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Epidemiologia e Serviços de Saúde

Print version ISSN 1679-4974On-line version ISSN 2237-9622

Epidemiol. Serv. Saúde vol.24 no.3 Brasília July/Sept. 2015

http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742015000300006 

Artigo Original

Uso de álcool, tabaco e outras drogas por adolescentes escolares de Porto Velho-RO, Brasil

Use of alcohol, tobacco and other drugs by adolescents students from Porto Velho-RO, Brazil

Uso de alcohol, tabaco y otras drogas por adolescentes escolares de Porto Velho-RO, Brasil

Eliane Elicker

Lílian dos Santos Palazzo

Denise Rangel Ganzo de Castro Aerts

Gehysa Guimarães Alves

Sheila Câmara

1Faculdade União Educacional do Norte, Departamento de Educação Física, Rio Branco-AC, Brasil

2Universidade Luterana do Brasil, Faculdade de Medicina, Canoas-RS, Brasil

3Universidade Luterana do Brasil, Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Canoas-RS, Brasil

4Universidade Federal de Ciências da Saúde, Curso de Psicologia, Porto Alegre-RS, Brasil

RESUMO

OBJETIVO:

estudar a prevalência e fatores associados ao uso de tabaco, álcool e outras drogas.

MÉTODOS:

estudo transversal com adolescentes escolares da rede estadual de ensino de Porto Velho-RO, Brasil; foram investigadas as associações mediante regressão de Cox multivariada, calculadas as razões de prevalência (RP) e intervalos de confiança de 95% (IC95%).

RESULTADOS:

a prevalência do consumo de álcool, tabaco e outras drogas foi de 24,0%, 6,4% e 2,3% respectivamente; o uso de álcool associou-se ao consumo de tabaco (RP 6,68; IC95% 3,17-14,10; p<0,001), uso de drogas ilícitas (RP 4,34; IC95% 1,28-14,76; p=0,010) e consumo de álcool pelos pais (RP 1,52; IC95% 1,14-2,02; p<0,001); o consumo de tabaco pelos pais e amigos e o uso de outras drogas pelos amigos estiveram associados ao consumo dessas substâncias pelos estudantes.

CONCLUSÃO:

evidencia-se a necessidade de envolver a escola e a família em ações direcionadas à prevenção do uso dessas substâncias entre adolescentes.

Palavras-Chave: Bebidas Alcoólicas; Tabaco; Drogas Ilícitas; Adolescentes; Estudos Transversais

RESUMEN

OBJETIVO:

estudiar la prevalencia y factores asociados al uso de tabaco, alcohol y otras drogas.

MÉTODO:

estudio transversal con adolescentes escolares de la red estadual de enseñanza de Porto Velho-RO, Brasil; se investigaron las asociaciones mediante la regresión de Cox multivariante, calculadas las razones de prevalencia (RP) e intervalos de confianza de 95% (IC95%).

RESULTADOS:

la prevalencia del consumo de alcohol, tabaco y otras drogas fue de 24,0%, 6,4% y 2,3% respectivamente; el uso de alcohol se asoció al consumo de tabaco (RP 6,68; IC95% 3,17-14,10; p<0,001), uso de drogas ilícitas (RP 4,34; IC95% 1,28-14,76; p=0,010) y al consumo de alcohol por los padres (RP 1,52; IC95% 1,14-2,02; p<0,001); el consumo de tabaco por los padres y amigos y el uso de otras drogas por los amigos estuvieron asociados al consumo de esas substancias por los estudiantes.

CONCLUSIÓN:

se evidencia la necesidad de involucrar a la escuela y a la familia en acciones dirigidas a la prevención del uso de esas substancias entre adolescentes.

Palabras-clave: Bebidas Alcohólicas; Tabaco; Drogas Ilícitas; Adolescentes; Estudios Transversales

Introdução

O abuso de drogas lícitas e ilícitas é uma preocupação mundial. O álcool e o tabaco são as drogas que mais matam em todo o mundo.1 Seu uso frequente causa prejuízos sociais, psíquicos e biológicos, além de implicações para a vida futura dos usuários.2-4 A adolescência é a faixa etária de maior vulnerabilidade para experimentação e uso abusivo de drogas, e os motivos que levam ao aumento do uso dessas substâncias são diversos e complexos. Alguns fatores podem estar relacionados a essa fase da vida, como a sensação juvenil de onipotência, o desafio à estrutura familiar e social, e a busca de novas experiências.4

