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Audiology - Communication Research

versão On-line ISSN 2317-6431

Audiol., Commun. Res. vol.22  São Paulo  2017  Epub 21-Set-2017

http://dx.doi.org/10.1590/2317-6431-2016-1801 

Artigos Originais

Impacto da cárie dentária, maloclusão e hábitos orais na qualidade de vida relacionada à saúde oral em crianças pré-escolares

Mônica Carminatti1 

Bárbara de Lavra-Pinto2 

Renata Franzon3 

Jonas Almeida Rodrigues4 

Fernando Borba de Araújo4 

Erissandra Gomes4 

(1) Programa de Pós-graduação em Odontologia, Faculdade de Odontologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS – Porto Alegre (RS), Brasil.

(2) Curso de Fonoaudiologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS – Porto Alegre (RS), Brasil.

(3) Faculdade de Odontologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS – Porto Alegre (RS), Brasil.

(4)Universidade Federal do Rio Grande do Sul Departamento de Cirurgia e Ortopedia, Faculdade de Odontologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS – Porto Alegre (RS), Brasil.

RESUMO

Introdução

As doenças e desordens bucais, bem como hábitos orais, podem causar impacto na qualidade de vida das crianças.

Objetivo

Associar a cárie dentária, maloclusão e hábitos orais com a qualidade de vida de crianças pré-escolares.

Métodos

Estudo transversal com 93 crianças de 3 a 5 anos de idade, acometidas, ou não, por lesões de cárie não tratadas. Os responsáveis responderam ao questionário sobre hábitos orais e ao Questionário sobre a Qualidade de Vida Relacionada à Saúde Bucal de Crianças na Idade Pré-escolar (B-ECOHIS). Um odontopediatra avaliou a gravidade das lesões de cárie e a presença de alterações oclusais. O nível de significância utilizado foi de 5%.

Resultados

O B-ECOHIS evidenciou impacto na qualidade de vida, conforme o aumento da idade, nos domínios dos sintomas, aspectos psicológicos, autoimagem e interação social e de função familiar. A cárie dentária apresentou impacto sobre a qualidade de vida das crianças e de seus familiares, especialmente em relação aos domínios dos sintomas e limitações. Hábitos de respiração oronasal e chupeta também evidenciaram efeitos negativos na qualidade de vida das crianças e de seus familiares. Não foi observada associação entre maloclusão e qualidade de vida relacionada à saúde oral.

Conclusão

A cárie dentária, os hábitos de sução de chupeta e de respiração oronasal demonstraram impacto negativo na qualidade de vida relacionada à saúde oral das crianças.

Palavras-Chave: Cárie dentária; Má oclusão; Hábitos; Qualidade de vida; Pré-escolar

INTRODUÇÃO

A qualidade de vida relacionada à saúde oral (QVRSO) apresenta caráter subjetivo e multidisciplinar e vem sendo muito estudada em diferentes países, envolvendo esferas amplas em seu conceito, como as características físicas, familiares e de lazer, entre outras(1,2,3,4).

No Brasil, existem dois instrumentos validados para avaliar a QVRSO em crianças(5,6). O questionário Qualidade de Vida Relacionada à Saúde Bucal de Crianças na Idade Pré-escolar (B-ECOHIS)(7) e o Instrumento de Qualidade de Vida Relacionada à Saúde Bucal para Crianças de 5 Anos de Idade (SOHO-5)(6). O B-ECOHIS é destinado a crianças de 2 a 5 anos de idade(5,8) e seu uso vem permitindo ampliar o conhecimento sobre as condições orais adversas que afetam a qualidade de vida das crianças(3,4,9,10).

Estudos mostram que a cárie dentária tem impacto negativo na qualidade de vida das crianças e suas famílias, incluindo as questões nutricionais, sintomas orais comportamentais e alterações educacionais(1,2,3,4). Outras alterações orais, como as maloclusões, também têm sido associadas com a piora da qualidade de vida(3,11,12), especialmente nos aspectos psicossociais e nas limitações funcionais.

