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Mortalidade por suicídio no Rio Grande do Sul: uma análise transversal dos casos de 2017 e 2018

Mortalidad por suicidio en Rio Grande do Sul, Brasil: un análisis transversal de casos en 2017 y 2018

Resumo

Objetivo:

Analisar o perfil epidemiológico e toxicológico dos casos de suicídio no Rio Grande do Sul, Brasil, em 2017 e 2018.

Métodos:

estudo transversal com dados das ocorrências policiais e laudos do Instituto-Geral de Perícias do estado; foram realizadas análises de correspondência múltipla e construídos modelos de regressão logística.

Resultados:

registraram-se 2.564 suicídios (11,3/100 mil habitantes/ano), majoritariamente do sexo masculino (79,4%) e na faixa etária de 50 a 54 anos (10,3%); o principal meio utilizado foi o enforcamento (72,5%); em 29,1% dos casos, houve resultado positivo para etanol, e, em 36,1%, para outros psicotrópicos; os jovens apresentaram 4,5 vezes (IC95% 2,7;7,7) e 2,4 vezes (IC95% 1,5;3,6) maior chance de serem vítimas quando havia resultados positivos para alguma substância ilícita ou ausência parental, respectivamente.

Conclusão:

predominaram vítimas do sexo masculino e adultas, o enforcamento foi o meio mais comum e, em um terço dos casos, havia presença de psicotrópicos.

Palavras-chave:
Suicídio; Estudos Transversais; Demografia; Saúde Pública; Toxicologia Forense; Análise Multivariada

Resumen

Objetivo:

analizar el perfil epidemiológico y toxicológico de los casos de suicidio en Rio Grande do Sul, Brasil, en 2017 y 2018.

Métodos:

estudio transversal con datos de informes policiales y del Instituto General Forense; se realizaron múltiples análisis de correspondencia y se construyeron modelos de regresión logística.

Resultados:

hubo 2.564 suicidios (11,3/100 mil habitantes/año), mayoritariamente de hombres (79,4%) y en el grupo de 50 a 54 años de edad (10.3%); el método principal fue ahorcamiento (72.5%); en el 29.1% de los casos hubo un resultado positivo para el etanol y en el 36.1% para otras drogas psicotrópicas; los jóvenes tenían 4.5 veces (IC95% 2.7;7,7) y 2.4 veces (IC95% 1.5;3,6) más probabilidades de ser las víctimas cuando había resultados positivos para alguna sustancia ilegal o ausencia parental, respectivamente.

Conclusión:

predominaban las víctimas masculinas y adultas, el ahorcamiento era el medio más común y, en un tercio de los casos había drogas psicotrópicas.

Palabras clave:
Suicidio; Estudios Transversales; Demografía; Salud Pública; Toxicología Forense; Análisis Multivariante

Abstract

Objective:

to analyze the epidemiological and toxicological profile of suicide cases in Rio Grande do Sul, Brazil, in 2017 and 2018.

Methods:

this was a cross-sectional study with data from police incident reports and state General Forensic Institute records; multiple correspondence analyses were performed and logistic regression models were built.

Results:

there were 2,564 suicides (11.3/100,000 inhabitants/year), mostly involving males (79.4%), and the 50-54 years age group (10.3%); the main method was hanging (72.5%); positive results for ethanol were found in 29.1% of cases and for other psychotropic drugs in 36.1% of cases; young people were 4.5 times (95%CI 2.7;7.7) and 2.4 times (95%CI 1.5;3.6) more likely to be the victims when there were positive results for an illegal substance or parental absence, respectively.

Conclusion:

male and adult victims predominated, hanging was the most common means, and, in one third of the cases, psychotropic drugs were present.

Keywords:
Suicide; Cross-Sectional Studies; Demography; Public Health; Forensic Toxicology; Multivariate Analysis

Introdução

O suicídio, morte causada por lesão autodirigida intencional, se encontra entre as dez principais causas de óbito no mundo, com mais de 800 mil vítimas a cada ano (2012),11. World Health Organization. National suicide prevention strategies: progress, examples and indicators [Internet]. Geneva: World Health Organization; 2018 [cited 2019 Nov 04]. 74 p. Available from: Available from: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/279765/9789241515016-eng.pdf?ua=1
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)-(33. Organización Panamericana de la Salud. Organización Mundial de la Salud. Prevención de la conducta suicida [Internet]. Washington: Organización Panamericana de la Salud; 2016 [citado 2019 nov 04]. 98 p. Disponível em: Disponível em: http://iris.paho.org/xmlui/bitstream/handle/123456789/31167/9789275319192-spa.pdf?sequence=1&isAllowed=y
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atingiu cerca de 65 mil pessoas somente na região das Américas (2005-2009).33. Organización Panamericana de la Salud. Organización Mundial de la Salud. Prevención de la conducta suicida [Internet]. Washington: Organización Panamericana de la Salud; 2016 [citado 2019 nov 04]. 98 p. Disponível em: Disponível em: http://iris.paho.org/xmlui/bitstream/handle/123456789/31167/9789275319192-spa.pdf?sequence=1&isAllowed=y
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),(44. Botti NCL, Veríssimo DS, Souza ED, Souza GN, Diniz IA, Campos LG, et al. Suicídio em infográficos: coletânea de infografia temática. Divinópolis: UFSJ; 2019. 120 p.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como meta a redução em 10% da taxa de mortalidade por esse problema de saúde pública até 2020, tendo como ponto de partida 2013. Para tanto, pretende-se desenvolver ações preventivas, incluindo a implementação de estratégias com foco nas populações de maior risco.5 Em janeiro de 2018, apenas 28 dos 194 Estados-membros da OMS relataram manter alguma medida de prevenção ao suicídio em nível nacional.66. World Health Organization. Suicide prevention [Internet]. Geneva: World Health Organization; 2018 [cited 2019 Nov 04]. Available from: Available from: http:// https://www.who.int/health-topics/suicide#tab=tab_1
http:// https://www.who.int/health-topic...