No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)5 tipifica como criminosa a conduta de quem vende, fornece, ministra ou entrega bebidas alcoólicas e outros produtos capazes de causar dependência física ou psíquica em crianças ou adolescentes. Contudo, essas são práticas ainda observadas. A falta de fiscalização no cumprimento da Lei e a permissividade das famílias e da sociedade são fatores que contribuem para o consumo de drogas.4 Como consequência, os adolescentes do país apresentam uma elevada prevalência de uso de álcool, substância de maior consumo na vida (60,5%) e nos últimos 30 dias (21,1%), entre escolares.6 Essas frequências podem variar segundo a metodologia empregada para mensuração, a localidade onde foi realizado o levantamento e a população estudada. Em outros estudos nacionais, foram encontradas prevalências de 86,8%,7 68,9%8 e 51,0%9 para uso na vida de bebidas alcoólicas. Resultados semelhantes foram apresentados por estudos realizados em outros países. No Canadá, o uso na vida de bebida alcoólica foi de 59,1%,10 e na Espanha, 84% dos alunos adolescentes entrevistados já tinham experimentado um ou vários tipos de bebida alcoólica.11 Especificamente em Madri, os resultados apontaram que 85% dos adolescentes tinham experimentado álcool.12 Esses dados refletem a magnitude do problema para a saúde mundial.

O consumo excessivo de álcool é um dos responsáveis pelo aumento das mortes no trânsito, principalmente na adolescência.13 A experimentação pela primeira vez costuma ocorrer precocemente, em idade inferior a 12 anos.14 Em muitos casos, o consumo acontece junto à família, em casa e com os amigos,9 em festas, bares e shoppings.15 Além disso, sabe-se que o uso de substâncias psicoativas costuma produzir um efeito multiplicador, em que o consumo de uma substância aumenta o risco do consumo de outras.16

No Brasil e em diversos países, o uso do tabaco por adolescentes é bastante prevalente. Pesquisa de âmbito nacional revelou um consumo dessa substância nos últimos 30 dias de 5,1% entre escolares.15 Ainda que esse número seja bastante inferior ao uso nos últimos 30 dias verificado em outros países da América Latina, como Argentina (25,5%), Uruguai (17,7%) e Peru (17,3%),17 esses resultados evidenciam a necessidade de uma atenção maior quanto a esse importante problema de Saúde Pública.

Fumantes têm maior risco de desenvolver diversos tipos de câncer, particularmente câncer de pulmão, e maior probabilidade de ocorrência de doenças cardíacas, acidente vascular encefálico e enfisema pulmonar.17 Preocupa a associação entre um menor desempenho escolar e uso do tabaco e outras drogas. Classe social, escolaridade, vínculo com a escola e a ocorrência de reprovações escolares estiveram associadas a consumo de tabaco e drogas ilícitas, prejuízo no desempenho e baixa frequência escolar.16 O consumo de tabaco tem maior prevalência entre grupos com menor escolaridade.16

As escolas têm vivenciado um aumento da agressividade e violência. O uso abusivo de drogas psicotrópicas retroalimenta a violência e está associado com bullying para ambos sexos.18 Também, os jovens que fazem esse uso apresentam maior agressividade, estão menos predispostos ao estudo e são mais desatentos.13 Na Pesquisa Nacional sobre a Saúde do Escolar (PeNSE),15 8,7% dos escolares relataram haver experimentado alguma droga ilícita.

A realização de estudos científicos sobre a problemática do consumo de álcool, tabaco e outras drogas pelos adolescentes está sendo priorizada pelo setor da Saúde devido à associação direta ou indireta desses comportamentos com algumas das principais causas de morbidade e mortalidade na adolescência.19 Igualmente importante é a realização de pesquisas que possam embasar o desenvolvimento de políticas de educação e promoção da saúde, programas e intervenções dirigidos a adolescentes.19 Essa necessidade é ainda maior no Norte do Brasil, dada a escassez de estudos publicados sobre o problema na região. Em Porto Velho, pouco se conhece sobre o consumo de álcool, tabaco ou drogas ilícitas.

O presente estudo teve como objetivo estudar a prevalência e fatores associados ao uso de tabaco, álcool e outras drogas por escolares da 8a Série de escolas estaduais da cidade de Porto Velho, estado de Rondônia, Brasil.

