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Topoi (Rio de Janeiro)

Print version ISSN 1518-3319On-line version ISSN 2237-101X

Topoi (Rio J.) vol.11 no.20 Rio de Janeiro Jan./June 2010

http://dx.doi.org/10.1590/2237-101X011020007 

Artigo

O "crioulo Dudu": participação política e identidade negra nas histórias de um músico cantor (1890-1920)

Martha Abreu

RESUMO

A partir da trajetória, das composições e do repertório musical de Eduardo Sebastião das Neves, conhecido como o "Crioulo Dudu", pretendo discutir as possibilidades de expressão política de um músico negro na Primeira República. Levando em consideração os debates em torno do Atlântico Negro, o crescimento do mercado editorial e da indústria fonográfica, foi possível situar Eduardo das Neves como um produtor atuante do campo musical popular que se construía entre o final do século XIX e início do XX. Dudu conferiu ao mundo musical dimensões políticas especiais, ao criar e divulgar canções que valorizavam o patriotismo e discutiam, de uma forma irônica e irreverente, as relações raciais e a identidade do homem negro no pós-abolição. O exame da trajetória e da obra musical de Dudu permite repensar antigas concepções sobre participação política e identidade negra na Primeira República.

Palavras-Chave: música popular; relações raciais; identidade negra; Primeira República; patriotismo.

ABSTRACT

Using the trajectory of Eduardo Sebastião das Neves, known as "Crioulo Dudu" ("Black Dudu", or "Creole Dudu"), as well as his compositions and musical repertoire as a starting point, this essay discusses the possibilities of black musician political expression during the Brazilian First Republic. Taking into account the debates on the Black Atlantic, the growth of publishing market and recording industry, it was possible to locate Eduardo das Neves as an active producer in the field of popular music that was being built between the late nineteenth and early twentieth centuries. Dudu gave special political dimensions to the music world by creating and disseminating songs that valorized patriotism and that discussed race relations and black identity in the post-emancipation period in an ironic and irreverent way. To examine Dudu's trajectory and musical work allows rethinking some established views on political participation and black identity during the First Republic.

Key words: popular music; race relations; black identity; First Republic (Brazil); patriotism.

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text available only in PDF format.

1Sobre essas versões ver ABREU, M. e DANTAS, C. V. Música popular, folclore e nação no Brasil, 1890-1920. In: CARVALHO, J. M. Nação e cidadania no Império: novos horizontes. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

2ASSUNÇÃO, Matthias R. From Slave to Popular Culture: The formation of Afro-Brazilian Art Forms in nineteen century Bahia and Rio de Janeiro. Ibero Americana, III, 12, p. 159-176, 2003. Ver também WADE, Peter. Music, Race and Nation, Musica Tropical in Colombia. Chicago: Chicago Press, 2000; MOORE, Robin D. Nationalizing Blackness. Afrocubanismo and Artistic Revolution in Havana, 1920-1940.Pittisburgh: University of Pittisburghe Press, 1997.

3GILROY, Paul. O Atlântico Negro, modernidade e dupla consciência. Rio de Janeiro: UCAM/Editora 34, 2001, p. 189 e 245.

4DU BOIS, W. E. B. As almas da gente negra.Rio de Janeiro: Lacerda Ed., 1999, p. 299 (Tradução de Heloisa Toller Gomes).

5 Idem, p. 308.

6Hebe Mattos desenvolve atualmente pesquisa sobre a "descoberta" da África por André Rebouças.

7Ver, por exemplo, ROBERTS, John W. From Trickster to Badman, The black folk hero in slavery and freedom, Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1990; BASCON, William. African folktales in the New World. Bloomington: Indiana University Press, 1992; CAPONI, G. The case for an African American Aesthetic. In: CAPONI, G. A reader in African American expressive culture. Massachusetts: The University of Massachusetts Press, 1999.

8Ver ABREU, M. Outras histórias de Pai João: conflitos raciais, protesto escravo e irreverência sexual na poesia popular, 1880-1950. Afro-Ásia,n. 31, 2004, p. 235-276. Em pesquisa recente, ao lado de Hebe Mattos, produzimos um DVD, sobre "Jongos, Calangos e Folias, música negra, memória e poesia", onde também os versos ocupam lugar de destaque na construção da identidade negra. Ver http://www.historia.uff.br/jongos.

9Sobre a produção editorial de música nesse período, ver LEME, Mônica. E saíram à luz as novas polcas, modinhas, lundus e etc.: música popular e impressão musical no Rio de Janeiro (1820 - 1920). Tese de doutorado apresentada ao Programa de PósGraduação em História Social da UFF. Niterói, 2006.

