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Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional

On-line version ISSN 2526-8910

Cad. Bras. Ter. Ocup. vol.27 no.2 São Carlos Apr./June 2019  Epub May 16, 2019

https://doi.org/10.4322/2526-8910.ctoao1685 

Artigo Original

Caracterização dos trabalhos de conclusão de curso da graduação em terapia ocupacional de uma universidade pública1

Kezia Freire Zancoa 
http://orcid.org/0000-0001-9125-7490

Janaína Santos Nascimentob 
http://orcid.org/0000-0002-1059-8291

Monica Villaça Gonçalvesb 
http://orcid.org/0000-0002-8090-9884

Miryam Bonadiu Pelosib 
http://orcid.org/0000-0002-6109-4296

aUniversidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

bDepartamento de Terapia Ocupacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.


Resumo

Introdução

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) tem a finalidade de aproximar o aluno da prática de pesquisa e da vivência com os aspectos éticos pertinentes à propriedade intelectual e à pesquisa com seres humanos. Sua elaboração oportuniza a investigação de um problema e a elaboração de soluções que consolidam o conhecimento adquirido ao longo do curso.

Objetivo

Caracterizar os TCCs da graduação em terapia ocupacional de uma universidade pública.

Método

Trata-se de uma pesquisa descritiva, com abordagem quali-quanti, que utilizou para coleta de dados informações descritas em 154 documentos, assim como em questionários respondidos por 24 professores orientadores.

Resultados

Os trabalhos eram majoritariamente pesquisas de revisão de literatura ou documental, com abordagem qualitativa, que utilizaram o caderno de campo como instrumento de coleta de dados. As áreas mais frequentemente estudadas foram a de Contextos Hospitalares e Saúde de Família, em trabalhos relacionados aos temas vivenciados pelos alunos em projetos de extensão, pesquisa, disciplinas ou estágio. As orientações foram realizadas apenas pelo professor orientador, dentro de suas áreas de pesquisa, e o problema mais encontrado foi a dificuldade no processo de escrita do aluno. As bancas de avaliação foram constituídas por professores efetivos ou temporários do próprio curso, que sinalizaram a metodologia como a principal falha dos trabalhos.

Conclusão

Os dados mostraram que os alunos necessitam de mais oportunidades para exercitar e preparar um texto científico antes do momento da elaboração do TCC, e que os professores precisam apoiar seus orientandos na busca de objetos de pesquisa, instrumentos e metodologias mais diversificados.

Palavras-chave:  Monografia; Pesquisa; Terapia Ocupacional; Educação Superior; Capacitação Profissional

ABSTRACT

Abstract

Introduction: The final paper has the purpose of bringing the student closer to the practice of research and experience with the ethical aspects which are relevant to intellectual property and research with human beings. Its elaboration facilitates the investigation of a problem and the elaboration of solutions that consolidate the knowledge acquired during the course.

Objective

Featuring the graduation final paper in occupational therapy of a public university.

Method

This is descriptive, qualitative-quantitative research that used data which were collected in 154 documents, as well as in questionnaires answered by 24 advisors.

Results

The works were mostly literature review or documentary research, with a qualitative approach, which used the field notebook as a data collection instrument. The most studied areas were the Hospital Context and Family Health, in works related to the themes experienced by the students in projects of extension, research, disciplines or internship. The orientations were carried out only by the advisor, within their research areas, and the most found problem was the difficulty in the student’s writing process. The examination boards were made up of effective or temporary teachers from the own course, who signaled the methodology as the main failure of the work.

Conclusion

The data showed that students need more opportunities to exercise and elaborate a scientific text before the moment of the final paper creation and those teachers need to support their pupils in the search for more diversified research objects, instruments, and methodologies.

Keywords:  Monograph; Research; Occupational Therapy; Education; Higher; Professional Training

1 Introdução

A Câmara de Educação Superior é responsável por deliberar as diretrizes curriculares propostas pelo Ministério da Educação e Desporto para os cursos de graduação (BRASIL, 1995). Cada curso conta com diretrizes exclusivas que orientam o planejamento dos seus currículos, incluindo os parâmetros para elaboração e obrigatoriedade de um trabalho de conclusão.

O Conselho Nacional de Educação (BRASIL, 2002) instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Terapia Ocupacional, por meio da Resolução CNE/CES nº 6/2002. Essa resolução dispõe, no artigo 5o, sobre as competências e habilidades específicas que o terapeuta ocupacional deveria possuir. Entre estas, inclui-se o conhecimento de métodos e técnicas de investigação e a elaboração de trabalhos acadêmicos e científicos, e os princípios éticos para a realização de atividades de pesquisa. O artigo 12, da mesma Resolução, trata da obrigatoriedade de realização de um trabalho de conclusão de curso (TCC) para a graduação em terapia ocupacional, que deverá ser realizado sob orientação docente.

O curso de Terapia Ocupacional de uma universidade pública da Região Sudeste do país surgiu a partir da adesão ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – Reuni em 2007, e iniciou suas atividades em 2009, na Faculdade de Medicina.

Atualmente, o curso está vinculado ao departamento de terapia ocupacional, e é composto por vinte e três professores efetivos, três professores substitutos, seis técnicos em educação nível e (com formação em terapia ocupacional) e dois assistentes administrativos. Sua grade curricular compreende 3570 horas, a serem realizadas em disciplinas que contemplam saberes das ciências biológicas, ciências da saúde, ciências humanas e sociais, ciências da ocupação humana e terapia ocupacional. A carga horária total do curso é dividida entre disciplinas teóricas, disciplinas teórico-práticas, atividades de extensão e estágio curricular obrigatório.

Nessa graduação em terapia ocupacional, o TCC é parte da grade curricular de formação, sendo um requisito obrigatório para a integralização da graduação. Os alunos devem cursar a disciplina de TCC a partir do 6o período, com carga horária de 30 horas e elaborar seu pré-projeto. Após esta etapa, o TCC deve ser desenvolvido pelos graduandos ao longo de dois semestres, com orientação de um professor efetivo do curso, podendo ou não haver o apoio de um coorientador (MARINHO; ALMEIDA; PELOSI, 2011), e apresentado em uma Jornada Científica de Avaliação, que acontece ao final de cada semestre, aberta à comunidade e organizada por uma comissão composta por docentes e discentes.

