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Audiology - Communication Research

On-line version ISSN 2317-6431

Audiol., Commun. Res. vol.24  São Paulo  2019  Epub Mar 28, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/2317-6431-2018-1983 

Artigos Originais

Caracterização da fluência de leitura em escolares do Ensino Fundamental II

Alair Junio Lemes de Andrade1 
http://orcid.org/0000-0002-9860-4480

Letícia Correa Celeste2 

Luciana Mendonça Alves3 

1 Curso de Fonoaudiologia, Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix – Belo Horizonte (MG), Brasil.

2 Curso de Fonoaudiologia, Universidade de Brasília – UnB – Brasília (DF), Brasil.

3 Departamento de Fonoaudiologia, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG – Belo Horizonte (MG), Brasil.

RESUMO

Objetivo

Investigar o desenvolvimento da fluência leitora nos escolares do Ensino Fundamental II a fim de conhecer a evolução dessa habilidade no decorrer das séries pesquisadas.

Métodos

Gravação da leitura oral de um texto por 232 escolares oriundos do ensino público e privado, com média de idade entre 11 e 15 anos, cursando do 6° ao 9° ano, sem alterações de aprendizagem, linguagem, problemas sensoriais ou cognitivos. Na sequência foi aplicado questionário referente ao texto lido. As notas finais de Português foram obtidas junto a secretaria de cada instituição de ensino, a fim de se obter um indicativo do desempenho acadêmico.

Resultados

Houve evolução crescente da acurácia em leitura, exceto para o 7° e 8° anos da escola privada, que obtiveram a mesma média de palavras corretas lidas por minuto, e o 7° ano da escola pública, que obteve resultado inferior ao 6° ano. Os resultados do questionário aplicado indicam que texto foi lido de forma a permitir boa compreensão do conteúdo e as medidas de fluência obtidas são indicadoras de uma leitura com acesso ao significado do texto lido. As correlações existentes entre fluência de leitura e desempenho acadêmico de ambas as escolas são de fraca a moderada.

Conclusão

Os resultados deste estudo permitiram evidenciar que as taxas de fluência e acurácia em leitura aumentaram gradativamente com o avanço da escolaridade no Ensino Fundamental II, fornecendo uma estimativa dos valores esperados para cada ano escolar pesquisado, mediante leitura de um texto de nível fácil.

Palavras-chave:  Leitura; Compreensão; Fluência; Estudantes; Aprendizagem

INTRODUÇÃO

A leitura fluente é habitualmente descrita como a habilidade de ler textos com velocidade, precisão e prosódia, de maneira fácil, suave e espontânea, sem problemas com o reconhecimento automático de palavras. Dessa forma pode-se dizer que a fluência é imprescindível para se compreender a leitura de forma eficaz. Um leitor fluente pode ler em uma velocidade acelerada, reconhecer palavras automaticamente e frasear corretamente, isto é, ler empregando a entonação adequada e a marcação tônica apropriada às palavras e frases(1-5).

O processamento neurobiológico da leitura é uma rede complexa que envolve diversas áreas cerebrais, formando conexões entre grupos de células que se situam em variadas áreas do cérebro humano. Explicando de modo linear, o cérebro lê de forma quase simultânea, sendo o texto inicialmente processado no córtex visual, que envia as informações obtidas para as áreas responsáveis pela linguagem. A área de reconhecimento visual da palavra é responsável por realizar distinções visuais sutis, sendo capaz de reconhecer o texto escrito, enquanto o córtex auditivo permite que o leitor reconheça cada palavra escrita pelo som. Após tais reconhecimentos, a área de Broca liga a palavra escrita à palavra falada. O lobo temporal conclui o processo auxiliando na ligação entre palavra e significado ao evocar memórias oriundas do hipocampo(1,2). É evidente que existe uma hierarquia no processamento da leitura, entretanto a aprendizagem da mesma pode não percorrer sempre um circuito idêntico em todos os cérebros, existindo a possibilidade de algumas diferenças nas áreas cerebrais utilizadas, como nos casos dos leitores com dislexia(6-8).

