampla variedade. Teve entre seus subtítulos adjetivações comoQuinzenário de cultura e de vida social, de 1929 a 1932,Magazine de atualidade mundial, em 1933, e os nada modestosA maior e melhor revista do sul do Brasil e O magazine que apresenta a melhor e mais completa leitura do Brasil, em 1939.

A inserção da Revista do Globo no cenário editorial a partir de 1929, com altos e baixos até sua última edição de 1967, caracterizou-se pela afirmação de uma publicação quinzenal de significativa circulação no Rio Grande do Sul, ancorando-se como produto cultural voltado para acrescentar uma nova experiência social de leitura e contemplação de impressos. Quem sabe, não denominaríamos o termo como sendo uma nova pedagogia do olhar, absorvendo uma proposta editorial que acompanhava a história do design diagramatical europeu e estadunidense. Seria esta uma característica geral das revistas da primeira metade do século 20. Então poderia se afirmar que se tratando de uma pedagogia, essas publicações eram responsáveis pela difusão de certo tipo de educação? A resposta é sim e não. Retomo ao pensamento de Helouise Costa (2012b), que em texto específico sobre a presença fotográfica nas revistas ilustradas traz uma reflexão pertinente ao assunto:

A pedagogia do olhar, implementada pelas revistas ilustradas, vinha aparentemente contribuir para ampliar a percepção do novo observador urbano e desenvolver a sua capacidade de discernimento diante da profusão de imagens da sociedade moderna [...]. No entanto, se analisarmos mais atentamente a interpretação de mundo oferecida pelos discursos e pelas imagens das revistas, veremos que não se tratava exatamente de uma pedagogia, se considerarmos a crítica como instância inerente aos processos pedagógicos. O mundo era apresentado em fragmentos, depois de passar por um processo radical de estetização por meio da fotografia. [...] o público era induzido a fruir as imagens de maneira lúdica e desinteressada, de acordo com os novos padrões de alternância entre atenção e dispersão instaurados pela modernidade. (Costa, 2012b, p. 168)

A pedagogia da revista, e dentro dela a pedagogia do olhar, caracterizar-se-ia em uma forma unilateral de comunicação, na qual a imagem se apresenta como signo proveniente de um emissor e na qual o receptor se caracterizaria como sujeito passivo. Lembra um pouco a ideia de Paul Thompson (2011, p. 299) sobre o conceito de "quase-interação mediada", inspirada na ideia de "para-interação" de Donald Horton e Richard Wohl (1954) "pois o fluxo de comunicação é predominantemente de mão única, e os modos de resposta através dos quais os receptores podem se comunicar com o comunicador principal são estritamente limitados". Mas se por um lado não há resposta sobre a interação do receptor com o emissor, pode-se afirmar que a existência do conteúdo de revista, e no caso específico do conteúdo fotográfico, é sintagmático no que se refere à experiência social, pois será ele que, de certo modo, influenciará o que deve ou não ser publicado, modelará sua forma, seja sob o signo visual ou textual, voltando-se para uma lógica de consumo em que muitas vezes o objeto torna-se o próprio sujeito.

Outra explicação partiria da defesa de que o indivíduo que observa não necessariamente assimila de forma passiva tudo aquilo que vê. Apesar da natureza oriunda de uma "meganarração", para pegar de empréstimo o termo mencionado por Patrick Charaudeau (2013, p. 157), temos na perspectiva da recepção uma ideia que se caracteriza pela diversidade e não pela uniformidade. O conceito utilizado de "meganarração" tem como base as reflexões de Benoît Grevisse (1993), indicando que as características de encenação social se fazem presentes não somente na fotografia, mas também no discurso textual midiático. O fato de que o indivíduo não assimila determinado conteúdo da mesma forma não é equivalente a dizer que todos assimilam, ou que todos se comportam de forma passiva diante de uma imagem. A negação, nesse caso, ou mesmo a contestação, faz parte de um processo de aprendizagem, uma vez que o receptor da mensagem a devolve não necessariamente ao produto - que é a revista - mas sim aos próprios produtores, caracterizados pelos idealizadores daquele conteúdo, integrantes de segmentos sociais.