A presença e a gravidade de cáries dentárias estão relacionadas aos hábitos orais em crianças(13). Uma revisão sistemática apontou o uso de chupetas e mamadeiras, principalmente à noite, como um fator de predisposição à cárie, em razão da diminuição do fluxo e neutralização salivar - o que deixa os dentes mais expostos aos carboidratos fermentáveis -, além da condição da dieta cariogênica. Os autores também comentaram sobre repercussão na qualidade do sono, já que crianças com cárie dentária acordam mais durante a noite e recebem maior número de mamadeiras(14).

A influência dos hábitos orais no sistema miofuncional orofacial foi descrito na literatura(15,16), especialmente os hábitos de sucção prolongados e a respiração oronasal em crianças, mas há uma lacuna no que se refere à associação dos hábitos orais na qualidade de vida em pré-escolares, utilizando instrumentos sobre QVRSO. Assim, conhecer o impacto dos hábitos orais, lesões de cárie e das maloclusões na QVRSO e poder intervir precocemente nestas situações auxiliará no restabelecimento e/ou direcionamento para adequação do sistema estomatognático.

Baseando-se no exposto acima, o objetivo deste estudo foi associar a cárie dentária, maloclusão e hábitos orais com a qualidade de vida de crianças pré-escolares e seus familiares.

MÉTODOS

Este estudo foi submetido ao Comitê de Ética Central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e aprovado sob número 19236. Os responsáveis pelas crianças, e que concordaram em participar do estudo, receberam orientações e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Trata-se de um estudo transversal. Foram elegíveis 167 crianças entre 3 e 5 anos de idade, sem histórico de doenças neurológicas e malformações craniofaciais, acometidas, ou não, por lesões de cárie não tratadas, que estavam aguardando atendimento na clínica de odontopediatria da instituição. Destas, 74 foram excluídas, devido a fatores como: responsáveis que não aceitaram participar do estudo, tratamento dentário prévio, idade da criança não compatível com a que constava no prontuário e a não localização deste. A amostra final foi constituída por 93 crianças.

O cálculo do tamanho amostral foi mensurado considerando os resultados de um estudo que avaliou a QVRSO em crianças com cárie(6), em que os autores utilizaram o B-ECOHIS(17) para QVRSO e o ceo-d(18) e a gravidade(13) para o índice de cárie. Com base no estudo mencionado e considerando a pontuação do B-ECOHIS como desfecho primário, atribuindo um poder de 85% e um nível de significância de 5%, 84 indivíduos foram estimados, por meio do software WINPEPI, 2003, v.8.

Para o diagnóstico odontológico (cáries e maloclusões), os sujeitos foram avaliados por um único examinador experiente, odontopediatra. A avaliação da condição bucal foi realizada em equipamento odontológico, sob iluminação e após profilaxia dos hemiarcos com escova Robinson e pasta profilática fluoretada.

O diagnóstico de lesões de cárie e análise da gravidade foram baseados no índice ceo-d(18), que permite mensurar e comparar as experiências de cárie dentária em populações. A classificação de ceo-d foi embasada em um estudo(13) e é usualmente utilizada em pesquisas da área odontológica sobre QVRSO(4,10), dividindo as crianças em: ceo-d 0 = livre de cárie, ceo-d 1-5 = baixa gravidade, ceo-d > 6 = alta gravidade.

A maloclusão foi classificada como: mordida aberta anterior, mordida aberta posterior, sobremordida, mordida cruzada anterior, mordida cruzada posterior unilateral e mordida cruzada posterior bilateral, conforme preconizado pela World Health Organization(18).

O questionário B-ECOHIS(19) foi utilizado para avaliar QVRSO e respondido pelos responsáveis das crianças. O B-ECOHIS é constituído por 13 questões: nove de impacto na criança (sintomas – uma questão; limitações – quatro questões; psicológico – duas questões; autoimagem e interação social – duas questões) e quatro de impacto na família (angústia dos pais – duas questões; função familiar – duas questões). Para cada item, é atribuída uma resposta pontuada: 0 = nunca; 1 = quase nunca; 2 = às vezes (de vez em quando); 3 = com frequência; 4 = com muita frequência; 5 = não sei.

Os responsáveis também responderam a um questionário sobre hábitos orais, elaborado pelos pesquisadores deste estudo e com base na literatura(13) (Anexo 1).

