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Epidemiologia e Serviços de Saúde

Print version ISSN 1679-4974On-line version ISSN 2237-9622

Epidemiol. Serv. Saúde vol.30 no.1 Brasília  2021  Epub Dec 18, 2020

https://doi.org/10.1590/s1679-49742021000100018 

Nota de pesquisa

Integração do agente de combate às endemias na Estratégia Saúde da Família, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 2017*

Integración del agente de combate a las endemias en la Estrategia Salud Familiar, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil, 2017

Glória de Araújo Pereira1 
http://orcid.org/0000-0003-4118-0135

Renata Palópoli Pícoli2 
http://orcid.org/0000-0002-3753-6832

Luiza Helena de Oliveira Cazola1 
http://orcid.org/0000-0002-3853-0678

1Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, MS, Brasil

2Fundação Instituto Oswaldo Cruz de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, MS, Brasil


Resumo

Objetivo

Descrever o processo de integração do agente de combate às endemias (ACE) na Estratégia Saúde da Família (ESF).

Métodos

Estudo transversal descritivo. Os dados foram coletados por questionário semiestruturado autoaplicável, de fevereiro a maio de 2017, em quatro unidades de Saúde da Família na região urbana de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil.

Resultados

Participaram 57 agentes comunitários de saúde (ACS) e 8 ACEs. Todos os participantes informaram realizar orientações ao morador e 58 realizavam controle mecânico durante a vistoria de imóveis, visando evitar e eliminar possíveis criadouros do Aedes aegypti. Quanto à integração dos ACEs na ESF, 18 participantes destacaram o trabalho em equipe como aspecto positivo, enquanto 15 referiram falta de autonomia para intervenções legais como aspecto negativo.

Conclusão

A integração do ACE na ESF é viável; contudo, ajustes devem ser realizados para potencializar as atividades, na perspectiva do trabalho compartilhado em uma mesma base territorial.

Palavras-Chave: Atenção Primária à Saúde; Saúde da Família; Dengue; Aedes; Controle de Vetores

Resumen

Objetivo

Describir el proceso de integración del Agente de Combate a las Endemias (ACE) en la Estrategia de Salud Familiar (ESF).

Métodos

Estudio descriptivo transversal. Los datos se recopilaron por un cuestionario semiestructurado autoadministrado, de febrero a mayo de 2017, en cuatro Unidades de Salud Familiar en la región urbana de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil.

Resultados

Participaran 57 Agentes de Salud Comunitaria (ACS) y 8 ACE. Todos informaron que proporcionaron orientación a los habitantes y 58 realizaron control mecánico durante la inspección de las propiedades, buscando evitar y eliminar posibles sitios de reproducción para Aedes aegypti. En cuanto a la integración de los ACE en la ESF, 18 participantes destacaron el trabajo en equipo como un aspecto positivo, y 15, la falta de autonomía para las intervenciones legales como un aspecto negativo.

Conclusión

La integración de los ACE en la ESF es factible, sin embargo, son necesarios ajustes para mejorar las actividades en la perspectiva del trabajo compartido sobre la misma base territorial.

Palabras-clave: Atención Primaria de Salud; Salud de la Familia; Dengue; Aedes; Control de Vectores

Abstract

Objective

To describe the process of Endemic Disease Control Worker (EDCW) integration into the Family Health Strategy.

Methods

This was a descriptive cross-sectional study. Data were collected through a self-administered semi-structured questionnaire, from February to May 2017, in four Family Health centers in the urban region of Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil.

Results

57 Community Health Agents (CHW) and eight EDCWs participated. All participants reported providing guidance to property dwellers and 58 carried out mechanical vector control during the inspection of properties, in order to avoid and eliminate possible Aedes aegypti breeding sites. With regard to EDCW integration in the Family Health Strategy, 18 participants highlighted teamwork as a positive aspect; while 15 highlighted lack of autonomy to undertake legal interventions as a negative aspect.

Conclusion

EDCW integration in the Family Health Strategy is feasible, however, adjustments need to be made to optimize activities within the perspective of shared work in the same territorial area.