10Segundo Franceschi, as letras podiam variar, mas as melodias eram muito semelhantes nas gravações do início do século. O que mais importava era o assunto do momento. Quanto mais conhecida a melodia, maiores eram as chances de sucesso e venda. As publicações musicais em livro também demonstram que as melodias eram amplamente conhecidas, pois só eram publicadas as canções com as letras, sem as indicações musicais. Ver FRANCESCHI, Humberto. A Casa Edison e seu tempo.Rio de Janeiro: Sarapuí, 2002, p. 98. Há poucos estudos sobre as primeiras gravações no Brasil, mas pode ser destacada a pesquisa de Martha Tupinambá Ulhoa sobre os lundus gravados no início do século. Ver ULHÔA, M. T. Perdão Emilia! Transmissão oral e aural na canção popular. In: MATOS, C.; TRAVASSOS, E.; Medeiros, F. (Org.). Palavra cantada: ensaios sobre poesia, música e voz. Rio de Janeiro: 7Letras, 2008, p. 249-267.

11A indústria do disco no Brasil foi dominada, nos primeiros tempos, por Fred Figner, proprietário da Casa Edison. Esse empresário tinha parcerias com firmas do ramo sediadas nos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. No início do século XX a maior empresa ligada a Fred Figner era a Talking Machine Odeon, que também tinha parcerias com empresários de várias cidades da América Latina. FRANCESCHI, op. cit., p. 94; COWLEY, John. Carnival, Canboulay and Calypso. Traditions in the making. New York, Cambridge University Press, 1996.

12Ainda são poucos os estudos sobre a trajetória de artistas negros ou mestiços no Brasil, entre o final do século XIX e início do XX, como Anacleto de Medeiros, Xisto Baia e Joaquim Calado. Mas já podem ser destacados, os trabalhos sobre o ator Vasques (MARZANO, Andrea Barbosa. Cidade em cena: o ator Vasques, o teatro e o Rio de Janeiro, 1839-1892. Rio de Janeiro: Ed. Folha Seca, 2008), e sobre Patápio Silva (OLIVEIRA, Maurício de Lima. Patápio Silva, o sopro da arte. Trajetória de um flautista mulato no início do século XX. 2007. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Federal de Santa Catarina). Sobre Catulo da Paixão Cearense, destaco duas dissertações de mestrado: FERLIN, Uliana Dias Campos (Mestrado em História, Unicamp, 2006) e CARVALHO, Marcio G. (Mestrado em História, UFF, 2006).

13SCULLY, Pamela e PATTON, Diana. Gender and Slave Emancipation in the Atlantic World.Durham and London: Duke University, 2005, p.1-34. Ver também CAULFIELD, Sueann. Em defesa da honra. Moralidade, modernidade e nação no Rio de Janeiro (1918-1940). Campinas: Ed. Unicamp, 2000.

14Esses dados estão na certidão de óbito, localizada no Arquivo da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Entre os memorialistas há divergências. Jota Efegê afirma que Dudu era paulista e teria nascido em 1871. Baseia-se em informações do prontuário de Eduardo das Neves no Corpo de Bombeiros. EFEGÊ, J., pseud. de João Ferreira Gomes. Figuras e coisas da música popular brasileira. Rio de Janeiro: Mec/Funarte, 1978, vol. 1, p. 178.

15Segundo Franceschi, que consultou os arquivos da Casa Edison, o cantor constava da folha de pagamento dos funcio-nários da Casa como um dos três da Seção de Gravação, recebendo Rs 100$000 mensais. Os outros eram Baiano, com Rs 150$000 e João Baptista Gonzaga com Rs 400$000. Em uma carta do próprio Eduardo, escrita, em março de 1915, de Pelotas, onde estaria para uma excursão, o cantor refere-se a Figner como "digno patrão e amigo". Declarava ainda estar remetendo a quantia de 500$000 (quinhentos mil réis) para depósito nas mãos do empresário, produto das economias conseguidas nesta viagem e que se destinavam a comprar a "casinha", e a do lado, onde morava em Piedade. Em 1915 Eduardo das Neves ainda não tinha tido recursos suficientes para comprar uma "casinha". Outra fonte de renda do autor era a venda das canções para Fred Figner. FRANCESCHI, op. cit., p.64.