O suicídio é multifatorial, envolve aspectos familiares, comunitários, sociais, de Saúde Pública e doenças mentais, variando por região.22. Malta DC, Minayo MCS, Soares Filho AM, Silva MMA, Montenegro MMS, Ladeira RM, et al. Mortalidade e anos de vida perdidos por violências interpessoais e autoprovocadas no Brasil e Estados: análise das estimativas do Estudo Carga Global de Doença, 1990 e 2015. Rev Bras Epidemiol [Internet]. 2017 maio [citado 2020 mar 4];20 Suppl 1:142-56. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-5497201700050012
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),(44. Botti NCL, Veríssimo DS, Souza ED, Souza GN, Diniz IA, Campos LG, et al. Suicídio em infográficos: coletânea de infografia temática. Divinópolis: UFSJ; 2019. 120 p.),(77. Naghavi M. Global, regional, and national burden of suicide mortality 1990 to 2016: systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2016. BMJ [Internet]. 2019 Feb [cited 2020 Mar 4];364:l94. Available from: Available from: https://doi.org/10.1136/bmj.l94
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No Brasil, a taxa de mortalidade média por suicídios, entre 2010 e 2014, foi de 5,2 casos para cada 100 mil habitantes/ano.88. Dantas AP, Azevedo UM, Nunes AD, Amador AE, Marques MV, Barbosa IR. Analysis of suicide mortality in Brazil: spatial distribution and socioeconomic context. Rev Bras Psiquiatr [Internet]. 2018 Jan-Mar [cited 2020 Mar 4];40(1):12-18. Available from: Available from: https://doi.org/10.1590/1516-4446-2017-2241
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Em 2015, essa taxa passou para 6,622. Malta DC, Minayo MCS, Soares Filho AM, Silva MMA, Montenegro MMS, Ladeira RM, et al. Mortalidade e anos de vida perdidos por violências interpessoais e autoprovocadas no Brasil e Estados: análise das estimativas do Estudo Carga Global de Doença, 1990 e 2015. Rev Bras Epidemiol [Internet]. 2017 maio [citado 2020 mar 4];20 Suppl 1:142-56. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-5497201700050012
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e, em 2016, manteve-se em 6,1.99. Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Secretaria de Saúde. Centro Estadual de Vigilância em Saúde. Suicídio e tentativa de suicídio. Bol Vig Epidemiol [Internet]. 2018 set [citado 2020 mar 4];1(1):1-8. Disponível em: Disponível em: https://www.cevs.rs.gov.br/suicidio
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O estado do Rio Grande do Sul (RS) tem apresentado, historicamente, a maior taxa de suicídio entre as Unidades da Federação brasileira.1010. Meneghel SN, Victora CG, Faria NMX, Carvalho LA, Falk JW. Características epidemiológicas do suicídio no Rio Grande do Sul. Rev Saúde Pública [Internet]. 2004 dez [citado 2020 mar 4];38(6):804-10. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-89102004000600008
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Em 2015, foram 10,5 casos por 100 mil hab.,22. Malta DC, Minayo MCS, Soares Filho AM, Silva MMA, Montenegro MMS, Ladeira RM, et al. Mortalidade e anos de vida perdidos por violências interpessoais e autoprovocadas no Brasil e Estados: análise das estimativas do Estudo Carga Global de Doença, 1990 e 2015. Rev Bras Epidemiol [Internet]. 2017 maio [citado 2020 mar 4];20 Suppl 1:142-56. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-5497201700050012
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e em 2016, 11,0/100 mil hab.,99. Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Secretaria de Saúde. Centro Estadual de Vigilância em Saúde. Suicídio e tentativa de suicídio. Bol Vig Epidemiol [Internet]. 2018 set [citado 2020 mar 4];1(1):1-8. Disponível em: Disponível em: https://www.cevs.rs.gov.br/suicidio
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),(1111. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Perfil epidemiológico das tentativas e óbitos por suicídio no Brasil e a rede de atenção à saúde. Bol Epidemiol [Internet]. 2017 [citado 2020 mar 4];48(30):1-14. Disponível em: Disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/2017-025-Perfil-epidemiologico-das-tentativas-e-obitos-por-suicidio-no-Brasil-e-a-rede-de-atencao-a-saude.pdf
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sendo esse índice superior no sexo masculino (17,8) em relação ao feminino (4,5).99. Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Secretaria de Saúde. Centro Estadual de Vigilância em Saúde. Suicídio e tentativa de suicídio. Bol Vig Epidemiol [Internet]. 2018 set [citado 2020 mar 4];1(1):1-8. Disponível em: Disponível em: https://www.cevs.rs.gov.br/suicidio
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O conhecimento sobre a incidência atual, as características das vítimas, os aspectos comuns e as regiões mais afetadas permitem o desenvolvimento de ações preventivas locais, tanto pelos serviços de saúde quanto pela sociedade, que auxiliem na identificação da população em situação de risco e na redução dos estigmas relacionados ao fenômeno.

O objetivo deste estudo foi analisar o perfil epidemiológico e toxicológico das vítimas de suicídio no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, nos anos de 2017 e 2018.

Métodos

Foi realizado estudo transversal, abrangendo todas as mortes registradas como suicídio no Rio Grande do Sul, no período de 1o de janeiro de 2017 a 31 de dezembro de 2018.

Localizado no extremo meridional do Brasil, o Rio grande do sul possui a quinta maior população do país, 11.377.239 hab. (2019), cujas residências se localizam, em sua maioria, dentro do perímetro urbano. Em 2009, o estado apresentou aproximados 4 mil leitos em estabelecimentos públicos de saúde, ocupando a décima terceira posição nacional. Outrossim, em 2013, o estado registrou o maior percentual brasileiro de depressão por profissional de saúde mental: 13,2%.1212. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Rio Grande do Sul [Internet]. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 201- [cited 2019 dez 15]. Disponível em: Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rs/pesquisa
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Foram consultados todos os registros de necropsia do Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP-RS) relacionados a suicídio, assim como os respectivos laudos toxicológicos emitidos pelo Departamento de Perícias Laboratoriais (DPL) do IGP-RS, além das ocorrências policiais, consultadas nos sistemas informatizados da Segurança Pública estadual.

Todas as vítimas de suicídio no Rio Grande do Sul, no período avaliado, foram classificadas pelas seguintes variáveis:

  1. sexo (masculino; feminino);

  2. idade (em anos: criança [0-12]; adolescente [13-18]; adulto [19-59]; idoso [60 ou mais]);

  3. jovem, de 15 a 29 anos (jovem; não jovem);

  4. ausência parental no registro de nascimento (ausência; presença);

  5. causa do óbito (enforcamento; uso de arma de fogo; intoxicação; precipitação; uso de arma branca; outros);

  6. cidade do óbito;

  7. região13 do óbito (Alto-Jacuí; Campanha; Central; Centro Sul; Fronteira Noroeste; Fronteira Oeste; Hortênsias; Litoral; Médio Alto Uruguai; Metropolitano Delta do Jacuí; Missões; Nordeste; Noroeste Colonial; Norte; Paranhana-Encosta Serra; Produção; Serra; Sul; Vale do Caí; Vale do Rio dos Sinos; Vale do Rio Pardo; Vale do Taquari);

  8. macrorregião1414. Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Decreto nº 40 623, de 12 de fevereiro de 2001. Estabelece nova divisão territorial para o Instituto-Geral de Perícias [Internet]. Porto Alegre (RS), 2001. Disponível em: http://www.al.rs.gov.br/legis/M010/M0100099.ASP?Hid_Tipo=TEXTO&Hid_TodasNormas=2107&hTexto=&Hid_IDNorma=2107
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    do óbito (Porto Alegre; Caxias do Sul; Santa Maria; Pelotas; Passo Fundo);

  9. ano do óbito (2017; 2018);

  10. toxicologia (com toxicologia; sem informação);

  11. etanol (positivo; negativo; sem informação);

  12. psicotrópicos (positivo; negativo; sem informação);

  13. ansiolíticos (positivo; negativo; sem informação);

  14. antidepressivos (positivo; negativo; sem informação);

  15. compostos ilícitos (positivo; negativo; sem informação); e

  16. venenos (positivo; negativo; sem informação).

