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Topoi (Rio de Janeiro)

Print version ISSN 1518-3319On-line version ISSN 2237-101X

Topoi (Rio J.) vol.11 no.20 Rio de Janeiro Jan./June 2010

http://dx.doi.org/10.1590/2237-101X011020002 

Artigo

O mundo natural e o erotismo das gentes no Brasil Colônia: a perspectiva do estrangeiro

Jean Marcel Carvalho França

RESUMO

O ensaio aborda a literatura de viagem sobre o Brasil, escrita ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII, com o intuito de extrair daí uma pequena amostra da imagem que o europeu construiu do mundo natural e de um dos aspectos da conduta moral das gentes dos trópicos portugueses, aquele ligado à vida erótica do brasileiro, à sua relação com os prazeres da carne. Trata, pois, de uma tentativa muita limitada de mapear uma pequena parte das verdades sobre o Brasil e suas gentes que o europeu construiu e partilhou ao longo dos séculos, verdades que, em larga medida, guiaram as suas ações nesta parte do globo.

Palavras-Chave: hábitos coloniais; literatura de viagem; viajantes; erotismo colonial; perspectivas da natureza tropical.

ABSTRACT

This essay focuses on travel literature about Brazil, written during the sixteenth, seventeenth and eighteenth centuries, with the intention of drawing from this small sample, an image that was built of nature and the moral conduct of the people in the tropics - specially the erotic life of Brazilians and its relationship with the pleasures of the flesh. It is therefore a very limited attempt to map a small part of the truths about Brazil and its people that the Europeans had shared and built over the centuries, truths that largely had guided their actions in that part of the globe.

Key words: colonial habits; travel literature; travelers; colonial erotica; perspectives of tropical nature.

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text available only in PDF format.

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1ARCINIEGAS, Germán. América en Europa. Bogotá, Colombia: Plaza & Janes, 1980, p. 129-154.

2A polêmica tese de que a América era um continente inferior foi minuciosamente analisada no já clássico livro de GER-DI, Antonello. La disputa del Nuevo Mundo. Historia de una polémica (1750-1900). México: Fondo de Cultura Económica, 1993. O mesmo tema mereceu atenção de Arciniegas, no já citadoAmérica en Europa, p. 155-182.

3CHATEAUBRIAND, François-René. Atala. Texto fixado e apresentado por Gilbert Chinard. Paris: F. Roches, 1930.

4ZAVALA, Silvio. América en el espíritu francés del siglo XVIII. México: Colégio Nacional, 1949, p. 33-90.

5Não esqueçamos das vigorosas e concorrentes ondas de interesse pela Índia e pela China, nos séculos XVI e XVII, e, mais tarde, no século XVIII, pelo continente Austral.

6Lembremos que, em 1591, uma década depois da união dos tronos de Portugal e Espanha, foi proibida a vinda de navios estrangeiros para a América Portuguesa (9 de fevereiro) e que, em 1605, se interditou de uma vez por todas a presença deles na colônia e se estipulou o prazo de 12 meses para que os já residentes saíssem (18 de março). Tais restrições, ainda que não tenham sido respeitadas à risca, dificultaram as visitas de estrangeiros ao país.

7Pouco mais de uma centena.

8VESPÚCIO, Américo. Novo Mundo - As cartas que batizaram a América. São Paulo: Planeta do Brasil, 2003, p. 45.

9 Ibid., p. 45-47.

10FRANÇA, Jean Marcel Carvalho. Outras Visões do Rio de Janeiro Colonial. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 2000, p. 333.

11LÉRY, Jean de. Viagem à terra do Brasil. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1980, p. 111.

12STADEN, Hans. Duas viagens ao Brasil. Belo Horizonte, São Paulo: Itatiaia, Ed. da Universidade de São Paulo, 1974, p. 152.

13FRANÇA, Jean Marcel Carvalho. Visões do Rio de Janeiro Colonial. Rio de Janeiro: EdUERJ; José Olympio, 1999, p. 36.

