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Audiology - Communication Research

On-line version ISSN 2317-6431

Audiol., Commun. Res. vol.24  São Paulo  2019  Epub Jan 31, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/2317-6431-2018-2009 

Artigo Original

Integralidade do cuidado na atenção à saúde auditiva do adulto no SUS: acesso à reabilitação

Ingrid Helena Elizabeth Kolb Mazzarotto1 

Cláudia Giglio de Oliveira Gonçalves1 

Cintia Gonçalves de Lima Bellia1 

Cláudia Andriguetto Maoski Moretti1 

Milena Raquel Iantas1 

1 Programa de Pós-graduação em Distúrbios da Comunicação, Universidade Tuiuti do Paraná – Curitiba (PR), Brasil.

RESUMO

Objetivo

Caracterizar a indicação e analisar a percepção dos usuários quanto a queixas e benefícios do uso de próteses auditivas concedidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Métodos

Estudo transversal, quantitativo, que analisou 100 usuários de próteses auditivas no retorno inicial após adaptação, em um serviço de média e alta complexidade em saúde auditiva. Foram coletados dados dos prontuários relativos às características da perda auditiva, da seleção e adaptação da prótese auditiva, e do tempo de uso. Foi realizada entrevista para investigar a percepção de queixas e benefícios com o uso da prótese auditiva.

Resultados

Houve predomínio dos seguintes aspectos: a faixa etária de 66 a 90 anos; Ensino Fundamental incompleto; perda auditiva sensorioneural de graus leve e moderado; ligeira/discreta dificuldade de compreensão da fala. Foram adaptadas 184 próteses, sendo a maioria retroauricular e de Tipo A; o tempo de espera entre a indicação e a adaptação foi entre 33 e 88 dias; o principal benefício da prótese auditiva foi a melhora da compreensão/interação social, e a queixa principal referiu-se a problemas de regulagem.

Conclusão

A maior parte dos usuários relatou benefícios com a utilização da prótese para a compreensão de fala e a interação social, e a queixa mais referida foi a regulagem.

Palavras-chave:  Audição; Perda auditiva; Auxiliares de audição; Planos e programas de saúde; Sistema Único de Saúde

INTRODUÇÃO

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 6,2% da população brasileira apresentava, em 2013, algum tipo de deficiência. Dentre estas, a deficiência auditiva representava 1,1% da população (1).

A deficiência auditiva resulta em incapacidades e desvantagens psicossociais que podem levar ao isolamento social e limitar a qualidade de vida(2,3). Para minimizar tais impactos, as próteses auditivas são recursos tecnológicos que podem propiciar benefícios quando não existem possibilidades de tratamento clínico e cirúrgico, sendo utilizadas como terapêutica primária há diversos anos(3).

O grande contingente de deficientes auditivos no Brasil e a necessidade de garantir seus direitos à saúde resultaram na publicação da Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva (PNASA) pela Portaria n.º 2.073/GM, em 2004(4), atualmente revogada pela Portaria 793 de 24 de abril de 2012(5). Como desdobramentos dessa Política, foram implantadas redes estaduais de atenção à saúde auditiva, responsáveis pelas ações integrais de promoção da saúde auditiva e prevenção da perda auditiva, do diagnóstico, do acompanhamento e da reabilitação do deficiente auditivo(5).

Desde a publicação da PNASA, cidadãos brasileiros com perda auditiva têm o direito de receber próteses auditivas pelo Sistema Único de Saúde (SUS)(4). Para tanto, é necessário um diagnóstico completo que determine o tipo e grau da perda, o que envolve avaliação com médico otorrinolaringologista e exames audiológicos, como a audiometria tonal, a logoaudiometria e o teste de imitância acústica, e, em casos específicos, teste de emissão otoacústica evocada e do potencial evocado de tronco encefálico (PEATE).

De acordo com Instrutivo Saúde Auditiva(6), referente às Portarias GM 79 de 24 de abril de 2012 (Portaria 793) (5) e Portaria 835 de 25 de abril de 2012(7), que especifica as diretrizes para o fornecimento de próteses auditivas, os serviços habilitados pelo Ministério da Saúde para o fornecimento destas devem garantir ao usuário o melhor uso possível de seu resíduo auditivo. Para tal, é importante que a indicação da prótese considere tanto características e necessidades individuais quanto às especificações eletroacústicas, ao tipo de tecnologia (tipo A, B e C) e ao modelo da prótese auditiva (retroauricular e intra-auricular)(6).