Bernd Stiegler (2005) trabalhou com a ideia de que as fotografias são uma espécie de reflexo visual da realidade. Uma realidade de certo pré-construída, caracterizada por uma série de códigos culturais e naturais, cujos produtos criados pela sociedade retornam à ela e, por que não dizer, a modificam segundo diferentes graus de sociabilidade:

Photographs continue to be visual reflections of reality; they are realism mediated by the medium and concentrated in images - even if this reality is a radically constructed one, at times consisting of nothing more than a visual material generated and manipulated by a computer. Even then, photography is an abbreviation of a specific concept of reality, wich indeed can be, and times has been, grasped as a radical construction. (Stiegler, 2005, p. 194)

Na imprensa, e neste caso específico na imprensa de revista, é possível apreendermos não somente imagens e textos que nos dão informações sobre práticas escolares, sobre instituições e grupos de ensino, mas também podem ser seus conteúdos aproximados com aqueles aplicados à ideia de condicionamento da educação. Se a escola ensina determinadas coisas, por que não as revistas, evidentemente dentro de uma lógica muito diferente, também não o fazem? O que diferencia o ato de ler um livro didático, um manual escolar do início do século e uma revista de variedades no que diz respeito à obtenção de conhecimentos? Alguns autores trabalharam com a ideia de efemeridade no quanto ao conteúdo das revistas. Mas o que quero provocar é o fato de que por vezes o conteúdo escolar, que é apresentado como essencial para a formação social, não passa de uma efemeridade se não estabelecer uma relação concreta com o mundo no qual se insere o sujeito. O que eu defendo aqui é a ideia de que as revistas de variedades, mesmo quando não se direcionaram a determinados conteúdos de natureza escolar, também desempenharam uma determinada função formativa, mesmo que seus efeitos sejam, dentro da perspectiva histórica, muito difíceis de serem apreendidos.

A relação entre emissão e recepção de mensagem talvez possa ser medida por uma série de práticas sociais que o entrecruzamento de fontes históricas pode estabelecer. RogerChartier (2010) trilhou este caminho ao pensar nos obstáculos enfrentados por aqueles que se pretendem historiadores da cultura e que desejam ir além no processo de interpretação histórica:

Daí se depreende o principal desafio que se apresenta à história cultural: como pensar a articulação entre os discursos e as práticas. [...] O objeto fundamental de uma história que se propõe reconhecer a maneira como os atores sociais dão sentido a suas práticas e a seus enunciados se situa, portanto, na tensão entre, por um lado, as capacidades inventivas dos indivíduos ou das comunidades e, por outro, as restrições e as convenções que limitam - de maneira mais ou menos clara conforme a posição que ocupam nas relações de dominação - o que lhes é possível pensar, dizer e fazer. (Chartier, 2010, p. 47-49)

Permita-me tomar alguns exemplos práticos da pedagogia de revista presente em algumas esferas da Revista do Globo. Considerando que o produto que está publicado nas páginas de um periódico é, em certo grau, uma configuração narrativa, seja visual ou textual de um mundo pré-configurado, e que "a verdade não está no discurso, mas somente no efeito que produz", conforme indica Patrick Charaudeau (2013, p. 63) valorizando uma articulação entre o discurso e a prática, a mensagem apreendida por seu consumo não fugiria muito dos parâmetros reconhecidos pelas próprias convenções sociais. Isso seria fundamental para a aceitação por parte de seu público e, consequentemente, para manter o empreendimento editorial em funcionamento, afinal a imprensa constitui-se por um conjunto de empresas que dependem de estabilidade financeira para se manter em atividade.

Esta relação entre o público e conteúdo vai direcionar as formas de construção do discurso no que tange vários aspectos da esfera social: a percepção da cidade e de seus espaços; a definição de um conceito de família e de laços de parentesco, reproduzindo uma lógica de convenções baseadas em relações de poder entre homens e mulheres; a elaboração de um sentimento cívico - fundamental para a difusão de um ideal republicano nas primeiras décadas republicanas; as concepções sobre dogma religioso - que, no caso brasileiro, valorizou de forma significativa o cristianismo católico e, na maioria dos casos relacionados à imprensa de massa, trouxe as outras doutrinas sob o signo do exotismo; a definição da ideia de lazer e ocupação do tempo ocioso; a definição sobre o valor do trabalho na sociedade - hierarquizando profissões e atribuindo maior visibilidade a umas em detrimento de outras; a reprodução de estereótipos culturais relacionados às experiências étnicas; e, por fim, mas não apenas, a visibilidade de instituições educacionais formais, a demarcação da valorização do ensino correlacionada ao mundo do trabalho e, consequentemente, ao desenvolvimento da nação, atribuindo a necessidade de disciplina quase sempre aproximada da valorização de práticas esportivas, reelaborando a noção de uma escola que formaria cidadãos-soldados.

