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Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais

Print version ISSN 1517-4115On-line version ISSN 2317-1529

Rev. Bras. Estud. Urbanos Reg. vol.20 no.3 São Paulo Sept./Dec. 2018

http://dx.doi.org/10.22296/2317-1529.2018v20n3p479 

Artigos

A descoberta do território e outras premissas do desenvolvimento territorial

Discovering the territory and other premises of territorial development

Marcos Aurelio Saquet* 
http://orcid.org/0000-0002-3435-8428

*Universidade Estadual do Oeste do Paraná, PR, Brasil

Resumo

Neste texto, socializamos algumas reflexões feitas a partir de três projetos de cooperação que efetivamos com camponeses agroecológicos e com moradores simples e humildes da periferia urbana da cidade Francisco Beltrão (Paraná), evidenciando a abordagem territorial adotada na pesquisa e nas ações participativas, a descoberta do território como componente fundamental do desenvolvimento de base local, cultural e ecológica, bem como a centralidade da criação e/ou qualificação da consciência de classe e de lugar na ativação de territorialidades voltadas para a cooperação, a solidariedade, a luta e a resistência política diante das forças hegemônicas do capital e do Estado burguês.

Palavras-chave: Território; Desenvolvimento urbano e rural; Consciência de classe e de lugar

Abstract

In this article, we set out to socialize a number of reflections through three cooperation projects that were undertaken with agroecological peasants and the humble, modest residents living on the urban periphery of the city of Francisco Beltrão (Paraná). We evidenced the territorial approach adopted in the research and the participatory actions, the discovery of territory as a fundamental component of local, cultural and ecological development, as well as the centrality of the creation and/or qualification of class and place consciousness in activating territorialities aimed at cooperation, solidarity, struggle and political resistance to the hegemonic forces of capital and the bourgeois state.

Keywords: Territory; Urban and rural development; Class and Place Consciousness

Introdução

Inicialmente é importante mencionar que trabalhamos sistematicamente no ensino, na pesquisa e na extensão acadêmica, tentando contribuir na construção de uma concepção de Geografia voltada para a cooperação e para o desenvolvimento territorial dialógico, ecológico, cultural e participativo (DANSERO, 2008; DANSERO e ZOBEL, 2007; SAQUET, 2015 [2011], 2013, 2014a, 2014b, 2016b, 2017a; SAQUET, DANSERO e CANDIOTTO, 2012; SCOPPETTA, 2009; GONZALEZ DIAZ et al, 2013). Buscamos, assim, valorizar a autonomia decisória, a preservação e conservação da natureza, a identidade, o conhecimento popular, a reciprocidade, a ancoragem e os vínculos territoriais, num movimento contrário à reprodução ampliada do capital.

Nesse contexto, organizamos este texto em cinco partes, complementares entre si. Na Introdução, apresentamos sucintamente a opção de abordagem do território e do desenvolvimento, seguida pela descrição do contexto internacional de descoberta do território em diferentes áreas do conhecimento. Na sequência, evidenciamos as demais premissas que consideramos fundamentais na prática do desenvolvimento territorial, ampliadas e complementadas por uma reflexão inédita sobre a consciência de classe e de lugar, debate estreitamente vinculado a nossa práxis de pesquisa e cooperação com os sujeitos estudados, debate retomado nas Considerações finais.

A perspectiva de abordagem e trabalho comunitário está sendo construída com outros professores, pesquisadores e trabalhadores da extensão/cooperação, por meio de uma concepção histórica, reticular, relacional e pluridimensional (DANSERO e ZOBEL, 2007) ou (i)material, reconhecendo efetivamente as relações sociedade-natureza (SAQUET, 2007). Trata-se de um movimento no qual sempre tentamos integrar teoria e empiria, conceitos e práticas, para colaborar na utilização, por parte dos sujeitos estudados, dos conhecimentos produzidos no âmbito acadêmico, preferencialmente, trabalhando com eles.

Essa concepção tem sido debatida e construída desde 1996, quando nos envolvemos na discussão e efetivação do Projeto Vida na Roça (1996-1998). Nessa oportunidade, trabalhamos com distintos sujeitos e instituições (públicas, ONGs, sindicatos e associações), num movimento de articulação política em favor do desenvolvimento, na época, denominado de multidimensional (agricultura, educação, ambiente, saúde, cultura e recreação), melhorando a capacidade organizativa local das famílias de agricultores camponeses da comunidade de Jacutinga (Francisco Beltrão - Paraná). As principais diretrizes das ações foram a auto-organização, a interdisciplinaridade, a agroecologia, a diversificação produtiva e a participação social (em reuniões, assembleias, oficinas, cursos, pesquisas e ações comunitárias permeadas pelo debate dos “sonhos”, imaginando uma vida melhor). Considerando esses princípios orientadores, as principais atividades realizadas foram: definição do grupo de trabalho a partir das colaborações estabelecidas; constante diálogo com os colaborares institucionais e com as lideranças da comunidade; assembleias deliberativas; estudo diagnóstico dos estabelecimentos rurais com a participação dos moradores (“metodologia” dos “sonhos” dos homens, mulheres, crianças e idosos); socialização e discussão dos dados e das análises feitas com os habitantes da comunidade; definição, em conjunto, das ações prioritárias para resolver os principais problemas identificados; efetivação de parcerias para conseguir outras colaborações institucionais e recursos financeiros para as ações do projeto; análise do solo dos estabelecimentos rurais; ações de educação ambiental na escola da comunidade; reflorestamento de algumas áreas devastadas; cultivação agroecológica etc. (SAQUET e DUARTE, 1996; SAQUET, 2015 [2011]).

Já no Projeto Vida no Bairro (2002-2006) os sujeitos com os quais trabalhamos eram diferentes daqueles do rural. Nessa iniciativa de colaboração entre diversas instituições públicas, associativas e sindicatos, efetivamos as ações de pesquisa e cooperação com moradores da periferia urbana, contribuindo diretamente na solução de problemas que poderiam melhorar as condições de vida dos habitantes do bairro São Francisco, na cidade de Francisco Beltrão (Paraná). As principais atividades realizadas foram: reuniões com os moradores do bairro; definição, em conjunto, da equipe de coordenação do projeto; reuniões com os moradores das principais ruas do bairro, para consultá-los e envolvê-los nas ações, identificando problemas e as soluções mais urgentes a serem efetivadas e escrevendo o diagnóstico do bairro; definição das cooperações para realização das atividades previstas com os moradores; coleta dos dados e análises dos mesmos com a participação de alguns habitantes do bairro; socialização e discussão do diagnóstico realizado com os moradores; debate e definição conjunta das ações prioritárias; avaliação e acompanhamento das atividades realizadas; redação do plano de trabalho e das ações discutidas com os moradores, tais como cursos (in)formativos (boas práticas de alimentação; formação de lideranças políticas; música; pintura em tecido); restabelecimento das linhas do transporte coletivo; regularização da titulação das propriedades dos terrenos e das casas dos moradores; iluminação pública de algumas ruas do bairro; criação do laboratório de informática etc. (SAQUET, PACÍFICO e FLÁVIO, 2005; SAQUET 2015 [2011]; SAQUET e FLÁVIO, 2015).

Isso significa que um dos principais caminhos por nós considerado para melhorar a qualidade de vida da população mais simples e humilde é a organização popular, trabalhando juntos, pesquisadores e moradores do bairro, em meio à diversidade dos sujeitos. “O PVB tem se orientado, assim, para a práxis da própria ciência de contribuir na superação da opressão cotidiana via consciência política e intervenção organizada [...]” (SAQUET, PACÍFICO e FLÁVIO, 2005, p. 17). Houve, portanto, uma combinação de esforços, compartilhamento de conhecimentos e participação dos distintos sujeitos nas atividades realizadas entre 2002 e 2006. “Neste sentido, mais do que um projeto ou uma vontade individual, o PVB é uma forma de ver e compreender o mundo, uma estratégia de ações conjuntas, com um forte caráter participativo” (SAQUET, PACÍFICO e FLÁVIO, 2005, p. 23).