A condição da respiração foi verificada clinicamente, a partir do item “respiração” do protocolo Avaliação Miofuncional Orofacial com Escores (AMIOFE)(20). A escala de 3 pontos foi administrada conforme proposto pelas autoras do protocolo, sendo o escore 3 atribuído para respiração nasal, ou seja, quando os lábios permaneceram em oclusão, sem esforço, principalmente durante as situações de repouso, mantendo o espaço funcional livre. O escore 2 foi atribuído quando, durante a respiração, os sujeitos apresentaram a inspiração do ar pelas cavidades oral e nasal, simultaneamente, mesmo conseguindo fazer a inspiração apenas nasal, sem mostrar sinais de cansaço e falta de ar. O escore 1 foi atribuído quando os sujeitos, ao tentarem a inspiração apenas nasal, em poucos minutos, demonstraram cansaço, falta de ar e abriram a boca para respirar. A avaliação foi realizada por uma fonoaudióloga, que não foi a mesma que aplicou o questionário sobre hábitos orais.

No mesmo momento da avaliação odontológica e fonoaudiológica, o instrumento B-ECOHIS e o questionário sobre hábitos orais foram aplicados. Ambos foram lidos em voz alta e as respostas concedidas pelos responsáveis foram registradas. A administração do questionário sobre hábitos orais e do protocolo B-ECOHIS foi realizada por um único examinador, previamente treinado na leitura pausada e entonação constante, para a aplicação de cada pergunta e indicação de opções de respostas, quando houvesse.

Os profissionais das duas áreas estavam cegos para a avaliação de um e de outro, para que não houvesse imediação por prejulgamentos. Todos os sujeitos que participaram desta pesquisa e nos quais foram constatadas alterações relacionadas aos aspectos odontológico e fonoaudiológico foram encaminhados para triagem nos respectivos serviços, conforme demanda.

Para a análise estatística dos dados, foi utilizado o software Statistical Package for the Social Science (SPSS), v.18.0 for Windows®. Os escores do B-ECOHIS foram descritos por mediana e amplitude interquartílica, devido à assimetria da variável. Portanto, os testes não paramétricos foram realizados para avaliar as associações entre a variável dependente (QVRSO, mensurada por meio do B-ECOHIS) e as variáveis independentes (classificação de acordo com o número de lesões de cárie, maloclusão, etc.). Na comparação das medianas de escores B-ECOHIS, entre os grupos, os testes de Mann-Whitney ou Kruskal-Wallis foram aplicados. Em associação com dezenas de variáveis contínuas, o teste de correlação de Spearman foi aplicado. A associação entre as variáveis categóricas foi avaliada pelo teste Qui-quadrado de Pearson ou Exato de Fisher. O nível de significância utilizado foi de 5%.

RESULTADOS

Das 93 crianças, 48 (51,6%) eram do gênero masculino, com média de idade de 4 anos e 6 meses ± 0,8 anos. As mesmas foram divididas em três grupos, de acordo com faixa etária: 29 (31,2%) crianças tinham entre 3 anos e 3 anos e 11 meses; 30 (32,3%) crianças entre 4 anos e 4 anos e 11 meses e 34 (36,6%) entre 5 anos e 5 anos e 11 meses de idade.

Conforme o índice ceo-d, 49 (52,7%) crianças eram livres de cárie, 18 (19,4%) apresentavam cárie de baixa gravidade e 26 (28%), cárie de alta gravidade. As maloclusões estavam presentes em 43 (46,2%) crianças.

Do total da amostra, 80 (86%) tinham algum tipo de hábito oral, considerando que muitas crianças apresentavam a combinação de dois ou mais hábitos. Quanto ao uso da mamadeira, 80 (86%) crianças o fizeram em algum período da infância e 50 (53,8%) crianças ainda mantinham essa prática. O uso da mamadeira antes de dormir foi apontado em 72 (77,4%) sujeitos e, durante a noite, em 34 (36,6%). O uso de chupeta foi referido em 46 (49,5%) crianças, sendo que 26 (56,5%) permaneciam com o uso desse artefato. O hábito de sucção digital esteve presente em 11 (11,8%) crianças e 8 (8,6%) ainda o mantinham. A avaliação clínica da função respiração mostrou que 28 (30,1%) crianças apresentavam respiração oronasal.

