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Journal of Physical Education

On-line version ISSN 2448-2455

J. Phys. Educ. vol.29  Maringá  2018  Epub Apr 01, 2019

http://dx.doi.org/10.4025/jphyseduc.v29i1.2950 

Artigo Original

INTERVENÇÕES PEDAGÓGICAS DO PROFESSOR EM RELAÇÃO A CONFLITOS PERCEBIDOS ENTRE OS ALUNOS DURANTE AS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

PEDAGOGICAL INTERVENTIONS OF THE TEACHER IN RELATION TO PERCEIVED CONFLICTS AMONG THE STUDENTS DURING THE PHYSICAL EDUCATION CLASSES

Andréia Camila de Oliveira1 

Sheila Aparecida Pereira dos Santos Silva1 

1Universidade São Judas Tadeu, São Paulo-SP, Brasil.

RESUMO

O objetivo da pesquisa foi compreender a percepção docente sobre a relação existente entre situações de conflito e intervenções pedagógicas em aulas de Educação Física (EF). Trata-se de uma pesquisa descritiva, qualitativa, que utilizou entrevistas semiestruturadas, diário de aula e promoveu reflexão conjunta entre três professores de EF do Ensino Fundamental II e Ensino Médio e a pesquisadora. Os dados da pesquisa passaram por análise de conteúdo a partir de categorias pré-definidas: situações de conflito e ações implementadas. Os conflitos foram classificados segundo Moore(1). Professores, anteriormente resistentes em relação à convivência com os conflitos, passaram a exercitar o papel de mediadores entre as partes. Tais condutas foram ocasionadas pela mudança na percepção sobre como lidar com os conflitos em aula, o que alterou sua prática pedagógica ao utilizar novas estratégias, como a negociação com base na empatia.

Palavras-chave: Educação física; Escolas; Conflito; Mediação; Formação continuada

ABSTRACT

The objective of the research was to understand the teacher perception about the relationship between conflict situations and pedagogical interventions in Physical Education (PE) classes. It is a descriptive, qualitative research that used semi-structured interviews, class diary and promoted joint reflection between three EF teachers from Elementary School II and High School and the researcher. The data of the research went through an analysis of content from predefined categories: conflict situations and actions implemented. Conflicts were classified according to Moore(1). Teachers, previously resistant to living with conflicts, began to exercise the role of mediators between the parties. These behaviors were caused by the change in the perception about how to deal with classroom conflicts, which altered their pedagogical practice by using new strategies, such as empathy based negotiation.

Keywords: Physical education; Schools; Conflict; Mediation; Continuing education

Introdução

Todas as pessoas que vivem em sociedade se deparam com algum tipo de situação conflituosa com base em posições que são defendidas frente a pontos de vista e crenças diferentes das suas1. A palavra conflito vem do latim conflictus, que significa um choque entre coisas, entre pessoas; ou grupos opostos que lutam entre si2.

Dependendo da forma como se lida com tais situações, seu desfecho pode resultar em mudanças bem-sucedidas e produtivas ou podem levar ao insucesso e acarretar situações que deterioram os relacionamentos interpessoais (3),(4.

Muito embora a divergência de posicionamento não implique, necessariamente, em um desfecho negativo ou desacordo, esta oposição permite identificar pontos de vista cuja compreensão serve para facilitar o entendimento entre os envolvidos. Chrispino4 menciona como vantagens da vivência e reflexão sobre conflitos vivenciados a possibilidade de aprender a se colocar no lugar do outro, analisar o mundo sob diferentes perspectivas, conduzir a uma autoanálise e reflexão, e esse aprendizado auxiliar na regulação das ações sociais, a selecionar melhores práticas de cooperação, o que constitui uma chance que o indivíduo tem para o seu amadurecimento e crescimento.

Mesmo que se trate de disputas culturais ou de gênero que podem ser tidas como “pequenas” por alguns educadores e geradas por divergências de interesses os mais diversificados possíveis, é preciso criar mecanismos para sua solução5.

Moore1 categoriza os conflitos em: estruturais (como fatores destrutivos de comportamento); de valor (forma de viver e ideologias); de relacionamento (emoções, percepções ou comunicação equivocadas); de interesse (relacionados à percepção sobre algo que se deseja), e quanto aos dados (ausência ou informação errônea, interpretações diferentes).

