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CoDAS

versão On-line ISSN 2317-1782

CoDAS vol.31 no.5 São Paulo  2019  Epub 14-Out-2019

http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20192018299 

Artigo Original

Fonoaudiólogos Doutores no Brasil: perfil da formação no período de 1976 a 2017

Léslie Piccolotto Ferreira1 
http://orcid.org/0000-0002-3230-7248

Pablo Rodrigo Rocha Ferraz1 
http://orcid.org/0000-0003-4612-2612

Ana Carla Oliveira Garcia1 
http://orcid.org/0000-0003-4664-0073

Ana Regina Graner Falcão1 
http://orcid.org/0000-0001-5248-6493

Claudia Aparecida Ragusa-Mouradian1 
http://orcid.org/0000-0002-5902-1960

Elaine Herrero1 
http://orcid.org/0000-0003-3205-6087

Priscila Silva Passos1 
http://orcid.org/0000-0002-0520-899X

Silvia Napole Fichino1 
http://orcid.org/0000-0003-3794-1456

1Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP - São Paulo (SP), Brasil.

RESUMO

Objetivo

investigar, no grupo de fonoaudiólogos brasileiros titulados doutores, as variáveis sexo, ano de defesa da tese, tipo e localização da instituição de ensino, inserção do programa em que a tese foi desenvolvida e temática da mesma.

Método

os dados foram levantados por meio de consulta à Plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico − CNPq (1976-2017). Filtros foram acionados para seguir os critérios de inclusão: ter formação em Fonoaudiologia, ser brasileiro e ter se titulado doutor. As variáveis estabelecidas foram registradas no programa STATA/IC 14.2 e foi realizada análise descritiva dos dados e da tendência de crescimento do número de teses.

Resultados

dentre os 1.125 profissionais que compuseram a amostra, a maioria era do sexo feminino, titulou-se em instituição de ensino superior pública, localizada na região Sudeste, e defendeu temática em Programa pertencente à área de Ciências da Saúde, sobre Linguagem e Audiologia.

Conclusão

o perfil encontrado se assemelha a levantamentos realizados anteriormente e evidencia o contínuo crescimento significativo de fonoaudiólogos doutores, fato que garante a inserção do fonoaudiólogo em atividades de pesquisa e produção científica qualificada.

Descritores Fonoaudiologia; Ensino; Pesquisa; Indicadores de Produção Científica; Educação de Pós-Graduação

INTRODUÇÃO

Realizar um levantamento para conhecer o número de fonoaudiólogos brasileiros titulados doutores, para, na sequência, poder analisar alguns aspectos correlatos, sempre esteve presente entre as tarefas desenvolvidas por mim (Léslie) e a Profa. Dra. Ieda Chaves Pacheco Russo (in memoriam).

Até o presente momento, quatro estudos foram realizados. Iniciamos esse processo ainda no final da década de 1990, quando, por meio de levantamento que contou com a busca na Plataforma Lattes e nos Programas de Pós-Graduação da área, foram registradas 91 teses defendidas no período de 1976 ao início de 1998, em sua maioria por mulheres (96,7%). Um aumento significante foi detectado a partir da década de 1990 (83,5%), com maior porcentagem entre os que optaram por defender em Programas relacionados a Distúrbios da Comunicação (42,9%), na Universidade Federal de São Paulo (33%), sobre temáticas relacionadas a Audição e Equilíbrio (40,6%), e Linguagem (27,5%)(1).

Na tentativa de atualizar esses dados, considerando o início de 1998 até o final de 2003, novo levantamento foi realizado, quando foram registradas 203 teses defendidas por fonoaudiólogos. O perfil encontrado foi bem semelhante quanto à escolha de Programas relacionados a Distúrbios da Comunicação (42,4%), sobre temáticas relacionadas a Audição e Equilíbrio (40,3%), e Linguagem (37%). Neste artigo, além desses dados, foi apresentada uma discussão em que a área de Fonoaudiologia foi comparada às áreas de Fisioterapia, Educação Física e Psicologia. Dentro da própria Fonoaudiologia, alguns dados foram comparados, evidenciando diferenças entre a formação lato sensu e stricto sensu(2).

Novo levantamento, em 2010, em que todo o período foi considerado (1976 - 2008), apontou um total de 504 teses, sendo que 97,0% destas foram defendidas por mulheres, em maior número em instituições estaduais (47,62%), em programas inseridos na área de Ciências da Vida (57,54%), em especial sobre a temática Linguagem (34,52%). Nesse momento, foi realizada uma análise de regressão que evidenciou o crescimento do número de teses segundo o ano, sendo que tal tendência foi também registrada na escolha do Programa (88% da variabilidade nas áreas de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, e Ciências da Vida), defendidas em instituições públicas, mais particularmente, nas estaduais (p < 0,001) e sobre as áreas de Linguagem e Motricidade e Funções Orofaciais (p < 0,001)(3).

