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Revista Brasileira de Estudos da Presença

On-line version ISSN 2237-2660

Rev. Bras. Estud. Presença vol.4 no.1 Porto Alegre Jan./Apr. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/2237-266037020 

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Da Imagem à Cena: o palhaço fotógrafo e o registro do circo-teatro

From the Image to the Scene: the photographer clown and the recording of the circus-theater

De l'Image à la Scène: le clown photographe et l'archivage du cirque-théâtre

Alda Fátima de Souza1  2 

1Universidade do Sudoeste da Bahia - UESB, Jequié/BA, Brasil

2Universidade Federal da Bahia - UFBA, Salvador/BA, Brasil


RESUMO

Este artigo trata do registro, a princípio registro fotográfico e depois escrito, realizado pelo palhaço Cadilac e evidencia a forma de atuação nos pequenos circos mambembes e o início de uma troupe circense, no período entre 1950 e 1970. A pesquisa, concluída em fevereiro de 2012, teve como resultado final a dissertação na área de Artes Cênicas intitulada A memória do circo mambembe: o palhaço Cadilac e a reinvenção de uma tradição. Para a realização deste artigo, utilizou-se o levantamento da pesquisa, em que foram feitos cruzamentos de dados entre as entrevistas, documentos de arquivos públicos, fotos, escritos do próprio palhaço, além de diversas publicações sobre o assunto em questão.

Palavras-chave: Registro; Fotografia; Troupe; Circo; Teatro

ABSTRACT

This article is about the recording, photographic at first and then written, accomplished by the clown Cadilac, and highlights the ways of acting in small "mambembe" circuses and the beginning of a circus troupe, in the period between 1950 and 1970. The research, completed in February 2012, had as its final result the thesis in the field of Performing Arts entitled The memory of the mambembe circus: the clown Cadilac and the reinvention of a tradition. For this article, a survey research was used, with data crossing between interviews, documents from public archives, photos, the clown's own writings, beyond several publications on the subject.

Keywords: Register; Photography; Troupe; Circus; Theater

RÉSUMÉ

Cet article traite de l'archivage et de la conservation, notamment photographique mais aussi écrite, faite par le clown Cadilac. Il permet d'appréhender le jeu circacien dans le contexte des petits cirques itinérants ainsi que le début d'une troupe de cirque dans une période située entre 1950 et 1970. L'enquête, réalisée en février 2012, a abouti à la rédaction d'un mémoire dans le domaine des arts du spectacle intitulé La mémoire du cirque itinérante: le clown Cadilac et la réinvention de la tradition. Cet article s'appuie sur les interviews, documents d'archives, photos, es écrits personnels du clown et aussi sur des publications existantes autour de ce sujet, procédant à un croisement des données.

Mots-clés: Archives; Photographie; Troupe; Cirque; Théâtre

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text available only in PDF format.

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1O empirismo é a escola do pensamento filosófico relacionada à teoria do conhecimento, que pensa estar, na experiência, a origem de todas as ideias. Para esta pesquisa, a palavra empírica e suas derivações se referem às experiências ou práticas dos artistas.

2Os fotógrafos que atuavam nas praças ficaram conhecidos como fotógrafos de jardim por utilizarem painéis pintados com paisagens no fundo de suas fotografias.

3Eram assim conhecidos por molharem a ponta do dedo para verificar de que lado estava a emulsão na chapa. Ver mais em Fernandes Júnior (2009, p. 2).

4História da fotografia disponível em: <http://www.girafamania.com.br/montagem/fotografia-brasil1.htm>. Acesso em: mai. 2011.

5Ver Avanzi; Tamaoki (2004, p. 194).

6Esta forma de subdivisão do espetáculo praticada já na década de 1950 pelo circo Nerino também era adotada pelos pequenos circos. Assim, em 1954, quando João se inseriu nas atividades circenses, os espetáculos já eram realizados neste formato. A divisão entre primeira e segunda parte do espetáculo circense se perpetua até os dias de hoje, porém nem sempre ocorrem dramatizações na segunda parte.

7História da fotografia disponível em: <http://www.girafamania.com.br/montagem/fotografia-brasil1.htm>. Acesso em: mai. 2011.