De modo geral, os responsáveis relataram maiores impactos relacionados à criança do que à família. O gênero não foi significativamente associado aos escores do B-ECOHIS. No entanto, estes escores indicaram diferença (p=0,002) nas faixas etárias, demonstrando que o impacto na qualidade de vida aumentou com a idade, nos domínios dos sintomas (p=0,011), de aspectos psicológicos (p=0,031), de autoimagem e interação social (p=0,002) e de função familiar (p=0,003) (Tabela 1).

Tabela 1 Frequência do impacto na qualidade de vida em crianças de 3 a 5 anos de idade e de suas famílias, conforme respostas dos responsáveis, devido a problemas nos dentes (n=93) 

Seções de impacto Domínios Nunca Quase nunca Às vezes, de vez em quando Com frequência Com muita frequência Não sei

n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) n (%)
Seção de impacto nas crianças
Com que frequência sua criança já...
Sentiu dores nos dentes, na boca e nos maxilares? DS 39 (41,9) 13 (14,0) 28 (30,1) 11 (11,8) 2 (2,2) 0 (0,0)
Com que frequência sua criança já...devido a problemas com os dentes ou tratamentos dentários?
Teve dificuldade em beber bebidas quentes ou frias DL 68 (73,1) 5 (5,4) 12 (12,9) 5 (5,4) 1 (1,1) 2 (2,2)
Teve dificuldade para comer certos alimentos DL 61 (65,6) 5 (5,4) 20 (21,5) 4 (4,3) 1 (1,1) 2 (2,2)
Teve dificuldade de pronunciar qualquer palavra DL 79 (84,9) 4 (4,3) 6 (6,5) 2 (2,2) 0 (0,0) 2 (2,2)
Faltou à creche, jardim de infância ou escola DL 80 (86,0) 4 (4,3) 5 (5,4) 3 (3,2) 0 (0,0) 1 (1,1)
Teve dificuldade em dormir DP 68 (73,1) 7 (7,5) 12 (12,9) 5 (5,4) 0 (0,0) 1 (1,1)
Ficou irritada DP 65 (69,9) 7 (7,5) 13 (14,0) 6 (6,5) 1 (1,1) 1 (1,1)
Evitou sorrir ou rir DAIS 76 (81,7) 4 (4,3) 7 (7,5) 4 (4,3) 2 (2,2) 0 (0,0)
Evitou falar DAIS 84 (90,3) 2 (2,2) 4 (4,3) 1 (1,1) 2 (2,2) 0 (0,0)

Seção de impacto na família
Com que frequência você ou outra pessoa da família já.... devido a problemas com os dentes ou tratamentos dentários de sua criança?
Ficou aborrecida DAP 69 (74,2) 5 (5,4) 6 (6,5) 9 (9,7) 4 (4,3) 0 (0,0)
Sentiu-se culpada DAP 64 (68,8) 8 (8,6) 14 (15,1) 0 (0,0) 7 (7,5) 0 (0,0)
Já faltou ao trabalho DFF 70 (75,3) 9 (9,7) 7 (7,5) 7 (7,5) 0 (0,0) 0 (0,0)
Com que frequência sua criança já teve problemas com os dentes ou fez tratamentos dentários que causaram impacto financeiro na sua família? DFF 78 (83,9) 3 (3,2) 6 (6,5) 5 (5,4) 1 (1,1) 0 (0,0)

Legenda: DS = Domínio de Sintomas; DL = Domínio de Limitações; DP = Domínio de Aspectos Psicológicos; DAIS = Domínio de Autoimagem e interação Social; DAP = Domínio de Angústias dos Pais; DF = Domínio da Função Familiar

Entre as condições clínicas analisadas, foi observada relação direta entre QVRSO e gravidade da cárie, considerando a mediana geral do B-ECOHIS. Na comparação entre cárie dentária e as faixas etárias das crianças, não foi constatada diferença entre os grupos (p=0,518), assim como não foi observada associação com o gênero (p=0,479) (Tabela 2).