As análises quantitativas de etanol (dg/L) foram realizadas em amostras de sangue total, e as análises qualitativas, tanto de psicotrópicos quanto de venenos, foram feitas em urina, humor vítreo e/ou vísceras.

As taxas de suicídio para cada 100 mil hab. foram calculadas a partir do número de casos em cada município do RS e seu tamanho populacional referente a 2017 e 2018, estimado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).1212. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Rio Grande do Sul [Internet]. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 201- [cited 2019 dez 15]. Disponível em: Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rs/pesquisa
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Foram estimadas as razões de taxas entre sexos: masculino/feminino.

Foram calculadas estatísticas descritivas e realizada análise de correspondência múltipla, cuja interpretação se baseia na proximidade entre categorias situadas na mesma área do diagrama. Nessa análise, contudo, as distâncias entre os pontos não mantêm uma relação direta,15 tornando-se necessária a utilização complementar de outros testes estatísticos.

Modelos de regressão logística foram empregados para estimar associações, adotando-se o nível de significância de 5%. Foram construídos seis modelos independentes:

  1. Modelo A (variável dependente ‘jovem’ e variável independente ‘região’; modelo ajustado por sexo);

  2. Modelo B (variável dependente ‘venenos’ e variável independente ‘região’; modelo ajustado por sexo e idade);

  3. Modelo C (variável dependente ‘toxicologia’ e variável independente ‘região’; modelo ajustado por ano);

  4. Modelo D (variável dependente ‘etanol’ e, como variáveis independentes, ‘sexo’, ‘idade’, ‘ausência parental’, ‘causa do óbito’, ‘psicotrópicos’, ‘ansiolíticos’, ‘antidepressivos’ e ‘compostos ilícitos’);

  5. Modelo E (variável dependente ‘psicotrópicos’ e, como variáveis independentes, ‘sexo’, ‘idade’, ‘ausência parental’, ‘causa do óbito’ e ‘etanol’); e

  6. Modelo F (variável dependente ‘jovem’ e, como variáveis independentes, ‘sexo’, ‘ausência parental’, ‘causa do óbito’, ‘etanol’, ‘psicotrópicos’, ‘ansiolíticos’, ‘antidepressivos’ e ‘compostos ilícitos’).

O teste de Hosmer-Lemeshow foi empregado para verificar o ajuste dos modelos logísticos. Em todas a análises, adotou-se o software livre R® versão 3.5.1.

O projeto do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CEP/UFRGS): Parecer no 2.532.550, de 8 de março de 2018.

Resultados

Foram registrados 2.564 óbitos por suicídio no Rio grande do sul: em 2017, 1.284, e em 2018, 1.280, correspondendo a uma taxa de 11,3 casos/100 mil hab./ano. As macrorregiões de Caxias do Sul e Passo Fundo apresentaram as maiores taxas em 2017, ambas com 13,9 casos/100 mil hab. Em 2018, a maior taxa (15,1) foi observada na macrorregião de Passo Fundo. As regiões do Vale do Rio Pardo e do Médio Alto Uruguai apresentaram as maiores taxas em 2017 e 2018, respectivamente (Tabela 1). As regiões Paranhana-Encosta Serra e Hortênsias registraram aumento no número total de suicídios; já a região Metropolitano Delta do Jacuí, onde se localiza-se a capital do estado, apresentou redução.

Tabela 1
- Distribuição dos casos de suicídio segundo regiões e razões de chances das associações estimadas por meio de modelos logísticos, Rio Grande do Sul, 2017-2018

A razão de sexos foi de aproximadamente 4:1, com taxas de 20,9 casos/100 mil hab. no sexo masculino e 5,1/100 mil hab. no feminino. Houve aumento na taxa de mortalidade entre as vítimas do sexo masculino nas regiões Norte, Hortênsias e Alto Jacuí; e entre as vítimas do sexo feminino, nas regiões Centro Sul e Paranhana-Encosta Serra (Tabela 1). Avaliando-se os resultados por município (Tabela 2), tanto em 2017 quanto em 2018, a cidade de Porto Alegre, enquanto município mais populoso, apresentou o maior número de vítimas. Nas cidades de Passo Fundo e Canoas, houve aumento na mortalidade, e, em Rio Grande, redução.

Tabela 2
- Número absoluto, taxa de mortalidade (por 100 mil habitantes) e razão de taxas entre os sexos (masculino/feminino) nos oito municípios com maior número de casos de suicídio e com maiores taxas de mortalidade por suicídio, Rio Grande do Sul, 2017-2018

A faixa etária mais prevalente entre as vítimas do sexo masculino foi a de 50-54 anos e, no feminino, a de 50-59 anos (Figura 1).

Figura 1
- Distribuição etária das vítimas de suicídio e taxa de mortalidade por suicídio (por 100 mil habitantes) segundo sexo, Rio Grande do Sul, 2017-2018

Contudo, as maiores taxas foram observadas na faixa de 85-89 anos, no sexo masculino (112,8 casos/100 mil hab.), e de 65-69 anos no feminino (10,4 casos/100 mil hab.). De 2017 para 2018, houve um aumento de 11,6% no total de vítimas do sexo feminino, de 13,9% na faixa etária dos idosos e de 21,1% na frequência de casos envolvendo ausência parental. Também se verificou incremento - de 38,5% - na participação da intoxicação como forma de cometer o suicídio (Tabela 3).

Tabela 3
- Distribuição dos casos de suicídio segundo características epidemiológicas, toxicológicas e razões de chances das associações estimadas por meio de modelos logísticos, Rio Grande do Sul, 2017-2018

O enforcamento correspondeu a 72,5% dos casos, seguido do uso de arma de fogo (13,9%), intoxicação (7,3%), precipitação (2,3%), uso de arma branca (1,7%) e outros meios, incluindo afogamento, queimadura, acidente de trânsito, trauma cerebral, eletroplessão e uso de instrumento contundente. Não foi observada associação entre a causa do óbito e a presença de etanol (p=0,194) ou o fato de ser jovem (p=0,370). A razão de chances para a presença de algum composto psicoativo foi de 7,6 (IC95% 4,7;12,7) entre as vítimas que se suicidaram por intoxicação, comparadas àquelas que utilizaram arma de fogo (Tabela 3).

No diagrama apresentado na Figura 2, observa-se que as categorias ‘intoxicação’, ‘sexo feminino’, presença de ‘psicotrópicos’, ‘precipitação’, resultados negativos para ‘etanol’ e pertencer à macrorregião de Pelotas ficaram no mesmo quadrante. Da mesma forma, ‘sexo masculino’ aproximou-se de ‘arma de fogo’; assim como encontrar-se na macrorregião de Santa Maria se aproximou dos dados faltantes para ‘etanol’ e ‘psicotrópicos’. Estes resultados indicam possíveis associações entre esses parâmetros.

