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Hoehnea

On-line version ISSN 2236-8906

Hoehnea vol.38 no.2 São Paulo June 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S2236-89062011000200009 

ARTIGOS ARTICLES

 

Revegetação espontânea de voçoroca na região de Cerrado, Mato Grosso do Sul, Brasil

 

Spontaneous revegetation of gully in the Cerrado region, Mato Grosso do Sul State, Brazil

 

 

Adriana Guglieri-CaporalI, 1; Francisco José Machado CaporalI; Arnildo PottI; Halisson Cesar Vinci-CarlosI; Cedinara Arruda Santana MoralesII

IUniversidade Federal de Mato Grosso do Sul, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Laboratório de Botânica, Cidade Universitária, Caixa Postal 549, 79070-900 Campo Grande, MS, Brasil
IIUniversidade Federal de Santa Maria, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal, Av. Roraima 1000, Prédio 44, Sala 5248, Cidade Universitária, 97105-900 Santa Maria, RS, Brasil

 

 


RESUMO

As voçorocas podem ser estabilizadas pelo restabelecimento da vegetação original ou de outro tipo de cobertura vegetal adaptada à nova condição. Este estudo teve como objetivo caracterizar a revegetação natural de uma voçoroca localizada em área de pastagem cultivada, isolada do gado, em Mato Grosso do Sul. Foram obtidos dados florísticos e fitossociológicos de maio/2009 a abril/2010, e informações referentes à biologia das espécies envolvidas. Foram encontradas 23 famílias, 49 gêneros e 71 espécies. Predominaram as herbáceo-subarbustivas (78,9%), eretas (63,4%), hemicriptófitas (43,7%) e autocóricas (60%). O período chuvoso contou com 90% das espécies em floração e 77,1% em frutificação. O atributo "solo descoberto" apresentou elevado VI (51,6%) e CR (72,50%) em maio/2009, valores gradualmente reduzidos a 34,2% (VI) e 45,3% (CR) em fevereiro/2010. Conclui-se que a revegetação natural está em curso e sugere-se que o estudo seja repetido daqui a alguns anos, para monitorar a evolução da sucessão da vegetação.

Palavras-chave: erosão do solo, plantas colonizadoras, recuperação de áreas degradadas, Urochloa


ABSTRACT

Gullies can be stabilized by restoration of original vegetation or another type of vegetation cover adapted to the new condition. This study aimed to characterize the spontaneous revegetation of a gully in cultivated pasture, isolated from cattle, in Mato Grosso do Sul State. We obtained data floristic and phytosociological and information related to the biology of the species involved of May/2009 to April/2010. We found 23 families, 49 genera and 71 species. Herbaceous-subshrubby (78.9%), erect (63.4%), hemicryptophyte (43.7%) and autochoric species (60.0%) predominated in the study area. The rainy period had 90% of the species in flower and 77.1% in fruit. The attribute "bare soil" was high in terms of IV (51.6%) and RC (72.5%) in May/2009, values gradually reduced to 34.2% (IV) and 45.3% (RC) in February/2010. It is concluded that natural revegetation is under way. Such survey should be repeated within some years to monitore plant succession.

Key words: colonizing plants, recovery of degraded areas, soil erosion, Urochloa


 

 

Introdução

Práticas agropecuárias inadequadas podem desencadear processos erosivos que, associados a fatores edáficos e intempéries, resultam na formação de sulcos e ravinas e, em estágios mais avançados, voçorocas, as quais podem acarretar grandes perdas de solo, sérios prejuízos ambientais e a completa destruição da paisagem (Guerra 2001, Andrade et al. 2005, Rocha et al. 2005, Andres & Werlang 2006). A formação de voçoroca se deve à passagem de água em um mesmo sulco repetidamente, por um longo período, o qual vai sendo ampliado pelo deslocamento de solo até dar origem a uma grande cavidade, em extensão e profundidade (Bahia et al. 1992). As voçorocas possuem profundidade maior que 0,5 m (Soil Science Society of America 2010), paredes laterais íngremes e, em geral, fundo chato, por onde flui a água durante os eventos chuvosos (Guerra 2001).