As orientações narrativas sobre alguns desses aspectos da esfera social que mencionei não foram simplesmente invenções do universo periódico a fim de manipular as pessoas. Na verdade, caracterizam-se como uma configuração de um mundo já pré-configurado, cujo desvio em relação a valores e normas instituídas poderiam causar estranheza no público consumidor, que passaria a não se identificar mais com aquela publicação e, de certo modo, poderia lhe atribuir outro papel social quanto a seus usos e funções. A estranheza ou a recusa ao consumo de conteúdo pode ser caracterizada nos patamares de uma quase-interação, porque esse retorno não recai sobre o produto cultural, meio evidente de comunicação, mas sobre os seus produtores, que também fazem parte de segmentos sociais. Nesse caso, a produção de discursos está imbricada à produção de práticas que, por sua vez, se indissocia de determinadas culturas: "A cultura éhabitus, na expressão de Pierre Bourdieu, mas também é, contraditoriamente, a existência mais sutilmente autorreflexiva de que somos capazes", nas palavras de Terry Eagleton (2011, p. 164).

No entanto, ao longo do século 20 a importância das mídias impressas, no caso da imprensa de revista, deve ser consideravelmente relativizada. O advento tecnológico possibilitou o avanço, por parte de outros dispositivos midiáticos, com especial destaque para o rádio e, a partir da segunda metade do referido século, a televisão. O que se observou em pesquisa realizada nos Estados Unidos foi que a partir da década de 1930, apesar do contínuo aumento das tiragens dos jornais impressos, a proporção deste pelo número de famílias diminuiu gradativamente. Ou seja, no início do século 20 a quantidade de jornais em relação ao número de pessoas atingia patamares mais altos do que aqueles que viriam a partir da proximidade da metade do século. A constatação é feita por Melvin DeFleur e Sandra Ball-Rockeach (1993, p. 74):

Os aumentos da circulação reduziram-se após 1910. O evidente ponto culminante do jornal norte-americano ocorreu em cerca de 1920, logo após a Guerra Mundial. Desde então, o veículo sofreu queda constante e observável. Mesmo outros aperfeiçoamentos da tecnologia e da coleta de notícias, impressão, distribuição e alfabetização não abrandaram essa tendência declinante. Conquanto mais jornais sejam vendidos hoje em dia em sentido absoluto e os lucros do jornal continuem elevados, não acompanharam o andamento dos acréscimos do número de residências norte-americanas. Qual tem sido a base desse declínio? [...] Uma teoria adequada do relacionamento entre uma sociedade e seus veículos de massa deveria poder responder pelo decréscimo de utilização, assim como pelo aumento dos veículos. Por outras palavras, uma análise da invenção, adoção e institucionalização de um elemento cultural tal como o jornal, e do complexo organizacional que o produz, seria incompleta sem considerar as variáveis que podem levar à sua obsolescência.

A inserção da Revista do Globo no mercado editorial acompanha, de certo modo, esta relação diferenciada entre o crescimento demográfico e o consumo de conteúdos oriundos da imprensa. Como problematizam DeFleur e Ball-Rockeach isso aconteceu paralelamente ao aumento de oferta de escolas e, consequentemente, de alfabetização. Em um primeiro momento o grande concorrente da imprensa escrita foi o rádio. No caso específico da Revista do Globo é interessante observar como a temática do rádio esteve cada mais presente em algumas matérias publicadas ao longo da década de 1930. Em particular, a edição de 23 de maio de 1935 trouxe uma reportagem sob o título de O rádio a serviço da educação, que apresenta a noção de que os veículos de comunicação deveriam ser responsáveis por assumir um papel educativo na sociedade, equilibrando esta missão com suas metas financeiras, que garantiriam a permanência do veículo no mercado das comunicações. De certo, como defendido anteriormente, o papel pedagógico dos veículos de comunicação muitas vezes se encontra nas entrelinhas, selecionando um conteúdo que não necessariamente está claro como dispositivo educativo. Já outras vezes está explícito:

Colocado em plano de incontestável relevo como processo educativo, a radiofonia promete atingir em nosso país a expressão cultural e social alcançada em muitos outros. [...] Em seis irradiações semanais, quatro dedicadas a pais e mestres e duas aos escolares, foi executado interessante programa elaborado em vista dos propósitos e necessidades educacionais do momento. [...] Essas irradiações culturais, bem como as sessões infantis, cuja organização e execução foram confiadas aos nossos colégios elementares, vieram por de relevo todas as possibilidades educativas da radiodifusão, quando orientada pelo esforço conjugado de rádios técnicos e técnicos da educação. (Revista do Globo, 23 maio 1935, p. 29)

Em outro momento, em edição de fevereiro de 1937, intitulada Brasileiros! O analfabetismo é um fenômeno desolador, a Revista do Globoassumiu um novo discurso frente à necessidade da educação da sociedade brasileira. Alinhava-se ao discurso cívico-nacionalista e, neste momento, estava próxima à política proposta por Getúlio Vargas, o que pode ser percebido desde a sua criação em 1929. Diga-se de passagem que a própria proposta de criação da revista foi feita pelo então presidente do Estado do Rio Grande do Sul.

