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Almanack

On-line version ISSN 2236-4633

Almanack  no.1 Guarulhos Jan./June 2011

http://dx.doi.org/10.1590/2236-463320110107 

Artigo

Motins políticos e a Historiografia Imperial: a inserção de um intelectual amazônico nos quadros do IHGB

Political Riots and the Imperial Historiography: the Insertion of an Amazon Intellectual in the IHGB

Luciano Demetrius Barbosa LimaI 

IMestre em História pela Universidade Federal do Pará (IFCH/ UFPA - Belém/Brasil) e professor efetivo da Secretaria Executiva de Educação (SEDUC) e-mail: dehistoriador@yahoo.com.br


Resumo

O presente trabalho irá analisar aspectos da recepção do livro Motins Políticos ou história dos principais acontecimentos políticos na Província do Pará desde o ano de 1821 até 1835, do historiador Domingos Antônio Raiol. Sua narrativa, voltada para a descrição dos conflitos político-sociais no Pará entre as décadas de 1820 e 1830, também foi responsável diretamente pela inserção deste historiador e político paraense no seleto grupo de intelectuais pertencentes ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro no século XIX. A partir deste pressuposto analítico, este artigo irá estudar este difícil percurso, caracterizado como um processo que envolvia muito mais que a capacidade intelectual.

Palavras-chave: Grão-Pará; monarquia; Segundo Reinado; história política

Abstract

The article analyzes some aspects of the reception given to the book Motins Políticos ou história dos principais acontecimentos políticos na Província do Pará desde o ano de 1821 até 1835, written by the paraense historian and politician Domingos Antonio Raiol. Its narrative, focused on a description of the political and social conflicts in Pará between the 1820s and 1830s, was also directly responsible by inscribing Antonio Raiol into the select group of intellectuals who belonged to the nineteenth century Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Based on this assumption the article examines Raiol's difficult trajectory, which may be characterized as a process that went beyond his own intellectual ability.

Keywords: Grão-Pará; monarchy; Second Reign; political history

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1RAIOL, Domingos Antônio. Motins Políticos ou História dos Principais Acontecimentos Políticos na Província do Pará desde o ano de 1821 até 1835. Vol.2. Belém: Coleção Amazônica, Série José Veríssimo, Universidade Federal do Pará, 1970. p.414

2Ibidem.

3O paraense Domingos Antônio Raiol, que adquiriu o título nobiliárquico de Barão do Guajará em 1883, se constituiu num importante intelectual e político do Norte do Brasil em sua época. Filho de Pedro Antônio Raiol e D. Archangela Raiol, ele nasceu na cidade de Vigia, em 04 de março de 1830, estudou no Liceu Paraense e formouse Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais em 1854, pela Faculdade de Direito de Recife. Foi autor de diversos estudos e se constituiu num dos principais líderes do Partido Liberal no Pará, tornando-se, por indicação imperial, presidente das províncias de Alagoas (1882), Ceará (1882) e São Paulo (1883). Faleceu em Belém no ano de 1912.

4O 1º foi publicado no Rio de Janeiro, em 1865, com 320 páginas. O 2º foi publicado em São Luiz do Maranhão em 1868, com 412 páginas. O 3º foi publicado no Rio de janeiro, em 1883, com 469 páginas. O 4º foi publicado no Rio de Janeiro, em 1884, com 499 páginas. O 5º volume foi publicado no Pará, em 1890 com 543 páginas.

5RAIOL, Domingos Antônio. Motins Políticos..., Op. Cit. Vol.1. p.7

6Ibidem.

7Ibidem.

8Ibidem.

9RAIOL, Domingos Antônio. O Brasil político. Belém: Tip. do Diário do Comércio. 1858.

10Idem. Abertura do Amazonas. Belém: Tip. do Jornal do Amazonas, 1867.

11Idem. Juízo Crítico sôbre as obras literárias de Felipe Patroni. Revista do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico do Pará, Belém, vol.1, 3º fasc., Imprensa Oficial, 1900.

12Idem. Um Capítulo de História Colonial do Pará. Revista de Estudos Paraenses, Belém: Tip. do Diário Oficial. 1894.

13Idem. Visões do Crepúsculo. A Revista - Magazine ilustrado, Belém: Alfredo Silva & Cia. 1898.

14Idem. Catechese de indios no Pará. Annaes da Bibliotheca e archivo publico do Pará, Belém, Tomo II, Imprensa Official, p.117-183, 1902.

15Ver: GUIMARÃES, Lúcia Maria Paschoal. Debaixo da imediata proteção de Sua Majestade Imperial: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1838-1889). RIHGB, Rio de Janeiro, vol.156, n.388, p.459-613, jul/set 1995. SCHWARCZ, Lilia K. Moritz. Os Guardiães da Nossa História Oficial - os Institutos Históricos e geográficos brasileiros. São Paulo: IDESP, 1989. GUIMARÃES, Manoel Luís Salgado. Nação e civilização nos Trópicos: O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Projeto de uma História Nacional. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, n.01, Jan/1988.