Com relação às especificações indicadas na legislação (6), as próteses auditivas devem apresentar as características mínimas, a saber:

  • Tipo A: digital, dois canais (ajuste independente do ganho acústico e saída em determinado número de regiões de frequência), controle de volume manual ou automático, processamento não linear do sinal, entrada de áudio nos retroauriculares, redução do ruído, gerenciador de microfonia ativo sem redução do ganho, bobina telefônica (se houver espaço no dispositivo), microfone omni ou direcional.

  • Tipo B: com todos os requisitos do tipo A, acrescentando digital programável, quatro canais, dois programas de áudio (manual e automático), bobina telefônica manual ou automática, redução de ruído e registro de dados de uso.

  • Tipo C: também com todos os requisitos dos tipos A e B, acrescentando seis canais, três programas de áudio (manual ou automático)(6).

A legislação voltada à saúde auditiva possibilitou maior acesso dos usuários a serviços de reabilitação. Estudo que avaliou a PNASA em relação à cobertura de serviços de saúde auditiva e dos procedimentos diagnósticos, no período de 2004 a 2011, observou um aumento significativo de 113% na cobertura dos serviços e 61% nos procedimentos de diagnóstico, em média e alta complexidade, em saúde auditiva(8).

Apesar do melhor acesso do deficiente auditivo à Rede de Atenção à Saúde Auditiva e às tecnologias disponíveis, é necessário considerar a qualidade desses serviços, o que engloba a satisfação dos usuários e a responsividade do serviço(9).

A satisfação dos usuários baseia-se nas suas percepções em relação às expectativas e aos valores e desejos sobre a sua saúde. Já a responsividade refere-se ao desempenho do serviço, na sua capacidade de resposta às expectativas dos usuários em relação aos aspectos para além do cuidado profissional, o que inclui: atendimento digno e respeitoso, respeito à confidencialidade nas consultas, autonomia para optar por tratamentos ou profissionais, atendimento ágil, oferta de apoio social, instalações e infraestrutura. A qualidade da atenção à saúde deve propiciar a adesão do usuário(9).

Estudos relatam que a satisfação do usuário com o uso da prótese auditiva continua sendo um desafio para os profissionais, apesar dos avanços tecnológicos. Há queixas dos usuários em relação ao desconforto com sons intensos do ambiente, dificuldades em conversar em ambiente ruidoso e descontentamentos em relação à autoimagem e ao estigma da deficiência auditiva. Porém, outros estudos com adultos relatam benefícios referidos pelos usuários(10-12).

O Serviço de Média e Alta Complexidade em Saúde Auditiva, que realiza a indicação e adaptação das próteses auditivas, deve ser responsável também pelo acompanhamento periódico aos usuários, monitorando a perda auditiva e a efetividade do uso desse tipo de tecnologia assistiva. Assim, os usuários com idade inferior a três anos devem ser acompanhados até quatro vezes ao ano e, para os usuários maiores de três anos, o acompanhamento deve ser de até duas vezes ao ano(6).

Um estudo avaliou o desempenho e a satisfação de usuários de próteses auditivas adultos e idosos, após um ano de adaptação, evidenciando que, apesar de uma parcela significativa referir moderada ou bastante dificuldade auditiva, a maioria dos usuários considerou o uso das próteses satisfatório (11).

No que se refere a avaliação de procedimentos clínicos e qualidade dos serviços de Saúde Auditiva, conhecer a percepção do uso das próteses auditivas poderá auxiliar na compreensão dos sentimentos e das necessidades dos usuários, o que pode refletir na qualidade e humanização do atendimento, além de ser também uma forma de avaliar os resultados do serviço prestado a esses indivíduos. As informações do benefício das próteses auditivas obtidas por meio de avaliações subjetivas são significativas e importantes para a validação dos resultados da amplificação, e podem ser incorporadas à rotina clínica(11). É importante ressaltar o fato de que tanto a avaliação subjetiva quanto a objetiva são relevantes, e que estas fornecem informações distintas, são complementares e igualmente necessárias.