Para que essa análise não se perdesse, mesmo com o falecimento da Profa. Dra. Ieda e sem poder contar com a planilha original, uma nova coleta de dados foi feita em 2015, considerando o período de 2009 a 2013(4). Os dados registrados apontaram um total de 271 doutorados defendidos, que, somados aos anos anteriores, estimaram-se 775 doutores. Na análise do período, o perfil mais uma vez se manteve semelhante: maior número de defesas realizadas por mulheres (98,2%), em universidades públicas (79,7%), situadas na região Sudeste (69,4%), e de temática relacionada à Linguagem (35,1%). O aumento quanto à inserção de fonoaudiólogos em programas de pós-graduação não relacionados apenas à área de saúde (35,8%), refletiu, nesse momento, a ampliação dos diversos campos de atuação desse profissional.

A ampliação progressiva do número de doutores certamente influencia na maior quantidade e qualidade de pesquisas brasileiras, além de possibilitar a consolidação da área e a internacionalização dos envolvidos.

Conhecer o perfil de fonoaudiólogos brasileiros e doutores é fundamental para entender melhor o processo que está sendo estabelecido na formação da área, além de se constituir em indicador importante para analisar o amadurecimento da Fonoaudiologia no país. Esse tipo de pesquisa tem sido cada vez mais comum, sendo possível registrar fontes bibliográficas que destacam as possibilidades, em outras áreas, de uma avaliação institucional de ensino superior por meio do acompanhamento de alunos egressos(5), ou entender de que maneira as políticas públicas promovem o crescimento, a qualidade e a internacionalização das universidades(6), ou ainda identificar os campos científicos no Brasil que têm gerado novos conhecimentos, sua evolução, tendências e a relação entre a produção científica e o programa nacional de pós-graduação(7). Em especial na Fonoaudiologia, pode-se destacar o levantamento realizado em oito programas de pós-graduação brasileiros da área, a maioria destes localizados nas regiões Sul e Sudeste, que registrou a produção de diferentes tipologias documentais de 118 docentes. Concluiu-se que a área apresenta uma rede colaborativa significativa, evidenciando evolução da produção até o ano 2011(8).

O objetivo desta pesquisa foi investigar, no grupo de fonoaudiólogos brasileiros titulados doutores, as variáveis sexo, ano de defesa da tese, tipo e localização da instituição de ensino, inserção do programa em que a tese foi desenvolvida e a temática da mesma.

MÉTODO

Os dados foram levantados no dia 3 de abril de 2018 por meio de consulta à Plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Na página inicial, sessão “Buscar Currículo Lattes (Busca Simples)”, optou-se por assinalar, no “modo de busca”, a opção “Nome”; “Nas bases”, a opção “Doutores”, e na “Nacionalidade”, as opções “Brasileira e Estrangeira”. Na sessão “Tipo de Filtro”, assinalou-se a subseção “Atuação profissional”, na qual a busca foi restrita considerando os currículos, utilizando os descritores “Ciências da Saúde” para a subseção “Grande área”, e “Fonoaudiologia” para a subseção “Área”. Na leitura dos mesmos, verificou-se que outros profissionais, que apresentavam atividades relacionadas à Fonoaudiologia, faziam parte dessa lista. Assim, cada currículo foi acessado e foram considerados como critérios de inclusão ter formação em Fonoaudiologia, ser brasileiro e ter se titulado doutor.

O período de análise compreendeu os anos de 1976 (primeiro registro) a 2017. Foram identificados 1.333 registros. Destes, 208 foram excluídos por não se enquadrarem nos critérios para análise: 25 sem doutorado, 147 sem graduação em Fonoaudiologia, 18 não brasileiros, um duplicado, um sem perfil identificado e 16 defesas no ano de 2018. Restaram 1.125 teses elegíveis para análise.

As variáveis de estudo foram: sexo, tempo entre a graduação e o doutorado (em anos), tipo de instituição de ensino (Estadual, Federal, Particular ou Internacional), região geográfica da instituição (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul, Centro-Oeste ou outros países); país da instituição, área de conhecimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq (Ciências da Saúde, Ciências Humanas, Ciências Biológicas, Ciências Sociais, Ciências Exatas ou Linguística, Letras e Artes), áreas de atuação da Fonoaudiologia estabelecidas e reconhecidas pela Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (Audiologia, Disfagia, Fonoaudiologia Educacional, Linguagem, Motricidade Oral, Voz, Saúde Coletiva ou outros), ano de defesa da tese, período de defesa da tese (agrupamento dos anos de defesa − 1976 a 1992, 1993 a 1997, 1998 a 2002, 2003 a 2007, 2008 a 2012, 2013 a 2017).