Métodos

Trata-se de um estudo transversal realizado em Porto Velho-RO. Esse trabalho faz parte de um projeto maior, denominado 'A Saúde do Escolar da Região Norte do Brasil', desenvolvido nas cidades de Porto Velho-RO, Ji-Paraná-RO e Santarém-PA.

A rede pública estadual de ensino contava, em Porto Velho, com cerca de 57.107 alunos entre 5 e 18 anos de idade, distribuídos em nove polos localizados na área urbana. A população-alvo deste estudo foi composta por alunos matriculados na 8a Série das escolas públicas estaduais do município de Porto Velho no ano de 2010 (N=4.667).

Para fins do cálculo da amostra, as prevalências dos diferentes desfechos foram estimadas em 50%, buscando-se produzir o maior tamanho de amostra possível; considerou-se o erro máximo de 4 pontos percentuais e um nível de confiança de 95%. Para evitar um possível viés de delineamento, uma vez que foi utilizado um processo de amostragem por cluster, a amostra calculada foi multiplicada por 1,5; acrescentou-se 20% sobre esse produto, no sentido de compensar eventuais perdas, totalizando 996 alunos.

A amostragem foi realizada por conglomerados, estratificando-se por polos. Inicialmente, identificou-se o número total de escolas e turmas de 8a Série. A partir dessa informação, a amostra foi distribuída de forma proporcional ao número de alunos matriculados em cada um dos polos. Em seguida, para a seleção dos alunos, as turmas de 8a Série de todas as escolas foram numeradas. De acordo com o quantitativo médio de alunos por turno, estimou-se o número de 34 turmas a serem sorteadas. Todos os alunos das turmas sorteadas foram convidados a participar do estudo.

A coleta de dados foi realizada em sala de aula. Os alunos responderam a um questionário autoaplicativo, composto por questões fechadas. Após o preenchimento, os questionários foram recolhidos pelos pesquisadores. O instrumento utilizado foi o mesmo empregado em estudo realizado com estudantes do Rio Grande do Sul, no âmbito do projeto 'A Saúde do Escolar da Rede Pública Municipal de Gravataí-RS', este, por sua vez, baseado no Global School-Based Student Health Survey, da Organização Mundial da Saúde (OMS, ou World Health Organization - WHO).17

Para medir a classificação ou inserção econômica dos escolares, foi utilizado o instrumento da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (ABEP).20 Em função da inexistência de famílias da classe E e do pequeno número pertencente às classes A e D, a inserção econômica foi categorizada em A+B e C+D.

Os desfechos estudados foram consumo de álcool, tabaco e outras drogas nos últimos 30 dias. As variáveis independentes foram:

  • a) demográficas

  • - sexo (masculino; feminino);

  • - idade (em anos);

  • - cor da pele autorreferida (branca; não branca); e

  • - inserção econômica (A+B; C+D);

  • b) relacionadas ao álcool

  • - uso na vida de álcool (sim; não);

  • - uso de álcool nos últimos 30 dias (sim; não);

  • - idade da primeira experiência (em anos);

  • - onde bebeu pela primeira vez (própria casa; outra casa; escola; bar/restaurante/danceteria; outro lugar);

  • - frequência de uso nos últimos 30 dias (nenhuma; 1 ou 2 vezes; 3 a 9 vezes; ≥10 vezes);

  • - problemas relacionados ao uso do álcool nos últimos 30 dias (nenhum; 1 ou 2 vezes; 3 a 9 vezes; ≥10 vezes);

  • - reação da família se estivesse embriagado (não perceberia/não daria importância; ficaria chateada; não sabe);

  • - exagero com álcool na vida (sim; não);

  • - uso de álcool pelos pais (não; pai; mãe; ambos; não sabe); e

  • - com quem costuma beber (não bebe; amigos; família; sozinho/outras pessoas);

  • c) relacionadas ao tabaco

  • - uso na vida de tabaco (sim; não);

  • - uso de tabaco nos últimos 30 dias (sim; não);

  • - idade da primeira experiência (em anos); - número de cigarros fumados nos últimos 30 dias (<1; 1; 2 a 5; 6 a 10; 11 a 20; >20);

  • - onde fuma (não fuma; casa; escola; casa de amigos; festas/bares; parques/shoppings/rua; outros);

  • - uso de tabaco pelos pais (não; pai; mãe; ambos; não sabe); e

  • - uso de tabaco pelos amigos (não; a maioria; poucos);

  • d) relacionadas às drogas ilícitas

  • - uso na vida de drogas (sim; não);

  • - uso nos últimos 30 dias (sim; não);

  • - idade da primeira experiência (em anos);

  • - droga da primeira experiência (maconha; anabolizante; anfetamina; cocaína; solventes; ecstasy); e

  • - uso pelos amigos (não; a maioria; poucos).