O desenvolvimento do TCC, com a supervisão de um docente, é fundamental no processo de formação, pois auxilia o estudante a ter

[...] mais segurança para questionar sua realidade e treinar suas habilidades de investigação, contribuindo para enriquecer o processo de ensino e aprendizado […] (CRUZ, 2003, p. 32).

A elaboração de um TCC oportuniza a iniciação ao meio científico, a partir da investigação, escolha de um problema e elaboração de soluções, consolidação do conhecimento adquirido ao longo do curso, e é ainda um incentivo à pós-graduação (MARINHO; ALMEIDA; PELOSI, 2011). Além disso, a sua apresentação possibilita a divulgação e a socialização dos seus resultados, assim como a construção e a ampliação de conhecimentos por meio do diálogo e troca de saberes.

A realização do TCC não é uma tarefa fácil, e as dificuldades vêm sendo estudadas a partir da percepção dos alunos (GUEDES; GUEDES, 2012) e dos professores (GUEDES; GUEDES, 2012; MEDEIROS et al., 2015).

O estudo dos TCCs de um curso tem o potencial de contribuir com um panorama das pesquisas desenvolvidas por aquele grupo, assim como avaliar aspectos como o tipo de pesquisa mais comumente utilizada, as áreas pesquisadas e o desfecho do trabalho com a divulgação em eventos ou revistas científicas.

Neste sentido, esta pesquisa teve como objetivo caracterizar os trabalhos de conclusão de curso da graduação em terapia ocupacional defendidos no período compreendido entre o primeiro semestre de 2013 e o primeiro semestre de 2017 e levantar a percepção dos professores orientadores sobre este trabalho.

2 Método

Trata-se de uma pesquisa descritiva, com abordagem quali-quanti, realizada em duas fases. Na primeira, foi realizada uma caracterização dos TCCs a partir de uma análise das atas de defesas e dos próprios trabalhos apresentados, no período de 2013 a 2017, totalizando nove semestres. A segunda etapa consistiu em um questionário aplicado aos professores que haviam orientado os trabalhos de TCCs nesse período.

Nos documentos foram coletadas as seguintes informações: título do TCC; semestre da defesa (2013.1, 2013.2, 2014.1, 2014.2, 2015.1, 2015.2, 2016.1, 2016.2, 2017.1); nota final; nota do orientador; nota do coorientador, nos casos em que houve essa ocorrência; nota do avaliador; nota do processo de orientação; nota do processo de coorientação, quando pertinente; o responsável pela maior nota; faixa etária da população estudada, segundo a legislação brasileira - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (BRASIL, 1990), Estatuto da Juventude (BRASIL, 2013) e Estatuto do Idoso (BRASIL, 2003), (crianças de 0 a 12 anos, adolescentes de 12 a 18 anos incompletos, jovens de 15 a 29 anos, adultos, idosos a partir de 60 anos, não determinado, mais de uma população); sexo/gênero (homens cisgênero, mulheres cisgênero, transgêneros homens e mulheres e não especificado), especialidades reconhecidas pelo Coffito: Acupuntura (CONSELHO..., 2011a); Contextos Sociais (CONSELHO..., 2011b); Saúde da Família (CONSELHO..., 2011c); Saúde Mental (CONSELHO..., 2011d); Contextos Hospitalares (CONSELHO..., 2013); Gerontologia (CONSELHO..., 2016); e nenhuma das anteriores; TCC relacionado a algum projeto de pesquisa, extensão, disciplina, estágio curricular ou extracurricular; nome do projeto, estágio ou disciplina; tipo de abordagem (quantitativa, qualitativa ou quali-quanti), se foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP)(sim e não); tipo de pesquisa (revisão de literatura, relato de experiência, estudo de caso ou pesquisa de campo); instrumento utilizado na pesquisa (entrevista, diário de campo, protocolo de avaliação validado, protocolo de avaliação criado para a pesquisa, outro e não se aplica); se foi divulgado no site do TCC (sim e não); recomendação pela banca para publicação do TCC (sim e não); TCC foi publicado em revista científica e/ou apresentado em congresso/eventos (sim e não); tipo de referências bibliográficas utilizadas (nacionais, internacionais, ambas).

Para complementar as informações do estudo, 24 docentes efetivos do curso de terapia ocupacional, que haviam orientado os trabalhos de TCC da amostra, foram convidados a participar respondendo um questionário elaborado pela equipe de pesquisa.

O questionário foi criado pelas autoras do estudo, com perguntas abertas e fechadas e abordava temas como: ano de ingresso do professor na universidade; área de atuação; preferência no trabalho de orientação–sozinho ou com um coorientador; e razões para a escolha; vínculo do TCC com projetos de pesquisa ou extensão; publicação em revista científica; apresentação em evento; orientação de trabalho do professor que não integra a sua área de atuação; dificuldades encontradas pelos alunos e pelo próprio professor no processo de orientação; participação em bancas fora dos temas de mais conhecimento; principais problemas encontrados nos trabalhos avaliados; e, finalmente, qual a importância da realização do TCC na graduação em terapia ocupacional na opinião do professor.

Os docentes receberam em mãos, ou via e-mail, uma cópia do questionário personalizado com os dados dos alunos orientados por cada um, no período do estudo, e do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Destaca-se que o projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa sob o Parecer no 2.213.975 de 11/8/2017, e a consulta dos documentos relacionadas aos TCCs foi autorizada pelo corpo deliberativo do departamento de terapia ocupacional.

2.1 Análise dos dados

Foram analisados 154 Trabalhos de Conclusão de Curso, sendo que, destes, 11 não possuíam a ata da defesa (7,1%), diminuindo o número de trabalhos analisados em algumas das variáveis estudadas.

Os dados das atas de defesa e as informações das perguntas fechadas do questionário dos docentes foram organizados em uma planilha e posteriormente importados para o software Statistical Package for The Social Sciences – SPSS®, versão 19.0. Para atender o primeiro objetivo do estudo, foi feita a análise univariada descritiva, utilizando frequências absolutas e relativas para as variáveis categóricas, e medidas de tendência central (média ou mediana) para as variáveis quantitativas. Para comparar as variáveis categóricas com a ocorrência de recomendado para publicação, publicado e apresentado em evento, empregou-se o teste qui-quadrado (X)2, considerado um nível de significância de p< 0,05 e intervalo de confiança (IC) de 95%.