Inicialmente, foi feita análise descritiva dos dados por meio de frequências absolutas e relativas. A tendência de crescimento do número de teses defendidas por ano foi avaliada por meio de modelos de regressão linear, quadrático (polinomial de grau 2) e exponencial, sendo que o modelo quadrático foi o que apresentou a melhor capacidade preditiva em todos os testes. O modelo de regressão quadrático considera a seguinte equação: y = a + bx + cx2, em que a variável dependente (Y) foi o número de teses e a variável independente (x) foi o ano de defesa. O ano inicial da análise foi padronizado por meio da subtração do primeiro ano avaliado, para que o ano 0 (zero) representasse o número de teses no primeiro ano da análise (1976). Para comparação do período de defesa da tese, segundo as demais variáveis, foi utilizado o teste de associação pelo qui-quadrado. Para esse último bloco de análises, foram considerados os quinquênios compreendidos entre 1998 e 2017, sendo que o período de 1976 a 1997 foi excluído em função do número pequeno de teses, o que, ao final, representou um total de 1.051 teses. Em todas as análises, foi considerada diferença estatisticamente significativa quando p<0,050. As análises foram realizadas utilizando o programa STATA/IC 14.2 e o gráfico foi feito por meio do programa Microsoft Excel 2016.

RESULTADOS

O período de análise compreendeu 42 anos (1976 a 2017) e 1.125 teses defendidas. A Tabela 1 registra que, entre os autores das teses, 96,4% eram do sexo feminino, e que a maior proporção deles (55,6%) defendeu a tese em um período entre 8,0 e 15,9 anos após a conclusão da graduação. Quanto à instituição de ensino, estas foram principalmente as Estaduais (41,5%) e Federais (40,2%), localizadas na região Sudeste (70,0%) e no Brasil (95,6%). A área de conhecimento mais frequente foi a de Ciências da Saúde (67,6%), sendo um quinto dos titulados em Programas de Distúrbios da Comunicação ou Fonoaudiologia (20,7%) e as áreas de atuação com maior volume de teses foram a Linguagem (35,2%) e a Audiologia (26,0%). Quanto ao período de conclusão, a quantidade de teses foi crescente ao longo dos anos, sendo que, nos dois últimos períodos, ocorreram as maiores proporções: 35,5% de 2013 a 2017 e 28,5% de 2008 a 2012.

Tabela 1 Distribuição das teses defendidas, segundo características dos autores, instituições de ensino, áreas de conhecimento e de atuação, e período de conclusão, por Fonoaudiólogos brasileiros (1976 a 2017) 

Variáveis Total
%
Sexo
Feminino 1.085 96,4
Masculino 40 3,6
Tempo entre graduação e doutorado (anos)
4,0 a 7,9 104 9,2
8,0 a 10,9 283 25,2
11 a 15,9 342 30,4
16,0 a 20,9 183 16,3
21,0 a 25,9 103 9,2
26,0 e mais 99 8,8
Não informado 11 1,0
Tipo de instituição de ensino
Estadual 452 40,2
Federal 467 41,5
Particular 157 14,0
Internacional 49 4,4
Região geográfica
Norte 4 0,4
Nordeste 119 10,6
Sudeste 787 70,0
Sul 141 12,5
Centro-Oeste 23 2,0
Outros países 49 4,4
Não informado 2 0,2
País
Alemanha 3 0,3
Argentina 14 1,2
Austrália 1 0,1
Brasil 1.075 95,6
Canadá 2 0,2
Chile 1 0,1
Estados Unidos da América 8 0,7
França 8 0,7
Inglaterra 2 0,2
Itália 1 0,1
Japão 1 0,1
Paraguai 3 0,3
Paraguai 5 0,4
Não informado 1 0,1
Área de conhecimento
Ciências da Saúde 761 67,6
Ciências Humanas 132 11,7
Ciências Biológicas 17 1,5
Ciências Sociais 3 0,3
Ciências Exatas 12 1,1
Linguística, Letras e Artes 200 17,8
Área de atuação
Audiologia (Audição e equilíbrio) 293 26,0
Disfagia 57 5,1
Fonoaudiologia Educacional 48 4,3
Linguagem 396 35,2
Motricidade Oral 96 8,5
Voz 104 9,2
Saúde Coletiva 67 6,0
Outros 64 5,7
Período (ano) de conclusão do doutorado
1976 a 1992 26 2,3
1993 a 1997 48 4,3
1998 a 2002 108 9,6
2003 a 2007 223 19,8
2008 a 2012 321 28,5
2013 a 2017 399 35,5
Total 1.125 100,0

A Figura 1 e a Tabela 2 evidenciam que houve aumento no número de teses defendidas durante o período de análise (1976 a 2017). O modelo quadrático predisse 94,1% da variabilidade do crescimento e este foi estatisticamente significativo (p<0,001), intensificando-se a partir da década de 2000. A Tabela 2 também ilustra o crescimento nas diferentes áreas de atuação da Fonoaudiologia, que foi estatisticamente significativo em todas elas (p<0,001), com maiores dispersões a partir da década de 2000. As áreas de Audiologia e Linguagem, que contaram com maiores volumes de teses, apresentaram os melhores ajustes, (respectivamente, 84,9% e 84,2% de variabilidade no crescimento). Para as demais áreas, a variabilidade no crescimento foi de 76,1% para a Saúde Coletiva, 74,2% para a Voz, 73,3% para a Motricidade Oral e 72,3% para o agrupamento de outras áreas. As áreas de Disfagia e Fonoaudiologia Educacional, que tiveram as menores quantidades de teses defendidas, apresentaram variabilidades de crescimento no período, respectivamente, de 59,7% e 59,9%.

