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Journal of Physical Education

versão On-line ISSN 2448-2455

J. Phys. Educ. vol.28  Maringá  2017  Epub 26-Out-2017

http://dx.doi.org/10.4025/jphyseduc.v28i1.2835 

ORIGINAL ARTICLE

PERCEPÇÃO DE QUALIDADE DE SONO E DE VIDA EM ATLETAS PARALÍMPICOS: COMPARAÇÃO ENTRE ATLETAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA E VISUAL

PERCEPTION OF SLEEP AND QUALITY OF LIFE IN PARALYMPIC ATHLETES: COMPARISON BETWEEN ATHLETES WITH PHYSICAL AND VISUAL DISABILITIES

Analice Rodrigues da Cruz1 

Dayane Ferreira Rodrigues1 

Marco Túlio de Mello1 

Mário Antônio de Moura Simim1 

João Paulo Pereira Rosa1 

Ciro Winckler2 

Andressa Silva1 

1Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte-MG, Brasil.

2Universidade Federal de São Paulo, Santos-SP, Brasil.

RESUMO

O esporte paralímpico cresceu muito nos últimos anos, com isso, torna-se importante a avaliação do sono e da qualidade de vida dos atletas, as quais podem influenciar em seus desempenhos. O objetivo do estudo foi verificar a diferença de percepção de qualidade de sono e de vida entre atletas paralímpicos dois meses antes dos Jogos Paralímpicos de Londres. Foram avaliados 30 atletas com deficiência física (18 atletas) e deficiência visual (12 atletas). Para avaliar a qualidade subjetiva de sono, a sonolência e a qualidade de vida (QV) utilizou-se o questionário de Pittsburgh, a escala de Epworth e o WHOQOL-bref, respectivamente. Para comparação entre grupos de deficiência foi utilizado o teste Mann-Whitney. Para verificar diferenças entre os domínios de QV foi utilizado o teste de Friedman, seguido do teste de Wilcoxon. A associação entre variáveis nominais foi analisada pelo teste qui-quadrado. Houve predomínio de atletas com eficiência de sono >85%. Não houve diferença entre os grupos na comparação da percepção da qualidade de sono. O domínio “meio ambiente” apresentou menor escore comparado a todos os outros domínios, enquanto o domínio “relações sociais” apresentou menor escore comparado ao domínio “psicológico”. Não houve diferença na qualidade de sono e QV entre as deficiências.

Palavras-chave: Sono; Qualidade de vida; Atletas com Deficiência; Paralímpico.

ABSTRACT

Paralympic sport has grown significantly in recent years, andtherefore, is important to evaluate the sleep and the quality of life of these athletes, which can influence their performance. The objective of the study was to verify if there is a difference in perceptions of sleep and quality of life among Paralympic athletes, two months before the London Paralympic Games. A total of30 athletes with physical disability (18 athletes) and visual impairment (12 athletes) were evaluated. The Pittsburgh questionnaire, the Epworth scale and the WHOQOL-bref, respectively, were used to assess subjective sleep quality, somnolence and quality of life (QOL). For comparison between disability groups were used the Mann-Whitney test. To verify differences between the domains of QOL, the Friedman test was used, followed by the Wilcoxon test. The association between nominal variables was analyzed by the Chi-square test. There was a predominance of athletes with sleep efficiency >85%. There was no difference between the groups in the comparison of perception of the quality of sleep. The domain "environment" showed lower scores compared to the other domains, while the domain "social relations" showed lower score compared to the "psychological". There was no difference in the sleep and life between disabilities.

Keywords: Sleep; Quality of life; Disabled Athlete; Paralimpyc.

Introdução

O esporte paralímpico cresceu nos últimos anos, bem como os avanços no treinamento, os quais contribuíram para que resultados obtidos pelos atletas fossem significativos e conquistassem divulgação expressiva na mídia1. Considerando, que a principal competição para pessoas com deficiência física e visual é a participação nos jogos paralímpicos, esse evento tem se tornado mais competitivo a cada edição, principalmente com melhoria dos conhecimentos adquiridos a respeito do processo de treinamento esportivo2),(3. O processo de treinamento esportivo é baseado na relação entre cargas de treinamento e o tempo de recuperação do atleta4. Nesse sentido, a recuperação inadequada no processo de treinamento pode impactar diretamente na qualidade de sono e de vida de atletas paralímpicos5.