Os questionários foram respondidos por 96% dos professores efetivos que haviam orientado os trabalhos de TCC no período estudado, o que representou o total de 24 professores. Para analisar essas informações, especialmente as advindas das questões abertas, realizou-se a análise de conteúdo, com o objetivo de assinalar e classificar de maneira objetiva e exaustiva todas as unidades de registro existentes no texto, obtendo indicadores úteis ao objetivo da pesquisa (BARDIN, 2011). As seguintes categorias de análise surgiram a partir da análise das respostas às perguntas abertas do questionário respondido pelos professores: dificuldades e facilidades no processo de orientação; dificuldades dos estudantes na realização da pesquisa, importância dos trabalhos de conclusão de curso na formação do terapeuta ocupacional.

3 Resultados

Os dados foram apresentados considerando os seguintes aspectos: características do TCC; processo de avaliação e difusão de conhecimento da terapia ocupacional, a partir dos tccs defendidos no curso de graduação em terapia ocupacional.

3.1 Características dos Trabalhos de Conclusão de Curso

Os 154 trabalhos compreenderam a totalidade dos TCCs defendidos no curso de graduação em terapia ocupacional ao longo de nove semestres, com a média de 17 trabalhos por semestre. O número máximo de defesas por Jornada Científica foi de 29 trabalhos no primeiro semestre de 2014, e o menor número, 11 trabalhos, nos primeiros semestres dos anos de 2013 e 2016, como mostra a Figura 1.

Figura 1 Número de trabalhos defendidos por semestre (n = 154). 

Quanto às áreas temáticas, os trabalhos foram classificados considerando as especialidades reconhecidas pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO), sendo as mais prevalentes: Contextos Hospitalares e Saúde da Família, ambas com 31,6%, seguidas por Saúde Mental (17,5%), Contextos Sociais (9,7%) e Gerontologia (7,1%). Na análise dos TCCs por semestre, as especialidades predominantes foram: Contextos Hospitalares, Saúde da Família e Saúde Mental, conforme descrito na Tabela 1.

Tabela 1 Área temática mais abordada em cada semestre. 

Semestre Área mais prevalente
2013.1 Contextos Hospitalares (36,3%)
2013.2 Saúde da Família (46,1%)
2014.1 Saúde da Família (41,3%)
2014.2 Contextos Hospitalares (33,3%)
2015.1 Contextos Hospitalares (50,0%)
2015.2 Saúde Mental (33,3%)
2016.1 Saúde da Família (36,3%)
2016.2 Contextos Hospitalares (42,8%)
2017.1 Saúde da Família (40,0%)

Os estudos com abordagem qualitativa obtiveram maior percentual (91,6%). No que se refere aos procedimentos técnicos, a maioria dos estudos realizou técnica de revisão documental ou de literatura (61,7%); relatos de experiência (22,1%) e pesquisas de campo (14,3%). Os instrumentos utilizados compreenderam diário de campo (44,0%), entrevistas ou questionários (27,1%), protocolo de avaliação validado (10,1%) e protocolo de avaliação criado pelo pesquisador (1,6%). Ao analisar os trabalhos por semestre, constatou-se que as pesquisas de revisão documental ou de literatura foram predominantes em sete dos nove semestres estudados.

Quanto à submissão das pesquisas dos TCC ao Comitê de Ética e Pesquisa (CEP), pode-se afirmar que esta não foi uma realidade para a maioria dos trabalhos defendidos (89,6%).

Em relação à população pesquisada, 45,5% dos trabalhos não determinaram a faixa etária estudada, sendo as crianças a população mais frequentemente citada (19,5%). Quanto ao gênero da população investigada, este não foi determinado na maioria dos trabalhos (96,1%).

No que diz respeito às referências bibliográficas, a maior parte dos estudos utilizou referências nacionais e internacionais (53,2%), sendo incluídos nessa categoria os trabalhos que utilizavam pelo menos uma referência em língua estrangeira.

Quanto à ligação dos TCCs com projetos de extensão, pesquisa, estágio e disciplina, pode-se dizer que a maioria dos trabalhos estava vinculada ou foi inspirada nessas atividades (55,2%), sendo o estágio curricular a mais citada (37,6%), seguida pelos projetos de extensão (33,0%) e de pesquisa (24,7%). No campo “Outros”, foram incluídos os trabalhos desenvolvidos a partir de atividade de monitoria, temas de interesse do aluno e atividades extracurriculares não listadas na caracterização da pesquisa. Alguns trabalhos foram elaborados a partir de mais de uma motivação.

Dentre os TCCs motivados pela experiência dos alunos em projetos de extensão, os mais frequentes foram: “Programa de Educação pelo Trabalho para Saúde – PET-Saúde” (10,5%); “Projeto TO Brincando” (7,0%); e “A Terapia Ocupacional no Atendimento a Idosos em Situação de Vulnerabilidade Social” (4,7%). Os demais trabalhos estavam relacionados a algum dos outros projetos que tiveram a frequência de uma ou duas vezes cada.

3.2 Processo de Avaliação dos Trabalhos de Conclusão de Curso da Terapia Ocupacional

Os trabalhos foram orientados por 25 professores efetivos do curso de terapia ocupacional no período estudado, sendo que 24 deles responderam ao instrumento.

O número de orientações por professor variou de 1 a 14 estudantes, contudo, o tempo de cada professor como membro efetivo do curso também foi distinto.

A inclusão de coorientação era facultativa e poderia ser solicitada pelo próprio aluno ou sugerida pelo professor orientador. A maioria dos trabalhos não teve coorientação (59,1%). Dentre os trabalhos que tiveram coorientação; 57,1%, foi realizada por um professor do curso de terapia ocupacional, 14,3% por terapeutas ocupacionais da rede, 12,7% por profissionais da rede de outras áreas e 6,3% por um técnico da universidade.

Na maior parte das bancas, o avaliador do trabalho foi um professor do curso de terapia ocupacional efetivo ou substituto (90,3%). Os demais avaliadores foram terapeutas ocupacionais da rede (3,9%), terapeuta ocupacional técnico da universidade (2,6%), profissional de outra formação da rede (1,9%) e um professor de outro curso da universidade (0,6%). Nenhum dos trabalhos teve como banca um terapeuta ocupacional de outra Instituição de Ensino Superior (IES).