Para o controle de qualidade dos dados, foi realizada dupla digitação em arquivo do software Epi Data, análise de consistência e coerência. As inconsistências detectadas foram conferidas nos documentos originais.

As associações entre os desfechos e as variáveis de interesse foram analisadas com o auxílio da regressão de Cox multivariada, modificada para estudos transversais.21 A regressão múltipla foi realizada para cada um dos desfechos, incluindo as variáveis de interesse, independentemente do nível de significância na análise univariada, sendo consideradas significativas as associações com p<0,05. Para o uso de tabaco nos últimos 30 dias, ingressaram no modelo, em uma única etapa, as seguintes variáveis: sexo; cor da pele; inserção econômica; uso de tabaco pelos pais (pais fumam) e pelos amigos (amigos fumam); e uso de álcool e drogas nos últimos 30 dias pelo jovem. Para o uso de álcool nos últimos 30 dias, ingressaram no modelo, simultaneamente, as seguintes variáveis: sexo; cor da pele; inserção econômica; uso de álcool pelos pais (pais bebem); e uso de tabaco e drogas nos últimos 30 dias pelo jovem. Por fim, para o uso de outras drogas nos últimos 30 dias, foram introduzidas no modelo as seguintes variáveis: sexo; cor da pele; inserção econômica; uso de drogas pelos amigos; e uso de álcool e tabaco nos últimos 30 dias pelo jovem.

O projeto do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Luterana do Brasil (Protocolo n° 2009-251H) e pela Secretaria de Estado da Educação de Rondônia. Os pais ou responsáveis por cada aluno que participou do estudo assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Resultados

Foram entrevistados 832 alunos; ocorreram 16,5% de perdas. Entre os escolares que participaram do estudo, 56,6% eram do sexo feminino e 73,8% referiram cor da pele não branca. A idade dos entrevistados variou de 12 a 19 anos: mediana em 14 anos; média de 14,34 anos; e desvio-padrão de 1,01. A maior parte dos adolescentes era da classe B (432: 51,9%), seguida da C (364: 43,7%) (Tabela 1).

Tabela 1 Distribuição dos escolares (n=832) segundo características demográficas e uso de substâncias. Porto Velho, Rondônia, 2010 

No que diz respeito ao consumo das substâncias na vida, foram encontradas prevalências de 49,6%, 17,5% e 5,3% para álcool, tabaco e outras drogas respectivamente. Nos últimos 30 dias, foram observadas prevalências de 24,0% para uso do álcool, 6,2% para tabaco e 2,3% para outras drogas. Em relação ao consumo de substâncias pelos pais e amigos, 59,4% dos estudantes revelaram ter pais que bebiam e 26,1% que fumavam, além de 52,0% declararem ter amigos que fumavam; 33,2% tinham amigos que usavam outras drogas (Tabela 1)

Entre os que fizeram uso na vida de álcool, a idade mais frequente do primeiro contato foi dos 12 aos 13 anos (média de 11,59 anos; desvio-padrão de 2,31 anos), 39,3% referiram ter bebido pela primeira vez em casa e 46,7% dos jovens relataram beber com os amigos. Nos últimos 30 dias, 50,0% dos estudantes negaram ter ingerido bebida alcoólica e 17,7% informaram uma frequência de uso de álcool nesse período igual ou superior a três vezes (Tabela 2). Referiram ter bebido exageradamente, pelo menos uma vez na vida, 25,4% dos escolares; 24 tiveram problemas com os pais, brigas ou ausência na escola nos últimos 30 dias. Entre todos os entrevistados, 52 disseram que os pais não perceberiam se chegassem alcoolizados em casa e 44,5% relataram não saber qual seria a reação dos pais diante desta situação.

Tabela 2 Distribuição dos escolares que fizeram uso na vida de álcool (n=413) segundo variáveis selecionadas. Porto Velho, Rondônia, 2010 

a) n=411; 2 observações ignoradas.