No campo empresarial, Berg2 aponta três tipos de conflitos: o conflito pessoal, que é uma desarmonia emocional do indivíduo; o conflito interpessoal, aquele que ocorre entre duas ou mais pessoas que encaram a situação a partir de pontos de vista diferentes, e o conflito organizacional, aquele que resulta das dinâmicas organizacionais em constante mudança, muitas delas externas à empresa.

Conflitos no ambiente escolar

Chrispino4) a partir de seus estudos menciona que os conflitos no ambiente escolar ocorrem entre docentes, entre alunos e docentes, entre alunos, e entre pais, alunos e gestores.

As divergências entre docentes têm sua origem, entre outros, na falta de comunicação; interesses pessoais; poder; incompatibilidades prévias; busca de posição de destaque, divergência em posições políticas ou ideológicas.

Os desacordos entre alunos e docentes ocorrem muitas vezes por dificuldade de o estudante entender explicações dos professores, notas arbitrárias, divergência sobre critérios de avaliação, discriminação, desinteresse pela matéria, entre outros.

Os relatos conflituosos entre alunos surgem por mal-entendidos, brigas, rivalidade entre grupos, discriminação, bullying, namoro, perda ou dano de bens escolares e viagens.

Conflitos entre pais, docentes e gestores podem se manifestar por desentendimentos devidos a agressões ocorridas entre alunos; serviços da cantina escolar ou similar; ausência dos professores; falta de assistência pedagógica, critérios de avaliação, aprovação e reprovação, etc.

Vinha e Tognetta6 revelaram que, na visão tradicional, estes tipos de embates são vistos como negativos e danosos à convivência entre os alunos. Essa percepção aponta para duas direções: a primeira consiste em evitá-los, colocando muitas regras, controlando as condutas por meio de vigilância dos alunos. A segunda, ainda muito empregada pelas instituições, é a “resolução rápida” dos conflitos por meio da transferência dos problemas para a família ou especialistas.

Nesse sentido, existe uma inabilidade da instituição em identificar rapidamente as divergências, uma das principais causas de conflitos na escola3.

No caso das aulas de Educação Física, é comum que sejam observados conflitos entre os alunos quando há a possibilidade de escolher uma prática corporal preferida, já que cada um gosta mais de uma atividade do que de outra, ou de escolher os componentes de sua equipe para a realização de uma prática competitiva ou não, e até mesmo durante o decorrer das atividades, principalmente quando há comparação entre desempenhos ou seleção de vencedores.

A existência de regras é fundamental para o bom convívio, no entanto elas também constituem um dos motivos geradores de conflitos. Isso acontece quando são pouco compreendidas, não há diálogo entre as partes e se desconhece como se dão as relações sociais entre os pares na escola. Seja durante as práticas corporais dentro da escola, ou nos demais contextos escolares, na maioria das vezes, as regras são coercitivas e impositivas, não são discutidas por todos e infringidas constantemente em função da ausência de diálogo entre os envolvidos7.

Em geral, incompatibilidades existentes, quando bem administradas e resolvidas, costumam se converter em aprendizado, ao passo que situações mal geridas podem trazer resultados insatisfatórios como agressões morais e violências física e psicológica.

Situações conflituosas têm sido estudadas por conta do aumento de casos e principalmente pelos danos que ocasionam aos envolvidos3),(8),(9. O conflito, quando se transforma em violência, traz como consequências muito mais do que a brutalidade de natureza física ou psíquica. Ele ocasiona comportamentos de desprezo, insurgências físicas, sociais e psicológicas, revela-se por meio de símbolos, preconceitos, caricaturas ou qualquer outro tipo de representação e, em geral, é acompanhado da ineficiência profissional para lidar com a situação10),(11.

Instituições de ensino precisam estar atentas às mudanças que acontecem na sociedade, de tal forma que suas práticas não sejam reguladas na centralização e no poder, o que leva ao aumento da violência. São necessárias ações de enfrentamento com atividades voltadas para o trabalho conjunto entre pais, filhos e comunidade, incentivando o diálogo e abordagens sobre atitudes e comportamentos que estimulem condutas não violentas e não agressivas na escola12),(13.