Os trabalhos podiam ser avaliados por duas ou três pessoas, dependendo da presença do coorientador. A nota final do TCC era composta pela média da nota final dada pelos membros da banca, por meio das fichas de avaliação que contemplam a avaliação do trabalho escrito, da apresentação oral e do processo de orientação, no caso de a avaliação ter sido feita pelo orientador e coorientador. A média das notas finais, considerando todos os semestres, foi de 9,6, com valores mínimo de 6,2 e máximo de 10.

Sobre as observações realizadas pelos avaliadores no espaço em aberto para comentários existentes nas atas de defesa, observou-se que a maior parte dos avaliadores não especificou as lacunas apresentadas nos trabalhos, registrando apenas a necessidade de realização de modificações (80,4%). As modificações sinalizadas estavam relacionadas aos elementos textuais do TCC (10,5%) e à necessidade de revisão em relação à formatação e à língua portuguesa (3,5%).

3.3 Características dos professores orientadores

Os professores orientavam pesquisas em áreas como: Reabilitação e Disfunções Sensório-motoras (54,2%); Práticas em Saúde (45,8%); Terapia Ocupacional Social (29,2%); Saúde Pública (29,2%); Recursos e Tecnologia Assistiva (29,2%); Saúde Mental (16,7%); História e Formação Profissional (16,7%) e Educação (12,5%).

Em relação ao processo de orientação, prevaleceu o interesse de trabalhar em parceria com colegas como coorientadores dos TCCs (95,8%), sendo que 50,0% sem nenhuma ressalva e 45,8% com observações para realização desse trabalho em conjunto. Dentre as ressalvas apontadas pelos professores, destacam-se: o conhecimento do coorientador da área de estudo do trabalho e a ausência de conflitos conceituais (81,8%); o tema do trabalho (36,4%); o interesse do aluno em ter um coorientador (27,3%); o tipo de pesquisa (9,1%); a possibilidade de convergência de horários para orientação (9,1%); e o conhecimento prévio do coorientador (9,1%).

A maior parte dos professores não orientou trabalhos fora de sua área de atuação (56,5%). Os que orientaram, o fizeram por se tratar de área com a qual já tinham trabalhado em outra universidade (30,0%); em razão de o trabalho tangenciar a sua área de ação (20,0%); por ser uma área de seu conhecimento, apesar de não estar mais atuando nela (20,0%) e em razão de ter dado aula na graduação de terapia ocupacional em uma disciplina que não era da sua área (10,0%).

Na percepção dos professores, as dificuldades mais relevantes enfrentadas pelos alunos eram relacionadas ao processo de escrita (39,1%); à falta de clareza do objeto do estudo (30,4%); ao desconhecimento das normas para elaboração de um trabalho científico (30,4%); ao não comprometimento com o processo de orientação (30,4%); a problemas pessoais (30,4%); ao desconhecimento da metodologia científica (21,7%) e ao desconhecimento sobre levantamento bibliográfico (13%).

Os obstáculos mais significativos encontrados pelos professores no processo de orientação estavam relacionados à questões pessoais do aluno que interferiam no processo de orientação, como dificuldade em gerenciar o tempo, sobrecarga com atividades acadêmicas (disciplina, estágios, projetos), à falta de conhecimento para a elaboração de um trabalho científico, à pouca autonomia, ao desconhecimento de uma língua estrangeira, a problemas familiares e de saúde (72,7%); a questões do próprio professor, como falta de tempo e espaço para orientação e não possuir um projeto de pesquisa que permitisse ao orientando se inserir (18,2%); a dificuldades de relacionamento com o aluno no processo de orientação, como adequação dos interesses do aluno com o tema de pesquisa do professor e adesão ao cumprimento de prazos(13,6%); a problemas administrativos ou gerenciais, como pressa na realização do projeto para colar grau e demora do processo de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa (9,1%) e a outros sinalizados pelos professores, como a ausência de regras para distribuição dos alunos entre os professores orientadores (9,1%).

Na opinião dos professores orientadores, a escolha por pesquisas do tipo revisão de literatura ou documental estava relacionada ao fato de que a submissão de projetos de pesquisa ao CEP era um processo trabalhoso, e a aprovação da pesquisa podia demorar vários meses.

Quanto à participação do professor como banca em trabalhos que não orientou, a maior parte disse que os temas dos trabalhos estavam relacionados ao seu tópico de pesquisa todas às vezes (52,2%), ou na maior parte das vezes (43,5%).

Em relação aos trabalhos em que compuseram a banca, os professores identificaram que os principais problemas estavam relacionados ao objeto de estudo e à metodologia escolhida (36,4%); a problemas com a escrita do texto com erros de ortografia, concordância, desenvolvimento do tema e conclusão (27,3%); à questões éticas relacionadas a não submissão do trabalho ao Conselho de Ética em Pesquisa e plágio de textos (9,1%); e à dificuldade de apresentação oral (4,5%).

Na opinião dos professores, a realização do TCC na graduação de terapia ocupacional referia-se à possibilidade de o aluno sintetizar experiências realizando pesquisas, assim como aproximá-lo da pós-graduação (73,9%), considerando, ainda, a importância para difundir diferentes experiências na área de terapia ocupacional, contribuindo para o crescimento da profissão (26,1%).

3.4 Difusão de conhecimento da terapia ocupacional a partir dos TCCs defendidos no curso de graduação em terapia ocupacional

A avaliação dos trabalhos pela banca de TCC apontou que estes podiam ser indicados para publicação, contudo a maior parte deles não teve indicação (58,2%). Este resultado foi resultante das decisões consensuais tomadas entre o orientador, o coorientador e o avaliador. Os trabalhos defendidos eram divulgados no site Notícias da TO, mantido pelo departamento de terapia ocupacional, a partir da autorização do aluno que o defendeu, não sendo obrigatória a publicação. No site foram divulgados apenas 26% dos trabalhos finalizados.

De acordo com os professores, a maioria dos trabalhos não havia sido publicada (79,2%). Os demais estavam em processo de avaliação (13,9%), já haviam sido publicados (5,6%) ou tinham sido encaminhados para revista, mas rejeitados (1,4%).