O sono é um processo biológico e natural considerado na literatura científica como necessário para a recuperação física e cognitiva dos atletas após os treinamentos e competições6),(7. Situações como horário dos treinamentos8),(9, os períodos pré-competitivos10 e horários das provas em algumas competições11) podem impactar no tempo total e na qualidade de sono, afetando diretamente o padrão de sono dos atletas e consequentemente o desempenho esportivo7),(8),(9),(10. Em geral, pessoas com deficiência apresentam diferentes distúrbios de sono12),(13, tais como sono interrompido, aumento da latência do sono, curta duração do sono e cochilos diurnos.

Adicionalmente, restrições crônicas ou agudas de sono tem efeitos adversos na saúde e desempenho físico, afetando também a qualidade de vida12 dos atletas. No caso de atletas paralímpicos, a literatura sugere que a percepção de qualidade de vida é reduzida naqueles com deficiência visual13),(14 e com deficiência física, mas sedentários15),(16.

Considerando que atletas com deficiência física ou visual podem apresentar alterações na qualidade de sono e de vida, o objetivo do presente estudo foi verificar se existe diferença para percepção de qualidade de sono e de vida entre atletas paralímpicos deficientes físicos e visuais dois meses antes dos jogos Paralímpicos de Londres 2012.

Métodos

Participantes

Foram avaliados 30 atletas paralímpicos da modalidade de atletismo (20 homens e 10 mulheres) distribuídos em dois grupos: 18 atletas (60%) com deficiência física (DF) e 12 atletas (40%) com deficiência visual (DV). O grupo DF foi composto por sete atletas amputados (39%), cinco com paralisia cerebral (28%), três com malformação congênita (17%), dois com mínimas deficiências (11%) (atletas com deficiências de membros comparáveis a amputação e específicos para cada modalidade esportiva) e um com nanismo (6%). O grupo DV foi composto por oito atletas cegos (B1) (67%) e quatro atletas com baixa visão (B2/B3) (36%). Os atletas apresentaram média idade de 30±7,04 anos (DF=29,27±1,39; DV=31,08±2,72 anos).

Procedimentos

O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (CEP 0294/11). Todos os atletas assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, concordando em participar voluntariamente da pesquisa. A pesquisa foi desenvolvida no Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício, localizado na cidade de São Paulo, no qual, os atletas da seleção paralímpica de atletismo realizavam avaliações periódicas para a preparação para os Jogos Paralímpicos de Londres 2012. Primeiramente os atletas preencheram um formulário de cadastro (nome, idade, deficiência, endereço e informações sobre a modalidade de atletismo). Na sequência, os atletas realizaram entrevista com o pesquisador responsável com duração de 40 a 50 minutos, sendo todos avaliados no período matutino, e realizadas por um único avalidor treinado. Os atletas foram avaliados em junho de 2012, dois meses antes dos Jogos Paralímpicos de Londres 2012.

Variáveis de estudo

Qualidade de sono

O questionário Pittsburgh foi utilizado para avaliação da qualidade subjetiva do sono17. Ele é composto por 19 itens pontuados em uma escala de 0 a 3, incluindo sete componentes: qualidade subjetiva do sono, latência de sono, duração do sono, eficiência do sono, distúrbios de sono, uso de medicamentos para dormir e disfunção diurna. A soma da pontuação gera resultados que variam 0 a 21, sendo classificados como qualidade de sono boa (0 a 4), qualidade de sono ruim (5 a 10) e indicação de distúrbios do sono (> 10). Sendo que é considerada latência de sono normal até 20 minutos e eficiência do sono normal >85%.