Key words: Primary Health Care; Family Health; Dengue; Aedes; Vector Control

Introdução

A dengue é a mais importante arbovirose que afeta o ser humano, sendo considerada doença endêmica em mais de 100 países. Estima-se que 390 milhões de indivíduos estejam sob o risco dessa infecção.1 No Brasil, o crescente número de casos graves e óbitos torna esse agravo ainda mais significativo.3

Em Mato Grosso do Sul e em sua capital, Campo Grande, entre 2000 e 2010, a incidência de dengue seguiu o padrão observado na região Centro-Oeste e no Brasil como um todo, com ciclos de alta transmissibilidade. Em 2010, o Mato Grosso do Sul registrou uma incidência de 1.167,8 casos por 100 mil habitantes, e Campo Grande especialmente, 3.952,5 casos por 100 mil hab.5Nos anos seguintes, as ocorrências de epidemias de dengue apresentaram um padrão bem definido, com ciclos a cada três anos. Em 2013, quando a infecção apresentou a maior casuística, registrou 3.017,9 casos por 100 mil hab. no estado e 5.605,0 casos por 100 mil hab. na capital. Em 2016, foram registrados 1.671,3 casos por 100 mil hab. no estado e 3.293,93 casos por 100 mil hab. na capital.6

Como estratégia para o enfrentamento da endemia, em 2002 foi criado o Programa Nacional de Controle da Dengue, tem como um de seus componentes, a integração das ações de controle da dengue pelos agentes de combate às endemias (ACE), com as atividades dos agentes comunitários de saúde (ACS) nas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF).8 Em 2009, o Ministério da Saúde apontou a necessidade de reorganização dos processos de trabalho e da definição de papéis e responsabilidades desses profissionais. No ano seguinte, a Portaria Ministerial GM/MS nº 1.007, de 4 de maio de 2010, reafirmou a integração dos ACEs na Atenção Primária à Saúde.9

Em Campo Grande, a implantação dessas recomendações ocorreu em 2011, coordenada pelas Diretorias de Assistência e de Vigilância em Saúde, tendo por referência um instrumento municipal, na forma de publicação: a ‘Cartilha Instrutiva – Integração ACE/ACS na ESF’ determinou o processo de trabalho e as atribuições de ACE e ACS em uma mesma base territorial.11

O estudo teve por objetivo descrever o processo de integração do ACE na ESF, na capital Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil, em 2017.

Métodos

Realizou-se um estudo do tipo transversal descritivo, desenvolvido no período de fevereiro a maio de 2017, em quatro unidades de Saúde da Família (USF) de áreas urbanas de Campo Grande, MS.

As USFs foram selecionadas por conveniência, contemplando os quatro Distritos Sanitários do município, garantindo-se o tempo suficiente de experiência das equipes na proposta de integração do ACE. Foram quatro as USFs escolhidas, três por serem as primeiras participantes do projeto-piloto em 2011, e a quarta, em 2012.

Foram convidados a participar os ACEs em trabalho no momento da coleta de dados e com mais de seis meses de atuação na USF de referência.

Para a coleta de dados, utilizou-se questionário semiestruturado autoaplicável (ver material suplementar a este manuscrito), desenvolvido a partir da Cartilha Instrutiva do município, contendo 24 questões distribuídas em três dimensões: (i) a organização do processo de trabalho; (ii) as ações de controle vetorial; (iii) as competências profissionais.

A Cartilha Instrutiva propõe a utilização de duas ferramentas de trabalho: (i) o checklist, ferramenta específica do ACS, empregada como um recordatório das visitas domiciliares e cuja função é registrar os principais problemas encontrados na inspeção do imóvel, subsidiando as ações instrutivas e educativas do agente às famílias (dos imóveis visitados) e a notificação do morador quanto à necessidade de eliminação de reservatórios de água e lixo;12 e (ii) o uso do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), um instrumento para estimar o grau de infestação e a distribuição do mosquito vetor no ambiente domiciliar.13

A coleta de dados foi agendada previamente, com a gerência da USF, de acordo com a disponibilidade dos profissionais.

O software Microsoft Excel® 2010 foi utilizado como apoio à organização e análise dos dados, sendo tabuladas frequências absolutas e relativas sobre a utilização pelos ACS/ACEs das diferentes ferramentas de trabalho, sua participação nas reuniões, a realização de supervisão de suas atividades e o profissional responsável por ela, e a importância da integração de ambas as categorias de agentes segundo sua percepção.