São dois projetos nos quais a práxis ocorreu no processo, com o transcorrer das ações entre os distintos sujeitos, na tentativa de superar dificuldades e limites, e ao valorizar e potencializar as singularidades territoriais, a solidariedade, as redes curtas de produção e comercialização, as práticas agroecológicas e a auto-organização. Esse trabalho feito com base na pesquisa bibliográfica, na coleta e análise dos dados secundários municipais (sobretudo do IBGE), na realização das entrevistas, assembleias e oficinas, bem como na aplicação dos questionários, como realizamos, também, no projeto descrito sucintamente a seguir.

Na iniciativa intitulada Agricultura familiar agroecológica nos municípios de Itapejara d’Oeste, Salto do Lontra e Verê (Sudoeste do Paraná), como estratégia de inclusão social e desenvolvimento territorial, financiado pela Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI), através do Programa Universidade sem Fronteiras (USF), entre 2009 e 2011, nossos objetivos principais foram: compreender as características da produção agroecológica; contribuir para a qualificação dessa produção e para a geração de empregos; identificar as prioridades dos agricultores e viabilizar cursos de capacitação e formação. Para tal, optamos pela metodologia participativa desde a coleta dos dados, passando pela discussão da metodologia até o planejamento e realização das ações voltadas para o desenvolvimento. Na primeira fase, identificamos os produtores agroecológicos, características da produção, as perspectivas e as dificuldades enfrentadas tanto pelos agricultores como pelas instituições parceiras (ONGs, sindicatos e associações). Os trabalhos de campo e os encontros com os representantes das instituições foram muito importantes nessa etapa, pois, a partir deles, obtivemos um diagnóstico mais detalhado da realidade dos produtores e da produção agroecológica dos municípios selecionados. Com a caracterização da produção agroecológica, elaboramos mapas temáticos dos municípios que foram publicados numa “cartilha” informativa elaborada pelos membros da equipe. Por meio da “cartilha”, intitulada Agroecologia e consumo consciente (2010), visamos informar o consumidor sobre a importância do consumo de alimentos ecológicos e divulgar as produções dos municípios. Desse modo, os consumidores passaram a ter informações mais precisas sobre a localização e os produtos de cada família. Entre as atividades realizadas, também participamos na definição dos objetivos no Plano de Desenvolvimento Municipal de Itapejara d’Oeste - PR, realizamos o levantamento do patrimônio histórico-cultural desse município, organizamos alguns cursos de capacitação em parceria com a UTFPR, tais como: Manejo de solo e água, em Salto do Lontra - PR; Manejo e cultivo de frutíferas, em Verê - PR; Pós-colheita e rotulagem, em Itapejara d’Oeste e Salto do Lontra. Além disso, aplicamos, tabulamos e analisamos questionários, junto aos consumidores de Verê, Itapejara, Salto do Lontra e Francisco Beltrão, consultando-os sobre como gostariam de adquirir os produtos agroecológicos, diversidade e prioridades de consumo. Tal levantamento resultou num diagnóstico que foi entregue aos agricultores de cada município para orientar mudanças, caso fosse a vontade deles, na produção e comercialização. Outrossim, ofertamos um curso sobre rotulagens, em Salto do Lontra, para um grupo de mulheres que fabricava bolachas e pães artesanalmente e contribuímos diretamente na reorganização da feira de comercialização daquele município (SAQUET, GAIOVICZ, MEIRA e SOUZA, 2012).

O que realizamos nos projetos de pesquisa e cooperação supracitados foi muito diferente dos encaminhamentos dados a partir do lançamento dos territórios rurais e da cidadania pelo Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) por meio da Secretaria de Desenvolvimento Territorial (SDT) e da Secretaria Executiva do Programa Territórios da Cidadania (PTC), a partir de 2003, quando se classificou, considerando-se algumas variáveis quantitativas (nada mais do que isto), os recortes espaciais que seriam, a partir de então, “irrigados” por algumas migalhas de reais.

Na concepção e na proposta de trabalho que temos, entendemos que os sujeitos são múltiplos, nos espaços urbanos e rurais, vivendo cotidianamente como sínteses das relações sociedade-natureza. O território contém essas relações e significa, num primeiro nível, espaço de (in)formação, mobilização, luta e resistência aos agentes do capital, além de objeto de estudos e orientação conceitual na análise e interpretação científica (SAQUET, 2008, 2015 [2011], 2013, 2014b, 2017a).

Desse modo, o território tem algumas características epistemológicas e ontológicas fundamentais: a) É apropriado, dominado e tem um conteúdo político e econômico envolvendo pontos, redes e malhas (INDOVINA e CALABI, 1974) que se efetivam também nos níveis cultural e ambiental. b) É produzido em diferentes níveis escalares (MAGNAGHI, 1976; DEMATTEIS, 1985; RAFFESTIN, 1993 [1980]; RULLANI, 2005; SAQUET, 2007; PUTTILLI, 2014), com um significado relacional substantivando uma Geografia reticular (DEMATTEIS, 1985, 1994, 1995, 2001; TURCO, 1988, 2010) ou uma complexa trama territorial trans e multiescalar (DEMATTEIS, 1985, 2001; CAMAGNI e SALONE, 1993) ou, ainda, relações trans-territoriais (CAMAGNI, 1993, 1997; CAMAGNI e SALONE, 1993; RULLANI, 2009) que significam transversalidades (DEMATTEIS, 1994, 1995, 2007; BRUNETTA, 1997; DEDA, 1997; RULLANI, MICELLI e DI MARIA, 2000; HAKMI e ZAOUAL, 2008; BELLIGGIANO e DE RUBERTIS, 2012; TOLDO, 2013). As redes e as malhas estão na base de cada território (GOTTMANN, 1947, 1952, 1973; INDOVINA e CALABI, 1974; MAGNAGHI, 1976; RAFFESTIN, 1993 [1980], 1987; DEMATTEIS, 1964, 1985, 1994, 1995, 1997, 1999, 2001; DUPUY, 1985; RULLANI, 1997). c) É produzido por meio das territorialidades num processo histórico centrado nas relações de poder, nas redes e nas identidades culturais (RAFFESTIN, 1977, 1993 [1980], 1986, 2003, 2005, 2009; CAMAGNI, 1990, 1993; CAMAGNI e SALONE, 1993; DI MÉO, 1993; DEMATTEIS e GOVERNA, 2003; SAQUET, 2003 [2001], 2006a, 2006b, 2007, 2008, 2009, 2015 [2011], 2013, 2016a, 2016b, 2017a).

O processo histórico também é geográfico (e vice-versa), num amplo movimento de desterritorialização e reterritorialização: na desterritorialização, há perda do território inicialmente apropriado e construído, a supressão dos limites, das fronteiras, como afirma Raffestin (1978, 1984) e, na reterritorialização, ocorre a reprodução dos elementos do território anterior, pelo menos, em algumas das suas características. Acontece outra (i)materialização, com rupturas e continuidades, muito bem expressa numa das afirmações de Deleuze e Guattari (1976 [1972]), quando afirma que o capitalismo reterritorializa constantemente o que desterritorializa.

