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CoDAS

On-line version ISSN 2317-1782

CoDAS vol.30 no.4 São Paulo  2018  Epub July 30, 2018

https://doi.org/10.1590/2317-1782/20182017165 

Artigo Original

Limiares de audibilidade de altas frequências em indivíduos adultos normo-ouvintes

Sheila Jacques Oppitz1 

Luize Caroline Lima da Silva1 

Michele Vargas Garcia1 

Aron Ferreira da Silveira1 

1 Departamento de Fonoaudiologia, Universidade Federal de Santa Maria – UFSM - Santa Maria (RS), Brasil.


RESUMO

Objetivo

Avaliar os limiares auditivos nas altas frequências, buscando comparar as respostas entre as orelhas, verificar a correlação do nível de audibilidade com o aumento da idade e analisar as respostas por frequência para adultos normo-ouvintes.

Método

Este estudo foi prospectivo, quantitativo e transversal, com amostra por conveniência. Fizeram parte da amostra 60 sujeitos, com idade entre 18 e 58 anos, média de idade de 25,8 anos, com limiares auditivos dentro dos padrões de normalidade de 250 a 8000 Hz e normalidade de resultados nas medidas de imitância acústica. Para a pesquisa das altas frequências foi utilizado o equipamento de modelo AS10 HF da marca Interacoustics com fones de ouvido do tipo KOSS R/80 e com limiares expressos em dBNPS.

Resultados

Quanto aos limiares de audibilidade há um aumento para a orelha direita, com significância estatística em 10, 11 e 14 kHz e uma tendência à significância em 13 kHz, assim como a partir da frequência de 14 kHz há um aumento progressivo diretamente proporcional à frequência bilateralmente e quanto maior for a idade dos indivíduos, maiores serão os limiares para todas as frequências.

Conclusão

Os limiares de audibilidade de altas frequências tornam-se maiores com um aumento progressivo proporcional ao avanço de frequência e idade de indivíduos normo-ouvintes com valores mais elevados para a orelha direita.

Descritores Audição; Adulto; Limiar Auditivo; Audiometria; Normo-ouvintes

ABSTRACT

Purpose

Evaluate high-frequency auditory thresholds, seeking to compare responses between the ears, to verify the correlation between hearing level and aging and analyze frequency responses in normal hearing adults.

Methods

This is a prospective, quantitative, transversal study conducted with a convenience sample. Study participants were 60 individuals aged 18 to 58 years (mean=25.82) with auditory thresholds within normality standards (250-8000 Hz) and normal results in acoustic immittance measurements. High-frequency pure-tone hearing thresholds were determined using an Interacoustics AS10HF audiometer with electrodynamic high-fidelity KOSS R/80 headphones, with thresholds expressed in dBNPS.

Results

Hearing thresholds showed an increase for the right ear with statistical significance at the 10, 11 and 14 kHz frequencies and a tendency to significance at 13 kHz. As of the 14 kHz frequency, a progressive increase directly proportional to the frequency was observed bilaterally, with the thresholds increasing proportionally to age advancement for all frequencies.

Conclusion

High-frequency auditory thresholds progressively increase proportionally to frequency and age advancement in normal hearing individuals, with higher values ​​for the right ear.

Keywords Hearing; Adult; Auditory Threshold; Audiometry; Normal Hearing Individuals

INTRODUÇÃO

Os testes comportamentais visam avaliar o sistema auditivo desde sua porção periférica até a central e demonstram a resposta efetiva do sujeito a partir do que ele ouve. A Audiometria Tonal Liminar (ATL) é um procedimento comportamental, psicoacústico, padronizado para descrever a sensibilidade auditiva, chamada de audiometria convencional e testa as frequências entre 250 Hz e 8 kHz. O padrão de normalidade para a audiometria convencional é estabelecido a partir da média tritonal dos limiares das frequências de 500 Hz, 1 e 2 kHz menor que 25 dBNA(1,2).

Aliada à audiometria convencional no monitoramento da audição, encontra-se a Audiometria de Altas Frequências (AAF). Reconhecida desde a década de 60, mas pouco utilizada na prática clínica atualmente, possibilita avaliar os limiares auditivos tonais aéreos de 9 kHz a 20 kHz. Esta avaliação permite a verificação de alteração por lesão na base do ducto coclear, antes que ocorra acometimento das frequências testadas na audiometria convencional, assim como pode ser utilizada no monitoramento da audição de indivíduos sob risco de desenvolverem alterações auditivas, por serem as primeiras frequências a serem atingidas, auxiliando na detecção precoce de perdas auditivas induzidas por drogas ototóxicas, exposição prolongada a ruído, presbiacusia, sequelas de otites, entre outras.