Sonolência

Para avaliação subjetiva da sonolência, foi utilizada a escala de sonolência de Epworth18) composta por oito questões que descrevem situações diárias que podem levar a sonolência. As situações são: sentado e lendo; assistindo à televisão; sentado, quieto, em um lugar público; como passageiro em veículo durante viagem com duração de mais de uma hora, sem parar; deitado para descansar à tarde; sentado e conversando com alguém; sentado após o almoço, sem ingestão de bebida alcoólica; em um carro parado por alguns minutos no tráfego. Cada item possui uma escala de 0 (sem chance) a 3 (grande chance), sendo que, os escores acima de 10, interferem de forma significativa na sonolência diurna e, acima de 15, estão associados a sonolência patológica presente em pacientes com apneia do sono e narcolepsia.

Qualidade de vida

O instrumento WHOQOL-bref é utilizado para avaliar de forma subjetiva a qualidade de vida, é composto por 26 questões, sendo as duas primeiras referentes à qualidade de vida geral e as outras 24 questões divididas em quatro domínios (físico, psicológico, relações sociais e meio-ambiente)19. O cálculo dos escores do instrumento foi realizado a partir da média das questões em cada domínio multiplicado por 4 (Ex: Escore Domínio Relações sociais = média (Q20, Q21, Q22)*4). Contudo, para que os resultados dos escores fossem comparados a escala de 100 pontos do instrumento original (WHOQOL-100), os valores de cada domínio foram transformados utilizando-se a seguinte equação: (Escore - 4)*(100/16).

Análise estatística

Estatística descritiva, composta por média±desvio padrão (DP) e distribuição de frequência (relativa e absoluta), foi utilizada para descrever os resultados. A normalidade das variáveis foi verificada por meio do teste Shapiro-Wilk. Para analisar diferença na freqüência das categorias das variáveis categóricas foi usado o teste Qui-quadrado. Utilizou-se o teste não paramétrico Mann-Whitney para comparar as variáveis entre os dois grupos (DF x DV). O teste de Friedman foi utilizado para comparar os domínios de qualidade de vida do grupo todo entre si. Quando apropriado, foi utilizado o teste de Wilcoxon para identificar entre quais domínios as diferenças se encontravam. O nível de significância adotado foi p<0,05.

Resultados

A média do tempo total de sono nos atletas do grupo DF foi de 7,37±0,25 horas, DV de 7,32±0,42 horas e do grupo todo de 7,35±0,20 horas. A eficiência do sono do grupo de atletas foi de 94,93±4,46% (DF = 95,67±2,86%; DV = 93,81±6,14%), com latência de sono igual a 22,83±18,64 minutos (DF = 20,27±13,55 minutos; DV = 26,66±24,61 minutos).

A Tabela 1 apresenta a frequência das categorias de cada variável de sono (sonolência excessiva diurna, qualidade, latência e eficiência de sono). Observamos predomínio de atletas com eficiência de sono >85% ( χ 2 = 22,533; df =1; p = 0,001).

Tabela 1 Comparação das frequências dos níveis de sonolência, qualidade de sono, latência e eficiência do sono. 

Variáveis Categorias DF (n=18) DV (n=12) x 2 Grupo Comparação
Sonolência Normal 9 (50%) 6 (50%) x2= 0,001, df=1,p = 1,000 15 (50%) x2= 0,001, df=1,p = 1,000
Sonolência Sonolento 9 (50%) 6 (50%) x2= 0,001, df=1,p = 1,000 15 (50%) x2= 0,001, df=1,p = 1,000
Sonolência Total 18 (60%) 12 (40%) x2= 0,001, df=1,p = 1,000 30 (100%) x2= 0,001, df=1,p = 1,000
Qualidade de Sono Sono Bom 10 (55,6%) 9 (75%) x2= 1,172, df=1,p = 0,442 19 (63,3%) x2= 2,133, df=1,p = 0,144
Qualidade de Sono Sono Ruim 8 (44,4%) 3 (25%) x2= 1,172, df=1,p = 0,442 11 (36,7%) x2= 2,133, df=1,p = 0,144
Qualidade de Sono Total 18 (60%) 12 (40%) x2= 1,172, df=1,p = 0,442 30 (100%) x2= 2,133, df=1,p = 0,144
Latência de Sono ≤ 20 (min) 11 (61,1%) 8 (66,7%) x2= 0,096, df=1,p = 0,757 19 (63,3%) x2= 2,133, df=1,p = 0,144
Latência de Sono >20 (min) 7 (38,9%) 4 (33,3%) x2= 0,096, df=1,p = 0,757 11 (36,7%) x2= 2,133, df=1,p = 0,144
Latência de Sono Total 18 (60%) 12 (40%) x2= 0,096, df=1,p = 0,757 30 (100%) x2= 2,133, df=1,p = 0,144
Eficiência do Sono <85% 0 (0 %) 2 (16,7%) x2= 3,214, df=1,p = 0,296 2 (6,7%) x2= 22,533, df=1,p = 0,001*
Eficiência do Sono >85% 18 (100 %) 10 (83,3%) x2= 3,214, df=1,p = 0,296 28(93,3%)* x2= 22,533, df=1,p = 0,001*
Eficiência do Sono Total 18 (60%) 12 (40%) x2= 3,214, df=1,p = 0,296 30 (100%) x2= 22,533, df=1,p = 0,001*