Portanto, há complexidade e heterogeneidade nos/dos territórios, internamente e entre eles, substantivadas a partir das relações natureza-sociedade. As atuais relações de poder, no modo capitalista de produção, precisam ser apreendidas e reordenadas; as identidades e os patrimônios culturais, estudados, valorizados e preservados; as redes, por sua vez, precisam ser adequadas para facilitar a cooperação e a solidariedade entre os habitantes do campo e da cidade. É justamente aí onde reside o principal conteúdo da interpretação que resumimos neste texto, tentando vincular explicitamente nossas pesquisas às necessidades, aos desejos e às aspirações do povo e trabalhando com ele, na pesquisa e na cooperação, ao valorizar os conhecimentos próprios, as técnicas, os saberes e as atitudes solidárias e ecológicas, no campo e na cidade.

A cidade e o campo são diferentes entre si e têm papéis díspares, porém, estão em unicidade e complementaridade dialética (SPOSITO, 2006). Conforme esta mesma autora, há diferenciação social no campo e na cidade, descontinuidades e uma unidade espacial que contém o urbano e o rural superpostos e relacionados. No rural e no urbano, há distintas formas e conteúdos integrados, relacionados, complementando-se (LEFEBVRE, 1995 [1969], 1991 [1967]). Há diversidade, heterogeneidade e unidade entre os espaços rural e urbano que, em Saquet (2006b), denominamos de articulação territorial, a partir das importantes contribuições de autores como Bagnasco (1977) e Dematteis (1995).

Isso significa, portanto, que o desenvolvimento precisa atender a nossas necessidades fisiológicas e antropológicas, num desenvolvimento de todos (HINKELAMMERT e JIMÉNEZ, 2009), ou seja, nossas práticas cotidianas, no campo e na cidade, precisam ser orientadas e concretizadas para a reprodução da vida humana e não humana, por meio de uma pluralidade de sujeitos emancipadores (CORAGGIO, 2009), de todas as cores, religiões e etnias. Talvez esse seja um dos nossos principais desafios, no presente e no futuro, quer dizer, trabalhar ancorados em cada local. Nesse caso, o desenvolvimento contém uma dupla alma, de natureza dialética e contraditória, uma identidade própria, a partir dos sujeitos capazes de agir com comportamentos coletivos e autônomos, constituindo sistemas locais territoriais ou nós de redes locais e não locais, com uma base territorial bem definida ou multilocalizada (DEMATTEIS, 1994).

Esta é a nossa opção, pois sempre nos esforçamos para trabalhar, simultaneamente, no ensino, na pesquisa e na cooperação (no campo, na cidade e entre ambos). A cooperação é entendida como um processo de construção dialógica de ideias, planejamentos, pesquisas e ações de desenvolvimento que visem a melhoria das condições de vida do povo urbano e rural, a preservação da natureza, a recuperação dos ambientes degradados e poluídos, a valorização do saber-fazer, a concretização da participação popular, do debate, da autonomia decisória, bem como a valorização das identidades e dos patrimônios naturais. A cooperação corresponde à ação voluntária por parte de uma coletividade (BIGNANTE, DANSERO e LODA, 2015).

Pensamento e ação precisam acontecer simultaneamente, num movimento contínuo de busca de melhores condições de vida por meio das formas cooperativas e solidárias (CORAGGIO, 2004 [2000]). Valores como solidariedade, cooperação comunitária e preservação da natureza precisam, efetivamente, ser identificados, valorizados e recriados cotidianamente, parafraseando Kropotkin (1982 [1885]), com mais liberdade e independência para o desenvolvimento intelectual e cultural.

A descoberta do território e sua relação com o desenvolvimento

Outrora já imaginamos, a partir do pequeno, porém instigante texto de Santos (1994), que o entendimento do território é “[...] fundamental para afastar o risco da alienação, o risco da perda do sentido da existência individual e coletiva, o risco de renúncia ao futuro” (p. 15). No entanto, não conseguíamos perceber mais claramente a amplitude da abordagem territorial no ensino, na pesquisa e na cooperação, aspecto que acreditamos compreender melhor nesta oportunidade, tanto em razão das pesquisas teórico-metodológicas, como em virtude das pesquisas empíricas e dos projetos de cooperação que já realizados. O próprio Milton Santos, no texto supracitado, alertara adequadamente que [o território] assumira o significado de retorno do território, formado de lugares contíguos e em rede, com uma dialética inerente ao uso humano, no qual as redes são comandadas pelo mercado. Ao mesmo tempo, a sede da resistência social está no lugar, fato que torna indispensável entender o território, pois este se reafirma pelo lugar por meio dos novos nacionalismos e localismos (SANTOS, 1994).

Lugar e território, portanto, estão ligados, embora sejam diferentes como conceitos e processos sociais e espaciais, consoante detalharemos mais adiante. Ocorre que, o mencionado retorno do território acontece, em nossa opinião, a partir dos anos 1960-70, de acordo com as singularidades dos diferentes países, consoante foi detalhado em Saquet (2007), que influenciou diretamente sua inserção como tema, conceito e processo em diferentes áreas do conhecimento.

O território torna-se mais difuso a partir dos anos 1970-80, com a chamada crise do fordismo e redescoberta dos distritos industriais marshallianos, que anunciou o pós-fordismo, por meio dos processos localizados e contextualizados territorialmente, caracterizando um movimento de re-emergência do território (RULLANI, 2003) também denominado, pelo mesmo economista, de redescoberta do território (RULLANI, 2003, 2005), de maneira similar como entendera Dematteis (1981 [1979]): ‘descoberta’ do território. O território é mediador na transição fordismo-pós-fordismo, introduzindo valor e vantagens competitivas (RULLANI, 2003), ao ponto que Storper (2003) chegou a afirmar que, no nascimento do paradigma heterodoxo, na década de 1970, interpretando-se a problemática do desenvolvimento, delineou-se uma nova ‘santa trindade’ da economia regional, com os elementos tecnológicos, organizativos e territoriais, internos e externos às fábricas, concentrados e dispersos, transcendendo a produção em contextos regionais.

É importantíssimo notar, também, que Dematteis (1981 [1979]) identificara esse movimento já na década de 1970, registrando-o e analisando-o a partir da luta de classes que ocorrera na Itália, nos anos 1968-69, ou seja, de uma práxis dos operários. Estes últimos e alguns intelectuais e sindicalistas da época descobrem a importância da organização territorial, dentro e fora da fábrica, por meio das relações sociais estabelecidas histórica e geograficamente. “A contradição fundamental do modo de produção capitalista passa também pelo território: este resulta central no jogo estratégico do conflito entre classes sociais” (DEMATTEIS, 1981 [1979], p. 137; grifo do original).

A greve foi transformada numa luta pelo território a partir do seu conhecimento, transpassando a fábrica, ampliando-se para o entendimento, por exemplo, dos conselhos de zona, atuando articulados territorialmente e servindo de base para a luta, a partir da proximidade espacial entre os sujeitos e da sua concomitante organização em nível nacional. O território significou e significa, portanto, em distintas situações espaciais e temporais, uma condição local da luta de classes, aspecto por nós evidenciado em Saquet (2007, 2016a, 2017b), quando revelamos o movimento de expansão do debate territorial no Brasil e em outros países da Europa, tanto no âmbito acadêmico e científico, como em relação à definição de algumas políticas públicas e no debate e interpretação dos produtos de identidade territorial.

Sucintamente, a problemática do desenvolvimento e a diferenciação espacial estão na base da emergência da análise territorial (BAGNASCO, 1978; SAQUET, 2007). A partir do final dos anos 1970, altera-se o modo de ver, compreender e atuar no território, evidenciando-se as singularidades, as diferenças entre os territórios, suas identidades e a participação popular.