A AAF também pode fornecer subsídios de dificuldades de compreensão de fala em ambientes ruidosos, devido as altas frequências serem necessárias para a decodificação dos sinais da fala, para a discriminação dos sons consonantais e para o reconhecimento de fala(3-5).

A importância desse estudo está centrada em que há pesquisas científicas utilizando AAF desde 1929, sendo Fletcher um dos pioneiros, introduzindo clinicamente no início da década de 60, mostrando que danos na audição não poderiam ser detectados apenas pela audiometria convencional (250 Hz a 8 kHz)(3). Embora a utilização da AAF tenha sido facilitada nos últimos anos, pelo fato de os audiômetros comercializados passarem a incorporar frequências superiores a 8 kHz(4,6), ainda é pouco utilizada por haver carência de consenso literário quanto aos resultados, tornando obscuro o conhecimento relacionado à normalidade e à alteração, os estudos evidenciam uma grande variação de metodologias aplicadas e, além disso, a maioria dos resultados já obtidos são respostas em nível de pressão sonora(7).

Diversos estudos alertam para o fato de que ainda não existe um consenso com relação aos padrões de calibração das altas frequências. Ocorrem diferenças na calibração dos equipamentos utilizados, nas metodologias empregadas, nos resultados encontrados e na sua interpretação, de acordo com a população estudada(8,9).

Dessa forma, torna-se fundamental a realização de mais estudos seriados e consistentes a respeito dos padrões dos limiares de audibilidade das altas frequências em indivíduos sem queixas audiológicas, nas diferentes faixas etárias. Diante dessas considerações, o presente trabalho se propõe a analisar os resultados dos limiares de audibilidade das altas frequências, em nível de pressão sonora, de indivíduos entre 18 e 58 anos sem queixas otológicas.

MÉTODO

Os procedimentos e avaliações foram realizados no ambulatório de Audiologia de um Hospital Universitário, contando com a colaboração de alunos de graduação do curso de Fonoaudiologia e pós-graduação. É um estudo prospectivo, transversal e quantitativo que foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o número 25933514.1.0000.5346.

Para compor a amostra, os indivíduos foram selecionados de acordo com os seguintes critérios de elegibilidade: compreensão dos procedimentos; idade entre 18 e 59 anos; limiares auditivos dentro dos limites da normalidade, ou seja, até 25 dBNA em todas as frequências da Audiometria Tonal Liminar Convencional (250 a 8000 Hz) em ambas as orelhas(1); curva timpanométrica tipo A e reflexos acústicos contralaterais presentes bilateralmente e sem queixas otológicas e audiológicas.

A amostra foi formada por conveniência, de acordo com os indivíduos já agendados no ambulatório de Audiologia. Todos os participantes assinaram o formulário de consentimento e autorizaram o uso de dados coletados após o esclarecimento com relação aos objetivos e procedimentos da pesquisa.

Após a aplicação dos critérios de inclusão aos sujeitos que participaram da pesquisa, a amostra ficou constituída de 60 sujeitos, sendo 11 do gênero masculino (18,3%) e 49 do gênero feminino (81,7%), com faixa etária entre 18 e 58 anos, com idade média de 25,8 anos (mediana = 23 e desvio padrão = 8,5).

Os voluntários participaram das seguintes avaliações:

Inspeção Visual do Meato Acústico Externo (IVMAE)

Com o objetivo de verificar a presença de cerúmen e/ou outros fatores que pudessem impedir ou alterar a passagem do som e consequentemente a realização do exame. Quando necessário, foi realizado o encaminhamento ao médico otorrinolaringologista.

Audiometria Tonal Liminar (ATL)

Para determinar os limiares auditivos por via aérea nas frequências de 0,25 a 8 kHz e por via óssea (quando necessário) nas frequências de 0,5 a 4 kHz, em cabina acústica (atendendo à norma ANSI S3.1-1991 de nível de ruído ambiental). Após posicionar o indivíduo dentro da cabina acústica com os fones devidamente colocados, foi solicitado que o mesmo levantasse uma das mãos ao ouvir o estímulo acústico, mesmo que este fosse fraco. No posicionamento do fone no ouvido, cuidou-se para obter uma colocação adequada para que não interferisse na precisão do exame devido às características de ressonância do meato acústico externo e ainda para evitar a possibilidade de colabamento do mesmo.