16SCHWARTCZ, Lília Moritz. O Espetáculo das raças. Cientistas, instituições e questão racial no Brasil, 1870-1930. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p.101.

17Ibidem.

18CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem: a elite política imperial. Teatro das sombras: a política imperial. 3ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. p.65

19NEEDELL, Jeffrey. Belle époque tropical: sociedade e cultura de elite no Rio de Janeiro na virada do século. São Paulo: Companhia das Letras, 1993. p.217

20Catálogo da primeira série de uma galeria histórica. Revista do Instituto Historico e Geographico do Pará. Belém: Imprensa Oficial do Estado do Pará, p.36, 1918.

21Conflito militar considerado o mais sangrento da América do Sul, no qual o Paraguai, governado pelo ditador Francisco Solano Lopez enfrentou e foi derrotado pela chamada Tríplice Aliança, composta após o início da Guerra por Brasil, Argentina e Uruguai. O conflito, além de seus milhares de mortos, ocasionou a destruição do Paraguai e o aumento do endividamento externo dos outros países participantes. Ver: CHIAVENATTO, Julio José. Genocídio americano: a Guerra do Paraguai. São Paulo: Brasiliense, 1975. MARQUES, Maria Eduarda Castro Magalhães (org.). A Guerra do Paraguai, 130 anos depois. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1995. POMER, Leon. A Guerra do Paraguai - a grande tragédia rio-platense. São Paulo: Global, 1980.

22MACEDO, Joaquim Manoel de. Discurso. Revista Trimensal do Instituto Historico Geographico e Ethnographico do Brasil. Rio de Janeiro, tomo XXIX, segunda parte, Tip. de Pinheiro e Comp., p.475, 1866.

23PINTO, Antônio Pereira. Limites do Brasil (1493 a 1851). Revista Trimensal do Instituto Historico Geographico e Ethnographico do Brasil, Rio de Janeiro, tomo XXX, B. L. Garnier - Livreiro-editor, 1867

24PARANHOS JUNIOR, José Maria da Silva. Esboço biographico do General José de Abreu, Barão do Serro Lago. Revista Trimensal do Instituto Historico Geographico e Ethnographico do Brasil, Rio de Janeiro, tomo XXXI, parte primeira, B. L. Garnier - Livreiro-editor, 1868.

25Ibidem, p.63.

26Ibidem, p.407-408.

27SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p.304

28Annaes do Parlamento Brazileiro: Camara dos deputados, sessão em 28 de maio de 1866. Tomo I. Rio de Janeiro: Typographia Imperial e constitucional de J. Villeneuve & C.. 1866. p.235

29Ibidem. p.236.

30Ibidem.

31RAIOL, Domingos Antônio. Motins Políticos..., Op. Cit. Vol.2. p.413.

32Ibidem, p.412.

33Ibidem, Vol.3. p.881.

34FERREIRA, L. M. Ciência Nômade: o IHGB e as viagens científicas no Brasil imperial. História, Ciência, Saúde - Manguinhos, v.13, n.2, p.271292, abr-jun/2006. p.282

35SCHWARCZ, Lília Moritz. O Espetáculo das raças..., Op. Cit.. p.101

36REIS, José Carlos. As identidades do Brasil: de Varnhagen a FHC. 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1999. p.25

37PÁDUA, José Augusto. Um sopro de destruição: pensamento político e crítica ambiental no Brasil escravista, 1786-1888. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2002. p.173.

38SODRÉ, Nelson Werneck. História da literatura brasileira. 10ª ed. Rio de Janeiro: Graphia, 2002. p.267.

39SCHWARCZ. Lilia Moritz. Estado sem nação: criação de uma memória oficial no Brasil do Segundo Reinado. In: NOVAES, Adauto (org.). A crise do Estado-nação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. p.353

40MESGRAVIS, Laima. A sociedade brasileira e a historiografia colonial. IN: FREITAS, Marcos Cezar (org.). Historiografia brasileira em perspectiva. 6ª ed. São Paulo: Contexto, 2005. p.39

41REIS, José Carlos. As identidades do Brasil..., Op. Cit., p.27.

42SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do imperador..., Op. Cit., p.126.

43Ibidem, p.127.

44VIANNA, Hélio. Vultos do Império. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1968. p.223.

45GUIMARÃES, Manoel Luís Salgado. Nação e civilização nos Trópicos..., Op. Cit., p.9.

46RICUPERO, Bernardo. O romantismo e a idéia de nação no Brasil (1830-1870). São Paulo: Martins Fontes, 2004. p.119.

47SCHWARCZ, Lília Moritz. O Espetáculo das raças..., Op. Cit., p.108

48Ibidem.

49RICUPERO, Bernardo. O romantismo e a idéia de nação..., Op. Cit., p.116.

50MALHEIRO, Agostinho Marques Perdigão. Indice chronologico dos factos mais notaveis da historia do Brasil: desde seu descobrimento em 1500 até 1849. Rio de janeiro: Typographia de Francisco de Paula Brito, 1850.

51VAINFAS, Ronaldo (org.). Dicionário do Brasil imperial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002, p.576.