Neste cenário, as perguntas que fazemos são: O que o professor de EF pensa a respeito dos conflitos que ocorrem entre alunos e entre aluno e professor durante suas aulas? Ele busca eliminá-los? Ele os utiliza como ferramenta pedagógica para ensinar a conhecer, a compreender e a conviver com o outro? Como o professor de EF identifica, compreende e age diante de situações de conflito que ocorrem em suas aulas?

Norteado por tais indagações, foi objetivo deste estudo compreender a percepção docente sobre a relação existente entre situações de conflito e intervenções pedagógicas em aulas de EF. Para isso, buscou identificar o que professores de EF escolar pensam a respeito de conflito e se estabelecem relação entre a presença de conflitos e possíveis oportunidades para educar para o estabelecimento de relacionamentos interpessoais pautados na compreensão do ponto de vista do outro.

Métodos

Participantes

Este estudo foi desenvolvido em um colégio da rede particular, situado na Grande São Paulo. A instituição tem 1.324 alunos e participaram desta pesquisa três professores de EF, sendo um do sexo masculino e dois do sexo feminino, com idades entre 39 anos e 53 anos, identificados como P1, P2, P3. Todos assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e o projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade São Judas Tadeu, protocolo CAAE no. 58359916.5.0000.0089, parecer no. 1.671.566.

Procedimentos

Este estudo se caracteriza como uma pesquisa qualitativa, descritiva, do tipo participante com proposta de intervenção. O tratamento a esta investigação concede mais foco ao processo, do que ao produto, sendo escopo dar maior verossimilhança ao ponto de vista dos participantes14.

Os instrumentos utilizados para a coleta de informações foram duas entrevistas semiestruturadas, diário de aula reflexivo e encontros dialogados com os professores participantes da pesquisa.

A primeira entrevista teve como propósito diagnosticar o conhecimento teórico sobre conflito, identificar situações em aulas de EF em que ocorreram conflitos, bem como as ações de enfrentamento realizadas. A segunda, norteada por duas perguntas (1 - Quais são as situações de conflito que você identifica em suas aulas? 2 - O que você fez nessas situações?) construídas a partir de um estudo piloto realizado em outro colégio particular e tendo em vista o objetivo da pesquisa, procurou sondar como os professores lidavam com situações de conflito durante as aulas, e identificar se agiram no sentido de eliminá-las ou ensinar a conviver por meio delas. Essas entrevistas tiveram duração média de trinta minutos.

Após essa etapa, foi elaborado com os professores um cronograma de dez encontros individuais entre professor e pesquisador, que tiveram duração média de 40 minutos cada. A pauta foi construída com base nas respostas dos professores durante as entrevistas, vindo a constituir um processo de formação continuada.

Análise das Informações

As respostas obtidas nas entrevistas foram gravadas em áudio, transcritas, lidas e seu conteúdo foi analisado e codificado in vivo15, tendo como referências duas categorias predefinidas: 1- Situações de Conflito e 2- Ações de Enfrentamento, cujos resultados constam nos Quadros 1 e 2. Nas etapas de interpretação e da codificação das entrevistas, foram grifadas as frases e/ou palavras dos professores e analisadas segundo tipologia dos conflitos de Moore1) que os classifica em conflitos estruturais, de valor, de relacionamento, de interesse e quanto aos dados.

Entre as entrevistas, cada participante redigiu um diário de aula com o objetivo de promover o contato entre o professor e o tema por mais tempo e estimular sua reflexão. Para nortear essa redação, foi pedido que o professor descrevesse: 1) as situações conflituosas vividas; 2) a forma como lidou com a situação; 3) como se saiu em cada caso. As respostas obtidas se converteram em elementos para discussão entre professores e pesquisador e, também, para selecionar material bibliográfico que os professores se dispuseram a estudar.

Resultados

Analisadas as respostas dos professores durante as entrevistas, foram elaboradas as matrizes nomotéticas relacionadas a situações de conflitos (Quadro 1) e ações de enfrentamento por parte dos professores (Quadro 2).