A partir dessas considerações, o objetivo deste estudo foi caracterizar a indicação, além de analisar a percepção dos usuários adultos quanto às queixas e aos benefícios do uso de próteses auditivas concedidas pelo SUS.

MÉTODOS

Trata-se de estudo transversal, que analisou usuários de próteses auditivas no seu retorno inicial após adaptação, realizado em um serviço de média e alta complexidade em saúde auditiva (SACSA) vinculado ao SUS. O serviço SACSA atende usuários residentes em Curitiba e municípios, que correspondem a primeira e sexta regionais de saúde do Estado, conforme regras estabelecidas pela Secretaria Estadual da Saúde do Paraná.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de ética em Pesquisa sob n.º 2.435.927 e todos os participantes assinaram Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Foram considerados, como critérios de inclusão para o estudo: (i) ser a primeira experiência com uso de prótese auditiva; (ii) apresentar perda auditiva adquirida e pós-lingual; (iii) ter comparecido ao primeiro retorno após adaptação, que ocorre entre um e quatro meses, conforme possibilidade de agendamento; (iv) apresentar os prontuários devidamente preenchidos. Como critérios de exclusão: ter menos de 18 anos e não ter assinado o termo de consentimento para participar da pesquisa. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, a amostra foi totalizada com 100 participantes.

Os participantes foram selecionados de acordo com agendamento do serviço, nos horários disponíveis pelos pesquisadores, para coleta de dados, até completar 100 participantes, sem definição prévia de gênero.

Os participantes da pesquisa foram adaptados, entre junho de 2016 e março de 2017, em consulta com o profissional fonoaudiólogo. Nesse momento, as próteses auditivas foram reguladas, os moldes e tubos adaptados e verificados, e os usuários receberam o manual dos dispositivos e as informações necessárias sobre a assistência técnica e o uso adequado das próteses.

Foram coletados dados contidos nos prontuários com relação a: caracterização dos participantes (idade, gênero, escolaridade), datas de entrada no serviço, características da perda auditiva (audiometria e logoaudiometria, teste Índice Percentual de Reconhecimento da Fala - IPRF), características da seleção e adaptação da prótese (tipo e modelo), e do tempo de uso. No comparecimento para primeiro retorno, foi investigada a percepção de queixas e benefícios em relação ao uso das próteses auditivas, através de entrevista semiestruturada, na qual foram inqueridos sobre as queixas/problemas com a prótese auditiva e os benefícios/vantagens percebidos pelos usuários, sendo as respostas registradas para análise.

Para a análise dos dados, os audiogramas foram classificados quanto ao tipo(13) e grau(14) da perda auditiva e ao IPRF(15), enquanto nível de dificuldade para compreensão da fala. As queixas e os benefícios registrados foram agrupados em categorias e quantificados. Os dados foram quantificados e analisados com procedimentos estatísticos, aplicando-se o Teste de Diferença de Proporções, considerando-se o nível de significância de 0,05 (5%).

RESULTADOS

A amostra apresentou a seguinte divisão por residência: municípios de Curitiba (71%), União da Vitória (14%), Cruz Machado (5%), São Mateus do Sul (2%), Matinhos (2%), Morretes (2%), Guaratuba (2%), Antonina (1%) e Pontal do Paraná (1%).

Na Tabela 1 , consta a caracterização dos 100 participantes quanto a escolaridade, faixa etária e tempo de percepção da perda auditiva, separados por gênero (50 do gênero feminino e 50 do gênero masculino).

Tabela 1 Caracterização quanto a escolaridade, faixa etária e tempo de percepção da perda auditiva (N = 100)  

Variáveis Homens N = 50 Mulheres N = 50 P
Frequência absoluta Frequência relativa Frequência absoluta Frequência relativa
ESCOLARIDADE Sem escolaridade 1 2% 3 6% NSA
Ensino Fundamental incompleto 26 52% 28 56% 0,6882
Ensino Fundamental completo 4 8% 6 12% NSA
Ensino Médio incompleto 7 14% 0 0% NSA
Ensino Médio completo 8 16% 10 20% 0,6027
Ensino Superior incompleto 1 2% 0 0% NSA
Ensino Superior completo 3 6% 3 6% 1,000
FAIXA ETÁRIA 25 a 65 19 38% 13 26% 0,1984
66 a 90 31 62% 37 74% 0,1984
TEMPO DA PERDA AUDITIVA 1 a 5 anos 31 62% 27 54% 0,4177
6 a 10 anos 7 14% 12 24% 0,2025
Mais de 10 anos 9 18% 8 16% 0,7901
Não sabe 3 6% 3 6% NSA

Valores significativos (p≤0,05) – Teste de Diferença de Proporções

Legenda: NSA = Não se aplica

Os participantes apresentavam idades entre 25 e 90 anos (média de 69,96 anos; Desvio Padrão de 12 anos). A faixa etária predominante foi de 66 a 90 anos, sendo 62% de homens e 74% de mulheres.