Sendo a leitura uma habilidade neuropsicolinguística que tem um papel substancial no desenvolvimento pessoal e social, a mesma influencia o desenvolvimento da linguagem oral e a escrita, enriquece o vocabulário do indivíduo, aumentando seu nível de informação e conhecimentos gerais, desenvolve senso crítico e raciocínio, além de tornar o homem capaz de construir seu próprio conhecimento(5).

Entretanto, crianças, adolescentes e jovens que apresentam dificuldades com fluência de leitura não são atraídos pelas informações e os conhecimentos que a mesma promove por dificilmente adquirirem o hábito de ler. Tal falta de fluência na leitura acarreta prejuízos na compreensão textual e assimilação de conteúdo, podendo esses serem indicadores de insucesso no futuro social, acadêmico e profissional(1). Fica evidente que a leitura adequada, assim como sua compreensão, é fundamental para o progresso do homem.

A compreensão de leitura ocorre quando se dá sentido ao material lido, relacionando o que já se conhece previamente com o que se deseja conhecer. Sendo assim, durante a leitura de um texto é produzido um modelo de entendimento mental a respeito do conteúdo lido. Isso é uma capacidade que exige do leitor diversos processos cognitivos que atuam de forma complexa, conduzindo a leitura à adequada compreensão textual (9).

A leitura não é simplesmente a decodificação de símbolos escritos, seu objetivo final, dentre várias finalidades, é a compreensão, ou seja, extrair o significado do texto lido e dar-lhe um sentido adequado. Por consequência, a compreensão da leitura não pode ser impreterivelmente medida, pois ela não representa uma quantidade de qualquer coisa. A compreensão de leitura é definida como o processo pelo qual o texto é interpretado. Isso para o leitor fluente é uma capacidade extremamente complexa que impulsiona uma série de processos envolvendo o reconhecimento das palavras, habilidades linguísticas gerais, conhecimento prévio sobre o assunto, memória, a inferência, a antecipação e o desenvolvimento da expressão clara e organizada de ideias. Assim, o leitor que possui fluência de leitura tende a obter melhor habilidade de compreensão(1,10).

Evidências na literatura apontam que as características de um bom leitor envolvem reconhecimento rápido e acurado de palavras e que a compreensão textual favorece o pensamento crítico, possibilita o domínio da língua culta e propicia a reflexão metalinguística(11,12).

Tendo em vista a importância da leitura em nossa sociedade, o impacto do seu desempenho na vida acadêmica e a escassez de estudos que visam compreender como se dá o desenvolvimento da fluência em leitura em voz alta em escolares do Ensino Fundamental II, o presente estudo busca investigar o desenvolvimento da habilidade de fluência leitora nos escolares do Ensino Fundamental II a fim de conhecer a evolução dessa habilidade no decorrer das séries pesquisadas.

MÉTODO

O presente trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob número de protocolo CAAE 38861914.4.0000.5096.

A fim de verificar a relação entre fluência de leitura e desempenho acadêmico foram realizadas gravações da leitura de 232 escolares do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental II de duas escolas da região metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais, uma da rede pública estadual de ensino e outra da rede privada. Na primeira foram gravados 114 alunos e, na segunda, 118, sendo no total 96 do gênero feminino e 136 do gênero masculino, com média de idade entre 11 e 15 anos.

Optou-se por escolher escolas do sistema público e privado pela diversidade do ensino, sem, no entanto, realizar contraposição entre os sistemas. A escola pública escolhida compõe uma rede com bons resultados em provas nacionais de avaliação de escolares. Apresenta um bom Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (Ideb). Tanto a escola pública quanto a privada são instituições de ensino com índices semelhantes em educação na região pesquisada.

Para serem inclusos na pesquisa, os alunos necessariamente precisavam estar matriculados, ter idade adequada à série, não ter reprovações e não apresentar queixas de alterações de aprendizagem, linguagem, problemas sensoriais ou cognitivos. Os responsáveis legais pelos estudantes foram esclarecidos sobre os objetivos da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), e os escolares participantes, o Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE).