*Diferença significativa (p< 0,05)

Fonte: Os autores.

A Figura 1 apresenta os resultados dos escores de qualidade de vida por tipo de deficiência e no grupo todo (DF+DV). O domínio meio ambiente apresentou menor valor de escore de qualidade de vida (69±11) para o grupo de atletas (Friedman test = 17,661; df = 3; p = 0,001), enquanto o domínio Relações Sociais apresentou escores superiores aos domínios psicológico (p = 0,03) e meio ambiente (p = 0,01). Quando se comparou o escore de cada domínio entre grupos de deficiência, não foram encontradas diferenças entre os grupos.

Fonte: Os autores

*Diferença entre o domínio Meio Ambiente com os outros domínios (p < 0,05) / §Diferença entre domínio Relações Sociais com Psicológico (p = 0,03). 

Discussão

O presente estudo demonstrou que, ao avaliar a percepção da qualidade de sono e de vida de atletas paralímpicos com DF e DV, pode-se observar que houve predomínio de atletas com eficiência de sono >85%, entretanto, não houve diferença significativa para a qualidade de sono entre os atletas com DF e DV. Já em relação a qualidade de vida dos atletas paralímpicos, o domínio meio ambiente apresentou menor escore quando comparado com os domínios físico, relações sociais e psicológico. Contudo, o domínio relações sociais apresentou maior escore quando comparado com o domínio psicológico. No entanto, não encontramos diferença significativa para a qualidade de vida entre os atletas com DF e DV.

Pode-se destacar que, no presente estudo, o padrão de sono dos atletas não foi prejudicado, o que pode ser atribuído as avaliações realizadas na equipe paralímpica de atletismo pelo mesmo grupo de pesquisadores desde as Paralímpiadas de Sidney 200020, de Pequim 200821, e de Londres 201222.

Alterações no padrão de sono podem levar a prejuízos físicos e psicológicos, sendo que o fator considerado mais estressante para atletas paralímpicos brasileiros, de nove modalidades diferentes, foi “dormir mal na noite anterior à competição”23) promovendo prejuízos à qualidade de sono nos atletas. Os efeitos devido ao prejuízo de sono são demonstrados por meio do aumento de lapsos, lentidão cognitiva, diminuição da vigilância, da atenção sustentada e da capacidade de realizar esforço máximo24. No entanto, com relação à qualidade de sono subjetiva, a maioria dos atletas do presente estudo apresentou eficiência de sono acima de 85%, demostrando que esses atletas estavam com uma boa qualidade de sono.

Em relação à comparação da qualidade de sono entre os grupos de atletas com DF e DV, não encontramos diferença, no entanto, alguns estudos já demonstraram que indivíduos cegos possuem dificuldades para dormir durante a noite e apresentam sonolência diurna, devido a dessincronização do ritmo circadiano25. Já, em indivíduos com paralisia cerebral, a alteração no padrão de sono pode ocorrer devido ao uso de medicamentos que interferem no sono12.