Na relação identidade-território, que passa pela discussão do patrimônio dos lugares, há centralidade para formas antigas e atuais, imanentes à construção histórica de cada território, no campo e na cidade, constituindo objetivações que precisam ser estudadas e revitalizadas para o desenvolvimento local (DI MÉO, 1993). Para conhecer as singularidades territoriais e para valorizá-las como lugar de vida com identidade própria, é preciso investir no debate, na participação e no planejamento local (QUAINI, 2004), compreendendo os lugares para inventar o futuro (MAGNAGHI, 2000), com o significado concreto do retorno ao território (BECATTINI, 2009; MAGNAGHI, 2015), conforme detalharemos na sequência.

A descoberta do território ocorre justamente quando se coloca em cena a identidade distintiva do território, que o diferencia dos demais, induzindo-se sentimentos de pertencimento e partilha, juntamente com a própria gestão dos conflitos a partir da definição de interesses e objetivos comuns. Desse modo, o desenvolvimento é localizado, com características específicas, como argumenta Rullani (2003, 2005). “O desenvolvimento é um processo dinâmico que se entrelaça ao fazer-se e desfazer-se do território (RULLANI, 2005, p. 116). Esse movimento acontece na mente das pessoas, nas suas representações, mediações, apropriações, ancoragens, resistências, lutas etc., ao participarem, debaterem, e mobilizarem-se, sobretudo no âmbito local.

As premissas do desenvolvimento territorial de base local, ecológica e cultural

A partir do que expusemos anteriormente, acreditamos que seja possível identificar e socializar algumas premissas que parecem fundamentais para qualificar os processos de desenvolvimento com base na participação popular, no debate, na conservação da natureza e da cultura, nas relações de proximidade (principalmente na reciprocidade), na agroecologia, na artesanalidade etc.

A premissa inicial é a construção de um paradigma de análise territorial para interpretar as variedades de situações concretas que substantivam certa formação territorial e os processos de desenvolvimento (BAGNASCO, 1978), identificando limites, avanços, contradições, desigualdades, diferenças, cooperações, degradações, preservações, identidades etc., para subsidiar diretamente nossa participação em tais processos dialógicos, participativos, ecológicos e culturais.

A análise territorial, centrada no conceito de território com os significados que descrevemos resumidamente na Introdução deste texto, precisa envolver o paradigma reticular (CAMAGNI, 1993; CAMAGNI e SALONE, 1993), identificando-se, compreendendo-se e interpretando-se os diferentes tipos de redes (curtas, intermediárias e longas, concretas e virtuais, efêmeras e duradouras), tentando-se caracterizar as territorializações heterocentradas e autocentradas (TURCO, 1988, 2010) e potencializando-se as redes de cooperação e solidariedade ancoradas localmente e em processos ecológicos e culturais (SAQUET, 2017b).

No território e nas redes, as territorialidades estão sempre presentes e significam conflitos, contradições, luta de classes (relações de poder: alteridade e exterioridade), disputas territoriais (RAFFESTIN, 1977, 1993 [1980]; DEMATTEIS, 2001; DEMATTEIS e GOVERNA, 2005; SAQUET, 2007, 2015 [2011], 2017b) e, considerando o conteúdo político da concepção ora argumentada, há necessidade de criação e qualificação da territorialidade ativa (DEMATTEIS, 2001, 2008; GOVERNA, 2001; SAQUET, 2007, 2015 [2011], 2017b; SAQUET e SPOSITO, 2008; PUTTILLI, 2014) como cooperação voltada para o desenvolvimento por meio de uma práxis transformadora (dialógica, crítica e reflexiva) para satisfazer as necessidades das pessoas e conquistar o máximo possível de autonomia decisória (MARX, 1991; FREIRE, 2011 [1974], 2011 [1996]; VAZQUEZ, 1990 [1977]; BORDA, 2008[1999] ; DEMATTEIS, 1985, 1994, 1995, 1999, 2001; MAGNAGHI, 2000, 2009; DEMATTEIS e GOVERNA, 2003, 2005; GOVERNA, 2001; SAQUET e SPOSITO, 2008; RAFFESTIN, 1993 [1980]).

Aancrage (ancoragem) territorial (PECQUEUR e ZIMMERMANN, 2002, 2005; HAKMI e ZAOUAL, 2008; RICHEZ-BATTESTI, 2008; PIRES, FUINI, MANCINI e PICCOLI NETO, 2011; MAGNAGHI, 2015) ou rooted in place and context (SCOONES, 2009) ou arraigo (CHÁVEZ e SALCIDO, 2014; MARTINEZ e RIVERA, 2014; SALCIDO et al 2014; SANZ, 2014; HARGUINDEGUY, 2014; BARTRA, 2014a, 2014b; GIRARD, 2015), também tem centralidade nos vínculos locais e nas redes curtas. No nosso entendimento, estas últimas são as mais adequadas para o desenvolvimento territorial, ecológico e cultural, porque possibilitam as relações face-to-face, a diminuição dos custos dos transportes, a conquista da autonomia decisória, a venda direta dos produtos agroecológicos, a valorização dos saberes locais e das relações de confiança, consoante verificamos no Projeto Vida na Roça (PVR) e no Projeto Vida no Bairro (PVB) - supracitados -, bem como demonstramos empiricamente em Saquet (2017b).

Aqui, é importante abrir um parênteses, evidenciando que a ancoragem fora revelada anteriormente por Becattini (2000 [1989]), pois: a) envolve uma comunidade de pessoas e um conjunto de empresas que se influenciam; b) requer empresas fornecedoras e consumidoras, numa rede local de transações especializadas em certos produtos também vinculados às redes mundiais; c) ocorre num processo de potencialização das características específicas e da comunidade local (famílias, mercado, empresas, escolas, igrejas, prefeituras e partidos políticos), pois esta está diretamente relacionada à valorização dos vínculos locais.

Estes aspectos também foram identificados e explicados por Bagnasco (1977, 1988), embora por meio de outra concepção e abordagem: no desenvolvimento territorial há conexões produtivas no território, vínculos, tradições, relações de confiança, reconhecimento e identidade entre empresas dependentes entre si; sistemas dispersos e articulados; especialização produtiva e agregação territorial; formas sociais e culturais específicas de produzir, continuadas incorporando inovações técnicas e tecnológicas.

Desse modo, juntamente com a ancoragem, há de se destacar a importância dos circuits courts, entendidos como proximidade geográfica e institucional (CHAFFOTTE e CHIFFOLEAU, 2007; AUBRY e CHIFFOLEAU, 2009; DELHOMMEAU, 2009; DAROLT, 2013; CHÁVEZ e SALCIDO, 2014; SALCIDO et al 2014; SANZ, 2014) ou filière local (SANZ, 2014) ou filiere corte (BELLIGGIANO e DE RUBERTIS, 2012; DANSERO e PUTTILLI, 2013; FORNO e MAURANO, 2016) ou ainda como short-circuiting (RENTING, MARSDEN e BANKS, 2003), justamente como uma das principais formas para valorizar as pessoas, os produtos, as identidades culturais e as informações de cada lugar e território, por meio de um constante processo de (in)formação, mobilização, luta e resistência aos agentes hegemônicos política e economicamente. A proximidade pode gerar eixos de ação úteis para os camponeses, por exemplo, favorecendo lógicas endógenas de desenvolvimento, bem como a recuperação ou reativação das práticas de cooperação e solidariedade (GODOY, 2016).