Quanto à escolaridade, verificaram-se desde participantes sem escolaridade até aqueles com nível superior completo, com predomínio de Ensino Fundamental incompleto (52% homens e 56% mulheres).

O início da percepção da perda auditiva variou entre um e mais de 10 anos, e apresentou maior frequência na faixa de um a cinco anos para ambos os gêneros, com 62% para homens e 54% para mulheres.

Na Tabela 2 , encontram-se descritas as características das perdas auditivas, quanto a tipo e grau da perda, e resultados do IPRF, por gênero.

Tabela 2 Caracterização das perdas auditivas, por gênero e orelha (N = 100)  

Gênero P
Masculino Feminino
OD OE Total OD OE Total OD OE
TIPO DE PERDA AUDITIVA Sensorioneural 42 41 83 (83%) 37 37 74 (74%) 0,9196 0,3342
Mista 8 9 17 (17%) 12 12 24 (24%) 0,3173 0,4614
Condutiva 0 0 0 1 1 2 (2%) NSA NSA
GRAU DA PERDA AUDITIVA Leve 22 20 42 (42%) 21 18 39 (39%) 0,6853 0,6803
Moderada 20 22 42 (42%) 16 22 38 (38%) 0,4047 1,0000
Moderadamente severa 8 7 15 (15%) 9 9 18 (18%) 0,7901 0,5854
Severa 0 1 1 (1%) 4 1 5 (5%) NSA NSA
DIFICULDADE COMPREENSÃO DE FALA (IPRF) Nenhuma dificuldade 13 15 18 (18%) 16 22 38 (38%) 0,5085 0,1471
Ligeira/discreta 19 20 39 (39%) 19 16 35 (35%) 1,0000 0,4047
Moderada 13 11 24 (24%) 12 9 21 (21%) 0,5085 0,6171
Acentuada 1 1 2(2%) 1 0 2 (2%) NSA NSA
Provavelmente incapaz de acompanhar uma conversa 4 3 7 (7%) 2 3 5 (5%) NSA NSA

* Valores significativos (p≤0,05) – Teste de Diferença de Proporções

Legenda: OD = orelha direita; OE = orelha esquerda; NSA = Não se aplica

Com relação a tipo, grau e IPRF, observou-se maior frequência de perda auditiva do tipo sensorioneural, de graus leve e moderado, e dificuldade ligeira/discreta na compreensão da fala, respectivamente. Não houve diferenças significativas quanto às características da perda auditiva em relação ao gênero.

Na Tabela 3 , estão descritos o tempo de espera (em dias) entre a indicação e a adaptação da prótese auditiva, o intervalo entre adaptação e o primeiro retorno para acompanhamento, que são indicativos da qualidade do serviço prestado, e as características das próteses auditivas adaptadas. Obtiveram-se diferenças significativas em relação ao tempo de espera entre a indicação e a adaptação das próteses auditivas, que variou entre 33 e 88 dias (média de 58 dias), predominando o intervalo de 51 a 70 dias. Não houve diferenças significativas em relação ao intervalo entre adaptação e o primeiro retorno para acompanhamento, que variou de 27 a 122 dias (média de 75 dias).