16Além das referências citadas no texto, as principais referências sobre a biografia de Eduardo das Neves encontram-se em MARCONDES, Marcos. Enciclopédia da música brasileira. 2ª ed., São Paulo: Art. Editora, 1998; MAIS, Pedro Luís. Antologia da serenata. Rio de Janeiro: Simões editora, 1957; TINHORÃO, J. R. Circo brasileiro, local do universal. In: Cultura popular, temas e questões. São Paulo: Ed. 34, 2001; VASCONCELOS, Ari. Panorama da música popular brasileira. Rio de Janeiro: Martins, 1964.

17Gerson, Brasil. História das ruas do Rio.5a. ed. Rio de Janeiro: Lacerda Ed., 2000, p. 232.

18FRANCESCHI, op. cit., p. 67.

19Esse livro, quase de bolso, possui 96 páginas e anuncia na capa que os versos foram revistos por Catulo da Paixão Cearen-se. Catulo escreveu o Prefácio. Como só localizei esse livro recentemente, adio para uma próxima oportunidade uma análise mais detalhada.

20NEVES, Eduardo das, O trovador da malandragem. Rio de Janeiro: Livraria Quaresma Editores, 1926, p. 64.

21MEADE, Teresa. "Civilizing" Rio, reform and resistance in a brazilian city, 1889-1930. Pennsylvania: The Pennsylvania State University Press, 1997, p. 70-74.

22Em Mistérios do violão, Dudu apresenta outra canção com o título "crioulo faceiro", agora em homenagem ao "simpático clow Benjamin de Oliveira". Benjamin foi um famoso palhaço negro.

23Jota Efegê, "O Jornal" de 3 de julho de 1966.

24MEADE, op. cit., p. 82 e 98.

25EFEGÊ, Jota. Figuras e coisas da música popular brasileira. Rio de Janeiro: Funarte,1978, p. 178.

26GUIMARÃES, Francisco (O Vagalume). Na roda de samba. Rio de Janeiro: Funarte, 1978 (publicado em 1933), p. 6575. Mesmo que sempre identificado com o lundu, Vagalume conferiu local de destaque para Eduardo das Neves em um livro fundador da história do samba no Brasil, publicado em 1933. Preocupado em definir um local "verdadeiro" e mítico do samba, - "A roda de samba" - o cronista foi enfático em afirmar que o cantor ali "sempre foi catedrático, desde os tempos de guarda-freio e daqueles bambas, daqueles que se garantiam e cujas pernas eram respeitadas numa batucada". É importante registrar que Vagalume faz parte de uma primeira geração de memorialistas que estava preocupada em construir as raízes do samba. Nessa operação, os memorialistas escolhiam os precursores e disputavam versões sobre a "verdadeira" origem do samba. Ver NAPOLITANO, M. e WASSERMAN, M. C. Desde que o samba é samba: a questão das origens no debate historiográfico sobre a música popular brasileira. Revista Brasileira de História, São Paulo: v. 20, n. 39, p. 167-189, 2000. Apesar da "lembrança" de Vagalume, Eduardo das Neves foi em grande parte esquecido pelas histórias da música popular. Não pretendo aprofundar essa discussão no momento, mas disputas entre o lundu (gênero de Dudu) e o samba, ou disputas em torno da construção da autoria podem, num primeiro momento, ajudar a pensar esses esquecimentos.

27No carnaval de 1917, em 21 de fevereiro, quando Vagalume trabalhava na redação, o Jornal do Brasil registra a visita de Eduardo das Neves com o Bloco da Casa Edison. Na despedida, versejava: "Com este punho na mão, me sinto forte e viril! Erguendo uma saudação, ao Jornal do Brasil. Amigos, por estar cantando, não fiques com ciúme. Aqui venho para saudar, ao Jornal e ao Vagalume". Ver Jota Efegê, O Jornal, 28 de novembro de 1963. As visitas de blocos e cordões aos jornais, em busca de legitimidade, eram muito comuns na época do carnaval (CUNHA, Clementina P. Ecos da folia, uma história social do carnaval carioca (1890-1920).São Paulo: Cia das Letras, 2001).

28 Idem, p. 73.

29Franceschi reproduziu um cartão de visitas de Eduardo das Neves: "Cantor oficial da casa Edison, Rio de Janeiro. Aceita con-tratos para teatros, parques, cinemas, cafés concertos, bares etc. Guarda-roupa a caráter". FRANCESCHI, op. cit., p. 66.

30GUIMARÃES (O Vagalume), op. cit., p. 73, (publicado em 1933).