Ter consciência do inacabamento e humildade (FREIRE, 2011 [1996]) também é fundamental para nossa qualificação, mobilização, luta e resistência política, ecológica e cultural. Somos seres em constante transformação; não há técnica nem conhecimento pronto, definitivo, nem uma verdade, uma teoria, uma concepção, um único modo de pesquisar, ensinar e atuar no desenvolvimento. Quando temos consciência do inacabamento, podemos aprofundar os debates, as pesquisas, as aulas, renovar técnicas e concepções, ir além do que fizemos aproveitando e valorizando o que já fora realizado por outros, num movimento contínuo de superação a partir dos saltos quantitativos e qualitativos (LEFEBVRE, 1995 [1969]), identificando, compreendendo, valorizando e potencializando a auto-organização e a autogestão (DEMATTEIS, 1985, 1994, 1995, 2001; MAGNAGHI, 2000, 2009, 2011). Movimento concretizado sem abrir mão de um Estado atuando intensamente em suas atribuições sociais e, ao mesmo tempo, contribuindo direta, consistente e permanentemente para a formação e/ou qualificação da consciência de classe e de lugar, como premissa e processo impulsionador da participação popular, da territorialidade ativa, da autonomia decisória, da auto-organização e da autogestão do desenvolvimento territorial de base local, ecológica e cultural, como sintetizamos nesta oportunidade.

A consciência de classe e de lugar no desenvolvimento territorial

Acreditamos que esses paradigmas da análise territorial, histórica e reticular, da proximidade e da ancoragem, bem como da práxis de transformação social e territorial centrada na auto-organização e na autogestão, sem desconsiderar o Estado, podem ser operacionalizados no ensino, na pesquisa e na cooperação voltada para o desenvolvimento com justiça social e preservação da natureza em cada relação espaço-tempo e território-lugar.

Desse modo, o território-lugar (SALVATORI, 2003; SAQUET, 2007, 2015 [2011], 2014a, 2017b) também assume centralidade, entendido como espaço-tempo onde o povo vive, sente, percebe, respira, aspira, sofre, interage (social e social-naturalmente), reconhece, luta, resiste, degrada, preserva; onde é extorquido, explorado, subordinado e pode reordenar as relações de poder para viver de maneira mais simétrica (RAFFESTIN, 1977 ; MAGNAGHI, 1976, 1990, 2000, 2003, 2009, 2011, 2015; DEMATTEIS, 1985, 1994, 1995, 1999, 2001; SANTOS, 1996; CARLOS, 1996; GOVERNA, 2001; TURRI, 2002; CAMAGNI, 1993, 1997; QUAINI, 2004, 2006, 2010; RULLANI, 1997, 2009; RULLANI, MICELLI e DI MARIA, 2000; SPOSITO, 2004).

O território, como o lugar, contém relações sociais e relações sociedade-natureza, conexões e redes, relações e significados plurais, além da produção econômica, natureza, apropriação, identidade e patrimônio cultural (DEMATTEIS e GOVERNA, 2005; SAQUET, 2007), porém, não são conceitos sinônimos. Ao mesmo tempo, os lugares têm qualidades territoriais: a territorialização e as territorialidades geram os lugares como uma das suas configurações históricas que precisam ser compreendidas, representadas e explicadas juntamente com o território (TURCO, 2010). Como afirma o economista italiano Enzo Rullani, a dinâmica econômica, universalizando-se, ocupa-se de culturas nacionais, das especificidades territoriais e das variantes locais ligadas à vida cotidiana.

O território reúne, no lugar, comunidade, instituições, economia e natureza, num tecido de interações pessoais e sociais, com inteligência e enraizamento (RULLANI, 2003); corresponde à terra e, sobretudo, à história dos homens que habitam os lugares, à prática social e ao conhecimento acumulado (RULLANI, 2005). Cada lugar precisa, assim, ser pensado como específico numa rede de lugares conexos territorialmente (RULLANI, 1997), sendo diferenciado, epistemológica e ontologicamente, do território (SAQUET, 2005, 2009, 2013, 2015 [2011], 2017a, 2017b).

O território [...] se faz e se desfaz, cada dia, por meio do agir dos homens e da força da evolução natural e social. [...] Cruzamento de muitas histórias e de muitos projetos que interagem entre si no lugar e no momento da partilha (RULLANI, 2005, p. 111; grifo do original).

O território, simultaneamente, contém a natureza da pluralidade dos lugares, (BECATTINI, 2009 [2002] ). E essa compreensão do território-lugar é imprescindível para o entendimento da consciência de classe e de lugar, sem a costumeira separação entre sociedade e natureza, tempo e espaço, território e lugar, influenciando a práxis de transformação social e territorial em favor do povo, das suas necessidades, aspirações e dos seus desejos. O processo de (in)formação da consciência de classe e de lugar influencia a compreensão do território-lugar, do seu reordenamento com justiça social e, ao mesmo tempo, a relação território-lugar possibilita uma ampla e complexa compreensão dos processos de qualificação da consciência de classe e de lugar, no constante movimento de construção popular do desenvolvimento de base local, ecológica, cultural, dialógica e reflexiva.

A práxis, já mencionada, precisa considerar o sentido de pertencimento a uma classe social e a um lugar (HARVEY, 1982; BECATTINI, 2000 [1989], 2000, 2009, 2015; MAGNAGHI, 2000, 2006, 2009, 2011, 2013, 2015; LUSSAULT, 2009; QUAINI, 2010; BECATTINI e MAGNAGHI, 2015; SAQUET, 2015 [2011], 2013, 2014a, 2014b, 2014c, 2014d, 2016a, 2017a, 2017b) num movimento contrário à reprodução ampliada do capital, à degradação ambiental etc. A formação e/ou qualificação da consciência nas dimensões de classe e de lugar ocorre, por exemplo, quando um operário têxtil se sente e vive como operário italiano e sobretudo como italiano; podemos pensar no professor universitário de Francisco Beltrão (Paraná, Brasil)-professor de Francisco Beltrão-beltronense ou, ainda, no camponês ecológico ou convencional de Ampére(PR)-camponês de Ampére-amperense. É preciso sentir-se membro de um grupo e de uma classe social e, ao mesmo tempo, de um lugar, participando ativamente dos espaços de debate, reflexão, organização, mobilização, luta e resistência política, cooperando na resolução dos problemas (econômicos, políticos, culturais e ambientais) de cada lugar e território, como fizemos no PVB e no PVR.

A consciência de lugar é vital para a identificação e participação social, para a reprodução do lugar como espaço de convivência com relações comunitárias, podendo significar um possível antídoto à globalização econômica (BECATTINI e MAGNAGHI, 2015). Ao que parece, Lênin (1988 [1905]) já tivera, a partir da teoria do valor de Marx, noção da importância da consciência de lugar, intimamente vinculada à consciência de classe, ao proclamar a necessidade de união/associação entre os operários, da cidade, e os camponeses pobres, do campo. Essa união é entendida como uma condição fundamental da luta contra a miséria, contra o poder do dinheiro (grifos do original) e dos latifundiários: consciência da classe pobre e trabalhadora, do campo e da cidade, unida, informada, mobilizada e lutando.

A consciência de classe, portanto, tem um conteúdo diretamente vinculado às condições materiais, às ações políticas e aos conflitos entre classes (MARX e ENGELS, 1991). Desse modo, as ações políticas precisam ser, necessariamente, revolucionárias e contra a burguesia; é necessário formar uma consciência de classe e dos antagonismos, dos sujeitos e projetos, na luta como movimento contra a ordem vigente, subordinadora, acumuladora e excludente (MARX e ENGELS, 1998).

Há, obviamente, tendências globais homogeneizantes, com severos impactos ambientais e sociais que podem ser subvertidas por meio dos esforços locais, no ensino, na pesquisa e na ação/extensão/cooperação, inspirados e concretizados em valores efetivamente mais humanos e ecológicos, contribuindo para construir um ethos emancipatório (BORDA, 2008 [1999]).