Tabela 3 Características da indicação e adaptação das próteses auditivas (N=100)  

Variáveis Frequência absoluta Frequência relativa (%) P
TEMPO ENTRE INDICAÇÃO E ADAPTAÇÃO (N = 100) 33 a 50 dias 25 25 0,0000*
51 a 70 dias 57 57
71 a 88 dias 18 18
TEMPO ENTRE ADAPTAÇÃO E PRIMEIRO RETORNO (N = 100) 27 a 60 dias 29 29 0,5434
61 a 90 dias 38 38
91 a 122 dias 33 33
TIPO (N = 184) TIPO A 138 75 0,0000*
TIPO B 33 17,93
TIPO C 13 7,06
MODELO (N = 184) Retroauricular 174 94,56 0,0000*
Intra-auricular 10 5,43
ORELHAS PROTETIZADAS (N = 184) Ambas 84 84 0,0000*
Orelha direita 8 8
Orelha esquerda 8 8
TIPO DE MOLDE (N = 174) Molde 126 68,47 0,0000*
Microtubo 44 23,91
Receptor no canal 4 2,17

Valores significativos (p≤0,05) – Teste de Diferença de Proporções

Foi adaptado um total de 184 próteses auditivas, sendo 84 adaptações bilaterais e 16 unilaterais (oito na orelha direita e oito na orelha esquerda), sendo 94,56% do modelo retroauricular e 5,43%, intra-auricular, de tecnologia de tipo A (75%), B (17,93%) e C (7,06%). Houve diferenças significativas quanto à tecnologia das próteses auditivas indicadas, predominando o tipo A, e ao modelo das próteses, predominando as retroauriculares, com molde canal, meia-alça e concha escavada, adaptadas em ambas as orelhas.

Do total da amostra, 49% de usuários relataram benefícios e queixas, 37% de usuários relataram somente benefícios e 14% de usuários, apenas queixas. Como não ocorreram diferenças entre os gêneros em relação às queixas e benefícios, a análise foi realizada sem distinção de gênero.

Na Tabela 4 , é possível observar as queixas (total de 78) e benefícios (total de 112) agrupados por categorias, sendo que alguns participantes relataram mais de uma queixa ou um benefício.

Tabela 4 Queixas e benefícios relatados pelos usuários (N = 100) 

Categorias Frequência absoluta Frequência relativa (%)
QUEIXAS Regulagem (ganho muito baixo ou alto, som estridente) 22 22
Ruídos ambientais (ruído de vento) 14 14
Desconforto molde 13 13
Dificuldade em ambientes não ideais de escuta 8 8
Queixas clínicas (coceira, otorreia, inflamação, tontura) 7 7
Dificuldade manipular/colocar 7 7
Sensação oclusão 6 6
Problemas de funcionamento 1 1
BENEFÍCIOS Melhora na compreensão da fala e da interação social 77 77
Melhora no uso de TV/rádio/música 15 15
Melhora do zumbido 8 8
Melhora no uso de telefone 5 5
Melhora na qualidade de vida 4 4
Melhora na escuta de sons ambientais 3 3

As queixas e os benefícios coletados pela entrevista foram referidos pelos participantes e estão apontados a seguir. A queixa mais relatada foi em relação à regulagem (22%) da prótese auditiva, referindo-se a problemas no ajuste do ganho. Outras queixas envolveram ruídos ambientais (14%), desconforto com o molde (13%), dificuldade em ambientes não ideais de escuta (8%), queixas de coceira, otorreia, inflamação, tontura (7%), dificuldade na manipulação e colocação da prótese (7%), sensação de oclusão (6%) e problemas de funcionamento (1%).

O benefício mais citado foi a melhora na compreensão da fala e na interação social (77%). Outros benefícios referiram-se a melhora no uso de televisão, rádio e música (15%), redução do zumbido (8%), uso de telefone (5%), melhora na qualidade de vida geral (4%) e na escuta de sons ambientais (3%).

Em relação ao tempo semanal de uso, 88 usuários afirmaram fazer uso regular entre 3 e 7 dias na semana. Os 12 participantes que afirmaram não usar as próteses auditivas relataram uma ou mais das seguintes queixas: desconforto ao usar o molde, dificuldade para colocar a prótese, otalgia/otorreia/cefaleia/tontura e problemas de regulagem.

Na Tabela 5 , foram relacionados os usuários que apresentavam queixas e benefícios em relação a tempo de uso semanal, tecnologia, faixa etária, gênero, grau da perda auditiva e resultados do IPRF.