Tabela 2 Diferença entre as condições clínicas orais para cada domínio e para o total do Early Childhood Oral Health Impact Scale, apresentada em mediana (mínimo-máximo) 

DS DL DP DAIS DAP DFF Total B-ECOHIS
Amostra Total 1(0-2) 0(0-2) 0(0-2) 0(0-0) 0(0-3) 0(0-1,5) 4(0-12,5)
Classificação
Livre de cárie 0(0-2) 0(0-1) 0(0-0) 0(0-0) 0(0-0,5) 0(0-0) 1(0-6)
Baixa gravidade 1(0-2) 1(0-4,25) 0(0-2) 0(0-1) 2(0-3,25) 0(0-2) 6,5(0,75-14,25)
Alta gravidade 2(1-3) 2(1,75-5) 2(0-4) 0(0-2) 3(0-5,25) 0(0-2) 11,5(4,75-16,5)
Valor de p 0,003# <0,001# <0,001# 0,117# <0,001# 0,128# <0,001#
Maloclusão
Presente 1(0-2) 0(0-4) 0(0-2) 0(0-2) 0(0-3) 0(0-2) 6(0-14)
Ausente 1(0-2) 0(0-2) 0(0-1,25) 0(0-0) 0(0-3) 2(0-6) 4(0-10,25)
Valor de p 0,723* 0,578* 0,437* 0,073* 0,857* 0,546* 0,616*

# Teste Kruskal Wallis * Teste Mann Whitney Legenda: DS = Domínio de Sintomas; DL = Domínio de Limitações; DP = Domínio de Aspectos Psicológicos; DAIS = Domínio de Autoimagem e interação Social; DAP = Domínio de Angústias dos Pais; DFF = Domínio da Função Familiar; B-ECOHIS = Early Childhood Oral Health Impact Scale

O hábito de sucção de chupeta apresentou associação com a autoimagem e interação social. A respiração oronasal demonstrou diferença com a mediana geral do B-ECOHIS (Tabela 3).

Tabela 3 Distribuição dos hábitos orais para cada domínio e para o total do Early Childhood Oral Health Impact Scale, apresentados em mediana (mínimo-máximo) 

Hábitos orais DS DL DP DAIS DAP DFF Total B-ECOHIS
Chupeta
Presente 1(0-4) 0(0-10) 0(0-6) 0(0-8) 0(0-8) 0(0-6) 6(0-32)
Ausente 1(0-4) 0(0-8) 0(0-6) 0(0-8) 0(0-7) 0(0-5) 2,5(0-26)
Valor de p 0,387 0,323 0,369 0,010* 0,379 1,000 0,199
Dedo
Presente 1(0-4) 1(0-8) 0(0-5) 0(0-3) 2(0-6) 0(0-6) 7(0-24)
Ausente 1(0-4) 0(0-10) 0(0-6) 0(0-8) 0(0-8) 0(0-6) 4(0-32)
Valor de p 0,365 0,497 0,906 0,899 0,506 0,419 0,505
Onicofagia
Presente 0(0-2) 0(0-4) 0(0-3) 0(0-2) 0(0-4) 0(0-0) 1(0-16)
Ausente 1(0-2) 0(0-2) 0(0-2) 0(0-0) 0(0-3) 0(0-2) 4,5(0-11,25)
Valor de p 0,501 0,759 0,501 0,052 0,870 0,528 0,606
Objetos na boca
Presente 1(0-2) 0(0-2) 0(0-2) 0(0-0) 0(0-3) 0(0-2) 3(0-10)
Ausente 1(0-2) 1(0-3) 0(0-2) 0(0-0) 0(0-3) 0(0-1) 4,5(0-13,75)
Valor de p 0,798 0,133 0,796 0,907 0,709 0,395 0,432
Respiração oral
Presente 1(0-2) 1(0-4) 0(0-2) 0(0-1) 0(0-3) 0(0-2) 6(0-15)
Ausente 0,5(0-2) 0(0-2) 0(0-0,25) 0(0-0) 0(0-1,25) 0(0-0) 1(0-6,25)
Valor de p 0,128 0,011* 0,069 0,018* 0,046* 0,007* 0,006*
Mamadeira
Presente 1(0-4) 0(0-10) 0(0-6) 0(0-8) 0(0-8) 0(0-6) 5(0-32)
Ausente 1,5(0-3) 1(0-8) 0(0-6) 0(0-2) 0(0-6) 0(0-3) 3,5(0-26)
Valor de p 0,659 0,826 0,547 0,594 0,661 0,340 0,827
Mamadeira AD
Presente 1(0-4) 0(0-10) 0(0-6) 0(0-8) 0(0-8) 0(0-6) 6(0-32)
Ausente 1(0-3) 0(0-2) 0(0-4) 0(0-8) 0(0-4) 0(0-2) 2(0-14)
Valor de p 0,935 0,401 0,613 0,153 0,352 0,260 0,274
Mamadeira DN
Presente 1(0-4) 1(0-8) 0(0-6) 0(0-8) 2(0-7) 0(0-6) 6(0-27)
Ausente 1(0-4) 0(1-10) 0(0-6) 0(0-8) 0(0-8) 0(0-6) 2(0-32)
Valor de p 0,659 0,826 0,547 0,594 0,661 0,340 0,827