Em relação ao tabaco (Tabela 3), a idade média de experimentação foi de 11,87 anos (desvio-padrão: 2,01 anos). Entre os 53 escolares que fumaram nos últimos 30 dias, 26 fumaram menos de um cigarro/dia, 22 relataram fumar principalmente em festas e bares, e 11 fumaram na escola.

Tabela 3 Distribuição dos escolares que fizeram uso na vida de tabaco (n=146) segundo variáveis selecionadas. Porto Velho, Rondônia, 2010 

a) n=116; 30 observações ignoradas.

A faixa etária na qual o maior número de jovens experimentou outras drogas foi entre os 13 e os 15 anos, com uma média de 13,20 (desvio-padrão: 1,62). A maconha foi a primeira droga a ser experimentada por 23 dos 44 escolares que fizeram uso dela na vida, seguida dos anabolizantes e solventes (Tabela 4).

Tabela 4 Distribuição dos escolares que fizeram uso na vida de drogas (exceto tabaco e álcool) (n=44) segundo variáveis selecionadas. Porto Velho, Rondônia, 2010 

a) n=43; 1 observação ignorada.

Após análise ajustada, o consumo de álcool nos últimos 30 dias (Tabela 5) foi maior entre os meninos (34,0%), naqueles que utilizaram outras drogas nos últimos 30 dias (81,0%) e entre os que relataram ter pais que ingeriam bebidas alcoólicas (52,0%). Os que também fumaram no último mês referiram 3,5 vezes maior consumo de álcool.

Tabela 5 Resultados da regressão de Cox para fatores associados ao uso de álcool, tabaco e outras drogas nos últimos 30 dias por escolares. Porto Velho, Rondônia, 2010 

a) RP: razão de prevalência

b) IC 95%: intervalo de confiança de 95%

c) Nível de significância do teste z

Em relação ao uso de tabaco nos últimos 30 dias (Tabela 5), os jovens que beberam nos últimos 30 dias e aqueles cujos amigos fumavam apresentaram, respectivamente, prevalência 6,7 e 9,6 vezes maior do que seus pares de referência. A prevalência do uso de outras drogas entre os que beberam no último mês e entre os que tinham amigos usuários de outras drogas foi, respectivamente, 4,3 e 8,7 vezes maior que seus pares.

Discussão

Os estudos científicos sobre o consumo de álcool, tabaco e outras drogas têm revelado dados importantes sobre a situação no Brasil. Entretanto, pouco se sabe sobre o problema em algumas regiões, especialmente o Norte do país. Este estudo, realizado com escolares de Porto Velho, apontou que aproximadamente metade dos entrevistados já consumiu álcool em algum momento da vida e um quarto deles utilizou a substância nos últimos 30 dias. Todavia, a prevalência de consumo de álcool no último mês apresentou-se inferior àquela observada em outros estudos, que utilizaram o mesmo instrumento de coleta de dados em países como Argentina, Peru e Uruguai, para encontrar prevalências de 56,8%, 27,1% e 59,6% respectivamente.17

Os adolescentes do sexo masculino utilizaram mais álcool no último mês, comparativamente às meninas. Este achado pode estar relacionado a vários fatores, entre eles uma questão cultural: é mais aceitável, socialmente, que homens façam uso dessas substâncias. Não obstante, é possível que esteja a ocorrer uma mudança nesse sentido. Na Pesquisa Nacional sobre a Saúde do Escolar - PeNSE -,15 realizada com estudantes que consumiram bebida alcoólica no último mês, esse consumo foi mais elevado em meninas, ainda que sem significância estatística; porém, entre estudantes que experimentaram álcool alguma vez na vida, a prevalência foi significativamente superior entre elas.

Merece atenção o fato de 39,2% dos estudantes participantes deste estudo terem experimentado álcool pela primeira vez em casa, muitos na idade entre 12 e 13 anos, e referirem o costume de beber principalmente com amigos e família. A adolescência é uma fase em que se dá bastante importância aos grupos de pertencimento, tornando o indivíduo mais vulnerável à influência dos outros na aquisição de comportamentos de risco.22 Porém, são os valores e as atitudes adotadas pelos pais os norteadores da conduta dos filhos, oferecendo proteção ou risco para os jovens, inclusive para o consumo de álcool.18 No grupo estudado, constatou-se um ambiente familiar não protetor, reforçado pelo fato de 44,5% dos escolares não saberem qual seria a reação dos pais se chegassem em casa alcoolizados.