Acreditamos, portanto, que a formação e/ou qualificação da consciência de classe e de lugar é, ao mesmo tempo, fundamental para a construção de um paradigma contra-hegemônico , de pesquisa, ensino e cooperação, com o significado trabalhado por Sánchez (2014), Harguindeguy (2014), Hidalgo e Fernandez (2012), Quijano (2000), Bartra (2014a, 2014b), Teubal (2008, 2011), Borda e Mora-Osejo (2004), Reyes (2009) e Lizárraga e Vacaflores (2014), para tentar romper com as castrações intelectuais e com o colonialismo perpetuado por paradigmas dominantes e eurocêntricos (QUIJANO, 2000; BORDA e MORA-OSEJO, 2004; TEUBAL, 2011), contribuindo para superar o ethos explorador e opressivo que saturou o mundo (BORDA, 2008 [1999]).

A construção do paradigma contra-hegemônico precisa ser, necessariamente, participativa e dialógica, reflexiva, envolvendo e valorizando as diferenças, as desigualdades e as identidades de cada lugar e território, sem se desligar do mundo, porém, destacando-se as relações próximas, a solidariedade, a cultura popular, a ancoragem, a artesanalidade, as práticas agroecológicas, as condições edafoclimáticas específicas de cada ecossistema etc.

[...] As gentes comuns merecem conhecer mais sobre suas próprias condições vitais para defender seus interesses [...]. (BORDA, 2008 [1999], p. 4).

Temos que potencializar tal interação com o conhecimento da nossa história, nossas realidades geográficas, dos nossos recursos de tal modo que resultem valores compartidos, geradores de solidariedade e fortalecedores da nossa identidade cultural. (BORDA e MORA-OSEJO, 2004, p. 5).

Tratando-se, fundamentalmente, de reconstruir consciência de lugar, coesão social e solidariedade entre os homens, desintegrados há décadas pelo mercado selvagem, nós vemos uma possível solução de retorno à responsabilidade dos habitantes dos lugares, fazendo prevalecer o princípio territorial sobre o funcional, por meio do retorno ao território. (BECATTINI e MAGNAGHI, 2015, p. 221).

Esse movimento pode ser entendido como retorno ao território , com o significado propugnado por Becattini (2009), Magnaghi (2015) e Becattini e Magnaghi (2015), ou como elogio dos lugares, por Quaini (2004), na perspectiva da identificação, compreensão, representação, interpretação, valorização e potencialização das singularidades (sociais e naturais) de cada lugar-território. “O desenvolvimento das redes criou as condições favoráveis para a redescoberta do valor crítico do território, que adensa muitas redes num único lugar, coligando os seus significados à unidade da sua história, das suas ideias, dos seus habitantes” (RULLANI, 2009, p. 148).

A reemergência da dimensão territorial e das suas variantes locais, consoante já mencionamos, juntamente com os distintos significados enraizados no mundo da vida, estão diretamente vinculados à revalorização do enraizamento local, facilitando-se o acesso às forças específicas e às variedades culturais de cada lugar, fazendo-se parte dele e dos seus significados territorialmente definidos (RULLANI, 1997). “A dimensão local contém os processos de aprendizagem e sedimentação de um lugar, quando o conhecimento produzido permanece embedded no contexto e é reusado no tempo [...]”. (RULLANI, 1997, p. 89; grifos do original).

Esse processo de retorno ao território requer a identificação, explicação e valorização da ancoragem, da proximidade (redes curtas), dos vínculos, do pertencimento, da autogestão e, ao mesmo tempo, a centralidade da consciência de classe e de lugar como mediação fundamental na luta cotidiana e na construção do desenvolvimento territorial (Figuras 1 e 2). A consciência de classe e de lugar condiciona o retorno ao território e, este último influencia a qualificação da consciência de classe e de lugar. As redes de partilha e cooperação podem significar sinergias de desenvolvimento (RULLANI, MICELLI e DI MARIA, 2000), gerando cada vez mais colaboração a partir das contradições sociais (MAGNAGHI, 1995, 2000, 2003), nos espaços urbanos e rurais.

Enraizamento é um conceito denso e complexo no qual identifico três dimensões temporais complementares: passado, presente e futuro. Profundidade histórica, densidade organizativa e capacidade de organização do projeto são fatores que se combinam no enraizamento; o recurso mais poderoso dos movimentos territoriais. [...] Sem raízes, organização e esperança, quer dizer, sem enraizamento, não tem muito o que fazer. (BARTRA, 2014a, p. 39).

Isso também requer uma concepção (de pesquisa e cooperação) que reconheça efetivamente as relações sociedade-natureza e território-lugar, efetivadas com a nossa participação direta e sistemática em processos de desenvolvimento no sentido que descrevemos sucintamente neste texto e detalhamos em outras obras (SAQUET, 2015 [2011], 2013, 2014a, 2014b, 2016b, 2017a; SAQUET, CANDIOTTO e DANSERO, 2012; SAQUET e ALVES, 2014, 2015).

Figura 1 Síntese da relação existente entre os paradigmas destacados, consciência de classe, de lugar e desenvolvimento territorial. Elaboração de Marcos Saquet, 2017-18. 

Figura 2 Síntese da relação existente entre reciprocidade, confiança, auto-organização, práxis, luta e resistência no desenvolvimento territorial. Elaboração de Marcos Saquet, 2017-18. 

Isso pode parecer utópico ou simplesmente uma propaganda de uma abordagem e concepção que está sendo construída ao longo dos anos por meio das nossas atividades de ensino, pesquisa e cooperação. Porém, muito mais do que isso, é resultado da nossa prática cotidiana, reconhecendo, evidentemente, os limites e as dificuldades que temos todos os dias ao trabalhar contra a classe hegemônica, contra os grupos dominantes, dentro e fora da Universidade. Os desafios são múltiplos, econômicos, políticos e culturais, vinculados à reprodução do status quo e da concomitante dominação social.

Assim como Freire (2011 [1996]), somos a favor da ética que condena o cinismo e a exploração das pessoas, o golpe contra os fracos soterrando as utopias e a criatividade. Não basta dominar determinadas técnicas de pesquisa, procedimentos didáticos e certos conteúdos repassados ano após ano como se fossem modelos absolutos. Requer-se conhecimento dos conteúdos, dos métodos e das técnicas de pesquisa e cooperação, das práticas pedagógicas, e, ao mesmo tempo, de uma práxis ética e profissional, respeitosa e dialógica. Aprender significa ensinar criativa, dialógica e participativamente, lutar e atuar diretamente em projetos de desenvolvimento voltados para melhorar a qualidade de vida do povo, tentando construir uma sociedade mais justa e ecológica, no nível de cada território.

E uma das maneiras para superar o nível utópico é reconhecer, valorizar e potencializar justamente as relações de reciprocidade, a ancoragem, as redes curtas, a consciência de classe e de lugar no âmbito escalar e de vida das comunidades, como alertara coerentemente Funes (1981), passando da utopia para o nível da utopia concreta e realizável pelos sujeitos de cada território e lugar, como fizemos ao longo do tempo trabalhando com camponeses e cidadãos simples e humildes do Paraná.

Por fim, acreditamos que esta síntese pode ser utilizada em estudos urbanos e rurais (Quadro 1), para orientação tanto da pesquisa científica como da realização de projetos de cooperação e desenvolvimento territorial de base local, ecológica e cultural. Para tal, inspiramo-nos em Marx (1984, 1985, 1991, 2005), Marx e Engels (1991), Quaini (2010, 2011), Dematteis (1964, 1985, 1995, 2001), Raffestin (1977, 1993 [1980], 1984, 2003, 2005, 2009), Santos (1996), Magnaghi (1976, 2000, 2006, 2009, 2015), Indovina e Calabi (1974), Deleuze e Guattari (1976 [1972]), Bagnasco (1977, 1978), Turco (1988, 2010), Thompson (1998 [1991]), Rullani, Micelli e Di Maria (2000), Pecqueur e Zimmermann (2002), Hakmi e Zaoual (2008), Richez-Battesti (2008), Scoones (2009), Camagni (1990, 1993, 1997), Saquet e Sposito (2008), Saquet (2003 [2001], 2007, 2009, 2015 [2011], 2013, 2014b, 2014c, 2016a, 2016b, 2017b), Saquet e Duarte (1996), Saquet e Flávio (2015) e Saquet e Alves (2015).