Voçorocamentos podem ser controlados por meio de práticas mecânicas e de revegetação. As primeiras referem-se a operações mecanizadas e/ou manuais para transporte de material, movimentação de terra, alocação e/ou remoção de rejeitos e construção de pequenas obras de contenção e dispositivos de drenagem superficial; a revegetação constitui-se no plantio de espécies adaptadas ao ambiente em questão, o que também é normalmente complementado com práticas de conservação de solo, como a incorporação de cobertura morta para proteção superficial e formação de serrapilheira (Andrade et al. 2005). Da mesma forma, reconhecido e contido o agente causador do processo, as voçorocas podem ser estabilizadas naturalmente por meio do restabelecimento da vegetação original ou de outra adaptada à nova condição. Este processo de regeneração natural é uma importante alternativa de recuperação de áreas degradadas que pode ter sucesso quando, além dos fatores ambientais, são conhecidas a disponibilidade de espécies locais e sua biologia, sobretudo os padrões de dispersão de sementes e frutos (Morretes 1992, Seitz 1994, Gandolfi & Rodrigues 2007).

O presente trabalho teve como objetivo caracterizar a revegetação espontânea de uma voçoroca em pastagem cultivada com Urochloa brizantha (braquiarão, brizantão), respondendo as seguintes perguntas: a) quais as espécies envolvidas neste processo; b) qual o hábito, forma de crescimento, forma biológica e síndromes de dispersão mais comuns entre as espécies; c) quais os períodos de floração e frutificação das espécies; d) quais espécies destacaram-se em termos de frequência relativa, cobertura relativa e valor de importância na área durante o período estudado.

 

Material e métodos

Área de estudo - Fazenda Nova Esperança (20º45'34,5"S e 54º50'28,7"W), com área aproximada de 4.000 ha, situada no município de Sidrolândia, a 37 km sul em linha reta de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O trabalho foi realizado em uma área de pastagem cultivada com Urochloa brizantha (braquiarão, brizantão) implantada em área originalmente de cerrado sensu stricto e cerradão na década de 1970. Esta invernada tem aproximadamente 100 ha e pastejo com diferimento como único manejo adotado. Em uso a lotação varia de 0,2 a 2 cabeças de gado bovino por hectare. A pastagem, no menor de seus lados, mantém contato com uma faixa de cerradão, fortemente impactado e desmatado.

O clima na região é do subtipo Aw tropical úmido de Köppen, temperatura média de 24 ºC, precipitação média anual de 1.500 mm, com estação chuvosa no verão (novembro a abril) e seca no inverno. De acordo com a Agraer (2010), os valores de precipitação mensal em Sidrolândia, no período de estudo, variaram de 70,6 (maio/2009) a 290 mm (janeiro/2010) (figura 1). O relevo é suave ondulado com predomínio de Latossolo Vermelho Distrófico (EMBRAPA 2008), a altitude varia de 513 a 526 m s.m.

 

 

Para o estudo, a voçoroca selecionada (20º45'17,14"S e 54º50'36,30"W) foi previamente isolada por uma cerca com três fios de arame a fim de coibir o acesso do gado. Sua área total foi calculada com auxílio de GPS, sendo a extensão, largura e profundidade medidas com trena e a declividade obtida pela fórmula dn/dh × 100, onde dn é a diferença de nível entre dois pontos e dh a distância horizontal entre esses dois pontos (Macedo et al. 2009). Em maio/2009, a voçoroca apresentava 3.327 m2 de área total, 130 m de extensão, 2,5 a 28,9 m de largura, 0,5 a 2,43 m de profundidade e declividade de 5,23% (figura 2 a-d).

 

 

Atributos físicos e químicos do solo - No topo da área há latossolo vermelho, enquanto na voçoroca afloram concreções de Fe e Mn, e mais abaixo no perfil, basalto, limitando a profundidade da erosão. Foi realizada análise físico-química, a partir de uma amostra composta retirada de 12 pontos distribuídos no centro e nas encostas da voçoroca. As análises foram feitas por Solos Laboratório de Análise, Consultoria e Informática Ltda., que segue a metodologia utilizada pela Embrapa Solos (Silva et al. 1998). Os resultados das análises (tabela 1) revelaram que o solo é argiloso, conforme a classificação textural de Lemos & Santos (1996), e de pH fortemente ácido (Embrapa 2008). Verificaram-se teores considerados muito baixos para P, médios para Ca, altos para Mg, K e Ca+Mg, e médios para matéria orgânica; em relação aos micronutrientes, verificaram-se teores de Fe inferiores aos limites críticos, altos para Mn, Zn e Cu, e médios para B (Comissão de Fertilidade do Solo 1995, 2004).