Logoaudiometria

Com o objetivo de determinar o Limiar de Reconhecimento de Fala (LRF) e o Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IPRF) de forma monoaural, sendo o LRF com listas de palavras dissilábicas e o IPRF com listas de palavras monossilábicas. Para o IPRF, acrescentou-se 40 dB da média das frequências de 500, 1000 e 2000 Hz, além da pesquisa do nível de conforto. Foi solicitado ao indivíduo que repetisse as palavras ditas pela pesquisadora da maneira que as tivesse entendido(10). Todos os exames audiológicos básicos foram realizados em cabine acústica com audiômetro clínico, de dois canais, da marca Otometrics, modelo Madsen Itera II, e fones auriculares tipo TDH-39P, marca Telephonics.

Medidas de Imitância Acústica (MIA)

Para verificar a integridade e funcionamento da orelha média e da via auditiva central (complexo olivar superior – reflexos estapedianos) foi realizada pelo analisador de orelha média da marca Interacoustics Modelo AT 235 e tom-sonda 226 Hz, para pesquisa da curva timpanométrica e dos reflexos acústicos. Estes foram pesquisados nas frequências de 500 a 4000 Hz bilateralmente, no modo contralateral. Foram incluídos na amostra somente indivíduos com curva timpanométrica tipo A(11) e reflexos acústicos contralaterais presentes.

Audiometria de altas frequências

Foram pesquisadas as frequências de 9 kHz a 18 kHz por meio do audiômetro de modelo AS10 HF da marca Interacoustics, com fones de ouvido do tipo KOSS e com limiares expressos em dBNPS. Foi realizado um treinamento prévio do sujeito para a realização do exame como feito na ATL. Houve o mesmo cuidado na colocação dos fones — cuidado com o posicionamento do fone no ouvido à fim de não interferir na precisão do exame devido às características de ressonância do meato acústico externo e ainda para evitar a possibilidade de colabamento do mesmo.

O estudo dos dados foi realizado por meio de análise estatística descritiva e de testes paramétricos e não paramétricos.

RESULTADOS

Não foi realizada soma e/ou agrupamento dos limiares de audibilidade. Assim, na figura 1 está representada a distribuição da amostra quanto ao gênero, na qual podemos ver maior incidência do gênero feminino.

Figura 1 Distribuição de gênero 

Na tabela 1 buscou-se verificar se há diferenças estatisticamente significantes entre orelhas para cada frequência pesquisada. Pode-se observar que a orelha direita possui limiares de audibilidade maiores que a orelha esquerda com significância estatística em 10, 11 e 14 kHz e uma tendência à significância em 13 kHz. Apesar de não haver diferença estatisticamente significante nas demais frequências, também foram apresentados maiores valores para a orelha direita.

Tabela 1 Comparação dos limiares de audibilidade por orelha 

Frequência de VA Média Mediana Desvio Padrão CV Min. Máx. N IC P-valor
9kHz OD 15,7 15 10,9 70% 0 45 60 2,8 0,263
OE 14,3 15 8,7 61% 0 40 60 2,2
10kHz OD 16,9 15 10,1 60% 0 65 60 2,6 0,016*
OE 13,9 15 9,5 68% 0 55 60 2,4
11kHz OD 9,6 5 12,4 129% 0 80 60 3,1 0,006*
OE 6,5 5 9,3 143% 0 55 60 2,3
12kHz OD 6,8 0 13,8 203% 0 85 60 3,5 0,156
OE 5,6 0 12,2 218% 0 75 60 3,1
13kHz OD 14,0 10 19,3 138% 0 115 60 4,9 0,092 **
OE 11,8 5 17,5 148% 0 95 60 4,4
14kHz OD 29,8 25 21,9 73% 0 115 60 5,5 0,028*
OE 26,5 20 21,7 82% 0 105 60 5,5
15kHz OD 34,3 30 23,3 68% 0 100 60 5,9 0,510
OE 33,1 25 24,2 73% 0 105 60 6,1
16kHz OD 45,6 45 21,3 47% 15 100 60 5,4 0,345
OE 43,8 37,5 25,1 57% 0 105 60 6,3
17kHz OD 58,3 57,5 22,5 39% 10 105 60 5,7 0,534
OE 57,2 55 23,1 40% 15 110 60 5,9
18kHz OD 70,6 75 21,1 30% 20 105 60 5,3 0,183
OE 68,3 70 19,4 28% 30 100 60 4,9