As revistas que publicaram os trabalhos foram: Revista Brasileira Interinstitucional de Terapia Ocupacional –Revisbrato, Cadernos de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar (hoje chamado Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional) e em um capítulo do livro Terapia ocupacional e vulnerabilidade social em idosos: vivências de um projeto de extensão. Os trabalhos que estão em processo de publicação foram encaminhados para a Revisbrato, Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Revista Saúde e Sociedade, Ciência e Saúde Coletiva e Revista Brasileira de Educação Especial. O trabalho negado havia sido encaminhado para a Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo (USP).

Dentre os trabalhos recomendados para publicação, prevaleceram aqueles que não foram publicados (71,7%) e apresentados em eventos científicos (73,6%), como mostra a Tabela 2.

Tabela 2 Distribuição da frequência das variáveis “trabalho publicado” e “trabalho apresentado em evento científico”, segundo “Recomendado para publicação” (N=125). 

Recomendado para publicação
Variáveis Sim
N (%)
Não
N (%)
p*
Trabalhos publicados
Sim 3 (5,7%) 3 (4,2%) 0,061
Não 38 (71,7%) 63 (87,5%)
Trabalho em processo de publicação 12 (22,6%) 5 (6,8%)
Trabalho rejeitado 0 (0,0%) 1 (1,4%)
Trabalho apresentado em evento científico
Sim 14 (26,4%) 11 (15,3%) 0,095
Não 39 (73,6%) 61 (84,7%)

*p > 0,05.

4 Discussão

O acesso aos cursos de graduação da universidade estudada acontece pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do Ministério de Educação (MEC), que organiza a distribuição de vagas às Instituições Públicas de Ensino Superior para os candidatos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio – Enem (BRASIL, 2012), tendo o curso de graduação em terapia ocupacional a entrada de 30 alunos por semestre.

Após nove semestres de funcionamento o curso de graduação em terapia ocupacional apresentava 238 alunos com matrícula ativa, 28 com matrícula trancada, 32 desligamentos e 149 concluintes, segundo informações cedidas pela coordenação do curso. Pelo número de TCCs defendidos, foi possível verificar que apenas cinco alunos permaneceram na universidade após a defesa do TCC, mostrando que este ato acadêmico acontecia, na maior parte das vezes, no último semestre da graduação (SISTEMA..., 2017).

Considerando o número de ingressantes a cada semestre, o número de defesas deveria ser de 30 TCCs por período, contudo a média de trabalhos por semestre foi de 17,1, o que demonstra que, além das evasões e trancamentos, os alunos que ampliam o seu tempo de integralização do curso deixam o TCC para os últimos semestres.

As áreas com mais produção foram Contextos Hospitalares e Saúde da Família, seguidas por Saúde Mental, Contextos Sociais e Gerontologia.

Estudo sobre os artigos publicados nos Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional e na Revista de Terapia Ocupacional da USP mostrou que as áreas da terapia ocupacional que tiveram mais artigos publicados, entre os anos 1990 e 2014, na Revista de Terapia Ocupacional da USP, foram Saúde Mental, fundamentos, formação, Terapia Ocupacional Social, Reabilitação, Gerontologia, Desenvolvimento Infantil, Contexto Hospitalar, Saúde Coletiva, Educação, Disfunção Física, Saúde do Trabalhador e Trabalho. Já nos Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, as mais frequentes foram Fundamentos, Saúde Mental, formação, Contexto Hospitalar, Reabilitação, Terapia Ocupacional Social, Desenvolvimento Infantil, Disfunção Física, Saúde Coletiva, Saúde do Trabalhador, Educação e Gerontologia (LOPES et al., 2016).

Apesar de a estratégia de classificação ter sido diferente da realizada no presente estudo, é possível observar que as três áreas mais prevalentes na Revista de Terapia Ocupacional da USP e nos Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional apresentaram temas distintos dos encontrados neste estudo, o que indica que a produção de uma universidade está relacionada à composição de seu grupo de professores, às suas áreas de atuação e a oportunidades de participação para os alunos em projetos de pesquisa, ensino e extensão.

Quando os primeiros TCCs começaram a ser elaborados no primeiro semestre de 2012, um ano antes das primeiras defesas, a maior parte das áreas tinha mais de dois professores com possibilidade de orientação sobre determinado tema, criando um ambiente propício para o desenvolvimento de trabalhos diversificados. Contudo, esse fenômeno não se repetiu em relação ao tipo de estudo realizado, que teve a preponderância do tipo revisão de literatura em sete dos nove semestres pesquisados.

Os dados mostraram que as áreas relacionadas ao campo Saúde foram predominantes nos temas dos TCCs, e concentraram o maior número de professores. Ainda que com o passar dos anos o quadro de atuação de professores tenha se modificado e ampliado, o campo da Saúde permaneceu prevalente. A área “Reabilitação e Disfunções Sensório-motoras” foi a que apresentou o maior número de trabalhos, e a de Educação, o menor.

As diretrizes curriculares para a terapia ocupacional indicam que deve ser assegurado o conhecimento equilibrado de diferentes áreas, níveis de atuação e recursos terapêuticos, para garantir uma formação generalista, e que o terapeuta ocupacional é profissional das áreas da Saúde, Assistência Social, Educação e Cultura, entre outras (BRASIL, 2002).

Pan e Lopes (2016), em pesquisa que teve como objetivo apresentar um panorama dos cursos de graduação em terapia ocupacional das Instituições Federais de Ensino Superior do Brasil, questionam o que os cursos têm considerado como formação generalista, uma vez que, na maior parte deles, as subáreas de atuação propostas para a formação estão ligadas ao setor da Saúde.

Assim, como afirmam estes autores, na graduação em terapia ocupacional dessa universidade, o curso está alocado na Faculdade de Medicina, e, por esta razão, a maior parte das pesquisas de conclusão de curso teve como enfoque a área da Saúde.

Portanto, é importante lembrar que, ao se falar de uma formação generalista, deve-se incluir os campos de atuação do terapeuta ocupacional (Saúde, Educação, Assistência Social, Cultura), e não apenas ações generalistas dentro do campo da Saúde (PAN; LOPES, 2016).