Em relação ao uso do tabaco, os resultados demonstram que 17,5% já fizeram uso ao menos uma vez na vida, prevalência inferior à encontrada em outros estudos.11,12,23 O uso de tabaco nos últimos 30 dias (6,4%) também foi inferior ao encontrado em outros estudos, desenvolvidos em países como Argentina (25,5%), Uruguai (17,7%) e Peru (17,3%).17 O consumo de tabaco mostrou-se inferior a um cigarro (22,0%) ou ficou entre dois e cinco cigarros/dia (13,8%). Possivelmente esses dados refletem as campanhas antitabaco, realizadas no país ao longo dos últimos vinte anos, principais responsáveis por tornar o tabagismo mal visto e menos tolerado socialmente. Levantamento realizado em 2010, com adolescentes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio matriculados em escolas públicas e privadas das 27 capitais brasileiras, constatou uma diminuição significativa no consumo de tabaco na vida quando seus dados foram comparados aos do mesmo levantamento feito em 2004.6

A experimentação de tabaco, na maioria dos casos, deu-se em idade muito precoce (entre 12 e 13 anos), corroborando os resultados de estudos nacionais3,24 e internacionais.10,25 O consumo - identificado em menor proporção na própria casa - ocorreu principalmente em festas e bares, com a escola ocupando o terceiro lugar nesse escore. A utilização do tabaco associou-se, significativamente, com o fato de o estudante ter amigos fumantes, semelhantemente aos achados de outros estudos.9,25,26 Nesse caso, os resultados encontrados também podem estar relacionados a uma mudança de concepção social do tabaco, principalmente no âmbito familiar. Todavia aqui, é legítimo considerar o peso da influência do grupo de iguais na adoção de comportamentos, uma característica da adolescência. Daí ser tão importante a realização de ações preventivas voltadas ao público adolescente, principalmente no contexto escolar.

O uso de outras drogas na vida foi relatado por 5,3% dos escolares, um percentual considerado baixo. Segundo a PeNSE,15 a prevalência de experimentação de drogas ilícitas variou de 5,3%, em Macapá-AP, a 13,2%, em Curitiba-PR. De acordo com o presente estudo, o uso dessas drogas nos últimos 30 dias foi relatado por 2,28% dos entrevistados. Retomando dado do levantamento realizado em 2010, junto a adolescentes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio de escolas públicas e privadas das 27 capitais brasileiras,6 encontrou-se um consumo de 5,5% no último mês. É possível que os jovens de Porto Velho consumam menos drogas que os de outras cidades, embora vários fatores possam explicar esse resultado, como por exemplo, diferenças metodológicas: no estudo sobre as 27 capitais brasileiras, foram incluídos estudantes dos níveis fundamental e médio, enquanto neste de Porto Velho, participaram apenas alunos da 8a Série. Se os perfis etários dos dois estudos fossem semelhantes, os resultados provavelmente seriam mais próximos, a se considerar a tendência de aumento no consumo de drogas com o avanço da idade.6 Também é possível que o resultado apresentado aqui resulte do desenvolvimento de ações educacionais e políticas públicas implementadas nos últimos anos.

A droga de primeira experimentação foi a maconha, de forma similar ao observado em outros estudos.8,9 O preço mais baixo e o acesso mais facilitado, na comparação às demais substâncias ilícitas, pode explicar essa primazia. Nos meios de comunicação, a reprodução de discussões e a divisão de opiniões quanto aos possíveis malefícios da maconha, sua legalização e até seu uso terapêutico, poderiam transmitir aos jovens a ideia de que se trata de uma substância inofensiva.