A percepção da relação de determinado conteúdo informativo não pode ser analisada isoladamente de outros conteúdos, também presentes na revista, que assumem uma conotação complementar àquilo que está sendo dito ou visualizado. Vejamos o caso deste texto de 1937 e, posteriormente, façamos uma relação com a imagem que a ele está vinculada. O tema é a Cruzada Nacional de Educação, então presidida por Gustavo Armbrust, em consonância com a política que viria a se instaurar naquele mesmo ano, visando a permanência de Vargas no governo e a instituição do Estado Novo:

O número alarmante de crianças em todo o Brasil que não frequentam escolas é de estarrecer. A realidade desta afirmativa está nos seguintes algarismos: População de 7 a 14 anos - 9.500.00. Crianças sem escolas - 7.400.000. Frequentam escolas - 2.100.000. Se estes números representam a população, que dizer do número de adultos analfabetos? É por isso que a Cruzada Nacional está cada vez mais empenhada em levar adiante a tarefa a que se impôs - o combate sem tréguas ao analfabetismo. [...] A Cruzada Nacional de Educação está certa de que os Srs. Governadores e Prefeitos Municipais atenderão ao apelo que ela lhes faz para que no dia 13 de maio de 1937 seja aberta, pelo Governo Estadual ou pela Prefeitura, ao menos uma escola em cada município brasileiro. Atendido este apelo, estarão criadas as primeiras 1.500 escolas. (Revista do Globo, 27 fev. 1937)

Primeiro uma análise do discurso isolado de outras linguagens presentes na página da revista. A ideia de combater ao analfabetismo e investir na criação da escola já se caracteriza praticamente como uma convenção apoiada socialmente, visto o lugar que a educação ocupa na nossa cultura - apesar das práticas muitas vezes destoarem da realidade. A constatação de uma significativa quantidade de crianças, de 7 a 14 anos, que não frequentam a escola é relacionada ao próprio conceito de analfabetismo. Evidentemente, podemos indagar sobre a diferença entre crianças que não frequentam a escola e crianças que nunca frequentaram a escola, relativizando a ideia de analfabetismo como é exposta pelo texto. Esta interpretação fragilizaria a próxima afirmação, dando a ideia de que o fato de não frequentar a escola, ao invés de nunca ter frequentado, é reflexo do analfabetismo entre adultos. Assim como no primeiro caso, podemos deduzir que, em 1937, havia uma grande quantidade de adultos que não frequentavam alguma instituição de ensino, ao menos na condição de discente.

Cynthia Greive Veiga (2011) apresenta um dado, obtido junto a estudo realizado por José Murilo de Carvalho, cujo índice de analfabetismo no Brasil situa-se em torno de 76,5% na década de 1920. Sem falar na relação numérica entre escolas públicas e privadas e no controle exercido pela Igreja, que chegava a 70% nas escolas particulares, segundo dado levantado por Clarice Nunes (2003) a partir de um estudo de Sérgio Miceli.

A apresentação dos dados na Revista do Globo justifica a realização da Cruzada Nacional de Educação, cuja pergunta Como resolver este problema? é respondida na sequência do texto, entendendo-se que o fato das crianças não frequentarem escolas está relacionado à constatação da necessidade de fundação de um número maior de escolas. Enfim, uma série de problemas no que diz respeito ao uso do signo verbal de imprensa como fonte histórica pode ser apontado nesse pequeno trecho. Mas vou agregar uma leitura de página inteira, na qual o texto está dividindo espaço com duas fotografias, estabelecendo uma relação direta na composição diagramatical da página, uma suposta relação direta com dois objetos discursivos do texto, política pública e criança, mas uma relação indireta desde o ponto de vista da inserção do periódico no seu contexto social.

Figura 1 Fotografias diagramadas com o texto Brasileiros! O analfabetismo é um fenômeno desolador  

Na primeira fotografia, situada na parte central e superior da página, temos em destaque a imagem de um carro, que aparentemente não possui relação nenhuma com o texto. A leitura da legenda permite a identificação de que se trata do então prefeito de Porto Alegre, que esteve à frente do cargo entre os anos de fevereiro de 1928 a outubro de 1937. A fotografia conota, para definição do termo utilizado por Roland Barthes (1990), um momento em que o político teria sido surpreendido pelo fotógrafo, gerando uma falsa noção de instantaneidade e espontaneidade. A construção da imagem fotográfica passa por um acordo entre fotografado e fotógrafos, cujas poses, com destaque ao pé direito do prefeito, que engendra a impressão de movimento, e do olhar tanto do prefeito quanto de seu motorista, que ressignificam a invisibilidade do fotógrafo do enquadramento, mas indicam a sua presença no ato fotográfico. Sobre o carro? Bem, um modelo V8 do ano de 1937, que simboliza uma harmonia entre poder e capital econômico, signos que são transferidos, dentro de convenções sociais, à personalidade do político.