Figura 2
Representação gráfica da análise de correspondência múltipla entre as categorias das variáveis ‘psicotrópicos’, ‘etanol’, ‘sexo’, ‘ausência parental’, ‘jovem’, ‘macrorregião’13 e ‘causa do óbito’ entre os casos de suicídio, Rio Grande do Sul, 2017-2018

As vítimas da região Nordeste, comparadas às da região Vale do Caí, apresentaram chance 9,5 vezes (IC95% 2,6;61,8) maior de serem jovens, na idade entre 15 e 29 anos (Tabela 1); os jovens também apresentaram 4,5 vezes (IC95% 2,7;7,7) e 1,9 vez (IC95% 1,2;3,3) maior chance de serem vítimas quando os resultados foram positivos para alguma substância ilícita ou negativos para algum ansiolítico, respectivamente. Não se observou associação entre jovem e sexo (p=0,446), psicotrópicos (p=0,135) ou antidepressivos (p=0,637) (Tabela 3).

A ausência de um dos pais na certidão de nascimento foi observada em 168 vítimas, correspondendo a 6,4% no sexo feminino e a 6,6% no masculino. Houve associação entre a ausência parental e ser jovem (p<0,001), com aumento de 2,4 vezes (IC95% 1,5;3,6) na chance de as vítimas apresentarem idade entre 15 e 29 anos quando havia apenas um dos genitores (Tabela 3). Entretanto, não houve associação entre a ausência parental e etanol (p=0,630) ou outros psicotrópicos (p=0,444).

Com relação aos exames toxicológicos, os óbitos por suicídio no Rio Grande do Sul entre 2017 e 2018 demandaram um total de 4.288 análises periciais em amostras biológicas coletadas de 1.996 vítimas. O número de periciados que não foram submetidos a avaliações laboratoriais reduziu-sede um ano para outro, embora seguisse correspondendo a um percentual elevado (n=568; 22,2%) dos casos. Foi observada associação (p<0,001) entre a falta de coleta de amostras biológicas e a região (Tabela 1). Houve um aumento de 17,0 vezes (IC95% 10,6;27,9) na chance de ausência de solicitação de exames toxicológicos na região Central, quando comparada à região Metropolitana Delta do Jacuí. A presença de etanol foi detectada em 29,1% (n=539) das amostras encaminhadas para análise (n=915 em 2017; 938 em 2018). Como pode ser observado na Figura 2 e na Tabela 3, houve associação entre o consumo de álcool e o sexo (p<0,001). Observou-se maior presença de etanol entre as vítimas do sexo masculino, comparadas às do sexo feminino (RC=2,0 - IC95% 1,5;2,8).

Apesar de o número de resultados positivos para etanol ter-se reduzido de 2017 para 2018, houve um aumento em sua concentração média, para ambos os sexos. Entre as vítimas do sexo masculino, a concentração média de etanol passou de 14,6dg/L (2017) para 15,0 (2018), e nas vítimas do sexo feminino, de 10,4dg/L (2017) para 11,6 (2018). Além disso, a razão de chances para a presença de álcool entre adolescentes e idosos, quando comparados aos adultos, foi de 3,3 (IC95% 1,8;6,7) e de 2,3 (IC95% 1,7;3,1) respectivamente (Tabela 3).

Ademais, foi significativa a associação de etanol com os compostos ilícitos (p<0,001) e com a ausência de psicotrópicos (p=0,009). A detecção de outras substâncias psicotrópicas foi observada em 36,1% (n=637) das amostras analisadas para essa finalidade (n=858 em 2017 e n=906 em 2018), obtendo-se associação com sexo (p<0,001). Houve um aumento de 1,9 vez (IC95% 1,4;2,4) na chance de presença de psicotrópicos entre as vítimas do sexo feminino, relativamente ao masculino. A idade também se mostrou associada ao consumo de compostos psicoativos (p=0,010), com aumento de 1,9 vez (IC95% 1,2;3,4) na chance de resultados positivos para psicotrópicos entre as vítimas adultas, comparadas às adolescentes, e de 1,3 vez (IC95% 1,0;1,6) em relação aos idosos (Figura 2 e Tabela 3).

Considerando-se a detecção de compostos ilícitos, os resultados positivos foram nove vezes mais frequentes entre as vítimas do sexo masculino, sendo que a cocaína foi identificada em 173 casos, e o tetraidrocanabinol, em 34.

O consumo simultâneo de etanol e de alguma outra substância psicoativa foi observado em 166 vítimas, sendo de 6:1 a proporção entre homens e mulheres, e 23,5% (n=39) envolvendo jovens (15 a 29 anos).

Os venenos foram detectados em 10,6% (n=54) das amostras encaminhadas com esse objetivo (n=115 em 2017; n=395 em 2018), associando-se (p<0,001) à região. Observou-se aumento de 17,4 vezes (IC95% 5,0;65,5) na chance de presença de algum veneno nas vítimas da região Nordeste, frente às da região Metropolitana Delta do Jacuí (Tabela 1).

Discussão

O perfil das vítimas de suicídio no Rio Grande do Sul revelou predomínio do sexo masculino, o enforcamento como principal meio suicida e, em cerca de um terço dos casos, presença de compostos psicotrópicos.

Segundo a OMS, a mortalidade por suicídio é classificada como baixa quando representa menos de 5 casos/100 mil hab.; média, entre 5 e 14; alta, entre 15 e 29; e muito alta, quando chega a 30 óbitos ou mais, por 100 mil hab.44. Botti NCL, Veríssimo DS, Souza ED, Souza GN, Diniz IA, Campos LG, et al. Suicídio em infográficos: coletânea de infografia temática. Divinópolis: UFSJ; 2019. 120 p. Portanto, os valores encontrados para o Rio Grande do sul são considerados altos. A utilização dessas taxas, contudo, deve considerar que a existência de poucos casos gera valores elevados quando se trata de municípios com população pequena.

Os dados obtidos neste trabalho sugerem a necessidade de direcionamento da atenção da Saúde estadual para as regiões Vale do Rio Pardo e Médio Alto Uruguai, assim como para a Fronteira Noroeste, Missões, Nordeste e Vale do Taquari, cujas taxas classificaram-se como altas. A região Nordeste se destacou quanto à frequência de vítimas jovens e à utilização de venenos, sendo, por conseguinte, um foco importante de ações preventivas.