Coleta de dados da vegetação - O acompanhamento do processo de revegetação natural da voçoroca foi realizado por meio de observações mensais de maio de 2009 a abril de 2010, e envolvendo um período seco (maio a setembro) e um chuvoso (outubro a abril).

1) Dados florísticos - mensalmente efetuou-se o levantamento florístico de toda as fanerógamas presentes na área de estudo, a partir de coletas de material botânico e observação das populações de plantas ocorrentes na voçoroca em estudo. Para identificação do material florístico foi utilizada bibliografia especializada, comparação com material de herbário e, quando necessária, consulta a especialistas. A identificação ao nível de famílias seguiu APG III (2009). O material coletado e identificado foi herborizado de acordo com as técnicas usuais e incorporado ao Herbário CGMS, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul campus Campo Grande.

Foi observada a localização dos indivíduos de cada espécie na voçoroca - encosta, centro e borda, tendo sido tratado como borda a porção de solo que se estende da margem da voçoroca até 2 m de distância.

Com base em observações em campo, cada espécie foi classificada quanto: ao hábito (erva, subarbusto, arbusto, árvore), conforme Pott et al. (2006), tendo sido tratada palmeira como um hábito à parte; à forma de crescimento (ascendente, decumbente, ereta, estolonífera, procumbente, rasteira, trepadeira, volúvel), de acordo com Radford et al. (1974); e à forma biológica (terófita, hemicriptófita, caméfita, geófita, fanerófita), conforme os grandes grupos do Sistema de Raunkier (1934), adaptado por Müller-Dombois & Ellenberg (1974).

Foram incluídos apenas os nomes populares conhecidos no Mato Grosso do Sul, obtidos da literatura e dos moradores da região. A origem geográfica (exótica ou nativa do Brasil) foi baseada em bibliografia.

2) Dados referentes à fenologia e síndromes de dispersão - informações sobre os períodos de floração e frutificação das espécies foram obtidas a partir das observações mensais na área de estudo. Para a caracterização das síndromes de dispersão foram considerados o tamanho, a cor e a morfologia dos diásporos, incluindo a ornamentação das estruturas acessórias, classificando os frutos em autocóricos, anemocóricos e zoocóricos, conforme van der Pijl (1982).

3) Dados fitossociológicos - foram instaladas 56 parcelas permanentes de 0,25 m2 (figura 2e) dispostas ao longo da voçoroca que é orientada no sentido norte-sul e, distribuídas nas encostas (37 parcelas) e no centro (19), em 12 linhas de 10 em 10 m no sentido leste-oeste.

Os dados foram coletados em visitas trimestrais (maio, agosto, novembro/2009 e fevereiro/2010), tendo sido incluídas todas as espécies presentes nas unidades amostrais. Para avaliação visual da cobertura das espécies vegetais, bem como de solo descoberto, material seco (material vegetal morto e seco) e mantilho (material orgânico em decomposição), utilizou-se a escala de Daubenmire, segundo as interpretações de Müller-Dombois & Ellenberg (1974).

Com base em dados de presença × ausência e na escala de cobertura, foram calculados os valores de frequência relativa (FR), cobertura relativa (CR) e valor de importância (VI) foram obtidos pelo programa PAST (Hammer et al. 2001).

 

Resultados e Discussão

Na área de estudo, foram registradas 23 famílias, 49 gêneros e 71 espécies de fanerógamas (tabela 2). As principais famílias em número de espécies foram Fabaceae (15 espécies), Poaceae (11), Asteraceae (nove) e Malvaceae (sete). Dentre as espécies pioneiras, as leguminosas (Fabaceae) têm-se destacado na revegetação de áreas degradadas, principalmente pela capacidade de associar-se a bactérias diazotróficas e poderem transportar N proveniente da fixação biológica do N2 atmosférico e nutrientes como K, Ca e Mg, das camadas mais profundas do solo à superfície (Oliveira et al. 2010).