Figura 1 Crescimento (ajustado por modelo de regressão quadrática) do número de teses defendidas por Fonoaudiólogos brasileiros (1976 a 2017) 

Tabela 2 Modelos de regressão quadrática para o número de teses defendidas, segundo área de atuação da Fonoaudiologia, por Fonoaudiólogos brasileiros (1976 a 2017) 

Área de atuação Nº teses Equação r2 p
Total (todas as áreas) 1.125 y = 1,18440,8403x +0,0755x2 0,9410 <0,001
Audiologia (Audição e Equilíbrio) 293 y = 0,5076 0,0021x + 0,0133x2 0,8492 <0,001
Disfagia 57 y = 0,57725 0,1697x + 0,0075x2 0,5970 <0,001
Fonoaudiologia Educacional 48 y = 0,1439 0,0553x + 0,0038x2 0,5992 <0,001
Linguagem 396 y = 0,8440 0,0110x + 0,0185x2 0,8416 <0,001
Motricidade Oral 96 y = 0,0109 0,0755x + 0,0068x2 0,7325 <0,001
Voz 104 y = 0,0675 0,0644x + 0,0066x2 0,7416 <0,001
Saúde Coletiva 67 y = 1,0156 0,2640x + 0,0106x2 0,7608 <0,001
Outras 64 y = 0,7427 0,1983x + 0,0085x2 0,7225 <0,001

A Tabela 3 registra que somente o sexo não esteve associado ao período de conclusão da tese (p=0,275). Quanto ao tempo entre a conclusão da graduação e da tese, observa-se que houve aumento na participação daqueles com menor tempo de intervalo (3,0 a 10,9 anos): aqueles com tempo entre 3,0 e 7,9 anos aumentaram de 6,5% e 7,2% nos períodos iniciais (1998 a 2002 e 2003 a 2007) para 10,3% e 11,3% nos períodos mais recentes (2008 a 2012 e 2013 a 2017). Aqueles com 8,0 a 10,9 anos saltaram de 16,7% e 20,2% nos períodos iniciais (1998 a 2002 e 2003 a 2007) para 31,8% e 26,8% nos períodos mais recentes (2008 a 2012 e 2013 a 2017). Essas mudanças foram estatisticamente significativas (p=0,013).

Tabela 3 Distribuição das teses defendidas, segundo características de interesse e período de conclusão da tese, por Fonoaudiólogos brasileiros (1998 a 2017) 

Variáveis 1998 a 2002 2003 a 2007 2008 a 2012 2013 a 2017 Total p*
% % % % %
Sexo
Feminino 107 99,1 214 96,0 312 97,2 381 95,5 1.014 96,5 0,275
Masculino 1 0,9 9 4,0 9 2,8 18 4,5 37 3,5
Tempo entre graduação e doutorado (anos)
3,0 a 7,9 7 6,5 16 7,2 33 10,3 45 11,3 101 9,6 0,013
8,0 a 10,9 18 16,7 45 20,2 102 31,8 107 26,8 272 25,9
11 a 15,9 39 36,1 70 31,4 86 26,8 118 29,6 313 29,8
16,0 a 20,9 16 14,8 49 22,0 40 12,5 58 14,5 163 15,5
21,0 a 25,9 14 13,0 23 10,3 28 8,7 29 7,3 94 8,9
26,0 e mais 10 9,3 19 8,5 28 8,7 41 10,3 98 9,3
Tipo de instituição de ensino
Estadual 41 38,0 121 54,3 144 44,9 124 31,1 430 40,9 <0,001
Federal 42 38,9 72 32,3 125 38,9 202 50,6 441 42,0
Particular 20 18,5 20 9,0 43 13,4 63 15,8 146 13,9
Internacional 5 4,6 10 4,5 9 2,8 10 2,5 34 3,2
Região geográfica
Norte 0 0,0 0 0,0 0 0,0 4 1,0 4 0,4 <0,001
Nordeste 0 0,0 19 8,5 44 13,7 56 14,0 119 11,3
Sudeste 101 93,5 171 76,7 228 71,0 230 57,6 730 69,5
Sul 2 1,9 21 9,4 32 10,0 84 21,1 139 13,2
Centro-Oeste 0 0,0 2 0,9 7 2,2 14 3,5 23 2,2
Outros países 5 4,6 10 4,5 9 2,8 10 2,5 34 3,2
Área de conhecimento
Ciências da Saúde 76 70,4 136 61,0 204 63,6 302 75,7 718 68,3 <0,001
Ciências Humanas 15 13,9 27 12,1 36 11,2 37 9,3 115 10,9
Linguística, Letras e Artes 15 13,9 52 23,3 75 23,4 44 11,0 186 17,7
Outras 2 1,9 8 3,6 6 1,9 16 4,0 32 3,0
Audiologia (Audição e Equilíbrio) 38 35,2 64 28,7 77 24,0 90 22,6 269 25,6 <0,001
Área de atuação
Disfagia 3 2,8 5 2,2 17 5,3 32 8,0 57 5,4
Fonoaudiologia Educacional 6 5,6 4 1,8 15 4,7 19 4,8 44 4,2
Linguagem 32 29,6 91 40,8 123 38,3 116 29,1 362 34,4
Motricidade Oral 6 5,6 23 10,3 29 9,0 34 8,5 92 8,8
Voz 17 15,7 16 7,2 28 8,7 37 9,3 98 9,3
Saúde Coletiva 2 1,9 11 4,9 15 4,7 39 9,8 67 6,4
Outros 4 3,7 9 4,0 17 5,3 32 8,0 62 5,9
Total 108 100,0 223 100,0 321 100,0 399 100,0 1.051 100,0