Chama a atenção, tanto em relação ao álcool como ao tabaco e a outras drogas, a idade de experimentação semelhante: 12-13 anos para o álcool e tabaco, e 13-15 anos para outras drogas. Estes achados corroboram os encontrados por outros estudos.9,10,15,22 O envolvimento precoce com esse tipo de substâncias, ainda que de forma experimental, pode causar danos ao desenvolvimento cognitivo e fisiológico, além de atraso no desenvolvimento da capacidade de autocontrole dos adolescentes, tornando-os mais suscetíveis à influência de amigos no seu envolvimento em comportamentos de risco.22 O uso de álcool também se mostrou significativamente associado ao uso de tabaco e outras drogas. De fato, o uso de substâncias psicoativas costuma produzir um efeito multiplicador, em que o consumo de uma aumenta o risco do uso de outra.16

É importante ressaltar que a utilização pelos amigos esteve sim associada ao uso de tabaco e outras drogas mas não ao consumo de álcool. Este se associou apenas ao uso feito pelos pais. As famílias são responsáveis por seus jovens, é no ambiente familiar que se constrói e se compartilha experiências, onde são transmitidas as primeiras regras e valores associados ao convívio social. Em muitas famílias, o álcool não é visto como um fator de risco à saúde e sim como elemento cultural e agregador. Já o tabaco e outras drogas são menos aceitos socialmente, fazendo com que seu uso - parte da experiências do adolescente - seja visto como um comportamento desafiador das regras sociais. Porém, estudos indicam que a ausência de limites e/ou autoridade, o descumprimento de regras, a carência de afeto, de compreensão e de apoio familiar podem fragilizar os adolescentes, favorecendo a influência prejudicial de amigos e a adoção de comportamentos de risco à saúde.4,22,24 É necessária uma atitude familiar positiva no sentido da alterar hábitos pouco saudáveis e evitar que os jovens sejam influenciados negativamente por amigos e pessoas de suas relações.27 Os resultados apresentados, portanto, indicam a necessidade do envolvimento da família e da escola na realização de programas voltados à prevenção do uso de tabaco, álcool e outras drogas, principalmente entre jovens na etapa intermediária da adolescência.

Os dados levantados, contudo, devem ser considerados com cautela, dadas as limitações inerentes a estudos de delineamento transversal e ao fato de o grupo estudado constituir-se, exclusivamente, de escolares da 8a Série de escolas públicas estaduais em Porto Velho. Estudantes matriculados em escolas municipais e particulares não participaram da pesquisa. Outra limitação do estudo reside no fato de as prevalências de consumo de substâncias, normalmente, serem subestimadas quando se investiga comportamentos não aceitos socialmente, embora o autopreenchimento do questionário possa reduzir o impacto desse viés.

As informações obtidas por este estudo são relevantes e evidenciam a necessidade de desenvolvimento e implementação de políticas de fomento à pesquisa sobre o tema, principalmente na região norte do país. Elas também podem servir de subsídio às ações do Programa de Saúde na Escola (PSE),28 uma política nacional criada em 2007 com o propósito de articular as áreas da Saúde e da Educação no desenvolvimento de estratégias de ação para promover uma população escolar mais saudável.

A escola é vista como um agente transformador. Quando ela é incapaz de desenvolver esse papel associado à falta de boa estrutura familiar e à facilidade de acesso ao álcool, tabaco e outras drogas prejudiciais à saúde, produz uma sintonia de fatores que predispõem o estudante ao uso dessas substâncias.

Cada adulto, familiar, profissional da Saúde ou da Educação, representante da comunidade, têm importante papel na orientação do adolescente oferecendo-lhe a oportunidade da informação, contribuindo para que se torne habilitado e capaz de cuidar de sua vida com qualidade.

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Recebido: 08 de Abril de 2014; Aceito: 04 de Março de 2015

Correspondência: Eliane Elicker. Alameda Pirarucu, 884, Bloco 5, Apto 43, Portal da Amazônia II, Rio Branco - AC, Brasil. CEP: 69915-674. E-mail: elielicker@yahoo.com.br

Elicker E e Palazzo LS contribuíram na concepção e delineamento do estudo, redação do artigo, revisão crítica e aprovação da versão final do manuscrito.

Aerts DRGC contribuiu na concepção e delineamento do estudo, análise e interpretação dos dados, redação do artigo, revisão crítica e aprovação da versão final do manuscrito.

Alves GG e Câmara S. contribuíram com a concepção e delineamento do estudo, revisão crítica e aprovação da versão final do manuscrito.

Todos os autores aprovaram a versão final do manuscrito e são responsáveis por todos os aspectos do trabalho, incluindo a garantia de sua precisão e integridade.

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Artigo apresentado por Eliane Elicker junto ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Luterana do Brasil, Canoas-RS, como requisito para obtenção do Título de Mestre em Saúde Coletiva em 2011.

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