Quadro 1 Matriz Nomotética sobre situações de conflito 

↓ Categorias/Professores → P1 P2 P3 Total
Situações de conflito
Conflitos de relacionamento x x 2
Influência da tecnologia (celular) x X 2
Agressividade dos alunos na quadra ou no corredor x X 2
Falta de uso de uniformes X 1
Conflito de cunho religioso X 1
Pouca participação dos alunos nas aulas x 1

Fonte: As autoras

Os relatos sintetizados no Quadro 1 permitem constatar que os conflitos advêm de problemas de relacionamento, agressividade e brigas entre os alunos, influência da tecnologia, falta de uso de uniformes, e se enquadram na classificação de conflito de valor e de relacionamento1.

Estes tipos de conflito são causados por sentimentos intensos, percepções falsas ou estereótipos, comunicação escassa ou inapropriada, condutas negativas e que se repetem. Outros conflitos destacados pelos professores foram os de cunho religioso e, também, os devidos à pouca participação nas aulas. Estes são classificados como conflitos de valor1, cuja causa se fundamenta em diferentes comportamentos, relacionados ao modo de vida, crenças religiosas e ideologia.

Os conflitos identificados apresentaram-se tanto na relação professor-aluno, como aluno-aluno. Em ambas situações, os professores tentaram resolver conflitos de forma pacífica por meio de ações mencionadas no Quadro 2.

Quadro 2 Matriz Nomotética sobre ações de enfrentamento 

↓ Categorias/Professores → P1 P2 P3 Total
Ações de enfrentamento
Intervenção no local e encaminhamento dos casos graves para a Coordenação Pedagógica x x x 3
Intervenção estimulando o diálogo entre as partes x x x 3
Uso de postura tranquila e calma x x x 3
Separar brigas entre os alunos x x 2
Pedir para guardar o celular ou retirá-lo do aluno x x 2
Promover reflexão entre os alunos x x 2
Propor alternativas para quem não veste uniforme x 1
Atribuir trabalho e conversar com pais e alunos sobre religião x 1

Fonte: As autoras

As ações de enfrentamento realizadas sempre visaram estimular o diálogo entre as partes, na perspectiva que dialogar é transformar conflitos em aprendizagem e mudança3.

No entanto, nos encontros com os professores foi possível perceber que ainda é incipiente a compreensão sobre como age um mediador em situações de conflito e como ele pode ser utilizado para ensinar a compreender as diferenças entre as pessoas. Isso fica evidente quando relatam utilizar algumas formas de resolução baseadas na punição como encaminhar para conversar com a Coordenação Pedagógica, ou guardar o celular, ou atribuir trabalhos adicionais.

O processo de mediação tem por objetivo dar luz às diferenças existentes entre partes que não conseguem alcançar a solução por elas mesmas. Cabe ao mediador ajudar as partes a encontrarem, de comum acordo e espontaneamente, uma resolução reciprocamente aceitável sobre o tema em disputa, promover a conciliação por meio da cooperação e da comunicação.

O mediador se envolve no processo para que haja diálogo ou negociação. Para isso, levanta opções e pondera as possibilidades para um acordo aceitável1),(4),(16.

Esse processo visa proporcionar uma reorientação das relações sociais, novas maneiras de colaboração, de confiança, formas mais maduras, espontâneas e livres de resolver as diferenças pessoais e coletivas, conduzindo a atitudes de tolerância, responsabilidade e iniciativa individual1.

O objetivo educativo do processo de mediação de conflitos é transformá-los em oportunidade para aprendizagem e mudança. No âmbito escolar, este processo de intervenção pode ser praticado pela direção, docentes, funcionários, estudantes e suas famílias, e é fundamental para a prevenção da violência e redução de casos existentes3),(16.

Os professores pesquisados mostraram que agiram como juízes no sentido de estabelecer o nível de gravidade das situações, além de decidirem pelo encaminhamento para a Coordenação dos casos classificados como mais graves.

Neto8 ressalta que se encontram situações de agressões morais, físicas e psicológicas no ambiente escolar e que isso tem sido uma preocupação para a sociedade atual. Os três professores relataram que em casos de agressões, brigas e discussões, intervieram promovendo o diálogo entre as partes e adotaram postura tranquila para minimizar ou resolver os conflitos existentes. Ainda que nas situações de brigas ou agressões o clima tenha se tornado acalorado, o professor apartou, conversou com os alunos e tentou promover a reflexão entre eles. Mesmo diante de tal procedimento, julgaram necessário, ainda, encaminhar os alunos à Coordenação.