*Teste qui-quadrado. Obs.: totais em cada variável podem diferir de 100,0% em função de dados incompletos

Quanto ao tipo de instituição de ensino, apesar de as instituições Estaduais e Federais serem as principais responsáveis pela formação de doutores, ocorreram mudanças estatisticamente significativas ao longo do período (p<0,001), destacando-se a queda na participação das instituições internacionais (de 4,6% em 1998-2002 e 4,5% em 2003-2007, para 2,8% em 2008-2012 e 2,5% em 2013-2017) e um aumento da participação das instituições Federais, que chegou a 50,6% no quinquênio mais recente (2013-2017).

Quanto à região geográfica, também ocorreram diferenças estatisticamente significativas (p<0,001). A região Sudeste sempre foi preponderante em todos os períodos, mas apresentou queda na sua participação, principalmente pelo aumento de defesas na região Sul, que foi de 1,9% no primeiro quinquênio para 21,1% no último quinquênio. A região Centro-Oeste apresentou discreto aumento na participação, saindo de 0,0% no primeiro quinquênio para 3,5% no último quinquênio. A região Norte sempre teve o menor percentual de doutores formados, mostrando 1,0% de participação no período mais recente.

Também ocorreram diferenças estatisticamente significativas (p<0,001) quanto à área de conhecimento. A área de Ciências da Saúde sempre foi a mais representativa (68,3% em todo o período analisado). A área de Linguística, Letras e Artes teve suas maiores contribuições nos períodos de 2003 a 2007 (23,3%) e de 2008 a 2012 (23,4%), A área de Ciências Humanas teve uma diminuição na participação, caindo de 13,9% no primeiro quinquênio para 9,3% no último quinquênio. O grupo composto pelas demais áreas sempre teve a menor contribuição.

Quanto às áreas de atuação da Fonoaudiologia, houve grande variabilidade, em função do pequeno número de teses em algumas categoriais. Apesar disso, foram identificadas diferenças estatisticamente significativas (p<0,001). A área de Linguagem, que é a que teve maior participação em todo o período (34,4%), apresentou diminuição no último quinquênio, chegando a 29,1%, ou seja, menos do que em 1998 a 2002 (29,6%). Em seguida, vem a área de Audiologia, com 25,6% no período todo, e que apresentou quedas nos períodos mais recentes, de 2008 a 2012 (24,0%) e de 2013 a 2017 (22,6%). A área de Motricidade Oral apresentou uma elevação no período de 2003 a 2007, com queda nos períodos seguintes. Em contrapartida, houve crescimento das áreas de Disfagia (5,3% em 2008 a 2012 e 8,0% em 2013 a 2017), Fonoaudiologia Educacional (4,7% em 2008 a 2012 e 4,8% em 2013 a 2017), Saúde Coletiva (9,8% em 2013 a 2017), e no grupo formado pelas demais áreas (3,7% no primeiro quinquênio para 8,0% no último quinquênio).

DISCUSSÃO

Embora a dimensão histórica da divulgação de produção científica no Brasil seja objeto de um número cada vez maior de estudos acadêmicos nos últimos anos, a literatura disponível sobre o tema ainda é incompleta. Percebe-se que é possível compor um panorama apenas fragmentado da maneira como evoluíram ao longo dos anos as iniciativas realizadas no país para levar a ciência ao grande público, e esta pesquisa pretende ser uma contribuição para tal propagação.

Cabe destacar que a pós-graduação possui um papel relevante, pois permite o processo de pesquisa científica, potencializa a dimensão investigativa da profissão e, a partir de uma perspectiva baseada na teoria crítica, forma quadros profissionais(9).