Para garantir a ausência das queixas de alterações referidas, os coordenadores pedagógicos, professores e pais (via questionário anexo ao TCLE) indicaram os escolares que apresentavam as alterações mencionadas. Os mesmos realizaram normalmente os procedimentos de leitura, gravação e resposta às questões sobre o texto mas os áudios não foram considerados para o presente estudo por ele não contemplar, nos seus objetivos, a comparação de alunos com e sem queixa escolar.

As gravações foram realizadas de forma individual nas próprias escolas, em sala isolada de ruídos, em horário não prejudicial à aprendizagem do conteúdo curricular estabelecido pelas instituições de ensino. Foi utilizado um computador portátil conectado a um microfone unidirecional de cabeça e as gravações foram realizadas por meio do software Praat. Em linhas gerais foram esclarecidas eventuais dúvidas dos estudantes e os mesmos foram solicitados a ler em voz alta, de forma natural, um texto de nível fácil, com 210 palavras(13). O texto foi escolhido por conter palavras balanceadas e de alta frequência, o que minimizou o esforço para a decodificação, facilitando a leitura fluente dos acadêmicos por ser um texto padronizado e validado para níveis escolares anteriores.

Logo em seguida aplicou-se um questionário de compreensão do texto lido contendo 10 questões de múltipla escolha com apenas uma alternativa correta para cada pergunta(13). Foram quantificadas as respostas corretas obtidas, pontuando-se 1 para cada resposta correta e 0 para cada resposta incorreta dos participantes, em um escore de até 10 pontos.

Como o objetivo da pesquisa foi medir a fluência de leitura, para garantir que o texto lido apresentasse nível de dificuldade muito pequeno, sem obstáculos ao reconhecimento de palavras, foi utilizado um texto adequado ao Ensino Fundamental I, pois a pretensão era assegurar a boa capacidade de decodificação e reconhecimento automático das palavras. Isso garantiu um possível menor esforço cognitivo para a decodificação, disponibilizando melhor os recursos para o acesso aos padrões de fluência que esses estudantes podem alcançar. Da mesma forma, o questionário aplicado para a interpretação também era adequado ao Ensino Fundamental I. Ressalta-se que a metodologia empregada não é a ideal para se testar a compreensão, que não era o objetivo, mas optou-se por utilizar esse recurso apenas para constatar se havia leitura atenta capaz de evocar fatos literais e inferenciais do texto (e não uma decodificação automática, sem acesso ao significado).

As notas finais da disciplina Português foram obtidas junto às secretarias de cada instituição de ensino com o objetivo de realizar a média do desempenho acadêmico.

Foram calculadas as palavras lidas por minuto (PPM) – taxa de fluência, palavras corretas por minuto (PCPM) – acurácia(14), média de acertos no questionário de compreensão textual e desempenho acadêmico por meio da nota final de Português. Embora não tenha sido o objetivo da pesquisa, foi realizada comparação entre os gêneros feminino e masculino e entre as escolas pesquisadas, a fim de se promover análises complementares e proporcionar maior aprofundamento do perfil dos escolares pesquisados.

Para a análise de PPM, todas as gravações realizadas foram ouvidas e foi contabilizado o número total de palavras lidas durante o primeiro minuto. Com o objetivo de medir as PCPM, foram consideradas somente as palavras lidas corretamente ao longo do primeiro minuto. Essas análises foram feitas por pessoas distintas, a fim de proporcionar maior fidedignidade ao trabalho.

Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva (média, mediana e desvio padrão), por teste de comparação de amostras teste t de student com nível de significância de 5% e teste de Pearson para correlação entre as variáveis taxas de leitura e notas de Português. A correlação de Pearson foi utilizada a fim de verificar a direção (se as variáveis velocidade de leitura e notas tendem a aumentar ou diminuir em conjunto) e resistência (força da relação entre as variáveis velocidade de leitura e notas), pensando-se na relação linear das variáveis escolhidas, considerando:

    a. Direção: Resultado positivo quando a tendência é o aumento ou a diminuição em conjunto; e resultado negativo quando a tendência é o aumento de uma variável com a diminuição da outra;

    b. Resistência: Valor 1 indica relação perfeita entre variáveis; e 0, que não há correlação entre as variáveis.