Os gêneros mais representados na área foram Crotalaria, Digitaria, Solanum e Urochloa, com três espécies cada. Além de Urochloa brizantha, semeada como forrageira, outras seis espécies são exóticas e juntas representam cerca de 10% do total registrado.

Das espécies constatadas, 58 foram observadas na borda, 30 no centro e 23 na encosta da voçoroca. Aproximadamente 18% (13 espécies) foram comuns às três zonas avaliadas, enquanto que 31 (43,7%), nove (12,7%) e duas (2,8%) são exclusivas da borda, centro e encosta, respectivamente. Aparentemente os indivíduos que se desenvolvem na encosta e no centro da voçoroca atuam diretamente no processo de revegetação natural, como pioneiros e colonizadores, e aqueles da borda atuam na revegetação como fonte de sementes, frutos e propágulos vegetativos, além de contribuir na retenção e fixação de solo.

O componente herbáceo-subarbustivo contou com 56 espécies, o que corresponde a cerca de 80% do total. Em geral, plantas herbáceas, por terem ciclos de vida relativamente curtos e altas taxas de reprodução, conseguem colonizar com extrema rapidez e dominar diferentes habitats (Junk & Piedade 1997), desempenhando assim importante papel no processo de revegetação e na preparação do solo para desenvolvimento da vegetação lenhosa.

A maioria das espécies é ereta (cerca de 63,4%), forma de crescimento observada entre as arbustivas e arbóreas, e em cerca de 53,6% do total de herbáceas e subarbustivas. Em geral, plantas eretas criam condições de sombreamento para que outras se estabeleçam. Sementes de algumas espécies, por exemplo, não germinam sob pleno sol sendo favorecidas pelo leve sombreamento de gramíneas e arbustos (Regensburger 2004). As demais espécies do componente herbáceo-subarbustivo apresentaram-se como ascendentes, decumbentes, estoloníferas, procumbentes, rasteiras, trepadeiras e volúveis. Espécies estoloníferas desempenham importante papel na recuperação de áreas degradadas por promoverem a fixação e cobertura homogênea do solo e facilmente produzirem novos indivíduos por propagação vegetativa. Apenas as gramíneas Digitaria fuscescens e Urochloa humidicola são estoloníferas, entretanto, a primeira é pouco comum na área de estudo e a segunda, competidora agressiva com espécies nativas.

Hemicriptófita foi a forma de vida predominante (cerca de 43,7%), seguida pela terófita (cerca de 28,2%), o que está relacionada à riqueza do componente herbáceo-subarbustivo do local (figura 3). Foi constatada uma única espécie geófita, Arachis oteroi. As geófitas podem apresentar tubérculos e as hemicriptófitas, rizomas e estolões, estruturas que as permitem sobreviver em períodos e condições adversos e contribuem na propagação vegetativa, atuando positivamente na revegetação natural. A estratégia das terófitas (anuais) para períodos e condições desfavoráveis é a rápida produção de um grande número de sementes. As anuais também contribuem na cobertura, acúmulo de matéria orgânica e cedem espaço a outras plantas, permitindo o estabelecimento e fixação de espécies perenes, secundárias e até terciárias.

 

 

Foi constatada a ocorrência de 53 espécies no período seco e 70 no chuvoso. Deste total, 17 espécies foram exclusivas do período chuvoso e uma do período seco, representada pela gramínea Digitaria fuscescens. No Brasil, esta espécie floresce o ano inteiro, predominando de outubro a maio (Canto-Dorow 2001). Na área de estudo, foi observada uma pequena população na borda da voçoroca, que permaneceu estéril de maio a agosto de 2009, floresceu e frutificou em setembro e desapareceu depois, provavelmente suprimida pela competição com outras espécies, como Urochloa brizantha.