Com pesquisas qualitativas, majoritariamente de revisão de literatura ou documental, não foi necessária a submissão dos trabalhos ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEPs), porém, a partir de 2016, houve um aumento de 1 para 10 pesquisas que envolveram seres humanos e foram encaminhadas ao CEP. Como os alunos possuíam de 6 a 12 meses para a finalização dos trabalhos, a submissão de um estudo ao CEP poderia ser um grande entrave para a integralização da graduação. Entretanto, o que permitiu a mudança do panorama foi a ampliação do número de professores, que passou a ter pesquisas em andamento e, consequentemente, aprovação prévia do Comitê.

Estudo realizado por Medeiros et al. (2015) sinalizou que a baixa participação dos professores orientadores em atividades de pesquisa e extensão pode dificultar o processo de orientação, e Camilo e Ribas (2007) apontaram para a importância de os docentes publicarem, pois a prática da produção científica enriquece e ajuda na aplicação do conhecimento adquirido nas orientações de TCC.

O professor poderá ser um bom orientador na medida em que pratica o ato de realizar pesquisa, e essa prática está mais presente quando ele alcança o nível de doutorado (BIANCHETTI; MACHADO, 2002). Na universidade estudada, muitos professores ainda estão cursando o doutorado e, portanto, também em processo de formação como pesquisador.

Os TCCs foram motivados pela experiência dos alunos em estágios, projetos de extensão, pesquisa e disciplinas.

A Extensão Universitária é uma atividade acadêmica, um processo educativo, cultural e científico que articula o ensino e a pesquisa de forma indissociável com práticas de troca com a sociedade em ações que beneficiam a comunidade e a própria universidade. As ações extensionistas acontecem a partir da produção, propagação e democratização do conhecimento acadêmico (PALETTA; SILVA; SANTOS, 2014). A política de extensão universitária foi pactuada entre as Instituições Públicas de Ensino Superior, e a universidade estudada aderiu ao Plano Nacional de Extensão, que em 2012 se constituiu como a Política Nacional de Extensão Universitária (BRASIL, 2000).

As atividades de extensão no curso de graduação em terapia ocupacional são computadas como atividades complementares (horas de atividades extracurriculares, que podem ser culturais ou científicas) no currículo do aluno, e seu caráter prático é muitas vezes o primeiro contato do aluno com a experiência profissional, já que as atividades extensionistas são ofertadas para discentes desde o primeiro período do curso, enquanto os estágios curriculares só têm início a partir do sexto período.

A participação em projetos de extensão cria a oportunidade de difusão do conhecimento produzido em oficinas e outras ações envolvendo a comunidade e possibilita apresentações em eventos científicos. A preparação do texto a ser apresentado e/ou publicado aproxima os alunos da escrita científica com a qual precisam se envolver e exercitar para a realização do TCC (CARVALHO; MESQUITA; FARIAS, 2017), podendo ser uma alternativa para a universidade estudada enquanto seus professores estão finalizando a pós-graduação ao nível de doutorado.

A escolha do orientador é feita pelo aluno, que deve procurá-lo após ter finalizado a disciplina de TCC e se já estiver com seu pré-projeto aprovado. A decisão sobre a inclusão de um coorientador no processo de orientação, e do avaliador da banca, no momento da defesa, ocorre em comum acordo com o orientador (MARINHO; ALMEIDA; PELOSI, 2011).

Os dados mostraram que houve uma variação muito grande (entre 1 e 14 orientações) no grupo de professores orientadores. Estes sinalizaram, no instrumento que responderam, que seria necessário pensar em critérios que pudessem distribuir de maneira mais equânime os orientados pelo grupo de orientadores.

A presença de profissionais externos como coorientadores ou membros de banca foi pouco frequente. Os professores demonstraram em suas respostas que preferiam coorientar os trabalhos com pessoas conhecidas, que trabalhassem com o mesmo referencial teórico, e que tivessem horário disponível para orientações conjuntas.

Em relação a membros não pertencentes à universidade para a composição da banca, é importante considerar que convidar um profissional externo, que resida em outra cidade, acarreta custos, e os cursos de graduação não possuem verba destinada a esse fim, o que é uma realidade na universidade estudada e foi descrito por profissionais de outras universidades (PÁDUA; PALM, 2000).

A experiência de elaboração do TCC pode ser complexa para professores e alunos. Estudo realizado por Guedes e Guedes (2012), com o objetivo de conhecer a percepção dos alunos da Faculdade de Medicina sobre a realização dos TCCs, mostrou que eles consideraram a elaboração do TCC bastante trabalhosa, e que demandou muito esforço.

Os professores no papel de orientadores e participantes de banca encontraram muitos problemas relacionados aos pré-requisitos para a elaboração de um trabalho científico, que incluíam o processo de escrita; a falta de clareza do objeto do estudo; o desconhecimento das normas para elaboração de um trabalho científico; o não comprometimento com o processo de orientação; o desconhecimento da metodologia científica e o levantamento bibliográfico.

Medeiros et al. (2015), em estudo que pesquisou 21 professores orientadores de TCC do curso de Administração, de uma instituição privada de ensino superior, apontaram a “metodologia”, a “redação” e a “conclusão” como os aspectos mais críticos dos trabalhos dos alunos de graduação.

O presente estudo pesquisou, ainda, as questões do próprio professor, e, nesse aspecto, foi salientada a dificuldade de relacionamento com o aluno no processo de orientação, o que também foi observado em outros estudos (MEDEIROS et al., 2015).

O curso de graduação em terapia ocupacional conta com três disciplinas que abordam diretamente as questões relativas ao desenvolvimento de pesquisa: “Metodologia Científica”, que integra a grade curricular do terceiro período do curso, com carga horária total de 30 horas; “Bioestatística para terapia ocupacional”, do mesmo período, e com 60 horas; e “TCC para terapia ocupacional”, do sexto período, com 30 horas, em que os alunos devem elaborar seu pré-projeto de pesquisa. Estas questões totalizam 120 horas de disciplinas voltadas à instrumentalização para a elaboração de um trabalho científico.

Almeida (2016) discute que a percepção do aluno universitário sobre a disciplina de Metodologia, assim como a importância da elaboração de um pré-projeto, interfere no seu processo de construção do trabalho de conclusão. No momento em que o aluno percebe a metodologia como um meio, e não um fim, é capaz de identificar diferentes ferramentas que possam auxiliá-lo a alcançar seus objetivos, descobrir uma forma de organizar e dinamizar a sua pesquisa e, consequentemente, produzir conhecimento por meio dela.