Ao final da pesquisa foi realizada devolutiva ao coordenador de cada escola com relação a cada turma que participou do estudo quanto ao desenvolvimento da fluência leitora dos alunos, indicando, comparativamente ao desenvolvimento da turma, aqueles que demandavam maior atenção e estratégias de estimulação.

RESULTADOS

Os resultados constaram nas análises de PPM, PCPM, quantidade de acertos na tarefa de interpretação do texto lido e notas finais da disciplina de Português dos 232 escolares, sendo 114 da rede pública e 118 da rede privada de ensino.

A Tabela 1 apresenta os valores médios obtidos para cada ano e escola referentes a PPM, PCPM, acertos e nota final. A tabela mostra que as medidas de fluência e acurácia foram aumentando com os anos escolares e que o desvio padrão se manteve relativamente estável ao longo das séries estudadas, exceto para o 7° e 8° anos da escola privada, que obtiveram a mesma média de PPM, e para o 7° ano da escola pública, que obteve resultados inferiores ao 6° ano nas medidas de PPM, PCPM, acertos e nota final.

Tabela 1 Média e desvio padrão das medidas comparando-se os anos escolares entre as escolas privada e pública  

Ano escolar n Medidas PPM PCPM Acertos Nota final
Privada 6 28 Média 134,9 131,7 9,1 71,2
dp 23,7 24,6 1,1 9,1
7 36 Média 148,3 143,8 9,4 73,4
dp 21,6 21,8 0,9 8,5
8 32 Média 148,0 144,4 9,8 73,7
dp 26,3 26,8 0,6 7,5
9 18 Média 152,6 149,9 9,3 70,4
dp 17,3 17,4 1,7 4,7
Pública 6 28 Média 138,4 137,3 9,6 71,2
dp 18,5 18,7 0,7 9,6
7 28 Média 135,8 132,0 9,0 65,9
dp 22,0 22,1 1,4 6,0
8 29 Média 144,6 142,6 9,4 76,3
dp 23,6 23,7 0,9 7,0
9 33 Média 145,8 143,8 9,2 66,4
dp 19,3 20,4 1,3 6,2

Legenda: n = número de alunos; PPM = palavras por minuto; PCPM = palavras corretas por minuto; dp = desvio padrão

A Tabela 2 apresenta a diferença entre os anos escolares das escolas privada e pública. A análise mostra que, na escola privada, a comparação das medidas de fluência do 6° ano com as de todos os demais anos escolares foi significativa, e para a medida de acurácia houve significância na comparação do sexto com o 7° e com o 9°. Já para a escola pública, a comparação apenas revelou diferença significativa entre o 7° e o 9° ano, tanto para a medida de fluência quanto para a de acurácia.

Tabela 2 Valor p da diferença entre os anos das escolas privada e pública  

PPM PCPM ACERTOS NOTA FINAL PPM PCPM ACERTOS NOTA FINAL
teste t Privada Pública
6x7 0,02 0,05 0,18 0,01 0,60 0,28 0,05 0,01
6x8 0,05 0,07 0,00 0,91 0,26 0,34 0,61 0,02
6x9 0,01 0,01 0,56 0,46 0,12 0,19 0,21 0,02
7x8 0,97 0,92 0,02 0,41 0,13 0,07 0,15 0,00
7x9 0,43 0,27 0,85 0,17 0,05 0,03 0,54 0,76
8x9 0,46 0,38 0,23 0,58 0,83 0,84 0,45 0,00

Legenda: PPM = palavras por minuto; PCPM = palavras corretas por minuto; teste t de student com significância de 5%

Em relação aos acertos na interpretação do texto lido, os valores significativos são do 6° para o 8° e do 7° para o 8° ano da escola privada e apenas do 6° para o 7° ano na pública, sendo que o 6° ano obteve a maior média de acertos no teste dentre todos os anos pesquisados na escola pública.

Embora os resultados estatísticos evidenciem, para a escola pública, diferenças significativas em relação às notas finais em todos os anos pesquisados, exceto na comparação do 7° com o 9° ano ( Tabela 2 ), a análise das médias indica que não há evolução gradual das notas, mas que as mesmas oscilam de ano para ano escolar. Na escola privada não foram observadas diferenças significativas na comparação entre os anos escolares para as notas finais, exceto entre o 6° e o 7° ano.