Tabela 5 Relação entre queixas/benefícios e tempo de uso, tecnologia, gênero, faixa etária e perda auditiva  

Variáveis Benefícios (112) % Queixas (78) (%) P
n n
TEMPO DE USO SEMANAL Não usa 3 2,67 15 19,23 NSA
Até 3 dias 16 14,28 15 19,23 0,3636
4 a 5 dias 10 8,92 7 8,97 0,9905
6 a 7 dias 83 74,10 41 52,56 0,0022 *
TECNOLOGIA Tipo A 80 71,42 61 78,20 0,2934
Tipo B 22 19,64 12 15,38 0,4511
Tipo C 10 8,92 5 6,41 0,5278
FAIXA ETÁRIA 25 a 65 31 27,67 23 29,48 0,7855
66 a 90 81 72,32 55 70,51 0,7855
GÊNERO Feminino 58 51,78 42 53,84 0,7797
Masculino 54 48,21 36 46,15 0,7797
GRAU DA PERDA (PIOR ORELHA) Leve 35 31,24 19 24,35 0,3002
Moderado 52 46,42 40 51,28 0,5096
Moderadamente severo 20 17,85 18 23,07 0,3762
Severo 5 4,46 1 1,28 NSA
DIFICULDADE COMPREENSÃO DE FALA (IPRF) CONSIDERADA A PIOR ORELHA) Nenhuma 26 23,21 16 20,51 0,6590
Ligeira/discreta 45 40,17 25 32,05 0,2537
Moderada 26 23,21 30 38,46 0,0233*
Acentuada 2 1,78 2 2,56 NSA
Provavelmente incapaz de acompanhar uma conversa 13 11,60 5 6,41 0,2294

* Valores significativos (p≤0,05) – Teste de Diferença de Proporções

Legenda: NSA = Não se aplica

Houve diferenças significativas com relação ao tempo de uso, sendo que os usuários que utilizavam de seis a sete dias por semana relataram mais benefícios do que queixas (p=0,0022). Houve diferenças significativas em relação à compreensão de fala (resultado do IPRF), verificando-se que usuários com perda auditiva de grau moderado citaram mais queixas do que benefícios. Não foi observada diferença entre os tipos A, B ou C, faixa etária, gênero e grau da perda auditiva.

DISCUSSÃO

O presente estudo analisou os usuários de próteses auditivas de um Serviço de Média e Alta Complexidade em Saúde Auditiva, que compareceram para o primeiro retorno de acompanhamento após a protetização.

Com relação à caracterização da amostra deste estudo, dos 100 participantes analisados, houve homogeneidade em relação ao gênero, 50% para o masculino e 50% para o feminino, enquanto que outra pesquisa realizada em Santa Catarina, com 180 participantes, predominou em 60% o gênero feminino(12).

A idade dos usuários da amostra deste estudo foi predominantemente entre 66 e 90 anos, o que pode ser justificado pelo fato de, conforme a idade, aumentam os casos, ou seja, há maior ocorrência de deficiência auditiva devido à presbiacusia, entre outros fatores que ocasionam perdas auditivas em idosos, tais como doenças e acidentes (16,17). O presente estudo incluiu qualquer perda auditiva, independentemente da causa, pois são diversos os fatores que podem afetar a audição nesta faixa etária e comprometer a discriminação auditiva.

Quanto à escolaridade, predominou o Ensino Fundamental incompleto (52% dos homens e 56% das mulheres). Esse perfil condiz com estudo de caracterização dos usuários do SUS no Brasil, o qual também encontrou maior frequência de escolaridade de nível fundamental (53,7%), sendo 51,8% dos homens e 59,8% das mulheres(18). Em estudo internacional, realizado na cidade de Ahvaz, Irã, com 40 usuários de prótese auditiva, com idade entre 66 e 86 anos (média de 74,62 anos), com gênero predominante masculino, encontrou-se, em relação ao grau de instrução, 90% de analfabetos, 7,5% com Ensino Médio e 2,5% com Ensino Superior(19). A frequência de participantes com menor escolaridade pode estar relacionada com a faixa etária dos mesmos.

Em relação ao tempo de percepção da dificuldade auditiva, a maioria dos usuários referiu seu início entre um e cinco anos, sem diferenças entre os gêneros. Por se tratar de uma amostra com idade concentrada entre 66 e 90 anos de idade e que, provavelmente, sofreu a perda auditiva com o passar dos anos, isso pode justificar a procura pelos serviços de saúde auditiva nesse tempo. Além disso, a alta demanda de pacientes resulta em filas de espera desde a entrada na Atenção Básica até a chegada no Serviço de Média e Alta Complexidade em Saúde Auditiva.