Segundo Malta et al.,22. Malta DC, Minayo MCS, Soares Filho AM, Silva MMA, Montenegro MMS, Ladeira RM, et al. Mortalidade e anos de vida perdidos por violências interpessoais e autoprovocadas no Brasil e Estados: análise das estimativas do Estudo Carga Global de Doença, 1990 e 2015. Rev Bras Epidemiol [Internet]. 2017 maio [citado 2020 mar 4];20 Suppl 1:142-56. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-5497201700050012
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a região Sul do Brasil apresenta o maior risco de suicídios, sendo o Rio Grande do Sul a unidade da federação onde se encontram as mais elevadas mortalidades e anos de vida perdidos ajustados para incapacidade, ou disability adjusted life years (DALY). Este indicador mede, simultaneamente, o efeito da mortalidade e dos problemas de saúde que afetam a qualidade de vida dos indivíduos.1616. Ferrari AJ, Norman RE, Freedman G, Baxter AJ, Pirkis JE, Harris MG, et al. The burden attributable to mental and substance use disorders as risk factors for suicide: findings from the global burden of disease study. PLoS One [Internet]. 2014 Apr [cited 2020 Mar 4];9(4):e91936. Available from: Available from: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0091936
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Na maior parte do mundo, incluindo o Brasil,11. World Health Organization. National suicide prevention strategies: progress, examples and indicators [Internet]. Geneva: World Health Organization; 2018 [cited 2019 Nov 04]. 74 p. Available from: Available from: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/279765/9789241515016-eng.pdf?ua=1
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),(22. Malta DC, Minayo MCS, Soares Filho AM, Silva MMA, Montenegro MMS, Ladeira RM, et al. Mortalidade e anos de vida perdidos por violências interpessoais e autoprovocadas no Brasil e Estados: análise das estimativas do Estudo Carga Global de Doença, 1990 e 2015. Rev Bras Epidemiol [Internet]. 2017 maio [citado 2020 mar 4];20 Suppl 1:142-56. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-5497201700050012
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),(44. Botti NCL, Veríssimo DS, Souza ED, Souza GN, Diniz IA, Campos LG, et al. Suicídio em infográficos: coletânea de infografia temática. Divinópolis: UFSJ; 2019. 120 p.),(77. Naghavi M. Global, regional, and national burden of suicide mortality 1990 to 2016: systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2016. BMJ [Internet]. 2019 Feb [cited 2020 Mar 4];364:l94. Available from: Available from: https://doi.org/10.1136/bmj.l94
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),(88. Dantas AP, Azevedo UM, Nunes AD, Amador AE, Marques MV, Barbosa IR. Analysis of suicide mortality in Brazil: spatial distribution and socioeconomic context. Rev Bras Psiquiatr [Internet]. 2018 Jan-Mar [cited 2020 Mar 4];40(1):12-18. Available from: Available from: https://doi.org/10.1590/1516-4446-2017-2241
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),(1111. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Perfil epidemiológico das tentativas e óbitos por suicídio no Brasil e a rede de atenção à saúde. Bol Epidemiol [Internet]. 2017 [citado 2020 mar 4];48(30):1-14. Disponível em: Disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/2017-025-Perfil-epidemiologico-das-tentativas-e-obitos-por-suicidio-no-Brasil-e-a-rede-de-atencao-a-saude.pdf
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),(1616. Ferrari AJ, Norman RE, Freedman G, Baxter AJ, Pirkis JE, Harris MG, et al. The burden attributable to mental and substance use disorders as risk factors for suicide: findings from the global burden of disease study. PLoS One [Internet]. 2014 Apr [cited 2020 Mar 4];9(4):e91936. Available from: Available from: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0091936
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)-(1919. Faria NMX, Victora CG, Meneghel SN, Carvalho LA, Falk JW. Suicide rates in the State of Rio Grande do Sul, Brazil: association with socioeconomic, cultural, and agricultural factors. Cad Saúde Pública [Internet]. 2006 Dec [cited 2020 Mar 4];22(12):2611-21. Available from: Available from: https://doi.org/10.1590/S0102-311X2006001200011
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as mortes por suicídio atingem mais o sexo masculino, como foi observado no Rio Grande do Sul, embora no sul da Índia, na China, no Camboja e no Vietnã, e em algumas ilhas no Oceano Pacífico, caso do arquipélago das Filipinas, essa proporção diminua.22. Malta DC, Minayo MCS, Soares Filho AM, Silva MMA, Montenegro MMS, Ladeira RM, et al. Mortalidade e anos de vida perdidos por violências interpessoais e autoprovocadas no Brasil e Estados: análise das estimativas do Estudo Carga Global de Doença, 1990 e 2015. Rev Bras Epidemiol [Internet]. 2017 maio [citado 2020 mar 4];20 Suppl 1:142-56. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-5497201700050012
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),(44. Botti NCL, Veríssimo DS, Souza ED, Souza GN, Diniz IA, Campos LG, et al. Suicídio em infográficos: coletânea de infografia temática. Divinópolis: UFSJ; 2019. 120 p.),(77. Naghavi M. Global, regional, and national burden of suicide mortality 1990 to 2016: systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2016. BMJ [Internet]. 2019 Feb [cited 2020 Mar 4];364:l94. Available from: Available from: https://doi.org/10.1136/bmj.l94
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),(99. Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Secretaria de Saúde. Centro Estadual de Vigilância em Saúde. Suicídio e tentativa de suicídio. Bol Vig Epidemiol [Internet]. 2018 set [citado 2020 mar 4];1(1):1-8. Disponível em: Disponível em: https://www.cevs.rs.gov.br/suicidio
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),(1010. Meneghel SN, Victora CG, Faria NMX, Carvalho LA, Falk JW. Características epidemiológicas do suicídio no Rio Grande do Sul. Rev Saúde Pública [Internet]. 2004 dez [citado 2020 mar 4];38(6):804-10. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-89102004000600008
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),(1919. Faria NMX, Victora CG, Meneghel SN, Carvalho LA, Falk JW. Suicide rates in the State of Rio Grande do Sul, Brazil: association with socioeconomic, cultural, and agricultural factors. Cad Saúde Pública [Internet]. 2006 Dec [cited 2020 Mar 4];22(12):2611-21. Available from: Available from: https://doi.org/10.1590/S0102-311X2006001200011
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),(2020. World Health Organization. Preventing suicide: a global imperative [Internet]. Geneva: World Health Organization; 2014 [cited 2019 Nov 4]. 92 p. Available from: Available from: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/131056/9789241564779_eng.pdf?sequence=1
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A menor frequência de suicídio entre as mulheres pode-se atribuir à menor prevalência de alcoolismo, à religiosidade, à condição de maternidade, às atitudes condescendentes no desempenho de papéis socialmente encarregados ao gênero feminino, ao reconhecimento precoce dos sinais de risco para depressão e doenças mentais, à maior busca de auxílio nos momentos de crise e à maior participação nas redes sociais de apoio.1010. Meneghel SN, Victora CG, Faria NMX, Carvalho LA, Falk JW. Características epidemiológicas do suicídio no Rio Grande do Sul. Rev Saúde Pública [Internet]. 2004 dez [citado 2020 mar 4];38(6):804-10. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-89102004000600008
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Nesse sentido, com relação ao meio de perpetração do suicídio, estudos antropológicos evidenciaram o papel do enforcamento na cultura patriarcal gaúcha. Na comunidade rural, principalmente de origem alemã, os problemas se agravaram a partir do avanço do processo capitalista de produção, com arrendamento e perda das pequenas propriedades agrícolas, endividamento, êxodo, dissolução da cultura e dos valores morais e, em última instância, anomia.1010. Meneghel SN, Victora CG, Faria NMX, Carvalho LA, Falk JW. Características epidemiológicas do suicídio no Rio Grande do Sul. Rev Saúde Pública [Internet]. 2004 dez [citado 2020 mar 4];38(6):804-10. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-89102004000600008
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A incidência de enforcamento como forma de cometer suicídio manteve-se semelhante ao descrito em outras épocas, estados brasileiros e outros países.44. Botti NCL, Veríssimo DS, Souza ED, Souza GN, Diniz IA, Campos LG, et al. Suicídio em infográficos: coletânea de infografia temática. Divinópolis: UFSJ; 2019. 120 p.),(1010. Meneghel SN, Victora CG, Faria NMX, Carvalho LA, Falk JW. Características epidemiológicas do suicídio no Rio Grande do Sul. Rev Saúde Pública [Internet]. 2004 dez [citado 2020 mar 4];38(6):804-10. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-89102004000600008
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),(1111. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Perfil epidemiológico das tentativas e óbitos por suicídio no Brasil e a rede de atenção à saúde. Bol Epidemiol [Internet]. 2017 [citado 2020 mar 4];48(30):1-14. Disponível em: Disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/2017-025-Perfil-epidemiologico-das-tentativas-e-obitos-por-suicidio-no-Brasil-e-a-rede-de-atencao-a-saude.pdf
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),(1818. Gonçalves REM, Ponce JC, Leyton V. Alcohol use by suicide victims in the city of Sao Paulo, Brazil, 2011-2015. J Forensic Leg Med [Internet]. 2018 Jan [cited 2020 Mar 4];53:68-72. Available from: Available from: https://doi.org/10.1016/j.jflm.2017.11.006
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),(1919. Faria NMX, Victora CG, Meneghel SN, Carvalho LA, Falk JW. Suicide rates in the State of Rio Grande do Sul, Brazil: association with socioeconomic, cultural, and agricultural factors. Cad Saúde Pública [Internet]. 2006 Dec [cited 2020 Mar 4];22(12):2611-21. Available from: Available from: https://doi.org/10.1590/S0102-311X2006001200011
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),(2121. Zerbini T, Ponce JC, Sinagawa DM, Cintra RB, Munoz DR, Leyton V. Blood alcohol levels in suicide by hanging cases in the state of São Paulo, Brazil. J Forensic Leg Med [Internet]. 2012 Jul [cited 2020 Mar 4];19(5):294-6. Available from: Available from: https://doi.org/10.1016/j.jflm.2012.02.022
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A faixa etária que apresentou a maior taxa de mortalidade por suicídio no Rio Grande do Sul, entre as vítimas do sexo feminino, foi a de 65 a 69 anos; no Brasil, a maior taxa de mortalidade por essa causa, no sexo feminino, referiu-se à idade de 40 a 59 anos.1111. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Perfil epidemiológico das tentativas e óbitos por suicídio no Brasil e a rede de atenção à saúde. Bol Epidemiol [Internet]. 2017 [citado 2020 mar 4];48(30):1-14. Disponível em: Disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/2017-025-Perfil-epidemiologico-das-tentativas-e-obitos-por-suicidio-no-Brasil-e-a-rede-de-atencao-a-saude.pdf
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As elevadas taxas obtidas entre as vítimas idosas corroboram os dados publicados em vários outros estudos.44. Botti NCL, Veríssimo DS, Souza ED, Souza GN, Diniz IA, Campos LG, et al. Suicídio em infográficos: coletânea de infografia temática. Divinópolis: UFSJ; 2019. 120 p.),(1111. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Perfil epidemiológico das tentativas e óbitos por suicídio no Brasil e a rede de atenção à saúde. Bol Epidemiol [Internet]. 2017 [citado 2020 mar 4];48(30):1-14. Disponível em: Disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/2017-025-Perfil-epidemiologico-das-tentativas-e-obitos-por-suicidio-no-Brasil-e-a-rede-de-atencao-a-saude.pdf
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),(1717. Martini M, Fonseca RC, Sousa MH, Farias IA, Cardoso TA, Kunz M, et al. Age and sex trends for suicide in Brazil between 2000 and 2016. Soc Psychiatry Psychiatr Epidemiol [Internet]. 2019 Jul [cited 2020 Mar 4];54(7):857-60. Available from: Available from: https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs00127-019-01689-8
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Na China, por exemplo, segundo o Sistema de Vigilância Nacional de Mortalidade, entre 2013 e 2014, os idosos representaram 38,2% de todos os casos de suicídio, embora correspondessem a apenas 8,9% da população.(22)