*Valores significativos (p ≤ 0,05);

** Tendência a ser significativo (até 5 pontos percentuais acima do valor do alfa adotado).

Legenda: OD: orelha direita; OE: orelha esquerda; kHz: quiloHertz; CV: coeficiente de variação; IC: intervalo de confiança;

Caracterizou-se a soma dos limiares de audibilidade para ambas as orelhas por frequência na tabela 2 . Observou-se que a partir da frequência de 14 kHz há um aumento progressivo dos limiares de audibilidade diretamente proporcional à frequência.

Tabela 2 Descritiva completa para frequência de VA 

Frequência de VA Média Mediana Desvio Padrão CV Q1 Q3 Min. Máx. N IC
9kHz 15,0 15 9,9 66% 10 20 0 45 120 1,8
10kHz 15,4 15 9,9 64% 10 20 0 65 120 1,8
11kHz 8,0 5 11,0 137% 0 10 0 80 120 2,0
12kHz 6,2 0 13,0 209% 0 5 0 85 120 2,3
13kHz 12,9 10 18,4 142% 0 16,25 0 115 120 3,3
14kHz 28,2 25 21,7 77% 15 40 0 115 120 3,9
15kHz 33,7 30 23,7 70% 15 50 0 105 120 4,2
16kHz 44,7 42,5 23,2 52% 25 60 0 105 120 4,1
17kHz 57,8 55 22,7 39% 40 75 10 110 120 4,1
18kHz 69,5 75 20,2 29% 55 85 20 105 120 3,6

Legenda: VA: Via aérea; kHz: quiloHertz; CV: coeficiente de variação; Q1: 1º quartil; Q3: 3º quartil; Min: mínimo; Max: máximo; N: número de indivíduos na amostra; IC: intervalo de confiança

Verificou-se na tabela 3 que quanto maior for a idade, maiores serão os limiares de audibilidade para todas as frequências, exceto para as 9 kHz e 10 kHz na orelha direita que tiverem uma tendência à significância.

Tabela 3 Correlação de faixas etárias com Intensidade de VA para a orelha direita  

OD Média Mediana Desvio Padrão CV Min. Máx. N IC P-valor
9kHz 18 a 30 anos 14,4 15 10,0 70% 0 40 49 2,8 0,055**
31 a 58 anos 21,4 20 13,4 63% 0 45 11 7,9
10kHz 18 a 30 anos 15,7 15 7,2 46% 0 30 49 2,0 0,051**
31 a 58 anos 22,3 20 17,8 80% 0 65 11 10,5
11kHz 18 a 30 anos 7,1 5 7,0 98% 0 30 49 2,0 0,001*
31 a 58 anos 20,5 15 22,6 111% 0 80 11 13,4
12kHz 18 a 30 anos 3,9 0 5,6 145% 0 25 49 1,6 <0,001*
31 a 58 anos 20,0 10 27,3 136% 0 85 11 16,1
13kHz 18 a 30 anos 9,9 5 10,4 105% 0 35 49 2,9 <0,001*
31 a 58 anos 32,3 20 35,0 109% 0 115 11 20,7
14kHz 18 a 30 anos 25,1 25 15,3 61% 0 70 49 4,3 <0,001*
31 a 58 anos 50,9 45 33,2 65% 10 115 11 19,6
15kHz 18 a 30 anos 29,1 25 17,1 59% 0 70 49 4,8 <0,001*
31 a 58 anos 57,7 55 32,4 56% 5 100 11 19,2
16kHz 18 a 30 anos 40,6 40 16,5 41% 15 75 49 4,6 <0,001*
31 a 58 anos 67,7 75 26,4 39% 25 100 11 15,6
17kHz 18 a 30 anos 54,2 55 19,0 35% 15 95 49 5,3 0,002*
31 a 58 anos 76,8 90 27,9 36% 10 105 11 16,5
18kHz 18 a 30 anos 67,3 70 20,6 31% 20 105 49 5,8 0,011*
31 a 58 anos 85,0 90 18,0 21% 50 100 11 10,7