Cada docente relatou uma forma própria de lidar com essas ocorrências. P1 tomou cuidado para manter a calma, ouvir os dois lados e interferir pacificamente, por meio do diálogo com os alunos, quando estes não conseguiam se entender por seus próprios meios. Durante a conversa, procurou amenizar os ânimos, identificar as causas do conflito, e evidenciou que as regras fazem parte do convívio social e que servem para manter a ordem e propiciar a convivência harmoniosa dentro da escola. P1 apoiou-se na crença de que a abertura deste canal de comunicação com o aluno criaria uma conexão aluno-professor.

P3, por sua vez, relatou que há conflitos e rivalidades existentes entre os grupos. Há alunos não gostam de determinados colegas, os evitam, e esse tipo de relação interpessoal também atrapalha o desenvolvimento da aula. P3 mediou a situação conversando diretamente com os alunos e discutindo o tema durante as aulas.

Para P2, os conflitos em suas classes se originam devido à rivalidade entre grupos por torcerem por times de futebol diferentes e isso vem à tona quando os alunos vêm para as aulas usando camisas dos times de futebol de sua preferência. Nesse caso, o professor tentou dissimular a causa do conflito por meio da proibição ao uso das camisas.

Outro ponto conflitante apontado foi o uso do boné, citado como uma questão de identidade do garoto na sociedade. O uso do uniforme não é obrigatório, para as aulas de Educação Física a solução dada pelo professor são atividades alternativas para quem não o traja, atuando em paralelo.

Em caso de conflitos de cunho religioso, o professor atribui trabalho escrito, valendo nota aos alunos que não participaram das comemorações culturais e procura conversar com pais abordando o tema, porém sem sucesso.

Cabe ressaltar que impor regras ao aluno nem sempre contribui para que ele compreenda a necessidade das mesmas. Assim, passam a acatá-las devido à presença da autoridade que as criou normas. Contudo, tal comportamento submisso pode permanecer apenas enquanto houver o medo da punição pelo descumprimento da regra ou quando se espera algum benefício por cumpri-la17.

Quem estabelece as regras escolares parte da premissa de que o aluno se submeterá e que terá consciência de sua importância para a manutenção da disciplina necessária para o um bom ambiente de aprendizagem. O grande contraponto reside no fato que nem sempre tais convenções foram democraticamente refletidas e construídas por todos os partícipes18.

Quando um sistema traz consigo regras prontas e que podem ter surgido mesmo que não tenha ocorrido uma situação de conflito, ocorrem situações distintas: por um lado professores que as utilizam para estabelecer a ordem e, por outro, alunos que não enxergam o seu sentido, não se apropriam delas, não assumem para si os compromissos pretendidos por não terem participado do seu processo de elaboração18.

Perrenoud e Thurler19 apontam a necessidade do desenvolvimento de práticas reflexivas por parte do professor, que contribuirão com a ampliação da reflexão dos alunos. A prática reflexiva eficaz não pode ser analisada separadamente, deve permear o contexto escolar e a voz do aluno deve ser ouvida20.

Nos relatos de P1 e P2 foram apontados problemas na esfera tecnológica, ou seja, muitos alunos são dependentes do celular. Disseram entender que o celular faz parte da vida dos alunos, entretanto, há um uso excessivo dentro e fora das aulas. Como medidas de prevenção, P1 e P2 pedem para os alunos guardem o celular, chegando ao ponto de retirá-lo do aluno para que participem da aula, cabendo lembrar que a escola proíbe o uso nas as aulas.

Essas abordagens evidenciam a dificuldade docente em lidar com o comportamento de uma geração extremamente tecnológica. Os professores se dizem preocupados em se adaptar a essa realidade e de tentar criar estratégias para enfrentar este tipo de problema. Para eles, é possível compreender esse comportamento dos alunos e construir estratégias para que os recursos tecnológicos sejam aproveitados em aula.

O uso das tecnologias da informação aumenta os desafios do ambiente escolar e os professores precisam se adequar à realidade das mídias móveis21. O aparelho celular e as demais mídias possuem aplicativos que podem ser utilizados em sala de aula como recurso pedagógico e com riqueza de conteúdos.