Vale lembrar ainda que, em 1965, havia no Brasil 27 mestrados e 11 doutorados, e esses números sobem, 50 anos depois (2015), para 5.537 cursos de pós-graduação, sendo 1.905 doutorados, 3.105 mestrados e 527 mestrados profissionais(10), ou seja, a pós-graduação vem crescendo no Brasil, por conta das políticas implantadas para tal expansão.

Analisar o número de doutores de uma área tem sido um indicador tradicional para se compreender a capacitação científica(11) e, neste levantamento, foi possível registrar 1.125 doutores fonoaudiólogos, com evidência de um acréscimo de 45,1% quando comparado ao número total estimado em levantamento apresentado em estudo anterior(4). Melhor explicando: na pesquisa realizada por Paz, Carmo e Ferreira(4), foi apresentada apenas a atualização dos dados, considerando um período (2009-2013) e não a análise de todo o processo. Na época, o total correspondente ao tempo estudado foi de 271 teses, que somadas ao material apresentado em artigo anterior(3), estimou um total de 775 produções.

Ao ser utilizada a Plataforma Lattes, para levantamento dos dados desta pesquisa − mesmo tendo conhecimento de suas limitações quanto ao registro de dados −, partiu-se do pressuposto de que a maioria dos Programas de Pós-Graduação para elaborar seu relatório Sucupira (ferramenta utilizada para coletar informações, realizar análises e avaliações, e ser a base de referência do Sistema Nacional de Pós-Graduação) parte do registro de dados realizados no Lattes. Cada vez mais se obriga que os doutorandos mantenham as informações atualizadas e, dessa forma, a cada ano acredita-se ser possível realizar análises semelhantes à proposta neste artigo, mais fidedignas.

O crescimento numérico registrado nesta pesquisa parece ir na direção contrária à demonstrada em outro estudo referente à graduação em Fonoaudiologia(12). Os autores, ao analisarem dados referentes ao número de cursos, às vagas oferecidas, às matrículas efetivadas e aos profissionais egressos de universidades públicas e privadas no Brasil e no Chile, concluíram que, nas décadas de 1990 a 2010, houve grande crescimento do número de cursos e da oferta de vagas, mas uma diminuição na procura pelo curso de Fonoaudiologia, principalmente no Brasil a partir de 2008.

A Fonoaudiologia se constitui em profissão predominantemente feminina e tal fato também aparece no registro desta pesquisa, ao analisar a variável sexo (96,4%), e em anteriores, respectivamente, 98,2%(4) e 97,2%(3). A análise que associou a variável sexo e o período de conclusão da tese confirma a continuidade da presença da mulher em maior número nas defesas.

O tempo entre a graduação e o doutorado, para mais da metade dos analisados, variou entre 8,0 e 15,9 anos, e destaque deve ser dado ao fato de um quarto da amostra ter se titulado entre 8,0 e 10,9 anos, tempo esse próximo a finalizar a graduação e, na sequencia, fazer o mestrado (média 2 anos) e o doutorado (média 4 anos). O incentivo das Instituições de Ensino Superior − contando com apoio próprio ou advindo do CNPq para desenvolver projetos de Iniciação Científica e a obrigatoriedade de apresentar Trabalho de Conclusão de Curso, na maioria dos cursos de graduação − parece estar estimulando os fonoaudiólogos a seguirem nos programas de pós-graduação, após a finalização da graduação.

As novas normas determinadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), responsável pela avaliação dos Programas de Pós-Graduação, quanto ao menor tempo para defesa, assim como o fato de a maioria das agências de fomento ter aumentado, em determinados períodos, a oferta de bolsas parece também ter estimulado aqueles que querem dar continuidade à sua formação(13).

Nesta pesquisa, as instituições de ensino que titularam em maior número fonoaudiólogos foram principalmente as públicas (81,7%), dados esses semelhantes a levantamento apresentado em 2010 (81,1%) e em 2015(4), quando apenas um período foi analisado (79,7%). A análise de tendência evidencia um aumento no número das defesas nas instituições Federais, principalmente nos últimos cinco anos (53,5%). Esse movimento provavelmente deve-se ao fato do incentivo em nosso país para a abertura de instituições de ensino superior em nível federal e a consequente criação de Programas de Pós-Graduação.

Cabe destacar que, em relação à região, a Sudeste ainda se destaca (70,2%), semelhante à análise anterior (69,4%)(4). Contudo, na análise de tendência, a região Sul (12,6%) mostra evolução, certamente em função de dois Programas consolidados, que, desde os anos 1990, têm sido responsáveis pela formação de mestres e, na sequência, de doutores (Universidade Federal de Santa Maria, desde 1992, e Universidade Tuiuti do Paraná, desde 1998).

A região Centro-Oeste demonstra início discreto, marcado pelo registro principalmente de duas universidades: a Universidade de Brasília e a Universidade Federal de Goiás.