O sono tem se tornado uma preocupação recente de equipes de atletas tanto paralímpicos quanto atletas olímpicos a qual, se pode observar na literatura como alguns estudos têm demonstrado. Recentemente, um estudo que avaliou atletas australianos, dois meses antes das Olímpiadas de Londres 2012, relatou que 64% dos atletas apresentavam sono ruim em pelo menos uma ocasião nos últimos 12 meses que antecederam os jogos10. Outro estudo relatou ainda, em atletas paralímpicos chilenos, classificados para os jogos Parapanamericanos de Toronto, em 2015, que 78,7% desses atletas apresentaram sono ruim26.

No presente estudo, encontramos que todos os atletas apresentaram o domínio “meio ambiente” com menor escore quando comparado com os domínios físico, relações sociais e psicológico, o que também foi encontrado em outros estudos com pessoas com lesão medular27, em pessoas com diversas deficiências físicas15 e em atletas paralímpicos das modalidades de atletismo e natação5. Muitas pessoas com DF não participam de esporte regularmente por falta de oportunidades, dificuldades com a acessibilidade e transportes28. Pessoas com DV relatam que a principal barreira ambiental para a prática esportiva é o transporte e a principal barreira pessoal é a dependência de outras pessoas29.

Uma vez que o domínio ambiental refere-se ao ambiente físico, como acesso aos lugares públicos, segurança física, proteção e transporte19, uma possível explicação para esse resultado seria o fato de ainda hoje a arquitetura de muitas construções não serem concebidas para atender às necessidades das pessoas com deficiência30. Dessa maneira, a falta de acessibilidade não tem impacto somente na diminuição locomoção da pessoa com deficiência, mas também no direito de ir e vir, o que leva a falta de participação nos diversos setores da educação, transporte e lazer31, influenciando na sua percepção da qualidade de vida.

Levando em consideração que a qualidade de vida deve ser avaliada em atletas, alguns estudos têm demonstrado que quanto maior o escore no domínio “relações sociais”, melhor está o atleta em suas com relações pessoais, apoio social. No esporte paralímpico, esses aspectos têm impacto positivo na percepção da qualidade de vida, recuperação física e saúde mental, além de promover integração dos atletas e participação social32.

Adicionalmente, a prática regular de atividade física tem implicações positivas na qualidade de vida de pessoas com DF15),(16. Além disso, a prática desportiva por pessoas com deficiência promove ganhos de independência e autoconfiança para a realização de atividades da vida diária, além de melhora do autoconceito e da autoestima dos praticantes33.

Já é consolidado na literatura que a qualidade de sono está relacionada com a qualidade de vida, sendo assim, alguns estudos relatam que problemas relacionados ao sono, como dificuldades para iniciar ou manter o sono, sono não restaurador e sonolência excessiva diurna, diminuem a qualidade de vida na população geral34),(35. Alguns estudos demonstraram que atletas possuem alto risco de ter qualidade de sono ruim e diminuição do tempo total de sono durante e após competições e em fases de treinamento intenso36),(37),(38.

A principal limitação do estudo está relacionada com a variedade de tipos de deficiência do grupo DF. Esse fato já foi relatado em outros estudos na literatura científica, principalmente pela dificuldade em se conseguir amostras homogêneas de atletas paralímpicos. Outra limitação a ser levada em consideração é a falta de um grupo controle de atletas sem deficiência para comparar os resultados.

Conclusões

Concluímos que atletas com DF e DV não diferem na percepção de qualidade de vida e percepção de sono.

A partir dos resultados do presente estudo, sugerimos que a qualidade de sono e de vida sejam consideradas para evitar que possíveis alterações dessas variáveis afetem o desempenho do atleta.

Agradecimentos:

Os autores expressam sua gratidão à Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa (AFIP), ao Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (CEPE), ao Centro de Estudos Multidisciplinar em Sonolência e Acidentes (CEMSA), ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e a Academia Paralímpica Brasileira (APB).

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Recebido: 26 de Agosto de 2016; Revisado: 07 de Dezembro de 2016; Aceito: 17 de Fevereiro de 2017

Endereço para correspondência: Andressa da Silva, Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais, Av. Antônio Carlos, 6627, Pampulha, CEP: 31.270-901, Belo Horizonte, MG, Brasil. E-mail: andressamello@ufmg.org.br

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