Em pesquisa realizada com professores do Ensino Médio em uma escola pública do Vale do Paraíba do Sul21, questionou-se o uso do celular em aula. Dos entrevistados, 71% não permitiam o uso dos aparelhos por razões diversas como a legislação22, a falta de atenção durante a aula, o não entendimento didático do recurso e o risco que o aparelho causa aos professores no controle da sala. Outros 14% dos docentes fazem uso desse tipo de tecnologia para registros fotográficos, traduções, uso de músicas e vídeo para utilização em aula. A pesquisa revelou um entendimento da maioria dos professores sobre sua importância, e da necessidade de planejar, de maneira consciente, o uso da internet.

Nos diários de aula dos professores houve relatos de violência e de indisciplina vividas na escola, nas aulas de EF. Os temas mencionados com mais frequência constam no Quadro 3.

Quadro 3 Matriz Nomotética com conteúdos dos diários de aula 

↓ Categorias/Professores → P1 P2 P3 Total
Conflitos relatados nos diários
Conflito de relacionamento x x x 3
Indisciplina x x 2
Violência x x 2
Falta de interesse em participar das atividades x 1

Fonte: As autoras

Para lidar com os conflitos mencionados no Quadro 3, os professores utilizaram o diálogo e a escuta ativa para minimizar ou eliminá-los.

Na análise dos relatos, fica clara a preocupação dos docentes diante desses casos. Pesquisas demonstram que a violência tem aumentado significativamente nas últimas décadas, em especial nos ciclos iniciais da escolarização23.

Utilizar sistemas disciplinadores mais severos, excluir o aluno da aula ou da atividade, têm-se tornado ineficaz. Recomenda-se tentar prevenir a ocorrência dos conflitos, ou seja, a intervenção antecipada surte resultados positivos. Prevenir compreende utilizar medidas que buscam diminuir o impacto dos incidentes e a manifestação de novos casos. É necessário refletir de forma prudente e neutra, gerar nova conduta e tomada de decisão por parte do professor. A prevenção busca tratar a causa que originou o conflito ou a desordem17.

Conflitos podem desencadear violência e o avanço da violência escolar deve ser contido por meio de estratégias que promovam a convivência entre os jovens, e atuem preventivamente18.

Estudos que identificam fatores que podem promover a violência nas escolas mencionam questões familiares, baixo padrão educacional, situação social, dificuldades emocionais. Há ainda relatos decorrentes de ambientes precários, questões ambientais desfavoráveis, disciplina rígida, uso do álcool e o próprio fracasso acadêmico, dentre outros23.

O processo de pesquisa aqui relatado estimulou o estudo e a reflexão dos professores a respeito do tema. Nos diários há relatos que mostram esses resultados.

P1, por exemplo, demonstra consciência a respeito da multicausalidade dos conflitos:

“Antes eu tinha um ponto de vista muito crítico sobre o que é certo ou errado sem me colocar no lugar do outro e sem entender que esses alunos, ao ter conflitos, eles não conseguem entender o porquê das suas ações”. “Uma pessoa agressiva é insegura e vítima de um sistema agressivo”. Eles são reflexos de suas experiências. Hoje eu entendo o que acontece.

P2 mostra como mudou o seu entendimento a respeito dos conflitos:

“Antes eu via o conflito como algo superficial, sem aprofundar nas causas que haviam levado os envolvidos aos conflitos. Tentava solucionar de maneira superficial também, só para que a aula seguisse seu fluxo. Não que fosse proposital, mas não via o conflito como um momento para firmar relacionamentos. Hoje vejo que, após uma situação de conflito, ainda que tenha punição para os envolvidos, mas que seja bem conversado, bem resolvido, isso não afasta o aluno do professor”.

Para um resultado efetivo, a sugestão é que esta prática de estudo e reflexão seja uma ação conjunta entre direção e docentes e que transite na formação inicial e continuada, e também nos espaços de supervisão20.