31A possível amizade com o famoso criminalista Evaristo de Moraes, apesar das evidentes diferenças entre eles, reforça a pers-pectiva que defendo sobre as preocupações de Dudu com as lutas contra o racismo na Primeira República. Na biografia de Evaristo de Moraes, Joseli Mendonça aponta para a atuação de Moraes na mesma direção. MENDONÇA, J. M. N. Evaristo de Moraes, Tribuno da República. Campinas: Ed. Unicamp. 2007, parte II.

32Arquivo Almirante, Museu da Imagem e do Som, 1965, Pasta Eduardo das Neves.

33 Idem.

34EDMUNDO, Luiz. De um livro de Memórias, Rio de Janeiro: Departamento de Imprensa Nacional, 1958, p. 644. Ver também BESSONE, Tânia. Palácio dos destinos cruzados: bibliotecas, homens e livros no Rio de Janeiro, 1870-1920. Rio de Janeiro, Arquivo Nacional, 1997; AL FAR, Alessandra. Páginas de sensação: Literatura popular e pornográfica no Rio de Janeiro (1870-1924). 1a ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

35EDMUNDO, op. cit., p. 733-735.

36BROCA, Brito. A vida literária no Brasil, 1900. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976. Segundo Brito Broca, a editora havia sido fundada por Pedro da Silva Quaresma, que se dedicou a publicar livros amenos, de interesse prático e ao alcance de qualquer um. As brochuras eram vendidas por preços módicos. Para Broca, escritores de terceira categoria lhe forneciam o material. Suas publicações espalharam-se por todo o Brasil, nos sertões da Bahia e Minas Gerais.

37EDMUNDO, op. cit., p. 407.

38As gravações da Casa Edison podem ser acessadas on-line pelo site do Instituto Moreira Sales. Fazem parte dos Acervos José Ramos Tinhorão e Humberto Franceschi.

39A Casa Edison comprava as canções de cada compositor e poderia dispor delas como bem entendesse.

40Nas suas publicações, algumas vezes assume a autoria das canções. Outras vezes, sem declarar o autor, apenas comenta ser de seu repertório. Nas gravações da Casa Edison, a maior parte das canções cantadas por Eduardo das Neves está sem autoria. Localizei 165 canções gravadas por Eduardo das Neves no arquivo musical do Instituto Moreira Sales.

41RIO, João do. A alma encantadora das ruas. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Dep. Geral de Documentação e Informação Cultural, 1987, p. 173-186.

42Sobre o teatro de revistas, ver, dentre outros, GOMES, Tiago de M. Um espelho no palco, identidades sociais e massificação da cultura no teatro de revista dos anos 1920. Campinas: Ed. Unicamp, 2004.

43MORAIS, Renata Figueiredo. Os 13 de maio: A abolição na escrita de Duque Estrada. Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal Fluminense. Niterói, 2007.

44José Murilo já defendeu essa ideia no livro Cidadania no Brasil, ao comentar que a Guerra havia trazido um esboço de sentimento de identidade nacional. CARVALHO, J. M. Cidadania no Brasil, o longo caminho. 8a ed., Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p. 38.

45NEVES, Trovador, op. cit.,p. 33.

46Não é meu objetivo aprofundar as já longas discussões historiográficas sobre os significados do governo de Floriano, ape-nas registrar a sua popularidade. De acordo com o memorialista Luiz Edmundo, que também era um admirador, havia um certo fanatismo popular por Floriano (o Perfeito, o Prodigioso, Insubstituível). Na sua morte, um terço ou mais da população da cidade teria comparecido ao funeral. EDMUNDO, Luiz. De um livro de memórias. Vol 2. Rio de Janeiro: Dep. Imprensa Nacional, 1958, p. 353-407.

47 Trovador popular moderno, extraordinária e completa coleção de modinhas brasileiras, do repertório dos aplaudidos trovadores Eduardo das Neves e Baiano e outros conhecidos artistas. 16ª Edição, São Paulo: C. Teixeira e cia., 1926, p. 31 e 32.

48Essa canção foi analisada de uma forma mais detalhada em ABREU M. e MARZANO, A. Entre palcos e músicas, cami-nhos da cidadania no início da República. In: CARVALHO, J. M. e NEVES, L. M. B. P. (Org.). Repensando o Brasil dos oitocentos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.