Do total de espécies amostradas, 11 permaneceram férteis, produzindo flores ou frutos, durante todo o período de estudo. Apenas cinco não foram encontradas férteis: Acrocomia aculeata, Carica papaya, Lithraea molleoides, Rhamnidium elaeocarpum e Smilax cf. brasiliensis, plantas de maior porte e ciclo mais longo do que as herbáceas, sendo todas ornitocóricas, indicando que essa forma de dispersão poderá aumentar a riqueza desse tipo de espécies. Convém mencionar que as duas primeiras espécies predominaram como plântulas, enquanto a última surgiu na área de estudo durante o último mês de coleta.

Constatou-se que a produção de flores e frutos se deu ao longo de todo o ano estudado (tabela 3). Durante o período seco, cerca de 66,04% das espécies avaliadas produziram flores e no chuvoso, 90%. Neste período, a pluviosidade, o comprimento do dia, a temperatura e a umidade relativa médias mensais são maiores e propiciam o aumento da floração (Batalha et al. 1997). Como consequência, a produção de frutos foi proporcionalmente maior no período chuvoso (cerca de 77,1% das espécies), em contraste com o seco (cerca de 45,3%).

Os componentes herbáceo-arbustivo e arbustivo-arbóreo apresentaram padrões de floração e frutificação distintos (figura 4). Observou-se que no primeiro, o maior percentual de espécies em floração ocorreu em novembro e janeiro (cerca de 76% cada) e o de frutificação, em março (60%) e abril (cerca de 70%); no segundo, os maiores percentuais de floração foram atingidos em outubro (cerca de 43%) e janeiro (cerca de 54%), e os de frutificação, em janeiro e março (cerca de 46% cada). Tais resultados são similares a outros estudos realizados no Cerrado (Mantovani & Martins 1988, Batalha et al. 1997, Batalha & Mantovani 2000), que mostraram que as espécies herbáceas e subarbustivas florescem entre os meses de janeiro e março e frutificam ao final do período chuvoso, em março e abril, enquanto que as arbustivas e arbóreas florescem de setembro a novembro e frutificam ao longo do período chuvoso.

 

 

A síndrome de dispersão mais frequente foi a autocoria (42 espécies, 60%) (tabela 3); nesta síndrome, os frutos e sementes caem próximo da planta-mãe colaborando com o restabelecimento da vegetação local. A zoocoria foi representada por 15 espécies (cerca de 21,4%), enquanto que a anemocoria por 10 (cerca de 14,3%). De acordo com Seitz (1994), em casos extremos de degradação da vegetação, onde esta é praticamente ausente, as espécies anemocóricas são as primeiras a se estabelecer. Cabe salientar que em síndromes como anemocoria e zoocoria, onde estão envolvidos agentes dispersores como o vento e os animais, respectivamente, a planta-mãe pode se encontrar a maiores distâncias do local de estabelecimento do fruto ou semente. Neste caso, a voçoroca estudada não depende essencialmente das espécies zoocóricas e anemocórias in situ e pode ser favorecida pelos remanescentes de cerradão e cerrado sensu stricto próximos; por outro lado, pode-se supor que as anemocóricas sejam prejudicadas pela plantação de eucalipto próximo à área de estudo, que tende a barrar o vento vindo principalmente do noroeste.

A gramínea Hyparrhenia rufa pode eventualmente apresentar os três mecanismos de dispersão. As cariopses são amplas e leves sendo facilmente disseminadas pelo vento e as espiguetas com longas aristas podem ser carregadas por animais. Dissemínulos de várias espécies podem ainda ter dispersão hidrocórica secundária, principalmente os que caem na encosta.