14 Id. Ibid., p. 47.

15As citações de viajantes que não estiverem acompanhadas de notas são traduções extraídas da obra: FRANÇA, Jean Marcel Carvalho. A Construção do Brasil na Literatura de Viagem dos séculos XVI, XVII E XVIII. Rio de Janeiro: José Olympio. (no prelo). Informações sobre os viajantes citados podem ser encontradas em FRANÇA, Jean Marcel Carvalho; RAMINELLI, Ronald. Andanças pelo Brasil. São Paulo: Ed. Unesp, 2009.

16 Visões do Rio de Janeiro Colonial, p. 114.

17 Id., Ibid., p. 58.

18 Id. Outras Visões do Rio de Janeiro Colonial, p. 219.

19 Id. Visões do Rio de Janeiro Colonial, p. 21.

20KNIVET, Anthony. Vária fortuna e estranhos fados de Anthony Knivet, que foi com Tomás Cavendish, em sua segunda viagem, para o Mar do Sul, no ano de 1591. São Paulo: Brasiliense, 1947, p. 55.

21Os holandeses, a começar por um dos pioneiros no que tange a livros sobre o Brasil, Dierick Ruiters, também exaltaram a exuberância da vegetação local. Lembremos que saiu da pena de holandeses instalados em Pernambuco, durante o governo de Maurício de Nassau, a renomada Historia Naturalis Brasiliae, o mais completo e detalhado mapeamento da flora brasileira publicado durante o século e meio que antecedeu as obras dos naturalistas e sábios que deram nos portos brasileiros depois da abertura promovida por D. João VI.

22FRANÇA, Jean Marcel Carvalho. Visões do Rio de Janeiro Colonial, p. 36.

23AMADO, Janaína; FIGUEIREDO, Luiz Carlos. Brasil 500. Quarenta documentos. Brasília: Editora da Universidade de Brasília; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2001, p. 177.

24FRANÇA, Jean Marcel Carvalho. Visões do Rio de Janeiro Colonial, p. 38-39.

25 Ibid., p. 135.

26LÉRY, Jean de. Viagem à terra do Brasil, p. 153.

27ABBEVILLE, Claude d'. História da missão dos padres capuchinhos na ilha do Maranhão. Apres. de Mário Guimarães Ferri. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1975, p. 182.

28D´ÉVREUX, Père Yves. Voyage dans le nord du Brésil fait durant les années 1613 et 1614. Avec une introduction et des notes par M. Ferdinand Denis. Leipzig, Paris: Libraire A. Franck, 1864, p. 147-208.

29FRANÇA, Jean Marcel Carvalho. Visões do Rio de Janeiro Colonial, p. 47.

30 Ibid., p. 36.

31Jemima Kindersley. In: FRANÇA, Jean Marcel de Carvalho. Mulheres viajantes no Brasil (1773-1820). Rio de Janeiro: José Olympio, 2007, p. 31.

32Referimo-nos, aqui, nomeadamente, ao conceituado trabalho de Sérgio Buarque de Holanda, Visão do Paraíso. Há de se ter em conta, contudo, que a presença minguada da ideia de paraíso nas narrativas de viagem, escritas por estrangeiros, não é extensiva aos escritos sobre o Brasil produzidos por brasileiros ou lusitanos, escritos de circulação restrita, que contaram com tiragens pequenas, não ganharam nenhuma tradução e, não raro, foram vítimas da censura portuguesa, como, por exemplo, o Notícias curiosas e necessárias das cousas do Brasil (1668), do padre Simão de Vasconcelos, onde se encontram sete parágrafos - banidos na primeira edição da obra - em que o autor defende, sustentado nos doutores da igreja, que o Brasil poderia ser o "paraíso na terra". VASCONCELOS, Simão. Notícias curiosas e necessárias das cousas do Brasil. Introd. e recolha de textos por Luís A. de Oliveira Ramos. Lisboa: C.N.C.D.P., 2001, p. 161-164.

33FRANÇA, Jean Marcel Carvalho. Outras Visões do Rio de Janeiro Colonial, p. 267.

34 Ibid., p. 242.

35 Id. Visões do Rio de Janeiro Colonial, p. 134.

36O índios amantes da concupiscência apareceram nas páginas da literatura de viagens bem mais cedo, em 1506, nas co-nhecidas cartas de Américo Vespúcio.

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