O contrato entre quem registra e quem é registrado na fotografia se reforça pela assinatura do estúdio de Azevedo & Dutra, presente em uma quantidade significativa de fotografias publicadas na Revista do Globo ao longo da década de 1930. Tanto os signos textuais presentes na fotografia, quanto nos espaços respectivos das legendas desempenham uma função pedagógica do olhar, pois identificam pessoas, lugares e eventos, além de direcionar o olhar para o que ela aponta como meritório de se ver. Nas palavras de Marília Scalzo (2013, p. 69),

Quando alguém olha para uma página de revista, a primeira coisa que vê são as fotografias. Antes de ler qualquer palavra, é a fotografia que vai prendê-lo àquela página ou não. Fotos provocam reações emocionais, convidam a mergulhar em um assunto, a entrar em uma matéria. [...] E se as fotografias são a as principais portas de entrada em uma página, para os leitores as legendas têm que funcionar como maçanetas.

A ordem proposta por Scalzo poderia confundir o leitor da Revista do Globo? Que significado poderia se extrair por uma leitura do discurso visual e verbal nesta respectiva ordem? Saberia o leitor que, ao olhar a fotografia, se trataria de um texto sobre a educação? As conclusões parecem lógicas, então partamos à próxima fotografia, situada na parte inferior esquerda da página em que se encontra o texto. Trata-se de uma menina, sentada em uma pequena cadeira, com oito filhotes de cães se alimentando à sua frente. Desta vez o fotografado não está olhando para a câmera, atribuição que podemos dar às crianças que ainda são desprovidas de algumas convenções sociais do ato fotográfico e que, como lembra Ana Maria Mauad (2004), muitas vezes é condicionada pelo olhar dos adultos. A legenda diz que o nome da menina é Marisa Chagas e a identificação do nome de seu avô, João F. Alvares, conota sua procedência familiar.

No caso da Revista do Globo, ao longo da década de 1930, era muito comum que as imagens de famílias de políticos, comerciantes e industriários ocupassem o espaço que era compartilhado com textos, anúncios publicitários e demais suportes de comunicação. Nas palavras de um dos seus editores, Érico Veríssimo escreveu em edição de janeiro de 1935 que, na condição de responsáveis pelo que se decidia entrar ou não no conteúdo da revista, "corremos o risco de receber na rua uma pedrada de um cavalheiro que não teve o seu retrato publicado em tamanho natural, em cores e com uma substanciosa nota biográfica" (Revista do Globo, 5 jan. 1935, p. 5). Essas fotografias estabeleciam uma função de troca simbólica entre aqueles que desejavam tornar sua imagem visível, pelos dispositivos específicos dentro da sociedade na qual ele estava inserido, e os empreendedores, que tinham o interesse da manutenção do consumo de suas publicações. Além, é claro, da relação destes com seus anunciantes.

Voltando à fotografia da menina: que relação podemos estabelecer entre essa imagem e o texto do analfabetismo? Que relação há entre a menina e crianças que frequentam escolas? O indício mais forte de que se trata de uma criança que não frequenta a escola é a sua provável idade não escolar. Já a presença de cães filhotes puro sangue, segundo o texto, dá uma indicação de procedência econômica favorável. Ao fundo, a presença de um objeto que se assemelha a uma vitrola, talvez um aparelho de rádio, também caracteriza o indício de que a criança se insere em uma família de posses, com capital econômico que, supostamente, não deixaria seus descendentes sem acesso à escola. Então, que relação podemos estabelecer entre textos e imagens? Ambos assumem um mesmo discurso? MargaridaMedeiros (2010) trata a importância de considerarmos o fotográfico não somente em suas relações de poder, mas também em suas relações discursivas:

O que nos interessa no entanto é, com base nos paralelos possíveis entre "fotografia" e "disciplina", não reduzir aquela aos efeitos de poder, mas pensar as imagens nas suas relações com discursos de ordens muito diferentes, que se avizinham no tempo e no espaço. [...] O que nos traz, nunca será demais repeti-lo, é a urgência do documento como matéria-prima para a construção de um discurso (qualquer que ele seja) e a noção de que qualquer análise terá sempre de ter em conta "a dispersão dos enunciados". (Medeiros, 2010, p. 59)