A Tabela 3 apresenta os valores p para a comparação entre as escolas privada e pública. Observa-se que apenas o 7° ano apresenta valor p significativo para leitura de PPM e PCPM. Nota-se que o 7° e o 9° ano apresentaram valores significativos quando comparadas as notas finais. Quanto aos acertos da interpretação do texto lido, apenas o 6° ano apresenta valor significativo.

Tabela 3 Diferença entre as escolas privada e pública 

SÉRIE PPM PCPM ACERTOS NOTA FINAL IDADE
6 0,5 0,3 0,05 0,9 0,5
7 0,02 0,03 0,2 0,0001 0,3
8 0,6 0,8 0,06 0,2 0,2
9 0,2 0,3 0,8 0,03 0,7

Legenda: PPM = palavras por minuto; PCPM = palavras corretas por minuto; teste t de student com significância de 5%

Como pode ser observado na Tabela 4 , a análise não mostrou diferença estatística significativa na comparação entre os gêneros feminino e masculino. Mas indicou diferença significativa em relação às notas finais da escola privada, na qual o gênero feminino, no 6° e no 8° ano, se sobressaiu. Ainda comparando os gêneros, quanto aos acertos da interpretação do texto lido, o gênero masculino no 8° ano da escola pública foi melhor em relação ao gênero feminino.

Tabela 4 Média e desvio padrão das medidas comparando-se os gêneros feminino e masculino entre as escolas privada e pública  

Escola Série Gênero Medidas PPM PCPM ACERTOS Nota final
Privada 6 F Média 137,6 135,6 9,2 76,3
dp 25,5 25,8 1,0 9,6
M Média 132,3 128,1 8,9 66,1
dp 22,6 23,7 1,2 4,9
p 0,6 0,4 0,5 0,007
7 F Média 143,2 138,9 9,3 72,7
dp 24,5 25,0 1,0 7,7
M Média 153,3 148,6 9,6 74,1
dp 17,4 17,4 0,8 9,6
p 0,2 0,2 0,3 0,7
8 F Média 149,2 144,9 10,0 77,8
dp 21,7 23,5 0,0 6,8
M Média 146,9 143,9 9,7 69,3
dp 30,8 30,4 0,8 5,5
p 0,8 0,9 0,1 0,002
6 F Média 137,6 137,4 9,6 71,9
dp 19,8 19,1 0,7 9,2
Pública M Média 139,5 137,1 9,5 70,3
dp 17,9 19,5 0,6 10,7
p 0,8 1,0 0,5 0,6
7 F Média 140,4 136,6 9,2 67,1
dp 22,2 23,8 0,9 6,5
M Média 133,2 129,3 8,9 65,2
dp 22,4 21,6 1,7 5,8
p 0,3 0,3 0,4 0,4
8 F Média 152,2 149,9 9,0 79,1
dp 23,6 24,6 1,2 7,0
M Média 138,4 136,6 9,8 74,0
dp 23,2 22,8 0,4 6,5
p 0,1 0,1 0,04 0,06
9 F Média 145,6 144,1 9,0 66,2
dp 16,4 17,3 1,8 6,0
M Média 145,9 143,4 9,4 66,4
dp 21,3 22,5 0,8 6,5
p 1,0 0,9 0,5 0,9

Legenda: F = feminino; M = masculino; PPM = palavras por minuto; PCPM = palavras corretas por minuto; p = diferença estatística considerando p < 0,05; dp = desvio padrão

De acordo com a apresentação da Tabela 5 , os dados indicam uma correlação de fraca a moderada entre PPM, PCPM e desempenho acadêmico para os anos escolares analisados em ambas as escolas.