*Valores significativos (p ≤ 0,05);

**Tendência a ser significativo

Legenda: VA: Via aérea; kHz: quilohertz; OD: orelha direita; CV: coeficiente de variação; Min: mínimo; Max: máximo; N: número de indivíduos na amostra; IC: intervalo de confiança

Verificou-se na tabela 4 que quanto maior for a idade, maiores serão os limiares de audibilidade para todas as frequências para a orelha esquerda. Em todos os testes fixou-se em 0,05 ou 5% o nível de rejeição na hipótese de nulidade, assinalando-se com um asterisco os valores significantes.

Tabela 4 Correlação de faixas etárias com Intensidade de VA para a orelha esquerda  

OE Média Mediana Desvio Padrão CV Min. Máx. N IC P-valor
9kHz 18 a 30 anos 13,2 10 8,2 62% 0 35 49 2,3 0,039*
31 a 58 anos 19,1 15 9,4 49% 5 40 11 5,6
10kHz 18 a 30 anos 12,4 15 7,0 56% 0 25 49 2,0 0,010*
31 a 58 anos 20,5 15 15,4 75% 5 55 11 9,1
11kHz 18 a 30 anos 4,6 5 5,6 121% 0 20 49 1,6 <0,001*
31 a 58 anos 15,0 10 16,1 107% 0 55 11 9,5
12kHz 18 a 30 anos 3,0 0 4,7 158% 0 20 49 1,3 <0,001*
31 a 58 anos 17,3 10 24,2 140% 0 75 11 14,3
13kHz 18 a 30 anos 8,6 5 9,0 105% 0 35 49 2,5 0,002*
31 a 58 anos 26,4 10 33,8 128% 0 95 11 20,0
14kHz 18 a 30 anos 21,0 20 14,4 68% 0 60 49 4,0 <0,001*
31 a 58 anos 50,9 50 31,1 61% 5 105 11 18,4
15kHz 18 a 30 anos 27,3 25 18,4 67% 0 65 49 5,2 <0,001*
31 a 58 anos 58,6 65 30,9 53% 15 105 11 18,3
16kHz 18 a 30 anos 37,9 30 20,6 55% 0 80 49 5,8 <0,001*
31 a 58 anos 70,5 75 26,6 38% 20 105 11 15,7
17kHz 18 a 30 anos 52,3 50 20,3 39% 15 95 49 5,7 <0,001*
31 a 58 anos 78,6 90 23,6 30% 40 110 11 13,9
18kHz 18 a 30 anos 64,3 65 17,8 28% 30 95 49 5,0 <0,001*
31 a 58 anos 86,4 95 16,1 19% 55 100 11 9,5

*Valores significativos (p ≤ 0,05)

Legenda: VA: Via aérea; kHz: quilohertz; OE: orelha esquerda; CV: coeficiente de variação; Min: mínimo; Max: máximo; N: número de indivíduos na amostra; IC: intervalo de confiança

DISCUSSÃO

Em relação ao perfil da amostra, pode-se verificar que dos 60 indivíduos, 49 (90%) eram do gênero feminino e 11 (10%) do masculino ( Figura 1 ). Esse fato vem sendo encontrado em diversas pesquisas com indivíduos jovens nas quais a casuística é composta por conveniência(9,12,13). Pinheiro, Viacava e Brito(14) coletaram uma amostra com 70% do gênero feminino e 30% do gênero masculino, afirmando que a maior ocorrência de mulheres na pesquisa de audiologia clínica pode se dar pelo fato de as mulheres procurarem com maior frequência o atendimento de saúde, o que pode ter contribuído para os resultados encontrados.

Apesar de a maior parte das amostras ser composta pelo gênero feminino, não há na literatura um consenso quanto à melhor qualidade auditiva das mulheres em comparação com a dos homens, porém o contrário ainda não foi observado em nenhum estudo. Além disso, não houve resultados estatisticamente significantes ao pesquisar limiares auditivos de altas frequências em ambos os gêneros em indivíduos adultos de 18 a 29 anos sem queixa auditiva(7). Assim como outro estudo que pesquisou a audiometria de altas frequências em adultos normo-ouvintes compôs sua amostra com 67% do gênero feminino e 33% do masculino(15).