A tensão que expus situa-se em apenas uma página da Revista do Globo. A leitura feita em minha tese de doutorado, ao menos do ponto de vista da tipologia fotográfica, permitiu perceber que múltiplos discursos estão presentes em vários signos comunicativos, de diferentes estatutos, mas que dividem um mesmo espaço no interior da publicação - se não na mesma página, em uma mesma edição, ou na leitura sequencial de várias edições de um dado período histórico. Somente uma análise a partir dessas tipologias fotográficas identificadas na revista já caracterizam um discurso plural, por vezes conflitantes quando confrontadas, mas que no conjunto proporcionaram uma interpretação mais ampla sobre o produto discursivo midiático. Se a imprensa cria a representação do acontecimento, "um dizer que não é um simples recurso para descrever o mundo [...], mas uma construção com fins de revelação de uma determinada verdade sobre o mundo", Charaudeau (2013, p. 189), a mesma situação vale para a fotografia:

A imagem fotográfica contém em si um componente ficcional, na medida em que o registro é o ponto final do processo de criação do fotográfico: a aparência elaborada, uma realidade em si mesma que se afasta do referente, uma segunda realidade. E essa é a realidade da representação, do documento; só ela sobrevive a todo processo. O componente ficcional, pois, é a matéria fluída de sua trama, é seu fundamento; é constituinte do processo de criação/construção da representação. Acha-se entranhado técnica, estética, cultural e ideologicamente em seuconstructo; aplica-se a todas as imagens. (Kossoy, 2014, p. 276)

A segunda realidade proposta por Boris Kossoy (2014) muitas vezes se torna o próprio referente. É nesse sentido que a sociedade busca suas referências na fotografia quando não a compreende como um produto cultural socialmente construído. A ilusão da verdade, ou a busca da informação sem a crítica, pode desenvolver um potencial pedagógico unilateral e, nesse sentido, manipulador da opinião pública. Se, por um lado, análises formais ou discursivas são necessárias para entender os diversos signos da informação, por outro, não pode se desprender da análise de caráter histórico e social.

A afirmativa pode ser encontrada na proposição de investigação hermenêutica sugerida por Paul Thompson (2011), cuja inspiração passa porPaul Ricoeur (1981). A análise sócio-histórica deve compreender o reconhecimento de campos de interação, de situações espaço-temporais, de instituições e estruturas sociais, além dos meios técnicos de transmissão. Já à análise formal ou discursiva sugere-se a incorporação dos estudos semióticos, sintáticos, de conversação, narrativos e argumentativos. De um lado, privilegia-se o entendimento sobre "as condições sociais e históricas de produção, circulação e recepção das formas simbólicas" (Thompson, 2011, p. 366), por outro, "as instâncias da comunicação correntemente presentes" (p. 371).

A possibilidade de abordagens na Revista do Globo, assim como em várias revistas congêneres de sua época, é ampla, tanto da perspectiva das representações sobre a educação, em suas instâncias políticas e institucionais, quanto pela caracterização do recurso midiático como um instrumento de educação, mesmo que em patamares diferenciados em relação à educação normal. Em alguns casos é a própria revista - a mesma que é voltada para um conteúdo de variedade e geralmente considerada como de entretenimento - que ensina o valor da escola frente à sociedade. Em artigo publicado em edição de outubro de 1939, sob o título de Estará a educação devorando a vida?, em autoria atribuída à Stephen Leacock, menciona-se que "a matemática, por exemplo, é de grande utilidade, indispensável à vida diária; mas deveriam cortar pela metade os seus estudos e isso seria possível se acabassem com o quebra-cabeças que se mistura ao estudo" (Revista do Globo, 14 out. 1939, p. 66).

Tal qual a matemática, incide-se uma crítica grande ao chamado ensino de línguas mortas, como o latim e o grego. O direcionamento do texto orienta o leitor a uma ordem prática que valoriza muito mais o ensino voltado às profissões, refletindo a própria lógica que o ensino brasileiro vivia nesse momento: a gradativa incorporação de políticas públicas educacionais que instituíam a educação técnica e criava, de certo modo, lacunas entre a população que o seguia mediante necessidades imediatas de emprego e aqueles que tinham condições de seguir no ensino superior, restringindo-se à participação em cursos técnicos. Segundo Helena Maria Bomeny (1999, p. 164), "tais pontos estão em conformidade com o espírito geral que orientou a reforma: o ensino secundário tem duas finalidades essenciais: dar uma ampla e segura cultura geral aos adolescentes e orientá-los e torná-los aptos à realização de cursos profissionais de diferentes categorias e modalidades".