8Meio de transporte muito utilizado na época.

9Carro de boi, pau de arara e marinete, tipos de transportes muito utilizados pelos nordestinos. O primeiro era muito usado nas zonas rurais, sendo carroças puxadas por bois; o segundo era muito usado nas estradas para levar imigrantes nordestinos para o sudeste do país e consistia em um caminhão que possuía diversas varas na sua carroceria nas quais as pessoas se penduravam ou colocavam seus pertences; o terceiro era o nome popular de diversos ônibus que circulavam nas cidades e interior do Nordeste.

10Termo usado pelos circenses para designar a ação do Mestre de Cena. Mestre de Cena, também conhecido como mestre de pista, crom, escada ou clown, forma dupla cômica com o palhaço. O Mestre de Cena, ao contrário do clown, por exemplo, não utiliza nenhuma maquiagem ou roupa que o caracterize. Nos pequenos circos, o Mestre de Cena pode ser o próprio apresentador do espetáculo.

11Forma de divulgar os espetáculos nos vilarejos, na qual os artistas se dirigiam à casa das pessoas, batiam à porta e anunciavam que haveria espetáculo, informando o horário, local e valor.

12Trecho do diálogo entre Josefa e João Silva, de acordo com a entrevista realizada com a filha de João, Jucineide Silva, no dia 07 de agosto de 2010.

13"Entenda-se 'troupe' como um grupo de artistas que em dado momento se desmembra do elenco semi-estável em que atuava e passa a gerir a própria existência, num modesto circuito de salas em prédios escolares, cinemas, clubes e mercados, explorando um repertório de dramas, comédias e farsas (a 'segunda parte'), complementado ou não com uma 'primeira parte' de variedades, ou lançando mão apenas desta última" (Araújo, 1979, p. 14).

14Local onde se processa a farinha de mandioca.

15Fala de João Silva, de acordo com a entrevista realizada com sua filha, Jucineide Silva, no dia 07 de agosto de 2010.

16Após realizar um número, a artista se dirigia a uma pessoa do público, normalmente homens, e passava, em seu ombro, um lenço ou pano: pagando em dinheiro, o número circense era repetido, caso não pagasse, ela se dirigia a outra pessoa.

17Em locais em que o dinheiro circulava, cobravam-se ingressos; naqueles em que não circulava, realizavam-se trocas. De qualquer forma, o espetáculo não deixava de acontecer.

18Na pesquisa de Nélson de Araújo no Recôncavo Baiano, foi realizada uma entrevista com Alino Fonseca, dono do circo Azes Pernambucanos. Trata-se do mesmo artista.

19Ver <http://www.boamusicaricardinho.com/zedorancho_41.html>. Acesso em: mai. 2011.

20Ver <http://www.dicionariompb.com.br/cascatinha-e-inhana/dados-artisticos>. Acesso em: mai. 2011.

21Este autor teve uma coletânea com 36 peças lançada no dia 29 de agosto de 2011, em Minas Gerais, através da pesquisa de Sula Mavrudis.

22Disponível em: <http://www.fundacaocultural.ba.gov.br/projetos/mapeamento-e-memoria-do-circo-da-bahia>. Acesso em: 31 jan. 2013.

Recebido: 31 de Janeiro de 2013; Aceito: 09 de Julho de 2013

Alda Fátima de Souza possui graduação na área de Licenciatura em Teatro pela Universidade Federal da Bahia (2005) e Mestrado em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-graduação da Escola de Teatro da UFBA (2012). Foi coordenadora do Núcleo de Artes Circenses da Fundação Cultural do Estado da Bahia, no período de 2008-2013. Atualmente, leciona na Universidade Sudoeste da Bahia - UESB, na cadeia de História do Teatro e Teatro/Educação. Participa do Grupo de Trabalho de Etnocenologia, com publicações de artigos nos Congressos da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-graduação em Artes Cênicas (ABRACE) desde 2010. Publicou o artigo Cortejo Circense: trajeto festivo no Cadernos do GIPE-CIT, ano 14, número 26, 2011. E-mail: aldasouza.laborda@gmail.com

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