O maior percentual de espécies autocóricas, anemocóricas e zoocóricas em frutificação ocorreram no período chuvoso (figura 5). Apesar de uma queda na produção de frutos das espécies anemocóricas em outubro, início da estação chuvosa, os maiores percentuais (cerca de 56% a 70%) foram observados entre dezembro e fevereiro e em abril. Weiser & Godoy (2001) apontaram a predominância da frutificação de espécies anemocóricas no período seco e de zoocóricas e autocóricas, no início e final do período chuvoso, respectivamente. Entretanto, a maioria dos estudos fenológicos realizados no Cerrado (Mantovani & Martins 1988, Batalha et al. 1997, Batalha & Mantovani 2000) indicaram que a frutificação das espécies autocóricas e anemocóricas é mais comum no período seco, enquanto que a das zoocóricas ocorre principalmente durante o período chuvoso. No período seco, a dispersão dos frutos anemocóricos é favorecida pelos ventos que ocorrem com maior força e frequência. Além disso, nesse período, o pericarpo dos frutos autocóricos e anemocóricos são desidratados, o que provoca a sua deiscência (Mantovani & Martins 1988). Modificações nas condições ambientais podem alterar padrões reprodutivos esperados (Antunes & Ribeiro 1999), o que pode explicar os resultados obtidos pelo presente estudo.

 

 

No componente arbustivo-arbóreo predominou a zoocoria (cerca de 71,4%), enquanto que no herbáceo-subarbustivo predominou a autocoria (cerca de 71,4%) seguida pela anemocoria (cerca de 14,3%) (figura 6). Estes resultados estão de acordo com Mantovani & Martins (1988), Batalha et al. (1997), Batalha & Mantovani (2000) e Weiser & Godoy (2001), ratificando que em áreas de Cerrado a zoocoria está melhor representada entre as espécies arbustivo-arbóreas, e autocoria e anemocoria, entre as herbáceo-subarbustivas.

 

 

Observou-se a ocorrência de várias espécies com conhecido potencial para recuperação de áreas degradadas, entre elas, Annona coriacea, Duguetia furfuracea, Maclura tinctoria, Mimosa polycarpa, Rhamnidium elaeocarpum e Solanum lycocarpum, a primeira já recomendada para recuperação de áreas com voçorocas (Pott et al. 2006). Isto nos permite inferir que as mesmas contribuirão com o sucesso da revegetação natural da voçoroca.

Através da estabilização da curva espécies-área (Braun-Blanquet 1979) e da determinação da área mínima (Matteucci & Colma 1982), a suficiência amostral foi confirmada. Os cálculos realizados (tabela 4) mostraram que o "solo descoberto" foi elevado em termos de VI e CR. Em maio/2009 (período seco), este atributo apresentou 51,6% e 72,5% para VI e CR, respectivamente, valores gradualmente reduzidos a 34,2% (VI) e 45,3% (CR) em fevereiro/2010 (período chuvoso). Esta redução está relacionada apenas em parte à sazonalidade e tende a ser gradual e efetiva na área de estudo, uma vez que o processo de revegetação natural está em curso.

O aumento na cobertura do solo está relacionado, em parte, ao aumento de CR dos atributos "material morto" e "mantilho", que variaram de 6,1% e 3,0% (maio/2009) a 9,4% e 7,7% (fevereiro/2010), respectivamente. O acúmulo desses componentes é importante na ciclagem de nutrientes e proteção do solo contra as intempéries e consequente erosão. Também contribuíram com o aumento de cobertura do solo ervas, subarbustos e arbustos que se desenvolveram no local e que somaram CR entre 18,5% (maio/2009) e 37,4% (fevereiro/2010).

Acanthospermum australe, Paspalum notatum e Urochloa brizantha obtiveram altos valores para CR e FR durante o período de estudo. Se por um lado, essas espécies promovem considerável cobertura do solo, por outro, seu caráter competidor agressivo (Kissmann 1997, Kissmann & Groth 1999), pode interferir no estabelecimento e desenvolvimento de outras espécies vegetais, diminuindo assim a riqueza florística local que é importante nos processos de recuperação de áreas degradadas.

Foi observado para A. australe redução do VI entre novembro/2009 (17,3%) e fevereiro/2010 (14,7%). É provável que esta redução esteja relacionada ao aumento de CR de espécies de maior porte como U. brizantha, Mimosa polycarpa e Senna spp., por promoverem sombreamento. Acanthospermum australe é anual, procumbente e heliófila, necessitando de iluminação abundante para o seu desenvolvimento, senão seu crescimento vegetativo e frutificação são prejudicados (Kissmann & Groth 1999). Assim, os processos naturais de revegetação e sucessão ecológica podem controlar a sua ocorrência.