Certamente, esses números, referentes ao tipo de instituição e à localização das titulações, poderão sofrer modificações quando a próxima década vier a ser analisada, uma vez que recentemente foram aprovados pela CAPES novos Programas no Nordeste, em instituições públicas (Federais), num primeiro momento em nível de mestrado. A crescente oferta de Programas de Pós-Graduação em Fonoaudiologia, principalmente em instituições de ensino superior públicas, facilita a titulação de maior número de pessoas, pela possibilidade de obtenção de bolsa para cursar. O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), a Política de Cotas para ingresso de estudantes de escolas públicas, com vagas reservadas para setores de baixa renda e para as minorias étnicas, e as Políticas de Assistência Estudantil também podem vir a ser responsáveis pelas mudanças futuras nos registros numéricos(14).

Nos primórdios da Fonoaudiologia, a oferta limitada de possibilidades para a titulação de doutor em nosso país e a facilidade para cursar em determinados Programas no exterior (principalmente na Argentina, na década de 1990) propiciaram a busca por titulação em instituições estrangeiras. Em 2005, um estudo destacou que mais de 40% dos doutores brasileiros, até o ano de 1985, tinham obtido seu título em instituições estrangeiras(13). Certamente, as políticas de incentivo advindas da CAPES e de outros órgãos de fomento auxiliaram a reverter esses números e explicam a queda na titulação em instituições internacionais (nesta pesquisa, apenas 2,5% no período de 2013-2017). Cabe destacar que essas mesmas políticas têm levado os titulados a buscarem dar continuidade à sua formação em Programas de pós-doutorado no exterior, fato que incrementa a possibilidade de internacionalização dos Programas.

A área de conhecimento mais frequente nesta pesquisa foi a de Ciências da Saúde (68,1%), sendo esse dado destaque também em levantamentos realizados anteriormente: inferior (54,57%) em 2004(2) e superior (69,4%) em 2015(4).

Nesta pesquisa, foi possível constatar que a partir da década de 1990 houve maior registro na área de Linguística, Letras e Artes, quando comparado a períodos anteriores, e diminuição na área de Ciências Humanas. Este fato pode ser explicado pelos cursos de pós-graduação alargarem seus requisitos para áreas afins, além da expansão da oferta de cursos de doutorado, na qual a taxa de crescimento no período de 1998 a 2011 se mostrou diferenciada entre as grandes áreas do conhecimento, a exemplo da área multidisciplinar, cuja taxa de crescimento foi de aproximadamente 1.083%(15-17).

Dessa forma, atualmente o fonoaudiólogo conta com a possibilidade de cursar o doutorado em Programas específicos para a sua área, em instituição de ensino público ou privado, ou em outras áreas. Esse dado é corroborado pelo achado deste trabalho, que, ao comparar a titulação em Programas específicos da área (Fonoaudiologia, Distúrbios da Comunicação) e os demais, registra uma diminuição na porcentagem apontada pelos levantamentos anteriores (nesta pesquisa, foi registrado 20,7%, enquanto que em 2004(2) foi de 42,4%).

Na análise referente à área de atuação em que a tese foi defendida, a de Linguagem (34,7%) e de Audição e Equilíbrio (26,0%) foram as que apresentaram maior destaque. Cabe apontar que, nos dois primeiros levantamentos(1,2), a área de Audição e Equilíbrio registrou maior porcentagem (em 1998, Audição e Equilíbrio =40,6% e Linguagem = 27,5%, e em 2004, Audição e Equilibro = 40,3% e Linguagem = 37%), enquanto nos outros dois(3,4), foi a área da Linguagem que se sobressaiu (em 2010, Linguagem = 34,52% e Audição e Equilíbrio = 32,34%, e em 2015, Linguagem = 35,1% e Audição e Equilíbrio = 23,5%). Destaque deve ser dado ao fato de que outras áreas vão dividindo a atenção do fonoaudiólogo que busca por Programas de Doutorado.

Nesta pesquisa, o crescimento foi registrado nas diferentes áreas de atuação da Fonoaudiologia e, mais uma vez, as áreas de Audição e Equilíbrio, e Linguagem apresentaram os melhores ajustes (respectivamente, 85,4% e 84,6% de variabilidade no crescimento), com sequência assim estabelecida: Saúde Coletiva, Voz e Motricidade Oral.

Inicialmente, a Fonoaudiologia determinou quatro áreas, a saber: Linguagem, Audição, Voz e Motricidade Oral(18). Pode-se dizer que essas quatro áreas, com a criação do Departamento de Saúde Coletiva, viriam a dividir o ranking da análise aqui apresentada. Tal fato é de fácil compreensão, uma vez que a Saúde Coletiva se preocupa com os conhecimentos utilizados para intervir nos problemas relacionados à saúde da população em geral ou de determinados grupos, podendo estar associada de forma transversal a qualquer uma das outras quatro áreas apresentadas anteriormente. Cabe destacar ainda que, por várias vezes, por ocasião da análise da variável área de atuação, houve uma discussão entre os pesquisadores envolvidos neste artigo, para definir o que estaria em maior destaque na leitura do título e, consequentemente, do resumo.