O autor acrescenta que o aproveitamento do aluno nas disciplinas que instrumentalizam a produção de um trabalho científico está também relacionado à postura dele, à sua maturidade acadêmica para entender os métodos e técnicas como ferramentas e meio para a construção não só de um trabalho, mas de uma pessoa pensante, crítica e pesquisadora (ALMEIDA, 2016).

Neste sentido, os resultados desta pesquisa apontam que o curso estudado precisa pensar em novas estratégias para além das disciplinas obrigatórias, no intuito de sanar essas dificuldades identificadas pelos professores. Uma maior oferta de pesquisas de iniciação científica, cursos de extensão a respeito de metodologia e escrita científica e parcerias com outros departamentos da universidade para oferta de disciplinas optativas, por exemplo, são possibilidades a serem consideradas.

Outra dificuldade apontada pelos professores, foi o fato de o aluno não dominar uma língua estrangeira e sua consequente limitação para a elaboração de uma revisão da literatura, pois grande parte das publicações científicas encontradas nas bases de dados está escrita em outra língua, principalmente em inglês.

A universidade conta com programas como o Curso de Línguas Aberto à Comunidade, que oferece, a preços populares, o aprendizado de um idioma estrangeiro. Porém, poucos alunos conseguem participar, pois as vagas são reduzidas e a seleção é realizada por sorteio. Além disso, os cursos acontecem à noite, em um campus com pouca segurança, e os recursos para o pagamento são escassos, apesar de o valor ser inferior ao do mercado.

Autores como Guedes e Guedes (2012) sinalizam que a participação em projetos de pesquisa na graduação, dentre outros benefícios, pode contribuir para o desenvolvimento da habilidade de leitura de artigos em língua estrangeira.

Com a possibilidade de realização de revisão de literatura, incluindo publicações internacionais, os alunos poderão qualificar seus estudos na área de terapia ocupacional. A formação do futuro terapeuta ocupacional deve abranger a capacidade de se comunicar, entendendo que a comunicação envolve a expressão verbal, a não verbal, as habilidades de leitura e escrita, e o domínio de, ao menos, uma língua estrangeira (BRASIL, 2002).

Portanto, para o aluno em formação em terapia ocupacional, as diretrizes curriculares nacionais mostram a importância do aprendizado de uma língua estrangeira, tanto pela possibilidade de pesquisa quanto pela responsabilidade em atender a todos.

Deste modo, o aprendizado de uma língua estrangeira na graduação de terapia ocupacional necessita ser discutido pelo colegiado do curso, que envolve professores, técnicos e discentes, para que se possam buscar estratégias que favoreçam o acesso dos alunos aos cursos de idiomas oferecidos pela universidade.

No que tange à importância da realização do TCC, os professores foram unânimes. Para a maioria, por permitir ao aluno sintetizar experiências realizando uma pesquisa ao término da graduação, e assim aproximá-lo da pós-graduação, e, para outros, como possibilidade de difusão de diferentes experiências na área de terapia ocupacional, contribuindo para o crescimento da profissão.

Dentre as habilidades esperadas na formação em terapia ocupacional, estão a de conhecer métodos e técnicas de investigação científica e a de elaborar trabalhos acadêmicos e científicos (BRASIL, 2002). Portanto, a iniciação à pesquisa científica na graduação põe em prática o que determina as Diretrizes Curriculares Nacionais da profissão.

Para isso, é necessário que o estudante vivencie cada etapa do processo de construção do conhecimento na elaboração de um trabalho de pesquisa, a fim de que possa compreender, valorizar e criticar artigos científicos, além de criar o hábito da leitura de artigos que o ajudará a manter-se informado como profissional (GUEDES; GUEDES, 2012).

O aluno de graduação que tem sua vida acadêmica envolvida com a pesquisa, desenvolve capacidades diferenciadas de expressão oral e escrita, que repercutem na formação de um profissional capaz de realizar análises críticas, com mais maturidade intelectual e discernimento para enfrentar as dificuldades (FAVA-DE-MORAES; FAVA, 2000).

Malfitano et al. (2013) apontam que o crescimento de uma área está relacionado com a produção de pesquisas desenvolvidas nela. Deste modo, pode-se deduzir que realizar pesquisas desde a graduação é uma forma de contribuir para o desenvolvimento e fortalecimento da profissão de terapia ocupacional.

Estudo feito com alunos de Medicina da Universidade de Stanford, que foram estimulados a desenvolver pesquisa durante a graduação, mostrou que a maior parte deles tinha realizado pesquisas (95%), publicado pelo menos um artigo científico (75%) e feito apresentações em congressos nacionais (52%). A maioria sinalizou que estava motivada a continuar pesquisando (75%), e que desejava seguir a carreira acadêmica (60%), evidenciando que o currículo estimulava uma abordagem investigativa em relação aos problemas médicos (JACOBS; CROSS, 1995).

Considerando, então, o papel fundamental da pesquisa na terapia ocupacional, é importante buscar estratégias para que estas possam ser publicadas. A divulgação do material corrobora para a disseminação de conhecimento, que é um papel ético da universidade e dos pesquisadores, possibilitando que suas pesquisas sejam alcançadas pela população (BRASIL, 2000).

As defesas dos TCCs desse curso de graduação são realizadas em um evento científico de extensão, denominado “Jornada Científica de Avaliação dos Trabalhos de Conclusão de Curso – Terapia Ocupacional” (MARINHO; ALMEIDA; PELOSI, 2011). Este evento é organizado por uma comissão composta de docentes e discentes de diferentes períodos do curso. Sua primeira edição aconteceu em 2014 e, desde então, é realizado semestralmente nas dependências da universidade.

Como todo evento de extensão universitária, a Jornada é aberta ao público externo à universidade, e sua divulgação é feita no site Notícias da TO e por redes sociais, como Facebook, e-mail e parcerias, como as realizadas com o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 2aRegião (Crefito-2) e a Associação de Terapeutas Ocupacionais do Estado do Rio de Janeiro (Atoerj).

A biblioteca do Centro de Ciências da Saúde, onde está lotado o curso, não recebe em seu acervo Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação, e o site Notícias da TO é, portanto, a única maneira de o público ter acesso aos trabalhos escritos. Segundo a experiência de Pádua e Palm (2000), a organização e a possibilidade dos trabalhos estarem disponíveis para consulta dos alunos do curso e demais instituições de ensino fizeram com que eles tenham sido utilizados como referencial para outras pesquisas na área. Neste sentido, percebe-se ser importante estimular o estudante a autorizar a publicação de seu trabalho no site.