Paspalum notatum apresentou aumento gradual de CR, inclusive no período seco (3,7% a 6,8%), quando poucas espécies apresentaram CR acima de 1%. Espécie procumbente-ascendente, perene, com vigorosos rizomas horizontais de entrenós curtos, forma uma densa cobertura sobre o solo (Kismann 1997), conseguindo manter-se em condições de baixa fertilidade e pouca profundidade do solo, variações de umidade e competição com outras espécies vegetais (Pedreira & Pedreira 2006), incluindo Urochloa spp., todos fatores positivos no caso da voçoroca estudada.

Os altos valores de CR e FR de U. brizantha indicam que a sucessão poderá ser mais lenta na área, uma vez que plantas desta espécie produzem compostos alelopáticos capazes de afetar a germinação (Souza Filho et al. 1997) e, consequentemente, a frequência de outras espécies locais.

Urochloa humidicola em maio/2009 (período seco) apresentou baixos valores para CR (0,24%) e FR (0,55%), mas no fim do ano de estudo (período chuvoso) apareceu com 4,1% e 4,6%, respectivamente CR e FR. Por ocorrer preferencialmente em solo úmido é provável que a pluviosidade tenha colaborado com sua rápida expansão na área. Além de seu potencial alelopático (Souza Filho et al. 1997) esta espécie se propaga facilmente de modo vegetativo, com formação de novos colmos a partir de estolões e rizomas (Kissmann 1997, Lorenzi 2000), sendo também útil na recuperação de voçorocas, embora possa retardar a sucessão, assim como U. brizantha.

Ao longo do ano estudado a CR do "solo descoberto" variou de 75,4% a 42,0% no centro e de 72,8% a 47,1% na encosta da voçoroca (tabelas 5, 6). "Material morto" e "mantilho" somaram ao longo do ano estudado VI de 18,0% a 25,0% no centro e de 20,4% a 25,9% na encosta da voçoroca.

Acanthospermum australe, dentre as espécies observadas, obteve os mais altos valores de VI no centro (9,1% a 15,7%) e na encosta (13,7% a 14,7%). As demais espécies (CR de 10,9% a 29,5% no centro e de 8,2% a 22,8% na encosta) pouco contribuíram com a cobertura vegetal e portanto com o processo de revegetação durante o período de estudo.

A inclinação e instabilidade das encostas de voçorocas podem dificultar a fixação da maioria das espécies, comprometendo assim a revegetação, entretanto, observou-se um aumento considerável na cobertura vegetal e início de deposição de sedimentos no fundo, de até 50 cm de espessura. Inicialmente, formada por gramíneas estoloníferas, algumas exóticas como Urochloa humidicola, e outras poucas ervas, a cobertura das encostas foi sendo gradualmente enriquecida por espécies nativas com diferentes formas de vida, crescimento e hábitos, inclusive o arbustivo, como Solanum paniculatum (tabela 6), merecendo destaque também a capacidade de Stylosanthes spp. de vegetar nesse subsolo exposto e ressecado.

Conclui-se que a revegetação natural na voçoroca estudada está em curso, sendo favorecida pela exclusão do gado e caracterizada pela ocorrência de: considerável número de espécies pertencentes a diferentes famílias de fanerógamas; grupos de espécies com diferentes hábitos, formas de vida e de crescimento; produção de flores e frutos ao longo de todo o ano; espécies com diferentes formas de dispersão; pioneiras importantes como as leguminosas; espécies utilizadas na recuperação de áreas degradadas; e competidoras agressivas como Urochloa spp. Sugere-se que o estudo seja repetido daqui a alguns anos, para monitorar a sucessão da vegetação.

 

Agradecimentos

Ao Fernando Augusto Barcelos de Brum e à Cristina Saliés, proprietários da Fazenda Nova Esperança. A primeira autora agradece à CAPES pela bolsa Prodoc concedida entre 2006 e 2009 e por parte do recurso financeiro utilizado na execução do trabalho. O terceiro autor agradece a bolsa Produtividade Científica 2 do CNPq.

 

Literatura citada

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Recebido: 14.09.2010
Aceito: 22.06.2011

 

 

1 Autor para correspondência: adrianaguglieri@ig.com.br

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