No que tange as representações de instituições de ensino na Revista do Globo, percebe-se uma diferença nítida do discurso elogioso da escola pública e gratuita em relação às instituições privadas de ensino. Apresento aqui dois exemplos em que o discurso visual se sobrepõe ao textual, ao menos no que diz respeito à distribuição dos signos no espaço diagramado de uma página. A edição de junho de 1931 traz uma experiência completamente diferente de outra, mostrada em edição de setembro de 1935. A diferença começa pela própria composição da estética fotográfica.

Figura 2 Origens da fotorreportagem na Revista do Globo situados entre a informação e a propaganda 

O texto da edição de 1935 apresenta o Colégio Americano sob uma forma discursiva muito elogiosa, praticamente em caráter propagandístico. No entanto, não se trata exatamente de uma publicidade, pois o conteúdo discursivo assume características informativas que o aproximam de uma experiência fotojornalística. A encenação proporcionada pelas alunas propicia um efeito estético artístico, praticamente circense, agregado a termos presentes no seu discurso textual, tais como orgulho, organização, excelência, beleza, ordem ecamaradagem. Já a composição fotográfica da edição de 1931 é caótica - ou, em outros termos, muito mais espontânea - se comparada com a do colégio das professoras estadunidenses. O que se põe em tema é a pedagogia das ruas, que se confunde com a desorganização que necessita ser regulada, em que os alunos precisam aprender os pontos de civilidade básicos, como a subir em um bonde com segurança, a conhecer a lógica de circulação do tráfego de automóveis, na condição de pedestre, e a valorizar a criação de obras públicas - um ponto de bonde em frente a uma escola. Por sua vez, as fotografias que se referem à homenagem das professoras da rede pública ainda ressaltam outras personalidades fora do contexto educacional e culmina na demonstração de equipamento pela Companhia Energia Elétrica Rio-Grandense.

A hermenêutica que se realiza sob os aspectos formais e discursivos das fotografias se complementam com relação a seus aspectos formais que tangem diversos pontos de abordagem, tal qual hierarquias sociais, hierarquias de espaço e relações de gênero. Marcus Levy Bencostta (2011) reafirma esta condição do fotográfico:

Não seria, portanto, a expressão fotográfica um mero reflexo, nem a reprodução fiel da realidade, mas uma mediação (vermittelung) no sentido adotado por Hegel, ao discutir a ideia de dialética, inserida em um contexto de experiência que dialoga com a memória. Ao pensarmos na ontologia da imagem fotográfica, podemos afirmar que essa fonte sempre possuirá um estatuto de evidência, mesmo que, teoricamente, existam concepções miméticas tradicionalistas que aceitem a fotografia como uma simples impressão (impressio) ou espelho (speculum) da realidade, ela é muito mais uma construção imaginária erigida histórica e socialmente, que não deixa de ser metaforizada e idealizada. (Bencostta, 2011, p. 408)

Não poderia deixar de concluir este artigo sem repetir a pergunta inicial: de que modo as fotografias da imprensa de variedades podem contribuir para os estudos de história da educação? Mesmo que o conceito de imprensa de massa seja abrangente, podemos encontrar nela a caracterização da diversidade, constituída não somente pela quantidade, mas também pela diversidade cultural, pelo pluralismo de segmentos sociais e pelas múltiplas variáveis no que diz respeito aos possíveis efeitos que uma influência dos meios de comunicação exerceria sobre ela. Pode-se defender a ideia de que a imprensa, neste caso a imprensa de revista, não somente põe em circulação informações diversas, entre elas àquelas relacionadas sobre a educação, mas também exerce um determinado papel educativo na medida em que toca em diversos temas e se relaciona com uma espécie de quase-interação, retomando o conceito de Paul Thompson (2011), com o sujeito que a consome.

Helouise Costa (2012b), por sua vez, ajuda-nos a questionar o real papel pedagógico que as revistas ilustradas teriam sobre a população, levando em consideração esta via unilateral de comunicação. No entanto, cabe lembrar que a imprensa se caracteriza como um produto construído dentro das relações sociais, ora sendo seu reflexo, para retomar as proposições de Bernd Stiegler (2005), ora sendo ela mesma a referência da sociedade. Manifesta-se sob a forma de um produto criado por segmentos sociais que retorna aos mesmos, exercendo uma relação multifacetada e variada de influências. Essa interpretação relativiza o papel de meganarração originado pela imprensa, segundo os termos propostos por PatrickCharaudeau (2013), constituindo-se em privilegiadas possibilidades comunicativas. Caracteriza-se em uma forma de interpretar um mundo pré-configurado, gerando por sua vez uma configuração que caberia aos receptores re-figurá-la.