O projeto do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (CEP/UFMS): Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) nº 62362716.7.0000.0021, emitido em 25 de janeiro de 2017. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Resultados

Conjuntamente, as 12 equipes lotadas nas quatro USFs eram compostas por um total de 75 ACS e 8 ACEs. Foram considerados perdas 18 ACS: 5 por motivo de férias e 13 por estarem de licença médica. Enfim, participaram um total de 65 agentes (57 ACS e 8 ACEs).

Com relação às ferramentas de trabalho (Tabela 1), quando questionados sobre conduta frente aos itens insatisfatórios no checklist da inspeção do imóvel, a maioria dos ACS (42/57) informou realizar orientação ao morador e 40/57 afirmaram realizar controle mecânico do ambiente. Mais da metade dos ACS (33/57) não utilizava o LIRAa no planejamento das ações, justificando que raramente os resultados eram apresentados e discutidos em reunião de equipe, enquanto a maioria dos ACEs (7/8) afirmaram utilizá-lo rotineiramente. Ademais, os ACS reconheceram que o resultado do LIRAa pode influenciar nas atividades desenvolvidas por eles, por meio da visibilidade dos locais de maior risco (21/57) e intensificação das visitas (15/57).

Tabela 1 – Caracterização das ferramentas de trabalho utilizadas pelos agentes de combate às endemias e agentes comunitários de saúde, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil, 2017 

Variáveis ACSª (n=57) ACEb (n=8) Total (n=65)
n n n
Conduta frente ao resultado insatisfatório do checklistc

Orientação ao morador 42 2 44
Controle mecânico dos ambientes 40 2 42
Solicita tratamento químico 16 1 17
Encaminha ao enfermeiro 11 1 12
Solicitação de encaminhamentos à Vigilância Sanitária 5 1 6
Realiza visita sem a necessidade de nenhum encaminhamento 4 4

Utilização do LIRAad

Sim 24 7 31
Não 33 1 34

Discussão do LIRAad em reunião de equipe

Nunca 6 2 08
Raramente 11 11
Às vezes 18 1 19
Frequentemente 11 2 13
Sempre 11 3 14

Influência do resultado do LIRAad no território

Planejar ações de campo 11 1 12
Visualizar locais de maior risco 21 3 24
Intensificar as visitas 15 3 18
Outros 10 1 11

a) ACS: agente comunitário de saúde.

b) ACE: agente de combate às endemias.

c) Poderia ser assinalada uma ou mais alternativas.

d) LIRAa: Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti.

A Tabela 2 ilustra os resultados quanto ao processo de trabalho. Todos os 65 participantes prestavam orientações ao morador sobre como evitar e eliminar possíveis criadouros do Aedes aegypti, 62/65 sobre sinais e sintomas da dengue, e 58/65 realizavam controle mecânico dos ambientes. As reuniões semanais de equipe foram relatadas por 53/65 agentes. Todos os 8 ACEs e 54/57 ACS afirmaram receber supervisão das atividades de controle da dengue. Destes, 30/57 ACS relataram supervisão pelo enfermeiro, 2/57 ACS e 7/8 ACEs, pelo supervisor de área, e apenas um (1/8) ACE e 25/57 ACS citaram a supervisão compartilhada por ambos, enfermeiro e supervisor de área.

Tabela 2 – Caracterização do processo de trabalho dos agentes de combate às endemias e agentes comunitários de saúde segundo competências profissionais, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 2017 

Variáveis ACSa (n=57) ACEb (n=8) Total (n=65)
n n n
Frequência das reuniões de equipe

Semanal 47 6 53
Quinzenal 7 2 9
Mensal 1 1
Raramente 2 2

Participação nas reuniões de equipec

ACEb/ACSa 57 7 64
Enfermeiro 57 6 63
Todos os membros da equipe 18 5 23
Supervisor de área 19 6 25

Supervisão de campo

Sim 54 7 61
Não 3 1 4

Profissional que realiza supervisão de campo

Enfermeiro 30 30
Supervisor de área 02 7 09
Enfermeiro/supervisor de área 25 1 26

Atividades desenvolvidasc

Orientações ao morador sobre como evitar e eliminar possíveis criadouros do vetor 57 8 65
Informa ao morador sobre a doença, sintomas, riscos, agente transmissor 55 7 62
Vistoria de cômodos, realizando controle mecânico dos ambientes 51 7 58
Comunica ao supervisor presença de focos 49 7 56
Encaminha casos suspeitos à unidade 48 6 54
Atualiza cadastro de imóveis e de pontos estratégicos 43 7 50
Vistoria de cômodos, verificando existência de focos 37 7 44
Vistoria de cômodos, realizando coleta de larvas 5 5 10
Atende a queixas de vizinhos sobre denúncias de possíveis criadouros na microárea 6 2 8
Identifica criadouros e realiza aplicação de larvicidas quando indicado 2 4 6

a) ACS: agente comunitário de saúde.

b) ACE: agente de combate às endemias.

c) Poderia ser assinalada uma ou mais alternativas.