Ao comparar os limiares de audibilidade entre a orelha direita e esquerda, neste estudo, foi possível observar que a orelha direita apresentou limiares maiores em todas as frequências, porém havendo diferença estatisticamente significante apenas nas frequências de 10, 11 e 14 kHz ( Tabela 1 ). Sá, Lima, Tomita, Frota, Santos e Garcia(7), ao realizar a mesma comparação em indivíduos entre 18 e 29 anos sem queixas otológicas, encontrou diferença estatisticamente significante nas frequências 11 e 12 kHz, corroborando parcialmente os resultados encontrados.

Outros autores(16,17) não encontraram em seus estudos diferença estatística quando compararam os limiares entre as orelhas. Ao pesquisar a diferença de limiares de audibilidade nas altas frequências de 14 indivíduos com queixa de zumbido e idade entre 19 a 56 anos, não foi observada diferença significante entre os limiares auditivos das orelhas direita e esquerda, bem como em relação à localização da queixa de zumbido(4). Com o objetivo de analisar e correlacionar os achados audiométricos de 9 a 16 kHz em 125 adolescentes com hábitos sonoros prejudiciais, verificaram que não há desigualdades entre as orelhas, assim como não houve influência nas altas frequências devido à exposição a altos níveis de pressão sonora(18). Ao avaliar se há diferenças entre orelhas em 74 indivíduos de 18 a 30 anos sem queixa auditiva, constataram que há ausência de diferença entre os limiares de audibilidade(6).

Verificou-se na tabela 2 que os valores de audibilidade aumentaram conforme o avanço da frequência pesquisada, mostrando maior sensibilidade a partir de 14 kHz. Corroborando os resultados encontrados, Carvallo, Koga, Carvalho e Ishida(6) estudaram 74 indivíduos com idade entre 18 e 30 anos sem queixa auditiva e confirmaram a tendência à piora dos limiares com o aumento da frequência.

Um estudo que analisou 187 sujeitos expostos ao ruído ocupacional e 52 sujeitos não expostos ao ruído referiu que, no grupo exposto ao ruído, os limiares auditivos tonais por audiometria de altas frequências foram mais elevados que os do grupo não exposto ao ruído, sendo mais acentuada a diferença nos limiares tonais da frequência de 14 kHz(19). Em outro estudo(20) também foi encontrada uma piora dos limiares auditivos tonais em ambas as orelhas conforme o aumento das altas frequências, sendo mais acentuada a partir de 14 kHz.

Zeigelboim, Oliveira, Marques e Jurkiewicz(15) realizaram audiometria de altas frequências em 30 indivíduos com audição normal, e ao comparar os limiares de audibilidade das frequências pesquisadas, observaram que, conforme o aumento da frequência, ocorreu um decréscimo da acuidade auditiva em ambas as orelhas e gêneros. No mesmo estudo, verificaram estabilidade nos níveis de audibilidade entre as frequências de 9 kHz a 12500 Hz, ocorrendo um declínio a partir da frequência de 14 kHz em ambas as orelhas.

Ao pesquisar a influência do zumbido em 30 indivíduos do gênero feminino com idades entre 19 a 56 anos, verificou-se que quanto mais alta a frequência pesquisada, pior era o limiar auditivo, tanto para o grupo com queixa de zumbido, quanto para o grupo controle (4). Portanto, corroborando os estudos supracitados, esse resultado é encontrado provavelmente devido à tonotopia coclear, pois quanto mais alta for a frequência, menor é a estimulação que chegará à região basal da cóclea responsável pela alta frequência.

Observou-se que em praticamente todas as frequências de ambas as orelhas existe diferença média estatisticamente significante com diminuição da sensibilidade para perceber e detectar o tom puro para a faixa etária de 31 a 58 anos ( Tabelas 3 e 4 ). As únicas exceções foram para as frequências de 9 kHz e 10 kHz na orelha direita ( Tabela 3 ). Assim, os limiares audiológicos nas altas frequências apresentaram-se maiores em indivíduos mais velhos, devido provavelmente à perda de sensibilidade auditiva pelo processo de envelhecimento auditivo. Silva e Feitosa(21) realizaram audiometria de altas frequências em 64 sujeitos, divididos em dois grupos, sendo um composto pela faixa etária de 25 a 35 anos e um segundo entre 45 e 55 anos e verificaram que quanto maior a idade, maiores serão as respostas nos limiares de audibilidade, sendo mais significativamente nas mais altas (8 a 16 kHz). O mesmo pode ser verificado por Figuerêdo e Corona(4) ao estudarem um grupo de 30 sujeitos de 19 a 56 anos, com limiares tonais na audiometria convencional normal. O grupo controle composto por sujeitos mais velhos apresentou interferência da idade sobre os limiares auditivos, sendo evidenciada uma diminuição da sensibilidade auditiva, com o aumento dos limiares em todas as frequências estatisticamente significativas.