As áreas de Disfagia e Fonoaudiologia Educacional registraram ainda poucas teses, compatível provavelmente com o tempo em que essas áreas foram incorporadas às demais. O Comitê de Disfagia foi criado, no início da década de 2000, como subdivisão do Departamento de Motricidade Orofacial da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa) e, na sequência, em 2012, foi criada a Resolução normativa da SBFa, que determinou a criação do Departamento de Disfagia(19). Na mesma direção, a Fonoaudiologia Educacional foi criada e reconhecida pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa), contando, para a atuação, de recomendações registradas na Resolução n° 309, do ano de 2005(20).

Em especial, quando se registra o início do Departamento de Fonoaudiologia Educacional, é possível resgatar os próprios primórdios da profissão, quando esta começou a ser idealizada, ainda na década de 1930, com a preocupação da Medicina e da Educação em corrigir os chamados erros de linguagem apresentados pelos escolares(18,20).

Cabe destacar que, enquanto a Sociedade Brasileira estabelece sete Departamentos (Audição e Equilíbrio, Disfagia, Fonoaudiologia Educacional, Linguagem, Motricidade Oral, Voz, Saúde Coletiva), o Conselho Federal de Fonoaudiologia registra 12 áreas de especialidade, a saber: Audiologia, Disfagia, Gerontologia, Fonoaudiologia Educacional, Fonoaudiologia Neurofuncional, Fonoaudiologia do Trabalho, Neuropsicologia, Linguagem, Fluência, Motricidade Orofacial, Voz e Saúde Coletiva(21). Outro aspecto interessante é que do total de 6.882 fonoaudiólogos titulados especialistas, em maior número estão os que optaram pela área de Audiologia (36,4%), seguidos pelos de Motricidade Orofacial (27,3%) e Voz (15,6%), e de Linguagem (13,3%)(21). Certamente, esse registro, que difere quando comparado ao dos fonoaudiólogos doutores, está atrelado a cursos de formação de especialistas, consolidados desde a década de 1980, alguns frequentemente oferecidos, de forma presencial ou à distância, em diferentes cidades do país.

Finalizando, pode-se apontar para o modelo quadrático utilizado nesta pesquisa, que indica a intensificação das defesas, principalmente a partir da segunda metade da década de 1990, momento em que houve, na Fonoaudiologia, incentivo à continuidade da formação, com proposta de abertura de diferentes especializações e aumento na oferta de Programas de Pós-Graduação 18. Alguns aspectos foram apresentados, mas ainda há muitas lacunas para que se possa compor um quadro histórico completo dessa formação.

Ao realizar esta pesquisa, mais do que atualizar os dados coletados em artigos anteriores, presta-se, mais uma vez, à Profa. Dra. Ieda, uma homenagem especial em reconhecimento por tudo o que fez pela Fonoaudiologia.

CONCLUSÃO

O perfil encontrado se assemelha a levantamentos realizados anteriormente, com predomínio de defesas por parte de mulheres, que defendem em maior porcentagem na região Sudeste, em instituições públicas, em Programas relacionados à área de Ciências da Saúde, sobre temática de Linguagem, e evidencia o contínuo e significativo crescimento de fonoaudiólogos doutores, o que garante a inserção do fonoaudiólogo em atividades de pesquisa e produção científica qualificada.

Trabalho realizado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP - São Paulo (SP), Brasil.

Fontes de financiamento: CAPES e CNPq (Processo 305995/2016-2).

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Recebido: 01 de Dezembro de 2018; Aceito: 07 de Fevereiro de 2019

Conflito de interesses: nada a declarar.

Endereço para correspondência: Pablo Rodrigo Rocha Ferraz Rua 85, 29, Edifício Triton, Apto 204, Vinhais, São Luís (MA), Brasil, CEP: 65074-310. E-mail: pablorrf@uol.com.br

LPF participou da administração do projeto, concepção e delineamento do estudo, análise e interpretação dos dados, revisão crítica do artigo e aprovação final da versão a ser publicada; PRRF participou concepção e delineamento do estudo, análise e interpretação dos dados, revisão crítica do artigo e aprovação final da versão a ser publicada; ACOG participou concepção e delineamento do estudo, análise e interpretação dos dados; ARGF participou concepção e delineamento do estudo, análise e interpretação dos dados; EH participou concepção e delineamento do estudo, análise e interpretação dos dados; PSP participou concepção e delineamento do estudo, análise e interpretação dos dados; SNF participou concepção e delineamento do estudo, análise e interpretação dos dados, revisão crítica do artigo e aprovação final da versão a ser publicada.

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