De acordo com a OMS, o suicídio é a segunda causa de morte entre os jovens (15 a 29 anos).11. World Health Organization. National suicide prevention strategies: progress, examples and indicators [Internet]. Geneva: World Health Organization; 2018 [cited 2019 Nov 04]. 74 p. Available from: Available from: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/279765/9789241515016-eng.pdf?ua=1
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),(44. Botti NCL, Veríssimo DS, Souza ED, Souza GN, Diniz IA, Campos LG, et al. Suicídio em infográficos: coletânea de infografia temática. Divinópolis: UFSJ; 2019. 120 p.) A mortalidade por suicídio nessa faixa etária tem aumentado na Austrália, Canadá, Kuwait, Nova Zelândia, Sri Lanka e Reino Unido (1997-1999).2323. Werlang BSG, Borges VR, Fensterseifer L. Fatores de risco ou proteção para a presença de ideação suicida na adolescência. Interam J Psychol. 2005;39(2):259-66. No Brasil, entre 1979 e 1998, foi observado um aumento dos casos entre a população jovem de 11 capitais, entre as quais Porto Alegre e Curitiba responderam pelas maiores taxas.2323. Werlang BSG, Borges VR, Fensterseifer L. Fatores de risco ou proteção para a presença de ideação suicida na adolescência. Interam J Psychol. 2005;39(2):259-66.

Mais estudos são necessários para compreender a influência de outros fatores relacionados aos suicídios entre os jovens no Rio Grande do Sul, por exemplo, a ausência dos pais ao longo da vida das vítimas, parâmetro não avaliado neste trabalho.