Sete (7/8) ACEs e 29/57 ACS consideraram a integração do ACE às equipes da ESF muito importante, tendo como pontos positivos dessa integração (i) o trabalho em equipe, para 7/8 ACEs e 23/57ACS, e (ii) a priorização das ações da ESF, destacada por 8/57 ACS. Quanto aos fatores negativos, a falta de autonomia para intervenções legais predominou para 6/8 ACEs; entre os ACS, 14/57 declararam ausência de fluxo intersetorial, enquanto 8/57, acúmulo de funções (Tabela 3).

Tabela 3 – Caracterização da integração segundo percepção dos agentes de combate às endemias e agentes comunitários de saúde, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 2017 

Variáveis ACSa (n=57) ACEb (n=8) Total (n=65)
n n n
Importância da integração

Muito importante 29 7 36
Importante 24 1 25
Pouco importante 4 4

Satisfação com a integração

Satisfeito 55 7 62
Insatisfeito 2 1 3

Aspectos positivosc

Trabalho em equipe 23 7 18
Compartilhamento de informações 7 1 8
Notificação imediata de casos 8 8
Priorização das ações da ESFd 8 8

Aspectos negativosc

Falta de autonomia para intervenções legais 9 6 15
Ausência de fluxo intersetorial 14 14
Ausência de integração 5 5
Acúmulo de funções 8 2 10

a) ACS: agente comunitário de saúde.

b) ACE: agente de combate às endemias.

c) Falas predominantes.

d) ESF: Estratégia Saúde da Família.

Discussão

Este estudo descreveu o processo de integração do ACE na ESF, a partir das dimensões (i) organização do processo de trabalho, (ii) ações de controle vetorial e (iii) competências profissionais. A totalidade dos participantes prestava orientações ao morador sobre possíveis criadouros do vetor, e dois terços, sobre sinais e sintomas da dengue. O LIRAa era usado pela minoria dos ACS e pela maioria dos ACEs. A integração do ACE no ESF era compreendida como muito importante para a maioria dos ACEs e cerca da metade dos ACS.

A integração do ACE na ESF, regulamentada pelo Ministério da Saúde,6 foi apoiada em Campo Grande pela ‘Cartilha Instrutiva – Integração ACE/ACS na ESF’, que também propõe a utilização de instrumentos de trabalho, como o checklist, ferramenta específica do ACS. Instrumento semelhante foi desenvolvido em São José do Rio Preto, São Paulo, denominado ‘histórico do imóvel’, que permitiu o acompanhamento da situação encontrada no imóvel, mediante avaliação de necessidades de mudanças no comportamento do responsável em relação às considerações realizadas na visita anterior.14

O LIRAa foi pouco utilizado pelos ACS deste estudo, haja vista o baixo retorno de seus resultados para a equipe. A socialização de resultados é importante para a obtenção de apoio nas ações de enfrentamento de endemias no município, e para que se possa contar com a adesão da população e de setores externos à Saúde.13

No escopo de atribuições propostas na Cartilha Instrutiva, cabe ao gerente da unidade fomentar reuniões e incentivar a inserção do ACE nesses espaços de discussão.14 No presente estudo, verificou-se a periodicidade semanal das reuniões da equipe, com predomínio da presença de enfermeiros, ACS e ACEs. Ressalta-se que o Ministério da Saúde recomenda a participação de todos os profissionais integrantes das equipes da ESF.15

A supervisão compartilhada foi pouco relatada no estudo. A supervisão das ações dos ACS relativas à vigilância em saúde, realizada pelos enfermeiros, e dos ACEs relativas ao controle vetorial e zoonoses, realizada pelo supervisor de área, reforçam as ações integradas no rol de atividades da Atenção Primária.9 Outrossim, a supervisão das atividades dos ACEs por profissionais de nível superior da ESF facilita sua integração como membros da equipe.16

