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Audiology - Communication Research

versão On-line ISSN 2317-6431

Audiol., Commun. Res. vol.24  São Paulo  2019  Epub 17-Out-2019

http://dx.doi.org/10.1590/2317-6431-2019-2226 

Carta ao Editor

Concepções estatísticas referente ao uso combinado de questionário e tarefas auditivas

Inaie Maria Prado de Souza1 
http://orcid.org/0000-0001-9721-6569

Nádia Giulian de Carvalho2 
http://orcid.org/0000-0003-2475-0095

Samantha Dayane Camargo Brito Plotegher3 
http://orcid.org/0000-0003-2363-5140

Maria Francisca Colella-Santos4 
http://orcid.org/0000-0002-7456-9502

Maria Isabel Ramos do Amaral5 
http://orcid.org/0000-0002-6909-3597

1Curso de Fonoaudiologia, Faculdade de Ciências Médicas – FCM, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – Campinas (SP), Brasil.

2Programa Saúde da Criança e do Adolescente, Centro de Investigação em Pediatria – CIPED, Faculdade de Ciências Médicas – FCM, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – Campinas (SP), Brasil.

3Programa Saúde, Interdisciplinaridade e Reabilitação, Departamento de Desenvolvimento Humano e Reabilitação – DDHR, Faculdade de Ciências Médicas – FCM, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – Campinas (SP), Brasil.

4Departamento de Desenvolvimento Humano e Reabilitação – DDHR, Centro de Investigação em Pediatria – CIPED, Faculdade de Ciências Médicas – FCM, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – Campinas (SP), Brasil.

5Departamento de Desenvolvimento Humano e Reabilitação – DDHR, Faculdade de Ciências Médicas – FCM, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – Campinas (SP), Brasil.

RESPOSTA

Em resposta à carta recebida, relacionada ao artigo de nossa autoria, publicado no presente periódico, intitulado “Triagem do processamento auditivo central: contribuições do uso combinado de questionário e tarefas auditivas”(1), os autores consideram válido o diálogo científico e a construção conjunta de novos conhecimentos, com foco nas práticas baseadas em evidências. Mesmo com os avanços atuais da ciência, é sabido que, a despeito do aumento do rigor metodológico-científico das publicações atuais, não existe a pesquisa perfeita e possíveis vieses científicos podem ser evidenciados, incentivando o diálogo e explanações pertinentes (2).

Dois pontos foram levantados a respeito da necessidade de esclarecimentos de concepções estatísticas utilizadas, especificamente, no cálculo de correlação. A citada Tabela 1, referente ao teste de Correlação de Pearson, apresentou os valores de r multiplicados por 100. A apresentação dos resultados em porcentagem foi escolhida a partir de discussões prévias com profissionais da área de estatística, visando facilitar a visualização do resultado, sem comprometimento de sua interpretação, uma vez que a análise dos autores foi restrita à interpretação dos valores da força da correlação, sendo positiva ou negativa. Porém, ponderamos que isso não foi sinalizado na Tabela 1 (o correto seria corr (r) X100), bem como não foram reportados os valores brutos. Diante do exposto, e concordando com o apontamento de que a representação desse dado em porcentagem pode dar margem à interpretação de covariância, optamos por disponibilizar a Tabela 1, inserindo os citados valores de r.

Tabela 1 Correlação entre o questionário de autopercepção e as tarefas auditivas da Avaliação Simplificada do Processamento Auditivo, considerando os grupos GI e GII (n=67) 

Grupo I Localização Sonora MSSV MSSNV
Corr (r) valor de p Corr (r) valor de p Corr (r) valor de p
Escore 1 -0,127 0,436 0,200 0,217 0,141 0,385
Escore 2 -0,147 0,366 -0,193 0,233 0,150 0,356
Escore 3 -0,157 0,332 -0,056 0,729 0,191 0,237
Escore 4 -0,003 0,987 -0,238 0,139 0,024 0,881
Escore 5 0,067 0,681 -0,225 0,162 -0,178 0,271
Escore 6 -0,233 0,148 -0,147 0,364 -0,351 0,026
Escore 7 0,190 0,241 0,085 0,602 0,241 0,134
Escore 8 -0,042 0,799 -0,260 0,105 0,078 0,632
Escore 9 -0,176 0,278 0,100 0,539 -0,315 0,048
Escore 10 0,018 0,910 -0,046 0,780 0,066 0,685
Escore 11 -0,259 0,107 0,054 0,739 -0,041 0,800
Escore 12 -0,347 0,028 0,300 0,060 0,096 0,554
Pontuação -0,205 0,204 -0,106 0,517 0,012 0,939
Grupo II Localização Sonora MSSV MSSNV
Corr (r) valor de p Corr (r) valor de p Corr (r) valor de p
Escore 1 0,282 0,154 0,047 0,815 0,221 0,267
Escore 2 -0,011 0,955 -0,332 0,091 -0,086 0,671
Escore 3 0,171 0,393 -0,383 0,049 0,181 0,367
Escore 4 0,027 0,895 -0,069 0,734 -0,427 0,026
Escore 5 0,159 0,429 -0,061 0,762 0,266 0,179
Escore 6 0,250 0,209 -0,472 0,013 0,263 0,185
Escore 7 0,032 0,874 0,171 0,394 0,257 0,196
Escore 8 0,084 0,675 0,000 0,999 0,083 0,680
Escore 9 0,114 0,573 0,033 0,869 -0,213 0,285
Escore 10 0,173 0,389 -0,297 0,132 0,323 0,101
Escore 11 0,016 0,935 -0,446 0,020 0,254 0,201
Escore 12 -0,181 0,367 -0,297 0,132 0,243 0,223
Pontuação 0,179 0,371 -0,373 0,056 0,272 0,170