Os transtornos mentais e o uso de substâncias psicotrópicas têm sido responsáveis por dois terços dos suicídios no mundo,22. Malta DC, Minayo MCS, Soares Filho AM, Silva MMA, Montenegro MMS, Ladeira RM, et al. Mortalidade e anos de vida perdidos por violências interpessoais e autoprovocadas no Brasil e Estados: análise das estimativas do Estudo Carga Global de Doença, 1990 e 2015. Rev Bras Epidemiol [Internet]. 2017 maio [citado 2020 mar 4];20 Suppl 1:142-56. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-5497201700050012
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),(1010. Meneghel SN, Victora CG, Faria NMX, Carvalho LA, Falk JW. Características epidemiológicas do suicídio no Rio Grande do Sul. Rev Saúde Pública [Internet]. 2004 dez [citado 2020 mar 4];38(6):804-10. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-89102004000600008
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),(1616. Ferrari AJ, Norman RE, Freedman G, Baxter AJ, Pirkis JE, Harris MG, et al. The burden attributable to mental and substance use disorders as risk factors for suicide: findings from the global burden of disease study. PLoS One [Internet]. 2014 Apr [cited 2020 Mar 4];9(4):e91936. Available from: Available from: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0091936
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),(1919. Faria NMX, Victora CG, Meneghel SN, Carvalho LA, Falk JW. Suicide rates in the State of Rio Grande do Sul, Brazil: association with socioeconomic, cultural, and agricultural factors. Cad Saúde Pública [Internet]. 2006 Dec [cited 2020 Mar 4];22(12):2611-21. Available from: Available from: https://doi.org/10.1590/S0102-311X2006001200011
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)-(2121. Zerbini T, Ponce JC, Sinagawa DM, Cintra RB, Munoz DR, Leyton V. Blood alcohol levels in suicide by hanging cases in the state of São Paulo, Brazil. J Forensic Leg Med [Internet]. 2012 Jul [cited 2020 Mar 4];19(5):294-6. Available from: Available from: https://doi.org/10.1016/j.jflm.2012.02.022
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),(2424. Associação Brasileira de Psiquiatria. Comissão de Estudos e Prevenção de Suicídio. Suicídio: informando para prevenir [Internet]. Brasília: CFM/ABP; 2014 [citado 2020 mar 4]. 52 p. Disponível em: Disponível em: https://www.cvv.org.br/wp-content/uploads/2017/05/suicidio_informado_para_prevenir_abp_2014.pdf
https://www.cvv.org.br/wp-content/upload...
),(2525. Zupanc T, Agius M, Paska A, Pregelj P. Blood alcohol concentration of suicide victims by partial hanging. J Forensic Leg Med [Internet]. 2013 Nov [cited 2020 Mar 4];20(8):976-9. Available from: Available from: https://doi.org/10.1016/j.jflm.2013.09.011
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correspondendo, em 2010, a 22 milhões de DALYs.1616. Ferrari AJ, Norman RE, Freedman G, Baxter AJ, Pirkis JE, Harris MG, et al. The burden attributable to mental and substance use disorders as risk factors for suicide: findings from the global burden of disease study. PLoS One [Internet]. 2014 Apr [cited 2020 Mar 4];9(4):e91936. Available from: Available from: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0091936
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O percentual observado de amostras cont endo etanol fez eco aos dados encontrados por Gonçalves, Ponce e Leyton para a cidade de São Paulo, onde não só um terço dos casos de suicídio esteve ligado ao consumo de álcool; na capital paulistana, também foram observadas maiores concentrações de bebida alcoólica nas vítimas do sexo masculino.1818. Gonçalves REM, Ponce JC, Leyton V. Alcohol use by suicide victims in the city of Sao Paulo, Brazil, 2011-2015. J Forensic Leg Med [Internet]. 2018 Jan [cited 2020 Mar 4];53:68-72. Available from: Available from: https://doi.org/10.1016/j.jflm.2017.11.006
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A regulação da disponibilidade de bebidas alcoólicas (incidência de impostos e controle de preços, do marketing e dos locais de venda) poderia ter um impacto positivo sobre as taxas de suicídio, se fossem implementadas no Brasil, tal como recomenda a OMS.2626. World Health Organization. Global status report on alcohol and health 2018 [Internet]. Geneva: World Health Organization; 2018 [cited 2019 Nov 11]. 472 p. Available from: Available from: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/274603/9789241565639-eng.pdf?ua=1
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A maior prevalência de ingestão de medicamentos entre as vítimas do sexo feminino reafirma conclusões de estudos anteriores, sobre tentativas de suicídio em Fraiburgo, município situado na região Meio Oeste de Santa Catarina, estado vizinho ao Rio Grande do Sul, entre 2014 e 2017, em Mato Grosso, entre 2008 e 2013, e em Minas Gerais, no período de 1997 a 2012.2727. Rohling BSV, Ciesca D, Liebl G. Projeto Vida: integração da vigilância epidemiológica e setor da saúde mental frente às tentativas de suicídio em Fraiburgo, Santa Catarina, 2014-2017. Epidemiol Serv Saúde [Internet]. 2018 [citado 2020 mar 4];27(3):1-8. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.5123/s1679-49742018000300014
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Em relação às limitações do estudo, a subnotificação precisa ser destacada. A incidência dessas ocorrências no RS pode ser ainda maior, pois não é incomum a ocultação do óbito por suicídio, muitas vezes devido ao constrangimento familiar diante do impacto do fato.1010. Meneghel SN, Victora CG, Faria NMX, Carvalho LA, Falk JW. Características epidemiológicas do suicídio no Rio Grande do Sul. Rev Saúde Pública [Internet]. 2004 dez [citado 2020 mar 4];38(6):804-10. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-89102004000600008
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A isto soma-se o impacto social de um problema que envolve, em média, de 5 a 6 pessoas próximas à vítima, enquanto possíveis consequências emocionais e econômicas.66. World Health Organization. Suicide prevention [Internet]. Geneva: World Health Organization; 2018 [cited 2019 Nov 04]. Available from: Available from: http:// https://www.who.int/health-topics/suicide#tab=tab_1
http:// https://www.who.int/health-topic...
),(2424. Associação Brasileira de Psiquiatria. Comissão de Estudos e Prevenção de Suicídio. Suicídio: informando para prevenir [Internet]. Brasília: CFM/ABP; 2014 [citado 2020 mar 4]. 52 p. Disponível em: Disponível em: https://www.cvv.org.br/wp-content/uploads/2017/05/suicidio_informado_para_prevenir_abp_2014.pdf
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Apesar da importância das avaliações toxicológicas nos casos de suicídio, os resultados obtidos revelaram uma carência quanto à padronização de condutas médico-legais envolvendo a coleta de amostras biológicas, principalmente na região Central, pertencente à macrorregião de Santa Maria. Essa dificuldade também foi relatada em outro estudo realizado na cidade de São Paulo, onde apenas 38,8% das mortes por suicídio foram submetidas a análises laboratoriais.2828. Cotrim BC, Chasin AAM. Blood alcohol content and death from fatal injury: a study in the metropolitan area of São Paulo, Brazil. J Psychoactive Drugs. 2000 Jul-Sep;32(3):269-75. Se a obtenção de associações significativas por meio dos testes realizados não implica, necessariamente, qualquer relação causal entre as variáveis envolvidas e o desfecho suicídio, sugere-se que essa associação seja investigada.