Não foram observadas diferenças significativas entre os gêneros em relação a tipo e grau da perda auditiva, e ao resultado do IPRF. A perda auditiva sensorioneural de graus leve e moderada predominaram. Outro estudo corrobora esses achados, encontrando, em populações idosas, a perda auditiva sensorioneural de grau moderado(16).

O tempo entre a indicação e a adaptação, ou seja, o período que se refere à solicitação das próteses e ao trâmite entre a empresa fornecedora e sua entrega, variou de 33 a 88 dias (média de 58 dias), com predomínio de 51 a 70 dias ( Tabela 3 ), o que pode ser considerado um tempo adequado de espera. Essa variação nos intervalos de tempo entre indicação e adaptação depende da entrega das próteses auditivas pelas quatro empresas credenciadas no serviço.

Os procedimentos para concessão das próteses para o usuários do SUS são autorizados pela Secretaria de Saúde e operacionalizados pelo Subsistema de Autorização de Procedimentos Ambulatoriais de Alta Complexidade/Custo (APAC –SAI), Portaria Conjunta SE/MS/SAS n.° 23 de 21/05/2004, que disponibiliza o Módulo Autorizador como instrumento de Controle com informatização das autorizações(20). A autorização tem a validade de 90 dias, devendo ser renovada caso o aparelho não seja entregue para o usuário nesse prazo. Neste estudo, o tempo entre a indicação e a adaptação foi inferior ao prazo de validade e não houve nenhum caso em que a APAC precisasse ser renovada em virtude de atrasos da entrega.

Todas as próteses auditivas indicadas no presente estudo foram de tecnologia digital e sua prescrição atendia às normativas do SUS, predominando aquelas de Tipo A. Isso demonstra que o serviço está atendendo à recomendação do Instrutivo Saúde Auditiva, que preconiza que 50% das indicações sejam em Tipo A(6).

Identificou-se que a maioria das adaptações (84%) foi em ambas as orelhas do usuário. Dado semelhante foi encontrado em pesquisa realizada em Curitiba, que estudou 36 idosos presbiacúsicos, na qual também ocorreu predomínio de adaptações bilaterais (69,44%)(21). Outro estudo que avaliou 200 usuários de próteses auditivas, de ambos os gêneros, com idade média de 71,3 anos, atendidos no serviço público de saúde, encontrou 76,5% de uso das próteses auditivas bilaterais (22). A adaptação bilateral deve ser preferida à monoaural, pois favorece maiores benefícios ao usuário, como, por exemplo: (i) possibilidade de um ajuste mais adequado, com o ganho equilibrado entre as orelhas; (ii) localização da fonte sonora e eliminação do efeito sombra na audição; (iii) melhor compreensão da fala em ambientes ruidosos; (iv) diminui o efeito da privação auditiva, entre outros benefícios. Há, porém, casos em que a adaptação monoaural mostrará maiores benefícios, como quando há desconforto ao paciente, problemas de destreza manual e impedimentos na orelha que impossibilitem duas adaptações, como cirurgias ou aspectos anatômicos(6,23).

A maior quantidade de próteses auditivas retroauriculares com molde pode ser explicada pela faixa etária predominantemente de idosos, uma vez que o modelo retroauricular é de mais fácil manuseio(24). No presente estudo, foram adaptados apenas 5,43% de modelo intracanal, dado encontrado também em outro estudo, que aponta que foi adaptado este modelo em apenas um paciente(24). É importante avaliar as condições de manuseio, a fim de evitar o uso incorreto e possíveis danos, bem como facilitar a autonomia do usuário nos momentos de colocação e higienização da prótese.

As queixas a respeito das próteses auditivas foram menos frequentes em comparação à percepção de benefícios e referiam-se, predominantemente, a questões de regulagem e desconforto com o molde. Pesquisa realizada com indivíduos na faixa etária de 60 a 86 anos encontrou, como queixas: (i) as mudanças na percepção da própria voz; (ii) a dificuldade de percepção da fala em ambiente ruidoso e ao telefone; (iii) as dificuldades na inserção e remoção das próteses auditivas; (iv) desconforto com os moldes(11). É importante que a regulagem dos algoritmos e a prescrição da prótese auditiva estejam bem adequadas, sendo possível modificar a regulagem para uma melhor adaptação, cada vez mais. A correta seleção, indicação e adaptação das características e dos componentes, para determinado paciente, pode determinar o sucesso do processo como um todo(25).