Tabela 5 Correlações entre palavras por minuto, palavras corretas por minuto e desempenho acadêmico nas escolas privada e pública  

ESCOLA PRIVADA
6 7 8 9 Total Privada
PPM NOTA 0,485 0,436 0,235 0,354 0,381
PCPM NOTA 0,492 0,455 0,226 0,350 0,384
ESCOLA PÚBLICA
6 7 8 9 Total
Pública
PPM NOTA 0,333 -0,054 0,613 0,459 0,240
PCPM NOTA 0,346 -0,018 0,604 0,464 0,263
TOTAL
6 7 8 9 Total
PPM NOTA 0,369 0,247 0,395 0,449 0,305
PCPM NOTA 0,383 0,266 0,393 0,450 0,318

Legenda: PPM = palavras por minuto; PCPM = palavras corretas por minuto; teste de Pearson

DISCUSSÃO

Os resultados da pesquisa apontaram, de uma maneira geral, para evolução na habilidade de fluência leitora do decorrer do Ensino Fundamental II, o que está de acordo com a literatura, que evidencia aumento da fluência com o avançar dos anos escolares(2,3,12,15,16). Especialmente os resultados apresentados pela escola particular marcam bem essa evolução, ao evidenciar significância estatística entre as comparações de PPM do 6° ano, que é o ano inicial do Ensino Fundamental II, com todas as séries subsequentes.

Adicionalmente, o estudo provê os parâmetros esperados para essa faixa de escolaridade tão pouco estudada na literatura nacional. Ressalta-se a escassez de pesquisas com o público de adolescentes no Português brasileiro, sobretudo com as habilidades relacionadas a linguagem oral e escrita. O presente estudo revela que valores entre 135 e 153 palavras lidas por minuto e entre 132 e 150 palavras lidas corretamente por minuto podem ser esperadas para esse período escolar específico, resultados coerentes com os apontados pela literatura nacional(17) e aquém dos valores referenciados para o Português europeu (16).

Tais valores foram gradativamente aumentando entre o 6° e o 9° ano, indicando aumento na proficiência em fluência leitora, exceto pelos do 7° ano da escola pública, que expressou resultados inferiores ao do 6°. Os acadêmicos do 7° para o 8° ano da escola privada permaneceram estagnados em relação a fluência, já que mantiveram a mesma média de 148 PPM.

Os resultados inferiores apresentados pelo 7° ano da escola pública parecem refletir alguma defasagem específica desse ano escolar na escola pesquisada, uma vez que todas as medidas desse ano apresentaram-se significativamente inferiores em relação à escola particular pesquisada, sendo que foi a única turma na qual as diferenças significativas entre as escolas foram apontadas para mais de uma habilidade investigada ( Tabela 3 ).

Reforça-se que não houve, no presente estudo, o propósito de realizar comparação entre o sistema público e particular de ensino. As comparações foram conduzidas entre as duas escolas pesquisadas com o objetivo de compreender melhor os contextos estudados e aumentar a validade das análises realizadas, inclusive pelo resultado inesperado em relação ao 7° ano.

Conforme esperado, a estatística não apontou diferença significativa na comparação entre as escolas, uma vez que a escola pública estudada não é prototípica. A escola em questão é uma da rede estadual de ensino com amplo reconhecimento por seus bons resultados em provas nacionais. O desempenho inferior de alunos de escolas públicas, comparado ao de escolas privadas, tem sido observado em estudos dentro da realidade brasileira. Dessa forma, os nossos achados não corroboram a literatura, que indica que possivelmente práticas educativas, condições socioculturais, ambiente social, dentre outros condicionantes de alunos provenientes de escolas públicas influenciam negativamente na aprendizagem dos escolares(18-20). Alerta-se para o fato de que tais constatações não podem ser generalizadas sem que se atente ao cenário estudado e indicadores educacionais das escolas pesquisadas. Estudos com populações escolares devem ser conduzidos de forma a se nortear em relação ao contexto, índices educacionais e outras variáveis sem estigmatizar a rede de ensino a que pertencem. A heterogeneidade entre os diversos contextos no Brasil é enorme. Em um estudo para verificar o desempenho de leitura e escrita de cinco escolas públicas, pesquisadores encontraram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, mostrando uma alta variabilidade dos desempenhos (21).

Os estudos utilizados como referência afirmam existir fortes correlações entre fluência de leitura, decodificação e compreensão (2-4,12,22,23). Quando a leitura é lentificada, a memória de trabalho é prejudicada, acarretando prejuízo na compreensão do texto lido, diminuindo o nível de fluência de leitura e compreensão, além de promover um desempenho acadêmico menor(24,25).