A dificuldade se encontra em aliar as práticas aos discursos, de acordo com a constatação de Roger Chartier (2010). Caberia, portanto, ao historiador da educação buscar fundamentos de análise não somente de formal e discursivo, mas confrontá-los com as percepções oriundas dos fundamentos de análise histórica e social, caracterizando uma hermenêutica de aceitação razoável sobre os conteúdos midiáticos. Dessa forma, Paul Thompson (2011) propõe, a partir do ponto de vista sociológico, um caminho para o desafio proposto por Chartier (2010), que aproxima as ciências humanas das ciências de análise discursiva. Considero como discurso não somente os elementos oriundos dos signos textuais, mas também as próprias imagens como narrativas de linguagem diferenciada e específica, que também reivindicam comunicação e que devem ser reconhecidas como tais.

A diversidade de temas presentes nos diversos suportes comunicativos, entre eles aRevista do Globo, não deve ser considerada no conjunto de outros meios, tal como o rádio e a televisão, que caracterizou um declínio no que diz respeito a sua proporção em relação ao crescimento demográfico, como lembrou Melvin DeFleur e Sandra Ball-Rokeach (1993). O curto-circuito provocado pela diversidade de temas que circularam na imprensa provocou um curto-circuito nas estruturas sociais, como metaforizou André Bougnoux (1999). Quanto mais forem os entrecruzamentos entre os diferentes suportes, melhor se poderá chegar a uma interpretação que considere as experiências sociais na sua amplitude, na sua grande dimensão.

Espero que possa avançar nesses estudos utilizando-me não somente da Revista do Globo, mas também de outras revistas, verificando aproximações e distanciamentos nestas relações formais e sócio-históricas. O que se percebe é que somente a Revista do Globo já possui uma quantidade muito grande de elementos e conteúdos que necessitam ser abordados e se apresenta, portanto, como uma fonte a ser melhor explorada por historiadores de diversos domínios temáticos. Mas respondendo à pergunta de modo mais simples: o estudo das fotografias da imprensa de variedades possibilita um conhecimento que está além dos próprios limites e parâmetros das instituições escolares. Permite um olhar que está em circulação na rua, em determinados segmentos sociais dos centros urbanos, tanto sobre as práticas escolares formais, quanto informais.

Referências

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Segundo Tania Regina de Luca (2013, p. 149), "a expressão grande imprensa, apesar de consagrada, é bastante vaga e imprecisa, além de adquirir sentidos e significados peculiares em função do momento histórico em que é empregada. De forma genérica, designa o conjunto de títulos que, num dado contexto, compõe a porção mais significativa dos periódicos em circulação, perenidade, aparelhamento técnico, organizacional e financeiro".

2 Legenda à esquerda: "O major Alberto Bins, prefeito desta capital, surpreendido pelo fotógrafo quando embarcava em seu novíssimo Ford V8, tipo 1937". Legenda à direita: "A hora do rancho. Marisa Chagas alimentando a jovem matilha de Painters, puro sangue, de seu avô, Sr. João F. Alvares".

3 Texto: "A semana da educação. A Companhia Carris-Porto Alegrense associou-se às festas promovidas Diretoria de Instrução Pública na Semana da Educação. Eis alguns aspectos: 1 - O inspetor Salvador, da Cia. Carris, ensinando as crianças do Colégio Voluntários da Pátria como se deve tomar o bonde com segurança. 2 - Alunos do Colégio Oswaldo Aranha ouvindo uma preleção prática sobre tráfego e trânsito nas ruas, feitas pelos representantes da Companhia Carris. 3 - Inauguração de um ponto de parada escolar e de uma faixa de preleção em frente ao Colégio Voluntários da Pátria. 4 e 5 - Dois aspectos do chá oferecido pela Cia. Energia Elétrica Rio-Grandense às professoras dos colégios públicos. Na foto da esquerda veem-se Dr. Luis de Freitas Castro, diretor da Instrução Pública, e sua Exma. Família. Homenageadas pelos dirigentes da Companhia e Srs. J. P. Fish e esposa, Edward Bauer e esposa e Dr. José S. A. Pinheiro. Na da direita, funcionárias da Companhia demonstram os aparelhos elétricos aos convidados".

4 Texto: "Ginásio Colégio Americano. Porto Alegre e o Rio Grande podem se orgulhar de possuir um dos colégios para meninas mais bem organizado do país. É o Ginásio Colégio Americano, dirigidos por professoras norte-americanas. Está ele situado em excelente prédio na Avenida Flores da Cunha, num dos pontos mais belos da cidade. O corpo docente formado por professoras competentes, entre as quais grande número de brasileiras, é de molde a inspirar confiança. Uma esplêndida ordem reina no estabelecimento, a par de uma admirável camaradagem de aluna para aluna e de professora para aluna e vice-versa".

Recebido: 30 de Março de 2015; Aceito: 01 de Junho de 2015

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