A reflexão do professor sobre sua própria prática, o desenvolvimento de um processo de autoanálise, auto avaliação e de estabelecimento de possíveis mudanças pode ocorrer antes, durante e depois da ação20. Além disso, possibilita ao docente aprender com os outros, e aprender sobre o desenvolvimento da profissão quando expõe e examina suas teorias, suas práticas, e percebe suas falhas e limitações em um trabalho de reflexão junto com seus pares24.

Há pesquisas que mostram educadores, que se afirmaram impotentes e inseguros ao se depararem com momentos de indisciplina, conflitos, violência, e admitiam não conhecer outras formas de intervenção que não fossem as de reprimir, punir, censurar, ameaçar, excluir ou mesmo ignorar. Reconheciam agir de maneira intuitiva e improvisada, baseando suas intervenções no senso comum6.

Nos relatos dos professores, a maioria dos conflitos que existe atualmente nas escolas torna-se de difícil resolução pela falta de preparo dos profissionais envolvidos. Existe um consenso entre os professores de que eles não foram preparados para lidar com tais situações e que não existe uma metodologia educacional que possa ser praticada em todas as situações.

Entramos, portanto, no campo da competência, entendida como a capacidade e disposição para resolver de forma assertiva alguma situação específica e cuja soma de conhecimentos, habilidades e atitudes estão fortemente vinculadas ao resultado final. Apesar do vínculo ao indivíduo, sua importância muito se situa nas organizações, através de seus postos de trabalho25),(26.

No âmbito educacional, lidar com situações conflituosas exige uma competência, complexa em essência, que envolve aspectos cognitivos, percepção, sensibilidade, avaliação e raciocínio, competência que é de vital importância para responder efetivamente aos desafios sempre novos da educação19),(27.

Conflitos não podem ser encarados somente como algo negativo. Cabe aos professores e gestores educacionais auxiliarem os alunos a descobrirem neles, uma oportunidade para compreender e melhorar as relações interpessoais28.

Os docentes precisam considerar que os alunos carregam valores e princípios previamente enraizados, mas que passam por transformações ao longo de suas vidas e essas transformações podem ser estimuladas no interior do espaço escolar.

O choque de valores e de comportamentos que provocam conflitos entre alunos e entre alunos e professor pode ser relacionado, em parte, a uma consequência indesejada do processo de democratização do ensino brasileiro. Tanto a formação inicial, quanto a formação continuada não foram ágeis e efetivas o suficiente para que o professor fizesse uma autoanálise da própria origem social, de seus valores e dos comportamentos que desejava de seus alunos, tampouco para que compreendesse o seu papel no que se refere a lidar com as diferenças sem negar as identidades culturais dos alunos. A massificação do ensino garantiu o acesso dos alunos à escola por um lado, mas, por outro, expôs a fragilidade dessa instituição diante de tal empreitada 4),(29.

A mediação de conflitos torna-se um elo entre a escola e a comunidade no sentido de formar cidadãos independentes, que tenham condições de refletir sobre a diversidade de valores e participação na construção do bem comum30.

Em diferentes países, dependendo do modelo escolar, são desenvolvidos programas voltados para conciliação e participam diretamente na escola pessoas com funções específicas, muitas vezes dirigidas à busca de estratégias de formação e intervenção em relação aos conflitos31.

É importante que a escola ofereça um espaço em que o aluno não obedeça simplesmente às regras originárias de uma experiência não vivenciada, de ordem exterior. É preciso que os discentes vivenciem diferentes situações e que, a partir delas e com elas, possam edificar valores como respeito, senso de justiça, cooperação, além da resolução de problemas17.

O processo de formação inicial precisa estar atento às disciplinas e atividades que tratem da formação relacional e dos valores do ser humano. As práticas pedagógicas, os estágios supervisionados e demais oportunidades de contato entre os futuros profissionais e as escolas deveriam prepará-los para construir um alicerce que lhes servisse como referência para agir em circunstâncias em que a paz e a harmonia são quebradas ou quando nem chegam a ser estabelecidas.

A formação docente é um processo contínuo, envolve auto formação, lança mão dos saberes adquiridos nos estudos e na prática experimentada e ocorre pela observação e reflexão sobre a própria prática32. Não existe mudança dentro da escola se não ocorrer a transformação do professor, porque sua formação é um dos pilares para a mudança33.