Outra forma de divulgar o conhecimento produzido na universidade é por meio das publicações científicas em revistas ou de apresentações em eventos.

A maior parte dos TCCs também não foi indicada para publicação (58,2%). Relacionando esse dado com a fala dos docentes indicando muita dificuldade dos estudantes na elaboração de trabalhos científicos, pode-se inferir que talvez os TCCs não estejam ainda com o nível de qualidade exigido pelas revistas indexadas. A falta de literatura em língua estrangeira, por exemplo, pode prejudicar as revisões de literatura e o embasamento teórico dos estudos, assim como os obstáculos referentes ao desconhecimento de metodologias e linguagem científica apontados nas entrevistas.

Outros aspectos a serem considerados são o número reduzido de periódicos de terapia ocupacional no Brasil e a endogenia de autores da Instituição de Ensino Superior que sedia e produz o periódico (LOPES et al., 2016).

Mesmo entre os TCCs que a banca indicou para publicação, o percentual de trabalhos efetivamente publicados é ainda muito pequeno. Tal panorama pode ser explicado pelo fato de os alunos abandonarem seus trabalhos após a defesa, mesmo depois de terem acordado a continuidade ou a preparação do manuscrito para publicação com seus orientadores, conforme os professores explicitaram nas entrevistas. Percebe-se que o TCC é considerado, pelos alunos, um ato final da graduação, ato que encerra seu vínculo com a universidade.

Este não é um problema apenas dos alunos. Estudo sobre as publicações realizadas no período compreendido entre os anos 1990 e 2014 nos então chamados Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar e na Revista de Terapia Ocupacional da USP mostrou que a média de publicação no espaço de tempo estudado foi de 2,4% por autor, que 80% dos autores publicaram apenas um trabalho, e 5,3%, na Revista de Terapia Ocupacional da USP, e 3,2%, nos Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, publicaram cinco ou mais trabalhos em 24 anos, denunciando que a produção brasileira nesses veículos é insipiente (LOPES et al., 2016).

O surgimento de mais um periódico específico de terapia ocupacional, a Revista Institucional de Terapia Ocupacional –Revisbrato, se mostrou importante no que tange ao aumento do fluxo de publicações exclusivas da área, como é o caso da maioria dos TCCs. Ela está entre as duas revistas que tiveram mais publicação de trabalhos apresentados na Jornada de TCC. E é ainda uma possibilidade de comunicação do curso de terapia ocupacional com os demais segmentos da universidade, pois está listada entre os periódicos da instituição, podendo, portanto, ser um canal para futuras parcerias dentro da própria instituição.

5 Considerações Finais

Este estudo possibilitou um panorama das pesquisas realizadas pelos discentes da terapia ocupacional de uma universidade federal da Região Sudeste do país.

Os 154 trabalhos analisados eram majoritariamente pesquisas do tipo revisão de literatura ou documental, com abordagem qualitativa, que utilizaram o caderno de campo como instrumento de coleta de dados. A área mais frequentemente estudada foi a de Contextos Hospitalares, em trabalhos relacionados aos temas vivenciados pelos alunos em projetos de extensão, pesquisa, disciplinas ou estágio.

As orientações foram realizadas apenas pelo professor orientador, dentro de suas áreas de pesquisa, tendo sido a dificuldade no processo de escrita do aluno o problema mais frequentemente encontrado. Cada professor orientou entre 1 e 14 estudantes.

As bancas de avaliação foram constituídas por professores efetivos ou temporários do próprio curso, que deram notas entre 6,2 e 10, com média de 9,6, e que sinalizaram a metodologia como a principal falha dos trabalhos.

A difusão de conhecimento da terapia ocupacional a partir os TCCs defendidos no curso de graduação em terapia ocupacional era ainda incipiente.

A iniciação à atividade de pesquisa é uma responsabilidade da academia e, consequentemente, dos professores como terapeutas ocupacionais que se dedicam à formação de novos profissionais, sendo este um exercício crucial para o futuro profissional exercer seu ofício com o olhar voltado à sua clientela, pensando seu contexto e especificidades, mas também baseando suas intervenções nos achados científicos.

Os dados mostraram que os alunos necessitavam de mais oportunidades para exercitar o processo de escrita científica antes do momento da elaboração dos Trabalhos de Conclusão de Curso, e que os professores precisavam apoiar seus orientandos na busca de objetos de pesquisa, instrumentos e metodologias mais diversificados.

Por fim, o objetivo de caracterizar os TCCs apresentados em Jornada Científica no período de 2013.1 a 2017.1 foi alcançado. E para a atualização dos resultados e a continuidade deste estudo, os pesquisadores elaboraram um questionário, a ser preenchido pelos alunos e orientadores, que fará parte do conjunto de documentos relacionados com a defesa dos trabalhos. Espera-se com esta ação dar continuidade à investigação sobre a produção de conhecimento no curso de graduação em terapia ocupacional estudado.

1O artigo apresenta os resultados da pesquisa desenvolvida no Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro intitulada “Caracterização dos Trabalhos de Conclusão de Curso – Terapia Ocupacional/UFRJ – 2013 a 2016”, cujos resultados foram apresentados como trabalho de conclusão de curso da primeira autora. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Clementino Fraga Filho da UFRJ, sendo aprovado através do Parecer número 2.213.975.

Agradecimentos

Agradecemos à Anita Barrio dos Santos pela colaboração nesta pesquisa.

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Recebido: 19 de Março de 2018; Revisado: 01 de Junho de 2018; Revisado: 30 de Setembro de 2018; Aceito: 14 de Dezembro de 2018

Autor para correspondência: Monica Villaça Gonçalves, Coordenação de Curso de Terapia Ocupacional, R. Prof. Rodolpho Paulo Rocco, s/n, bloco K, sala k17, 1º Andar, Prédio do Centro de Ciências da Saúde, Cidade Universitária, Ilha do Fundão, CEP 21910-590, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, e-mail: movillaca@hotmail.com

Contribuição dos Autores Todas as autoras trabalharam juntas na concepção e realização da pesquisa, assim como na redação do artigo. Todas as autoras também aprovaram a versão final do texto.

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