A evolução encontrada em fluência de leitura e compreensão textual quando comparados os anos escolares é prevista na literatura, quando dizem que o esperado é que os alunos evoluam na leitura e compreensão textual ano após ano escolar, uma vez que há um progresso no reconhecimento automático das palavras e o mesmo se mostra importante para o desenvolvimento da compreensão(25).

Uma vez que as habilidades de fluência de leitura e compreensão textual são interligadas, quando existe evolução em tais habilidades o desempenho acadêmico também tende a progredir. A literatura indica que os anos escolares mais avançados apontam desempenho superior aos anos iniciais(26). O mesmo estudo corrobora os resultados desta pesquisa, nos quais se observa uma evolução crescente da compreensão em leitura do 6° para o 8° ano e do 7° para o 8° ano na escola privada, e do 6° para o 7° na escola pública. Assim, há uma progressão de leitura e compreensão do texto lido na escola privada e também fluência de leitura e desempenho acadêmico na escola pública dos anos iniciais para os anos mais avançados. Há que se fazer uma ressalva quanto a essa tendência, especificamente em relação à evolução da habilidade de compreensão leitora, que não foi observada para todos os anos escolares no presente estudo.

Tais resultados podem ser atribuídos ao nível de dificuldade do texto aplicado, muito fácil para a população estudada, adequado para o Ensino Fundamental I, uma vez que o estudo não objetivou avaliar a compreensão leitora mas utilizou-se do teste para monitorar a capacidade de absorção geral do conteúdo após a leitura oral (ou seja, apenas conferir se foi realizada uma leitura atenta e capaz de absorver o conteúdo geral). Como indicador de capacidade de internalização do conteúdo, o questionário apontou um bom desempenho para todos os escolares, uma vez que a média de acerto nas questões para todas os anos escolares testados foi acima de 9 (em 10 questões), conforme esperado. Ou seja, o texto foi lido de forma a permitir boa compreensão do conteúdo e as medidas de fluência são indicadores de uma leitura com acesso ao significado do texto lido.

De forma localizada, foi observado, pela análise dos dados, que o 6º ano da escola pública se sobressaiu em relação a escola privada na interpretação de texto, assim como se sobressaiu em relação a todos os anos escolares seguintes. Mesmo não havendo diferença estatística significativa, o 6º ano da escola pública foi um pouco melhor em relação a fluência de leitura e acurácia. É notório que o leitor que possui boa fluência de leitura tem maiores chances de obter melhor desempenho na compreensão textual (4,25).

Segundo os resultados desta pesquisa, é possível dizer que os gêneros feminino e masculino evoluem igualmente em relação a leitura. Entretanto, o desempenho acadêmico do gênero feminino no 6° e 8° ano da escola privada foi superior ao do gênero masculino. Foi encontrado na literatura internacional que as meninas superam os meninos na disciplina Português por apresentarem maior competência no domínio verbal(27). Outro estudo brasileiro no qual foi pesquisado o desempenho de escolares em relação à avaliação formal considera que o gênero masculino seja mais favorecido pelos padrões educacionais, nos quais o desempenho acadêmico inferior é facilmente mais aceito. Contudo, é indicado na pesquisa que a genética investiga melhor as diferenças de desempenho acadêmico entre os gêneros, atribuindo o baixo desempenho escolar dos meninos a uma carga genética que aponta para uma ocorrência maior de dificuldades no desempenho acadêmico(28). Todavia, os resultados desta pesquisa não nos permitem afirmar que as meninas são melhores alunas que os meninos, nem mesmo quanto ao desempenho acadêmico, uma vez que o mesmo foi investigado somente pela nota final da disciplina Português e existem outras variáveis. Além disso, essa foi uma amostragem pequena em uma situação específica.

Não foi encontrado na literatura um estudo que pudesse justificar o desempenho superior do gênero masculino do 8º ano da escola pública em relação a interpretação do texto lido. Contudo, o número desigual de participantes pode ter influenciado o resultado encontrado, uma vez que o número de alunos do gênero masculino foi muito superior ao feminino no ano e escola pesquisada.