Ao comparar idades e sensibilidade auditiva em 347 trabalhadores, foi verificado que aqueles com mais de 40 anos de idade tiveram a média da soma das respostas para a AAF significativamente maiores em comparação aos trabalhadores com até 40 anos(22).

Analisando a sensibilidade auditiva para altas frequências em 125 jovens de 12 a 17 anos com hábito sonoro prejudicial (aparelho MP3), verificou-se que não há relação entre exposição ao MP3 e limiares auditivos, e ao propor a divisão em faixas etárias de 12 a 14 anos e 15 a 17 anos constatou-se uma média de maiores limiares no grupo de indivíduos mais velhos para todas as frequências testadas, exceto em 11.200 Hz(18). Embora a caracterização de limiares de altas frequências por faixa etária na adolescência, mostrar respostas piores na faixa etária mais velha(23,24) não há concordância sobre o período exato do início dessa redução(25,26).

Com o objetivo de investigar os limiares de audibilidade em cirurgiões-dentistas, auxiliares e protéticos, foram avaliados 108 profissionais, com idade entre 17 e 59 anos. Para a avaliação audiológica convencional não foram identificados exames alterados para os três grupos testados, no entanto o exame da avaliação audiológica complementar como a audiometria de altas frequências indicou maior sensibilidade na detecção precoce de alterações auditivas, uma vez que a perda auditiva dessa população acomete as frequências que não são testadas nos exames convencionais(27).

O presente trabalho, seguindo os critérios clínicos de sensibilidade normal, identificou todos os participantes do estudo como indivíduos com limiares auditivos dentro do padrão de normalidade. A sensibilidade a altas frequências, no entanto, mostrou-se diminuída com o aumento da idade. Tais achados corroboram a literatura e indicam que a audiometria de alta frequência pode ser utilizada clinicamente para diagnóstico precoce do envelhecimento auditivo.

O fato de haver menor prevalência para perceber e detectar o tom puro nas altas frequências se explicaria em função da própria anatomia e da dinâmica de funcionamento da cóclea, a chamada tonopia coclear, citada neste estudo. Alguns estudos sugerem que nas altas frequências há maior sensibilidade auditiva, com o aumento da idade, do que nas frequências baixas(28,29). Tais achados corroboram a literatura e indicam que a audiometria de alta frequência pode ser utilizada clinicamente para diagnóstico clínico, devido ao fato de poder distinguir a sensibilidade auditiva entre jovens e adultos quando audiologicamente normais na audiometria convencional.

CONCLUSÃO

Foi possível analisar a resposta dos limiares de alta frequência em indivíduos normo-ouvintes entre 18 e 58 anos, e observar que quanto mais alta a frequência, pior é o limiar de audibilidade, sendo observado o mesmo em relação à idade, com maiores valores para a orelha direita.

Trabalho realizado no Departamento de Fonoaudiologia, Faculdade de Fonoaudiologia de Santa Maria, Universidade Federal de Santa Maria – UFSM - Santa Maria (RS), Brasil.

Fonte de financiamento: nada a declarar.

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Recebido: 12 de Agosto de 2017; Aceito: 27 de Novembro de 2017

Conflito de interesses: nada a declarar.

* Endereço para correspondência: Sheila Jacques Oppitz Universidade Federal de Santa Maria – UFSM Av. Roraima, 1000, Camobi, Santa Maria (RS), Brasil, CEP: 97105-900. E-mail: she_oppitz@hotmail.com

Contribuição dos autores SJO e LCLS participaram na elaboração do artigo, coleta de dados, análise dos dados e redação do artigo; MVG e AFS orientaram todas as etapas do trabalho e participaram na revisão e redação do artigo.

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