Em abril de 2018, a Divisão de Toxicologia do DPL/IGP-RS ampliou as análises em sangue total, incluindo a pesquisa de venenos e psicotrópicos (além do etanol). Dessa forma, o maior número de resultados positivos observado entre 2017 e 2018 (Tabela 3) pode não ter decorrido de um maior consumo por parte das vítimas e sim do aumento no número de exames realizados.

Como o suicídio resulta de uma complexa interação de ordem psicológica, genética, cultural e socioambiental,22. Malta DC, Minayo MCS, Soares Filho AM, Silva MMA, Montenegro MMS, Ladeira RM, et al. Mortalidade e anos de vida perdidos por violências interpessoais e autoprovocadas no Brasil e Estados: análise das estimativas do Estudo Carga Global de Doença, 1990 e 2015. Rev Bras Epidemiol [Internet]. 2017 maio [citado 2020 mar 4];20 Suppl 1:142-56. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-5497201700050012
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),(1010. Meneghel SN, Victora CG, Faria NMX, Carvalho LA, Falk JW. Características epidemiológicas do suicídio no Rio Grande do Sul. Rev Saúde Pública [Internet]. 2004 dez [citado 2020 mar 4];38(6):804-10. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-89102004000600008
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),(1919. Faria NMX, Victora CG, Meneghel SN, Carvalho LA, Falk JW. Suicide rates in the State of Rio Grande do Sul, Brazil: association with socioeconomic, cultural, and agricultural factors. Cad Saúde Pública [Internet]. 2006 Dec [cited 2020 Mar 4];22(12):2611-21. Available from: Available from: https://doi.org/10.1590/S0102-311X2006001200011
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),(2424. Associação Brasileira de Psiquiatria. Comissão de Estudos e Prevenção de Suicídio. Suicídio: informando para prevenir [Internet]. Brasília: CFM/ABP; 2014 [citado 2020 mar 4]. 52 p. Disponível em: Disponível em: https://www.cvv.org.br/wp-content/uploads/2017/05/suicidio_informado_para_prevenir_abp_2014.pdf
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abordagens multidisciplinares devem ser adotadas, respeitando-se as circunstâncias regionais.77. Naghavi M. Global, regional, and national burden of suicide mortality 1990 to 2016: systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2016. BMJ [Internet]. 2019 Feb [cited 2020 Mar 4];364:l94. Available from: Available from: https://doi.org/10.1136/bmj.l94
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),(2929. Centro de Valorização da Vida. Falando abertamente sobre suicídio [Internet]. São Paulo: Centro de Valorização da Vida; 2017 [citado 2019 nov 04]. 3 p. Disponível em: Disponível em: https://www.cvv.org.br/wp-content/uploads/2017/05/Falando-Abertamente-CVV-2017.pdf
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É necessária a obtenção contínua de dados, sobretudo em países de baixa e média renda,44. Botti NCL, Veríssimo DS, Souza ED, Souza GN, Diniz IA, Campos LG, et al. Suicídio em infográficos: coletânea de infografia temática. Divinópolis: UFSJ; 2019. 120 p.),(77. Naghavi M. Global, regional, and national burden of suicide mortality 1990 to 2016: systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2016. BMJ [Internet]. 2019 Feb [cited 2020 Mar 4];364:l94. Available from: Available from: https://doi.org/10.1136/bmj.l94
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de maneira a se fortalecer em estratégias eficazes e se redirecionar em aquelas não efetivas.

Programas já implementados podem servir de orientação, como o ‘Prevenindo Suicídios’, da Inglaterra, o Plano Nacional de Prevenção de Suicídio 2015-2020, da Guiana, a Política Nacional de Saúde Mental e Prevenção de Suicídio, de Fiji, e o ‘Projeto Vida’ do estado de Santa Catarina, Brasil. Contudo, deve-se tomar cuidado para não aplicar condutas que funcionem em contextos diferentes sem antes testá-las na realidade local.77. Naghavi M. Global, regional, and national burden of suicide mortality 1990 to 2016: systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2016. BMJ [Internet]. 2019 Feb [cited 2020 Mar 4];364:l94. Available from: Available from: https://doi.org/10.1136/bmj.l94
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),(2727. Rohling BSV, Ciesca D, Liebl G. Projeto Vida: integração da vigilância epidemiológica e setor da saúde mental frente às tentativas de suicídio em Fraiburgo, Santa Catarina, 2014-2017. Epidemiol Serv Saúde [Internet]. 2018 [citado 2020 mar 4];27(3):1-8. Disponível em: Disponível em: https://doi.org/10.5123/s1679-49742018000300014
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Algumas iniciativas já foram implantadas no Rio Grande do Sul. Em 2019, elaborou-se um guia intersetorial sobre o comportamento suicida em crianças e adolescentes, voltado aos profissionais da Educação, Assistência Social, Saúde e Segurança Pública.3030. Comitê Estadual de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio do Estado do Rio Grande do Sul. Guia intersetorial de prevenção do comportamento suicida em crianças e adolescentes [Internet]. Porto Alegre: Comitê Estadual de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio; 2019 [citado 2019 nov 04]. 36 p. Disponível em: Disponível em: https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/carga20190837/26173730-guia-intersetorial-de-prevencao-do-comportamento-suicida-em-criancas-e-adolescentes-2019.pdf
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Falar sobre o tema sem alarmismo e enfrentar os estigmas sociais, conscientizar e estimular a prevenção do suicídio mediante intervenções eficientes, fundamentadas em dados seguros, podem contribuir para reverter a situação crítica vivida atualmente.1111. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Perfil epidemiológico das tentativas e óbitos por suicídio no Brasil e a rede de atenção à saúde. Bol Epidemiol [Internet]. 2017 [citado 2020 mar 4];48(30):1-14. Disponível em: Disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/2017-025-Perfil-epidemiologico-das-tentativas-e-obitos-por-suicidio-no-Brasil-e-a-rede-de-atencao-a-saude.pdf
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Os resultados do presente trabalho documentam não só a alta taxa de suicídios no Rio Grande do Sul como também o perfil de suas vítimas, cuja predominância foi masculina, adulta, escolheu o enforcamento como meio e, em um terço dos casos, acusou presença de psicotrópicos. Importantes relações com ausência parental e consumo de etanol, assim como distintas faixas etárias atingidas por sexo, também foram apresentadas. Se os motivos para as diferenças regionais observadas requerem novas pesquisas, já indicam ações de monitoramento dos grupos mais vulneráveis e podem subsidiar os serviços de saúde na elaboração de políticas públicas preventivas.

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Editado por

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    08 Maio 2020
  • Data do Fascículo
    2020

Histórico

  • Recebido
    17 Dez 2019
  • Aceito
    20 Fev 2020
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