Quadro 1 Uma síntese para compreender o processo TDR numa concepção voltada para a cooperação e para o desenvolvimento territorial. Produção de Marcos Saquet, 2015-2017. 

Territorialização Desterritorialização Reterritorialização
Principais Características e Limites Principais Fatores e Impactos Gerados Principais Possibilidades e Retorno ao Território
Natureza inorgânica - Águas, solos, coberturas vegetais, geomorfologias, climas. - Transformações concentradoras, degradantes e poluidoras. - Áreas preservadas etc. - Precisam ser identificadas, debatidas e definidas em cada território ou rede de territórios, a partir das suas singularidades para os cultivos, criações e transformações artesanais e industriais, considerando os princípios da sustentabilidade ambiental.
Sujeitos, relações e classes - Classes e grupos sociais, objetivos, metas, ritmos e necessidades. - Comandos locais e regionais, disputas e conflitos. - Relações de confiança e reciprocidade. - Organizações e mobilizações. - Iniciativas econômicas. - Costumes e identidades. - Saber-fazer e artesanalidade. - Produtores ecológicos de alimentos. -Outras iniciativas ecológicas como na geração de energia. - Edificações (sobretudo com significado patrimonial), acordos, pactos, coligações, associações políticas, recreativas e culturais. - Cultivos agroquímicos. - Inovações tecnológicas utilizadas, financiamentos, subordinações etc. - Distintas inserções no mercado. - Ritmos acelerados de vida e grandes investimentos urbanos e rurais, comerciais, industriais e financeiros. - Precisam ser identificadas, debatidas e definidas em cada território ou rede de territórios: econômicas, políticas, culturais e ambientais, de acordo com as especificidades das famílias, dos grupos e das classes, valorizando-se os ritmos lentos e solidários, os saberes populares, as identidades, as proximidades, as redes curtas e as ancoragens. - Criação e/ou qualificação da consciência de classe e de lugar.
Mediadores (i)materiais - Estado: federal, estadual e municipal. - Empresas privadas e públicas. - Técnicas e tecnologias. - Conhecimento, saber popular e ciência. - Assistência técnica. - Associações. - ONGs. - Sindicatos. - Força de trabalho. - Movimentos sociais. - Edificações, projetos em vigor e previstos, níveis de contaminação da água, do solo e do subsolo (quando for o caso), formas de deposição dos desejos líquidos e sólidos, distribuição das terras e outros bens comuns, espaços públicos, qualidade da atuação e conquistas já conseguidas. - Grandes empresas privadas e públicas. - Mecanismos de gestão e políticas públicas etc. - Precisam ser identificadas, debatidas e definidas em cada território ou rede de territórios: econômicas, políticas, culturais e ambientais, valorizando-se a democracia, a participação social, a autonomia decisória, a reciprocidade, a autogestão, e a auto-organização. - O Estado precisa cumprir seus papéis constitucionais e sociais.
Práticas espaciais e temporais (i)materiais -Distintas apropriações temporárias e mais efetivas. - Propriedades, domínios, parcelamentos, delimitações, demarcações e especulações imobiliárias. - Diferentes ritmos de vida etc. - Organizações populares, associativas, cooperativas e solidárias de luta e resistência ao capital e ao Estado burguês. - Concentração da terra e demais meios de produção. -Transformações concentradoras, degradantes e poluidoras. - Expropriação dos trabalhadores e proprietários. -Ritmos acelerados de produção e vida. - Especulação imobiliária e financeira. - Precisam ser identificadas, debatidas e definidas em cada território ou rede de territórios: econômicas, políticas, culturais e ambientais, tendo em vista o desenvolvimento desejado, valorizando-se os ritmos lentos e solidários, juntamente com a preservação e conservação da natureza (humana e não humana). - Práxis de transformação e justiça social.
Identidades culturais - Frágeis e fortes vínculos com o lugar e com o território: ancoragem. - Pertencimento, afetividade e reconhecimento. - Mobilização, resistência e luta política. - Patrimônio histórico (edificações, saber-fazer, identidades, línguas, ritos, costumes etc.). - Cultura camponesa com incorporação das mudanças: coexistência de cooperação, solidariedade e mercado, no campo e na cidade. - Mudanças/rupturas e dissoluções. - Vínculos frágeis com o lugar de produção e vida cotidiana. - Avanços do consumo padronizado. - Avanços já conseguidos política e culturalmente, por exemplo, com produtos típicos, educação ambiental, bairros sustentáveis etc. - Resistência e luta. - Fortes vínculos territoriais: ancoragem. - Reprodução da cultura camponesa com incorporação de outros comportamentos e valores: coexistência de cooperação, solidariedade e mercado em redes curtas. - Renovação da identidade vinculada à consciência de classe e de lugar.
Redes locais, não locais e nós (em distintas escalas) - Continuidades espaciais (rurais-rurais; urbano-rurais; urbanas- urbanas). - Redes heterocentradas nacionais e internacionais. - Redes autocentradas tendencialmente locais e /ou regionais. - Comercialização solidária: mercado local e/ou regional. - Sinergias e reciprocidade: cooperação, solidariedade, associações para produzir, comercializar, festejar, enfim, para viver etc. - Transposição de limites com descontinuidades/rupturas. - Difusão e fluidez em longas e padronizadas redes de comercialização. - Redes heterocentradas tendencialmente nacionais e internacionais. - Iniciativas locais e/ou regionais na articulação público-privada etc. - Redes especulativas: mercantis, imobiliárias, industriais e financeiras. - Novas continuidades espaciais a partir das diferenças e identidades. - Redes autocentradas tendencialmente locais e/ou regionais. - Sinergias, ancoragem territorial e reciprocidade: cooperação, solidariedade, associações e sindicatos com identidades políticas e/ou econômicas e/ou culturais e/ou ambientais etc.

Desse modo, a pesquisa precisa ter um conteúdo político muito bem definido, com um caráter operativo (DEMATTEIS, 1994, 2001; BOZZANO, 2000; SAQUET, 2007; BIGNANTE, DANSERO e LODA, 2015), subsidiando direta e sistematicamente o planejamento, o debate, as ações, o acompanhamento, a avaliação e a ressignificação, sempre que necessária, dos processos de desenvolvimento territorial. Mais do que subsidiar, a pesquisa precisa ser participativa, pois a ciência é construída socialmente e, portanto, é necessário levar em consideração a construção de conhecimentos úteis para causas justas, descobrindo outros tipos de conhecimentos, como os dos indígenas e das outras gentes, gerando conhecimento mais completo e aplicável à realidade (BORDA, 2008 [1999]).

Considerações finais

Nesse movimento permanente, acreditamos que a formação e/ou qualificação da consciência de classe e de lugar é central, juntamente com o retorno ao território construído por meio da pesquisa, do ensino e da cooperação, que serve de base para a ativação das territorialidades, da participação popular, da mobilização, da luta, da autogestão, do diálogo e da contra-hegemonia. Esta última precisa ser construída pelos habitantes do campo e da cidade, intelectuais, operários e camponeses, sindicalistas e governantes, brancos, mestiços, afrodescendentes e indígenas, de todas as cores, etnias e religiões.