Outras queixas comumente relatadas na literatura são em relação ao uso do telefone e o incômodo sonoro de ruídos ambientais(10,11,21,23,24,26). Essas queixas também foram evidenciadas na presente pesquisa: o incômodo com ruídos ambientais (14%) e o benefício com o uso do telefone (5%). A recorrência desse tipo de queixas em diferentes estudos sugere que ainda existem limitações tecnológicas a serem superadas, além de indicar a importância do acompanhamento audiológico para ajustes, orientações e monitoramento de possíveis alterações auditivas que necessitem de ajustes das próteses auditivas. Além disso, o acompanhamento periódico permite o acolhimento e a orientação ao usuário e familiares, auxiliando-os a usufruir ao máximo as tecnologias disponíveis.

Usuários regulares de próteses auditivas de 6 a 7 dias por semana observaram maiores benefícios do que queixas (p=0,0022). Outro estudo com 31 idosos encontrou relação significativa entre o uso diário dos aparelhos e a melhora da interação social, indicando que quanto mais o paciente usa o aparelho auditivo, melhor é o seu desempenho comunicativo(27). Essa melhora pode estar relacionada aos efeitos da aclimatização, quando ocorrem melhoras das habilidades auditivas de forma progressiva, conforme indicado em estudo com 40 participantes, entre 28 e 78 anos, com perda auditiva sensorioneural entre leve e moderadamente severa, que verificou melhora progressiva da compreensão de fala tanto no silêncio quanto no ruído, após período de 14 dias a 3 meses de uso(28).

Na análise entre queixas, benefícios e resultados do IPRF, participantes com dificuldade moderada de fala referiram, de forma significante, mais queixas do que benefícios (p=0,0233). Provavelmente, isso decorre da fase de adaptação a essa nova forma de receber o estímulo de fala e, ainda, da necessidade de associar estratégias de comunicação que potencializem o uso das próteses auditivas, como, por exemplo, manter distância adequada e contato visual com o interlocutor.

O presente estudo apresenta, como limitações, o fato de ter analisado usuários de apenas um serviço e de ter coletado os dados no primeiro retorno; dessa forma, sugerem-se estudos transversais e longitudinais, que possam analisar a percepção dos benefícios e as queixas em diferentes intervalos de experiência com proteses auditivas, considerando também outras variáveis, tais como etiologia da perda auditiva, nível socioecônomico e rede de apoio aos usuários.

CONCLUSÃO

A maioria dos participantes era composta de idosos e com escolaridade até Ensino Fundamental incompleto. Predominaram as perdas auditivas sensorioneurais de graus leve e moderado, que receberam indicação das próteses auditivas do tipo retroauricular com molde, do tipo A e adaptação bilateral. O tempo médio de espera entre a indicação e a adaptação da prótese auditiva foi considerado satisfatório, com base na PNASA. A maior parte dos usuários relatou benefícios com a utilização da prótese auditiva, em relação à melhora para compreensão de fala e da interação social; já a queixa mais referida foi em relação à regulagem do ganho da prótese auditiva. Os participantes com dificuldades moderada de fala relataram mais queixas do que benefícios.

O acompanhamento periódico do indivíduo que recebeu a prótese auditiva é necessário, permitindo tanto o acolhimento às suas necessidades como orientações e esclarecimentos ao usuário e aos familiares, para que o mesmo possa usufruir, ao máximo, dessa tecnologia, melhorando sua qualidade de vida.

Trabalho realizado na Universidade Tuiuti do Paraná – Curitiba (PR), Brasil.

Financiamento: Nada a declarar.

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Recebido: 21 de Maio de 2018; Aceito: 05 de Novembro de 2018

Conflito de interesse: Não.

Contribuição dos autores: IHEKM participou da idealização do estudo, coleta, análise e interpretação dos dados e redação do artigo; CGOG participou da idealização do estudo, análise e interpretação dos dados e redação do artigo; CGLB, CAMM e MRI participaram da coleta, análise e interpretação dos dados e redação do artigo.

Autor correspondente: Ingrid H. E. Kolb Mazzarotto. E-mail: ingridmazzarotto@yahoo.com.br

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