49A análise do repertório de Eduardo das Neves contribui efetivamente, ao lado de outras pesquisas próximas, para a revi-são da ideia de uma República Velha no Brasil. Seu patriotismo cantado em versos talvez possa ser apontado como um forte motivo para ele ter sido esquecido a partir de 1930. Para uma discussão sobre as memórias construídas sobre a Primeira República, ver GOMES, Ângela de Castro e ABREU, M. Apresentação do Dossiê "A nova 'velha' República". Revista Tempo, vol. 13, N. 26, 2009, p. 11-24.

50Essa crônica também foi publicada, em 1908, no livro de RIO, João do. A alma encantadora das ruas. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Dep. Geral de Documentação e Informação Cultural, 1987, p. 173-186.

51Evidentemente, esse patriotismo "bizarro" estava presente também entre os setores eruditos. Como exemplo, ver os inú-meros poemas publicados por PINHEIRO, XAVIER (Org.), A Música Cívica, Antologia brasileira destinada às escolas primárias da República. Rio de Janeiro: Livraria Editora de Leite Ribeiro & Maurillo, 1920 (664 páginas). Sobre Floriano Peixoto, por exemplo, são registradas 35 homenagens em poesia. Os versos de Eduardo das Neves não foram citados. Agradeço a Marcos Luiz Bretas pela indicação desse livro.

52MAGALHÃES, Marcelo. Ecos da Política: A capital federal, 1892-1902. Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História Social da UFF. Niterói, 2004.

53GUIMARÃES (O Vagalume), op. cit. p. 70 (publicado em 1933).

54Deve-se observar que o número de canções gravadas que tinham sido publicadas em livro é pequeno. Não é ainda possí-vel explicar completamente essa constatação. Sem dúvida, pode-se levar em consideração que quando a indústria fonográfica se expande, na primeira década do século XX, os versos teriam que ter outras temáticas, pois as canções publicadas no final do século XIX se referiam a assuntos que, em grande parte, já tinham passado.

55A circulação de linguagens e temáticas populares na grande imprensa, entre o final do século XIX e início do XX, foi mos-trada por HALL, Stuart. Da diáspora. identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora da UFMG; Brasília: Representação da UNESCO no Brasil, 2003, p. 247-264.

56Ver ABREU M. e MARZANO, A. op. cit.

57Sobre essa perspectiva ver ABREU, M. e DANTAS, C. V. op. cit.

58Agradeço a Renata Moraes essas indicações do Jornal do Brasil dos dias 13 e 15 de maio de 1909.

59Agradeço a Carolina Vianna Dantas, que desenvolve trabalho sobre Manoel da Motta Monteiro Lopes, essas indicações.

60Para uma análise desse hino da Abolição, a Canoa Virada, ver ABREU E MARZANO, op. cit., p. 143-145.

61NEVES, "Mistérios", op. cit., p. 46 e 47, e "O trovador", op. cit., p. 33.

62NEVES, "Mistérios", op. cit., p. 28. Logo abaixo do título da canção o autor escreveu: "resposta à cançoneta Roda Yôyô".

63ABREU, M. "Sobre mulatas orgulhosas e crioulos atrevidos": conflitos raciais, gênero e nação nas canções populares (Su-deste do Brasil, 1890-1920). Revista Tempo, vol 8, n. 16, p. 143-173.

64NEVES, Mistérios, op. cit., p. 57e 58.

65Lundu Gostoso, Odeon, 108673, 1907-1912.

66Pai João, Odeon, 108075, 1907-1912.

67ABREU, M. Outras histórias, op. cit., p. 235-276.

68Iaiazinha, Odeon, 108074, 1907-1912. Versos muito próximos aos gravados por Eduardo das Neves, envolvendo os ca-funés de iaiá, foram citados por Gilberto Freyre, a partir de referência de Pereira da Costa, com o seguinte comentário: "às vezes a iaiá branca catava os piolhos da mucama e do malungo". Ver FREYRE, Gilberto, Sobrados e mucamos, 2otomo, Rio de Janeiro, José Olympio ed., 1985 (7a ed.), p. 467.

69"Preto forro alegre", Odeon, no 120351, 1912-1913. No índice do acervo do Instituto Moreira Sales a autoria é atribuída a Das Neves, mas a canção é reconhecidamente de domínio público.

70LIMA, Rossini Tavares, Da conceituação do Lundu. São Paulo: s/ed. 1953, p. 7.

71 Kosmos, ano 2, no 4, abril de 1905, p. 5.

72 Idem, p. 2 e 3.

73Ver, por exemplo, Mello Moraes Filho, Silvio Romero, Leonardo Motta, Alexina de Magalhães, dentre outros.

74 Kosmos, ano 2, no 4, abril de 1905, p.4.

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