Uma possibilidade concreta da práxis de transformação territorial com base na consciência de classe e de lugar está na temporalidade mais lenta, pois pode indicar uma alternativa de desenvolvimento, sem a racionalidade das grandes iniciativas produtivas, preservando a cultura e a natureza (SAQUET, 2003 [2001]; MARTINS, 2008), num mundo mais justo (SANTOS, 1996; FERNANDES, 2004), juntamente com as redes curtas, as práticas agroecológicas, a produção artesanal (comidas e objetos em geral), o pequeno comércio, a educação ambiental, a valorização da criatividade, da solidariedade, da simplicidade, da humildade etc. Que tal planejarmos e construímos condomínios móveis onde as casas possam ser deslocadas sobre trilhos, com motores elétricos, para mudar a localização conforme as estações do ano? Que tal debatermos e construirmos cidades sem as demarcações e apropriações privadas dos bairros e terrenos?

Outra possibilidade de práxis, nos termos que destacamos neste texto, pode acontecer a partir do encontro de saberes técnicos com as gentes (CORAGGIO, 2004 [2000]), num processo que podemos denominar de produção de inteligência territorial (TURCO, 1988; FOURNY, 2004; BOZZANO, 2012a, 2012b; GIRARDOT, 2004, 2012; SANZ, 2014), na qual se mobilizam as capacidades dos homens para dividir objetivos, riscos e conhecimentos (RULLANI, MICELLI e DI MARIA, 2000), como realizamos nos supracitados Projeto Vida no Bairro (PVB) e Projeto Vida na Roça (PVR).

O fato é que o conhecimento precisa ser construído na práxis, para melhorar nossa própria pesquisa e cooperação, bem como o ensino, qualificando-nos como sujeitos colaboradores dentro e fora da Universidade, por meio da participação popular, insistimos, como fizemos no PVR e no PVB. A pesquisa e a ação participantes necessitam ser encaradas como uma filosofia de vida, como muito bem afirmara Borda (2008 [1999]). Por que não reproduzimos, então, iniciativas como as do PVB e do PVR?

No PVR e no PVB, trabalhamos com distintos sujeitos a partir dos mesmos princípios (participação, interdisciplinaridade, agroecologia, diversificação das atividades produtivas e culturais, formação política continuada e solidariedade) e das mesmas práticas, nas pesquisas e nas ações, conseguindo resultados muito relevantes, inerentes à compreensão e atuação no desenvolvimento territorial - na época denominado comunitário -, numa perspectiva multidimensional: produção agropecuária (manejo florestal, pastagens, recursos hídricos e eliminação dos agrotóxicos); saúde e saneamento ambiental (família, habitação e infraestrutura); lazer e cultura (recreação, cursos e oficinas); educação (formal e informal); divulgação dos projetos com o envolvimento direto dos moradores da comunidade de Jacutinga e do Bairro São Francisco - Francisco Beltrão. Em ambos os projetos, as ações - participativas na pesquisa e na cooperação - visaram o desenvolvimento respeitando a natureza, a cultura e as necessidades mais imediatas das populações locais valorizando as singularidades territoriais e seus respectivos sujeitos e saberes.

Os princípios foram transformados em diretrizes e práticas, por meio das discussões feitas com os sujeitos de cada projeto, com as lideranças (das instituições, das “linhas” de Jacutinga e das ruas do Bairro São Francisco) e grupos de moradores. Debatemos e definimos em conjunto o jeito de trabalhar, devolvendo/apresentando/discutindo os dados coletados (com vistas a valorizar os sujeitos do campo e da cidade, bem como a construir uma sociedade mais justa e democrática); redigimos as análises, nas quais caracterizamos a situação atual dos estabelecimentos rurais, dos lotes urbanos e das famílias e estabelecemos as metas, as ações, o orçamento necessário e os responsáveis por cada atividade prevista e aprovada nas assembleias deliberativas; debatemos e definimos as ações prioritárias para os primeiros meses e anos de cada projeto; concretizamos estas ações, em conjunto, avaliando-as, identificando dificuldades, avanços conseguidos e prioridades para o futuro.

Evidentemente, há vários outros movimentos exitosos nessa perspectiva: em Cuba, com a produção de arroz popular para o autoabastecimento (MONZOTE, 2011); no México, com a fabricação do pan de fiesta de San Juan Huactzinco, num híbrido de inovação e conservação do sabor e do manejo, tentando manter a identidade repassada de geração em geração como patrimônio familiar (ELIZALDE e SÁNCHEZ, 2012); na Argentina, a revalorização do tomate platense resultou da ativação dos produtores e significa a reativação de um produto típico, por meio da reprodução de um saber-fazer inerente à identidade histórica e cultural platense (VELARDE, 2003).

Nas cidades, pode-se criar bairros de valor ambiental ou ecológicos (RACINE, 2009), valorizando-se o patrimônio cultural e estimulando uma cultura da sustentabilidade para a preservação do ambiente por meio de um processo educativo. Pode ser efetivada uma colaboração entre diferentes instituições associativas, governamentais e não-governamentais, para estabelecer as diretrizes e os princípios da iniciativa e sua concretização, estimulando o trabalho solidário das pessoas dos bairros envolvidos.

Reconhecemos, portanto, a centralidade, nas atividades cotidianas (econômicas, políticas, culturais e ambientais), da reciprocidade, com cooperação e solidariedade entre distintos sujeitos, famílias, grupos e classes, em territórios de existência, vida, luta e resistência (THOMPSON, 1998 [1991]; FERNANDES, 1996; BARTRA, 2014a; RODRÍGUEZ, LIZÁRRAGA e BÓRQUEZ, 2014).

Territórios e lugares onde o desenvolvimento contém mudanças e permanências, tradições e identidades, relações de pertencimento e confiança, redes de cooperação e especialização produtiva, ancoragens e proximidades, mercado e reciprocidade. O desenvolvimento significa um sistema de valores, instituições e vínculos, com um forte sentido de pertencimento à comunidade local (BECATTINI, 2000 [1989]), ou seja, de retorno e vida cotidiana em cada território e lugar.

Desse modo, identificamos, no povo, no pobre e humilde, juntamente com Funes (1981), uma potência ou um importante capital humano que pode ser mobilizado, no campo e na cidade, por meio de uma estratégia territorial endógena que, por sua vez, depende diretamente das decisões políticas para a construção de uma sociedade mais justa e menos desigual (MARTÍNEZ VALLE, 2007), a partir do local, do reconhecimento, do pertencimento, da territorialidade ativa, da consciência do inacabamento, da auto-organização e autogestão, da partilha, da sinergia e da consciência de classe e de lugar.

Quem sabe, assim, teremos mais condições de construir um pluriverso, com múltiplos mundos interconectados, diferentes, com novos valores (solidariedade e ética), auto-organização e confiança (ESCOBAR, 2012), nos termos que já experimentamos na pesquisa e na ação participantes, contribuindo direta e sistematicamente para produzir homens mais humanos, ecológicos, solidários e autônomos politicamente.

Agradecimentos

Agradecemos os financiamentos concedidos pelo CNPq (bolsa de produtividade em pesquisa e Edital Universal - 14/2013), pela Fundação Araucária (Edital Pesquisa Básica e Aplicada - 24/2012) e pelo Programa Universidade Sem Fronteiras - Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI/PR), entre 2009 e 2011.

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Recebido: 15 de Agosto de 2017; Aceito: 22 de Junho de 2018

Marcos Aurelio Saquet: Doutor em Geografia pela UNESP - Campus de Presidente Prudente, SP. Atualmente é professor nos cursos de graduação em Geografia da UNIOESTE (Bacharelado e Licenciatura), Campus de Francisco Beltrão - PR, bem como no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável da UNIOESTE, Campus de Marechal Cândido Rondon e no Programa de Pós-Graduação em Geografia da UNICENTRO - Guarapuava, PR. Pesquisador do CNPq. E-mail: saquetmarcos@hotmail.com.

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