Correlação de Pearson

Legenda: MSSV = memória para sons verbais; MSSNV = memórias para sons não verbais; Corr (r) =cálculo de correlação

Consideramos, ainda, necessária uma ressalva em relação à afirmação de que a análise de correlação indica correlações diretamente ou inversamente proporcionais e de que valores absolutos maiores apontam correlações mais fortes. A análise de correlação é uma grandeza adimensional, que pode ser usada para indicar relações lineares entre pares de variáveis, em diferentes unidades(3). Para indicar proporcionalidade, a análise estatística utilizada é a regressão linear simples, análise que não condiz com o objetivo do presente estudo, que não foi a predição de uma variável em função da outra(3).

O segundo ponto questiona a ausência da correção para comparações múltiplas dos valores de p referentes a cada r, tendo sido citada a correção de Bonferroni. O presente estudo não trabalhou com testes de comparações múltiplas, ou mesmo de correlações múltiplas, cuja inferência é feita com base em mais de duas variáveis. Os autores compreendem a afirmação, porém, múltiplas análises de comparação e análise de comparações múltiplas são questões diferentes. Múltiplas comparações referem-se a vários testes de comparação. Já a análise de comparações múltiplas, refere-se a uma análise de comparação entre mais de duas variáveis. O método de ajuste ou correção de Bonferroni (0,05/número de comparações) é utilizado, comumente, para correções de médias ou postos em testes de comparações múltiplas, nos quais múltiplas comparações são feitas, e a correção diminui a probabilidade de se cometer um erro do Tipo I(4). Tal cálculo não se aplica no presente estudo, visto que o objetivo foi correlacionar cada escore do questionário de autopercepção, a cada uma das tarefas auditivas da Avaliação Simplificada do Processamento Auditivo.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao Espaço da Escrita, Pró-Reitoria de Pesquisa – UNICAMP, pelo serviço de tradução fornecido.

Trabalho realizado no Departamento de Desenvolvimento Humano e Reabilitação – DDHR, Faculdade de Ciências Médicas – FCM, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – Campinas (SP), Brasil.

Financiamento: FAPESP. Processo nº 2016/22652-8.

REFERÊNCIAS

1 Souza IMP, Carvalho NG, Plotegher SDCB, Colella-Santos MF, Amaral MIR. Triagem do processamento auditivo central: contribuições do uso combinado de questionário e tarefas auditivas. Audiol Commun Res. 2018 Dez;23:1-8. http://dx.doi.org/10.1590/2317-6431-2018-2021. [ Links ]

2 Amorim MMR, Souza ASR. A cultura da carta ao editor. Femina. 2013;41(1):1-4. [ Links ]

3 Montgomery DC, Runger GC. Estatística aplicada e probabilidade para engenheiros. Rio de Janeiro: LTC; 2016. [ Links ]

4 Dancey CP, Reidy JG, Rowe R. Estatística sem matemática para as Ciências da Saúde. Porto Alegre: Penso; 2017. [ Links ]

Recebido: 31 de Julho de 2019; Aceito: 05 de Agosto de 2019

Conflito de interesses: Não.

Contribuição dos autores: IMPS, NGC, SDCBP e MIRA participaram igualmente da análise do conteúdo da carta recebida, reanálise dos dados, discussões estatísticas e elaboração da carta-resposta; NGC, MIRA, MFCS participaram da redação e revisão da versão final da carta e NGC realizou a submissão.

Autor correspondente: Nadia Giulian de Carvalho. E-mail: nadiagiulian@gmail.com

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