*Valores significativos (p<0,05) – Teste de Mann Whitney Legenda: DS = Domínio de Sintomas; DL = Domínio de Limitações; DP = Domínio de Aspectos Psicológicos; DAIS = Domínio de Autoimagem e interação Social; DAP = Domínio de Angústias dos Pais; DFF = Domínio da Função Familiar; Mamadeira AD = Mamadeira antes de dormir; Mamadeira DN = Mamadeira durante a noite; B-ECOHIS = Early Childhood Oral Health Impact Scale

DISCUSSÃO

A saúde oral é parte integrante e essencial para a qualidade de vida, sob uma variedade de formas nos domínios físico, social e psicológico. A capacidade de se alimentar e a ocorrência de dor e desconforto costumam ser consideradas como aspectos positivos e negativos mais relevantes para a qualidade de vida(17).

Estudos que verificaram as respostas dos responsáveis para o B-ECOHIS(1,2,3,4) indicaram que o impacto da cárie dentária na vida das crianças está associado, com maior frequência, aos domínios dos sintomas, das limitações e dos aspectos psicológicos, confirmando os resultados deste estudo. A faixa etária em que as crianças se encontravam foi relacionada ao impacto na QVRSO nos domínios dos sintomas, aspectos psicológicos, autoimagem e interação social, o que pode ser justificado pelo fato de o desenvolvimento psicológico infantil ocorrer por volta dos 5-6 anos de idade, quando surge a preocupação com a autoimagem e com outros aspectos(9). O domínio da função familiar também apresentou associação com as faixas etárias, porém, não foram encontrados estudos que justificassem este achado. Um estudo sugeriu que, embora o uso de respondentes secundários seja considerado uma alternativa possível(8), alguns domínios podem ser interpretados de modo diferente na perspectiva dos responsáveis.

Itens relacionados aos sintomas das angústias dos pais foram frequentemente relatados na seção de impacto na família(1,2,3,10), o que também foi observado neste estudo. Deve ser considerado, neste achado, o fato de que os responsáveis estavam buscando atendimento para seus filhos, o que demonstra a preocupação, especialmente com a doença cárie. Desta forma, já que foram selecionadas crianças que estavam aguardando atendimento odontológico pode-se considerar estes resultados relevantes para o ambiente do consultório, complementados por estudos epidemiológicos, que também comprovaram o impacto da cárie precoce na infância na qualidade de vida de crianças pré-escolares(2,3,21).

Uma pesquisa realizada no Brasil, em crianças de 2 a 5 anos de idade, apontou que a prevalência de qualquer impacto sobre a QVRSO foi quase três vezes maior para as crianças com cárie dentária, comparadas com aquelas livres de cárie dentária e, aproximadamente, 1,5 vezes maior para aquelas que apresentavam maloclusão(3). Resultados semelhantes foram encontrados no presente estudo e em outro(4), demonstrando que o impacto de problemas na QVRSO aumenta, na medida em que a gravidade da cárie também aumenta. Assim, percebe-se a importância do controle da doença, pois, uma vez instalada, pode gerar danos para a QVRSO dessas crianças.