A identificação dos fatores que dificultam ou potencializam o processo de integração dos ACEs nas atividades de prevenção e controle da dengue na ESF contribui para a cooperação e coordenação, e subsidia a gestão local na avaliação e análise dos impactos de suas ações.17Em relação aos aspectos positivos, os relatos sobre o trabalho em equipe, compartilhamento de informações, notificação imediata de casos e priorização das ações da ESF sugerem a pertinência da integração dos ACEs junto às equipes da ESF para as ações de controle da dengue. Quanto aos aspectos negativos, o acúmulo de funções dos ACS e a ausência de fluxo intersetorial, de integração efetiva, na visão de alguns ACS, e de autonomia para intervenções legais, esta referida por ACEs e ACS, podem colocar em descrédito o trabalho realizado pelos agentes comunitários junto às famílias sob sua responsabilidade.

Embora não se tenha contemplado a participação de outros profissionais – enfermeiro, supervisor de área, gestor local etc. –, os achados deste estudo podem fundamentar outras pesquisas e, assim, ampliar a discussão sobre o tema da integração entre os agentes de combate às endemias e os agentes comunitários de saúde.

Referências

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Material Suplementar – Questionário de coleta de dados

APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO DE COLETA DE DADOS

Esta é uma pesquisa de mestrado. Sua participação é muito importante, pois o resultado deste estudo irá nortear ações referentes ao processo de trabalho e ações de vigilância integradas com território único. Leia atentamente e marque a alternativa que melhor retrata seu dia a dia de trabalho.

Leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Orientações para o preenchimento do questionário.

INSTRUMENTO DE COLETA

DATA: ____/____/____ Distrito Sanitário: _____________________

Identificação/UBSF: _________________________________________________

1. Caracterização profissional:

( ) Ag. Comunitário de Saúde (ACS) ( ) Ag. de Combate a Endemias (ACE)

2. Há quanto tempo você atua como ACS/ACE?

___(anos)/___(meses)

3. Você recebeu treinamento quando houve a integração entre ACE/ACS em sua unidade?

( ) Sim ( ) Não

4. Com que frequência você recebe treinamento/atualização sobre integração entre ACE/ACS?

( ) Nunca ( ) Raramente ( ) Às vezes ( ) Frequentemente ( ) Sempre

5. Quais temas são abordados no treinamento? (Pode ser assinalada mais de uma resposta).

( ) Noções sobre dengue ( ) Biologia do vetor ( ) Controle mecânico

( ) Tipo de criadouro LIRAa ( ) Visita domiciliar

( ) Não há treinamentos

6. Você utiliza o Check List?

( ) Sim ( ) Não ( ) Às vezes

Justifique sua resposta: ______________________________________

7. No momento da visita domiciliar (VD), quando algum dos itens do Check List for insatisfatório, o que você faz? (Pode ser assinalada mais de uma resposta).

( ) Eliminação mecânica ( ) Orientação ao morador ( ) Encaminha ao enfermeiro

( ) Solicita tratamento químico ( ) Solicitação de encaminhamentos à vigilância sanitária

( ) Realiza a VD sem a necessidade de nenhum encaminhamento

( ) Não utilizo check list

8. Com que frequência acontece a reunião de equipe? (Pode ser assinalada mais de uma alternativa).

( ) semanal ( ) quinzenal ( ) mensal ( ) raramente ( ) nunca

9. Quem participa da reunião de equipe?

( ) Técnico de enfermagem ( ) Médico ( ) ACS ( ) ACE ( ) Supervisor de área

( ) Enfermeiro ( ) Dentista ( ) Auxiliar em saúde bucal ( ) Gerente ( ) Outros profissionais

10. Você utiliza o LIRAa como ferramenta para o planejamento das ações no território?

( ) Sim ( ) Não

Justifique sua resposta: ______________________________________

11. Os resultados do LIRAa são apresentados e discutidos em reunião de equipe?

( ) Nunca ( ) Raramente ( ) Às vezes ( ) Frequentemente ( ) Sempre

12. Você acredita que o resultado do LIRAa pode influenciar nas atividades desenvolvidas por você no território?

( ) Sim ( ) Não

Justifique sua resposta: ______________________________________

13. Você utiliza o mapa dinâmico?

( ) Nunca ( ) Raramente ( ) Às vezes ( ) Frequentemente ( ) Sempre

14. Em sua opinião, qual a importância do Mapa Dinâmico?

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15. São realizados encontros para o repasse das atividades do dia anterior? (Encontros em conjunto com enfermeiro, e supervisor de área para repasse de informações).