A literatura afirma que, no seguimento dos anos escolares, os alunos passam a concentrar seus esforços em obter conhecimento por meio da compreensão que se dá ao material escrito e não mais no esforço da habilidade de ler. Dessa forma, a leitura se torna indispensável para o sucesso do desempenho escolar(17). Os resultados das nossas análises do desempenho acadêmico medido por meio da nota final de Português não mostrou nenhuma tendência significativa, uma vez que as notas oscilaram no decorrer do avançar dos anos escolares. A correlação entre taxa de leitura e desempenho escolar por meio de notas da disciplina Português ( Tabela 5 ) aponta para uma correlação fraca. À princípio, poderia se esperar uma correlação forte, uma vez que a literatura apresenta a fluência leitora como forte indicador de compreensão de leitura(4,9,10,24,25). Entretanto, sabe-se também que as notas escolares vão além da compreensão textual isolada, incluindo-se, além de provas objetivas e dissertativas (que demandam habilidades como capacidade de estruturação de texto, habilidades sintáticas, morfológicas e ortográficas), uma grande variedade de atividades avaliativas, como, por exemplo, exercícios em sala, seminários e trabalhos em grupo. Além disso, a questão do desempenho acadêmico é mais ampla, pois faz-se também nos conteúdos escolares de outras disciplinas, que também são interpretativos. Como consequência, esse indicador deve ser mais profundamente analisado para que conclusões precisas sejam tratadas e discutidas com maior propriedade. Portanto, a escolha por esse indicador de desempenho foi uma fragilidade do estudo, que deve ser reconsiderada em estudos posteriores.

O estudo apresentou a evolução da habilidade de fluência em escolares do Ensino Fundamental II e exibe os valores esperados para essa faixa de escolaridade mediante leitura de texto de nível fácil, sem maiores demandas de decodificação. Estudos posteriores com textos adequados a cada ano escolar devem ser desenvolvidos para que se verifique o desempenho em fluência mediante grau maior de dificuldade. O maior empecilho para essa investigação futura é a escassez de instrumentos de avaliação, validados no Português brasileiro, voltados para a população adolescente foco desta pesquisa. Trabalhos voltados para o desenvolvimento de instrumentos específicos para essa faixa etária são imprescindíveis e urgentes para futuros estudos.

CONCLUSÃO

Os resultados deste estudo permitiram evidenciar que as taxas de fluência e acurácia em leitura aumentaram gradativamente com o avanço da escolaridade em quase todos os anos escolares do Ensino Fundamental II pesquisados, fornecendo uma estimativa dos valores esperados para cada ano escolar pesquisado, mediante leitura de um texto de nível fácil. Os resultados do questionário aplicado indicaram que o texto foi lido de forma a permitir boa compreensão do conteúdo e as medidas de fluência obtidas são indicadoras de uma leitura com acesso ao significado do texto lido.

Não houve diferença significativa na comparação entre os gêneros e entre as escolas pesquisadas. As correlações existentes entre fluência de leitura, compreensão textual e desempenho acadêmico foram de fraca a moderada. O estudo ressalta a necessidade de se ampliarem as pesquisas das habilidades de leitura do público adolescente, assim como da proposição de instrumentos de avaliação adequados para essa faixa de escolaridade.

Trabalho realizado no Curso de Fonoaudiologia, Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix – Belo Horizonte (MG), Brasil.

Financiamento: CNPq – processo nº 477155-2013-8.

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Recebido: 12 de Janeiro de 2018; Aceito: 31 de Outubro de 2018

Conflito de interesses: Não.

Contribuição dos autores: LMA escreveu o projeto de pesquisa, o submeteu ao CEP; fez os contatos para a realização das coletas e participou da mesma; participou das análises e escrita do artigo; LCC participou da escrita do projeto de pesquisa e submissão ao CEP, realizou as análises estatísticas e trabalhou na discussão do texto e revisão; AJLA participou da coleta de dados, realizou as análises, escrita e revisão do artigo.

Autor correspondente: Alair Junio Lemes de Andrade. E-mail: alairlemes@hotmail.com

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