A maloclusão causa importante impacto sobre os indivíduos, em termos de bem-estar, limitações funcionais e sociais(3,12). Contudo, não foi observada nenhuma evidência, neste estudo, de associação entre maloclusão e impactos relacionados à saúde oral, concordando com outra pesquisa(4), que sugeriu que o B-ECOHIS não foi elaborado para mensurar o impacto das diversas maloclusões na QVRSO e que algumas questões nas áreas de sintomas e limitações não são, necessariamente, para crianças que apresentam maloclusão.

Considerando os hábitos orais, um estudo realizado com indivíduos de 4 a 17 anos de idade, que comparou respiradores orais (RO) e respiradores nasais (RN), constatou que a respiração oral parece estar associada ao impacto negativo na QVRSO, especialmente no que se refere aos problemas nasais, ao sono e à alimentação(22). Outro estudo, que avaliou a prevalência de RO em crianças de uma escola no Brasil, verificou que a incidência de ronco, baba durante o sono, sono agitado e o acordar à noite foi significativamente maior nos RO, em relação aos RN(23). Neste estudo, foi observado maior impacto da respiração oronasal na QVRSO, nos domínios da autoimagem e interação social e da função familiar. Conforme pesquisas, a respiração oral, quando não diagnosticada precocemente, pode causar consequências nos aspectos psicológicos, comportamentais, físicos e na interação social das crianças(24,25).

Fatores biológicos e sociais podem estar relacionados a hábitos de sucção não nutritiva(26,27,28). No presente estudo, foi observado impacto do hábito de sucção de chupeta na QVRSO, no domínio da autoimagem e interação social. A literatura apontou que a persistência destes hábitos de sucção não nutritiva, após a primeira infância, pode ser um sinal de distúrbio psicológico(29). A significativa prevalência de hábitos de sucção não nutritiva em crianças entre 3 e 5 anos de idade foi observada, sendo que o hábito de sucção de chupeta apresentou maior prevalência do que a sucção de dedo.

A gravidade da cárie dentária está associada aos hábitos orais na primeira infância. Um estudo observou que a presença e a severidade de cárie em dentes anteriores foram significativamente maiores nas crianças que utilizavam a mamadeira frequentemente, com líquido açucarado, e que, geralmente, adormeciam ou eram alimentadas durante o sono, sem que fosse realizada a higiene oral adequada, comparadas a crianças que não tinham essa prática. O desenvolvimento da cárie dentária também está relacionado ao uso de chupetas adoçadas(13,14). Uma pesquisa realizou a contagem de streptococcus mutans, principal bactéria associada à cárie dentária, e a análise do fluxo salivar em crianças com RO e RN. Foi observado que o fluxo salivar em RO foi maior que no grupo controle, formado por RN, indicando um mecanismo compensatório, pelo ressecamento da mucosa. Ademais, foram encontradas menos imunoglobulinas salivares IgA e IgM anti-streptococcus mutans em RO, inferindo que estes indivíduos tinham menos resistência à cárie dentária, que os do grupo controle. Quanto à contagem do microrganismo, foram detectados números maiores em RO do que em RN, não significativos(30).

Desta forma, é possível considerar a existência de uma relação entre os hábitos orais e gravidade da cárie dentária e esta pode ser uma justificativa para a associação entre a respiração oronasal ou o uso da chupeta e a piora da QVRSO.

Não foram encontrados estudos sobre o impacto dos hábitos orais na QVRSO, utilizando o B-ECOHIS, para que pudessem ser realizadas comparações com o presente estudo. Assim, são necessárias mais pesquisas sobre esta temática, em razão da significativa prevalência dos hábitos orais na faixa etária estudada, bem como a influência que podem gerar na QVRSO das crianças e seus familiares.

As limitações deste estudo foram inerentes a estudos transversais, que limitam a investigação de relações de causalidade entre as variáveis estudadas. Outra potencial limitação do estudo refere-se ao fato de o B-ECOHIS avaliar a percepção dos responsáveis, que pode ser diferente da percepção das crianças sobre sua QVRSO.