( ) Sim ( ) Não

Justifique sua resposta: ______________________________________

16. Você recebe supervisões em campo para ações de vetores?

( ) Sim ( ) Não

17. Quem realiza a supervisão? (Pode ser assinalada mais de uma resposta).

( ) Enfermeiro ( ) Supervisor ( ) Gerente ( ) Coordenador ( ) Não recebo supervisão

( ) Não sei

18. Com relação às visitas, o que é feito em caso de microárea (MA) descoberta? (Pode ser assinalada mais de uma resposta).

( ) Rodízio MA ( ) Não são realizadas visitas

19. Em caso de imóveis fechados e/ou quando o morador não é encontrado? O que faz?

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20. Durante a visita domiciliar (VD), quais destas atividades você desenvolve? (Pode ser assinalada mais de uma alternativa).

( ) Vistoria dos cômodos da casa, acompanhado pelo morador, verificando a existência de focos de criadouros de Aedes aegypti e mosquitos.

( ) Vistoria dos cômodos da casa, acompanhado pelo morador, verificando a existência de focos de criadouros de Aedes aegypti e mosquitos, realizando controle mecânico.

( ) Vistoria dos cômodos da casa, acompanhado pelo morador, verificando a existência de focos de criadouros de Aedes aegypti e mosquitos, realizando a coleta de larvas para posterior exame laboratorial.

( ) Realiza controle mecânico.

( ) Orienta o morador sobre a forma de evitar e eliminar locais que possam oferecer risco para a formação de criadouros do Aedes aegypti.

( ) Comunica ao seu supervisor imediato a presença de focos no domicílio para possíveis intervenções.

( ) Atua junto aos domicílios informando os seus moradores sobre a doença – sintomas e riscos – e o agente transmissor.

( ) Encaminha os casos suspeitos para a Unidade de Saúde.

( ) Pergunta ao morador sobre a presença de possíveis criadouros sem a necessidade de vistoriar e registrar a visita.

( ) Atende queixas de vizinhos sobre denúncias de possíveis criadouros na microárea.

( ) Atualiza o cadastro de imóveis e de pontos estratégicos (PE).

( ) Identifica criadouros e realiza aplicação de larvicidas, quando indicado, como medida complementar ao controle mecânico.

( ) Desenvolve ações educativas e de mobilização da comunidade relativas ao controle da dengue, em sua área de abrangência.

21. Para você, qual a importância da integração?

( ) Muito importante ( ) Importante ( ) Pouco importante

Justifique sua resposta: __________________________________________________________

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22. Com relação à integração entre ACE/ACS, como você se sente?

( ) Satisfeito ( ) Insatisfeito

23. Na integração ACE/ACS, descreva os pontos positivos e os pontos negativos:

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24. Como você avalia seu conhecimento sobre o projeto de integração entre ACE/ACS?

( ) Muito bom ( ) Bom ( ) Ruim ( ) Não sei

*Manuscrito derivado da dissertação de mestrado intitulada ‘Integração do agente de combate às endemias na Estratégia Saúde da Família’, defendida por Glória de Araújo Pereira junto ao Programa de Pós-Graduação em Saúde da Família da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em 2018.

Recebido: 03 de Dezembro de 2019; Aceito: 17 de Junho de 2020

Endereço para correspondência: Glória de Araújo Pereira – Av. Cuiabá, nº 695, Leblon, Campo Grande, MS, Brasil. CEP: 79092-035. E-mail: gloriagap@gmail.com

Editora associada: Luciana Guerra Gallo - orcid.org/0000-0001-8344-9951

Contribuição dos autores

Pereira GA, Pícoli RP e Cazola LHO foram responsáveis pelo desenho do estudo, coleta e análise dos dados, além do processo de escrita do artigo. Todas as autoras aprovaram a versão final do manuscrito e declaram-se responsáveis por todos os aspectos do trabalho, incluindo a garantia de sua precisão e integridade.

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