52MALHEIRO, Agostinho Marques Perdigão. A escravidão no Brasil: ensaio historico-juridicosocial. Rio de Janeiro: Typographia Nacional, 1866.

53Idem. Ordem do dia. In: Revista Trimensal do Instituto Historico Geographico e Ethnographico do Brasil, Rio de Janeiro, Tomo XXXI, parte primeira, B. L. Garnier - Livreiro-editor, p.349, 1868.

54Ibidem, p.353.

55Ibidem.

56SCHWARCZ, Lília Moritz. O Espetáculo das raças..., Op. Cit., p.101.

57MALHEIRO, Agostinho Marques Perdigão. Ordem do dia..., Op. Cit., p.353. Perdigão Malheiro, apesar das críticas á algumas posturas adotadas

58Ibidem.

59Ibidem, p 357

60GUIMARÃES, Manoel Luís Salgado, Nação e civilização nos Trópicos..., Op. Cit., p.16.

61Ibidem, p.16.

62SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do imperador..., Op. Cit., p.127.

63Extracto dos Estatutos do IHGB. Revista Trimensal do Instituto Historico Geographico e Ethnographico do Brasil. Rio de Janeiro, tomo primeiro, Typographia da Ass. do Despertador, 1839, p.19.

64Sessão de 25 de outubro de 1866. Revista Trimensal do Instituto Historico Geographico e Ethnographico do Brasil, Rio de Janeiro, tomo XXIX, segunda parte, Tip. de Pinheiro e Comp, 1866, p.416

65Sessão de assemblea geral de eleições, em 21 de dezembro de 1860. Revista Trimensal do Instituto Historico Geographico e Ethnographico do Brasil. Rio de Janeiro, tomo XXIII, Tip. de Luiz Domingos dos Santos, 1860, p.651

66Ibidem, p.653.

67Extracto dos Estatutos do IHGB..., Op. Cit., p.19.

68Obras Impressas oferecidas ao Instituto no anno de 1866. Revista Trimensal do Instituto Historico Geographico e Ethnographico do Brasil. Rio de Janeiro, tomo XXIX, segunda parte, Tip. de Pinheiro e Comp. 1866, p.416.

69Ibidem, p.335-336.

70Extracto dos Estatutos do IHGB..., Op. Cit., p.363.

71Ibidem.

72RAIOL, Domingos Antônio. Motins Políticos..., Op. Cit., p.416.

73De acordo com Norbert Elias, o termo civilização, passou a ser gradualmente utilizado pelos círculos nobres, letrados e burgueses europeus a partir de finais do século XVIII, para designar sinteticamente uma série de costumes, comportamentos e condições de uma sociedade como o todo. Posteriormente, começou a distinguir ou comparar povos e nações como "civilizadas" ou "bárbaras" e para expressar as diversas formas de desenvolvimento científico ou artístico dos povos. No Brasil, o termo "civilização", adaptado realidade escravista foi amplamente utilizado no século XIX, cujas elites vislumbravam na França ou Inglaterra os principais "modelos" de "civilização" a serem imitados. Ver: ELIAS, Norbert. O Processo civilizador. Trad. Ruy Jungmann. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994. CHALHOUB, Sidney. Cidade febril: cortiços e epidemias na Corte imperial. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

74GUIMARÃES, Manoel Luís Salgado, Nação e civilização nos Trópicos..., Op. Cit., p.12-13.

75NEEDELL, Jeffrey. Belle époque tropical..., Op. Cit., p.211.

76Ibidem, p.212.

77RAIOL, Domingos Antônio. Motins Políticos..., Op. Cit., p.108.

78Ibidem. Vol.2. p.420.

79SAPUCAHI, Visconde de. Sessão em 10 de outubro de 1867. Revista Trimensal do Instituto Histórico Geographico e Ethnographico do Brasil. Rio de Janeiro, tomo XXX, B. L. Garnier - Livreiroeditor, 1867, p.461.

80CERTEAU, Michel de. A operação histórica. IN: LE GOFF, Jacques e NORA, Pierre (org.). História: novos problemas. Rio de Janeiro: F. Alves, 1976. p 23.

81Ibidem.

82Ver: CRUZ, Hernesto. Nos Bastidores da Cabanagem. Oficina Gráfica da Revista de Veterinária, 1942. ROCQUE, Carlos. Cabanagem: epopéia de um povo. Belém: Imprensa Oficial, 1984. CHIAVENATO, José Júlio. Cabanagem: o povo no poder. São Paulo: Brasiliense, 1984. DI PAOLO, Pasquale. Cabanagem: a revolução popular da Amazônia. 2ª ed. Belém: Cejup, 1990. SALLES, Vicente. Memorial da Cabanagem: esboço do pensamento político-revolucionário no Grão-Pará. Belém: CEJUP, 1992. SILVEIRA, Ítala Bezerra da. Cabanagem: uma luta perdida. Belém: SECULT. 1994. RICCI, Magda. História Amotinada: memórias da cabanagem. Cadernos do CFCH, Belém, v. 12, n.1-2, 1993.

Recebido: Julho de 2009; Aceito: Julho de 2010

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