CONCLUSÃO

A cárie dentária, os hábitos de sucção de chupeta e de respiração oronasal demonstraram impacto negativo na qualidade de vida relacionada à saúde oral das crianças da amostra estudada, bem como nas suas famílias. Portanto, é de extrema importância a intervenção em estágios precoces da vida da criança, uma vez que estas condições orais interferem nos domínios dos sintomas e limitações, bem como no ambiente psicossocial, prejudicando a função, autonomia e lazer da criança.

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Anexo 1

Questionário sobre hábitos orais

Nome (iniciais): _______________________________________________________________

Nº sujeito: ___________

Idade: _____anos _____ meses Sexo: ☐ F ☐ M

Anos de estudo - mãe: _____________________ pai:____________________________

Renda familiar: ___________________________

As perguntas abaixo são referentes ao seu filho (a).

Foi amamentado no peito? ( ) sim ( ) não

Até que idade (meses)? ____________________

Até que idade (meses) mamava somente no peito? __________________________________

Com que idade (meses) foram iniciados outros alimentos?

( ) água _______ ( ) chá _______ ( ) suco _______ ( ) outro leite _______ ( ) refrigerante ________( ) bolacha/salgadinho _________

( ) papas de fruta ___________ ( ) papas salgadas ___________ ( ) açúcar _____________ ( ) grãos/pedaços ___________

Com que idade (meses) foi introduzido o copo? ____________________________________

Fez (faz) uso de mamadeira? ( ) sim ( ) não

Qual o tipo de bico? ( ) comum ( ) ortodôntica

Desde que idade (meses)? ____________________ Até que idade (meses)?_______________________

Com qual frequência (atualmente ou quando parou)? ______________ por dia

Utilizou(a) à noite? ( ) sim ( ) não Até que idade (meses)? ____________________

Em que momento? ( ) antes de dormir ( ) durante a noite ___vezes

Composição: ( ) leite (lactose) ( ) leite (soja) ( ) açúcar ( ) outro complemento ____________

Utiliza(ou) chupeta? ( ) sim ( ) não

Qual o tipo de chupeta? ( ) comum ( ) ortodôntica

Desde que idade (meses)? ____________________ Até que idade (meses)? ______________________

Com qual frequência? ( ) manhã ( ) tarde ( ) noite

Foi utilizada alguma substância na chupeta? ( ) sim ( ) não Qual?_____________________

Desde que idade (meses)? ____________________

Até que idade (meses)? ______________________

Chupa(ou) dedo? ( ) sim ( ) não

Desde que idade (meses)? ___________________ Até que idade (meses)? _____________________

Com qual frequência? _______________________

Realiza higiene bucal (escova os dentes)? ( ) sim ( ) não

Quantas vezes ao dia? ______________________

Tem supervisão atual de um adulto? ( ) sim ( ) não

Desde que idade realiza higiene bucal (escova os dentes) (meses)? ____________________

Faz uso de pasta dental? ( ) sim ( ) não

Desde que idade (meses)? ___________________

Faz uso de fio dental? ( ) sim ( ) não

Desde que idade (meses)? ___________________

A(O) sra (sr) tem dificuldade em realizar a escovação? ( ) sim ( ) não

Tem o hábito de ficar constantemente de boca aberta?

Durante o dia: ( ) sim ( ) não

Durante a noite: ( ) sim ( ) não

Tem o hábito de colocar outro objeto na boca? ( ) sim ( ) não Qual?___________________

Recebido: 26 de Outubro de 2016; Aceito: 5 de Junho de 2017

Autor correspondente: Erissandra Gomes. E-mail: erifono@hotmail.com

Trabalho realizado no Curso de Fonoaudiologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS – Porto Alegre (RS), Brasil, com bolsa concedida pelo Programa de Iniciação Científica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS (BIC - UFRGS) e pelo Programa de Bolsas de Iniciação Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (PROBIC - FAPERGS).

Conflito de interesses: Não

Contribuição dos autores: MC, BLP, RF e JAR participaram da coleta, análise e interpretação dos dados e da redação do manuscrito. FBA e EG participaram da concepção e delineamento do estudo, da análise dos dados, revisão e aprovação final do manuscrito.

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