Na formação continuada, realizada no interior da própria escola, a vivência de cada professor facilita o trabalho coletivo, a troca de experiências, dá suporte nas dificuldades e constrói a inovação em projetos integradores.

Exercer o papel de mediador de conflitos e de educar utilizando os conflitos como ferramenta didática constitui um grande desafio para o professor, principalmente para os que atuam em escolas privadas que cerceiam a autonomia didática docente por meio de seus regulamentos rígidos que objetivam, muitas vezes, atender aos interesses de manutenção de um status quo vigente, contentar as mentalidades predominantes entre pais de alunos e, com isso, evitar perder clientes e estimular o ingresso de novos.

A maioria dos professores de EF envolvidos nesta pesquisa mostrou entender que os conflitos devem ser eliminados das aulas e não conseguiam ver que os conflitos podem, inclusive, ser uma ferramenta pedagógica do professor, ou seja, eles podem ser provocados para estimular a percepção e discussão de diferentes pontos de vista e o exercício da compreensão, da boa convivência, ou ao menos, da tolerância do outro.

Para os docentes, situações conflituosas geram desconforto e, diante disso, é compreensível que desejem eliminá-las, ainda que de forma geralmente irrefletida, sem dominar as principais ferramentas de mediação e agindo de maneira coercitiva.

A EF, por suas peculiaridades, possui um elemento socializador muito forte entre os jovens, assumindo assim um papel fundamental no combate aos problemas relacionados à violência, indisciplina que tanto preocupam as escolas. Isto não significa que não haja situações de conflito nessas aulas e que a resolução seja fácil34).

Os resultados de nossa pesquisa, entretanto, apontaram que docentes anteriormente críticos em relação à convivência com os conflitos em suas aulas, hoje tentam exercitar o papel de mediadores, demonstrando ter desenvolvido uma maior tolerância em relação ao desconforto provocado nestas situações do que ao início do processo da pesquisa. Tais condutas provocaram mudanças na percepção em lidar com os conflitos em aula, alterando sua própria prática, com o uso de novas estratégias, como a reflexão, a empatia, a negociação em momentos de tensão e desavenças.

Os resultados encontrados apontaram contribuições que viabilizam discussões mais ampliadas sobre percepção de competência, estratégia de ensino para lidar com situações de conflito e para desenvolver a convivência pacífica entre as pessoas.

Conclusões

O tipo de pesquisa intervenção que realizamos serviu, simultaneamente, para revelar características do pensamento docente e para provocar mudanças por meio dos instrumentos que desencadearam a reflexão dos professores.

Esta pesquisa confirmou que os conflitos estão presentes em todos os ambientes e que a escola, por sua vez, precisa estar atenta e se preparar para enfrentar contextos adversos, que ocorrem em todas as dimensões, promovendo ações de enfrentamento contra essas manifestações hostis, utilizando a mediação, incentivando o diálogo, atitudes e comportamentos que estimulem condutas tolerantes, não violentas e não agressivas no ambiente escolar. Para isso, é necessário envolver gestores, professores, pais, filhos e comunidade.

O processo reflexivo dos docentes promove amadurecimento e segurança para enfrentar situações adversas em suas práticas diárias e deve ser estimulado. O amadurecimento do pensamento docente pode valorizar sua autoridade e autonomia, promover maior vínculo com os estudantes e, indiretamente, facilitar o trabalho da coordenação pedagógica que passará a receber uma demanda menor para intervir em situações que são encaminhadas a este setor.

Muito embora os resultados apresentados tenham significância, são necessários estudos mais aprofundados sobre o ambiente e o cotidiano escolar, pois muitos conflitos têm suas causas originadas fora das aulas de EF. Também sugerimos a realização de outros estudos com professores de EF para melhor compreensão das competências profissionais para lidar com conflitos em suas aulas para aprimorar sua intervenção profissional junto à comunidade escolar e colher subsídios para orientar a formação profissional.

Referências

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Recebido: 30 de Outubro de 2017; Revisado: 14 de Fevereiro de 2018; Aceito: 28 de Fevereiro de 2018

Endereço para correspondência: Andreia Camila de Oliveira. Rua Coronel João Dente, 182 Moóca - São Paulo-SP, CEP 03106-070. E-mail: camilahand@hotmail.com

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